Viagens Curtas Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/viagens-curtas/ Blog de viagens para inquietos e irrequietos Wed, 07 Aug 2024 20:38:04 +0000 en-GB hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.2 https://www.mudancasconstantes.com/wp-content/uploads/2018/10/cropped-Untitled-design-1-32x32.png Viagens Curtas Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/viagens-curtas/ 32 32 De caravana por Cheddar, Exmoor e Cornwall https://www.mudancasconstantes.com/2022/03/23/caravana-cheddar-exmoor-cornwall/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=caravana-cheddar-exmoor-cornwall https://www.mudancasconstantes.com/2022/03/23/caravana-cheddar-exmoor-cornwall/#respond Wed, 23 Mar 2022 18:18:23 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=8711 O Parque Nacional de Exmoor não é particularmente famoso nem em Inglaterra, nem no estrangeiro. Mas devia! Situado entre Dorset e Cornwall, dois counties bem mais badalados, o parque fica em Devon, uma região que combina praias secretas, cavalos selvagens e caminhadas costeiras sem fim. Assim sendo, estavam reunidas as características ideais para uma roadtrip e Exmoor foi aprovado como principal destino de uma viagem de cinco dias numa pequena caravana. Parques de campismo marcados, rota escolhida e test drive feito estávamos prontos para mais uma “staycation”. Cheddar: queijos e caminhos vertiginosos A estrada de Buckingham (a vila, não o palácio) até Exmoor era demasiado longa para fazer num só dia, por isso decidimos pernoitar em Cheddar. Para além de ser uma terra conhecida pelo seu queijo, Cheddar é também uma maravilha da geologia.Um bocadinho sobre o desfiladeiro de Cheddar: O Cheddar Gorge começou a ser formado há um milhão de anos durante a última Idade do Gelo quando a água dos glaciares derreteu e formou um rio. Com o tempo, esse rio começou a esculpir a rocha calcária criando os penhascos íngremes que podes visitar hoje em dia. Querendo aproveitar as últimas horas de sol, decidimos conduzir pelo desfiladeiro e tentar subir ao cimo para ver o pôr do sol. Não sabíamos bem por onde ir, mas reparámos numa espécie de caminhos de cabras que nos pareciam ir dar ao sítio certo. Problema: ERAM LITERALMENTE CAMINHOS DE CABRAS. Com uma inclinação praticamente vertical e chão de gravilha, foi quase a custo da nossa vida que conseguimos chegar ao topo. Depois da Suíça já devia saber que é má ideia seguir gajos por caminhos não marcados. Quando finalmente chegámos onde “queríamos” e já não corríamos perigo de vida apercebemo-nos que aquele nem era um sítio particularmente bom para ver o pôr do sol. Era indiscutivelmente bonito, mas mais valia termos ido pelo caminho para humanos… Na manhã seguinte saí bem cedo do parque de campismo, desta vez sozinha, e fiz a caminhada oficial. Seis quilómetros que se fazem muito bem e, agora sim, com as melhores vistas possíveis sobre o desfiladeiro e Cheddar. Podes ver a caminhada e fazer download do ficheiro GPX aqui. Exmoor: baías, cascatas e fogueiras As melhores memórias que tenho de Exmoor são dos fins de tarde passados no “parque de campismo” que não era mais que uma quinta com porcos bem gordos! Não há nada mais relaxante do que jantar à beira de uma fogueira que conseguiu pegar no meio de relva molhada com um copo de vinho barato na mão. Como fizemos inúmeras paragens nesta região, vou tentar não me alongar muito nas minhas descrições e mostrar-te os lugares mais espectaculares que visitámos. Porlock Weir: uma cerveja à beira mar A estrada que te leva a esta pequena aldeola (ou conjunto de casas) não será a mais apropriada para carrinhas, mas mereceu não termos desistido. Foi aqui que parámos para ver o mar pela primeira vez e sentimos que estávamos verdadeiramente de férias. Depois de uma breve caminhada pela praia de calhaus e de absorver um pouco de sol, sentámo-nos no The Ship Inn com uma cerveja na mão. Tarefa cumprida! Lynmouth: “Temos que parar aqui!” No caminho até ao parque de campismo, enquanto percorríamos uma das estradas mais bonitas que alguma vez fiz em Inglaterra, deparámo-nos com a vila de Lynmouth que me fez querer ir dar um pequeno passeio de reconhecimento. Sendo uma pequena vila piscatória, o melhor de Lynmouth é mesmo a sua geografia. Rodeada de penhascos, as vistas são lindíssimas tanto para que olha para terra como para o mar. A arquitectura desta zona também é muito diferente das casas de tijolo tradicionalmente inglesas. North Devon Coast: perto do mar, longe da água Ninguém no seu perfeito juízo vai para a costa inglesa para fazer férias de praia. Assim sendo, fizemos férias de passeios e caminhadas. Estacionámos a carrinha em Woolacombe e fizemos a caminhada até Mortehoe e ao Morte Point. Uma caminhada por colinas, penhascos e pequenas aldeias que incluiu um piquenique de fish and chips com vista para o “Baggy Point”. Mesmo com nuvens a cor da água era de um azul transparente lindo! Tarr Steps: mergulhando no verde No meio de tanta praia, decidimos que também valia a pena visitar um rio! Esta ponte feita de pedregulhos é um monumento na região. A ponte em si é engraçada, mas um pouco tosca quando comparada com qualquer ponte romana! Mas o melhor dos Tarr Steps não é a ponte em si, é tudo o que está à volta. Não é muito comum em Inglaterra encontrarmos florestas densas onde quase não se vê o céu. O trilho à beira do rio é tão relaxante que parece terapia. Nós chegámos já ao fim do dia e alguém nos ofereceu o seu ticket de estacionamento (3 pounds por dia). Também demos o nosso quando saímos, por isso pode ser que tenhas sorte! Hartland Cornwall Heritage Coast: terra de cascatas no mar Este pedaço de costa está cheio de coisas boas! A primeira paragem foi na Speke’s Mill Mouth Waterfall que para além de uma cascata altíssima que acaba no mar, tem uma baía com uma praia deserta onde nos sentámos a ouvir o barulho das ondas. Não muito longe fica a Welcombe Mouth Beach com mais uma “cascata de praia” e a Hawker’s Hut, uma cabaninha de madeira, famosa por ser o lugar onde o Reverend Robert Hawker escrevia. Valley of Rocks: A caminhada que ficou para trás Em Inglaterra, Verão não é sinónimo de bom tempo. A caminhada do Valley of Rocks era uma das coisas que mais queria fazer no Parque Nacional de Exmoor, mas o tempo não deixou. Fica a recomendação! Cornwall: vilas piscatórias e desapontamentos turísticos Foi o parque de campismo Cornish Tipi Holidays que nos aliciou a ir até Cornwall. A promessa de um oásis de paz e tranquilidade no meio de um dos destinos de férias mais populares em Inglaterra. A parte da paz e tranquilidade era só meia verdade, visto que é um lugar muito atrativo para famílias numerosas, mas o lago “privado” no meio das árvores convenceu-me e prometi a mim mesma que na manhã seguinte lá voltaria para um banho matinal refrescante sem mais ninguém! O meu namorado duvidou da minha coragem, mas antes das oito da manhã já estava dentro de água! Gelada, é certo, mas tinha conquistado a paz e tranquilidade prometida. Port Isaac: Alguém quer uma casa de férias? O parque de campismo ficava ao lado de uma pequena vila pescatória chamada Port Isaac. Não fazia parte dos planos, mas as fotografias do Google convenceram-nos a ir dar uma vista de olhos e que boa ideia que foi! Depois de uns dias mais cinzentos, o sol tinha finalmente decidido aparecer e fez toda a diferença. A água do mar era verde esmeralda e tudo era fotogénico! Demasiado cedo para nos deleitarmos com mais um Fish & Chips, fizemo-nos a estrada para o destino final antes de irmos para casa. Tintagel & Clovely: Como fazer dinheiro fácil Nesta viagem visitámos sítios fantásticos e todos eles gratuitos, com a excepção de alguns parques de estacionamento. Contudo, nos últimos dias parámos em “duas atracções” que me desiludiram muito por se terem tornado num parque de diversões para turistas. Clovely é uma vila parecidíssima a todas as outras, mas é preciso pagar para entrar. Fiquei estupefacta. Claro que fomos logo embora quando percebemos, mas parece-me um conceito muito parvo. O castelo de Tintagel percebo que seja pago, mas parecia que tínhamos chegado a Fátima: tudo estava hiper comercializado para esta atracção! A vila em si é feia, a comida é má e muito sinceramente não acho que valha a pena. Ficam aqui estas duas não recomendações. Em geral, Inglaterra tem tudo o que uma boa roadtrip deve ter. Podes ler aqui mais sobre outras viagens que fiz no passado em Wales, Escócia e nos Cotswolds! Dicas rápidas Parque de campismo – Cheddar: Um parque de campismo baratinho e muito normal. Tem montes de famílias, mas lá nos arranjaram um cantinho sossegado sem miúdos à volta. É simpático, mas prefiro parques mais pequenos e acolhedores. Parque de campismo – Exmoor: O meu parque preferido das férias. Pouca gente, hambúrgueres e ovos caseiros, vista para os porcos enquanto se lava a loiça e casas de banho como se estivesses numa casa. Perfeito!Parque de campismo – Cornwall: De longe o parque mais bonito, mas não o mais sossegado. Deviam fazer um Cornish Tipi holidays só para adultos! Contudo, pelo menos só para ter a experiência de uma noite é um lugar muito especial. Alugar uma caravana: O processo de alugar uma caravana foi muito fácil através do Yescapa. Os preços em Inglaterra não são particularmente simpáticos para nada e acabámos por pagar cerca de 100€ por dia com o seguro mais completo incluído. A vantagem foi termos alugado uma caravana a GLP o que tornou as deslocações bem mais baratas.

The post De caravana por Cheddar, Exmoor e Cornwall appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
O Parque Nacional de Exmoor não é particularmente famoso nem em Inglaterra, nem no estrangeiro. Mas devia! Situado entre Dorset e Cornwall, dois counties bem mais badalados, o parque fica em Devon, uma região que combina praias secretas, cavalos selvagens e caminhadas costeiras sem fim.

Assim sendo, estavam reunidas as características ideais para uma roadtrip e Exmoor foi aprovado como principal destino de uma viagem de cinco dias numa pequena caravana. Parques de campismo marcados, rota escolhida e test drive feito estávamos prontos para mais uma “staycation”.

Cheddar: queijos e caminhos vertiginosos

A estrada de Buckingham (a vila, não o palácio) até Exmoor era demasiado longa para fazer num só dia, por isso decidimos pernoitar em Cheddar. Para além de ser uma terra conhecida pelo seu queijo, Cheddar é também uma maravilha da geologia.

Um bocadinho sobre o desfiladeiro de Cheddar:
O Cheddar Gorge começou a ser formado há um milhão de anos durante a última Idade do Gelo quando a água dos glaciares derreteu e formou um rio. Com o tempo, esse rio começou a esculpir a rocha calcária criando os penhascos íngremes que podes visitar hoje em dia.

Querendo aproveitar as últimas horas de sol, decidimos conduzir pelo desfiladeiro e tentar subir ao cimo para ver o pôr do sol. Não sabíamos bem por onde ir, mas reparámos numa espécie de caminhos de cabras que nos pareciam ir dar ao sítio certo. Problema: ERAM LITERALMENTE CAMINHOS DE CABRAS.

Com uma inclinação praticamente vertical e chão de gravilha, foi quase a custo da nossa vida que conseguimos chegar ao topo. Depois da Suíça já devia saber que é má ideia seguir gajos por caminhos não marcados.


Quando finalmente chegámos onde “queríamos” e já não corríamos perigo de vida apercebemo-nos que aquele nem era um sítio particularmente bom para ver o pôr do sol. Era indiscutivelmente bonito, mas mais valia termos ido pelo caminho para humanos…

Na manhã seguinte saí bem cedo do parque de campismo, desta vez sozinha, e fiz a caminhada oficial. Seis quilómetros que se fazem muito bem e, agora sim, com as melhores vistas possíveis sobre o desfiladeiro e Cheddar. Podes ver a caminhada e fazer download do ficheiro GPX aqui.


Exmoor: baías, cascatas e fogueiras

As melhores memórias que tenho de Exmoor são dos fins de tarde passados no “parque de campismo” que não era mais que uma quinta com porcos bem gordos! Não há nada mais relaxante do que jantar à beira de uma fogueira que conseguiu pegar no meio de relva molhada com um copo de vinho barato na mão.


Como fizemos inúmeras paragens nesta região, vou tentar não me alongar muito nas minhas descrições e mostrar-te os lugares mais espectaculares que visitámos.

Porlock Weir: uma cerveja à beira mar

A estrada que te leva a esta pequena aldeola (ou conjunto de casas) não será a mais apropriada para carrinhas, mas mereceu não termos desistido. Foi aqui que parámos para ver o mar pela primeira vez e sentimos que estávamos verdadeiramente de férias. Depois de uma breve caminhada pela praia de calhaus e de absorver um pouco de sol, sentámo-nos no The Ship Inn com uma cerveja na mão. Tarefa cumprida!


Lynmouth: “Temos que parar aqui!”

No caminho até ao parque de campismo, enquanto percorríamos uma das estradas mais bonitas que alguma vez fiz em Inglaterra, deparámo-nos com a vila de Lynmouth que me fez querer ir dar um pequeno passeio de reconhecimento. Sendo uma pequena vila piscatória, o melhor de Lynmouth é mesmo a sua geografia. Rodeada de penhascos, as vistas são lindíssimas tanto para que olha para terra como para o mar. A arquitectura desta zona também é muito diferente das casas de tijolo tradicionalmente inglesas.


North Devon Coast: perto do mar, longe da água

Ninguém no seu perfeito juízo vai para a costa inglesa para fazer férias de praia. Assim sendo, fizemos férias de passeios e caminhadas. Estacionámos a carrinha em Woolacombe e fizemos a caminhada até Mortehoe e ao Morte Point.


Uma caminhada por colinas, penhascos e pequenas aldeias que incluiu um piquenique de fish and chips com vista para o “Baggy Point”. Mesmo com nuvens a cor da água era de um azul transparente lindo!

Tarr Steps: mergulhando no verde

No meio de tanta praia, decidimos que também valia a pena visitar um rio! Esta ponte feita de pedregulhos é um monumento na região. A ponte em si é engraçada, mas um pouco tosca quando comparada com qualquer ponte romana!


Mas o melhor dos Tarr Steps não é a ponte em si, é tudo o que está à volta. Não é muito comum em Inglaterra encontrarmos florestas densas onde quase não se vê o céu. O trilho à beira do rio é tão relaxante que parece terapia. Nós chegámos já ao fim do dia e alguém nos ofereceu o seu ticket de estacionamento (3 pounds por dia). Também demos o nosso quando saímos, por isso pode ser que tenhas sorte!

Hartland Cornwall Heritage Coast: terra de cascatas no mar

Este pedaço de costa está cheio de coisas boas! A primeira paragem foi na Speke’s Mill Mouth Waterfall que para além de uma cascata altíssima que acaba no mar, tem uma baía com uma praia deserta onde nos sentámos a ouvir o barulho das ondas.


Não muito longe fica a Welcombe Mouth Beach com mais uma “cascata de praia” e a Hawker’s Hut, uma cabaninha de madeira, famosa por ser o lugar onde o Reverend Robert Hawker escrevia.


Valley of Rocks: A caminhada que ficou para trás

Em Inglaterra, Verão não é sinónimo de bom tempo. A caminhada do Valley of Rocks era uma das coisas que mais queria fazer no Parque Nacional de Exmoor, mas o tempo não deixou. Fica a recomendação!

Cornwall: vilas piscatórias e desapontamentos turísticos

Foi o parque de campismo Cornish Tipi Holidays que nos aliciou a ir até Cornwall. A promessa de um oásis de paz e tranquilidade no meio de um dos destinos de férias mais populares em Inglaterra.

A parte da paz e tranquilidade era só meia verdade, visto que é um lugar muito atrativo para famílias numerosas, mas o lago “privado” no meio das árvores convenceu-me e prometi a mim mesma que na manhã seguinte lá voltaria para um banho matinal refrescante sem mais ninguém!

O meu namorado duvidou da minha coragem, mas antes das oito da manhã já estava dentro de água! Gelada, é certo, mas tinha conquistado a paz e tranquilidade prometida.


Port Isaac: Alguém quer uma casa de férias?

O parque de campismo ficava ao lado de uma pequena vila pescatória chamada Port Isaac. Não fazia parte dos planos, mas as fotografias do Google convenceram-nos a ir dar uma vista de olhos e que boa ideia que foi!


Depois de uns dias mais cinzentos, o sol tinha finalmente decidido aparecer e fez toda a diferença. A água do mar era verde esmeralda e tudo era fotogénico! Demasiado cedo para nos deleitarmos com mais um Fish & Chips, fizemo-nos a estrada para o destino final antes de irmos para casa.


Tintagel & Clovely: Como fazer dinheiro fácil

Nesta viagem visitámos sítios fantásticos e todos eles gratuitos, com a excepção de alguns parques de estacionamento. Contudo, nos últimos dias parámos em “duas atracções” que me desiludiram muito por se terem tornado num parque de diversões para turistas.

Clovely é uma vila parecidíssima a todas as outras, mas é preciso pagar para entrar. Fiquei estupefacta. Claro que fomos logo embora quando percebemos, mas parece-me um conceito muito parvo.

O castelo de Tintagel percebo que seja pago, mas parecia que tínhamos chegado a Fátima: tudo estava hiper comercializado para esta atracção! A vila em si é feia, a comida é má e muito sinceramente não acho que valha a pena. Ficam aqui estas duas não recomendações.

Em geral, Inglaterra tem tudo o que uma boa roadtrip deve ter. Podes ler aqui mais sobre outras viagens que fiz no passado em Wales, Escócia e nos Cotswolds!



Dicas rápidas

Parque de campismo – Cheddar: Um parque de campismo baratinho e muito normal. Tem montes de famílias, mas lá nos arranjaram um cantinho sossegado sem miúdos à volta. É simpático, mas prefiro parques mais pequenos e acolhedores.

Parque de campismo – Exmoor: O meu parque preferido das férias. Pouca gente, hambúrgueres e ovos caseiros, vista para os porcos enquanto se lava a loiça e casas de banho como se estivesses numa casa. Perfeito!

Parque de campismo – Cornwall:
De longe o parque mais bonito, mas não o mais sossegado. Deviam fazer um Cornish Tipi holidays só para adultos! Contudo, pelo menos só para ter a experiência de uma noite é um lugar muito especial.

Alugar uma caravana: O processo de alugar uma caravana foi muito fácil através do Yescapa. Os preços em Inglaterra não são particularmente simpáticos para nada e acabámos por pagar cerca de 100€ por dia com o seguro mais completo incluído. A vantagem foi termos alugado uma caravana a GLP o que tornou as deslocações bem mais baratas.

The post De caravana por Cheddar, Exmoor e Cornwall appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
https://www.mudancasconstantes.com/2022/03/23/caravana-cheddar-exmoor-cornwall/feed/ 0
Isle of Skye: as fadas moram aqui https://www.mudancasconstantes.com/2021/08/25/ilha-skye-escocia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=ilha-skye-escocia https://www.mudancasconstantes.com/2021/08/25/ilha-skye-escocia/#respond Wed, 25 Aug 2021 20:37:05 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=6605 Quando visitei a ilha de Skye há oito anos senti que aquele era um lugar especial. Eu sou completamente céptica relativamente a tudo o que é espiritualidade, anjinhos e outras coisas não provadas pela ciência, mas de alguma forma parecia que havia ali uma energia diferente. Na altura, um dia foi todo o tempo que tivemos (eu e os meus pais) para ver esta ilha, mas desde então sabia que haveria de regressar. Assim sendo, desta vez reservei quatro dias completos para me deixar enfeitiçar, e dia após dia Skye deixou-me estupefacta com a sua beleza em bruto. Aqui vamos nós! As Fadas da Terra moram no Fairy Glen A viagem de autocarro de Fort William até Portree (a vila maiorzinha em Skye) traduz-se em três horas de estradas que contornam lagos, vales e rios. Tudo debaixo de nuvens e uma chuva miudinha que é tão característica da Escócia. À chegada a Portree, depois de ir deixar a mochila no Airbnb que ia ser o meu ninho de repouso nos dias seguintes, tinha que fazer uma escolha: deixar-me ficar no quentinho do quarto e deixar as caminhadas para o dia seguinte ou ir estrear o poncho que comprara há algumas horas. Ganhou a segunda opção e lá fui eu para o autocarro que saía daquela que era possivelmente a única escola da ilha. Portanto lá fui eu e os miúdos do quinto ano até Uig onde fica o Fairy Glen.Só pela paragem de autocarro do meu destino já tinha valido a pena o passeio. Apesar das nuvens baixas, a baía de Uig era uma celebração de azuis e verdes e uma premonição daquilo que estava para vir. Vinte e cinco minutos depois e várias paragens para fotografar ovelhas e lutar contra o vento e a chuva que ora vinham, ora iam, cheguei ao vale mais encantado de Skye. As fotografias definitivamente não conseguem captar o misticismo deste lugar e das suas colinas singulares. Por mim tinha ficado por ali durante horas a explorar as redondezas (como se não bastasse o vale em si ainda há várias quedas de água por perto), mas tinha os minutos contados. Após uma voltinha rápida e desorientada por aquele que foi um dos lugares que mais gostei em toda a minha viagem vi-me obrigada a correr, literalmente, até à paragem de autocarro para apanhar o último serviço do dia às seis da tarde. Claro que o autocarro só apareceu dez minutos depois e o meu suor foi em vão, mas a decisão de ir apanhar chuva e explorar a ilha em vez de ficar no bem bom foi a melhor que tomei! As Fadas do Ar moram no Quiraing Ao terceiro dia o sol decidiu aparecer em Skye e as rajadas de vento já não me faziam levantar voo. Apanhei o primeiro autocarro do dia em direcção ao Norte da ilha onde fica o Quiraing. Depois de trinta minutos a andar na companhia de rebanhos de ovelhas cheguei ao ponto oficial de início da caminhada. As horas que se seguiram foram absolutamente inesquecíveis. Do início ao fim, o circuito de Quiraing é uma surpresa a cada curva. As cores, os lagos, o mar… tudo funciona numa sinfonia paisagística perfeita. O facto de ter feito a caminhada sem me cruzar com ninguém tornou a experiência ainda mais especial e fez-me pensar que as pessoas que simplesmente conduzem até ao miradouro principal do Quiraing para tirar uma fotografia sem fazerem a caminhada não sabem o que perdem! Dica: podes encontrar o trilho que fiz aqui. Se não tiveres carro como eu, não precisas de caminhar até ao ponto de começo, podes “entrar” pelo caminho perto do cemitério (cemetery parking no google maps). O mais aconselhado é fazer a caminhada no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio. Prepara-te para ventos bastante fortes e não tentes fazer o trilho num dia de mau tempo. Esta é definitivamente uma das melhores caminhadas que já fiz. À tarde ainda fiz o trilho do Old Man of Storr, que é o mais famoso da ilha devido à sua curiosa formação rochosa e as suas “agulhas”. Infelizmente não me apercebi que havia dois caminhos possíveis e acabei por não subir até às famosas agulhas, mas mesmo assim não me posso queixar das vistas. Deixo aqui o link do trilho que devia ter feito. Enquanto esperava pelo autocarro de regresso, meti conversa com a única outra pessoa que também estava à espera do último autocarro do dia e descobrimos que íamos estar as duas no mesmo hostel no dia seguinte. Muitas horas passámos na sala comum desse hostel em Inverness a conversar sobre viagens, vinte e quatro horas depois. As Fadas da Água moram nas Fairy Pools Foram precisas duas tentativas, uma delas obviamente falhada, para chegar às Fairy Pools. Mais uma vez, a falta de carro tornou esta jornada mais interessante porque foi preciso uma caminhada de cinco horas no total para fazer algo que se faz de carro em meia hora. Desta vez tive que atravessar o sopé das Montanhas Cullins, sempre ao lado de um riacho que se transformava numa nova cascata a cada 100 metros. Como já estava habituada, não avistei vivalma e os passaritos e ovelhas foram, mais uma vez, a minha companhia. Cerca de duas horas depois cheguei às Fairy Pools que me apresentaram a mais umas quantas tonalidades de azul. É fácil de perceber porque é que estas “piscinas de fadas” aparecem em todos os roteiros turísticos. Apesar das temperaturas pouco convidativas, alguns corajosos aventuram-se a mergulhar nas pequenas poças de um azul muito fotogénico. Quanto mais se anda, menos gente há e mais bonitas se tornam estas piscinas naturais. Voltando à primeira tentativa: a previsão metereológica para a manhã da primeira tentativa não era a melhor, mas havia a possibilidade de não chover muito e portanto lá apanhei o primeiro autocarro até Sligachan onde começa a caminhada. Claro que estava a chover “cats and dogs”, como dizem aqui, e assim ficou durante duas horas que foi o tempo que tive que esperar na paragem até apanhar o autocarro seguinte. Quando o autocarro veio não aceitavam cartões (inédito no Reino Unido), mas o condutor deixou-me entrar na mesma. No fim da viagem, quando ia levantar dinheiro para pagar o senhor deve ter sentido pena do meu ar desconsolado, frio e molhado e disse que me oferecia a viagem. Uma das vantagens de viajar sozinha! Portree, a solução para o clima escocês No dia da minha tentativa falhada nas Fairy Pools tive que arranjar uma solução para me entreter durante o resto do dia. Depois de um banho quente, estava na hora de encontrar uma refeição quente. Felizmente dei com o Cafe Arriba que para além de ter comida ultra saborosa e bem confecionada (com porções bem generosas) também tem uma vista para a baia de Portree que parece uma pintura. O almoço reconfortante ajudou-me a ultrapassar o trauma da molha que apanhei e arrisquei uma pequena caminhada à volta de Portree. Para minha surpresa a chuva aguentou-se e deixou-me fazer um circuito de três quilómetros – Scorrybreac Circuit – surpreendentemente bonito e agradável. O resto da tarde foi passado dentro de um pub a conversar com um médico do Bangladesh que conheci através do Couchsurfing. Este é o resumo dos meus dias em Skye e não é que por mim voltava para lá já para o ano? Continua a ser um dos meus lugares preferidos! Dicas rápidas Alojamento: Em tempos Covidosos não havia hostels abertos em Skye, por isso tive que recorrer ao Airbnb o que até foi bom, porque depois de caminhar mais de vinte e tal quilómetros não há nada melhor que um quartinho solitário. Conta gastar entre 70 a 80 pounds por noite se optares por um Airbnb perto do centro de Portree. O alojamento no Reino Unido é bastante caro. Transportes: A minha maior preocupação na preparação desta viagem era não ter carro. Foram muitas pesquisar no Google “Skye without a car”. Muitas diziam que não era possível, mas claro que tudo é possível. Há autocarros que ligam os principais pontos da ilha: Broadford, Sligachan, Portree e Uig. Felizmente, todos os pontos que queria visitar estavam nessa rota. É claro que requer um nível de planeamento maior, porque há poucos autocarros e começam cedo e acabam cedo. Se gostas de andar e queres mesmo visitar Portree, acho que não ter carro não é desculpa. O Google Maps é bastante fiável no que toca aos horários dos autocarros na ilha, mas podes sempre consultar o site da citylink e da stagecoach. Podes comprar um passe diário a bordo dos autocarros stagecoach que compensa se usares mais do que dois autocarros por dia. Refeições: A maioria das minhas refeições saíram do Coop (supermercado) de Portree. Como o quarto que aluguei não tinha cozinha, tive que inovar e cozinhar umas massas recheadas com a água a ferver vinda de um kettle e aquecer um molho de tomate com o vapor d’água. Durante o dia aconselho a levares comida suficiente porque não há muita oferta disponível.

The post Isle of Skye: as fadas moram aqui appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
Quando visitei a ilha de Skye há oito anos senti que aquele era um lugar especial. Eu sou completamente céptica relativamente a tudo o que é espiritualidade, anjinhos e outras coisas não provadas pela ciência, mas de alguma forma parecia que havia ali uma energia diferente.

Na altura, um dia foi todo o tempo que tivemos (eu e os meus pais) para ver esta ilha, mas desde então sabia que haveria de regressar. Assim sendo, desta vez reservei quatro dias completos para me deixar enfeitiçar, e dia após dia Skye deixou-me estupefacta com a sua beleza em bruto. Aqui vamos nós!

As Fadas da Terra moram no Fairy Glen

A viagem de autocarro de Fort William até Portree (a vila maiorzinha em Skye) traduz-se em três horas de estradas que contornam lagos, vales e rios. Tudo debaixo de nuvens e uma chuva miudinha que é tão característica da Escócia.

À chegada a Portree, depois de ir deixar a mochila no Airbnb que ia ser o meu ninho de repouso nos dias seguintes, tinha que fazer uma escolha: deixar-me ficar no quentinho do quarto e deixar as caminhadas para o dia seguinte ou ir estrear o poncho que comprara há algumas horas.

Ganhou a segunda opção e lá fui eu para o autocarro que saía daquela que era possivelmente a única escola da ilha. Portanto lá fui eu e os miúdos do quinto ano até Uig onde fica o Fairy Glen.

Só pela paragem de autocarro do meu destino já tinha valido a pena o passeio.
Apesar das nuvens baixas, a baía de Uig era uma celebração de azuis e verdes e uma premonição daquilo que estava para vir.

Vinte e cinco minutos depois e várias paragens para fotografar ovelhas e lutar contra o vento e a chuva que ora vinham, ora iam, cheguei ao vale mais encantado de Skye. As fotografias definitivamente não conseguem captar o misticismo deste lugar e das suas colinas singulares.

Por mim tinha ficado por ali durante horas a explorar as redondezas (como se não bastasse o vale em si ainda há várias quedas de água por perto), mas tinha os minutos contados. Após uma voltinha rápida e desorientada por aquele que foi um dos lugares que mais gostei em toda a minha viagem vi-me obrigada a correr, literalmente, até à paragem de autocarro para apanhar o último serviço do dia às seis da tarde.

Claro que o autocarro só apareceu dez minutos depois e o meu suor foi em vão, mas a decisão de ir apanhar chuva e explorar a ilha em vez de ficar no bem bom foi a melhor que tomei!


As Fadas do Ar moram no Quiraing

Ao terceiro dia o sol decidiu aparecer em Skye e as rajadas de vento já não me faziam levantar voo. Apanhei o primeiro autocarro do dia em direcção ao Norte da ilha onde fica o Quiraing. Depois de trinta minutos a andar na companhia de rebanhos de ovelhas cheguei ao ponto oficial de início da caminhada. As horas que se seguiram foram absolutamente inesquecíveis.

Do início ao fim, o circuito de Quiraing é uma surpresa a cada curva. As cores, os lagos, o mar… tudo funciona numa sinfonia paisagística perfeita. O facto de ter feito a caminhada sem me cruzar com ninguém tornou a experiência ainda mais especial e fez-me pensar que as pessoas que simplesmente conduzem até ao miradouro principal do Quiraing para tirar uma fotografia sem fazerem a caminhada não sabem o que perdem!

Dica: podes encontrar o trilho que fiz aqui. Se não tiveres carro como eu, não precisas de caminhar até ao ponto de começo, podes “entrar” pelo caminho perto do cemitério (cemetery parking no google maps). O mais aconselhado é fazer a caminhada no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio. Prepara-te para ventos bastante fortes e não tentes fazer o trilho num dia de mau tempo.

Esta é definitivamente uma das melhores caminhadas que já fiz.

À tarde ainda fiz o trilho do Old Man of Storr, que é o mais famoso da ilha devido à sua curiosa formação rochosa e as suas “agulhas”. Infelizmente não me apercebi que havia dois caminhos possíveis e acabei por não subir até às famosas agulhas, mas mesmo assim não me posso queixar das vistas. Deixo aqui o link do trilho que devia ter feito.

Enquanto esperava pelo autocarro de regresso, meti conversa com a única outra pessoa que também estava à espera do último autocarro do dia e descobrimos que íamos estar as duas no mesmo hostel no dia seguinte. Muitas horas passámos na sala comum desse hostel em Inverness a conversar sobre viagens, vinte e quatro horas depois.

As Fadas da Água moram nas Fairy Pools

Foram precisas duas tentativas, uma delas obviamente falhada, para chegar às Fairy Pools. Mais uma vez, a falta de carro tornou esta jornada mais interessante porque foi preciso uma caminhada de cinco horas no total para fazer algo que se faz de carro em meia hora.

Desta vez tive que atravessar o sopé das Montanhas Cullins, sempre ao lado de um riacho que se transformava numa nova cascata a cada 100 metros. Como já estava habituada, não avistei vivalma e os passaritos e ovelhas foram, mais uma vez, a minha companhia.

Cerca de duas horas depois cheguei às Fairy Pools que me apresentaram a mais umas quantas tonalidades de azul. É fácil de perceber porque é que estas “piscinas de fadas” aparecem em todos os roteiros turísticos. Apesar das temperaturas pouco convidativas, alguns corajosos aventuram-se a mergulhar nas pequenas poças de um azul muito fotogénico. Quanto mais se anda, menos gente há e mais bonitas se tornam estas piscinas naturais.

Voltando à primeira tentativa: a previsão metereológica para a manhã da primeira tentativa não era a melhor, mas havia a possibilidade de não chover muito e portanto lá apanhei o primeiro autocarro até Sligachan onde começa a caminhada. Claro que estava a chover “cats and dogs”, como dizem aqui, e assim ficou durante duas horas que foi o tempo que tive que esperar na paragem até apanhar o autocarro seguinte.

Quando o autocarro veio não aceitavam cartões (inédito no Reino Unido), mas o condutor deixou-me entrar na mesma. No fim da viagem, quando ia levantar dinheiro para pagar o senhor deve ter sentido pena do meu ar desconsolado, frio e molhado e disse que me oferecia a viagem. Uma das vantagens de viajar sozinha!

Portree, a solução para o clima escocês

No dia da minha tentativa falhada nas Fairy Pools tive que arranjar uma solução para me entreter durante o resto do dia. Depois de um banho quente, estava na hora de encontrar uma refeição quente. Felizmente dei com o Cafe Arriba que para além de ter comida ultra saborosa e bem confecionada (com porções bem generosas) também tem uma vista para a baia de Portree que parece uma pintura.

O almoço reconfortante ajudou-me a ultrapassar o trauma da molha que apanhei e arrisquei uma pequena caminhada à volta de Portree. Para minha surpresa a chuva aguentou-se e deixou-me fazer um circuito de três quilómetros – Scorrybreac Circuit – surpreendentemente bonito e agradável.

O resto da tarde foi passado dentro de um pub a conversar com um médico do Bangladesh que conheci através do Couchsurfing.

Este é o resumo dos meus dias em Skye e não é que por mim voltava para lá já para o ano? Continua a ser um dos meus lugares preferidos!

Dicas rápidas

Alojamento: Em tempos Covidosos não havia hostels abertos em Skye, por isso tive que recorrer ao Airbnb o que até foi bom, porque depois de caminhar mais de vinte e tal quilómetros não há nada melhor que um quartinho solitário. Conta gastar entre 70 a 80 pounds por noite se optares por um Airbnb perto do centro de Portree. O alojamento no Reino Unido é bastante caro.

Transportes: A minha maior preocupação na preparação desta viagem era não ter carro. Foram muitas pesquisar no Google “Skye without a car”. Muitas diziam que não era possível, mas claro que tudo é possível. Há autocarros que ligam os principais pontos da ilha: Broadford, Sligachan, Portree e Uig. Felizmente, todos os pontos que queria visitar estavam nessa rota. É claro que requer um nível de planeamento maior, porque há poucos autocarros e começam cedo e acabam cedo. Se gostas de andar e queres mesmo visitar Portree, acho que não ter carro não é desculpa.

O Google Maps é bastante fiável no que toca aos horários dos autocarros na ilha, mas podes sempre consultar o site da citylink e da stagecoach. Podes comprar um passe diário a bordo dos autocarros stagecoach que compensa se usares mais do que dois autocarros por dia.

Refeições: A maioria das minhas refeições saíram do Coop (supermercado) de Portree. Como o quarto que aluguei não tinha cozinha, tive que inovar e cozinhar umas massas recheadas com a água a ferver vinda de um kettle e aquecer um molho de tomate com o vapor d’água. Durante o dia aconselho a levares comida suficiente porque não há muita oferta disponível.

The post Isle of Skye: as fadas moram aqui appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
https://www.mudancasconstantes.com/2021/08/25/ilha-skye-escocia/feed/ 0
Peneda e Gerês por entre os pingos da chuva https://www.mudancasconstantes.com/2021/01/08/peneda-geres-parque-nacional/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=peneda-geres-parque-nacional https://www.mudancasconstantes.com/2021/01/08/peneda-geres-parque-nacional/#comments Fri, 08 Jan 2021 18:02:41 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=6307 Em 2020 a sensação de Verão no Instagram foi o Gerês. Com restrições às viagens internacionais, milhares (milhões?!) de portugueses rumaram ao norte do país para descobrir este oásis de cascatas, águas verdes e azuis, miradouros e aldeias perdidas no tempo.Inspirada pela enchente de fotografias e lugares magníficos que inundaram o meu feed, também eu me juntei à festa e segui para Norte com os meus pais no fim de Setembro depois de já termos picado o ponto no Algarve e Centro do país. Para passar a pente fino o mais belo Parque Nacional português são necessárias semanas, mas como só tínhamos três dias tentámos ver a maior quantidade de sítios no menor espaço de tempo possível. Olhando agora para trás vejo que não nos saímos nada mal. Como as paragens foram muitas, decidi organizá-las por características comuns neste post. Diz lá que o nosso país não é lindo! Aldeias e Monumentos históricos (Peneda e Gerês) Pitões das Júnias Tudo começou em Pitões das Júnias com umas nuvens ameaçadoras a deslocarem-se a grande velocidade na nossa direcção. O nosso destino em Pitões era o Mosteiro de Santa Maria das Júnias que por estar em ruínas é muito mais interessante do que um mosteiro normal. A sua construção remonta ao século XII e está isolado num vale rodeado de silêncio e natureza. Um dos lugares mais curiosos para visitar em terras nortenhas. Espigueiros de Soajo O Soajo tem uma colecção (Eira Comunitária) de espigueiros invejável: são 24 com uma vista espectacular sobre o Alto Minho. Estas estruturas centenárias para secar o milho e outros cereais foram estrategicamente concebidas para afastar os roedores. São um complemento maravilhoso à paisagem da região. Os espigueiros de Lindoso também valem muito a pena e ficam só a 20 minutos de carro. Aldeia de Pontes A Aldeia de Pontes em Castro Laboreiro ficou marcada no meu Google Maps desde que vi uma imagem daquela zona. Quando começámos a fazer a estrada de Castro Laboreiro até lá percebemos imediatamente o porquê do nome “Pontes”. Num espaço de poucos quilómetros vão surgindo várias pontes que parecem ser a casa de elfos e duendes. Já a Aldeia de Pontes em si foi recentemente recuperada por um emigrante português que voltou cheio de vontade de dar uma nova vida à sua terra. Ali, num lugar em que o tempo é mais lento, vais encontrar uma paz única. Cascatas, Pontes, Barragens e Poços (Gerês) Poço Verde Em sete dias de viagem pelo país, este foi o lugar que mais gostei de descobrir. Perto do Miradouro de Fafião há uma estrada de terra que te vai levar a uma das lagoas mais secretas do Gerês. Uma mera caminhada de 5km (ida e volta) conduz-te à água mais verde que já vi e se fores cedo pode ser que apanhes o lugar todo só para ti (fomos por volta do meio dia e mesmo assim tivemos o poço só para nós). Felizmente ainda não existem placas para este cantinho ainda conhecido por poucos, por isso é de aproveitar! Neste post vais encontrar o ficheiro GPS com o caminho até ao poço (é muito fácil). Ponte da Misarela Combinam-se duas das coisas que o Gerês tem de melhor – cascatas e pontes – e temos a dramática Ponte da Misarela. Também conhecida como “Ponte do Diabo” e carregada de tradições e superstições, só quem nunca a visitou é que se pode considerar amaldiçoado. Erguida na idade média por um arquitecto arrojado esta ponte de treze metros de vão foi depois reconstruída no início do século XIX. Também palco de batalhas e momentos históricos importantes, uma visita ao Gerês nunca ficará completa sem uma descida a esta ponte icónica. Cascata do Arado e Tahiti Água a cair pedra abaixo é algo que não falta no Gerês. Estas duas cascatas fizeram parte do nosso itinerário porque estavam à beira da estrada e no nosso caminho para chegar a outros destinos. A Cascata do Arado é bonita mas no fim de Verão tem pouca água como seria de esperar e a Cascata do Tahiti é talvez a cascata mais controversa das redondezas por ser perigosa e de difícil acesso. Nós contentamo-nos com a vista de cima. Dois lugares que ficaram por visitar desta vez por envolverem caminhadas de alguns quilómetros foram as Cascatas das 7 Lagoas do Xertelo e o Poço Azul. Para a próxima não escapam! Barragem de Negrões Às portas do Parque Nacional Peneda-Gerês fica Negrões e Vilarinho de Negrões onde a Barragem do Alto Rabagão cria uma paisagem de penínsulas e aldeias de granito onde de vez em quando passa um gatito preto. Miradouros, Baloiços e Paisagens (Peneda e Gerês) Miradouro da Pedra Bela Fazendo juz ao nome o Miradouro da Pedra Bela é mais uma paragem obrigatória no Gerês. A mais de 800 metros de altitude este miradouro tem uma vista privilegiada sobre a albufeira da Caniçada e uma grande extensão do Parque Nacional. Miradouro de Fafião O Miradouro de Fafião tem de ser um dos mais curiosos e bem concebidos miradouros do país. A vista é sublime, mas a estreita estrada de ferro que liga os dois rochedos que sustentam o miradouro é simplesmente mágica! Uma curiosidade: No Gerês vais encontrar várias vezes uma coisa chamada Fojo. Esta estrutura em pedra era usada para proteger os rebanhos e as aldeias dos lobos e a de Fafião (Fojo do Lobo) é considerada uma das maiores e mais bem preservadas armadilhas de lobos da Península Ibérica. Baloiço do Mezio Uma rápida pesquisa no Google mostra a beleza deste miradouro. Adorava tê-la testemunhado com os meus próprios olhos! Os últimos dias de Setembro trouxeram algumas manhãs de nevoeiro absoluto ao norte do país e a nossa visita ao Baloiço do Mezio tornou-se numa caça ao tesouro para cegos. Quando conseguimos localizar o baloiço em si concluímos que éramos efectivamente os únicos que não tinham desistido de o visitar e divertimo-nos imenso a baloiçar e a destruir aquelas estruturas de pedras empilhadas ridículas que as pessoas teimam em construir em lugares bonitos. As Estradas da Peneda O lado do Gerês rouba muita atenção ao lado da Peneda, mas percorrer as estradas da Peneda é um verdadeiro regalo para os olhos. Já a entrar no Outono a Peneda começava a despir os verdes e amarelos do verão e começava a vestir os laranjas e os vermelhos da nova estação. Definitivamente uma parte do Parque Nacional que não te deves esquecer quando planeares o teu itinerário. Anseio agora pelo dia em que possa explorar a pé os melhores trilhos deste lugar tão especial. Dicas rápidas Restaurante: A única dica que tenho quando a um restaurante foi a que já apareceu neste post: o Petiscas em Ponte Lima.

The post Peneda e Gerês por entre os pingos da chuva appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
Em 2020 a sensação de Verão no Instagram foi o Gerês. Com restrições às viagens internacionais, milhares (milhões?!) de portugueses rumaram ao norte do país para descobrir este oásis de cascatas, águas verdes e azuis, miradouros e aldeias perdidas no tempo.

Inspirada pela enchente de fotografias e lugares magníficos que inundaram o meu feed, também eu me juntei à festa e segui para Norte com os meus pais no fim de Setembro depois de já termos picado o ponto no Algarve e Centro do país.

Para passar a pente fino o mais belo Parque Nacional português são necessárias semanas, mas como só tínhamos três dias tentámos ver a maior quantidade de sítios no menor espaço de tempo possível. Olhando agora para trás vejo que não nos saímos nada mal. Como as paragens foram muitas, decidi organizá-las por características comuns neste post.

Diz lá que o nosso país não é lindo!

Aldeias e Monumentos históricos (Peneda e Gerês)

Pitões das Júnias

Tudo começou em Pitões das Júnias com umas nuvens ameaçadoras a deslocarem-se a grande velocidade na nossa direcção. O nosso destino em Pitões era o Mosteiro de Santa Maria das Júnias que por estar em ruínas é muito mais interessante do que um mosteiro normal.

A sua construção remonta ao século XII e está isolado num vale rodeado de silêncio e natureza. Um dos lugares mais curiosos para visitar em terras nortenhas.

Espigueiros de Soajo

O Soajo tem uma colecção (Eira Comunitária) de espigueiros invejável: são 24 com uma vista espectacular sobre o Alto Minho. Estas estruturas centenárias para secar o milho e outros cereais foram estrategicamente concebidas para afastar os roedores. São um complemento maravilhoso à paisagem da região.

Os espigueiros de Lindoso também valem muito a pena e ficam só a 20 minutos de carro.

Aldeia de Pontes

A Aldeia de Pontes em Castro Laboreiro ficou marcada no meu Google Maps desde que vi uma imagem daquela zona. Quando começámos a fazer a estrada de Castro Laboreiro até lá percebemos imediatamente o porquê do nome “Pontes”. Num espaço de poucos quilómetros vão surgindo várias pontes que parecem ser a casa de elfos e duendes.

Já a Aldeia de Pontes em si foi recentemente recuperada por um emigrante português que voltou cheio de vontade de dar uma nova vida à sua terra. Ali, num lugar em que o tempo é mais lento, vais encontrar uma paz única.

Cascatas, Pontes, Barragens e Poços (Gerês)

Poço Verde

Em sete dias de viagem pelo país, este foi o lugar que mais gostei de descobrir. Perto do Miradouro de Fafião há uma estrada de terra que te vai levar a uma das lagoas mais secretas do Gerês.

Uma mera caminhada de 5km (ida e volta) conduz-te à água mais verde que já vi e se fores cedo pode ser que apanhes o lugar todo só para ti (fomos por volta do meio dia e mesmo assim tivemos o poço só para nós).

Felizmente ainda não existem placas para este cantinho ainda conhecido por poucos, por isso é de aproveitar! Neste post vais encontrar o ficheiro GPS com o caminho até ao poço (é muito fácil).

Ponte da Misarela

Combinam-se duas das coisas que o Gerês tem de melhor – cascatas e pontes – e temos a dramática Ponte da Misarela. Também conhecida como “Ponte do Diabo” e carregada de tradições e superstições, só quem nunca a visitou é que se pode considerar amaldiçoado.

Erguida na idade média por um arquitecto arrojado esta ponte de treze metros de vão foi depois reconstruída no início do século XIX. Também palco de batalhas e momentos históricos importantes, uma visita ao Gerês nunca ficará completa sem uma descida a esta ponte icónica.

Cascata do Arado e Tahiti

Água a cair pedra abaixo é algo que não falta no Gerês. Estas duas cascatas fizeram parte do nosso itinerário porque estavam à beira da estrada e no nosso caminho para chegar a outros destinos.

A Cascata do Arado é bonita mas no fim de Verão tem pouca água como seria de esperar e a Cascata do Tahiti é talvez a cascata mais controversa das redondezas por ser perigosa e de difícil acesso. Nós contentamo-nos com a vista de cima.

Dois lugares que ficaram por visitar desta vez por envolverem caminhadas de alguns quilómetros foram as Cascatas das 7 Lagoas do Xertelo e o Poço Azul. Para a próxima não escapam!

Barragem de Negrões

Às portas do Parque Nacional Peneda-Gerês fica Negrões e Vilarinho de Negrões onde a Barragem do Alto Rabagão cria uma paisagem de penínsulas e aldeias de granito onde de vez em quando passa um gatito preto.


Miradouros, Baloiços e Paisagens (Peneda e Gerês)

Miradouro da Pedra Bela

Fazendo juz ao nome o Miradouro da Pedra Bela é mais uma paragem obrigatória no Gerês. A mais de 800 metros de altitude este miradouro tem uma vista privilegiada sobre a albufeira da Caniçada e uma grande extensão do Parque Nacional.


Miradouro de Fafião

O Miradouro de Fafião tem de ser um dos mais curiosos e bem concebidos miradouros do país. A vista é sublime, mas a estreita estrada de ferro que liga os dois rochedos que sustentam o miradouro é simplesmente mágica!

Uma curiosidade: No Gerês vais encontrar várias vezes uma coisa chamada Fojo. Esta estrutura em pedra era usada para proteger os rebanhos e as aldeias dos lobos e a de Fafião (Fojo do Lobo) é considerada uma das maiores e mais bem preservadas armadilhas de lobos da Península Ibérica.

Um fojo
Baloiço do Mezio

Uma rápida pesquisa no Google mostra a beleza deste miradouro. Adorava tê-la testemunhado com os meus próprios olhos! Os últimos dias de Setembro trouxeram algumas manhãs de nevoeiro absoluto ao norte do país e a nossa visita ao Baloiço do Mezio tornou-se numa caça ao tesouro para cegos.

Quando conseguimos localizar o baloiço em si concluímos que éramos efectivamente os únicos que não tinham desistido de o visitar e divertimo-nos imenso a baloiçar e a destruir aquelas estruturas de pedras empilhadas ridículas que as pessoas teimam em construir em lugares bonitos.

As Estradas da Peneda

O lado do Gerês rouba muita atenção ao lado da Peneda, mas percorrer as estradas da Peneda é um verdadeiro regalo para os olhos. Já a entrar no Outono a Peneda começava a despir os verdes e amarelos do verão e começava a vestir os laranjas e os vermelhos da nova estação. Definitivamente uma parte do Parque Nacional que não te deves esquecer quando planeares o teu itinerário.

Anseio agora pelo dia em que possa explorar a pé os melhores trilhos deste lugar tão especial.

Dicas rápidas

Restaurante: A única dica que tenho quando a um restaurante foi a que já apareceu neste post: o Petiscas em Ponte Lima.

The post Peneda e Gerês por entre os pingos da chuva appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
https://www.mudancasconstantes.com/2021/01/08/peneda-geres-parque-nacional/feed/ 2
Pizol: Cinco (+) lagos, termas finas e estar offline https://www.mudancasconstantes.com/2020/09/06/pizol-cinco-lagos-suica/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=pizol-cinco-lagos-suica https://www.mudancasconstantes.com/2020/09/06/pizol-cinco-lagos-suica/#respond Sun, 06 Sep 2020 21:25:30 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=6159 Algures a meio de Fevereiro chegou o convite: “No Verão devíamos fazer uma caminhada nas montanhas Suíças”. A proposta vinha do meu amigo Adi que na altura se encontrava na etapa final da sua viagem de dois anos de bicicleta da Noruega à África do Sul. Sabíamos lá nós que a epidemia na China se tornaria numa pandemia mundial e que os quilómetros finais da viagem dele ficariam em águas de bacalhau e que os meus planos originais de viagem seriam todos cancelados. Com os destinos de viagem ultra limitados devido à imposição de quarentena no regresso por parte de Inglaterra, voltar à Suíça parecia-me a opção mais apetecível. Com poucos dias de antecedência marquei os meus voos para mais uma viagem “só acredito que vai acontecer quando sair do aeroporto”. Quatro dias de caminhadas, lagos e noites estreladas estavam prestes a começar: O primeiro lago e uma orquestra bovina Aterrei num país que parecia nunca ter ouvido falar de um tal COVID. Ao dirigir-me para a saída do aeroporto encontrei-me com o Adi, eu com máscara ele sem. Ainda confusa com este novo (ou antigo?) mundo, meti-me na magnífica campervan dos pais dele; aquela seria a nossa casa durante os próximos dias. Já com compras para sobrevivermos em autonomia na bagageira fizemos a nossa primeira paragem: Walensee. Este enorme lago fica mesmo na fronteira com o Liechtenstein e a caminho do nosso destino final: Pizol. Também não sabíamos quando voltaríamos a tomar banho e achámos por bem aproveitar esta oportunidade. Em países sem mar faz-se praia nos lagos e as margens deste estavam a rebentar pelas costuras. Lá encontrámos um cantinho na relva e, em menos de nada, estava a atirar-me não à água, mas ao pão e humus que tínhamos acabado de comprar (porque é que só me dou com pessoas que não se importam de não comer?!). Níveis de açúcar repostos o resto da tarde foi passado entre banhos de lago e banhos de sol. No fim do dia pusemos a van à prova ao subirmos até ao lugar mais próximo do início da caminhada do dia seguinte. Era aí, perto de uma Alpine Farm, que iríamos pernoitar. Como não podia deixar de ser o jantar foi gourmet: um risotto de cogumelos e uma salada de tomate, feta e azeite balsâmico! Sob um céu limpo e infinitas constelações adormecemos embalados ao som de uma orquestra “sinofónica” bovina ali residente. Nas montanhas, Suíça vs. Portugal é uma luta inglória Às seis da manhã saí disparada da “cama” para fotografar um amanhecer inacreditável. As montanhas à minha frente tinham-se tornado cor-de-rosa e atrás de mim, na Áustria, eram agora azuis. Como esta adrenalina matinal só parecia afectar um de nós fui persuadida a deixar-me dormir mais um bocadinho até serem horas de pessoas normais se levantarem.  O sol já ia alto quando acabámos de enfiar todo o equipamento que íamos precisar para acampar nessa noite em duas mochilas. Foi a primeira vez que me apercebi onde é que me estava a meter. Digamos que caminhadas já fiz eu muitas, mas com oito ou mais quilos às costas, esta era a primeira. E deixem-me mencionar, assim só ao de leve como quem não quer a coisa, que eu não levava nem um terço do peso total entre nós. Munida de dois bastões de caminhada de carbono (para leigos como eu, significa que são ultra leves) e de uma grande determinação de provar a mim mesma – e ao Suíço! – que ia conseguir acabar aquela caminhada com os dois pulmões ainda dentro da caixa torácica, arrancámos.   Depois de 30 minutos sempre a subir estávamos oficialmente no início da caminhada, ao lado do Wangersee, o primeiro lago. Este simpático lago funciona para baixar os padrõezinhos dos caminhantes relativamente ao potencial deste trilho. Assim, ficamos completamente estupefactos com o que está para vir. Ir com um “profissional” destas coisas tem os seus benefícios. Optámos por fazer o caminho no sentido contrário e acabámos por ter as montanhas e os lagos quase só para nós. Aconselho vivamente a fazer Wangersee>Baschalvasee > Schwarzsee > Schottensee > Wildsee não só para evitar fazer descidas íngremes com gravilha (nós fizemos em subida) como para deixar os lagos mais impressionantes para o fim, o que torna a caminhada muito mais entusiasmante e recompensadora. Para além da minha inaptidão para carregar peso às costas, também estava mais que provado que o único equipamento que tinha que funcionava tinha sido cedido pela mãe do Adi. Ora vejamos: os meus óculos de sol, que só têm uma haste, foram considerados “o pior tipo de óculos de sol para caminhadas” uma vez que são “abertos”. A sola do meu sapato esquerdo descolou-se passadas duas horas de caminhada e soltou-se completamente no fim do primeiro dia. A sola do direito descolou-se uma hora depois de começarmos o segundo dia. Humilhada pelo meu corpo e equipamento, restava-me dizer: “Eu fui criada na praia, não nas montanhas. Hás-de ver que sou muito melhor a ficar estendida ao sol um dia inteiro sem me mexer”. Pelas quatro da tarde chegámos ao nosso poiso para a noite: o Schottensee, um dos lagos mais bonitos que já vi. Nas seis horas que caminhámos para lá chegar senti-me uma formiguinha no meio daquelas montanhas, saíram-me do corpo litros de suor (e alguns palavrões ofegantes) e abracei em pleno o melhor que a natureza tem para nos dar: paz de espírito. Ser obrigada a desligar Uma das maravilhas de nos afastarmos do mundo dito “civilizado” é deixarmos de ter rede. Antes da quarentena já passava uma quantidade de tempo pouco saudável online e com a impossibilidade de sair de casa comecei a passar quase todas as horas do meu dia em frente ao computador. Ora, isto dá cabo de qualquer um. Nas montanhas corta-se o mal pela raiz e depois de caminhar restou-nos ficar a apanhar sol e a molhar os pés na água gelada do lago (no meu caso) ou ir subir a mais picos a correr só porque sim (no caso do Adi). Se isto não é terapêutico não sei o que será. Quando o sol começou a baixar estava na altura de fazer o jantar: massa com molho de tomate, cebola e curgete -previamente cortadas e transportadas num Tupperware; já disse que com a comida não se brinca! Para voltarmos a encher as nossas garrafas com água potável fervemos vários litros de água do lago e para celebrar o fim do primeiro dia bebemos uns tragos do tradicional schnapps. Mais uma vez adormecemos a olhar para um céu estrelado ao som dos sinos do gado caprino desta vez. Um último esforço e a recompensa O último dia de caminhada começou comigo a confirmar que uma sopa Knorr de cogumelos não serve de pequeno-almoço para ninguém. Tenda, sacos cama e colchões arrumados, estávamos prontos para a recta final. Subimos até ao Wildsee contornando as centenas de caminhantes que vinham na direcção contrária. Não há nada como uma boa fotografia de Instagram para mover multidões. Mas mais uma vez decidimos fazer a nossa própria rota e embarcar por um desvio que nos levaria ao pico do Pizol a 2,844 metros. Como este trilho envolve andar no gelo e gravilha eu fiz uma paragem técnica enquanto o meu parceiro de caminhada ia lá ao topo “num instantinho”. Apesar de não ter chegado ao topo, adorei este trilho porque tornou a caminhada e as paisagens que oferece ainda mais diversa. Agora já só nos faltava descer e esperar que a campervan ainda estivesse onde a tínhamos deixado. Fácil, certo?! Teria sido fácil se tivéssemos ido pelo caminho oficial, mas não. “Vamos por aqui, tem menos gente”. E porque é que será que tem menos gente? Porque tem vários troços só de gravilha fina que ao mínimo erro te iria levar a visitar as vaquinhas lá no fundo da montanha. Com o coração na boca e eventualmente lágrimas nos olhos lá fiz o trilho rogando pragas ao dia oito de agosto que já me tinha tentado matar há três anos no Sri Lanka. Moral da história: não inventes caminhos! Para comemorar a nossa chegada intactos ao local de partida, tínhamos uma procissão intimidante de vacas à nossa espera. Felizmente ficaram-se pelos olhares desconfiados enquanto eu lhes segredava que não comia carne há imenso tempo! Nessa tarde tomámos a decisão mais fácil da viagem: irmos a uma das melhores termas da Suíça. Tamina Therme os nossos corpos suados, dorido e sujos vão deleitar-se nas tuas águas. Todos maltrapilhos entrámos num dos lugares mais finos que já vi na vida e a recepcionista deve ter tido medo das nossas toalhas (com razão), uma vez que nos ofereceu umas quando dissemos que não queríamos pagar pelas do spa. Duas horas depois estávamos limpinhos e bem massajados pelos infinitos jactos de água e jacuzzis que estas termas naturais ofereciam. Uma última vez, estacionámos a caravana, fizemos o jantar e desligámos com os sons da natureza. Como não podia deixar de ser, o último dia ainda foi gozado até à última com uma visita à Tamina Gorge, um desfiladeiro na zona das águas termais (entrada: 5CHF), e um mergulho rápido num lago perto de Zurique antes do voo. Olhando para as mais de 1600 palavras deste post pergunto-me como é que quatro dias na Suíça deram para escrever tanto. A verdade é que este ano cada viagem tem um sabor diferente; viajar deixou de ser uma garantia e passou a ser um privilégio. Aguardo ansiosamente pelo dia em que voltaremos a viajar sem restrições. Até lá, vamos viajando assim, devagarinho. Dicas rápidas Caminhada dos Cinco Lagos em Pizol: O acesso normal a esta caminhada é feito através de um teleférico. Fica aqui o site da região do Pizol com mais informações: Turismo Pizol Pernoitar/estacionar no início da caminhada: O Adi foi quem descobriu o lugar onde poderíamos dormir e deixar a van para fazer a caminhada. Estas são as coordenadas GPS do lugar onde ficámos 46°58’19.0″N 9°26’15.4″E ; tem acesso a água potável. Contudo, antes de a chegarmos tivemos que preencher um formulário e deixar 20 CHF num envelope num género de casota de madeira. Equipamento: De forma a estares mais preparado/a que eu, aqui vão umas dicas. Bastões de caminhada ajudam imenso tanto em subidas como descidas e são imprescindíveis se carregares muito peso às costas. Fiquei fã. Usa protector solar, batom do cieiro, óculos de sol e boné! O sol nas montanhas é muito mais agressivo do que noutros lugares. E sapatos/botas de caminhada que não se estejam a desfazer. Caminhada: A caminhada em si não é muito difícil se tiveres um estilo de vida activo. Há muitos pais que levam miúdos de sete ou oito anos para esta caminhada (até mais novos) e sobrevivem todos.

The post Pizol: Cinco (+) lagos, termas finas e estar offline appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
Algures a meio de Fevereiro chegou o convite: “No Verão devíamos fazer uma caminhada nas montanhas Suíças”. A proposta vinha do meu amigo Adi que na altura se encontrava na etapa final da sua viagem de dois anos de bicicleta da Noruega à África do Sul.

Sabíamos lá nós que a epidemia na China se tornaria numa pandemia mundial e que os quilómetros finais da viagem dele ficariam em águas de bacalhau e que os meus planos originais de viagem seriam todos cancelados.

Com os destinos de viagem ultra limitados devido à imposição de quarentena no regresso por parte de Inglaterra, voltar à Suíça parecia-me a opção mais apetecível. Com poucos dias de antecedência marquei os meus voos para mais uma viagem “só acredito que vai acontecer quando sair do aeroporto”.

Quatro dias de caminhadas, lagos e noites estreladas estavam prestes a começar:

O primeiro lago e uma orquestra bovina

Aterrei num país que parecia nunca ter ouvido falar de um tal COVID. Ao dirigir-me para a saída do aeroporto encontrei-me com o Adi, eu com máscara ele sem. Ainda confusa com este novo (ou antigo?) mundo, meti-me na magnífica campervan dos pais dele; aquela seria a nossa casa durante os próximos dias.

Já com compras para sobrevivermos em autonomia na bagageira fizemos a nossa primeira paragem: Walensee. Este enorme lago fica mesmo na fronteira com o Liechtenstein e a caminho do nosso destino final: Pizol. Também não sabíamos quando voltaríamos a tomar banho e achámos por bem aproveitar esta oportunidade.

Em países sem mar faz-se praia nos lagos e as margens deste estavam a rebentar pelas costuras. Lá encontrámos um cantinho na relva e, em menos de nada, estava a atirar-me não à água, mas ao pão e humus que tínhamos acabado de comprar (porque é que só me dou com pessoas que não se importam de não comer?!). Níveis de açúcar repostos o resto da tarde foi passado entre banhos de lago e banhos de sol.

No fim do dia pusemos a van à prova ao subirmos até ao lugar mais próximo do início da caminhada do dia seguinte. Era aí, perto de uma Alpine Farm, que iríamos pernoitar. Como não podia deixar de ser o jantar foi gourmet: um risotto de cogumelos e uma salada de tomate, feta e azeite balsâmico!

Sob um céu limpo e infinitas constelações adormecemos embalados ao som de uma orquestra “sinofónica” bovina ali residente.

Nas montanhas, Suíça vs. Portugal é uma luta inglória

Às seis da manhã saí disparada da “cama” para fotografar um amanhecer inacreditável. As montanhas à minha frente tinham-se tornado cor-de-rosa e atrás de mim, na Áustria, eram agora azuis. Como esta adrenalina matinal só parecia afectar um de nós fui persuadida a deixar-me dormir mais um bocadinho até serem horas de pessoas normais se levantarem. 

O sol já ia alto quando acabámos de enfiar todo o equipamento que íamos precisar para acampar nessa noite em duas mochilas. Foi a primeira vez que me apercebi onde é que me estava a meter. Digamos que caminhadas já fiz eu muitas, mas com oito ou mais quilos às costas, esta era a primeira. E deixem-me mencionar, assim só ao de leve como quem não quer a coisa, que eu não levava nem um terço do peso total entre nós.

Munida de dois bastões de caminhada de carbono (para leigos como eu, significa que são ultra leves) e de uma grande determinação de provar a mim mesma – e ao Suíço! – que ia conseguir acabar aquela caminhada com os dois pulmões ainda dentro da caixa torácica, arrancámos.  

Depois de 30 minutos sempre a subir estávamos oficialmente no início da caminhada, ao lado do Wangersee, o primeiro lago. Este simpático lago funciona para baixar os padrõezinhos dos caminhantes relativamente ao potencial deste trilho. Assim, ficamos completamente estupefactos com o que está para vir.

Ir com um “profissional” destas coisas tem os seus benefícios. Optámos por fazer o caminho no sentido contrário e acabámos por ter as montanhas e os lagos quase só para nós. Aconselho vivamente a fazer Wangersee>Baschalvasee > Schwarzsee > Schottensee > Wildsee não só para evitar fazer descidas íngremes com gravilha (nós fizemos em subida) como para deixar os lagos mais impressionantes para o fim, o que torna a caminhada muito mais entusiasmante e recompensadora.

Para além da minha inaptidão para carregar peso às costas, também estava mais que provado que o único equipamento que tinha que funcionava tinha sido cedido pela mãe do Adi. Ora vejamos: os meus óculos de sol, que só têm uma haste, foram considerados “o pior tipo de óculos de sol para caminhadas” uma vez que são “abertos”. A sola do meu sapato esquerdo descolou-se passadas duas horas de caminhada e soltou-se completamente no fim do primeiro dia. A sola do direito descolou-se uma hora depois de começarmos o segundo dia. Humilhada pelo meu corpo e equipamento, restava-me dizer: “Eu fui criada na praia, não nas montanhas. Hás-de ver que sou muito melhor a ficar estendida ao sol um dia inteiro sem me mexer”.

Pelas quatro da tarde chegámos ao nosso poiso para a noite: o Schottensee, um dos lagos mais bonitos que já vi. Nas seis horas que caminhámos para lá chegar senti-me uma formiguinha no meio daquelas montanhas, saíram-me do corpo litros de suor (e alguns palavrões ofegantes) e abracei em pleno o melhor que a natureza tem para nos dar: paz de espírito.

Ser obrigada a desligar

Uma das maravilhas de nos afastarmos do mundo dito “civilizado” é deixarmos de ter rede. Antes da quarentena já passava uma quantidade de tempo pouco saudável online e com a impossibilidade de sair de casa comecei a passar quase todas as horas do meu dia em frente ao computador. Ora, isto dá cabo de qualquer um.

Nas montanhas corta-se o mal pela raiz e depois de caminhar restou-nos ficar a apanhar sol e a molhar os pés na água gelada do lago (no meu caso) ou ir subir a mais picos a correr só porque sim (no caso do Adi). Se isto não é terapêutico não sei o que será.

Quando o sol começou a baixar estava na altura de fazer o jantar: massa com molho de tomate, cebola e curgete -previamente cortadas e transportadas num Tupperware; já disse que com a comida não se brinca!

Para voltarmos a encher as nossas garrafas com água potável fervemos vários litros de água do lago e para celebrar o fim do primeiro dia bebemos uns tragos do tradicional schnapps. Mais uma vez adormecemos a olhar para um céu estrelado ao som dos sinos do gado caprino desta vez.

Um último esforço e a recompensa

O último dia de caminhada começou comigo a confirmar que uma sopa Knorr de cogumelos não serve de pequeno-almoço para ninguém. Tenda, sacos cama e colchões arrumados, estávamos prontos para a recta final.

Subimos até ao Wildsee contornando as centenas de caminhantes que vinham na direcção contrária. Não há nada como uma boa fotografia de Instagram para mover multidões. Mas mais uma vez decidimos fazer a nossa própria rota e embarcar por um desvio que nos levaria ao pico do Pizol a 2,844 metros.

Como este trilho envolve andar no gelo e gravilha eu fiz uma paragem técnica enquanto o meu parceiro de caminhada ia lá ao topo “num instantinho”. Apesar de não ter chegado ao topo, adorei este trilho porque tornou a caminhada e as paisagens que oferece ainda mais diversa.

Agora já só nos faltava descer e esperar que a campervan ainda estivesse onde a tínhamos deixado. Fácil, certo?! Teria sido fácil se tivéssemos ido pelo caminho oficial, mas não. “Vamos por aqui, tem menos gente”. E porque é que será que tem menos gente? Porque tem vários troços só de gravilha fina que ao mínimo erro te iria levar a visitar as vaquinhas lá no fundo da montanha. Com o coração na boca e eventualmente lágrimas nos olhos lá fiz o trilho rogando pragas ao dia oito de agosto que já me tinha tentado matar há três anos no Sri Lanka. Moral da história: não inventes caminhos!

Para comemorar a nossa chegada intactos ao local de partida, tínhamos uma procissão intimidante de vacas à nossa espera. Felizmente ficaram-se pelos olhares desconfiados enquanto eu lhes segredava que não comia carne há imenso tempo!

Nessa tarde tomámos a decisão mais fácil da viagem: irmos a uma das melhores termas da Suíça. Tamina Therme os nossos corpos suados, dorido e sujos vão deleitar-se nas tuas águas. Todos maltrapilhos entrámos num dos lugares mais finos que já vi na vida e a recepcionista deve ter tido medo das nossas toalhas (com razão), uma vez que nos ofereceu umas quando dissemos que não queríamos pagar pelas do spa. Duas horas depois estávamos limpinhos e bem massajados pelos infinitos jactos de água e jacuzzis que estas termas naturais ofereciam.

Uma última vez, estacionámos a caravana, fizemos o jantar e desligámos com os sons da natureza.

Como não podia deixar de ser, o último dia ainda foi gozado até à última com uma visita à Tamina Gorge, um desfiladeiro na zona das águas termais (entrada: 5CHF), e um mergulho rápido num lago perto de Zurique antes do voo.

Olhando para as mais de 1600 palavras deste post pergunto-me como é que quatro dias na Suíça deram para escrever tanto. A verdade é que este ano cada viagem tem um sabor diferente; viajar deixou de ser uma garantia e passou a ser um privilégio. Aguardo ansiosamente pelo dia em que voltaremos a viajar sem restrições. Até lá, vamos viajando assim, devagarinho.

Dicas rápidas

Caminhada dos Cinco Lagos em Pizol: O acesso normal a esta caminhada é feito através de um teleférico. Fica aqui o site da região do Pizol com mais informações: Turismo Pizol

Pernoitar/estacionar no início da caminhada: O Adi foi quem descobriu o lugar onde poderíamos dormir e deixar a van para fazer a caminhada. Estas são as coordenadas GPS do lugar onde ficámos 46°58’19.0″N 9°26’15.4″E ; tem acesso a água potável. Contudo, antes de a chegarmos tivemos que preencher um formulário e deixar 20 CHF num envelope num género de casota de madeira.

Equipamento: De forma a estares mais preparado/a que eu, aqui vão umas dicas. Bastões de caminhada ajudam imenso tanto em subidas como descidas e são imprescindíveis se carregares muito peso às costas. Fiquei fã. Usa protector solar, batom do cieiro, óculos de sol e boné! O sol nas montanhas é muito mais agressivo do que noutros lugares. E sapatos/botas de caminhada que não se estejam a desfazer.

Caminhada: A caminhada em si não é muito difícil se tiveres um estilo de vida activo. Há muitos pais que levam miúdos de sete ou oito anos para esta caminhada (até mais novos) e sobrevivem todos.

The post Pizol: Cinco (+) lagos, termas finas e estar offline appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
https://www.mudancasconstantes.com/2020/09/06/pizol-cinco-lagos-suica/feed/ 0
Viajar na Ásia Central: Dicas e informações úteis https://www.mudancasconstantes.com/2020/01/02/viajar-asia-central/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=viajar-asia-central https://www.mudancasconstantes.com/2020/01/02/viajar-asia-central/#comments Thu, 02 Jan 2020 20:19:04 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5841 Viajar na Ásia Central é uma descoberta constante. Há poucos anos estes países eram uma completa incógnita, um trava línguas difícil. Hoje em dia os “stan” ou “istão” começam a conquistar os tops de países mais promissores para viajar, particularmente para os amantes da natureza. Esta viagem começou por ser super planeada, daquelas com direito a folhas de Excel e tudo, e acabou por ser uma das viagens mais espontâneas que já fiz. Por um lado vimos mais um país do que tínhamos inicialmente pensado: o Uzbequistão. Por outro, acabámos por não fazer as duas grandes caminhadas que queríamos no Quirguistão, mas olhando para trás foi a melhor decisão que podíamos ter tomado. Como corremos três países num curto espaço de tempo, decidi resumir a experiência num só post até porque há algumas características comuns a todos estes países da Ásia Central. Ásia Central Gastronomia A primeira frase do Guia Lonely Planet sobre a Ásia Central é “ninguém vai à Ásia Central pela comida” o que descreve muito bem o estado das coisas. Nas capitais encontras facilmente restaurantes ocidentais com saladas, massas, pizzas, etc… mas a segunda frase do Lonely Planet devia ser “ninguém vai à Ásia Central pelas capitais”. Por isso, o que há é a comida dos yurts que se resume a dumplings e noodles (quando tens sorte) e pão seco, sopas desoladoras e compotas quando tens azar. No Uzbequistão o cenário é algo mais animador porque as maiores atracções estão nas cidades e o Plov (arroz com vegetais e carne) e as carnes grelhadas são a norma. Língua Como em todos os países do mundo, acabámos sempre por conseguir comunicar o que queríamos, às vezes com a ajuda do Google, outras com gestos. O Google Tradutor já consegue traduzir imagens com texto (o que dá muito jeito em menus de restaurantes). Tanto no Cazaquistão como no Quirguistão o alfabeto é o cirílico e a maioria das pessoas fala russo. Aconselho-te a aprender algumas palavras básicas e o alfabeto para facilitar não só a comunicação, mas para também perceberes onde estás. No Youtube há umas aulas de russo espectaculares. Como chegar Os preços dos voos para o Quirguistão foram o motivo da nossa aterragem no Cazaquistão. Pesquisa voos para ou Almaty ou Tashkent e depois procura voos na região. As linhas aéreas tanto do Uzbequistão como do Cazaquistão são muito boas e pontuais até porque naqueles aeroportos contam-se pelos dedos das mãos os voos diários. Também podes atravessar fronteiras de autocarro ou comboio.   Clima Diria que o clima é o factor mais importante a considerar numa viagem à Ásia Central. Nós achávamos que tínhamos acertado em cheio na melhor altura do ano, mas o Quirguistão trocou-nos as voltas. Almaty: A região de Almaty é extremamente fria no Inverno (com neve por tudo quanto é sítio) e extremamente quente no Verão. Nós fomos em Agosto – porque não era o nosso destino final – e apanhámos bastante calor, mas suportável. Se a tua intenção for visitar só esta zona, o fim da primavera e o início do Outono são ideais. Quirguistão: Tal como Almaty, o Quirguistão é extremamente frio no Inverno – quando a maioria do país está soterrado de neve – e no Verão nunca é muito quente à excepção de Bishkek, a capital. Como tal, e porque o Quirguistão é unicamente um destino de natureza, a melhor altura para visitar serão os meses de Verão: fins de Junho a início de Agosto. Isto não invalida teres que levar roupa para graus negativos porque, tal como ficou provado, nunca se sabe quando é que a neve vai aparecer. Uzbequistão: O Uzbequistão será talvez o destino mais fácil de planear porque é mais constante. Os Invernos são bastante frios, mas com dias muito limpos e certamente menos turísticos que o normal. A melhor altura para visitar é a primavera e o outono sendo que os Verões são quentíssimos. Nós fomos lá parar em Agosto e bem suámos do bigode, mas como o ar condicionado já chegou ao Uzbequistão nem sofremos muito. Dinheiro Como já tinha escrito neste post, o Revolut é sem dúvida o melhor cartão para viajar. Mesmo que só tenha levantamentos gratuitos até 200 euros, as taxas e comissões são muito inferiores aos bancos tradicionais. No Quirguistão e Uzbequistão há o problema de muitas máquinas multibanco só aceitarem VISA e por isso aconselho-te um cartão alternativo. Cazaquistão Visto: Os cidadãos portugueses não necessitam de visto de entrada para estadias que não ultrapassem os 30 dias. À chegada, tens que preencher e entregar no controlo de passaportes um pequeno formulário (agarra um ou mais na zona de controlo e preenche na fila. Se planeares entrar e sair do país é bom ter formulários vazios extra porque na fronteira por terra é uma luta para arranjar um). Este formulário é-te devolvido com um carimbo e pela tua saudinha não o percas como eu. Moeda e dinheiro: A moeda nacional é o Kazakh tenge. 1€ = 422.68. Em Almaty alguns restaurantes mais finos aceitam pagamento com cartão, mas a norma é pagar com dinheiro. Nós corremos inúmeras caixas multibanco antes de conseguirmos que uma funcionasse, mas elas existem! Também aconselho levares algum dinheiro (dólares americanos de preferência) porque para pagar tours, por exemplo, eles aceitam. Transportes: Dentro das cidades a melhor forma de te deslocares é de Táxi. A app que recomendo para o fazeres é a Yandex que funciona como o Uber e até podes pagar com cartão. O preço de uma viagem do Aeroporto para o centro são cerca de 5 ou 6 euros e viagens dentro da cidade em si, cerca de 2. Se não tiveres internet um táxi para o centro não te deverá custar mais de 10 dólares. Para a viagem Alamty – Bishkek apanhámos um táxi partilhado a partir da estação de Autocarros de Almaty. Assim que chegámos fomos abordados por outros dois turistas que já tinham andado a negociar com um taxista e precisavam de mais pessoas para encher o táxi. Nós aceitámos e 15 minutos depois já tínhamos outros três ou quatro polacos connosco e partimos assim que o táxi encheu. A viagem (que dura cerca de cinco horas) custou-nos uns 6 ou 7€ a cada. Alojamento: Os hostels em Almaty estão longe de ser os melhores do mundo, mas safam-se. Na primeira vez que estivemos na cidade ficámos no Almaty Backpackers que tem sem dúvida um grande ambiente, mas tem o grave problema de só ter duas casas de banho para imensa gente. Da segunda vez ficámos num hostel mais moderno, onde as condições eram melhores, mas sem personalidade nenhuma, que ironicamente se chamava Soul Hostel. Os quartos privados valem muito a pena. Tour: Como tínhamos pouco tempo no sul do Cazaquistão optámos por fazer uma tour através do hostel Almaty Backpackers que permite aos hóspedes juntarem-se a tours tornando o preço mais baixo. Aconselho-te a deixar a marcação da tour para a última hora porque em princípio o preço será mais baixo e como em todo o lado na Ásia “cabe sempre mais um”. Almaty: Almaty é uma cidade surpreendentemente moderna, desenvolvida e limpa – apesar de ter visto uma vaquita a atravessar a estrada no caminho do aeroporto. Durante uma tarde visitámos o Zelenyy Bazar, a Catedral da Ascenção no Parque Panfilov, o parque do Primeiro Presidente, a rua Zhybek-Zholy que está cheia de cafés, bares e restaurantes e o Central Park.  Quirguistão Visto: Não é necessário visto para cidadãos portugueses.   Moeda e dinheiro: 1€ = 77.5 Kyrgyz Som. É fácil de trocar dinheiro em Bishkek, nós fizemo-lo logo na estação de autocarros quando chegámos – onde também podes comprar um cartão SIM. Só vais encontrar multibancos nas maiores cidades do país (como Naryn, Osh ou Karakol) por isso mais vale abastecer em Bishkek. Tenta não sair do país com dinheiro Quirguiz porque vai ser quase impossível de trocar. Transporte: A aplicação Yandex também funciona em Bishkek e é a melhor opção para deslocações dentro a cidade. Para viajar no Quirguistão as marshrutkas são o segredo. Estes mini autocarros de 20 lugares vão para todos os cantos do país assim que enchem e são a forma mais barata de viajar. Podes apanhá-las nas estações de autocarro de cada cidade e apesar de não serem particularmente confortáveis acho que são a melhor opção. Bishkek a Naryn: 5 horas, cerca de 4 euros por pessoaNaryn a Kochkor (taxi partilhado): 2 horas, cerca de 4 euros por pessoa Kochkor a Bishkek: 3 horas, cerca de 3 euros por pessoa Bishkek a Almaty: 5 horas, cerca de 4 euros por pessoa CBT: traduz-se em Community Based Tourism e consiste em centros turísticos, espalhados por todo o país, que organizam tours, caminhadas e passeios para viajantes. Nós só usámos o de Naryn e correu tudo às mil maravilhas. Podes ler mais sobre o CBT aqui. Bishkek: Se há coisas boas deixadas pela União Soviética foram cidades bem planeadas e com espaços verdes. No caso de Bishkek há a enorme praça Ala-Too com museus, teatros e edifícios governamentais. Também podes optar por fazer a “tour do comunismo” e picar o ponto em todas as estátuas do Lenin, Marx e outros amigos desses tempos. Nós vimo-nos no meio de uma feira popular e como não tínhamos nada para fazer decidimos ir dar uma voltinha ao “Bishkek-eye” a grande roda de Bishkek! Bishkek também é um bom porto de partida para day trips: para o Ala-Archa National Park, Konorchek Canyon, Burana Tower e até o sanatório soviético em Issyk-Ata. Alojamento: Foi em Bishkek que ficámos num dos melhores hostels que já vi. Fomos parar ao hostel Freelander por recomendação de um viajante e era espectacular tanto a nível de instalações, como de limpeza e de simpatia. No resto das cidades o alojamento mais comum são as guest houses e no campo os yurts. Itinerário: Apesar de não termos cumprido nada do meu itinerário inicial continuo a achar que era um grande itinerário e por isso deixo-o aqui: Bishkek: 1 dia Karakol: 1 dia  Caminhada até ao lago Ala-Kul: 3 dias Karakol até Kochkor: 1 dia Caminhada até ao lago Song Kol: 3 dias Kochkor até Naryn: 1 diaTash Rabat e Kol Suu: 2 dias Uzbequistão Visto: Desde 2019 que não é preciso visto para o Uzbequistão para estadias inferiores a 30 dias. O país está a fazer um esforço enorme para dinamizar o turismo e o acesso está muito facilitado. Moeda e dinheiro: 1€ = 10555 Uzbek Som. No Uzbequistão é mais fácil encontrar caixas multibanco, mas 99% só aceita cartões Visa e nem sempre têm muito dinheiro disponível. Transporte: Em Tashkent, tal como em Almaty e Bishkek, podes usar a app Yandex para chamar taxis. Se no aeroporto os taxistas te disserem que os Yandex não têm autorização para entrar na área do aeroporto é mentira. Já para andar pelo país fora os comboios são a melhor opção. Nós conseguimos marcar online o comboio de Tashkent para Urgench mas claro que fomos parar à terceira classe. A melhor opção será ver os horários na internet e depois levar escrito num papel os comboios que queres comprar (origem, destino e hora) e apresentar esse papel ao balcão na estação de Tashken para facilitar a comunicação. Podes encontrar os horários dos comboios aqui. A estação de Tashkent tem um sistema de senhas que não funciona e por isso tens que ir lá para o molho lutar para ser atendido.   Alojamento: Os standards de alojamento no Uzbequistão são muito superiores aos dos países anteriores e os preços são particularmente bons para quem viaja com um ou dois amigos e pode partilhar quarto. Por 8€ por pessoa é normal ter um quarto com ar condicionado, casa de banho e pequeno-almoço incluído. Polícia Turística: Com os esforços para tornar o país mais atractivo para o turismo, o Uzbequistão pôs nas ruas um grande número de polícias que falam inglês e estão disponíveis para ajudar. E se dantes eles eram conhecidos pela sua corrupção, agora há um esforço consciente...

The post Viajar na Ásia Central: Dicas e informações úteis appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
Viajar na Ásia Central é uma descoberta constante. Há poucos anos estes países eram uma completa incógnita, um trava línguas difícil. Hoje em dia os “stan” ou “istão” começam a conquistar os tops de países mais promissores para viajar, particularmente para os amantes da natureza.

Esta viagem começou por ser super planeada, daquelas com direito a folhas de Excel e tudo, e acabou por ser uma das viagens mais espontâneas que já fiz. Por um lado vimos mais um país do que tínhamos inicialmente pensado: o Uzbequistão. Por outro, acabámos por não fazer as duas grandes caminhadas que queríamos no Quirguistão, mas olhando para trás foi a melhor decisão que podíamos ter tomado.

Como corremos três países num curto espaço de tempo, decidi resumir a experiência num só post até porque há algumas características comuns a todos estes países da Ásia Central.

Ásia Central

Gastronomia

A primeira frase do Guia Lonely Planet sobre a Ásia Central é “ninguém vai à Ásia Central pela comida” o que descreve muito bem o estado das coisas. Nas capitais encontras facilmente restaurantes ocidentais com saladas, massas, pizzas, etc… mas a segunda frase do Lonely Planet devia ser “ninguém vai à Ásia Central pelas capitais”. Por isso, o que há é a comida dos yurts que se resume a dumplings e noodles (quando tens sorte) e pão seco, sopas desoladoras e compotas quando tens azar.

No Uzbequistão o cenário é algo mais animador porque as maiores atracções estão nas cidades e o Plov (arroz com vegetais e carne) e as carnes grelhadas são a norma.

Língua

Como em todos os países do mundo, acabámos sempre por conseguir comunicar o que queríamos, às vezes com a ajuda do Google, outras com gestos. O Google Tradutor já consegue traduzir imagens com texto (o que dá muito jeito em menus de restaurantes). Tanto no Cazaquistão como no Quirguistão o alfabeto é o cirílico e a maioria das pessoas fala russo. Aconselho-te a aprender algumas palavras básicas e o alfabeto para facilitar não só a comunicação, mas para também perceberes onde estás. No Youtube há umas aulas de russo espectaculares.

Como chegar

Os preços dos voos para o Quirguistão foram o motivo da nossa aterragem no Cazaquistão. Pesquisa voos para ou Almaty ou Tashkent e depois procura voos na região. As linhas aéreas tanto do Uzbequistão como do Cazaquistão são muito boas e pontuais até porque naqueles aeroportos contam-se pelos dedos das mãos os voos diários. Também podes atravessar fronteiras de autocarro ou comboio.  

Clima

Diria que o clima é o factor mais importante a considerar numa viagem à Ásia Central. Nós achávamos que tínhamos acertado em cheio na melhor altura do ano, mas o Quirguistão trocou-nos as voltas.

Almaty: A região de Almaty é extremamente fria no Inverno (com neve por tudo quanto é sítio) e extremamente quente no Verão. Nós fomos em Agosto – porque não era o nosso destino final – e apanhámos bastante calor, mas suportável. Se a tua intenção for visitar só esta zona, o fim da primavera e o início do Outono são ideais.

Quirguistão: Tal como Almaty, o Quirguistão é extremamente frio no Inverno – quando a maioria do país está soterrado de neve – e no Verão nunca é muito quente à excepção de Bishkek, a capital. Como tal, e porque o Quirguistão é unicamente um destino de natureza, a melhor altura para visitar serão os meses de Verão: fins de Junho a início de Agosto. Isto não invalida teres que levar roupa para graus negativos porque, tal como ficou provado, nunca se sabe quando é que a neve vai aparecer.

Uzbequistão: O Uzbequistão será talvez o destino mais fácil de planear porque é mais constante. Os Invernos são bastante frios, mas com dias muito limpos e certamente menos turísticos que o normal. A melhor altura para visitar é a primavera e o outono sendo que os Verões são quentíssimos. Nós fomos lá parar em Agosto e bem suámos do bigode, mas como o ar condicionado já chegou ao Uzbequistão nem sofremos muito.

Dinheiro

Como já tinha escrito neste post, o Revolut é sem dúvida o melhor cartão para viajar. Mesmo que só tenha levantamentos gratuitos até 200 euros, as taxas e comissões são muito inferiores aos bancos tradicionais. No Quirguistão e Uzbequistão há o problema de muitas máquinas multibanco só aceitarem VISA e por isso aconselho-te um cartão alternativo.

Cazaquistão

Visto: Os cidadãos portugueses não necessitam de visto de entrada para estadias que não ultrapassem os 30 dias.

À chegada, tens que preencher e entregar no controlo de passaportes um pequeno formulário (agarra um ou mais na zona de controlo e preenche na fila. Se planeares entrar e sair do país é bom ter formulários vazios extra porque na fronteira por terra é uma luta para arranjar um). Este formulário é-te devolvido com um carimbo e pela tua saudinha não o percas como eu.

Moeda e dinheiro: A moeda nacional é o Kazakh tenge. 1€ = 422.68. Em Almaty alguns restaurantes mais finos aceitam pagamento com cartão, mas a norma é pagar com dinheiro. Nós corremos inúmeras caixas multibanco antes de conseguirmos que uma funcionasse, mas elas existem! Também aconselho levares algum dinheiro (dólares americanos de preferência) porque para pagar tours, por exemplo, eles aceitam.

Transportes: Dentro das cidades a melhor forma de te deslocares é de Táxi. A app que recomendo para o fazeres é a Yandex que funciona como o Uber e até podes pagar com cartão. O preço de uma viagem do Aeroporto para o centro são cerca de 5 ou 6 euros e viagens dentro da cidade em si, cerca de 2. Se não tiveres internet um táxi para o centro não te deverá custar mais de 10 dólares.

Para a viagem Alamty – Bishkek apanhámos um táxi partilhado a partir da estação de Autocarros de Almaty. Assim que chegámos fomos abordados por outros dois turistas que já tinham andado a negociar com um taxista e precisavam de mais pessoas para encher o táxi. Nós aceitámos e 15 minutos depois já tínhamos outros três ou quatro polacos connosco e partimos assim que o táxi encheu. A viagem (que dura cerca de cinco horas) custou-nos uns 6 ou 7€ a cada.

Alojamento: Os hostels em Almaty estão longe de ser os melhores do mundo, mas safam-se. Na primeira vez que estivemos na cidade ficámos no Almaty Backpackers que tem sem dúvida um grande ambiente, mas tem o grave problema de só ter duas casas de banho para imensa gente.

Da segunda vez ficámos num hostel mais moderno, onde as condições eram melhores, mas sem personalidade nenhuma, que ironicamente se chamava Soul Hostel. Os quartos privados valem muito a pena.

Tour: Como tínhamos pouco tempo no sul do Cazaquistão optámos por fazer uma tour através do hostel Almaty Backpackers que permite aos hóspedes juntarem-se a tours tornando o preço mais baixo. Aconselho-te a deixar a marcação da tour para a última hora porque em princípio o preço será mais baixo e como em todo o lado na Ásia “cabe sempre mais um”.

Almaty: Almaty é uma cidade surpreendentemente moderna, desenvolvida e limpa – apesar de ter visto uma vaquita a atravessar a estrada no caminho do aeroporto. Durante uma tarde visitámos o Zelenyy Bazar, a Catedral da Ascenção no Parque Panfilov, o parque do Primeiro Presidente, a rua Zhybek-Zholy que está cheia de cafés, bares e restaurantes e o Central Park. 

Quirguistão

Visto: Não é necessário visto para cidadãos portugueses.  

Moeda e dinheiro: 1€ = 77.5 Kyrgyz Som. É fácil de trocar dinheiro em Bishkek, nós fizemo-lo logo na estação de autocarros quando chegámos – onde também podes comprar um cartão SIM. Só vais encontrar multibancos nas maiores cidades do país (como Naryn, Osh ou Karakol) por isso mais vale abastecer em Bishkek. Tenta não sair do país com dinheiro Quirguiz porque vai ser quase impossível de trocar.

Transporte: A aplicação Yandex também funciona em Bishkek e é a melhor opção para deslocações dentro a cidade. Para viajar no Quirguistão as marshrutkas são o segredo. Estes mini autocarros de 20 lugares vão para todos os cantos do país assim que enchem e são a forma mais barata de viajar. Podes apanhá-las nas estações de autocarro de cada cidade e apesar de não serem particularmente confortáveis acho que são a melhor opção.

Bishkek a Naryn: 5 horas, cerca de 4 euros por pessoa
Naryn a Kochkor (taxi partilhado): 2 horas, cerca de 4 euros por pessoa
Kochkor a Bishkek: 3 horas, cerca de 3 euros por pessoa
Bishkek a Almaty: 5 horas, cerca de 4 euros por pessoa

CBT: traduz-se em Community Based Tourism e consiste em centros turísticos, espalhados por todo o país, que organizam tours, caminhadas e passeios para viajantes. Nós só usámos o de Naryn e correu tudo às mil maravilhas. Podes ler mais sobre o CBT aqui.

Bishkek: Se há coisas boas deixadas pela União Soviética foram cidades bem planeadas e com espaços verdes. No caso de Bishkek há a enorme praça Ala-Too com museus, teatros e edifícios governamentais. Também podes optar por fazer a “tour do comunismo” e picar o ponto em todas as estátuas do Lenin, Marx e outros amigos desses tempos.

Nós vimo-nos no meio de uma feira popular e como não tínhamos nada para fazer decidimos ir dar uma voltinha ao “Bishkek-eye” a grande roda de Bishkek!

Bishkek também é um bom porto de partida para day trips: para o Ala-Archa National Park, Konorchek Canyon, Burana Tower e até o sanatório soviético em Issyk-Ata.

Alojamento: Foi em Bishkek que ficámos num dos melhores hostels que já vi. Fomos parar ao hostel Freelander por recomendação de um viajante e era espectacular tanto a nível de instalações, como de limpeza e de simpatia. No resto das cidades o alojamento mais comum são as guest houses e no campo os yurts.

Itinerário: Apesar de não termos cumprido nada do meu itinerário inicial continuo a achar que era um grande itinerário e por isso deixo-o aqui:

Bishkek: 1 dia
Karakol: 1 dia  
Caminhada até ao lago Ala-Kul: 3 dias
Karakol até Kochkor: 1 dia
Caminhada até ao lago Song Kol: 3 dias
Kochkor até Naryn: 1 dia
Tash Rabat e Kol Suu: 2 dias

Uzbequistão

Visto: Desde 2019 que não é preciso visto para o Uzbequistão para estadias inferiores a 30 dias. O país está a fazer um esforço enorme para dinamizar o turismo e o acesso está muito facilitado.

Moeda e dinheiro: 1€ = 10555 Uzbek Som. No Uzbequistão é mais fácil encontrar caixas multibanco, mas 99% só aceita cartões Visa e nem sempre têm muito dinheiro disponível.

Transporte: Em Tashkent, tal como em Almaty e Bishkek, podes usar a app Yandex para chamar taxis. Se no aeroporto os taxistas te disserem que os Yandex não têm autorização para entrar na área do aeroporto é mentira.

Já para andar pelo país fora os comboios são a melhor opção. Nós conseguimos marcar online o comboio de Tashkent para Urgench mas claro que fomos parar à terceira classe. A melhor opção será ver os horários na internet e depois levar escrito num papel os comboios que queres comprar (origem, destino e hora) e apresentar esse papel ao balcão na estação de Tashken para facilitar a comunicação. Podes encontrar os horários dos comboios aqui.

A estação de Tashkent tem um sistema de senhas que não funciona e por isso tens que ir lá para o molho lutar para ser atendido.  

Alojamento: Os standards de alojamento no Uzbequistão são muito superiores aos dos países anteriores e os preços são particularmente bons para quem viaja com um ou dois amigos e pode partilhar quarto. Por 8€ por pessoa é normal ter um quarto com ar condicionado, casa de banho e pequeno-almoço incluído.

Polícia Turística: Com os esforços para tornar o país mais atractivo para o turismo, o Uzbequistão pôs nas ruas um grande número de polícias que falam inglês e estão disponíveis para ajudar. E se dantes eles eram conhecidos pela sua corrupção, agora há um esforço consciente para o evitar a todos os custos, especialmente com turistas.

Itinerário: Este itinerário foi feito um bocadinho em cima do joelho, mas até nem nos saímos mal para quatro dias.

Tashkent – 1 dia
Khiva – 1 dia
Bukhara – 1 dia
Samarkand – 1 dia

Se tivesse tido tempo, incluiria o mar Aral!

Tashkent

De todas as cidades da Ásia Central, Tashkent foi aquela onde passámos mais tempo e foi definitivamente a minha preferida. O seu metro é uma versão mais pequena e económica do metro de Moscovo e um dos pontos mais interessantes da cidade. Foi apenas em 2018 que começou a ser permitido fotografar as estações de metro e a partir de então mais turistas visitam esta “atracção”.

O bilhete de metro só custa 14 cêntimos e por esse valor podes ver todas a estações do metro! Algumas das mais interessantes são: Novza, Pakhtakhor, Mustaqilik Maydoni, Oybek, Toshkent, Alisher Navoi E Kosmonavtlar. A maioria das estações representa momentos ou figuras importantes da cultura Uzbeque.

Já fora do subsolo andámos pelo Chorsu Bazaar, Praça Amir Timur, Hotel Uzbekistan e Feira do Livro (book bazaar). Como estivemos sempre em Tashkent entre viagens, não tivemos oportunidade de ver as suas mesquitas que são muito conhecidas.

Espero que estas duas mil e duzentas palavras te tenham incentivado a tornar a Ásia Central num dos teus destinos futuros. É uma região surpreendente com muito mais para dar do que imaginamos.

The post Viajar na Ásia Central: Dicas e informações úteis appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
https://www.mudancasconstantes.com/2020/01/02/viajar-asia-central/feed/ 5
Uma semana de Verão na Islândia: itinerário e informações úteis https://www.mudancasconstantes.com/2019/08/09/uma-semana-islandia-itinerario/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=uma-semana-islandia-itinerario https://www.mudancasconstantes.com/2019/08/09/uma-semana-islandia-itinerario/#respond Fri, 09 Aug 2019 15:21:28 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5543 Nos últimos anos a Islândia explodiu em todo o lado. Literalmente, com o vulcão Eyjafjallajökull em 2010, que lançou o caos na Europa e a Islândia para as bocas do mundo e depois com o Game of Thrones na televisão, na internet com os blogs de viagem e, por fim, no Instagram com os “influencers”. É fácil perceber o porquê do sucesso da Islândia: na Europa já não se encontra esta natureza bruta, especialmente concentrada em tão poucos quilómetros quadrados. Com tanta maravilha junta, a única coisa que pode dissuadir alguém de visitar a Islândia são mesmo os preços. Não há muito a fazer senão começar um porquinho mealheiro chamado “Islândia” e mentalizarmo-nos que vêm aí dias de dieta forçada. Mas vai ser a dieta mais recompensadora de sempre! Se a Islândia também consta da tua lista, aqui vão as minhas dicas e roteiro para uma semana: Voos: Com a falência da WOW Air as opções de voos low-cost para a Islândia ficaram bastante mais reduzidas. Do Reino Unido os voos mais em conta são pela WizzAir. A partir de Portugal, a WizzAir também é uma das melhores opções com escala em Luton. Transporte para o centro Reykjavik: Aterrar na Islândia é aterrar no meio de um campo de lava sem nada à volta. Existem duas opções de transportes públicos até ao centro O Flybus que vai até ao centro e depois distribui as pessoas pelos hotéis. Preço ida e volta: 50€. Há entre um a dois autocarros por hora, têm wi-fi e demoram cerca de 45 minutos a chegar ao centro. https://www.re.is/tour/flybus/ Autocarro 55: É muito mais barato (6€) mas tem horários mais reduzidos e não vai até ao centro aos fins-de-semana, terias que apanhar outro autocarro. Mesmo assim é uma boa solução económica. Horários neste site: https://straeto.is/en ou no Google Maps. Deslocações na ilha: Não há dúvida que a melhor forma de ver a Islândia é de carro ou autocaravana. Para além da falta de transportes públicos, a Islândia tem aquele factor irritante de ser tão bonita que é preciso parar de 5 em 5 minutos para tirar fotografias. Se não tiveres a possibilidade de alugar o teu próprio transporte, existem imensas agências que organizam tours de um dia ou mais. No verão também há muita gente a andar à boleia. Aluguer de carro: Nós alugámos o carro com a Geysir Car Rental e correu tudo bem. O melhor é alugar um carro tipo jipe, o mais popular sendo o Dacia Duster, porque muitas estradas são de gravilha. Como fomos quase no Verão não tivemos problemas nenhum com o tempo volátil da Islândia, mas ao alugar o carro a agência dá sempre um briefing de precauções a tomar porque ventos fortes e nevões inesperados são pratos da casa. Alojamento: As autocaravanas são super populares na Islândia porque são um dois em um e permitem poupar imenso dinheiro já que o alojamento é um dos maiores rombos no orçamento. O hostel mais barato perto de Reykjavik é o Vibrant Iceland hostel (recomendo). Durante a viagem, estes foram os lugares onde ficámos: – B2 Apartments, Reykjavik – Airbnb em Búðardalur – Golden Circle Apartments – Hellishólar Cottages – Hörgsland Cottages Recomendação particular para os B2 Apartments e Golden Circle Apartments. Condições das estradas: Apesar da estrada 1, a principal estrada na Islândia, estar em boas condições, muitas estradas ainda são de gravilha e outras não estão sequer abertas durante os meses de inverno. http://www.road.is/ é o site onde podes consultar, em tempo real, a situação nas estradas na Islândia. Estações e Tempo: Com as quatro estações muito marcadas, um inverno na Islândia nunca passou, nem de perto nem de longe, pelos meus pensamentos. No verão os preços até podem aumentar, mas os dias são mais longos e as probabilidades de sol também são maiores. Nós devemos ter apanhado uma semana record de sol, fim de Maio – inicio de Junho, porque nunca apanhámos mau tempo. Setembro e Março é a melhor altura para ver auroras. Moeda e Dinheiro: É possível pagar com cartão em todo o lado. 1€ = 137.32 Icelandic Króna, Agosto 2019. Supermercados e refeições: Uma boa estratégia para poupar algum dinheiro na Islândia é levar uma mala com comida! Massa, arroz, enlatados… e comprar lá só os frescos. Nunca experimentámos sequer entrar em restaurantes. O supermercado Kronan tem uma boa padaria/pastelaria que nos safou algumas refeições. Álcool: A venda de álcool é proibida nos supermercados por isso, se quiseres comprar tens que encontrar uma Vínbúðin, uma “off-licence” que existe nas maiores localidades do país.   O que levar: No Verão posso recomendar levar uma máscara para os olhos porque os cortinados nunca funcionam a cem porcento. Para além disso, roupa e calçado impermeável caso pretendas explorar as cascatas mais a fundo. Budget: Alimentação + Gasolina + Estacionamento para três pessoas durante uma semana = 500€ Itinerário de uma semana: Dia 1: Reykjavík e arredores Dia 2: A Península de SnaefellsnesDia 3: Uma voltinha pelo NorteDia 4: Golden Circle Dia 5, 6 e 7: Sul e glaciares Guarda este mapa com alguns dos melhores lugares para visitar na Islândia: Boa viagem!

The post Uma semana de Verão na Islândia: itinerário e informações úteis appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
Nos últimos anos a Islândia explodiu em todo o lado. Literalmente, com o vulcão Eyjafjallajökull em 2010, que lançou o caos na Europa e a Islândia para as bocas do mundo e depois com o Game of Thrones na televisão, na internet com os blogs de viagem e, por fim, no Instagram com os “influencers”. É fácil perceber o porquê do sucesso da Islândia: na Europa já não se encontra esta natureza bruta, especialmente concentrada em tão poucos quilómetros quadrados.

Com tanta maravilha junta, a única coisa que pode dissuadir alguém de visitar a Islândia são mesmo os preços. Não há muito a fazer senão começar um porquinho mealheiro chamado “Islândia” e mentalizarmo-nos que vêm aí dias de dieta forçada. Mas vai ser a dieta mais recompensadora de sempre!

Se a Islândia também consta da tua lista, aqui vão as minhas dicas e roteiro para uma semana:

Voos: Com a falência da WOW Air as opções de voos low-cost para a Islândia ficaram bastante mais reduzidas. Do Reino Unido os voos mais em conta são pela WizzAir. A partir de Portugal, a WizzAir também é uma das melhores opções com escala em Luton.

Transporte para o centro Reykjavik: Aterrar na Islândia é aterrar no meio de um campo de lava sem nada à volta. Existem duas opções de transportes públicos até ao centro

  1. O Flybus que vai até ao centro e depois distribui as pessoas pelos hotéis. Preço ida e volta: 50€. Há entre um a dois autocarros por hora, têm wi-fi e demoram cerca de 45 minutos a chegar ao centro. https://www.re.is/tour/flybus/
  2. Autocarro 55: É muito mais barato (6€) mas tem horários mais reduzidos e não vai até ao centro aos fins-de-semana, terias que apanhar outro autocarro. Mesmo assim é uma boa solução económica. Horários neste site: https://straeto.is/en ou no Google Maps.

Deslocações na ilha: Não há dúvida que a melhor forma de ver a Islândia é de carro ou autocaravana. Para além da falta de transportes públicos, a Islândia tem aquele factor irritante de ser tão bonita que é preciso parar de 5 em 5 minutos para tirar fotografias. Se não tiveres a possibilidade de alugar o teu próprio transporte, existem imensas agências que organizam tours de um dia ou mais. No verão também há muita gente a andar à boleia.

Aluguer de carro: Nós alugámos o carro com a Geysir Car Rental e correu tudo bem. O melhor é alugar um carro tipo jipe, o mais popular sendo o Dacia Duster, porque muitas estradas são de gravilha. Como fomos quase no Verão não tivemos problemas nenhum com o tempo volátil da Islândia, mas ao alugar o carro a agência dá sempre um briefing de precauções a tomar porque ventos fortes e nevões inesperados são pratos da casa.

Alojamento: As autocaravanas são super populares na Islândia porque são um dois em um e permitem poupar imenso dinheiro já que o alojamento é um dos maiores rombos no orçamento. O hostel mais barato perto de Reykjavik é o Vibrant Iceland hostel (recomendo).

Durante a viagem, estes foram os lugares onde ficámos:

– B2 Apartments, Reykjavik
– Airbnb em Búðardalur
– Golden Circle Apartments
– Hellishólar Cottages
– Hörgsland Cottages

Recomendação particular para os B2 Apartments e Golden Circle Apartments.

Condições das estradas: Apesar da estrada 1, a principal estrada na Islândia, estar em boas condições, muitas estradas ainda são de gravilha e outras não estão sequer abertas durante os meses de inverno. http://www.road.is/ é o site onde podes consultar, em tempo real, a situação nas estradas na Islândia.

Estações e Tempo: Com as quatro estações muito marcadas, um inverno na Islândia nunca passou, nem de perto nem de longe, pelos meus pensamentos. No verão os preços até podem aumentar, mas os dias são mais longos e as probabilidades de sol também são maiores. Nós devemos ter apanhado uma semana record de sol, fim de Maio – inicio de Junho, porque nunca apanhámos mau tempo. Setembro e Março é a melhor altura para ver auroras.

Moeda e Dinheiro: É possível pagar com cartão em todo o lado. 1€ = 137.32 Icelandic Króna, Agosto 2019.

Supermercados e refeições: Uma boa estratégia para poupar algum dinheiro na Islândia é levar uma mala com comida! Massa, arroz, enlatados… e comprar lá só os frescos. Nunca experimentámos sequer entrar em restaurantes. O supermercado Kronan tem uma boa padaria/pastelaria que nos safou algumas refeições.

Álcool: A venda de álcool é proibida nos supermercados por isso, se quiseres comprar tens que encontrar uma Vínbúðin, uma “off-licence” que existe nas maiores localidades do país.  

O que levar: No Verão posso recomendar levar uma máscara para os olhos porque os cortinados nunca funcionam a cem porcento. Para além disso, roupa e calçado impermeável caso pretendas explorar as cascatas mais a fundo.

Budget: Alimentação + Gasolina + Estacionamento para três pessoas durante uma semana = 500€

Itinerário de uma semana:

Dia 1: Reykjavík e arredores
Dia 2:
A Península de Snaefellsnes
Dia 3:
Uma voltinha pelo Norte
Dia 4:
Golden Circle
Dia 5, 6 e 7:
Sul e glaciares

Guarda este mapa com alguns dos melhores lugares para visitar na Islândia:

Boa viagem!

The post Uma semana de Verão na Islândia: itinerário e informações úteis appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
https://www.mudancasconstantes.com/2019/08/09/uma-semana-islandia-itinerario/feed/ 0
A essência do Líbano numa semana: dicas, informações úteis e itinerário https://www.mudancasconstantes.com/2019/05/11/libano-uma-semana-dicas-itinerario/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=libano-uma-semana-dicas-itinerario https://www.mudancasconstantes.com/2019/05/11/libano-uma-semana-dicas-itinerario/#respond Sat, 11 May 2019 08:34:05 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5211 O Líbano é um destino de viagem improvável. A juntar à sua inconveniente posição geográfica entre a Síria e Israel, é um país com muito pouca infra-estrutura turística e até apelidado de caro. Todas estas características, aparentemente pouco apelativas, fazem do Líbano um país não prioritário para a maioria dos viajantes. E é aqui que se dá o twist: é a falta de turismo que torna o Líbano num país tão autêntico. As pessoas são maravilhosas, acolhedoras sem segundas intenções e genuínas. A comida é deliciosa, há história por todo o lado e tens tudo isto só para ti, porque ainda mais ninguém deu com o Líbano. Uma semana de férias foi tempo suficiente para quase tudo (é um país muito pequeno) e estas são as minhas dicas para preparares a tua viagem a este país tão singular. Como chegar: A Transavia, uma low cost holandesa, tem voos directos de Paris e Amesterdão para Beirut, três vezes por semana. Os nossos voos foram 200€, por pessoa, ida e volta. Não há voos directos de Portugal. Visto: Não é preciso visto, mas a entrada é negada às pessoas com o carimbo de Israel no passaporte. As filas para o controlo de passaporte são longas. Demorámos cerca de 90 minutos até ter o passaporte carimbado. Leva uma caneta para preencher o documento de chegada. Wifi: O aeroporto tem 30 minutos de wifi gratuito. Recomendo comprar um cartão SIM, principalmente para navegação ou Uber se for o caso. Eu comprei um de 500MB por cerca de 11 USD e deu perfeitamente para uma semana (só não podes andar no Instagram!) Transportes: A falta de transportes públicos é uma das coisas que pode afastar as pessoas do Líbano: praticamente não existem. Sendo assim, estas são as melhores opções: Táxi: Muitas pessoas contratam um serviço de táxi para se deslocar no Líbano. O único inconveniente é a possibilidade de seres aldrabado à grande. Nós usámos sempre táxis de uma empresa de um amigo do Rodrigue. Aqui fica o contacto: +9613093626 (Joe). Uber: Disseram-me que é uma das melhores opções. Evitam-se os enganos e também fazem longas distâncias. Alugar um carro: Para mim, esta é definitivamente a melhor opção. Apesar da condução ser louca nas cidades, o carro dá-te muita flexibilidade e as estradas não são más (nas montanhas estão um bocado esburacadas). A nível da condução, convém ter alguma experiência, particularmente em países “sem regras” contudo foi muito melhor do que estava à espera. O carro ficou-nos a 30 dólares por dia na Adonis. Autocarros: Ora bem, os autocarros existem, mas ninguém sabe bem a que horas vêm ou onde é que param. É possível, mas é mais difícil. Agências: Há sempre agências de turismo que oferecem passeios aos lugares mais turísticos. Clima: O Líbano tem um clima muito próximo do Europeu com estações muito vincadas. Diria que os melhores meses para visitar são Maio, Junho e Setembro. Nós fomos no fim de Abril e ainda apanhámos um tempo bem fresquinho! Moeda: Libra libanesa e dólares americanos. Usam ambos e são aceites em todo o lado. É possível pagar com cartão em muitos lugares. Os ATM cobram bastante por cada levantamento. Língua: O idioma oficial é o árabe, mas a maioria das pessoas fala Francês e Inglês muito bem. Segurança: Nunca me senti insegura no Líbano (excepto na estrada). Ao contrário de Marrocos ou Turquia, aqui não há olhares sinuosos ou comentários infelizes. Por outro lado, é o país mais militarizado que já visitei, com dezenas de check points nas estradas, tanques de guerra e militares nas ruas. Claro que toda esta “preparação” é mais inquietante que tranquilizante, mas viajar também é estarmos desconfortáveis. Roupa: Não há regras. Em Beirut as mulheres produzem-se muito para sair à noite e as discotecas não aceitam modelitos desmazelados. Comida: A cozinha Libanesa merece um post só para si que eventualmente há-de aparecer. Para mim, os meze ganham a todo o outro tido de comida. Dêem-me uma taça de húmus, uma taça de baba ganoush e um quilo de pão fresco e sou uma mulher feliz. Preço de uma refeição fast food: 5 a 7 dólares por pessoa Preço de uma refeição num restaurante normal: 15 a 20 dólares por pessoaPreço de uma refeição num restaurante bom: +25 dólares por pessoa Bebidas: A cerveja local é muito decente, Beirut e Almaza e Arak, a bebida mais tradicional, é muito parecida ao Raki da Turquia e Ouzo da Grécia. Alojamento: Nós acabámos por ficar num hotel perto de casa do meu amigo, mas eu recomendaria um Airbnb em Beirut, vi uns muito giros. Trânsito: Se ficares em Beirut, tens que ter em atenção a questão do trânsito que é absolutamente infernal durante a semana. Consulta o estado das estradas no Google Maps antes de sair. Itinerário de uma semana no Líbano Dia 1: Baatara Gorge, Montanhas do Líbano, Cedros de Deus Dia 2: Byblos, Batroun, Mseilha Fort e Jeita GrottoDia 3: Baalbek, Beqaa Valley, Harissa e JouniehDia 4: Tripoli Dia 5: Sidon (Saida) e Tyre *Dia 6: Aanjar e Beiteddine Palace*Dia 7: Beirut Nota 1: Batroun é uma pequena vila à beira mar. Não tivemos a oportunidade de explorar muito porque estava a chover, mas é pertinho de Bybos, por isso é fácil de lá chegar. O mesmo se aplica ao Forte, que só vimos de passagem no carro. Nota 2: Sidon é mais uma cidade histórica no Líbano. As maiores atracções são o Castelo no mar, os souks antigos e o Palácio Dabane. Nota 3: O dia 6 foi o dia que não conseguimos fazer. Aanjar tem ruínas romanas (surpresa!) e o Palácio Beiteddine otomano do século XIX. Boas mudanças!

The post A essência do Líbano numa semana: dicas, informações úteis e itinerário appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
O Líbano é um destino de viagem improvável. A juntar à sua inconveniente posição geográfica entre a Síria e Israel, é um país com muito pouca infra-estrutura turística e até apelidado de caro.

Todas estas características, aparentemente pouco apelativas, fazem do Líbano um país não prioritário para a maioria dos viajantes. E é aqui que se dá o twist: é a falta de turismo que torna o Líbano num país tão autêntico. As pessoas são maravilhosas, acolhedoras sem segundas intenções e genuínas. A comida é deliciosa, há história por todo o lado e tens tudo isto só para ti, porque ainda mais ninguém deu com o Líbano.

Uma semana de férias foi tempo suficiente para quase tudo (é um país muito pequeno) e estas são as minhas dicas para preparares a tua viagem a este país tão singular.

Como chegar: A Transavia, uma low cost holandesa, tem voos directos de Paris e Amesterdão para Beirut, três vezes por semana. Os nossos voos foram 200€, por pessoa, ida e volta. Não há voos directos de Portugal.

Visto: Não é preciso visto, mas a entrada é negada às pessoas com o carimbo de Israel no passaporte. As filas para o controlo de passaporte são longas. Demorámos cerca de 90 minutos até ter o passaporte carimbado. Leva uma caneta para preencher o documento de chegada.

Wifi: O aeroporto tem 30 minutos de wifi gratuito. Recomendo comprar um cartão SIM, principalmente para navegação ou Uber se for o caso. Eu comprei um de 500MB por cerca de 11 USD e deu perfeitamente para uma semana (só não podes andar no Instagram!)

Transportes: A falta de transportes públicos é uma das coisas que pode afastar as pessoas do Líbano: praticamente não existem. Sendo assim, estas são as melhores opções:

Táxi: Muitas pessoas contratam um serviço de táxi para se deslocar no Líbano. O único inconveniente é a possibilidade de seres aldrabado à grande. Nós usámos sempre táxis de uma empresa de um amigo do Rodrigue. Aqui fica o contacto: +9613093626 (Joe).

Uber: Disseram-me que é uma das melhores opções. Evitam-se os enganos e também fazem longas distâncias.

Alugar um carro: Para mim, esta é definitivamente a melhor opção. Apesar da condução ser louca nas cidades, o carro dá-te muita flexibilidade e as estradas não são más (nas montanhas estão um bocado esburacadas). A nível da condução, convém ter alguma experiência, particularmente em países “sem regras” contudo foi muito melhor do que estava à espera. O carro ficou-nos a 30 dólares por dia na Adonis.

Autocarros: Ora bem, os autocarros existem, mas ninguém sabe bem a que horas vêm ou onde é que param. É possível, mas é mais difícil.

Agências: Há sempre agências de turismo que oferecem passeios aos lugares mais turísticos.

Clima: O Líbano tem um clima muito próximo do Europeu com estações muito vincadas. Diria que os melhores meses para visitar são Maio, Junho e Setembro. Nós fomos no fim de Abril e ainda apanhámos um tempo bem fresquinho!

Moeda: Libra libanesa e dólares americanos. Usam ambos e são aceites em todo o lado. É possível pagar com cartão em muitos lugares. Os ATM cobram bastante por cada levantamento.

Língua: O idioma oficial é o árabe, mas a maioria das pessoas fala Francês e Inglês muito bem.

Segurança: Nunca me senti insegura no Líbano (excepto na estrada). Ao contrário de Marrocos ou Turquia, aqui não há olhares sinuosos ou comentários infelizes. Por outro lado, é o país mais militarizado que já visitei, com dezenas de check points nas estradas, tanques de guerra e militares nas ruas. Claro que toda esta “preparação” é mais inquietante que tranquilizante, mas viajar também é estarmos desconfortáveis.

Roupa: Não há regras. Em Beirut as mulheres produzem-se muito para sair à noite e as discotecas não aceitam modelitos desmazelados.

Comida: A cozinha Libanesa merece um post só para si que eventualmente há-de aparecer. Para mim, os meze ganham a todo o outro tido de comida. Dêem-me uma taça de húmus, uma taça de baba ganoush e um quilo de pão fresco e sou uma mulher feliz.

Preço de uma refeição fast food: 5 a 7 dólares por pessoa
Preço de uma refeição num restaurante normal: 15 a 20 dólares por pessoa
Preço de uma refeição num restaurante bom: +25 dólares por pessoa

Bebidas: A cerveja local é muito decente, Beirut e Almaza e Arak, a bebida mais tradicional, é muito parecida ao Raki da Turquia e Ouzo da Grécia.

Alojamento: Nós acabámos por ficar num hotel perto de casa do meu amigo, mas eu recomendaria um Airbnb em Beirut, vi uns muito giros.

Trânsito: Se ficares em Beirut, tens que ter em atenção a questão do trânsito que é absolutamente infernal durante a semana. Consulta o estado das estradas no Google Maps antes de sair.

Itinerário de uma semana no Líbano

Dia 1: Baatara Gorge, Montanhas do Líbano, Cedros de Deus
Dia 2: Byblos, Batroun, Mseilha Fort e Jeita Grotto
Dia 3: Baalbek, Beqaa Valley, Harissa e Jounieh
Dia 4: Tripoli
Dia 5: Sidon (Saida) e Tyre *
Dia 6: Aanjar e Beiteddine Palace*
Dia 7: Beirut

Nota 1: Batroun é uma pequena vila à beira mar. Não tivemos a oportunidade de explorar muito porque estava a chover, mas é pertinho de Bybos, por isso é fácil de lá chegar. O mesmo se aplica ao Forte, que só vimos de passagem no carro.

Nota 2: Sidon é mais uma cidade histórica no Líbano. As maiores atracções são o Castelo no mar, os souks antigos e o Palácio Dabane.

Nota 3: O dia 6 foi o dia que não conseguimos fazer. Aanjar tem ruínas romanas (surpresa!) e o Palácio Beiteddine otomano do século XIX.

Boas mudanças!

The post A essência do Líbano numa semana: dicas, informações úteis e itinerário appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
https://www.mudancasconstantes.com/2019/05/11/libano-uma-semana-dicas-itinerario/feed/ 0
Viajar na Tanzânia: Dicas, itinerário e informações úteis https://www.mudancasconstantes.com/2019/04/27/dicas-viajar-tanzania-itinerario-safari/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=dicas-viajar-tanzania-itinerario-safari https://www.mudancasconstantes.com/2019/04/27/dicas-viajar-tanzania-itinerario-safari/#respond Sat, 27 Apr 2019 20:00:16 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5116 Passados vários anos a viajar sempre da forma mais barata possível, eis que surge uma viagem a um país que dificilmente pode ser apelidado de barato. A Tanzânia é um dos países mais famosos do mundo para fazer safaris (é a casa do Serengeti!) e, ao mesmo tempo, um destino considerado quase de luxo, com muito pouca infra-estrutura para turismo independente. Vai daí, vimo-nos na obrigação de contratar uma agência que nos organizasse o safari. No início fiquei um pouco de pé atrás porque nunca contratei uma agência para nada, mas como as alternativas não eram particularmente apetecíveis, lá teve que ser! E não podíamos ter feito uma escolha melhor, porque a nossa agência tomou conta de tudo e tornou a nossa experiência mil vezes melhor do que tínhamos imaginado. Nós só tivemos que chegar, sentar no jipe e ser passeados que nem uns reis durante a floresta e savana africana durante seis dias. Mesmo com agência e guias há sempre coisas importantes que devemos saber sobre o nosso destino, por isso aqui vão umas dicas de viagem: Como chegar: O aeroporto internacional mais perto dos parques nacionais mais relevantes é o Aeroporto do Kilimanjaro. Nós voámos com a Qatar Airways que tem o “pequeno” inconveniente de estar proibida no espaço aéreo da Arábia Saudita o que faz com que os voos “vão dar uma ganda volta”. O único voo directo da europa para o Kilimanjaro é o da KLM a partir de Amesterdão. Outros aeroportos internacionais: Dar es Salaam e Zanzibar. Voos internos: uma ida a Zanzibar é praticamente indispensável quando se vai à Tanzânia. Para lá chegares tens várias hipóteses. A mais prestigiada é a Coastal Aviation, mas como é estupidamente cara as outras opções são a Flightlink (a que usámos), a Fastjet e a Precision Air. Todas elas têm micro-aviões com ar que se vão desfazer no ar, mas a alternativa é um comboio de quase 24 horas entre Arusha e Dar es Saalam… A única coisa má de voar doméstico na Tanzânia é a grande probabilidade de as malas nunca embarcarem. Normalmente chegam no dia seguinte! Visto: Os portugueses podem adquirir um visto à chegada. O visto custa 50 USD, pagamento em dinheiro. Se estiveste no passado num país com risco de Febre-amarela tens que apresentar o boletim de vacinas com essa vacina. Mais informações aqui. Clima: A Tanzânia tem várias estações bastante pronunciadas que funcionam mais ou menos assim Estação das chuvas (época baixa): Março a Maio e Novembro e DezembroEstação seca (época alta e meia época): Junho a Outubro e Janeiro e Fevereiro. Em Fevereiro apanhámos a migração dos gnus e a época em que nascem os gnuzinhos! Consulta do viajante: Existe algum risco de malária na Tanzânia, por isso é importante levar os medicamentos anti-malária (não sofri com efeitos secundários). Para além da malária há algumas vacinas que convém levar e é aconselhável ir à consulta do viajante uns meses antes da viagem em si. Água: A água não é potável e não é aconselhável nem para lavar os dentes. Comida: Nos hotéis a comida é muito ocidental/europeia e como em safari é tudo pensão completa acabámos por nunca comer fora. Em geral a comida é bastante boa e nunca me deu problemas. Já em Zanzibar também comemos bem, particularmente peixe, polvo e lulas. A escolha da agência: A parte mais importante da viagem! Mal começámos a enviar emails para agências na Tanzânia rapidamente percebemos que a Soul of Tanzania era a melhor opção. Apesar do budget inicial ter sido um um choque, depois de uma certa negociação e ajustamentos o preço ficou muito mais aceitável. Para além de rápidos nas respostas e de terem uma delegação em Portugal, a Soul of Tanzania foi impecável em todos os aspectos. Todos os guias, motoristas e staff eram simpáticos e pontuais, a comida era infinitamente melhor do que a das outras companhias e nos cinco dias de safari conseguimos ver todos os animais que há para ver. Recomendo a 100%! Packing List: Tons neutros, várias camadas porque a amplitude térmica é muito grande, protector solar (!), chapéu, óculos de sol, repelente, binóculos pequenos, se quiseres fotografar, uma objectiva de grande alcance será o mais indicado, sapatos fechados (ténis servem), calções e vestidos são bem vindos. Preço por pessoa: cerca de 2200 dólares por pessoa. 5 dias de safari, 6 noites de alojamento com pensão completa, guia, todas as deslocações na mainland (Zanzibar não), 1 dia de tour a uma vila Maasai, voos ida e volta para Zanzibar e água ilimitada. Dinheiro: Na mainland convém andar sempre com notas pequenas de dólares por causa das gorjetas. O dólar é aceite em todos os lugares turísticos, mas em lugares mais rurais é melhor ter moeda local. Em Zanzibar, é preferível pagar com Tanzanian shilling. Gorjetas: Nos hotéis o staff é sempre impecável e disposto a ajudar em tudo, contudo há sempre uma expectativa de gorjeta. Por isso mesmo, é conveniente andar sempre com notas de 1 ou 5 dólares e ir distribuindo. Kit silêncio: Isto de dormir em plena selva é muito giro, mas se não fores daquelas pessoas que adormece em todo o lado, vai ser difícil ignorar o barulho dos animais durante a noite. Prepara-te e leva uns bons tampões de ouvidos e uma máscara para os olhos por causa da luz de manhã. Itinerário de 11 dias: Tanzânia + Zanzibar Dia 1: Chegar e dormir, a viagem é longa! Dia 2: Safari no Lago Manyara Dia 3: Viagem até ao Serengeti + Safari no Serengeti Dia 4: Safari no Serengeti Dia 5: Safari no Serengeti + Viagem até Ngorongoro Dia 6: Safari no Ngorongoro + Avião até Zanzibar Dia 7: Zanzibar Dia 8: Zanzibar Dia 9: Zanzibar Dia 10: Zanzibar + Viagem de volta Dia 11: Visita a uma tribo local + Avião de volta para a realidade Claro que com mais tempo há sempre mais possibilidades. Faltou o Kilimanjaro, ver Zanzibar como deve ser (desta vez foi mais para descansar) e visitar outras tribos que seriam certamente tão interessantes como os Maasai. Fica para a próxima 😉

The post Viajar na Tanzânia: Dicas, itinerário e informações úteis appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
Passados vários anos a viajar sempre da forma mais barata possível, eis que surge uma viagem a um país que dificilmente pode ser apelidado de barato. A Tanzânia é um dos países mais famosos do mundo para fazer safaris (é a casa do Serengeti!) e, ao mesmo tempo, um destino considerado quase de luxo, com muito pouca infra-estrutura para turismo independente.

Vai daí, vimo-nos na obrigação de contratar uma agência que nos organizasse o safari. No início fiquei um pouco de pé atrás porque nunca contratei uma agência para nada, mas como as alternativas não eram particularmente apetecíveis, lá teve que ser!

E não podíamos ter feito uma escolha melhor, porque a nossa agência tomou conta de tudo e tornou a nossa experiência mil vezes melhor do que tínhamos imaginado. Nós só tivemos que chegar, sentar no jipe e ser passeados que nem uns reis durante a floresta e savana africana durante seis dias.

Mesmo com agência e guias há sempre coisas importantes que devemos saber sobre o nosso destino, por isso aqui vão umas dicas de viagem:

Como chegar: O aeroporto internacional mais perto dos parques nacionais mais relevantes é o Aeroporto do Kilimanjaro. Nós voámos com a Qatar Airways que tem o “pequeno” inconveniente de estar proibida no espaço aéreo da Arábia Saudita o que faz com que os voos “vão dar uma ganda volta”. O único voo directo da europa para o Kilimanjaro é o da KLM a partir de Amesterdão.

Outros aeroportos internacionais: Dar es Salaam e Zanzibar.

Voos internos: uma ida a Zanzibar é praticamente indispensável quando se vai à Tanzânia. Para lá chegares tens várias hipóteses. A mais prestigiada é a Coastal Aviation, mas como é estupidamente cara as outras opções são a Flightlink (a que usámos), a Fastjet e a Precision Air.

Todas elas têm micro-aviões com ar que se vão desfazer no ar, mas a alternativa é um comboio de quase 24 horas entre Arusha e Dar es Saalam… A única coisa má de voar doméstico na Tanzânia é a grande probabilidade de as malas nunca embarcarem. Normalmente chegam no dia seguinte!

Visto: Os portugueses podem adquirir um visto à chegada. O visto custa 50 USD, pagamento em dinheiro. Se estiveste no passado num país com risco de Febre-amarela tens que apresentar o boletim de vacinas com essa vacina. Mais informações aqui.

Clima: A Tanzânia tem várias estações bastante pronunciadas que funcionam mais ou menos assim

Estação das chuvas (época baixa): Março a Maio e Novembro e Dezembro
Estação seca (época alta e meia época): Junho a Outubro e Janeiro e Fevereiro.

Em Fevereiro apanhámos a migração dos gnus e a época em que nascem os gnuzinhos!

Consulta do viajante: Existe algum risco de malária na Tanzânia, por isso é importante levar os medicamentos anti-malária (não sofri com efeitos secundários). Para além da malária há algumas vacinas que convém levar e é aconselhável ir à consulta do viajante uns meses antes da viagem em si.

Água: A água não é potável e não é aconselhável nem para lavar os dentes.

Comida: Nos hotéis a comida é muito ocidental/europeia e como em safari é tudo pensão completa acabámos por nunca comer fora. Em geral a comida é bastante boa e nunca me deu problemas. Já em Zanzibar também comemos bem, particularmente peixe, polvo e lulas.

A escolha da agência: A parte mais importante da viagem! Mal começámos a enviar emails para agências na Tanzânia rapidamente percebemos que a Soul of Tanzania era a melhor opção. Apesar do budget inicial ter sido um um choque, depois de uma certa negociação e ajustamentos o preço ficou muito mais aceitável.

Para além de rápidos nas respostas e de terem uma delegação em Portugal, a Soul of Tanzania foi impecável em todos os aspectos. Todos os guias, motoristas e staff eram simpáticos e pontuais, a comida era infinitamente melhor do que a das outras companhias e nos cinco dias de safari conseguimos ver todos os animais que há para ver. Recomendo a 100%!

Packing List: Tons neutros, várias camadas porque a amplitude térmica é muito grande, protector solar (!), chapéu, óculos de sol, repelente, binóculos pequenos, se quiseres fotografar, uma objectiva de grande alcance será o mais indicado, sapatos fechados (ténis servem), calções e vestidos são bem vindos.

Preço por pessoa: cerca de 2200 dólares por pessoa. 5 dias de safari, 6 noites de alojamento com pensão completa, guia, todas as deslocações na mainland (Zanzibar não), 1 dia de tour a uma vila Maasai, voos ida e volta para Zanzibar e água ilimitada.

Dinheiro: Na mainland convém andar sempre com notas pequenas de dólares por causa das gorjetas. O dólar é aceite em todos os lugares turísticos, mas em lugares mais rurais é melhor ter moeda local. Em Zanzibar, é preferível pagar com Tanzanian shilling.

Gorjetas: Nos hotéis o staff é sempre impecável e disposto a ajudar em tudo, contudo há sempre uma expectativa de gorjeta. Por isso mesmo, é conveniente andar sempre com notas de 1 ou 5 dólares e ir distribuindo.

Kit silêncio: Isto de dormir em plena selva é muito giro, mas se não fores daquelas pessoas que adormece em todo o lado, vai ser difícil ignorar o barulho dos animais durante a noite. Prepara-te e leva uns bons tampões de ouvidos e uma máscara para os olhos por causa da luz de manhã.

Itinerário de 11 dias: Tanzânia + Zanzibar

Dia 1: Chegar e dormir, a viagem é longa!

Dia 2: Safari no Lago Manyara

Dia 3: Viagem até ao Serengeti + Safari no Serengeti

Dia 4: Safari no Serengeti

Dia 5: Safari no Serengeti + Viagem até Ngorongoro

Dia 6: Safari no Ngorongoro + Avião até Zanzibar

Dia 7: Zanzibar

Dia 8: Zanzibar

Dia 9: Zanzibar

Dia 10: Zanzibar + Viagem de volta

Dia 11: Visita a uma tribo local + Avião de volta para a realidade

Claro que com mais tempo há sempre mais possibilidades. Faltou o Kilimanjaro, ver Zanzibar como deve ser (desta vez foi mais para descansar) e visitar outras tribos que seriam certamente tão interessantes como os Maasai. Fica para a próxima 😉

The post Viajar na Tanzânia: Dicas, itinerário e informações úteis appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
https://www.mudancasconstantes.com/2019/04/27/dicas-viajar-tanzania-itinerario-safari/feed/ 0
Irão: o itinerário de uma maratona de 10 dias! https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/25/10-dias-no-irao-itinerario/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=10-dias-no-irao-itinerario https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/25/10-dias-no-irao-itinerario/#respond Wed, 25 Apr 2018 22:09:30 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=3349 A nossa decisão de viajar até ao Irão foi bastante espontânea. Depois de 7 meses sem sair da Europa tive uma epifania e pensei “está na altura de mais uma aventura”. O Irão já estava na minha mente há muitos anos e agora parecia ser a altura certa. Começámos com 7 dias e acabámos com 10 sabendo que já não podíamos mesmo esticar mais este número. Depois começou o planeamento. Teerão, Isfahan e Shiraz já eram um dado adquirido. O resto foi lá com pesquisa. Sabíamos desde o início que ia ser uma maratona. Na maioria das cidades íamos ter apenas um dia, ou até meio-dia. Mas faz parte do nosso estilo de viagem quando não temos tempo: andar o dia todo sem parar e ver devorar tudo o que há para ver! Portanto, se tiveres pernas de aço e pouco tempo aqui vai o meu itinerário. 1º dia: Teerão Fugindo à moda de saltar Teerão e de ir para uma cidade mais a sul, decidimos dedicar-lhe um dia. E não nos arrependemos! Teerão é considerada a cidade mais moderna e menos conversadora do Irão. A vida decorre normalmente, como em todas as capitais do mundo, exceptuando talvez o caótico trânsito. Tivemos a oportunidade de ver o magnífico Golestan Palace, o Bazaar, a Tabiat Bridge – um lugar perfeito para picnics e para socializar – e ainda a Azadi Tower, o grande símbolo de Teerão. 7 razões para não saltares Teerão neste post. 2º e 3º dias: Shiraz & Persépolis 11 horas num autocarro depois chegamos a Shiraz. Encontrámo-nos com o nosso host de Couchsurfing e a partir daí fomos a todo o lado e mais algum! Ele mostrou-nos toda a parte antiga de Shiraz e ainda nos acolheu como se fossemos parte da família. No segundo dia visitámos a mesquita mais famosa do Irão, a Pink Mosque e Persépolis, uma das mais importantes ruínas do mundo. Podes ler mais sobre a nossa incrível experiência com a família do Moji aqui e sobre as duas maiores pérolas de Shiraz aqui. 4º e 5º dias: Kaluts & Deserto Sem nunca abrandarmos o ritmo, começámos a nossa tour no deserto depois de mais um autocarro nocturno desta vez com destino a Kerman. Nesta tour vimos algumas das paisagens mais espectaculares que o Irão tem para oferecer. Os Kaluts, formações arenosas, levam-nos directamente para representações hollywoodescas de Marte. Tudo sobre o nosso guia, tour e momentos inesquecíveis neste post. 6º e 7º dias: Kerman & Yazd Um pequeno azar trouxe-nos a oportunidade de vermos rapidamente Kerman e o seu famoso hamam. Já em Yazd corremos as ruas labirínticas do centro histórico e mais uma vez testemunhámos que as pessoas são o melhor do Irão. Para além de ficarmos a conhecer melhor as tradições da tribo Qashqai, ainda aprendemos a dançar e pude experimentar um dos fatos tradicionais que as mulheres nómadas usam. Todas estas andanças e mais neste post. 8º dia: Isfahan A famosa Isfahan tem alguns dos monumentos mais bonitos do país sendo que uns são cristãos e outros muçulmanos. O nosso dia foi passado de igreja em igreja, mesquita em mesquita e ponte em ponte! E como se não bastasse ainda fiz uma aula de cozinha onde alguns dos segredos da gastronomia iraniana me foram revelados 😉 Queres saber mais? Clica aqui. 9º dia: Kashan & Qom Em dia de maratona final percorremos Kashan e Qom a um ritmo alucinante. Mas conseguimos ver um bazar, uma mesquita, um santuário, um hamam e dois palacetes. Não mau certo? Infelizmente estava na hora de nos despedirmos do Irão e de começarmos a processar tudo o que tínhamos visto e vivido durante estes dias. Podes encontrar este último relato aqui! 10º dia: Chegadas e Partidas Há sempre dias que ficam perdidos entre viagens. O Irão é um país gigante e viagens de 6, 8,12 ou 14 horas não são nada de estranhar. Prepara-te para perderes algum tempo com isso! Se quiseres saber mais sobre como planear uma viagem ao Irão este longo (LONGOOO!) post foi feito para ti! Pensamentos finais 🙂 O Irão é um país que te vai testar. Cada dia, cada pessoa vão fazer com que te questiones. A ti, à tua visão sobre o mundo e aos teus padrões do que é “normal”. Mas para mim, viajar também é esse desconforto. O seres confrontado com pensamentos e situações que nunca antes te ocorreram. O nunca saberes o que pode acontecer. O seres surpreendido todos os dias e aprenderes com isso. Abre-te ao Irão e este certamente conquistar-te-á. Vídeo da viagem:

The post Irão: o itinerário de uma maratona de 10 dias! appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
A nossa decisão de viajar até ao Irão foi bastante espontânea. Depois de 7 meses sem sair da Europa tive uma epifania e pensei “está na altura de mais uma aventura”. O Irão já estava na minha mente há muitos anos e agora parecia ser a altura certa.

Começámos com 7 dias e acabámos com 10 sabendo que já não podíamos mesmo esticar mais este número. Depois começou o planeamento. Teerão, Isfahan e Shiraz já eram um dado adquirido. O resto foi lá com pesquisa.

Sabíamos desde o início que ia ser uma maratona. Na maioria das cidades íamos ter apenas um dia, ou até meio-dia. Mas faz parte do nosso estilo de viagem quando não temos tempo: andar o dia todo sem parar e ver devorar tudo o que há para ver! Portanto, se tiveres pernas de aço e pouco tempo aqui vai o meu itinerário.

1º dia: Teerão

Fugindo à moda de saltar Teerão e de ir para uma cidade mais a sul, decidimos dedicar-lhe um dia. E não nos arrependemos! Teerão é considerada a cidade mais moderna e menos conversadora do Irão. A vida decorre normalmente, como em todas as capitais do mundo, exceptuando talvez o caótico trânsito.

Tivemos a oportunidade de ver o magnífico Golestan Palace, o Bazaar, a Tabiat Bridge – um lugar perfeito para picnics e para socializar – e ainda a Azadi Tower, o grande símbolo de Teerão.

7 razões para não saltares Teerão neste post.

2º e 3º dias: Shiraz & Persépolis

11 horas num autocarro depois chegamos a Shiraz. Encontrámo-nos com o nosso host de Couchsurfing e a partir daí fomos a todo o lado e mais algum! Ele mostrou-nos toda a parte antiga de Shiraz e ainda nos acolheu como se fossemos parte da família.

No segundo dia visitámos a mesquita mais famosa do Irão, a Pink Mosque e Persépolis, uma das mais importantes ruínas do mundo.

Podes ler mais sobre a nossa incrível experiência com a família do Moji aqui e sobre as duas maiores pérolas de Shiraz aqui.

4º e 5º dias: Kaluts & Deserto

Sem nunca abrandarmos o ritmo, começámos a nossa tour no deserto depois de mais um autocarro nocturno desta vez com destino a Kerman. Nesta tour vimos algumas das paisagens mais espectaculares que o Irão tem para oferecer. Os Kaluts, formações arenosas, levam-nos directamente para representações hollywoodescas de Marte.

Tudo sobre o nosso guia, tour e momentos inesquecíveis neste post.

6º e 7º dias: Kerman & Yazd

Um pequeno azar trouxe-nos a oportunidade de vermos rapidamente Kerman e o seu famoso hamam. Já em Yazd corremos as ruas labirínticas do centro histórico e mais uma vez testemunhámos que as pessoas são o melhor do Irão. Para além de ficarmos a conhecer melhor as tradições da tribo Qashqai, ainda aprendemos a dançar e pude experimentar um dos fatos tradicionais que as mulheres nómadas usam.

Todas estas andanças e mais neste post.

8º dia: Isfahan

A famosa Isfahan tem alguns dos monumentos mais bonitos do país sendo que uns são cristãos e outros muçulmanos. O nosso dia foi passado de igreja em igreja, mesquita em mesquita e ponte em ponte!

E como se não bastasse ainda fiz uma aula de cozinha onde alguns dos segredos da gastronomia iraniana me foram revelados 😉 Queres saber mais? Clica aqui.

9º dia: Kashan & Qom

Em dia de maratona final percorremos Kashan e Qom a um ritmo alucinante. Mas conseguimos ver um bazar, uma mesquita, um santuário, um hamam e dois palacetes. Não mau certo?

sultan amir ahmad bathhouse kashan abbasi house kashan

Infelizmente estava na hora de nos despedirmos do Irão e de começarmos a processar tudo o que tínhamos visto e vivido durante estes dias.

Podes encontrar este último relato aqui!

10º dia: Chegadas e Partidas

Há sempre dias que ficam perdidos entre viagens. O Irão é um país gigante e viagens de 6, 8,12 ou 14 horas não são nada de estranhar. Prepara-te para perderes algum tempo com isso!

Se quiseres saber mais sobre como planear uma viagem ao Irão este longo (LONGOOO!) post foi feito para ti!

Pensamentos finais 🙂

O Irão é um país que te vai testar. Cada dia, cada pessoa vão fazer com que te questiones. A ti, à tua visão sobre o mundo e aos teus padrões do que é “normal”. Mas para mim, viajar também é esse desconforto. O seres confrontado com pensamentos e situações que nunca antes te ocorreram. O nunca saberes o que pode acontecer. O seres surpreendido todos os dias e aprenderes com isso.

Abre-te ao Irão e este certamente conquistar-te-á.

Vídeo da viagem:

The post Irão: o itinerário de uma maratona de 10 dias! appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/25/10-dias-no-irao-itinerario/feed/ 0
Marrocos: ao sabor do vento https://www.mudancasconstantes.com/2016/09/24/10-dias-marrocos/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=10-dias-marrocos https://www.mudancasconstantes.com/2016/09/24/10-dias-marrocos/#comments Sat, 24 Sep 2016 20:59:38 +0000 https://mudancasconstantes.wordpress.com/?p=641 Marrocos foi o primeiro país em que estive que me fez sentir que afinal estava era noutro mundo. Marrocos é um ataque aos sentidos, seja pelas suas cores, sons e sabores ou paisagens e língua. A nível geográfico são só 400 quilómetros que nos separam, mas a nível cultural parece que são milhares. Tal como o nome indica, esta viagem foi ao sabor do vento. Tínhamos um plano mais ou menos delineado na nossa cabeça, mas saímos de Portugal sem nada reservado a não ser um hostel em Chefchouen. Decidimos apanhar o autocarro Lisboa – Algeciras (viagem demora 11 horas +-) e depois comprar os bilhetes para o ferry em Algeciras. Digamos que Algeciras é uma espécie de Marrocos for dummies. Não há preços nem horários fixos, tudo depende da capacidade de persuasão de cada um e se há um barco prestes a sair ou não. Tivemos sorte. Depois de correr várias bancas encontrámos uma que tinha um autocarro a partir para Tarifa (de onde saía aquele barco) onde ainda cabiam mais umas 5 pessoas. 22€ ida e volta. Done! Uma hora depois estávamos a embarcar no ferry e duas horas depois, Salam Marrocos! À hora que chegámos era muito duvidoso que conseguíssemos um lugar no autocarro para Chefchaouen, vai daí somos abordados por vários taxistas que prontamente se encarregam de dizer que nos levam até lá (são 2 horas de carro). Depois de meia hora de muita discussão, negociação e certamente palavrões em árabe que nos passaram despercebidos, estávamos os 5 muito aconchegadinhos dentro de um táxi, que nos ia levar até ao nosso destino por cerca de 7€ a cada. Chefchaouen Todas as cidades marroquinas têm um género de “portas” onde começa a cidade. É nessas portas que os turistas são deixados ao deus dará e onde os caça-turistas aguardam, qual jaguar a olhar para a sua gazela. Sendo nós ainda novatos em Marrocos, acreditámos que aquele senhor simpático que nos veio ajudar a encontrar o nosso hostel, no meio do emaranhado de ruas que constituem as cidades marroquinas, era simpático só porque sim. Não. Durante os 10 dias que estivemos em Marrocos não encontrámos uma única pessoa que fosse simpática só porque sim. Infelizmente as únicas pessoas que se dão a conhecer aos turistas e viajantes são aquelas que pensam que podem ganhar algo com isso. Tenho imensa pena que seja o que transparece, porque sei que os marroquinos são um povo fantástico (conheço alguns 5 estrelas), mas a falta de controlo e a massificação do turismo têm este efeito perverso. – Pausa para reflexão filosófica – Já à porta do hostel pediu-nos 5 euros a cada (olha-me este…) e recebeu 3 euros no total. Depois de vários insultos a nós e às nossas mães lá se foi embora. O resto da nossa estadia em Chefchouen decorreu nas calmas e foi a cidade que mais gostei em Marrocos. Apesar de ser muito pequenina, não há rua ou cantinho que não valha a pena descobrir. Toda a cidade está pintada sob uma panóplia de tons de azul, o que a torna única no mundo.    No dia seguinte acordamos cedo para dar uma volta pela centro antes de irmos embora. Parecia uma cidade completamente diferente: as lojas ainda estavam todas fechadas, não se via vivalma e o silêncio fazia-se sentir. Depois de um belo pequeno-almoço na praça principal, fomos recolher as bagagens porque tínhamos uma viagem de autocarro até Fez. Só que não. O nosso hostel tinha-nos assegurado que faria a reserva do autocarro (duas vezes), mas como ninguém atendeu quando ligaram, decidiram que se calhar não era preciso e que também não deveria ser necessário avisarem-nos desse facto. É claro que quando chegámos à estação o autocarro já estava cheio e tivemos que encontrar outra solução. Taxiii! Fez Desta vez não fomos deixados ao deus dará, mas mais valia. O taxista deixou-nos novamente numa das portas da cidade, mas incumbiu dois rapazes que estavam a passar de nos levar até ao hostel. É claro que não podiam ter ficado mais contentes. Acho que toda a gente em Marrocos tem uma licença de guia turístico falso. No início foram muito simpáticos, “ah Figo is a great player” bla bla bla (ainda vão no Euro 2004) e a dizer que eram guias turísticos e que no dia seguinte ficariam muito contentes de nos levar a ver a cidade por 10 euros a cada (…). Quando perceberam que não estávamos minimamente praí virados decidiram ameaçar-nos a dizer que se iam embora e que íamos ficar perdidos no meio de uma parte muito perigosa de Fez. Ah… lá se foram as expectativas sobre a hospitalidade marroquina. Lá os conseguimos enrolar até ao hostel e demos-lhes 2 ou 3 euros no total e depois de nos chamarem vários nomes lá se foram embora (sinto que estávamos a criar um padrão). Ultrapassado este pequeno episódio, Fez foi uma agradável surpresa. De todas as paragens que tínhamos planeado fazer, Fez era aquele sítio sobre o qual tinha mais dúvidas e menos expectativas. Mas acabou por ser a cidade com mais para mostrar e onde conseguimos absorver melhor a cultura marroquina. Começamos a nossa visita a Fez com um feito incrível: não nos perdemos na Medina. Medina é como se chama o centro das cidades marroquinas, onde normalmente se encontra todo o comércio da cidade. A Medina de Fez é a mais famosa de Marrocos pela quantidade exorbitante de ruas e ruelas que tem: 9000. Sim, 9000. Acho que o que nos entusiasmou mais em Fez foi a sua autenticidade. A Medina não é feita para os turistas verem, é feita para os marroquinos. É lá que todos os dias milhares de “Fezianos” (vá-se lá saber como se chamam as pessoas de Fez) se deslocam para fazer todo o tipo de compras. Desde tachos e panelas, a roupa e comida. Ou uma sangrenta cabeça de borrego ou duas. E o que é que dá sempre uma ajuda a tornar um sítio/cidade inesquecível? A comidinha, é claro| Fez foi a cidade que nos introduziu ao melhor da gastronomia marroquina. Ao contrário do que estava à espera a comida não é picante (o picante é coisa que não me assiste), simplesmente tem muitas especiarias. Os meus pratos favoritos foram sem dúvida Kefta Tangine e Pastilla. No nosso segundo dia em Fez, alinhámos numa tour dada por um guia do hostel (por metade do preço sugerido pelos nossos “amigos” do dia anterior) que nos levou aos sítios mais icónicos da cidade e nos ensinou muito sobre a cultura marroquina e religião.  Ele foi a pessoa mais interessante que conhecemos durante a viagem. É incrível vermos e ouvirmos alguém a falar de uma cultura que para nós tem características muito estranhas, mas que para ele é a definição de normalidade. Aqui estão os melhores momentos das tours (uma com o guia na cidade e outra de carro pelo exterior): Ah, e ofereceram 200 euros por mim ao meu namorado da altura… 200 euros! Um ultraje!! Merzouga e o Sahara Depois de dois dias em Fez, esperava-nos a melhor parte da viagem: o deserto. Estar no topo da duna mais alta das redondezas, no meio do Sahara, sem avistar vivalma e onde só se ouve o silêncio foi, sem dúvida, uma experiência mágica e difícil de descrever. Mas já lá vamos. Não sou muito de tours organizadas, mas por preguiça e conveniência decidimos fazer a viagem até ao deserto através do nosso hostel. Custou-nos 100 euros por três dias: transporte Fez – Merzouga; Merzouga Marrakesh, duas noites no deserto, viagens de camelo e refeições no hostel/deserto. É possível que uma viagem igual custo de 150 a 60 euros, dependendo das capacidades de negociação, sendo que nossas não eram grande coisa. Já no deserto, passámos o resto das horas que faltavam até ao pôr-do-sol a tentar fazer sandboarding e a ver os camelos a passar. Ficámos hospedados num género de um hostel que têm sempre música ao vivo e onde nos ensinaram (ou tentaram) danças típicas. No dia seguinte, aí sim, tivemos a nossa primeira experiência “desértica” a sério. Pelas 14 horas (hora óptima para se estar a passear no deserto) montámos os camelos e durante uma hora lá fomos nós a “cavalgar” (camelar?) pelo deserto. Andar  de camelo até pode ser muito engraçado, mas dá umas dores no rabo que duram dias! Mal chegámos ao acampamento, fomos todos deitar-nos debaixo das sombras que era grande a probabilidade de evaporarmos se fizéssemos qualquer outra coisa. Um conselho para quem nunca foi ao deserto e quer ir. Levem água! Muita água! É tipo, um deserto. Não há água, casa de banho nem nada que lembre uma civilização! Uma hora antes do pôr do sol, já podíamos pôr os pezinhos na areia. Perguntámos aos nossos anfitriões como devíamos ir explorar o deserto e a resposta foi: “descalços”. Seguiram-se garantias de que não havia bicheza que por ali habitasse, e nestes casos o melhor é nem pensar nisso. E lá fomos, Sahara a dentro com um objectivo bem definido: subir à duna mais alta das redondezas. Via-se mesmo que nunca tínhamos “escalado dunas”. Para além de ser uma subida quase vertical, é uma subida em que o chão debaixo dos nossos pés se move em sentido contrário. Perfeito. Demorámos cerca de uma hora a subir uma duna, com paragens a cada minuto para conseguir respirar. Lembro-me de ter feito um vídeo quando cheguei ao topo no qual só se ouvia a minha respiração. Mas valeu cada mini AVC que tivemos pelo caminho. As fotografias não são as melhores porque a minha máquina tinha sofrido um incidente muito infeliz no dia em que partimos para o deserto, mas já que valem mais do que mil palavras, aqui estão: E depois de uma grande subida, há sempre uma grande descida. Lançámo-nos a correr duna abaixo e em 3 minutos tínhamos descido tudo o que nos demorou uma longa hora a conquistar. A noite foi passada numas tendas tipicamente marroquinas, bem quentinhas porque à noite fica bastante frio e são perfeitas para uma noite romântica debaixo das estrelas. Não vale a pena pensar nas pessoas que já dormiram ali e que aqueles cobertores nunca foram lavados. Há que aproveitar o momento! E foi assim que terminou a nossa excursão “às arábias”. O dia seguinte levou-nos até à última paragem: Marrakesh Marrakesh é a cidade mais badalada de Marrocos. Vem em todos os roteiros turísticos, capas de revistas de viagens e outdoors que publicitam “viagens de sonho”. Contudo, de todos os sítios que visitamos em Marrocos, Marrakesh foi o único que não correspondeu ou superou as minhas expectativas. Não desgostei, mas também não senti aquele “click”. Vale a pena visitar pela praça Jemaa el-Fnaa que tem uma energia e movimento durante a noite, com dezenas de animadores – tatuagens de hena, macacos, cobras, cantores e centenas de barraquinhas de comida e milhares de pessoas. Em Marrakesh, voltaram a tentar enganar-nos com as direcções, mas depois de uma semana já estávamos bem calejados e fomos por onde queríamos. Quando se tem dúvidas, nada melhor do que perguntar aos polícias ou aos donos dos restaurantes/lojas (porque não podem acompanhar-nos). Aqui ficam os sítios que mais gostámos de visitar em Marrakesh e que fazem com que a viagem até lá valha a pena: Férias a acabar é sinónimo de termos que voltar para Tanger. O percurso é feito numa fatídica viagem de comboio de 12 horas, e como pobretanas que éramos (sou!) tivemos que optar pela opção de fazer 12 horas sentados. Entre muitas mudanças de posição, dores nas costas e passar pelas brasas, lá se fez. Aaaaaand, it’s done. Os 10 dias em Marrocos passaram a correr e é um destino que aconselho a toda a gente. Convencidos? E de Portugal é tão fácil! Fica a minha “cábula” para ajudar a planear a viagem: Viagens de autocarro ida e volta Lisboa – Algeciras: www.alsa.es Hostel Chefchaouen: Pension Souika, ok – nada de especial. Não confies neles para reservar alguma coisa! Hostel...

The post Marrocos: ao sabor do vento appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
Marrocos foi o primeiro país em que estive que me fez sentir que afinal estava era noutro mundo. Marrocos é um ataque aos sentidos, seja pelas suas cores, sons e sabores ou paisagens e língua. A nível geográfico são só 400 quilómetros que nos separam, mas a nível cultural parece que são milhares.

Tal como o nome indica, esta viagem foi ao sabor do vento. Tínhamos um plano mais ou menos delineado na nossa cabeça, mas saímos de Portugal sem nada reservado a não ser um hostel em Chefchouen.

Decidimos apanhar o autocarro Lisboa – Algeciras (viagem demora 11 horas +-) e depois comprar os bilhetes para o ferry em Algeciras. Digamos que Algeciras é uma espécie de Marrocos for dummies. Não há preços nem horários fixos, tudo depende da capacidade de persuasão de cada um e se há um barco prestes a sair ou não. Tivemos sorte. Depois de correr várias bancas encontrámos uma que tinha um autocarro a partir para Tarifa (de onde saía aquele barco) onde ainda cabiam mais umas 5 pessoas. 22€ ida e volta. Done!

Uma hora depois estávamos a embarcar no ferry e duas horas depois, Salam Marrocos! À hora que chegámos era muito duvidoso que conseguíssemos um lugar no autocarro para Chefchaouen, vai daí somos abordados por vários taxistas que prontamente se encarregam de dizer que nos levam até lá (são 2 horas de carro). Depois de meia hora de muita discussão, negociação e certamente palavrões em árabe que nos passaram despercebidos, estávamos os 5 muito aconchegadinhos dentro de um táxi, que nos ia levar até ao nosso destino por cerca de 7€ a cada.

p1030381

Chefchaouen

Todas as cidades marroquinas têm um género de “portas” onde começa a cidade. É nessas portas que os turistas são deixados ao deus dará e onde os caça-turistas aguardam, qual jaguar a olhar para a sua gazela. Sendo nós ainda novatos em Marrocos, acreditámos que aquele senhor simpático que nos veio ajudar a encontrar o nosso hostel, no meio do emaranhado de ruas que constituem as cidades marroquinas, era simpático só porque sim. Não. Durante os 10 dias que estivemos em Marrocos não encontrámos uma única pessoa que fosse simpática só porque sim. Infelizmente as únicas pessoas que se dão a conhecer aos turistas e viajantes são aquelas que pensam que podem ganhar algo com isso. Tenho imensa pena que seja o que transparece, porque sei que os marroquinos são um povo fantástico (conheço alguns 5 estrelas), mas a falta de controlo e a massificação do turismo têm este efeito perverso.

– Pausa para reflexão filosófica –

Já à porta do hostel pediu-nos 5 euros a cada (olha-me este…) e recebeu 3 euros no total. Depois de vários insultos a nós e às nossas mães lá se foi embora. O resto da nossa estadia em Chefchouen decorreu nas calmas e foi a cidade que mais gostei em Marrocos. Apesar de ser muito pequenina, não há rua ou cantinho que não valha a pena descobrir. Toda a cidade está pintada sob uma panóplia de tons de azul, o que a torna única no mundo.

p1030443 p1030477  p1030523 p1030524

No dia seguinte acordamos cedo para dar uma volta pela centro antes de irmos embora. Parecia uma cidade completamente diferente: as lojas ainda estavam todas fechadas, não se via vivalma e o silêncio fazia-se sentir. Depois de um belo pequeno-almoço na praça principal, fomos recolher as bagagens porque tínhamos uma viagem de autocarro até Fez. Só que não. O nosso hostel tinha-nos assegurado que faria a reserva do autocarro (duas vezes), mas como ninguém atendeu quando ligaram, decidiram que se calhar não era preciso e que também não deveria ser necessário avisarem-nos desse facto. É claro que quando chegámos à estação o autocarro já estava cheio e tivemos que encontrar outra solução. Taxiii!

Fez

Desta vez não fomos deixados ao deus dará, mas mais valia. O taxista deixou-nos novamente numa das portas da cidade, mas incumbiu dois rapazes que estavam a passar de nos levar até ao hostel. É claro que não podiam ter ficado mais contentes. Acho que toda a gente em Marrocos tem uma licença de guia turístico falso. No início foram muito simpáticos, “ah Figo is a great player” bla bla bla (ainda vão no Euro 2004) e a dizer que eram guias turísticos e que no dia seguinte ficariam muito contentes de nos levar a ver a cidade por 10 euros a cada (…). Quando perceberam que não estávamos minimamente praí virados decidiram ameaçar-nos a dizer que se iam embora e que íamos ficar perdidos no meio de uma parte muito perigosa de Fez. Ah… lá se foram as expectativas sobre a hospitalidade marroquina. Lá os conseguimos enrolar até ao hostel e demos-lhes 2 ou 3 euros no total e depois de nos chamarem vários nomes lá se foram embora (sinto que estávamos a criar um padrão).

Ultrapassado este pequeno episódio, Fez foi uma agradável surpresa. De todas as paragens que tínhamos planeado fazer, Fez era aquele sítio sobre o qual tinha mais dúvidas e menos expectativas. Mas acabou por ser a cidade com mais para mostrar e onde conseguimos absorver melhor a cultura marroquina.

Começamos a nossa visita a Fez com um feito incrível: não nos perdemos na Medina. Medina é como se chama o centro das cidades marroquinas, onde normalmente se encontra todo o comércio da cidade. A Medina de Fez é a mais famosa de Marrocos pela quantidade exorbitante de ruas e ruelas que tem: 9000. Sim, 9000.

Acho que o que nos entusiasmou mais em Fez foi a sua autenticidade. A Medina não é feita para os turistas verem, é feita para os marroquinos. É lá que todos os dias milhares de “Fezianos” (vá-se lá saber como se chamam as pessoas de Fez) se deslocam para fazer todo o tipo de compras. Desde tachos e panelas, a roupa e comida. Ou uma sangrenta cabeça de borrego ou duas.

E o que é que dá sempre uma ajuda a tornar um sítio/cidade inesquecível? A comidinha, é claro| Fez foi a cidade que nos introduziu ao melhor da gastronomia marroquina. Ao contrário do que estava à espera a comida não é picante (o picante é coisa que não me assiste), simplesmente tem muitas especiarias. Os meus pratos favoritos foram sem dúvida Kefta Tangine e Pastilla.

No nosso segundo dia em Fez, alinhámos numa tour dada por um guia do hostel (por metade do preço sugerido pelos nossos “amigos” do dia anterior) que nos levou aos sítios mais icónicos da cidade e nos ensinou muito sobre a cultura marroquina e religião.  Ele foi a pessoa mais interessante que conhecemos durante a viagem. É incrível vermos e ouvirmos alguém a falar de uma cultura que para nós tem características muito estranhas, mas que para ele é a definição de normalidade.

Aqui estão os melhores momentos das tours (uma com o guia na cidade e outra de carro pelo exterior):

p1030580 p1030616 p1030678 p1030762 p1030564 p1030732

Ah, e ofereceram 200 euros por mim ao meu namorado da altura… 200 euros! Um ultraje!!

Merzouga e o Sahara

Depois de dois dias em Fez, esperava-nos a melhor parte da viagem: o deserto. Estar no topo da duna mais alta das redondezas, no meio do Sahara, sem avistar vivalma e onde só se ouve o silêncio foi, sem dúvida, uma experiência mágica e difícil de descrever. Mas já lá vamos.

Não sou muito de tours organizadas, mas por preguiça e conveniência decidimos fazer a viagem até ao deserto através do nosso hostel. Custou-nos 100 euros por três dias: transporte Fez – Merzouga; Merzouga Marrakesh, duas noites no deserto, viagens de camelo e refeições no hostel/deserto. É possível que uma viagem igual custo de 150 a 60 euros, dependendo das capacidades de negociação, sendo que nossas não eram grande coisa.

Já no deserto, passámos o resto das horas que faltavam até ao pôr-do-sol a tentar fazer sandboarding e a ver os camelos a passar. Ficámos hospedados num género de um hostel que têm sempre música ao vivo e onde nos ensinaram (ou tentaram) danças típicas.

No dia seguinte, aí sim, tivemos a nossa primeira experiência “desértica” a sério. Pelas 14 horas (hora óptima para se estar a passear no deserto) montámos os camelos e durante uma hora lá fomos nós a “cavalgar” (camelar?) pelo deserto. Andar  de camelo até pode ser muito engraçado, mas dá umas dores no rabo que duram dias! Mal chegámos ao acampamento, fomos todos deitar-nos debaixo das sombras que era grande a probabilidade de evaporarmos se fizéssemos qualquer outra coisa.

Um conselho para quem nunca foi ao deserto e quer ir. Levem água! Muita água! É tipo, um deserto. Não há água, casa de banho nem nada que lembre uma civilização!

Uma hora antes do pôr do sol, já podíamos pôr os pezinhos na areia. Perguntámos aos nossos anfitriões como devíamos ir explorar o deserto e a resposta foi: “descalços”. Seguiram-se garantias de que não havia bicheza que por ali habitasse, e nestes casos o melhor é nem pensar nisso. E lá fomos, Sahara a dentro com um objectivo bem definido: subir à duna mais alta das redondezas. Via-se mesmo que nunca tínhamos “escalado dunas”. Para além de ser uma subida quase vertical, é uma subida em que o chão debaixo dos nossos pés se move em sentido contrário. Perfeito. Demorámos cerca de uma hora a subir uma duna, com paragens a cada minuto para conseguir respirar. Lembro-me de ter feito um vídeo quando cheguei ao topo no qual só se ouvia a minha respiração. Mas valeu cada mini AVC que tivemos pelo caminho.

As fotografias não são as melhores porque a minha máquina tinha sofrido um incidente muito infeliz no dia em que partimos para o deserto, mas já que valem mais do que mil palavras, aqui estão:

p10308121 p1030898 p1030937

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

received_m_mid_1399376538395_cb8f41a042f6351b49_0

E depois de uma grande subida, há sempre uma grande descida. Lançámo-nos a correr duna abaixo e em 3 minutos tínhamos descido tudo o que nos demorou uma longa hora a conquistar.

A noite foi passada numas tendas tipicamente marroquinas, bem quentinhas porque à noite fica bastante frio e são perfeitas para uma noite romântica debaixo das estrelas. Não vale a pena pensar nas pessoas que já dormiram ali e que aqueles cobertores nunca foram lavados. Há que aproveitar o momento!

E foi assim que terminou a nossa excursão “às arábias”. O dia seguinte levou-nos até à última paragem:

Marrakesh

Marrakesh é a cidade mais badalada de Marrocos. Vem em todos os roteiros turísticos, capas de revistas de viagens e outdoors que publicitam “viagens de sonho”. Contudo, de todos os sítios que visitamos em Marrocos, Marrakesh foi o único que não correspondeu ou superou as minhas expectativas. Não desgostei, mas também não senti aquele “click”.

Vale a pena visitar pela praça Jemaa el-Fnaa que tem uma energia e movimento durante a noite, com dezenas de animadores – tatuagens de hena, macacos, cobras, cantores e centenas de barraquinhas de comida e milhares de pessoas.

Em Marrakesh, voltaram a tentar enganar-nos com as direcções, mas depois de uma semana já estávamos bem calejados e fomos por onde queríamos. Quando se tem dúvidas, nada melhor do que perguntar aos polícias ou aos donos dos restaurantes/lojas (porque não podem acompanhar-nos).

Aqui ficam os sítios que mais gostámos de visitar em Marrakesh e que fazem com que a viagem até lá valha a pena:

p1040130 p1040171 p1040282 p1040441

p1040363

Férias a acabar é sinónimo de termos que voltar para Tanger. O percurso é feito numa fatídica viagem de comboio de 12 horas, e como pobretanas que éramos (sou!) tivemos que optar pela opção de fazer 12 horas sentados. Entre muitas mudanças de posição, dores nas costas e passar pelas brasas, lá se fez.

Aaaaaand, it’s done. Os 10 dias em Marrocos passaram a correr e é um destino que aconselho a toda a gente. Convencidos? E de Portugal é tão fácil!

Fica a minha “cábula” para ajudar a planear a viagem:

Viagens de autocarro ida e volta Lisboa – Algeciras: www.alsa.es
Hostel Chefchaouen: Pension Souika, ok – nada de especial. Não confies neles para reservar alguma coisa!
Hostel Fez (onde nos organizaram as tours na cidade e ao deserto): Funky Fes, recomendo! A comida é maravilhosa 🙂
Hostel Marrakech: Kif-Kif Marakech  – 5 euros por noite com pequeno almoço? Siiii!

Podes guardar este itinerário no Pinterest!

10-dias-em-marrocos

The post Marrocos: ao sabor do vento appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
https://www.mudancasconstantes.com/2016/09/24/10-dias-marrocos/feed/ 6