Alfacinha germinada e cultivada num cantinho à beira mar plantado, a Inês tem uma certa inquietação que não a deixa ficar muito tempo tempo no mesmo sítio. Fez Erasmus em Paris, trabalhou em Istambul e em Portugal, fez um mestrado em Creative Advertising em Milão e agora trabalha no Reino Unido. Viajar, criatividade, cozinhar, dançar e ler são algumas das suas paixões. A combinação de algumas delas deu origem a este blog, o Mudanças Constantes. Bem-vindos!

  • Inglaterra

    A cinzenta e tradicional Inglaterra dos filmes

    Já se sabe que o clima está longe de ser a melhor qualidade de Inglaterra. Nunca está extremamente frio nem quente, não há tempestades e as chuvas torrenciais são raras. Há uma expressão muito inglesa que descreve lindamente o tempo nesta ilha geograficamente mal posicionada: lukewarm. Em português, morno, lukewarm é um estado de indiferença, de desinteresse no qual Inglaterra se mergulha durante mais ou menos nove meses por ano. Não querendo atender ao pedido de “bom tempo” por parte da minha mãe, Inglaterra mostrou-se tal e qual como é durante o nosso fim-de-semana de passeio pelos Cotswolds e Bath. Vendo o copo meio cheio, Inglaterra tem um certo encanto…

  • Uzbequistão

    Samarkand e a visita do presidente

    Se achas que o Marcelo é popular, é porque nunca viste o presidente do Uzbequistão, aquilo sim é pompa e circunstância. Conseguimos chegar a Samarkand durante os ensaios para o festival de música e dança mais importante do ano, o Sharq Taronalari e quando há visita do presidente à mistura estes meninos não brincam em serviço: o Registan estava oficialmente fechado e nem as centenas de turistas desapontados e com cara de cãezinhos abandonados à porta os fizeram abrir uma excepção. O Registan é só o monumento mas importante do Uzbequistão e nós conseguimos acertar nos únicos dias do ano em que não estava aberto. Ainda fizemos três tentativas de…

  • Uzbequistão

    Bukhara: nós vs. o pôr-do-sol

    De todas as cidades que tínhamos escolhido visitar no Uzbequistão, Bukhara era aquela onde íamos passar menos tempo; os horários dos comboios assim o ditaram. Contudo, mesmo sabendo que ia ser uma correria, não podíamos deixar a cidade mais sagrada da Ásia Central para trás. Às três da tarde chegámos à estação de comboio de Bukhara para mais uma recepção calorosa por parte de 20 taxistas, que desta vez desapontámos por já termos marcado transporte com a guesthouse. A contagem decrescente das cinco horas de sol que nos restavam tinha oficialmente começado. Por muito que quiséssemos começar a correr quilómetros os nossos estômagos arrastaram-nos para a tasca recomendada pelo dono…

  • Uzbequistão

    Khiva: no epicentro da rota da seda

    O frio e o vento que se faziam sentir no Quirguistão empurraram-nos para o seu vizinho mais quentinho: o Uzbequistão. Esta decisão de última hora obrigou-me a preparar nalgumas horas um itinerário de cinco dias num país sobre o qual pouco (ou nada) sabia. Valha-nos os blogues de viagens e o santo Google Maps e em menos de nada tínhamos escolhido as quatro cidades que queríamos visitar. Estava na altura de começar a marcar coisas! Íamos aterrar em Tashkent – possivelmente a capital com o melhor nome de sempre – e nessa noite ainda tínhamos que apanhar um comboio para o lado oposto do país, Urgench, de onde seguiríamos para…

  • Quirguistão

    Song Kol e a vida nómada no Quirguistão

    Um dos maiores propulsores da minha viagem ao Quirguistão foi a possibilidade de contactar com uma cultura nómada. Este cantinho perdido no meio da Ásia Central é conhecido, entre viajantes, como um dos lugares mais acessíveis do mundo para aprender como é viver sem raízes assentes no chão. Depois de termos testemunhado o quão impiedoso o tempo no Quirguistão pode ser, mesmo no pico do verão, foi fácil perceber o porquê deste povo se conservar nómada. No verão, as planícies a grandes altitudes são atractivas tanto para o turismo como para a o gado e as famílias quirguizes montam os seus acampamentos de yurts em lugares bonitos, mas que nos…

  • Call for Inspiration

    [EN] Cycling Cape 2 Cape: Into the heart of Africa

    I think it’s safe to say that these guys have super powers. By now they are sort of a “Malariamen” who have survived the virus at least four or five times and, somehow, managed to keep cycling through some of the least developed countries in the world where roads are practically mud. Since we last met – and I apologize for the long hiatus on this series of interviews – Adi and Fabian cycled Senegal, The Gambia, Guinea-Bissau, Guinea, Sierra Leone, Liberia, Côte d’Ivoire, Ghana, Togo and are currently in Benin. Following them is not only great to increase my knowledge of African geography (can’t wait to play Trivial Pursuit…

  • Quirguistão

    Köl-Suu: beleza com dor se paga

    Quando marcamos férias em Agosto não estamos bem à espera de enfrentar neve, ventos cortantes e um frio que nos gela até ao tutano. Para mal dos nossos pecados o Inverno do Quirguistão decidiu estrear-se mais cedo este ano e como tal lá tivemos que aguentar os cavalos (literalmente) e aproveitar, em hipotermia, os fabulosos lugares onde nos encontrávamos. Como sobrevivemos parece que valeu a pena, mas comecemos pelo princípio, que este dia até amanheceu com temperaturas positivas. +5º Celcius: Lago Chatyr e um aceno à China Levantámo-nos com a mesma roupa que tínhamos usado durante todo o dia anterior e não ousámos sequer pensar em mudá-la. Depois de sentirmos…

  • Quirguistão

    Tash Rabat: nos confins de um país nos confins do mundo

    Numa viagem em que tudo depende do tempo e onde o tempo é tudo menos previsível, manter os planos em aberto é a chave. O Quirguistão é um dos países mais montanhosos do mundo (com uma elevação média de 3000 metros!) e portanto aquela velha máxima das “quatro estações num dia” não podia ser mais verdade, sendo que a estação Inverno tem primazia sobre as outras. A previsão de chuva para a nossa caminha de três dias ao lago Ala-Kul desfez o meu belo plano de Excel e trocou-nos as voltas. Pondo todas as opções em cima da mesa decidimos atravessar o país de norte a sul num dia, de…

  • Cazaquistão

    Lagos Kolsai e Kaindy: o sul do Cazaquistão numa corrida contra o tempo (2/2)

    No nosso segundo dia de exploração tínhamos em mãos uma tarefa epopeica: ver três lagos num dia e ainda voltar a Almaty. E se as epopeias costumavam começar em barcos, a nossa começou num jipe dos tempos soviéticos que ameaçava desfazer-se todo a qualquer momento. As árvores afundadas de Kaindy Meia hora de centrifugadora soviética depois e chegámos ao início da pequena caminhada que nos ia levar até ao lago mais cobiçado do Cazaquistão. Para quem não sabe, o Lago de Kaindy é conhecido pelas suas “árvores afundadas”. O lago formou-se por causa de um deslizamento de terras desencadeado por um forte tremor de terra em 1911. Onde antes passava…

  • Cazaquistão

    Charyn Canyon: o sul do Cazaquistão numa corrida contra o tempo (1/2)

    O Cazaquistão nunca fez parto do plano original de viagem, inicialmente o nosso destino era só um: o Quirguistão. Em duas semanas, parecia impossível enfrentar também o nono maior país do mundo, mas os preços dos voos para Almaty eram consideravelmente mais baratos do que para Bishkek – viemos a descobrir que é por esta razão que a maioria das pessoas acaba por visitar o sul do Cazaquistão – e decidimos que mal por mal íamos dedicar dois dias a explorar o melhor da zona. Depois de muito ler, percebi que para viajar de forma independente iriamos precisar de muito mais tempo do que o que tínhamos e que juntarmo-nos…