Food for Thought Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/food-for-thought/ Blog de viagens para inquietos e irrequietos Sat, 07 Mar 2020 22:25:58 +0000 en-GB hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://www.mudancasconstantes.com/wp-content/uploads/2018/10/cropped-Untitled-design-1-32x32.png Food for Thought Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/food-for-thought/ 32 32 Dia Internacional da Mulher. Para quê? https://www.mudancasconstantes.com/2020/03/07/dia-internacional-mulher/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=dia-internacional-mulher https://www.mudancasconstantes.com/2020/03/07/dia-internacional-mulher/#respond Sat, 07 Mar 2020 17:37:36 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5950 Há cerca de uma semana a notícia “Desce a esperança média de vida para as mulheres mais desfavorecidas em Inglaterra” fazia cabeçalhos em todos os jornais do país e, há dois dias, um relatório da UNDP revelava que “nove em cada dez pessoas têm preconceitos contra as mulheres”. Se a desigualdade de género fosse um vírus não havia máscaras que nos salvassem.

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Há cerca de uma semana a notícia “Desce a esperança média de vida para as mulheres mais desfavorecidas em Inglaterra” fazia cabeçalhos em todos os jornais do país e, há dois dias, um relatório da UNDP revelava que “nove em cada dez pessoas têm preconceitos contra as mulheres”. Se a desigualdade de género fosse um vírus não havia máscaras que nos salvassem.

Sou frequentemente confrontada por pessoas, normalmente homens, que não percebem o porquê de termos um Dia Internacional da Mulher nem da necessidade de me afirmar como feminista. Afinal “já somos iguais”, afirmam eles, com uma certeza na voz que só quem vive noutro planeta consegue ter.

Para mim, o Dia Internacional da Mulher serve exactamente para isso. Para mostrar que ainda não chegámos lá. Para nos lembrarmos com factos, figuras e estatísticas – métodos de validação da verdade que parecem ter sido substituídos pela arrogância do “esta é a minha opinião” –  que ainda não há igualdade entre homens e mulheres em nenhum país do mundo em quase nenhuma área.

Melhor, se continuarmos a este ritmo, vai demorar 257 anos para atingirmos a igualdade de género no mundo. 257 anos para atingirmos aquilo que devia ser um direito básico.

Compreendo que em países europeus seja difícil alcançar a extensão do problema. Afinal, aqui parecemos todos mais ou menos iguais. Nascemos e em princípio a nossa mãe sobrevive, a Europa tem as mais baixas taxas de mortalidade materna do mundo. Vamos para a escola e, em média, até há mais mulheres a completar um curso superior apesar de não passarmos dos 25% dos licenciados em áreas STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics, dados do Reino Unido). Mas ao menos a oportunidade de escolha está lá.

Continuando a olhar para o panorama económico (já vamos ao social) é ao entrar no mercado de trabalho que o caso começa a mudar de figura. A taxa de emprego na UE é de 78.3% para homens comparado com 66.5% para mulheres, sendo que as mulheres ganham menos 14.8% por hora do que os homens. Parece que até já consigo ouvir o argumento “mas os homens têm cargos mais importantes/difíceis”. Pois têm! É mesmo esse o problema.

– As mulheres têm mais trabalhos precários estando mais vulneráveis à pobreza
– Os homens ocupam mais de 80% dos cargos nos trabalhos STEM
– As mulheres portuguesas dedicam 3 horas e 48 minutos por dia a trabalho não pago (tratar de casa e filhos)
72% das vezes é a mulher portuguesa que realiza as tarefas domésticas, comparado com 24% para o homem português
– Menos de 10% dos CEO de empresas de topo são mulheres
– Em cargos de gestão as mulheres ganham menos 23% do que os homens

Todos estes factores condicionam as nossas escolhas e oportunidades e, quando quase metade dos homens E mulheres acham que os homens são melhores líderes políticos (apesar dos inúmeros exemplares que temos demonstrarem exactamente o contrário) e mais de 40% acredita que os homens são melhores directores executivos, aquele que aparentava ser um mundo igualitário deixa de o ser.

A parte mais irónica é que por muito devastadores que estes dados pareçam, são dados do continente mais desenvolvido do mundo. E por muito que a parte económica me preocupe, é a parte social que me faz perder o sono.

Comecemos pela violência no namoro. A violência no namoro é um conceito que me assombra, porque na minha imaginação inocente um namoro, especialmente na adolescência, é uma descoberta despreocupada e inconsequente do amor. Não devia causar mais sofrimento do que um coração partido que se repara passada uma semana.

Contudo, 67% dos jovens portugueses aceita como natural pelo menos uma forma de violência no namoro. E quem é que legitima mais frequentemente a violência? Os rapazes. E quem é que é mais frequentemente a vítima? As raparigas.

Estas formas de violência começam pelo controlo, no que se veste, com quem se fala e no que se faz, passa pela perseguição e violência nas redes sociais e acaba na violência sexual, psicológica e física, sendo que 58% dos jovens dizem já ter sido vítimas de um destes tipos de comportamento.

Com estes números não é difícil percebermos como acabámos 2019 com 27 mulheres mortas às mãos da violência doméstica. Se analisarmos o problema à escala Europeia temos:

Um terço das mulheres, com mais de 15 anos, já experienciou alguma forma de abuso físico ou sexual
Uma em cada 20 mulheres foi violada
43% das mulheres experienciaram algum tipo de abuso psicológico ou comportamento controlador numa relação

Já concluímos que nem na União Europeia é muito favorável ser-se mulher. Em geral não mata mas mói, pelos vistos é com isto que nos devemos contentar. E no resto do mundo? No resto do mundo ser mulher aleija ainda mais.

– Até 70% das mulheres experienciaram violência física ou sexual por parte de um parceiro
– Estima-se que em 2017, 87000 mulheres foram mortas e mais de metade (58%) foram assassinadas por parceiros ou membros da sua família
72% de todas as vítimas de tráfico humano são do sexo feminino
– Todos os anos, 12 milhões de raparigas com menos de 18 anos casam-se, muitas vezes com homens muito mais velhos e até familiares
2/3 dos adultos analfabetos do mundo são mulheres
10% das raparigas em África não vão à escola durante o seu ciclo menstrual
– 200 milhões de mulheres e raparigas no mundo sofreram mutilação genital

Podia continuar com estas estatísticas aterradoras, mas acho que está mais que provado que no jogo da vida as mulheres começam com pontos negativos.

Este post está longe de ser um lamento por ser mulher ou um apelo à pena. É exactamente o oposto, é uma lembrança de que a luta pela igualdade de género ainda está longe de estar terminada. Que faltam leis que protejam as mulheres, que penas suspensas ou multas não são aceitáveis e que falta, acima de tudo, educação.

É difícil educar as novas gerações a ultrapassarem a barreira do género quando nós próprios somos preconceituosos. É difícil educar quando nos filmes, nos anúncios, na pornografia, nos jornais e revistas as mulheres são quase sempre menos que os homens. Quando o escrutínio a que subjugamos uma mulher é mil vezes superior e as expectativas mil vezes mais altas.

Resta-nos a todos tentar ser um bocadinho mais feministas e menos ignorantes. Porque com o machismo e misoginia perdemos todos. Literalmente. Se o buraco salarial entre homens e mulheres deixasse de existir, isso traria um crescimento de 26% (28 triliões de dólares) à economia mundial.

Depois não digam que não vos avisei 😉

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2019 revisto e uma década de mudanças https://www.mudancasconstantes.com/2020/01/02/2019-revisto-uma-decada-viagens/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=2019-revisto-uma-decada-viagens https://www.mudancasconstantes.com/2020/01/02/2019-revisto-uma-decada-viagens/#comments Thu, 02 Jan 2020 22:19:39 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5853 Pode parecer ridículo, mas só ao ler os jornais é que percebi que estamos prestes a entrar numa nova década e, ao que parece, temos que usar estes últimos dias do ano para reflectir nos acontecimentos dos últimos dez. Sendo que eu mal me lembro de todos os sítios onde fui este ano, este exercício pode tornar-se mais complicado do que antecipei mais aqui vai: 2010 Há 10 anos estava a acabar o secundário e não sabia muito bem o que fazer da vida – esta parte ainda se confirma, mas agora com um sentimento de aceitação e não de pânico. A crise estava instalada e não havia nada mais importante do que tirar um curso “com saída”. A Geração à Rasca éramos nós. Este ano também marca o início de uma década de viagens e mudanças. Foi em 2010, aos 16 anos, que fiz a minha primeira viagem com amigos: um Intrarail que deixou todos os pais preocupadíssimos. Sabiam lá eles o que ainda estava para vir… Lugares visitados (que me lembro): Açores, Norte e Centro de Portugal 2011 Em 2011 quiseram os Exames Nacionais que eu entrasse efectivamente para um curso com saída: Gestão de Marketing. Rapidamente nos informaram que um curso estava longe de ser o suficiente, que tínhamos de ter um CV mais recheado que um perú de Natal. Durante os próximos três anos deviríamos conduzir a nossa vida de forma a tornar o nosso currículo o mais apetitoso possível para termos uma hipótese naquele estágio não remunerado em Linda-a-Velha. O último ano do secundário também traz consigo a viagem que toda a gente faz: a viagem de finalistas. Sendo que o meu grupo era sofisticado de mais para destinos como Andorra ou Benidorm, fomos parar a Barcelona onde consumimos muito mais cultura do que álcool. Lugares visitados (que me lembro): Barcelona, Bélgica e Holanda 2012 Com os incentivos do governo português à emigração, por que não começar a explorar melhor a Europa? 2012 foi o ano em que o rastilho das viagens pegou fogo e a partir daí já não havia volta a dar. Um Interrail de um mês pela Europa Central fez-me perceber que aquela seria a primeira de muitas viagens, de preferência longas e baratas. Países visitados: Croácia, Itália, Eslovénia, Áustria, Hungria, Polónia, República Chega, Alemanha, França 2013 O despertar do desejo de viajar nos anos anteriores fez de 2013 um ano essencial nesta década de mudanças. No Verão, decidi fazer um estágio de voluntariado em Antália (Turquia) através da AIESEC e aí sim, percebi porque é que se aprende mais em seis semanas de viagem do que num ano na escola. Vivi e convivi com pessoas de realidades completamente diferentes da minha pela primeira vez e desmistifiquei alguns preconceitos, que nem sabia que tinha, acerca de pessoas de países muçulmanos. Voltada do estágio, quase nem tive tempo de ter saudades porque em menos de nada estava enfiada noutro avião com destino a Paris que iria ser a minha casa durante um semestre. Com o Erasmus veio um gostinho a liberdade que nunca mais se foi embora!  Países visitados: Escócia, Inglaterra, Turquia, Alemanha, França, Espanha, Bélgica 2014 No ano em que acabei a licenciatura já não conseguia pensar em mais nada para além do meu próximo destino. Nas férias da Páscoa – que saudades dos dias quase ilimitados de férias – fui com quatro Erasmus até Marrocos. Dez dias espontâneos e pouco planeados que me mostraram uma forma diferente de viajar. Terminada a faculdade, impunha-se a questão que já me assombrava desde 2010: o que fazer da vida? Depois de um típico estágio não remunerado no Verão não havia nada que me prendesse a Portugal, mas havia um namorado em Istambul. Estava na hora de meter a mochila às costas e fazer a primeira grande mudança. Países visitados: Marrocos, Turquia, Grécia, França 2015 Viver na Turquia foi, até hoje, a experiência mais intensa por que passei. A língua, a cultura, o trânsito, as pessoas… tudo é diferente. E se essa diferença e intensidade me fizeram crescer, também me fizeram perceber que o meu futuro não era ali. Em 2015 fui até à Roménia para descobrir mais um país delicioso que é ignorado pela maioria dos viajantes, corri a costa sul e oeste da Turquia e, sabendo que ia começar a trabalhar novamente em Setembro, ainda dei um pulinho à Irlanda porque sabia lá eu quando é que ia voltar a ter férias! Países visitados: Roménia, Turquia, Irlanda 2016 Comparado com os anos anteriores e posteriores, 2016 foi assim uma coisinha sem sal. Passei o ano a trabalhar numa agência de comunicação e a viver como uma verdadeira portuguesa: em casas dos pais, a ganhar pouco, quase sem férias e a trabalhar de mais.  Na minha cabeça formava-se o plano maquiavélico de me despedir e ir dar a volta a meio mundo durante seis meses. Nova Iorque foi escolhida como O destino de férias do ano e durante dez dias vivi aquela cidade ao máximo: com couchsurfing, aniversário no topo de arranha céus, passeios no Central Park e a consumir mais calorias que um corpo humano consegue aguentar. Lugares visitados: Tenerife, Viena (em trabalho), Nova Iorque, Lyon 2017 Tinha chegado o melhor ano da década. No fim de Fevereiro lancei-me para o outro lado do mundo com a promessa de só voltar seis meses depois. Foi uma viagem extensamente documentada neste blog que me levou ao Sudoeste Asiático, Oceânia e Japão. Caminhei por vulcões na Nova Zelândia, mergulhei no Bornéu, dormi em aldeias perdidas no tempo nas Filipinas, limpei gaiolas de patos no Japão e aprendi a surfar no Sri Lanka. Conheci pessoas do mundo inteiro, de todas as idades, profissões e étnias. Fiz amigos para a vida e amigos de cinco minutos. Apanhei inúmeras gastroentrites, ainda tenho marcas das centenas de picadas de mosquitos e engordei uns cinco quilos. Mal posso esperar para o fazer outra vez, desta vez mais devagar. 2017 foi também um ano de perda, dos meus avós, e um ano de novos começos com um mestrado em Milão. Países visitados: Tailândia, Malásia, Singapura, Austrália, Nova Zelândia, Filipinas, Japão, Sri Lanka, Inglaterra, Itália, Alemanha, Suíça 2018 Acabado o mestrado, lá vinha a velha pergunta: o que é que vou fazer da vida agora?! Desta vez sabia que trabalhar em Portugal não era uma opção viável. Vai daí e começo a candidatar-me para empregos em Londres sendo que também tinha a vantagem de ter um inglês à minha espera. A coisa deu-se mais rápido do que tinha previsto e do nada tinha trabalho, uma casa arrendada, contas para pagar e uma rotina. Era oficialmente adulta! Enquanto estive em Itália descobri que este é um país ainda mais mágico do que pensamos. Não tem só cidades turísticas e arte; tem montanhas avassaladoras, lagos estonteantes, aldeias fascinantes e uma personalidade única. É um país que tem tudo e merece ser explorado a pente fino. Mas a nível de surpresas, o Irão ganhou o primeiro prémio. Não só pela amabilidade, simpatia e hospitalidade, mas também pela magnífica arquitectura e história. O ano acabou com uma semana de voluntariado na ilha de Lesvos, na Grécia, por causa do meu trabalho que se revelou uma autêntica bomba de emoções e onde ficou um pedaço de mim. Países visitados: Itália, Alemanha, Áustria, Irão, Dinamarca, Inglaterra, Grécia, Espanha 2019 E parece que chegámos ao fim da década. Olhando para o que acabei de escrever tenho a estranha sensação que fiz muita coisa e que 2010 está lá muito ao longe, mas que ao mesmo tempo estes dez anos passaram num ápice e que não faço ideia como serão os próximos dez. Afinal, aos 16 mal podia imaginar onde estaria aos 26, mas acho que a adolescente em mim diria que não me saí nada mal. Voltando ao presente… 2019 iniciou-se com uma viagem espectacular à Tanzânia com os meus tios. Aí, a Inês de cinco anos que já ouvia as histórias deles em África cumpriu o sonho do seu primeiro safari a sério! Uma grande parte do meu ano foi passada em aviões e aeroportos (os dois lugares que mais odeio) tanto por viagens minhas como de trabalho. Fui a Amesterdão ver Tulipas e ao Líbano que elejo como destino cultural do ano. Fui à Islândia com os meus pais para me relembrar da força da natureza como já não sentia desde a Nova Zelândia. Voltei a Paris para matar saudades. Fui ao fim do mundo aka Cazaquistão, Quirguistão e Uzbequistão para descobrir uma cultura nómada e a fascinante Rota da Seda. Voltei a Lyon para mais um Festival de Luzes e pela primeira vez fiz uma viagem sem tirar uma única fotografia, sem “postar” uma única vez nas redes sociais. E senti-me tão feliz! Consegui explorar mais uns cantinhos de Inglaterra e ficar com fome para mais. Mudei de casa, mudei de namorado, tornei-me quase vegetariana, corri uma meia maratona e estou oficialmente pronta para a próxima década sendo que ainda não sei bem o que vou fazer da vida 😉 Lugares visitados (viagens): Tanzânia & Zanzibar, Amesterdão, Líbano, Islândia, Algarve, Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão, Vila Nova de Milfontes, Monsaraz, Douro & Minho, Lyon, Escócia Lugares visitados (trabalho): Lisboa, Lesvos, Madrid, Munique, Sicília, Roma, Düsseldorf, Haia, Porto, Bacau (Roménia)

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Pode parecer ridículo, mas só ao ler os jornais é que percebi que estamos prestes a entrar numa nova década e, ao que parece, temos que usar estes últimos dias do ano para reflectir nos acontecimentos dos últimos dez.

Sendo que eu mal me lembro de todos os sítios onde fui este ano, este exercício pode tornar-se mais complicado do que antecipei mais aqui vai:

2010

Há 10 anos estava a acabar o secundário e não sabia muito bem o que fazer da vida – esta parte ainda se confirma, mas agora com um sentimento de aceitação e não de pânico.

A crise estava instalada e não havia nada mais importante do que tirar um curso “com saída”. A Geração à Rasca éramos nós.

Este ano também marca o início de uma década de viagens e mudanças. Foi em 2010, aos 16 anos, que fiz a minha primeira viagem com amigos: um Intrarail que deixou todos os pais preocupadíssimos. Sabiam lá eles o que ainda estava para vir…

Lugares visitados (que me lembro): Açores, Norte e Centro de Portugal

2011

Em 2011 quiseram os Exames Nacionais que eu entrasse efectivamente para um curso com saída: Gestão de Marketing.

Rapidamente nos informaram que um curso estava longe de ser o suficiente, que tínhamos de ter um CV mais recheado que um perú de Natal. Durante os próximos três anos deviríamos conduzir a nossa vida de forma a tornar o nosso currículo o mais apetitoso possível para termos uma hipótese naquele estágio não remunerado em Linda-a-Velha.

O último ano do secundário também traz consigo a viagem que toda a gente faz: a viagem de finalistas. Sendo que o meu grupo era sofisticado de mais para destinos como Andorra ou Benidorm, fomos parar a Barcelona onde consumimos muito mais cultura do que álcool.

Lugares visitados (que me lembro): Barcelona, Bélgica e Holanda

2012

Com os incentivos do governo português à emigração, por que não começar a explorar melhor a Europa? 2012 foi o ano em que o rastilho das viagens pegou fogo e a partir daí já não havia volta a dar. Um Interrail de um mês pela Europa Central fez-me perceber que aquela seria a primeira de muitas viagens, de preferência longas e baratas.

eslovenia interrail europa 1

Países visitados: Croácia, Itália, Eslovénia, Áustria, Hungria, Polónia, República Chega, Alemanha, França

2013

O despertar do desejo de viajar nos anos anteriores fez de 2013 um ano essencial nesta década de mudanças. No Verão, decidi fazer um estágio de voluntariado em Antália (Turquia) através da AIESEC e aí sim, percebi porque é que se aprende mais em seis semanas de viagem do que num ano na escola. Vivi e convivi com pessoas de realidades completamente diferentes da minha pela primeira vez e desmistifiquei alguns preconceitos, que nem sabia que tinha, acerca de pessoas de países muçulmanos.

antália turquia antalya

Voltada do estágio, quase nem tive tempo de ter saudades porque em menos de nada estava enfiada noutro avião com destino a Paris que iria ser a minha casa durante um semestre. Com o Erasmus veio um gostinho a liberdade que nunca mais se foi embora! 

paris dicas viajar

Países visitados: Escócia, Inglaterra, Turquia, Alemanha, França, Espanha, Bélgica

2014

No ano em que acabei a licenciatura já não conseguia pensar em mais nada para além do meu próximo destino. Nas férias da Páscoa – que saudades dos dias quase ilimitados de férias – fui com quatro Erasmus até Marrocos. Dez dias espontâneos e pouco planeados que me mostraram uma forma diferente de viajar.

marrocos viagem deserto

Terminada a faculdade, impunha-se a questão que já me assombrava desde 2010: o que fazer da vida? Depois de um típico estágio não remunerado no Verão não havia nada que me prendesse a Portugal, mas havia um namorado em Istambul. Estava na hora de meter a mochila às costas e fazer a primeira grande mudança.

istambul por do sol

Países visitados: Marrocos, Turquia, Grécia, França

2015

Viver na Turquia foi, até hoje, a experiência mais intensa por que passei. A língua, a cultura, o trânsito, as pessoas… tudo é diferente. E se essa diferença e intensidade me fizeram crescer, também me fizeram perceber que o meu futuro não era ali.

capadocia turquia cappadocia

Em 2015 fui até à Roménia para descobrir mais um país delicioso que é ignorado pela maioria dos viajantes, corri a costa sul e oeste da Turquia e, sabendo que ia começar a trabalhar novamente em Setembro, ainda dei um pulinho à Irlanda porque sabia lá eu quando é que ia voltar a ter férias!

castelo peles romenia 1

Países visitados: Roménia, Turquia, Irlanda

2016

Comparado com os anos anteriores e posteriores, 2016 foi assim uma coisinha sem sal. Passei o ano a trabalhar numa agência de comunicação e a viver como uma verdadeira portuguesa: em casas dos pais, a ganhar pouco, quase sem férias e a trabalhar de mais.  Na minha cabeça formava-se o plano maquiavélico de me despedir e ir dar a volta a meio mundo durante seis meses.

Nova Iorque foi escolhida como O destino de férias do ano e durante dez dias vivi aquela cidade ao máximo: com couchsurfing, aniversário no topo de arranha céus, passeios no Central Park e a consumir mais calorias que um corpo humano consegue aguentar.

nova iorque dicas

Lugares visitados: Tenerife, Viena (em trabalho), Nova Iorque, Lyon

2017

Tinha chegado o melhor ano da década. No fim de Fevereiro lancei-me para o outro lado do mundo com a promessa de só voltar seis meses depois. Foi uma viagem extensamente documentada neste blog que me levou ao Sudoeste Asiático, Oceânia e Japão.

coron filipinas ilha palawan

Caminhei por vulcões na Nova Zelândia, mergulhei no Bornéu, dormi em aldeias perdidas no tempo nas Filipinas, limpei gaiolas de patos no Japão e aprendi a surfar no Sri Lanka. Conheci pessoas do mundo inteiro, de todas as idades, profissões e étnias. Fiz amigos para a vida e amigos de cinco minutos. Apanhei inúmeras gastroentrites, ainda tenho marcas das centenas de picadas de mosquitos e engordei uns cinco quilos. Mal posso esperar para o fazer outra vez, desta vez mais devagar.

tongariro crossing nova zelandia

2017 foi também um ano de perda, dos meus avós, e um ano de novos começos com um mestrado em Milão.

milão 1

Países visitados: Tailândia, Malásia, Singapura, Austrália, Nova Zelândia, Filipinas, Japão, Sri Lanka, Inglaterra, Itália, Alemanha, Suíça

2018

Acabado o mestrado, lá vinha a velha pergunta: o que é que vou fazer da vida agora?! Desta vez sabia que trabalhar em Portugal não era uma opção viável.

Vai daí e começo a candidatar-me para empregos em Londres sendo que também tinha a vantagem de ter um inglês à minha espera. A coisa deu-se mais rápido do que tinha previsto e do nada tinha trabalho, uma casa arrendada, contas para pagar e uma rotina. Era oficialmente adulta!

cotswolds inglaterra england

Enquanto estive em Itália descobri que este é um país ainda mais mágico do que pensamos. Não tem só cidades turísticas e arte; tem montanhas avassaladoras, lagos estonteantes, aldeias fascinantes e uma personalidade única. É um país que tem tudo e merece ser explorado a pente fino.

dolomiti italia tre cime di lavaredo

Mas a nível de surpresas, o Irão ganhou o primeiro prémio. Não só pela amabilidade, simpatia e hospitalidade, mas também pela magnífica arquitectura e história.

irão shiraz

O ano acabou com uma semana de voluntariado na ilha de Lesvos, na Grécia, por causa do meu trabalho que se revelou uma autêntica bomba de emoções e onde ficou um pedaço de mim.

Países visitados: Itália, Alemanha, Áustria, Irão, Dinamarca, Inglaterra, Grécia, Espanha

2019

E parece que chegámos ao fim da década. Olhando para o que acabei de escrever tenho a estranha sensação que fiz muita coisa e que 2010 está lá muito ao longe, mas que ao mesmo tempo estes dez anos passaram num ápice e que não faço ideia como serão os próximos dez. Afinal, aos 16 mal podia imaginar onde estaria aos 26, mas acho que a adolescente em mim diria que não me saí nada mal.

Voltando ao presente… 2019 iniciou-se com uma viagem espectacular à Tanzânia com os meus tios. Aí, a Inês de cinco anos que já ouvia as histórias deles em África cumpriu o sonho do seu primeiro safari a sério!

zanzibar tanzania paje praia 6

Uma grande parte do meu ano foi passada em aviões e aeroportos (os dois lugares que mais odeio) tanto por viagens minhas como de trabalho.

Fui a Amesterdão ver Tulipas e ao Líbano que elejo como destino cultural do ano. Fui à Islândia com os meus pais para me relembrar da força da natureza como já não sentia desde a Nova Zelândia. Voltei a Paris para matar saudades.

Fui ao fim do mundo aka Cazaquistão, Quirguistão e Uzbequistão para descobrir uma cultura nómada e a fascinante Rota da Seda.

Voltei a Lyon para mais um Festival de Luzes e pela primeira vez fiz uma viagem sem tirar uma única fotografia, sem “postar” uma única vez nas redes sociais. E senti-me tão feliz!

Consegui explorar mais uns cantinhos de Inglaterra e ficar com fome para mais.

Mudei de casa, mudei de namorado, tornei-me quase vegetariana, corri uma meia maratona e estou oficialmente pronta para a próxima década sendo que ainda não sei bem o que vou fazer da vida 😉

Lugares visitados (viagens): Tanzânia & Zanzibar, Amesterdão, Líbano, Islândia, Algarve, Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão, Vila Nova de Milfontes, Monsaraz, Douro & Minho, Lyon, Escócia

Lugares visitados (trabalho): Lisboa, Lesvos, Madrid, Munique, Sicília, Roma, Düsseldorf, Haia, Porto, Bacau (Roménia)

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[EN] Home for All: here, there’s a burning hope for a fresh start https://www.mudancasconstantes.com/2018/12/20/home-for-all-refugee-lesvos/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=home-for-all-refugee-lesvos https://www.mudancasconstantes.com/2018/12/20/home-for-all-refugee-lesvos/#respond Thu, 20 Dec 2018 21:17:16 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=4722 They say the calm comes after the storm. In Lesvos this calmness seems reluctant in coming, but there are some slim beams of light ripping through the clouds. And those rays of sun are NGOs and volunteers who work tirelessly to make the lives of refugees a little easier. Today I want to talk to you about a very unique and special project on the island, Home for All. While most organisations try to improve living conditions within the Moria refugee camp (which is very legitimate and noble), Home for All is the only organization that takes the refugees out of the camp. But why is this so important? Because for a few hours a day they are back in a human environment, dignified, safe, comfortable and happy. There is nothing more beautiful and important than that. So let me tell you the story of this wonderful project <3 It all started, some time ago, on the island … of Lesvos It was four years ago that Nikos and Katerina, owners of a restaurant by the sea, began to see people walking, all wet, on the beaches and roads of Lesvos. They didn’t know what phenomenon that was, but they wanted to help. They began by driving these people to a place of registration for emigrants. At that time there were still no camps. They quickly realized that it was not a passing problem, but they hardly imagined what it would become. The first step was to start distributing meals to refugees. But when they saw that people ate sitting on the floor, they decided to give them a space to enjoy their meals peacefully. Until the time came when they were forced to choose between maintaining their business and devoting themselves solely to feeding the refugees. They opted for the second option. And Home for All was born In four years the Home for All transformed. Suddenly it took on a lot more than just feeding the people who were coming. It was necessary to give them clothes, comfort and a friendly shelter. And the “homes” started multiplying. Today the project is much bigger than Nikos and Katerina, although they are, without doubt, the heart that makes everything move. There are 4 “homes”, clothing warehouses, donations and hundreds of volunteers who help throughout the year and guarantee the continuation of Home for All. That’s where I made my contribution. I went to Lesvos without really knowing what awaited me. All I knew about the project was that a significant amount of their work was directed towards connecting with refugees. However, being a rather insensitive person, I did not expect it to touch me so much. A day in the life of a volunteer Our day started at the volunteers’ house in the small village of Katos Tritos. After scoffing a Greek yogurt with 8% fat and a roll full of sesame seeds I was ready to work. When we got to the restaurant we would clean everything up and make sure we were ready to greet the guests. The food was prepared by the chefs: Katerina’s daughter and her boyfriend. Then Bill (the best English man ever after my boyfriend) drove our van to Moria. I only went there twice, but I quickly realised no one should live there. However, as soon as our groups entered through the doors of the restaurant, we only had one job: to make them happy. Starting by serving them bread, pasta, rice, fish, chicken or lamb, going through intense sessions of Jenga, Mikado or colouring and ending in the delivery of packages of clothes, shoes and hygiene items, during those hours there were no volunteers and refugees. Just friendship and companionship. And we would repeat everything at dinner. In total, about 50/60 people are fed per day. In summer there is room for more. It may look like a drop of water in an ocean of 8000 people. But it’s are at least 1300 meals a month and about 500,000 a year. What this project gave me I think volunteers are the ones who benefit most from volunteering. Yes, we contribute to improve the lives of these refugees for a few hours a day, but they change our perspective forever. As cliché as it may sound, the truth is that we are indeed very lucky. We are born in a safe country and, with more or less difficulties, we can live our lives without thinking every day if this will be the last. Home for All is about giving a face to the refugee crisis. Are we touched when we read and hear about it? Most will say yes. But we don’t know them, we don’t know their stories, we didn’t speak with them. They are easily forgotten when we turn off the television or close the computer. It’s different now. Where are those Afghan girls, who I danced with for several hours on our Ladie’s Night, going to be in a year? What is it going to happen to Omir who came from Iran and who loves Ronaldo, Umar who makes videos with Pakistani songs or that 10-year-old girl from Afghanistan with smart eyes and bushy eyebrows? You can’t turn it off any more.   And we have reached the final point of what this project has brought me: contact with children. I can honestly say I’ve never felt so far outside of the comfort zone because I had to deal with kids! This may sound absurd coming from someone who has travelled half the world alone, but whoever knows me knows this is an incredible achievement :p They are the kids who need the most attention and who need to forget what surrounds them. A refugee camp is not the school they deserve, so we’re there to give them back some of their stolen childhood. And this was strangely rewarding. Disclaimer: No, I will not start playing with children regularly. This week was good but it served me for the rest of my life. How can you help? Maybe I shouldn’t have left the most important part of the post to the end, but here it goes. First, as Katerina says, the ideal would be if everyone could volunteer even for at least a week. It is the best way to perceive the dimension of the problem and the reality in the camp. Second, it would be to make a donation. The project lives only on donations and volunteers. So, if this Christmas you are feeling a particularly strong holiday spirit, here is the link to be able to offer a meal to a refugee. In addition to meals, donations help: – To keep all “houses” open and working. The restaurant, the internet cafe, and new centre for women and children; – Repair the vans used to pick up and take refugees to the camp. The vans are old and give trouble too often; – Financing new initiatives. The next project / objective is to give financial independence to some refugees. The idea is to give them the machines and materials they need to practice their crafts (there are cobblers, tailors, electricians, etc.) and sell what they do. This project can effectively change the lives of refugees. One thing I can guarantee: your donation will surely help someone. Third and final point: you can share the project. The more people know that Home for All exists, the more people can donate and more lives can be changed. I hope that I have been able to portray, even if only a little, the importance of this amazing project!

The post [EN] Home for All: here, there’s a burning hope for a fresh start appeared first on Mudanças Constantes.

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They say the calm comes after the storm. In Lesvos this calmness seems reluctant in coming, but there are some slim beams of light ripping through the clouds. And those rays of sun are NGOs and volunteers who work tirelessly to make the lives of refugees a little easier.

Today I want to talk to you about a very unique and special project on the island, Home for All. While most organisations try to improve living conditions within the Moria refugee camp (which is very legitimate and noble), Home for All is the only organization that takes the refugees out of the camp. But why is this so important? Because for a few hours a day they are back in a human environment, dignified, safe, comfortable and happy. There is nothing more beautiful and important than that.

So let me tell you the story of this wonderful project <3

It all started, some time ago, on the island … of Lesvos

It was four years ago that Nikos and Katerina, owners of a restaurant by the sea, began to see people walking, all wet, on the beaches and roads of Lesvos. They didn’t know what phenomenon that was, but they wanted to help.

They began by driving these people to a place of registration for emigrants. At that time there were still no camps. They quickly realized that it was not a passing problem, but they hardly imagined what it would become.

Home for All family <3

The first step was to start distributing meals to refugees. But when they saw that people ate sitting on the floor, they decided to give them a space to enjoy their meals peacefully. Until the time came when they were forced to choose between maintaining their business and devoting themselves solely to feeding the refugees. They opted for the second option.

And Home for All was born

In four years the Home for All transformed. Suddenly it took on a lot more than just feeding the people who were coming. It was necessary to give them clothes, comfort and a friendly shelter. And the “homes” started multiplying.

Today the project is much bigger than Nikos and Katerina, although they are, without doubt, the heart that makes everything move. There are 4 “homes”, clothing warehouses, donations and hundreds of volunteers who help throughout the year and guarantee the continuation of Home for All. That’s where I made my contribution.

I went to Lesvos without really knowing what awaited me. All I knew about the project was that a significant amount of their work was directed towards connecting with refugees. However, being a rather insensitive person, I did not expect it to touch me so much.

A day in the life of a volunteer

Our day started at the volunteers’ house in the small village of Katos Tritos. After scoffing a Greek yogurt with 8% fat and a roll full of sesame seeds I was ready to work.

Our village!

When we got to the restaurant we would clean everything up and make sure we were ready to greet the guests. The food was prepared by the chefs: Katerina’s daughter and her boyfriend.

Then Bill (the best English man ever after my boyfriend) drove our van to Moria. I only went there twice, but I quickly realised no one should live there. However, as soon as our groups entered through the doors of the restaurant, we only had one job: to make them happy.

Starting by serving them bread, pasta, rice, fish, chicken or lamb, going through intense sessions of Jenga, Mikado or colouring and ending in the delivery of packages of clothes, shoes and hygiene items, during those hours there were no volunteers and refugees. Just friendship and companionship.

And we would repeat everything at dinner. In total, about 50/60 people are fed per day. In summer there is room for more. It may look like a drop of water in an ocean of 8000 people. But it’s are at least 1300 meals a month and about 500,000 a year.

Restaurant: Home 1

What this project gave me

I think volunteers are the ones who benefit most from volunteering. Yes, we contribute to improve the lives of these refugees for a few hours a day, but they change our perspective forever.

As cliché as it may sound, the truth is that we are indeed very lucky. We are born in a safe country and, with more or less difficulties, we can live our lives without thinking every day if this will be the last.

Home for All is about giving a face to the refugee crisis. Are we touched when we read and hear about it? Most will say yes. But we don’t know them, we don’t know their stories, we didn’t speak with them. They are easily forgotten when we turn off the television or close the computer.

It’s different now. Where are those Afghan girls, who I danced with for several hours on our Ladie’s Night, going to be in a year? What is it going to happen to Omir who came from Iran and who loves Ronaldo, Umar who makes videos with Pakistani songs or that 10-year-old girl from Afghanistan with smart eyes and bushy eyebrows? You can’t turn it off any more.

 

A group of refugees helped us unload a huge lorry full of donations

And we have reached the final point of what this project has brought me: contact with children. I can honestly say I’ve never felt so far outside of the comfort zone because I had to deal with kids! This may sound absurd coming from someone who has travelled half the world alone, but whoever knows me knows this is an incredible achievement :p

They are the kids who need the most attention and who need to forget what surrounds them. A refugee camp is not the school they deserve, so we’re there to give them back some of their stolen childhood. And this was strangely rewarding.

Disclaimer: No, I will not start playing with children regularly. This week was good but it served me for the rest of my life.

How can you help?

Maybe I shouldn’t have left the most important part of the post to the end, but here it goes.

First, as Katerina says, the ideal would be if everyone could volunteer even for at least a week. It is the best way to perceive the dimension of the problem and the reality in the camp.

Best volunteers ever!! <3

Second, it would be to make a donation. The project lives only on donations and volunteers. So, if this Christmas you are feeling a particularly strong holiday spirit, here is the link to be able to offer a meal to a refugee.

In addition to meals, donations help:

– To keep all “houses” open and working. The restaurant, the internet cafe, and new centre for women and children;

– Repair the vans used to pick up and take refugees to the camp. The vans are old and give trouble too often;

– Financing new initiatives. The next project / objective is to give financial independence to some refugees. The idea is to give them the machines and materials they need to practice their crafts (there are cobblers, tailors, electricians, etc.) and sell what they do. This project can effectively change the lives of refugees.

One thing I can guarantee: your donation will surely help someone.

Third and final point: you can share the project. The more people know that Home for All exists, the more people can donate and more lives can be changed.

Here’s a cute dog asking you to donate <3

I hope that I have been able to portray, even if only a little, the importance of this amazing project!

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Home for All: aqui fervilha a esperança de um recomeço https://www.mudancasconstantes.com/2018/12/14/home-for-all-lesvos/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=home-for-all-lesvos https://www.mudancasconstantes.com/2018/12/14/home-for-all-lesvos/#comments Fri, 14 Dec 2018 19:52:52 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=4673 Dizem que depois da tempestade vem a bonança. Em Lesvos essa bonança parece teimar em chegar, mas existem alguns raios de sol que rasgam a escuridão da tempestade. E esses raios de sol são as ONG’s e os voluntários que trabalham incansavelmente para tornar a vida dos refugiados um bocadinho mais leve. Hoje quero falar-vos de um projecto muito especial e único na ilha, a Home for All. Enquanto a maioria das organizações tenta melhorar as condições de vida dentro do campo de refugiados de Moria (que é muito legítimo e nobre), a Home for All é a única organização que tira os refugiados do campo. E porque é que isso é tão importante? Porque durante algumas horas estão de volta a um ambiente humano, digno, seguro, confortável e feliz. E não há nada mais bonito e importante que isso. Por isso, deixem que vos conte a história deste maravilhoso projecto <3 Tudo começou, há um tempo atrás, na ilha… de Lesvos Foi há mais ou menos quatro anos atrás que o Nikos e Katerina, donos de um restaurante à beira mar, começaram a ver pessoas a caminhar, todas molhadas, pelas praias e estradas de Lesvos. Não sabiam o que era aquele fenómeno, mas queriam ajudar. Começaram por dar boleia a estas pessoas até a um local de registo de emigrantes. Nessa altura ainda não havia campos. Rapidamente perceberam que não era um problema passageiro, mas mal imaginavam no que se iria tornar. O primeiro passo foi começar a distribuir refeições pelos refugiados. Mas quando viram que as pessoas comiam sentadas no chão, decidiram ceder-lhes um espaço para usufruírem tranquilamente das suas refeições. Até que chegou o momento em que foram obrigados a escolher entre manter o seu negócio e dedicarem-se somente a alimentar os refugiados. Optaram pela segunda opção. E nasceu a Home for All Em quatro anos a Home for All transformou-se. De repente era preciso muito mais do que apenas alimentar as pessoas que iam chegando. Era preciso dar-lhes roupas, conforto e um porto de abrigo. E as “casas” foram-se multiplicando. Hoje o projecto é muito maior do que o Nikos e a Katerina, apesar de serem eles, sem dúvida, o coração que põe tudo a mexer. São 4 “casas”, armazéns de roupas, doações e centenas de voluntários que se disponibilizam a ajudar durante o ano e, que garantem a continuação da Home for All. Foi aí que dei a minha contribuição. Fui para Lesvos sem saber bem o que me esperava. Sabia que o projecto tinha uma grande componente de lidar com os refugiados e que era isso que o tornava tão emotivo. Mas, sendo eu uma pessoa algo insensível, não estava à espera que me tocasse tanto. Um dia na vida de um voluntário O nosso dia começava na casa dos voluntários na pequena aldeia de Katos Tritos. Depois de enfardar um iogurte grego com 8% de gordura e um pãozinho cheio de sementes de sésamo tipo turco estava pronta para trabalhar. Quando chegávamos ao restaurante limpávamos tudo e certificávamos-nos que estávamos prontos a receber os convidados. A comida era preparada pelos chefes de serviço: a filha da Katerina e o namorado. Depois, o Bill (o melhor inglês de sempre depois do meu namorado) guiava a nossa van até Mória. Só lá fui duas vezes, mas chegou-me para perceber que ali não devia viver ninguém. Mas assim que os nossos grupos entravam pelas portas tanto da carrinha como do restaurante o nosso trabalho era só um: fazê-los felizes. Começando por servir-lhes pão, massa, arroz, peixe, frango ou carneiro, passando por intensas sessões de Jenga, Mikado ou colorir e acabando na entrega de embrulhos de roupas, sapatos e higienes, durante aquelas horas não havia voluntários e refugiados. Só amizade e companheirismo. E repetíamos tudo ao jantar. No total, cerca de 50/60 pessoas por dia são alimentadas. No verão há espaço para mais. Pode parecer uma gota de água num oceano de 8000 pessoas. Mas são, no mínimo, 1300 refeições por mês e cerca de 500 000 por ano. O que este projecto me deu Acho que os voluntários são quem mais beneficia do voluntariado. Sim, contribuímos para melhorar a vida destes refugiados durante algumas horas por dia, mas eles mudam a nossa perspectiva sempre. Por muito cliché que pareça, a verdade é que somos mesmo muito sortudos. Por termos nascido num país seguro e, com mais ou menos dificuldades, conseguirmos viver a nossa vida sem pensar a cada dia se este será o último. A Home for All é sobre dar um rosto à crise. Ficamos emocionados quando lemos e ouvimos sobre a crise dos refugiados? A maioria dirá que sim. Mas não os conhecemos, não sabemos as suas histórias, não falámos com eles. São facilmente esquecidos quando desligamos a televisão ou fechamos o computador. Agora é diferente. Onde é que aquelas raparigas afegãs, com quem dancei durante horas na nossa Ladie’s Night, vão estar daqui a um ano? O que é que vai ser do Omir que veio do Irão e que adora o Ronaldo, do Umar que faz vídeos com músicas paquistanesas ou daquela miúda de 10 anos do Afeganistão de olhar espevitado e sobrancelhas fartas? Já não dá para desligar. E chegamos ao ponto final do que este projecto me trouxe: o contacto com as crianças. Posso dizer que foi a semana mais fora da zona de conforto da minha vida porque tive que lidar com crianças! Isto pode parecer absurdo vindo de alguém que já viajou meio mundo sozinha, mas quem me conhece sabe que este é um feito incrível :p Mas se há crianças que precisam de atenção e de esquecer o que as rodeia são estas. Um campo de refugiados não é a escola que merecem e por isso estamos lá nós para lhes devolver um pouco da infância roubada. E isso é estranhamente compensador. Disclaimer: não, não vou começar a brincar com crianças regularmente. Esta semana foi boa mas serviu-me para o resto da vidinha. Como podes ajudar Se calhar não devia ter deixado a parte mais importante desde post para o fim, mas cá vai. Primeiro, é como a Katerina diz, o ideal seria que toda a gente pudesse ser voluntária nem que seja durante uma semana só. É a melhor forma de perceber a dimensão do problema e a realidade no campo. Segundo, seria fazer uma doação. O projecto vive apenas de doações e voluntários. Por isso, se este natal tiveres com um espírito natalícia especialmente forte, aqui fica o link para poderes oferecer uma refeição a um refugiado. Para além das refeições, as doações ajudam a: – Manter todas as “casas” abertas e a funcionar. O restaurante, o Internet café, e novo centro para mulheres e crianças; – Reparar as carrinhas utilizadas para ir buscar e levar refugiados ao campo. São carrinhas velhas que dão problemas demasiadas vezes; – Financiar novas iniciativas. O próximo projecto / objectivo é dar independência financeira a alguns refugiados. A ideia é dar-lhes máquinas e materiais necessários para praticarem os seus ofícios (há sapateiros, alfaiates, electricistas, etc…) e vender o que eles fizerem. Este projecto é o que poderá mudar efectivamente as vidas dos refugiados. Uma coisa posso garantir: a tua doação ajudará alguém certamente. Terceiro e último ponto: podes passar a palavra. Quando mais pessoas souberem que a Home for All existe, mais gente poderá doar e mais vidas poderão ser mudadas. Espero que vos tenha conseguido transmitir, nem que seja só um bocadinho, a importância deste projecto apaixonante!

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Dizem que depois da tempestade vem a bonança. Em Lesvos essa bonança parece teimar em chegar, mas existem alguns raios de sol que rasgam a escuridão da tempestade. E esses raios de sol são as ONG’s e os voluntários que trabalham incansavelmente para tornar a vida dos refugiados um bocadinho mais leve.

Hoje quero falar-vos de um projecto muito especial e único na ilha, a Home for All. Enquanto a maioria das organizações tenta melhorar as condições de vida dentro do campo de refugiados de Moria (que é muito legítimo e nobre), a Home for All é a única organização que tira os refugiados do campo. E porque é que isso é tão importante? Porque durante algumas horas estão de volta a um ambiente humano, digno, seguro, confortável e feliz. E não há nada mais bonito e importante que isso.

Por isso, deixem que vos conte a história deste maravilhoso projecto <3

Tudo começou, há um tempo atrás, na ilha… de Lesvos

Foi há mais ou menos quatro anos atrás que o Nikos e Katerina, donos de um restaurante à beira mar, começaram a ver pessoas a caminhar, todas molhadas, pelas praias e estradas de Lesvos. Não sabiam o que era aquele fenómeno, mas queriam ajudar.

Começaram por dar boleia a estas pessoas até a um local de registo de emigrantes. Nessa altura ainda não havia campos. Rapidamente perceberam que não era um problema passageiro, mas mal imaginavam no que se iria tornar.

A família Home for All <3

O primeiro passo foi começar a distribuir refeições pelos refugiados. Mas quando viram que as pessoas comiam sentadas no chão, decidiram ceder-lhes um espaço para usufruírem tranquilamente das suas refeições. Até que chegou o momento em que foram obrigados a escolher entre manter o seu negócio e dedicarem-se somente a alimentar os refugiados. Optaram pela segunda opção.

E nasceu a Home for All

Em quatro anos a Home for All transformou-se. De repente era preciso muito mais do que apenas alimentar as pessoas que iam chegando. Era preciso dar-lhes roupas, conforto e um porto de abrigo. E as “casas” foram-se multiplicando.

Hoje o projecto é muito maior do que o Nikos e a Katerina, apesar de serem eles, sem dúvida, o coração que põe tudo a mexer. São 4 “casas”, armazéns de roupas, doações e centenas de voluntários que se disponibilizam a ajudar durante o ano e, que garantem a continuação da Home for All. Foi aí que dei a minha contribuição.

Fui para Lesvos sem saber bem o que me esperava. Sabia que o projecto tinha uma grande componente de lidar com os refugiados e que era isso que o tornava tão emotivo. Mas, sendo eu uma pessoa algo insensível, não estava à espera que me tocasse tanto.

Um dia na vida de um voluntário

O nosso dia começava na casa dos voluntários na pequena aldeia de Katos Tritos. Depois de enfardar um iogurte grego com 8% de gordura e um pãozinho cheio de sementes de sésamo tipo turco estava pronta para trabalhar.

A nossa aldeia

Quando chegávamos ao restaurante limpávamos tudo e certificávamos-nos que estávamos prontos a receber os convidados. A comida era preparada pelos chefes de serviço: a filha da Katerina e o namorado.

Depois, o Bill (o melhor inglês de sempre depois do meu namorado) guiava a nossa van até Mória. Só lá fui duas vezes, mas chegou-me para perceber que ali não devia viver ninguém. Mas assim que os nossos grupos entravam pelas portas tanto da carrinha como do restaurante o nosso trabalho era só um: fazê-los felizes.

Começando por servir-lhes pão, massa, arroz, peixe, frango ou carneiro, passando por intensas sessões de Jenga, Mikado ou colorir e acabando na entrega de embrulhos de roupas, sapatos e higienes, durante aquelas horas não havia voluntários e refugiados. Só amizade e companheirismo.

E repetíamos tudo ao jantar. No total, cerca de 50/60 pessoas por dia são alimentadas. No verão há espaço para mais. Pode parecer uma gota de água num oceano de 8000 pessoas. Mas são, no mínimo, 1300 refeições por mês e cerca de 500 000 por ano.

O restaurante e Home 1

O que este projecto me deu

Acho que os voluntários são quem mais beneficia do voluntariado. Sim, contribuímos para melhorar a vida destes refugiados durante algumas horas por dia, mas eles mudam a nossa perspectiva sempre.

Por muito cliché que pareça, a verdade é que somos mesmo muito sortudos. Por termos nascido num país seguro e, com mais ou menos dificuldades, conseguirmos viver a nossa vida sem pensar a cada dia se este será o último.

A Home for All é sobre dar um rosto à crise. Ficamos emocionados quando lemos e ouvimos sobre a crise dos refugiados? A maioria dirá que sim. Mas não os conhecemos, não sabemos as suas histórias, não falámos com eles. São facilmente esquecidos quando desligamos a televisão ou fechamos o computador.

Agora é diferente. Onde é que aquelas raparigas afegãs, com quem dancei durante horas na nossa Ladie’s Night, vão estar daqui a um ano? O que é que vai ser do Omir que veio do Irão e que adora o Ronaldo, do Umar que faz vídeos com músicas paquistanesas ou daquela miúda de 10 anos do Afeganistão de olhar espevitado e sobrancelhas fartas? Já não dá para desligar.

Grupo de refugiados que nos ajudaram a descarregar um camião cheio de doações

E chegamos ao ponto final do que este projecto me trouxe: o contacto com as crianças. Posso dizer que foi a semana mais fora da zona de conforto da minha vida porque tive que lidar com crianças! Isto pode parecer absurdo vindo de alguém que já viajou meio mundo sozinha, mas quem me conhece sabe que este é um feito incrível :p

Mas se há crianças que precisam de atenção e de esquecer o que as rodeia são estas. Um campo de refugiados não é a escola que merecem e por isso estamos lá nós para lhes devolver um pouco da infância roubada. E isso é estranhamente compensador.

Disclaimer: não, não vou começar a brincar com crianças regularmente. Esta semana foi boa mas serviu-me para o resto da vidinha.

Como podes ajudar

Se calhar não devia ter deixado a parte mais importante desde post para o fim, mas cá vai.

Primeiro, é como a Katerina diz, o ideal seria que toda a gente pudesse ser voluntária nem que seja durante uma semana só. É a melhor forma de perceber a dimensão do problema e a realidade no campo.

Melhores voluntários de sempre!! <3

Segundo, seria fazer uma doação. O projecto vive apenas de doações e voluntários. Por isso, se este natal tiveres com um espírito natalícia especialmente forte, aqui fica o link para poderes oferecer uma refeição a um refugiado.

Para além das refeições, as doações ajudam a:

Manter todas as “casas” abertas e a funcionar. O restaurante, o Internet café, e novo centro para mulheres e crianças;

– Reparar as carrinhas utilizadas para ir buscar e levar refugiados ao campo. São carrinhas velhas que dão problemas demasiadas vezes;

– Financiar novas iniciativas. O próximo projecto / objectivo é dar independência financeira a alguns refugiados. A ideia é dar-lhes máquinas e materiais necessários para praticarem os seus ofícios (há sapateiros, alfaiates, electricistas, etc…) e vender o que eles fizerem. Este projecto é o que poderá mudar efectivamente as vidas dos refugiados.

Uma coisa posso garantir: a tua doação ajudará alguém certamente.

Terceiro e último ponto: podes passar a palavra. Quando mais pessoas souberem que a Home for All existe, mais gente poderá doar e mais vidas poderão ser mudadas.

Fica aqui um cão fofo a apelar às doações

Espero que vos tenha conseguido transmitir, nem que seja só um bocadinho, a importância deste projecto apaixonante!

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Moria: Um inferno onde as chamas não param de arder https://www.mudancasconstantes.com/2018/12/11/moria-grecia-campo-refugiados/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=moria-grecia-campo-refugiados https://www.mudancasconstantes.com/2018/12/11/moria-grecia-campo-refugiados/#comments Tue, 11 Dec 2018 19:30:06 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=4665 English version here No verão de 2015 não havia telejornal que não abrisse com a crise de refugiados no mediterrâneo. Nesse ano 1 milhão de pessoas à procura de asilo entrou na Europa, tornando esta crise na maior alguma vez registada no nosso continente. Mas, enquanto no início as pessoas que iam chegando conseguiam tratar das burocracias necessárias em poucos dias, com o número crescente de barcos e pessoas a aparecer, os tempos de espera aumentaram. Para anos. O que significa que o campo de Moria, inicialmente concebido para alojar até 2000 refugiados, é hoje a “casa” de 8000 a 10 000 refugiados. Três anos depois, barcos continuam a chegar à ilha de Lesvos todos os dias, mesmo no inverno. Nestas condições, não se prevê uma solução num futuro breve (nem a longo prazo). Decidi escrever este post em particular, não para partilhar a minha experiência em Lesvos, mas para partilhar o que aprendi sobre o dia-a-dia no campo de Moria e as razões pelas quais é urgente mais financiamento para o campo e intervenção política para pelo menos melhorar as condições de vida dos refugiados. Apesar de ser um tema esquecido pelos media, é um problema que está longe de ser resolvido. A viagem até Lesvos A grande maioria dos refugiados que conheci vinham de países longínquos. Afeganistão, Paquistão, Camarões ou Congo são alguns dos exemplos. Só para chegar à Europa, sabe-se lá o que passaram. Trazidos por contrabandistas, é-lhes vendida uma mentira. Vêm em busca do sonho: morar num país seguro, onde possam trabalhar, viver e talvez sustentar as suas famílias. Viajam ilegalmente, enganados por aqueles que lhes garantem uma passagem segura para a Europa. Não sabem que vão ser postos num barco inseguro, com coletes salva-vidas falsos, para um destino incerto. Os que não aceitam embarcar são ameaçados ou mesmo mortos nas praias turcas. Afinal não são ninguém. Sem documentos, não existem. Depois vem a parte mais perigosa de todo o percurso: a viagem de barco até à ilha. Os barcos levam o dobro da sua capacidades e para a grande maioria dos refugiados, esta é a primeira vez que estão a ver o mar. Existem histórias horripilantes sobre estas travessias. E, para aqueles que efectivamente conseguem alcançar terra firme de novo, o sentimento é de celebração e felicidade. Claramente não sabem o que ainda está para vir. O ambiente e condições no campo de Moria Molhados, confusos e assoberbados está agora na altura de andar até Moria. Dependendo do lugar onde atracaram na ilha o percurso poderá demorar até dois dias. Algumas organizações e voluntários dedicam-se a ajudar neste trajecto, mas durante algum tempo as autoridades proibiram qualquer tipo de ajuda no transporte de refugiados. Felizmente isso já mudou. Chegou finalmente a hora de pedir asilo. Moria é um campo de registo, e é por isso que todas as pessoas são para lá encaminhadas. A cada pessoa é dada uma data para uma entrevista de pedido de asilo. Para quando? Dali a um ou dois anos. E é aí que a esperança começa a esmorecer. Durante esse tempo terão que viver no campo de refugiados de Moria, sem a possibilidade de se deslocarem para fora da ilha ou de trabalhar. Só lhes resta esperar. E essa espera torna-se ainda mais desesperante pelas condições do campo. O ambiente é opressivo. Há uma enorme segregação entre as diversas nacionalidades no campo. Os Afegãos não se dão com os Árabes, nacionais do Congo e Camarões não simpatizam com Somalis ou Eritreus e ninguém gosta dos Curdos. As condições são inumanas. O campo oficial parece uma prisão, anteriormente era um campo militar. É aí que mora a grande maioria dos refugiados. Ao chegar, ficam numa tenda para 200 pessoas. Depois serão, ou não, distribuídos pelos contentores do campo, as ISO Boxes, o único lugar onde ficarão mais abrigados do frio e chuva, mas que têm que partilhar, muitas vezes, com mais 25 pessoas. E depois existem as tendas. Devido à incapacidade do campo original de receber todas as pessoas que chegam, criou-se um novo campo adequadamente apelidado de “A Selva”. São centenas de tendas ou bocados de lona que alojam milhares de pessoas sem acesso a saneamento básico ou electricidade. Quando chove não há forma de escapar, o chão transforma-se em lama e e água entra por todos os lados. Segurança? Não existe. Histórias de violações, agressões ou suicídios são o pão nosso de cada dia. Comida? Duas a três horas de espera para o pequeno-almoço, o mesmo para o almoço e jantar. Recebem talvez um prato de arroz ou papas fora do prazo. Todos os membros da família têm que estar presentes para pedir comida. Resultado? Cerca de 9 horas por dia passadas à espera numa fila. Medicamentos? “Não temos, bebe água” Saneamento? Uma casa de banho para 70 pessoas e um duche para 80. 90€ por mês. É quanto cada refugiado recebe por mês quando vive no campo de refugiados de Moria. Como é que é possível sobreviver nestas condições? Honestamente não sei. A verdade é que cada refugiado que conheci tinha um sorriso para oferecer e assim que são postos num ambiente de conforto e segurança transformam-se. E é sobre essa transformação que vou falar no próximo post. “Metam pessoas num ambiente de animais e transformar-se-ão em animais” foi uma das frases que mais me marcou durante a minha semana em Lesvos. Há uma urgência em devolver a dignidade a estas pessoas e dar-lhes, pelo menos, a possibilidade de fazerem algo com o seu tempo. Existem outros campos na ilha de Lesvos, mas felizmente têm melhores condições. O de Kara Tepe, por exemplo, onde toda a gente vive em ISO Boxes e onde se limitam a alojar 1000 pessoas. Dezenas ou centenas de ONG’s trabalham arduamente para aliviar o sofrimento dos refugiados. Por outro lado existe ainda a ilha de Samos, onde também chegam milhares de refugiados todos os anos. Aqui vivem em condições tão más ou piores que em Lesvos. Um dos principais problemas: ninguém sabe disto. Se existe uma luz ao fundo deste túnel eu não a consigo ver. Contudo, e para aliviar um pouco a depressão que é este post, existe um “farol” sobrevive no meio da escuridão. E esse farol, senhores e senhoras, chama-se Home for All.

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English version here

No verão de 2015 não havia telejornal que não abrisse com a crise de refugiados no mediterrâneo. Nesse ano 1 milhão de pessoas à procura de asilo entrou na Europa, tornando esta crise na maior alguma vez registada no nosso continente.

Mas, enquanto no início as pessoas que iam chegando conseguiam tratar das burocracias necessárias em poucos dias, com o número crescente de barcos e pessoas a aparecer, os tempos de espera aumentaram. Para anos.

O que significa que o campo de Moria, inicialmente concebido para alojar até 2000 refugiados, é hoje a “casa” de 8000 a 10 000 refugiados. Três anos depois, barcos continuam a chegar à ilha de Lesvos todos os dias, mesmo no inverno. Nestas condições, não se prevê uma solução num futuro breve (nem a longo prazo).

Decidi escrever este post em particular, não para partilhar a minha experiência em Lesvos, mas para partilhar o que aprendi sobre o dia-a-dia no campo de Moria e as razões pelas quais é urgente mais financiamento para o campo e intervenção política para pelo menos melhorar as condições de vida dos refugiados. Apesar de ser um tema esquecido pelos media, é um problema que está longe de ser resolvido.

A viagem até Lesvos

A grande maioria dos refugiados que conheci vinham de países longínquos. Afeganistão, Paquistão, Camarões ou Congo são alguns dos exemplos. Só para chegar à Europa, sabe-se lá o que passaram. Trazidos por contrabandistas, é-lhes vendida uma mentira. Vêm em busca do sonho: morar num país seguro, onde possam trabalhar, viver e talvez sustentar as suas famílias.

Viajam ilegalmente, enganados por aqueles que lhes garantem uma passagem segura para a Europa. Não sabem que vão ser postos num barco inseguro, com coletes salva-vidas falsos, para um destino incerto. Os que não aceitam embarcar são ameaçados ou mesmo mortos nas praias turcas. Afinal não são ninguém. Sem documentos, não existem.

Depois vem a parte mais perigosa de todo o percurso: a viagem de barco até à ilha. Os barcos levam o dobro da sua capacidades e para a grande maioria dos refugiados, esta é a primeira vez que estão a ver o mar. Existem histórias horripilantes sobre estas travessias.

Imagem: Wikipedia

E, para aqueles que efectivamente conseguem alcançar terra firme de novo, o sentimento é de celebração e felicidade. Claramente não sabem o que ainda está para vir.

O ambiente e condições no campo de Moria

Molhados, confusos e assoberbados está agora na altura de andar até Moria. Dependendo do lugar onde atracaram na ilha o percurso poderá demorar até dois dias. Algumas organizações e voluntários dedicam-se a ajudar neste trajecto, mas durante algum tempo as autoridades proibiram qualquer tipo de ajuda no transporte de refugiados. Felizmente isso já mudou.

Chegou finalmente a hora de pedir asilo. Moria é um campo de registo, e é por isso que todas as pessoas são para lá encaminhadas. A cada pessoa é dada uma data para uma entrevista de pedido de asilo. Para quando? Dali a um ou dois anos. E é aí que a esperança começa a esmorecer.

Durante esse tempo terão que viver no campo de refugiados de Moria, sem a possibilidade de se deslocarem para fora da ilha ou de trabalhar. Só lhes resta esperar.

E essa espera torna-se ainda mais desesperante pelas condições do campo. O ambiente é opressivo. Há uma enorme segregação entre as diversas nacionalidades no campo. Os Afegãos não se dão com os Árabes, nacionais do Congo e Camarões não simpatizam com Somalis ou Eritreus e ninguém gosta dos Curdos.

As condições são inumanas. O campo oficial parece uma prisão, anteriormente era um campo militar. É aí que mora a grande maioria dos refugiados. Ao chegar, ficam numa tenda para 200 pessoas. Depois serão, ou não, distribuídos pelos contentores do campo, as ISO Boxes, o único lugar onde ficarão mais abrigados do frio e chuva, mas que têm que partilhar, muitas vezes, com mais 25 pessoas.

Imagem: Bill Hunter

E depois existem as tendas. Devido à incapacidade do campo original de receber todas as pessoas que chegam, criou-se um novo campo adequadamente apelidado de “A Selva”. São centenas de tendas ou bocados de lona que alojam milhares de pessoas sem acesso a saneamento básico ou electricidade. Quando chove não há forma de escapar, o chão transforma-se em lama e e água entra por todos os lados.

Segurança? Não existe. Histórias de violações, agressões ou suicídios são o pão nosso de cada dia.

Comida? Duas a três horas de espera para o pequeno-almoço, o mesmo para o almoço e jantar. Recebem talvez um prato de arroz ou papas fora do prazo. Todos os membros da família têm que estar presentes para pedir comida. Resultado? Cerca de 9 horas por dia passadas à espera numa fila.

Medicamentos? “Não temos, bebe água”

Saneamento? Uma casa de banho para 70 pessoas e um duche para 80.

90€ por mês. É quanto cada refugiado recebe por mês quando vive no campo de refugiados de Moria.

Como é que é possível sobreviver nestas condições? Honestamente não sei. A verdade é que cada refugiado que conheci tinha um sorriso para oferecer e assim que são postos num ambiente de conforto e segurança transformam-se. E é sobre essa transformação que vou falar no próximo post.

“Metam pessoas num ambiente de animais e transformar-se-ão em animais” foi uma das frases que mais me marcou durante a minha semana em Lesvos. Há uma urgência em devolver a dignidade a estas pessoas e dar-lhes, pelo menos, a possibilidade de fazerem algo com o seu tempo.

Existem outros campos na ilha de Lesvos, mas felizmente têm melhores condições. O de Kara Tepe, por exemplo, onde toda a gente vive em ISO Boxes e onde se limitam a alojar 1000 pessoas. Dezenas ou centenas de ONG’s trabalham arduamente para aliviar o sofrimento dos refugiados.

Imagem: Wikipedia

Por outro lado existe ainda a ilha de Samos, onde também chegam milhares de refugiados todos os anos. Aqui vivem em condições tão más ou piores que em Lesvos. Um dos principais problemas: ninguém sabe disto. Se existe uma luz ao fundo deste túnel eu não a consigo ver.

Contudo, e para aliviar um pouco a depressão que é este post, existe um “farol” sobrevive no meio da escuridão. E esse farol, senhores e senhoras, chama-se Home for All.

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Falemos sobre… Plástico! https://www.mudancasconstantes.com/2018/06/12/falemos-sobre-plastico/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=falemos-sobre-plastico https://www.mudancasconstantes.com/2018/06/12/falemos-sobre-plastico/#respond Tue, 12 Jun 2018 16:45:41 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=3540 Pois é, parece que finalmente o mundo começou a acordar para a quantidade imensurável de plástico presente nos nossos oceanos. Acho que chegámos a um ponto em que já ninguém pode negar que é urgente mudarmos comportamentos e dedicarmo-nos a limpar o grande monte de merda (perdoem-me a honestidade) que temos estado deitar nos nossos oceanos nos últimos anos. A verdade é que, só no ano passado, enquanto viajava pelo sudoeste asiático, me deparei com cenários completamente inacreditáveis de lixo em praias e no mar. Praias que, com certeza, já foram paradisíacas e hoje são praticamente aterros sanitários e mares onde tartarugas, outrora, se alimentaram de alforrecas e não de sacos de plástico. Foi assim que comecei a estar mais e mais alerta, até que este ano decidi fazer o meu projecto final de mestrado sobre este tema. E posso contar-vos que quanto mais leio e aprendo sobre o assunto mais preocupada fico. E é por isso que estou a escrever este post. Não só para informar, mas também para explicar como podemos mudar. Alguns factos Nos últimos 10 anos, produzimos mais plástico do que nos 100 anos anteriores. A maioria dos materiais feitos de plástico é descartável. 90% das garrafas de água são utilizadas só uma vez. Num ano cada homem, mulher ou criança irá consumir cerca de 136 quilos de plástico descartável. Mais de 80% do plástico presente nos oceanos vem de fontes terrestres. Mesmo que não vivas perto dos oceanos, o teu lixo irá lá parar. A ilha de plástico do Pacífico cobre uma região com um tamanho aproximado a três “Franças”. A Plastic Ocean: este documentário está no Netflix e é arrepiante, mas muito importante para a compreensão da extensão do problema. Fala sobre a ingestão de plástico, que afecta quase todos os animais marinhos e também aves, sobre povos nas Filipinas e Fiji onde lixeiras de plástico já fazem parte do dia-a-dia e, finalmente, sobre como a nossa comida também já foi contaminada. A mudança Felizmente há muita gente a lutar por um futuro sem plástico descartável e a arranjar formas de limpar as nossas praias e oceanos. Vê como podes contribuir: The Ocean Cleanup Esta organização foi fundada por um rapaz holandês que, quando tinha 16 anos, inventou uma forma inovadora de limpar os oceanos. Hoje, em 2018, os protótipos já concluíram, com sucesso, as suas “expedições marítimas” e em breve começará a limpeza a sério. Link para as doações. 4 Ocean Cleanup A 4Ocean Cleanup retira plástico do oceano e transforma-o em pulseiras para vender. E é através destas pulseiras que financiam as suas limpezas. Podes encontrar tudo sobre eles no site: www.4ocean.com. Brigada do Mar Este conjunto de heróis portugueses dedica-se à limpeza das nossas praias através de recolhas de lixo às quais qualquer pessoa se pode juntar. Durante os últimos anos já recolheram milhares de toneladas de plástico das nossas costas. Se te quiseres juntar, preenche este formulário e irás receber todas as novidades sobre a Brigada do Mar. Runtastic & Adidas Para todos os corredores deste Portugal, a Adidas em conjunto com a Runtastic está a promover o “Run for the Oceans”. Por cada km corrido com a aplicação a Adidas vai doar 1 dólar (até 1 milhão de dólares). E tu, já correste hoje? 😉 Para participar basta ter a aplicação e correr! Os nossos hábitos O plástico descartável faz inevitavelmente parte dos nossos hábitos. Basta ir a um supermercado, take away ou até a um bar. Está por todo o lado! Aqui estão alguns truques (fáceis!) que te vão ajudar a ajudar 😉 1 – Compra uma garrafa de água reutilizável. Deixa as garrafas de plástico comuns para trás e arranja uma para a vida! Na Decathlon, por exemplo, os preços são bastante acessíveis. E a água da torneira só nos torna mais rijos! 2 – Diz adeus às palhinhas de plástico. Eu sei que não parece muito apelativo beber um cocktail ou um smoothie sem palhinha, mas é por uma boa razão. De qualquer forma parece que o parlamente europeu quer acabar com elas e alternativas de cartão ou metal deverão estar a caminho. 3 – Evita os sacos dos frescos no supermercado. Quando compras só um item de fruta ou legumes no supermercado, como uma beringela, um cacho de bananas ou um pimento, não uses sacos. Pesa e põe o código de barras directamente em cima. Já agora, no supermercado, evita vegetais e fruta já embalados. 4 – Investe numa gillette. Esquece as gilettes descartáveis! Compra uma boa e dedica-te a construir uma relação duradoura de combate ao pêlo. 5 – Substitui o papel aderente por papel de alumínio. Assim, a tua comida ficará livre de contaminação. 6 – Renuncia à moda da food-delivery. Para além de evitares o consumo de embalagens, também evitas as emissões de carbono para a comida chegar até ti. Levanta esse rabo preguiçoso e vai para a cozinha! 7 – Apanha 3 peças de lixo do chão quando fores à praia e recicla-o. 8 – Esta não é plástico, mas… NÃO DEITES AS BEATAS DOS CIGARROS PARA O CHÃO! Estás preparado/a para mudar?!! Nota: Todas as imagens foram retiradas da internet.

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Pois é, parece que finalmente o mundo começou a acordar para a quantidade imensurável de plástico presente nos nossos oceanos. Acho que chegámos a um ponto em que já ninguém pode negar que é urgente mudarmos comportamentos e dedicarmo-nos a limpar o grande monte de merda (perdoem-me a honestidade) que temos estado deitar nos nossos oceanos nos últimos anos.

A verdade é que, só no ano passado, enquanto viajava pelo sudoeste asiático, me deparei com cenários completamente inacreditáveis de lixo em praias e no mar. Praias que, com certeza, já foram paradisíacas e hoje são praticamente aterros sanitários e mares onde tartarugas, outrora, se alimentaram de alforrecas e não de sacos de plástico.

Foi assim que comecei a estar mais e mais alerta, até que este ano decidi fazer o meu projecto final de mestrado sobre este tema. E posso contar-vos que quanto mais leio e aprendo sobre o assunto mais preocupada fico. E é por isso que estou a escrever este post. Não só para informar, mas também para explicar como podemos mudar.

Alguns factos

Nos últimos 10 anos, produzimos mais plástico do que nos 100 anos anteriores.

A maioria dos materiais feitos de plástico é descartável. 90% das garrafas de água são utilizadas só uma vez.

Num ano cada homem, mulher ou criança irá consumir cerca de 136 quilos de plástico descartável.

Mais de 80% do plástico presente nos oceanos vem de fontes terrestres. Mesmo que não vivas perto dos oceanos, o teu lixo irá lá parar.

A ilha de plástico do Pacífico cobre uma região com um tamanho aproximado a três “Franças”.

A Plastic Ocean: este documentário está no Netflix e é arrepiante, mas muito importante para a compreensão da extensão do problema. Fala sobre a ingestão de plástico, que afecta quase todos os animais marinhos e também aves, sobre povos nas Filipinas e Fiji onde lixeiras de plástico já fazem parte do dia-a-dia e, finalmente, sobre como a nossa comida também já foi contaminada.

A mudança

Felizmente há muita gente a lutar por um futuro sem plástico descartável e a arranjar formas de limpar as nossas praias e oceanos. Vê como podes contribuir:

The Ocean Cleanup

Esta organização foi fundada por um rapaz holandês que, quando tinha 16 anos, inventou uma forma inovadora de limpar os oceanos. Hoje, em 2018, os protótipos já concluíram, com sucesso, as suas “expedições marítimas” e em breve começará a limpeza a sério. Link para as doações.

4 Ocean Cleanup

A 4Ocean Cleanup retira plástico do oceano e transforma-o em pulseiras para vender. E é através destas pulseiras que financiam as suas limpezas. Podes encontrar tudo sobre eles no site: www.4ocean.com.

Brigada do Mar

Este conjunto de heróis portugueses dedica-se à limpeza das nossas praias através de recolhas de lixo às quais qualquer pessoa se pode juntar. Durante os últimos anos já recolheram milhares de toneladas de plástico das nossas costas. Se te quiseres juntar, preenche este formulário e irás receber todas as novidades sobre a Brigada do Mar.

Runtastic & Adidas

Para todos os corredores deste Portugal, a Adidas em conjunto com a Runtastic está a promover o “Run for the Oceans”. Por cada km corrido com a aplicação a Adidas vai doar 1 dólar (até 1 milhão de dólares). E tu, já correste hoje? 😉 Para participar basta ter a aplicação e correr!

Os nossos hábitos

O plástico descartável faz inevitavelmente parte dos nossos hábitos. Basta ir a um supermercado, take away ou até a um bar. Está por todo o lado! Aqui estão alguns truques (fáceis!) que te vão ajudar a ajudar 😉

1 – Compra uma garrafa de água reutilizável. Deixa as garrafas de plástico comuns para trás e arranja uma para a vida! Na Decathlon, por exemplo, os preços são bastante acessíveis. E a água da torneira só nos torna mais rijos!

2 – Diz adeus às palhinhas de plástico. Eu sei que não parece muito apelativo beber um cocktail ou um smoothie sem palhinha, mas é por uma boa razão. De qualquer forma parece que o parlamente europeu quer acabar com elas e alternativas de cartão ou metal deverão estar a caminho.

3 – Evita os sacos dos frescos no supermercado. Quando compras só um item de fruta ou legumes no supermercado, como uma beringela, um cacho de bananas ou um pimento, não uses sacos. Pesa e põe o código de barras directamente em cima. Já agora, no supermercado, evita vegetais e fruta já embalados.

4 – Investe numa gillette. Esquece as gilettes descartáveis! Compra uma boa e dedica-te a construir uma relação duradoura de combate ao pêlo.

5 – Substitui o papel aderente por papel de alumínio. Assim, a tua comida ficará livre de contaminação.

6 – Renuncia à moda da food-delivery. Para além de evitares o consumo de embalagens, também evitas as emissões de carbono para a comida chegar até ti. Levanta esse rabo preguiçoso e vai para a cozinha!

7 – Apanha 3 peças de lixo do chão quando fores à praia e recicla-o.

8 – Esta não é plástico, mas… NÃO DEITES AS BEATAS DOS CIGARROS PARA O CHÃO!

Estás preparado/a para mudar?!!

Nota: Todas as imagens foram retiradas da internet.

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10 Lições aprendidas em 6 meses de viagem https://www.mudancasconstantes.com/2017/12/18/10-licoes-aprendidas-viagem/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=10-licoes-aprendidas-viagem https://www.mudancasconstantes.com/2017/12/18/10-licoes-aprendidas-viagem/#comments Mon, 18 Dec 2017 17:55:22 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=2492 Viajar não seria viajar se não aprendêssemos alguma coisa. E por muito cliché que pareça, há muito que é posto em perspectiva, há erros que não tinhas definitivamente planeado e vais conhecer as pessoas mais incríveis da tua vida, que passados dois dias vão estar no outro lado do mundo. Isto é o que eu aprendi a viajar sozinha: 1.  O mundo é um lugar melhor do que parece Pode parecer um pensamento muito ingénuo, mas quando viajas e não vês notícias parece que o mundo é o lugar mais maravilhoso que se pode imaginar. As pessoas são simpáticas em todo o lado, ajudam-te, sorriem… e é por isso que quando as me dizem que é perigoso viajar sou sempre a primeira a contestar. Para manter a segurança na “estrada” tem os mesmos cuidados que tens em casa, fala com as pessoas que vivem nos sítios por onde vais passar e tens tudo para te safares! 2. Um sorriso é a tua melhor arma É muito provável que nalguns países seja difícil de comunicar com os locais. Mas para além de ser sempre uma boa ideia aprender as palavras básicas de uma língua, também vais conseguir muito mais simpatia e ajuda por parte dos habitantes locais se sorrires. Por isso, mostra esses dentes! 3. Não marques tudo antecipadamente Eu tenho a mania de marcar e planear tudo ao detalhe antes de viajar. Mas passadas duas semanas já tinha percebido que não tinha sido a melhor ideia. Queria ficar mais tempo nalguns sítios e não podia por já ter marcado voos ou alojamento no próximo destino. Por isso, a minha recomendação é que tenhas um itinerário planeado, mas que também tenhas a flexibilidade de o adaptar às circunstâncias. 4. O teu banco é o teu pior inimigo Sabes quando estás anos a poupar dinheiro e depois o teu banco fica com 10% por causa de comissões de levantamento, taxas de câmbio e essas coisas todas fantásticas?! Se não viajares durante muito tempo aconselho-te a levar uma quantidade razoável em euros e trocar no destino (nunca no aeroporto), mas se viajares durante muito tempo pode ser boa ideia arranjar um Pre Paid Travel Card como o Skrill ou Revolut. Se soubesse destas opções antes tinha certamente arranjado um destes cartões. 5. Viajar sozinha/o devia ser a definição de liberdade As decisões são todas tuas, não há explicações a dar e portanto não há maior liberdade que esta. Também implica uma maior responsabilidade porque tens que planear tudo por ti, mas acordar às horas que queres, ver Nextflix quando queres e ler horas a fio sem ninguém te chatear… há melhor coisa que isto? 6. Vais conhecer demasiadas pessoas Os viajantes a solo atraem-se. Nalguns países somos uma espécie rara, noutros somos uma maioria. Mas viajar sozinho/a torna-te muito mais independente e começas a dizer “sim” a quase tudo. Vai chegar a um ponto que já conheceste tanta gente que às vezes até evitas algumas pessoas com medo de teres de contar a tua vida toda novamente. Uma coisa é certa, vai ser raro estares só por tua conta. 7. Podcasts são a melhor invenção de sempre Pela frente tens viagens de autocarro, comboio e avião que duram dezenas de horas. Tens caminhadas onde vais sofrer muito e ter uma distracção ajuda muito. Como tal, ouvir podcasts vai ser a tua salvação. Os meus preferidos e que me ajudaram a passar as horas intermináveis são: – Maluco Beleza – Sem Barbas na Língua – Mata Bicho – Governo Sombra Podes fazer download de todos em aplicações como iTunes ou PodcastAddict. 8. Certifica-te que sabes mesmo quando é que é o teu voo Isto parece ser daquelas lições mesmo básicas, mas não é. Depois de já ter voado dezenas de vezes, quase ia perdendo um dos meus voos porque estava marcado para a uma da manhã e eu pensei que seria na noite desse dia e não na madrugada. Lá percebi a tempo, mas tive que comprar um novo voo de ligação para apanhar este que quase ia à vida. Por isso, certifica-te sempre! 9. As prioridades redefinem-se Há coisas que damos por garantidas a nossa vida inteira e que desaparecem completamente quando viajamos para países mais pobres do que os nossos. Água quente? Esquece; Casas de banho sem baratas? Esquece; Electricidade a toda a hora? Esquece; Wifi? Esquece… Rapidamente percebi que a vida que tenho em Portugal é um luxo e um privilégio e que bem posso estar agradecida por isso. Por outro lado, o ser humano adapta-se muito rapidamente às circunstâncias, por isso nunca me senti particularmente desconfortável. 10. A tua vida numa mala Bens materiais deixam de fazer sentido. Quando consegues pôr tudo o que precisas numa mochila de 50 litros percebes que consegues viver com muito pouco. Moda, maquilhagem, secadores não interessam nada. Biquinis + Chinelas + Calções e Top está feito! E tu, o que é que aprendeste com as tuas viagens?

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Viajar não seria viajar se não aprendêssemos alguma coisa. E por muito cliché que pareça, há muito que é posto em perspectiva, há erros que não tinhas definitivamente planeado e vais conhecer as pessoas mais incríveis da tua vida, que passados dois dias vão estar no outro lado do mundo. Isto é o que eu aprendi a viajar sozinha:

1.  O mundo é um lugar melhor do que parece

Pode parecer um pensamento muito ingénuo, mas quando viajas e não vês notícias parece que o mundo é o lugar mais maravilhoso que se pode imaginar. As pessoas são simpáticas em todo o lado, ajudam-te, sorriem… e é por isso que quando as me dizem que é perigoso viajar sou sempre a primeira a contestar. Para manter a segurança na “estrada” tem os mesmos cuidados que tens em casa, fala com as pessoas que vivem nos sítios por onde vais passar e tens tudo para te safares!

2. Um sorriso é a tua melhor arma

É muito provável que nalguns países seja difícil de comunicar com os locais. Mas para além de ser sempre uma boa ideia aprender as palavras básicas de uma língua, também vais conseguir muito mais simpatia e ajuda por parte dos habitantes locais se sorrires. Por isso, mostra esses dentes!

3. Não marques tudo antecipadamente

Eu tenho a mania de marcar e planear tudo ao detalhe antes de viajar. Mas passadas duas semanas já tinha percebido que não tinha sido a melhor ideia. Queria ficar mais tempo nalguns sítios e não podia por já ter marcado voos ou alojamento no próximo destino. Por isso, a minha recomendação é que tenhas um itinerário planeado, mas que também tenhas a flexibilidade de o adaptar às circunstâncias.

4. O teu banco é o teu pior inimigo

Sabes quando estás anos a poupar dinheiro e depois o teu banco fica com 10% por causa de comissões de levantamento, taxas de câmbio e essas coisas todas fantásticas?! Se não viajares durante muito tempo aconselho-te a levar uma quantidade razoável em euros e trocar no destino (nunca no aeroporto), mas se viajares durante muito tempo pode ser boa ideia arranjar um Pre Paid Travel Card como o Skrill ou Revolut. Se soubesse destas opções antes tinha certamente arranjado um destes cartões.

5. Viajar sozinha/o devia ser a definição de liberdade

As decisões são todas tuas, não há explicações a dar e portanto não há maior liberdade que esta. Também implica uma maior responsabilidade porque tens que planear tudo por ti, mas acordar às horas que queres, ver Nextflix quando queres e ler horas a fio sem ninguém te chatear… há melhor coisa que isto?

6. Vais conhecer demasiadas pessoas

Os viajantes a solo atraem-se. Nalguns países somos uma espécie rara, noutros somos uma maioria. Mas viajar sozinho/a torna-te muito mais independente e começas a dizer “sim” a quase tudo. Vai chegar a um ponto que já conheceste tanta gente que às vezes até evitas algumas pessoas com medo de teres de contar a tua vida toda novamente. Uma coisa é certa, vai ser raro estares só por tua conta.

7. Podcasts são a melhor invenção de sempre

Pela frente tens viagens de autocarro, comboio e avião que duram dezenas de horas. Tens caminhadas onde vais sofrer muito e ter uma distracção ajuda muito. Como tal, ouvir podcasts vai ser a tua salvação.

Os meus preferidos e que me ajudaram a passar as horas intermináveis são:

Maluco Beleza
Sem Barbas na Língua
Mata Bicho
Governo Sombra

Podes fazer download de todos em aplicações como iTunes ou PodcastAddict.

8. Certifica-te que sabes mesmo quando é que é o teu voo

Isto parece ser daquelas lições mesmo básicas, mas não é. Depois de já ter voado dezenas de vezes, quase ia perdendo um dos meus voos porque estava marcado para a uma da manhã e eu pensei que seria na noite desse dia e não na madrugada. Lá percebi a tempo, mas tive que comprar um novo voo de ligação para apanhar este que quase ia à vida. Por isso, certifica-te sempre!

9. As prioridades redefinem-se

Há coisas que damos por garantidas a nossa vida inteira e que desaparecem completamente quando viajamos para países mais pobres do que os nossos. Água quente? Esquece; Casas de banho sem baratas? Esquece; Electricidade a toda a hora? Esquece; Wifi? Esquece… Rapidamente percebi que a vida que tenho em Portugal é um luxo e um privilégio e que bem posso estar agradecida por isso. Por outro lado, o ser humano adapta-se muito rapidamente às circunstâncias, por isso nunca me senti particularmente desconfortável.

10. A tua vida numa mala

Bens materiais deixam de fazer sentido. Quando consegues pôr tudo o que precisas numa mochila de 50 litros percebes que consegues viver com muito pouco. Moda, maquilhagem, secadores não interessam nada. Biquinis + Chinelas + Calções e Top está feito!

E tu, o que é que aprendeste com as tuas viagens?

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Desmistificados: 5 mitos sobre viajar sozinha https://www.mudancasconstantes.com/2017/11/21/5-mitos-viajar-sozinho-desmistificados/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=5-mitos-viajar-sozinho-desmistificados https://www.mudancasconstantes.com/2017/11/21/5-mitos-viajar-sozinho-desmistificados/#comments Tue, 21 Nov 2017 10:04:54 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=2313 Quando postas na mesma frase as palavras “viajar” e “sozinha” parece que há toda uma magia negra que se apodera de quem as lê ou ouve. O perigo, o medo, a solidão… de repente, o mundo é um lugar negro, cheio bichos papões. Mas muitas destas grandes preocupações são, na verdade, infundadas e a prova é que há muitas mulheres e homens a viajar sozinhos por todo o mundo e estão bem vivinhos e felizes da silva. Por isso, com este post, quero desmistificar alguns mitos sobre solo travelling, tanto para aqueles que querem arriscar mas têm receio como para aqueles que conhecem pessoas que vão viajar sozinhas e NÃO querem estragar-lhes a viagem com pensamentos aterrorizantes e irreais. Mito 1# – “Então, mas… vais sozinha?” A ideia de solidão parece assustar muito boa gente. Eu, sendo filha única, estou muito habituada a estar sozinha e fico muito feliz por ter tempo só para mim e para os meus pensamentos. Mas mesmo que não estivesse, não havia grande problema. Viajar sozinha é sinónimo de fazer amizades em todo o lado. Em viagens de autocarro, em hostels, em tours, em cursos de mergulho, nos sinais de trânsito, na fila para comprar bilhetes… literalmente em todo o lado. Várias vezes dei por mim a tentar não meter muita conversa porque queria estar sozinha! Ao viajar tornei-me muito mais independente e extrovertida, há uns anos era muito mais envergonhada. Por isso não te preocupes, o Mundo está à tua espera de braços abertos. Mito 2# – “Não tens medo? Eu cá tinha…” Sim, tenho medo. No dia antes de partir para uma viagem grande penso sempre “Onde é que me fui meter. Não vou conseguir fazer isto!” sabendo ao mesmo tempo que as probabilidades de tudo correr bem (com umas intoxicações alimentares pelo meio) são bastante grandes.  Mas não são estas dúvidas existenciais de última hora que me vão parar de viver os meus sonhos. Ter medo é normal, o ser humano sente-se desconfortável com o desconhecido e imprevisível. Mas e depois? Arriscar é viver! Mito 3# – “És mulher, vais ser assediada” Este mito só toca às mulheres e para mim é o mais irritante de todos. Só porque somos mulheres a viajar sozinhas parece que estão reunidas as condições perfeitas para sermos assediadas sexualmente ou violadas. A verdade é, que enquanto mulher, achei que as pessoas se preocupam muito mais com o nosso bem-estar e tentam ajudar sempre que possível. Para além disso ser mulher é “perigoso” em todo o mundo. Em nenhum lado podemos ficar bêbadas sozinhas ou andar em zonas particularmente mal iluminadas à noite. Infelizmente isto é universal e ao viajar tens que ter os mesmos cuidados que tens em todo o lado. Mito 4# – “Vais para [inserir destino não Europeu]. Olha que ouvi dizer que é perigoso” Este é o argumento preferido dos fans do “Presos no Estrangeiro” ou daqueles rankings incríveis que aparecem todos os anos sobre “Os países mais perigosos do mundo”. Claro que não recomendo ir para países com situações de guerra, mas generalizar que toda a América do Sul ou Central é perigosa por causa dos cartéis de droga ou que todo o continente Africano tem Malária é parvo. Ainda este ano viajei durante três semanas pelas Filipinas, de momento considerada um país perigoso, e em lugar nenhum vi sinais de alarme. Claro que não me fui meter na ilha dominada pelo Estado Islâmico, mas isso é uma questão de esperteza e de estar atento à actualidade. Assim sendo, as minhas recomendações são: lê vários meios, não acredites em tudo o que vês nos media, muita coisa é puro sensacionalismo e, se possível, fala com pessoas locais (Couchsurfing, Trip Advisor, etc…) que são muito mais úteis do que 90% dos meios de informação. E vê os Presos no Estrangeiro para não cometeres os mesmos erros parvos 😉 Mito 5# – “Meu Deus, deves ser rica” Este é um mito geral sobre pessoas que viajam muito. Como já escrevi neste post, viajar é muitas vezes uma escolha. Uma escolha entre um bilhete de avião e o bilhete para um festival, uma escolha entre uma noite num hostel ou uma mala nova, uma escolha entre um telemóvel topo de gama ou um mês no sudoeste asiático. Muitas vezes viajar implica sacrifícios a nível financeiro e até a nível da nossa vida social (não ir àquele restaurante ou àquele bar), mas do meu ponto de vista a recompensa vale a pena. Infelizmente os salários portugueses não são dos mais vantajosos para viajar – quando se sai da Europa percebe-se que o mundo das viagens é dominado por Alemães, Escandinavos, Holandeses, Franceses, Ingleses e Australianos – mas é possível. Simplesmente demoramos muito mais anos a poupar! É verdade que muitas vezes viajar a solo é mais caro do que a dois ou a três, mas também te dá mais flexibilidade e é mais fácil de encontrar hosts no Couchsurfing ou de pedir boleia. E pronto, estes são os mitos mais comuns que tenho encontrado e as frases que ouvi vezes sem conta antes de partir. E tu, quais são os melhores (ou mais irrealistas) mitos sobre viajar a solo que já ouviste? 🙂

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Quando postas na mesma frase as palavras “viajar” e “sozinha” parece que há toda uma magia negra que se apodera de quem as lê ou ouve. O perigo, o medo, a solidão… de repente, o mundo é um lugar negro, cheio bichos papões.

Mas muitas destas grandes preocupações são, na verdade, infundadas e a prova é que há muitas mulheres e homens a viajar sozinhos por todo o mundo e estão bem vivinhos e felizes da silva. Por isso, com este post, quero desmistificar alguns mitos sobre solo travelling, tanto para aqueles que querem arriscar mas têm receio como para aqueles que conhecem pessoas que vão viajar sozinhas e NÃO querem estragar-lhes a viagem com pensamentos aterrorizantes e irreais.

Mito 1# – “Então, mas… vais sozinha?”

A ideia de solidão parece assustar muito boa gente. Eu, sendo filha única, estou muito habituada a estar sozinha e fico muito feliz por ter tempo só para mim e para os meus pensamentos. Mas mesmo que não estivesse, não havia grande problema. Viajar sozinha é sinónimo de fazer amizades em todo o lado. Em viagens de autocarro, em hostels, em tours, em cursos de mergulho, nos sinais de trânsito, na fila para comprar bilhetes… literalmente em todo o lado.

Várias vezes dei por mim a tentar não meter muita conversa porque queria estar sozinha! Ao viajar tornei-me muito mais independente e extrovertida, há uns anos era muito mais envergonhada. Por isso não te preocupes, o Mundo está à tua espera de braços abertos.

Mito 2# – “Não tens medo? Eu cá tinha…”

Sim, tenho medo. No dia antes de partir para uma viagem grande penso sempre “Onde é que me fui meter. Não vou conseguir fazer isto!” sabendo ao mesmo tempo que as probabilidades de tudo correr bem (com umas intoxicações alimentares pelo meio) são bastante grandes.  Mas não são estas dúvidas existenciais de última hora que me vão parar de viver os meus sonhos.

Ter medo é normal, o ser humano sente-se desconfortável com o desconhecido e imprevisível. Mas e depois? Arriscar é viver!

Mito 3# – “És mulher, vais ser assediada”

Este mito só toca às mulheres e para mim é o mais irritante de todos. Só porque somos mulheres a viajar sozinhas parece que estão reunidas as condições perfeitas para sermos assediadas sexualmente ou violadas. A verdade é, que enquanto mulher, achei que as pessoas se preocupam muito mais com o nosso bem-estar e tentam ajudar sempre que possível.

Para além disso ser mulher é “perigoso” em todo o mundo. Em nenhum lado podemos ficar bêbadas sozinhas ou andar em zonas particularmente mal iluminadas à noite. Infelizmente isto é universal e ao viajar tens que ter os mesmos cuidados que tens em todo o lado.

Mito 4# – “Vais para [inserir destino não Europeu]. Olha que ouvi dizer que é perigoso”

Este é o argumento preferido dos fans do “Presos no Estrangeiro” ou daqueles rankings incríveis que aparecem todos os anos sobre “Os países mais perigosos do mundo”. Claro que não recomendo ir para países com situações de guerra, mas generalizar que toda a América do Sul ou Central é perigosa por causa dos cartéis de droga ou que todo o continente Africano tem Malária é parvo. Ainda este ano viajei durante três semanas pelas Filipinas, de momento considerada um país perigoso, e em lugar nenhum vi sinais de alarme. Claro que não me fui meter na ilha dominada pelo Estado Islâmico, mas isso é uma questão de esperteza e de estar atento à actualidade.

Assim sendo, as minhas recomendações são: lê vários meios, não acredites em tudo o que vês nos media, muita coisa é puro sensacionalismo e, se possível, fala com pessoas locais (Couchsurfing, Trip Advisor, etc…) que são muito mais úteis do que 90% dos meios de informação. E vê os Presos no Estrangeiro para não cometeres os mesmos erros parvos 😉

Mito 5# – “Meu Deus, deves ser rica”

Este é um mito geral sobre pessoas que viajam muito. Como já escrevi neste post, viajar é muitas vezes uma escolha. Uma escolha entre um bilhete de avião e o bilhete para um festival, uma escolha entre uma noite num hostel ou uma mala nova, uma escolha entre um telemóvel topo de gama ou um mês no sudoeste asiático. Muitas vezes viajar implica sacrifícios a nível financeiro e até a nível da nossa vida social (não ir àquele restaurante ou àquele bar), mas do meu ponto de vista a recompensa vale a pena.

Infelizmente os salários portugueses não são dos mais vantajosos para viajar – quando se sai da Europa percebe-se que o mundo das viagens é dominado por Alemães, Escandinavos, Holandeses, Franceses, Ingleses e Australianos – mas é possível. Simplesmente demoramos muito mais anos a poupar!

É verdade que muitas vezes viajar a solo é mais caro do que a dois ou a três, mas também te dá mais flexibilidade e é mais fácil de encontrar hosts no Couchsurfing ou de pedir boleia.

E pronto, estes são os mitos mais comuns que tenho encontrado e as frases que ouvi vezes sem conta antes de partir. E tu, quais são os melhores (ou mais irrealistas) mitos sobre viajar a solo que já ouviste? 🙂

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Escolher Viajar https://www.mudancasconstantes.com/2017/02/12/escolher-viajar/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=escolher-viajar https://www.mudancasconstantes.com/2017/02/12/escolher-viajar/#comments Sun, 12 Feb 2017 20:43:17 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=1357 Invariavelmente, quem viaja muito ouve sempre os comentários “como é que consegues?” “quem me dera” e “deves ser rico/a”. Com muita tristeza minha (ou não) não sou rica e as viagens que faço vêm de uma combinação de factores que vou apelidar: uma sorte do caraças e as escolhas que faço. Sorte do caraças Apesar de não ter nascido num berço de ouro, nasci no quarto país com o passaporte mais forte do mundo, que me permite chegar a 155 países sem burocracias nem muitas despesas. Nasci num país que entrou para o Euro o que me dá uma vantagem gigantesca a nível de poder de compra sobre quase todo o mundo. Nasci numa família de pessoas que gosta de viajar mesmo que seja a contar os cêntimos todos. Que me ensinou que não podia ter tudo o que queria para depois podermos fazer aquela(s) viagem todos os anos. Nasci em Lisboa, onde existe mais oferta de voos, e como sempre estudei por aqui, nunca tive grandes despesas para suportar. Tudo isto são factores fora do meu controlo, mas que tornam viajar nalgo bastante tangível. Sei que é um privilégio, mas já que tive essa sorte vou aproveitá-la ao máximo. Mas a vida não é só feita de sorte e é daí que vêm as escolhas que, acredites ou não, vão ser o que mais influencia as tuas viagens. Escolhas que faço Existem dois tipos de escolhas no que toca a viajar: a escolha de poupar em tudo e mais alguma coisa para poder realizar a viagem e a forma como viajas. “Grão a grão, enche a galinha o papo” Reza a lenda que sempre fui de poupança voraz. Nunca fui particularmente boa a gastar dinheiro em coisas porque sempre achei que nada muito pouco me faz falta (e continuo assim). Quando era mais miúda o dinheiro que recebia ou poupava ou ia para livros. Agora o dinheiro que recebo para além de pagar as minhas despesas pessoais tem um outro destino: as viagens. O processo não é muito difícil: para quase toda a decisão de compra que tenho que fazer penso “isto dava um bilhete para… Quatro noites num hostel em… 10 refeições na…“. E isso faz-me comprar quase só o estritamente necessário. Se tens que mudar o teu estilo de vida? Provavelmente sim. Se estás disposto/a a fazer isso para viajar? Isso já é contigo. As minhas dicas ficam aqui: Esquece roupas novas, sapatos, malas, maquilhagem e unhas de gel, concertos, cinema… Até livros. Bem, como é óbvio, para poupar dinheiro é preciso não o gastar! Isso envolve abdicar de comprar tudo o que não é essencial à sobrevivência. É claro que não precisas de morrer para a vida, existem sempre alternativas como bibliotecas, Pirate Bay, concertos gratuitos, jantares em casa de amigos… Quanto a bens materiais, quanto menos tiveres melhor, porque uma mochila de viagem não pode ir muito pesada 😉 2. Leva todas as refeições para o emprego/faculdade e reduz os jantares fora Cinco euros por dia, 5 dias por semana, 4 semanas por mês dá 100 euros. Mais o pastel de nata, o pão-de-leite com fiambre e os cafés dá um total de 150 euros por mês ou mais num instante. E isto é se conseguires almoçar por 5 euros! Por isso toca a duplicar as quantidades do jantar, a encher o congelador e a pegar na bela da marmita. 3. Diz olá aos transportes públicos! Se fores tão naba/o como eu que tenho medo de conduzir, isto nem é uma mudança, é só o dia-a-dia. Em Lisboa, andar de transportes públicos custa 36 euros por mês, o que é algo como meio depósito (???). Eu sei que os transportes são uma merda, mas também são uma forma de fazeres mais exercício, ficares com um sistema imunitário mais forte, de aumentares a tua capacidade de meditação enquanto espera 20 minutos pelo próximo autocarro e de te cruzares com pessoas loucas de vez em quando. Mmmm quem é que disse que não era espectacular? 4. Vende o que já não precisas OLX, Cash Converters, Feira da Ladra, amigos… podes sempre aproveitar para fazer algum dinheirinho extra e vender coisas que já não usas ou precisas. Diz-me como viajas, dir-te-ei quanto gastas As tuas escolhas durante o planeamento e durante a viagem em si vão ser, provavelmente, os maiores determinantes na quantidade de dinheiro que gastas. Dou-te um exemplo: em 2012 fiz um Interrail de 25 dias na Europa. Gastei 1100 euros incluindo todos os transportes, alojamento, refeições, museus, etc. O ano passado fui a nova Iorque e em 10 dias gastei 1000 euros sem avião e quase sem alojamento. É claro que o destino influencia a coisa, mas a enquanto durante o Interrail só comi fora nos sítios que eram verdadeiramente baratos (Budapeste e Cracóvia), cozinhei todos os dias no hostel e nunca fui sair à noite em nova Iorque foi o oposto. E acredita, a diferença é gigante. Por isso, aqui ficam as minhas dicas para viajar com pouco: O destino: A escolha do destino é um dos factores mais influentes do preço da tua viagem. Um quarto em Nova Iorque num hostel custa 55 euros por noite. No Camboja custa 3 euros por noite. Um bilhete de avião para a Austrália são quase 1000 euros, por esse valor consegues viajar um mês na europa. Neste link tens algumas ideias quanto aos destinos mais baratos. O tempo: O tempo que tens disponível pode ajudar na redução de custos. Viajar de camioneta ou comboio em vez de avião, datas mais flexíveis permitem-te viajar em época baixa e encontrares aquele voo abaixo do preço médio… Também te permite optares por fazer voluntariado ou trabalhares num hostel a troco de cama e comida, por exemplo. Tours organizadas vs going solo: As agências de viagem tradicionais dão-me um bocado de comichão porque já trabalhei numa e sei que põe 30 ou 40% de comissão em tudo. Bem sei que têm acordos privilegiados com companhias aéreas e hotéis, mas salvo raras excepções acho que não compensa minimamente (para além da falta de flexibilidade). Por outro lado, as agências de viagem locais às vezes têm tours a sítios só acessíveis com carro e podem ser um bom método para escapar ao stress do aluguer e de relaxar por um dia ou dois sem termos que nos preocupar com planeamentos. Hoje em dia já existem algumas agências para o segmento backpacker que proporcionam viagens a preços acessíveis. Recomendo-te a procurares sempre por opiniões no Tripadvisor e Facebook antes de fazeres a tua escolha. Por fim deixo outras ideias em cima da mesa como: couchsurfing, fazer as tuas próprias refeições com comida comprada no supermercado ou optar por streetfood, pesquisar quais são os monumentos de entrada livre (ou quais os dias de entrada grátis), andar a pé, etc, etc! Para outras ideias e sugestões deixo-te a Bibliografia do Viajante que compila todas as melhores dicas para viagens low cost onde podes encontrar formas de não pagar por alojamento durante semanas ou meses. Como podes ver, viajar pode ser mais do que um sonho, pode ser uma escolha. Do que é que estás à espera para começar a planear a tua?

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Invariavelmente, quem viaja muito ouve sempre os comentários “como é que consegues?” “quem me dera” e “deves ser rico/a”. Com muita tristeza minha (ou não) não sou rica e as viagens que faço vêm de uma combinação de factores que vou apelidar: uma sorte do caraças e as escolhas que faço.

Sorte do caraças

Apesar de não ter nascido num berço de ouro, nasci no quarto país com o passaporte mais forte do mundo, que me permite chegar a 155 países sem burocracias nem muitas despesas. Nasci num país que entrou para o Euro o que me dá uma vantagem gigantesca a nível de poder de compra sobre quase todo o mundo. Nasci numa família de pessoas que gosta de viajar mesmo que seja a contar os cêntimos todos. Que me ensinou que não podia ter tudo o que queria para depois podermos fazer aquela(s) viagem todos os anos. Nasci em Lisboa, onde existe mais oferta de voos, e como sempre estudei por aqui, nunca tive grandes despesas para suportar.

Tudo isto são factores fora do meu controlo, mas que tornam viajar nalgo bastante tangível. Sei que é um privilégio, mas já que tive essa sorte vou aproveitá-la ao máximo.

Mas a vida não é só feita de sorte e é daí que vêm as escolhas que, acredites ou não, vão ser o que mais influencia as tuas viagens.

Escolhas que faço

Existem dois tipos de escolhas no que toca a viajar: a escolha de poupar em tudo e mais alguma coisa para poder realizar a viagem e a forma como viajas.

“Grão a grão, enche a galinha o papo”

Reza a lenda que sempre fui de poupança voraz. Nunca fui particularmente boa a gastar dinheiro em coisas porque sempre achei que nada muito pouco me faz falta (e continuo assim). Quando era mais miúda o dinheiro que recebia ou poupava ou ia para livros. Agora o dinheiro que recebo para além de pagar as minhas despesas pessoais tem um outro destino: as viagens.

O processo não é muito difícil: para quase toda a decisão de compra que tenho que fazer penso “isto dava um bilhete para… Quatro noites num hostel em… 10 refeições na…“. E isso faz-me comprar quase só o estritamente necessário.

Se tens que mudar o teu estilo de vida? Provavelmente sim. Se estás disposto/a a fazer isso para viajar? Isso já é contigo. As minhas dicas ficam aqui:

  1. Esquece roupas novas, sapatos, malas, maquilhagem e unhas de gel, concertos, cinema… Até livros.

Bem, como é óbvio, para poupar dinheiro é preciso não o gastar! Isso envolve abdicar de comprar tudo o que não é essencial à sobrevivência. É claro que não precisas de morrer para a vida, existem sempre alternativas como bibliotecas, Pirate Bay, concertos gratuitos, jantares em casa de amigos… Quanto a bens materiais, quanto menos tiveres melhor, porque uma mochila de viagem não pode ir muito pesada 😉

2. Leva todas as refeições para o emprego/faculdade e reduz os jantares fora

Cinco euros por dia, 5 dias por semana, 4 semanas por mês dá 100 euros. Mais o pastel de nata, o pão-de-leite com fiambre e os cafés dá um total de 150 euros por mês ou mais num instante. E isto é se conseguires almoçar por 5 euros! Por isso toca a duplicar as quantidades do jantar, a encher o congelador e a pegar na bela da marmita.

3. Diz olá aos transportes públicos!

Se fores tão naba/o como eu que tenho medo de conduzir, isto nem é uma mudança, é só o dia-a-dia. Em Lisboa, andar de transportes públicos custa 36 euros por mês, o que é algo como meio depósito (???). Eu sei que os transportes são uma merda, mas também são uma forma de fazeres mais exercício, ficares com um sistema imunitário mais forte, de aumentares a tua capacidade de meditação enquanto espera 20 minutos pelo próximo autocarro e de te cruzares com pessoas loucas de vez em quando. Mmmm quem é que disse que não era espectacular?

4. Vende o que já não precisas

OLX, Cash Converters, Feira da Ladra, amigos… podes sempre aproveitar para fazer algum dinheirinho extra e vender coisas que já não usas ou precisas.

Diz-me como viajas, dir-te-ei quanto gastas

As tuas escolhas durante o planeamento e durante a viagem em si vão ser, provavelmente, os maiores determinantes na quantidade de dinheiro que gastas. Dou-te um exemplo: em 2012 fiz um Interrail de 25 dias na Europa. Gastei 1100 euros incluindo todos os transportes, alojamento, refeições, museus, etc. O ano passado fui a nova Iorque e em 10 dias gastei 1000 euros sem avião e quase sem alojamento. É claro que o destino influencia a coisa, mas a enquanto durante o Interrail só comi fora nos sítios que eram verdadeiramente baratos (Budapeste e Cracóvia), cozinhei todos os dias no hostel e nunca fui sair à noite em nova Iorque foi o oposto. E acredita, a diferença é gigante.

Por isso, aqui ficam as minhas dicas para viajar com pouco:

O destino: A escolha do destino é um dos factores mais influentes do preço da tua viagem. Um quarto em Nova Iorque num hostel custa 55 euros por noite. No Camboja custa 3 euros por noite. Um bilhete de avião para a Austrália são quase 1000 euros, por esse valor consegues viajar um mês na europa. Neste link tens algumas ideias quanto aos destinos mais baratos.

O tempo: O tempo que tens disponível pode ajudar na redução de custos. Viajar de camioneta ou comboio em vez de avião, datas mais flexíveis permitem-te viajar em época baixa e encontrares aquele voo abaixo do preço médio… Também te permite optares por fazer voluntariado ou trabalhares num hostel a troco de cama e comida, por exemplo.

Tours organizadas vs going solo: As agências de viagem tradicionais dão-me um bocado de comichão porque já trabalhei numa e sei que põe 30 ou 40% de comissão em tudo. Bem sei que têm acordos privilegiados com companhias aéreas e hotéis, mas salvo raras excepções acho que não compensa minimamente (para além da falta de flexibilidade). Por outro lado, as agências de viagem locais às vezes têm tours a sítios só acessíveis com carro e podem ser um bom método para escapar ao stress do aluguer e de relaxar por um dia ou dois sem termos que nos preocupar com planeamentos.

Hoje em dia já existem algumas agências para o segmento backpacker que proporcionam viagens a preços acessíveis. Recomendo-te a procurares sempre por opiniões no Tripadvisor e Facebook antes de fazeres a tua escolha.

Por fim deixo outras ideias em cima da mesa como: couchsurfing, fazer as tuas próprias refeições com comida comprada no supermercado ou optar por streetfood, pesquisar quais são os monumentos de entrada livre (ou quais os dias de entrada grátis), andar a pé, etc, etc!

Para outras ideias e sugestões deixo-te a Bibliografia do Viajante que compila todas as melhores dicas para viagens low cost onde podes encontrar formas de não pagar por alojamento durante semanas ou meses.

Como podes ver, viajar pode ser mais do que um sonho, pode ser uma escolha. Do que é que estás à espera para começar a planear a tua?

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“Não quero ter filhos” – disse ela sem pensar! https://www.mudancasconstantes.com/2017/01/04/nao-quero-ter-filhos-disse-ela-sem-pensar/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=nao-quero-ter-filhos-disse-ela-sem-pensar https://www.mudancasconstantes.com/2017/01/04/nao-quero-ter-filhos-disse-ela-sem-pensar/#respond Wed, 04 Jan 2017 22:21:05 +0000 https://mudancasconstantes.wordpress.com/?p=1187 Passo a explicar: Desde que me lembro que digo que não quero ter filhos, o que, apesar de ser o que eu penso e sinto, está longe de ser uma coisa boa para se afirmar. As mulheres adquiriram o direito de votar, de ter lugares no parlamento, de terem cargos nos quadros superiores. De se divorciarem, de saírem do país sem a autorização de um homem e a diferença de salários já foi maior. Mas ainda não adquiriram o direito de dizerem que não querem ter filhos. Quem acha que sim, claramente nunca se deparou com a quantidade de argumentos entre o hilariante e deprimente que a sociedade utiliza para descredibilizar esta (não) vontade. Como me interesso por este assunto – para além do que já ouvi e ainda vou ouvir – também leio os comentários nas redes sociais e meios de comunicação cada vez que sai um artigo sobre este assunto. E posso dizer que só não choro, porque a maior parte dos argumentos tem uma lógica tão miserável que mais vale rir. Como pessoa que não quer ter filhos, fica aqui o meu ponto de vista sobre os “argumentos” utilizados para culpabilizar as mulheres com a mesma opinião/decisão que a minha. 1) “ah, és muito nova… Vais ver que ainda vais mudar” (mais frequente). Oiço esta desde os meus 13/14 e cá me mantenho igual. Não é por 10 anos a ouvir a mesma coisa que mudei. Para além disso, até podem ter razão quando dizem que ainda sou nova e eventualmente posso mudar de opinião (bate na madeira) mas eu também não costumo dizer às pessoas que querem dizem que querem ter filhos “ah, parvoíce! És tão nova, ainda vais mudar de opinião!”. Não é simpático pois não? É só parvo acharmos que temos mais razão quanto às vontades dos outros do que eles próprios. “Sabes… eu tenho uma amiga que dizia isso e agora tem 4!” Esta é uma derivação da primeira porque tenta provar o ponto de “tu não sabes o que dizes e vais mudar de ideias”. Mas a ideia é: eu não sou a tua amiga e portanto o que aconteceu com a vida dela não tem que acontecer com a minha. 2) “Isso é tão egoísta! “ Esta é boa! Normalmente as pessoas dizem que não querer ter um filho é egoísta porque só estás a pensar em ti própria. Não sei bem em mais quem é que havia de estar a pensar, já que a vida é minha, mas pronto. Quanto ao argumento “tens que contribuir para a natalidade”, este também é de grande raciocínio quando o mundo tem 7 mil milhões de pessoas e não tem recursos para as sustentar, o futuro parece tudo menos risonho para as próximas gerações. Ups, queres ver que isto de não ter filhos até é altruísta? 😉 3) “E quem é que vai cuidar de ti quando fores mais velha”. Entretanto acho que esta coisa do egoísmo já deu uma volta de 180 graus. A mim, egoísmo parece-me por uma criança neste mundo só por medo de vir a ficar sozinha quando for mais velha. Tal como gostaria de nunca ter ninguém a depender de mim, também odiaria obrigar uma pessoa de quem gostasse a cuidar de mim. 4) “Ter um filho é a melhor coisa do mundo”. Acredito piamente que para algumas pessoas isto seja verdade e que existem mulheres e homens que nunca se sentiriam completos sem ter filhos. Mas isso não tem que ser a regra! É como eu tentar convencer toda gente que viajar é a melhor coisa do mundo e que todos deviam fazê-lo para o resto da vida. Lá porque é o que eu sinto e o que eu quero, não quer dizer que toda a gente seja igual (Felizmente!!!) 5) “Coitados dos teus pais” Os meus pais são uns bacanos e já aceitaram que se quiserem ter netinhos vão ter que os adoptar. Para além disso, têm consciência de que a vida é minha e querem é que eu seja feliz, por isso pouco lhes interessa se me caso ou não ou se tenho filhos ou não. Só ficam mesmo preocupados quando vou viajar durante muito tempo 😀 6) “As mulheres nasceram para ser mães” Continua-se a esperar que as mulheres nalguma fase das suas vidas oiçam o tic-tac que é o seu relógio biológico e que fiquem loucas por conceber um rebento. Mas acho que é um bocadinho redutor pensar que a maior conquista na vida de alguém é procriar – uma coisa que qualquer animal racional ou irracional consegue fazer. No entanto, criar um ser humano decente e com princípios, isso já começa a ser uma obra-prima. Mas a resposta ao “porquê???” de não querer ser básica é simples: 1 – não gosto de crianças (oh meu deus matem-me já); 2 – não consigo sequer conceber a ideia de ter alguém dependente de mim por mais de 20 anos; 3 – o que eu nasci para fazer é viajar e inventar cenas (a.k.a publicidade). Por isso, a minha questão é: Porquê criar uma pressão gigante sobre as mulheres para terem filhos quando isso é um assunto que respeita a cada uma e a mais ninguém. Alguém acha mesmo que pôr uma criança neste mundo só porque biologicamente temos essa opção é um motivo lógico? A resposta não podia ser mais simples: quem quer, quer. Quem não quer não quer 😉

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Passo a explicar:

Desde que me lembro que digo que não quero ter filhos, o que, apesar de ser o que eu penso e sinto, está longe de ser uma coisa boa para se afirmar. As mulheres adquiriram o direito de votar, de ter lugares no parlamento, de terem cargos nos quadros superiores. De se divorciarem, de saírem do país sem a autorização de um homem e a diferença de salários já foi maior. Mas ainda não adquiriram o direito de dizerem que não querem ter filhos.

Quem acha que sim, claramente nunca se deparou com a quantidade de argumentos entre o hilariante e deprimente que a sociedade utiliza para descredibilizar esta (não) vontade. Como me interesso por este assunto – para além do que já ouvi e ainda vou ouvir – também leio os comentários nas redes sociais e meios de comunicação cada vez que sai um artigo sobre este assunto. E posso dizer que só não choro, porque a maior parte dos argumentos tem uma lógica tão miserável que mais vale rir.

Como pessoa que não quer ter filhos, fica aqui o meu ponto de vista sobre os “argumentos” utilizados para culpabilizar as mulheres com a mesma opinião/decisão que a minha.

1) “ah, és muito nova… Vais ver que ainda vais mudar” (mais frequente).

Oiço esta desde os meus 13/14 e cá me mantenho igual. Não é por 10 anos a ouvir a mesma coisa que mudei. Para além disso, até podem ter razão quando dizem que ainda sou nova e eventualmente posso mudar de opinião (bate na madeira) mas eu também não costumo dizer às pessoas que querem dizem que querem ter filhos “ah, parvoíce! És tão nova, ainda vais mudar de opinião!”. Não é simpático pois não? É só parvo acharmos que temos mais razão quanto às vontades dos outros do que eles próprios.

  • “Sabes… eu tenho uma amiga que dizia isso e agora tem 4!”

Esta é uma derivação da primeira porque tenta provar o ponto de “tu não sabes o que dizes e vais mudar de ideias”. Mas a ideia é: eu não sou a tua amiga e portanto o que aconteceu com a vida dela não tem que acontecer com a minha.

2) “Isso é tão egoísta! “

Esta é boa! Normalmente as pessoas dizem que não querer ter um filho é egoísta porque só estás a pensar em ti própria. Não sei bem em mais quem é que havia de estar a pensar, já que a vida é minha, mas pronto. Quanto ao argumento “tens que contribuir para a natalidade”, este também é de grande raciocínio quando o mundo tem 7 mil milhões de pessoas e não tem recursos para as sustentar, o futuro parece tudo menos risonho para as próximas gerações. Ups, queres ver que isto de não ter filhos até é altruísta? 😉

3) “E quem é que vai cuidar de ti quando fores mais velha”.

Entretanto acho que esta coisa do egoísmo já deu uma volta de 180 graus. A mim, egoísmo parece-me por uma criança neste mundo só por medo de vir a ficar sozinha quando for mais velha. Tal como gostaria de nunca ter ninguém a depender de mim, também odiaria obrigar uma pessoa de quem gostasse a cuidar de mim.

4) “Ter um filho é a melhor coisa do mundo”.

Acredito piamente que para algumas pessoas isto seja verdade e que existem mulheres e homens que nunca se sentiriam completos sem ter filhos. Mas isso não tem que ser a regra! É como eu tentar convencer toda gente que viajar é a melhor coisa do mundo e que todos deviam fazê-lo para o resto da vida. Lá porque é o que eu sinto e o que eu quero, não quer dizer que toda a gente seja igual (Felizmente!!!)

5) “Coitados dos teus pais”

Os meus pais são uns bacanos e já aceitaram que se quiserem ter netinhos vão ter que os adoptar. Para além disso, têm consciência de que a vida é minha e querem é que eu seja feliz, por isso pouco lhes interessa se me caso ou não ou se tenho filhos ou não. Só ficam mesmo preocupados quando vou viajar durante muito tempo 😀

6) “As mulheres nasceram para ser mães”

Continua-se a esperar que as mulheres nalguma fase das suas vidas oiçam o tic-tac que é o seu relógio biológico e que fiquem loucas por conceber um rebento. Mas acho que é um bocadinho redutor pensar que a maior conquista na vida de alguém é procriar – uma coisa que qualquer animal racional ou irracional consegue fazer. No entanto, criar um ser humano decente e com princípios, isso já começa a ser uma obra-prima.

Mas a resposta ao “porquê???” de não querer ser básica é simples: 1 – não gosto de crianças (oh meu deus matem-me já); 2 – não consigo sequer conceber a ideia de ter alguém dependente de mim por mais de 20 anos; 3 – o que eu nasci para fazer é viajar e inventar cenas (a.k.a publicidade).

Por isso, a minha questão é: Porquê criar uma pressão gigante sobre as mulheres para terem filhos quando isso é um assunto que respeita a cada uma e a mais ninguém. Alguém acha mesmo que pôr uma criança neste mundo só porque biologicamente temos essa opção é um motivo lógico?

A resposta não podia ser mais simples: quem quer, quer. Quem não quer não quer 😉

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