Inglaterra

Whitstable & Brighton: desconfinando à beira mar

Março 2021
Passaram-se cinco meses desde a última vez que não era ilegal fazer uma viagem de comboio só para ir passear. Durante esses meses prometi a mim própria que a minha primeira saída pós confinamento seria para ver o mar.

Quando o dia chegou, ignorei o facto de estarem cinco graus de máxima, nuvens e um vento cortante e apanhei um comboio até Whitstable. Posso dizer que até ver um mar entre o castanho e o cinzento me fez feliz!

Whitstable: uma refeição para a história

Contrariamente à maioria das cidades e vilas costeiras inglesas, Whitstable não se tornou num parque de diversões para adultos e conserva uma atmosfera muito tradicional. Como é costume, tem uma High Street onde se concentram lojas, supermercados e os mais preciosos “restaurantes” de Whitstable: as chip shops.

Acho que deve estar escrito algures na constituição inglesa que é obrigatório comer Fish and Chips quando se visita uma vila costeira. Se não está mais valia; não há ninguém que não o faça (ou que não o recomende). Como chegámos cedo, não conseguimos conceber a ideia de comer fritos com fritos àquela hora e decidimos ir dar o nosso passeio antes de estimularmos os níveis de colesterol do nosso corpo.

Os ventos poucos convidativos levaram-nos a enveredar pelas ruas interiores de Whitstable até ganharmos coragem de ir ver o mar. E foi aqui que Whitstable nos surpreendeu, com as suas cores, arquitectura, detalhes inesperados e ruas fotogénicas.

Já à beira mar, Whistable conquista-nos pelas suas barraquinhas coloridas que aguardam por dias mais soalheiros para acolher os banhistas.

Com os dedos das mãos e pés a passar para um branco defunto estava na hora de nos atirarmos à grande especialidade que é o Fish & Chips pela primeira vez na vida.

Passaram quase três anos desde que estou no Reino Unido sem provar uma única dose de Fish & Chips, mas ao menos quando foi, foi como deve ser. Apesar de terem sido mais de muitas as pessoas que me recomendaram esta iguaria britânica, ninguém me avisou que nos é servido praticamente um peixe inteiro que precisa de um estômago bem esfomeado para o receber. É daquelas refeições que são boas no lugar certo, à hora certa, mas que depois de acabar se pensa “agora só repito daqui a seis meses”. Ah, e por “lugar certo” entenda-se o beco mais resguardado da briza marítima possível.

Foi nesta altura que o frio nos venceu e voltámos para a estação de comboio. Ainda passámos pelo supermercado para comprar um smoothies para desenjoar…

Estava oficialmente aberta a época dos passeios!

Brighton: a cidade das festas, adormecida

Brighton é internacionalmente conhecida pelas suas festas, bares, discotecas e “cena” LGBT. Com todas as restrições em vigor, o centro de Brighton era uma sombra de si mesmo, mas para compensar o mar e o céu azul estavam no seu sítio e não eram poucas as pessoas que caminhavam, tal como eu, à beira mar para descomprimir depois de meses de prisão domiciliária.

Tenho duas recomendações em Brighton. Em primeiro lugar estão os Burger Brothers, uma mini casa de hambúrgueres com prémios atrás de prémios! Os hambúrgueres são de comer e, não diria chorar por mais porque um normal já me encheu para o dia inteiro, mas eles são conhecidos por fazerem hambúrgueres duplos, triplos e por aí fora… Portanto, se tiveres estômago para isso, aproveita!

Como o restaurante é muito pequenino, aconselho um picnic nos jardins do Royal Pavilion. Este edifício, que não se percebe muito bem como foi ali parar, é uma misturada de estilos arquitectónicos (Mouro, Tartar, Gótico, Indiano e Chinês). O resultado foi um palacete curioso que surpreende tanto por fora como por dentro. O interior só vi no Google porque na altura a cultura/museus ainda não tinham aberto.

Assim foram as primeiras “viagens” pós confinamento. Felizmente foram as primeiras de muitas, pelo menos no Reino Unido.


Dicas rápidas

St. Pacras International ou London Victoria (Londres) – Whitstable: O comboio de Londres até Whitstable dura cerca de uma hora e um quarto. Não é uma viagem particularmente interessante, mas faz-me bem. Os preços andam à volta dos 20 a 26 pounds ida e volta.

London Blackfriars – Brighton: A viagem entre Londres e Brighton faz-se no mesmo tempo (cerca de uma hora e um quarto), mas consegues arranjar bilhetes a treze pounds ida e volta. Também há comboios a partir de London Victoria, mas são mais caros.

Em Inglaterra os preços dos comboios variam muito consoante os dias da semana e as horas. Aos fins de semana geralmente são sempre mais em conta e claro, fora da hora de ponta. Comprar ida e volta fica sempre mais barato.

Alfacinha germinada e cultivada num cantinho à beira mar plantado, a Inês tem uma certa inquietação que não a deixa ficar muito tempo tempo no mesmo sítio. Fez Erasmus em Paris, trabalhou em Istambul e em Portugal, fez um mestrado em Creative Advertising em Milão e agora trabalha no Reino Unido. Viajar, criatividade, cozinhar, dançar e ler são algumas das suas paixões. A combinação de algumas delas deu origem a este blog, o Mudanças Constantes. Bem-vindos!

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