Islândia

Reykjavík, Blue Lagoon e arredores: Arranca a roadtrip

Ao sair do aeroporto de Keflavik percebi que só por teimosia humana é que existe vida inteligente naquela ilha. Um lugar tão inóspito só devia ser lar para pássaros e focas, mas por alguma razão 338 mil alminhas vivem na Islândia.

Este ano a Islândia foi o destino escolhido para a nossa roadtrip familiar anual. Bem sei que é um dos países mais badalados do momento e que toda a gente lá vai, mas há uma razão para isso – e não, não são os likes do Instagram.

Ao contrário do resto da Europa, na Islândia ainda é a natureza que dita as regras e há uma vulnerabilidade aos elementos como nunca tinha sentido. Afinal, nunca sabemos quando é que vem aí um nevão, um tsunami glaciar ou uma erupção vulcânica, mas os islandeses parecem viver bem com isso!

Nas parcas cidades existentes reina uma calmaria digna do Alentejo interior e, tal como todas as outras viagens à Islândia, a nossa também começou e acabou na curiosa Reykjavík. Em vez de saltarmos directamente para a Ring Road, tirámos algum tempo para explorar a capital e os seus arredores.

Reykjavík: Paira um charme hipster no ar

Reykjavík tem de ser uma das capitais mais pequenas e vazias do mundo! O centro vê-se (bem) em cerca de duas horas e é um dos poucos lugares onde se avistam islandeses no seu habitat natural.

Tenho que admitir que há uma certa personalidade nesta cidade. As lojas de design, os restaurantes gourmet que devem custar um rim, as casinhas tradicionais e a arte urbana, tudo concentrado na rua Laugavegur, fazem de Reykjavík um lugar mais interessante do que aparenta.

Dito isto, é aqui que se encontra a potencial vencedora do prémio “Igreja mais feia do mundo”, a Hallgrímskirkja que parece ser uma mistura de foguetão com igreja soviética.

À beira mar estão as duas últimas atracções de Reykjavík, e também as minhas preferidas, o Harpa Concert Hall e o Sun Voyager. Com um design islandês / dinamarquês, a sala de espectáculos Harpa é fascinante por dentro e por fora. Ao nos aproximarmos, vamos vendo o edifício a mudar de cor através das suas escamas espelhadas que reflectem a luz do sol. Já lá dentro – a visita é gratuita – são as formas e linhas futuristas que surpreendem.

E a poucos minutos a pé (como tudo em Reykjavík) está então o Viajante do Sol – uma escultura que representa um barco de sonhos e uma ode ao sol – com vista para as montanhas e mar, paisagem que nos pisca o olho como quem diz “isto é só um cheirinho do que está para vir”.

Reykjanesfólkvangur: impronunciável mas bonito

Foi no último dia, quando estávamos a vir do sul da Islândia para a Blue Lagoon, que demos com o Reykjanesfólkvangur. Mesmo à beira de Reykjavík, este parque está cheio de actividade geotermal, mas passa completamente despercebido à maioria dos turistas e por isso vive-se uma paz absoluta.

A maioria da paisagem é composta por lava e musgo, mas depois há os magníficos lagos deste parque. O primeiro é o Kleifarvatn um lago gigante com praias de areia preta e o Graenavatn, um pequeno lago esmeralda.

Em Krýsuvík está tudo a borbulhar, com piscinas de lama a 100 graus e montanhas coloridas cheias de minerais. No ar sente-se sempre um cheirinho cientificamente conhecido como ovos podres ou enxofre.

Blue Lagoon: acabar num caldinho bom

Para acabar a nossa viagem em grande, decidimos que a última paragem seria a Blue Lagoon, que fica convenientemente perto do aeroporto. A Blue Lagoon é fácil de identificar: num enorme campo de lava, a água de um azul leitoso destaca-se no meio do preto e há dezenas de autocarros a dirigirem-se para lá a toda a hora.

Um dos meus maiores medos, relativos a esta lagoa, e a toda a Islândia, era que o turismo de massas já tivesse estragado a experiência de a visitar. Mas não! Claro que é um lugar concorrido e nunca na vida tinha visto tanta maminha e pipi chinês como nos balneários da Lagoa Azul, mas mesmo assim é difícil não gostar de nadar naquelas águas quentes, rodeados por uma paisagem marciana e beber uma cerveja enquanto se mete uma mascara de sílica na cara.

É um bocado caro de mais para o que oferecem? Sim
Tem turistas a mais? Sim
Se vale a pena? Sim, são duas horas bastante bem passadas e há sempre cantinhos sossegados se procurares bem.

Este foi o início e o fim da viagem, o meio vem aí 😉

Alfacinha germinada e cultivada num cantinho à beira mar plantado, a Inês tem uma certa inquietação que não a deixa ficar muito tempo tempo no mesmo sítio. Fez Erasmus em Paris, trabalhou em Istambul e em Portugal, fez um mestrado em Creative Advertising em Milão e agora trabalha no Reino Unido. Viajar, criatividade, cozinhar, dançar e ler são algumas das suas paixões. A combinação de algumas delas deu origem a este blog, o Mudanças Constantes. Bem-vindos!

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