leão ngorongoro
Tanzânia

Cratera de Ngorongoro e o ciclo da vida

Ngorongoro é um Serengeti em esteróides.

Ao olhar para a cratera esquecem-se quaisquer noções de tempo e espaço. Há 2.5 milhões de anos o cone de um vulcão colapsou após uma erupção gigante e deixou a caldeira impressionante que podemos ver hoje.

Mas para além da paisagem espectacular que apaparica os olhos de qualquer um, a maioria dos turistas viaja meio mundo para ver a quantidade de animais absolutamente anormal que está concentrada neste pequeno pedaço de terra.

Durante as quatro horas que percorremos a Cratera de Ngorongoro, tivemos vários momentos que nos deixaram de queixo caído. Parecia que havia uns pozinhos mágicos no ar que meteram todos os animais em grande actividade. Aqui ficam os melhores momentos:

Love is in the air

Ainda nem tínhamos entrado há cinco minutos na cratera quando vimos dois leões a acasalar. Enquanto um jipe cheio de chineses gritava em pleno êxtase – mais do que o que a leoa aparentava – pudemos testemunhar um momento inesquecível, particularmente marcado pelos poderosos rugidos do leão.

Neste dia parecia que todos os animais tinham as hormonas aos saltos e para além dos leões ainda vimos búfalos e zebras a acasalar. Deviam ser adolescentes.

E nasceu um gnuzinho  – estas imagens podem impressionar os mais fraquinhos

Já tínhamos reparado que muitos dos gnus que andavam pela cratera eram muito jovens, com cerca de uma semana. Estávamos no “período dos nascimentos”. Eventualmente parámos junto a um grupo de gnus e uma “gnua” estava deitada no chão. Se olhássemos com atenção, podíamos ver umas patinhas a sair dela: o parto tinha começado e o filho estava prestes a nascer.

Durante cerca de 10 minutos vimos a mãe a esforçar-se para o nascimento do filho, a comer a placenta, a ajuda-lo a pôr-se em pé – depois de nascer os gnus conseguem andar passados mais ou menos 5 minutos – e a olhar ferozmente para uma raposa que andava a fazer a ronda.

Até eu que, segundo dizem, tenho um coração de pedra, achei comovente.

Encerra-se o ciclo

Ainda meio atordoados com o nascimento do gnu, reparámos numa hiena pelo caminho, que estava com a boca cheia de sangue. Curiosos para ver o que ela estava a comer, retrocedemos ligeiramente e qual não foi o nosso espanto ao vermos que estava a comer outra hiena! É que nem no Rei Leão são tão más!

Pois é, as hienas praticam o belo do canibalismo! O cheiro a putrefacção era absolutamente horrível e nauseante. Foi uma transição brusca, mas faz parte.

Parvas

Como se não bastasse ser o epicentro de momentos épicos, a Cratera é um dos melhores – se não o melhor – lugar do mundo para ver Rinocerontes Negros. Esta espécie de Rinocerontes, à beira da extinção, é extremamente rara e é em Ngorongoro que se encontram em maior número: cerca de 26. Nós tivemos a sorte de ver quatro.

Resumindo, Ngorongoro apaixonou-nos tanto que queremos voltar um dia (ou dois).

Rhino Lodge

A nossa estadia nesta terra também foi maravilhosa. Infelizmente só passámos uma noite no Rhino Lodge, mas foi o nosso alojamento preferido! A varanda/esplanada e restaurante são maravilhosos e foi o único sítio onde pude provar um prato local (Ugali – um género de polenta com um guisado de feijão).

Copyright: Rhino Lodge

Também tem a parte conveniente de ser um lugar que os animais apreciam, por isso é normal ver búfalos e outras coisas giras cujo nome desconheço a espairecer por ali.

Ngorongoro, vais deixar saudades!

Alfacinha germinada e cultivada num cantinho à beira mar plantado, a Inês tem uma certa inquietação que não a deixa ficar muito tempo tempo no mesmo sítio. Fez Erasmus em Paris, trabalhou em Istambul e em Portugal, fez um mestrado em Creative Advertising em Milão e agora trabalha no Reino Unido. Viajar, criatividade, cozinhar, dançar e ler são algumas das suas paixões. A combinação de algumas delas deu origem a este blog, o Mudanças Constantes. Bem-vindos!

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