Uzbequistão

Samarkand e a visita do presidente

Se achas que o Marcelo é popular, é porque nunca viste o presidente do Uzbequistão, aquilo sim é pompa e circunstância.

Conseguimos chegar a Samarkand durante os ensaios para o festival de música e dança mais importante do ano, o Sharq Taronalari e quando há visita do presidente à mistura estes meninos não brincam em serviço: o Registan estava oficialmente fechado e nem as centenas de turistas desapontados e com cara de cãezinhos abandonados à porta os fizeram abrir uma excepção.

O Registan é só o monumento mas importante do Uzbequistão e nós conseguimos acertar nos únicos dias do ano em que não estava aberto. Ainda fizemos três tentativas de entrada já que nos mandavam sempre “voltar mais tarde”, mas não fomos muito bem-sucedidos. Sendo assim, resta-nos a memória daquela praça monumental com centenas de dançarinos a preparar o festival. Uma visão diferente do habitual e uma desculpa para lá voltar!

Sendo assim, ficámo-nos pelas outras atracções de Samarkand, que também não nos deixaram ficar nada mal, e por um dia mais relaxado e lento em que nos sentimos de férias pela primeira vez.

As cores do Siab Bazaar

Se há lugares animados numa cidade são os bazares. Neste caso um mercado agrícola com frutas, legumes, especiarias e pão onde os locais vão para abastecer as suas dispensas. Se és guloso/a as oportunidades para provar a pastelaria tradicional também são mais que muitas.

Ao contrário de Khiva e Bukhara, as ruas de Samarkand são muito mais modernas com estradas alcatroadas e edifícios feitos de cimento em vez de terracota. Apesar de não ser uma cidade tão pitoresca como as outras a magnificência dos seus monumentos torna-se ainda mais evidente e faz-nos sentir do tamanho de um gnomo enquanto por lá andamos. 

A magnitude da Bibi-Khanym Mosque

A mesquita Bibi-Khanym é o exemplo prefeito do tamanho desmesurado dos edifícios em Samarkand e pelos vistos a lenda que envolve a sua construção tem todos os ingredientes duma novela da TVI.

Parece que a mulher de Timur, um poderoso conquistador do século XV, decidiu fazer-lhe uma “pequena” surpresa aquando da vitória da sua campanha na Índia: construiu-lhe a maior mesquita de Samarkand. Problema? O arquitecto que escolheu apaixonou-se por ela. Ninguém sabe bem como acabou a história, mas não deve ter acabado muito bem para o arquitecto.

O que é certo é que a mesquita ainda se mantém em pé e é um dos ex-libris de Samarkand.

A vista do túmulo do presidente

Visitar o túmulo do primeiro presidente da República do Uzbequistão aconteceu por acaso. Tinha marcado mal no Google Maps o lugar que queríamos efectivamente visitar e foi aqui fomos parar.

A parte exterior é grátis e tem uma vista espectacular sobre a cidade. Este lugar é muito mais sagrado e importante para o povo Uzbeque do que para os turistas, mas mesmo assim vale muito a pena. Dentro do complexo há uma pequena mesquita com entrada paga que nós visitámos, mas essa sim é só mesmo relevante para crentes.

O mais bonito mausoléu do mundo? É Shah-i-Zinda

Foi já ao fim do dia que demos com o lugar que devia ter marcado no Google Maps: a necrópole Shah-i-Zinda. Talvez por não saber quase nada sobre este cemitério milenar antes de o ter visitado tenha ficado tão surpreendida com a sua beleza, ao ponto de lhe atribuir o prémio de “lugar mais bonito do Uzbequistão”.

Fundado no século VIII para sepultar um primo de Maomé (Kusam ibn Abbas) que tinha então viajado até à Ásia Central para pregar o Islão, este cemitério foi-se desenvolvendo ao longo dos séculos com inúmeras adições de sepulturas que se distinguem pelo seu estilo arquitectónico e decoração.

Os tons de azul e os detalhes dos azulejos que caracterizam o Shah-i-Zinda deixam qualquer um sem palavras. Sendo assim, restam-me as fotos:

Este foi o nosso último dia completo de viagem pela Ásia Central sendo que na manhã seguinte íamos apanhar o comboio até Tashkent. Quando chegámos à estação pensámos que estávamos mais importantes já que desta vez a recepção dos taxistas tinha sido substituída por dezenas de meninas jeitosas muito apresentáveis com bandejas nas mãos, mas depois lembrámo-nos que era o presidente estava a caminho… Enfim, uma pessoa pode sonhar!

Alfacinha germinada e cultivada num cantinho à beira mar plantado, a Inês tem uma certa inquietação que não a deixa ficar muito tempo tempo no mesmo sítio. Fez Erasmus em Paris, trabalhou em Istambul e em Portugal, fez um mestrado em Creative Advertising em Milão e agora trabalha no Reino Unido. Viajar, criatividade, cozinhar, dançar e ler são algumas das suas paixões. A combinação de algumas delas deu origem a este blog, o Mudanças Constantes. Bem-vindos!

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