grécia Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/tag/grecia/ Blog de viagens para inquietos e irrequietos Sun, 22 May 2022 18:53:15 +0000 en-GB hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.mudancasconstantes.com/wp-content/uploads/2018/10/cropped-Untitled-design-1-32x32.png grécia Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/tag/grecia/ 32 32 Grécia: dez dias pelas melhores praias, mosteiros e estradas https://www.mudancasconstantes.com/2022/05/08/grecia-dez-dias-itinerario/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=grecia-dez-dias-itinerario https://www.mudancasconstantes.com/2022/05/08/grecia-dez-dias-itinerario/#respond Sun, 08 May 2022 20:09:19 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=8902 A Grécia, tal como a maioria dos destinos Europeus, não estava na minha lista de prioridades. Com tantas voltas que o Covid trocou, o plano inicial de ir à Geórgia teve de ser cancelado e vimo-nos obrigados a optar por um país com menos casos. A Grécia ganhou por conseguir reunir história, caminhadas e praias numa área relativamente pequena. Este roteiro de dez dias foi feito por nós em oito. É possível fazer em oito dias (cortando algum tempo nas ilhas), mas só se for feito em jeito “sempre a andar”. Todos os dias acordávamos antes das oito e só chegávamos a casa às dez/onze da noite. Vida difícil, eu sei. Aqui vai: Atenas – 1 dia Parece pouco tempo para uma das mais famosas capitais europeias, mas Atenas tem tudo o que é bom concentrado numa zona que se faz perfeitamente a pé. O Partenon, a Free Walking Tour e os bairros mais característico são tudo coisas que não vais querer perder. Podes ler todas as minhas dicas sobre Atenas neste post. Mosteiro Hosios Loukas e Meteora – 2 dias Ver os mosteiros flutuantes de Meteora era a minha prioridade nesta viagem. São definitivamente uma das paisagens mais distintas que o nosso velho continente tem para oferecer. No caminho entre Atenas e Meteora ficámos ainda a conhece um mosteiro extra: o mosteiro Hosios Loukas É preciso fazer um pequeno desvio, mas se tiveres umas duas horas extra, recomendo. Descobre o melhor de Meteora, incluindo uma caminhada épica, neste post. Dica: os mosteiros de Meteora fazem-se relativamente rápido. Se tivesse que refazer esta viagem, teria planeado sair de Meteora a meio do terceiro dia e dormir em Ioanina para tornar o dia de viagem seguinte mais curto e ficar mais tempo em Lefkada. Ioanina e Lefkada – 2 dias Ioanina foi uma paragem de conveniência, mas foi uma oportunidade para descobrir mais uma maravilha geológica, desta vez debaixo de terra. Durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto procuravam abrigo, foi por acaso que os habitantes daquela região descobriram quilómetros e quilómetros de grutas debaixo dos seus pés. Hoje, as grutas de Ioanina são consideradas as mais impressionantes da Grécia e visitá-las dá uma hora bem passada. Lefkada é uma ilha cheia de praias idílicas onde uma pessoa se sente verdadeiramente de férias! Lê mais sobre as melhores praias da ilha neste post. Kefalonia – 3 dias Kefalonia é uma ilha que tem tudo. Nós só conseguimos passar lá dois dias, mas como tem tanto para ver sugiro três ou quatro! O porquê de Kefalonia ter sido a minha ilha preferida das ilhas Iónicas está neste post. Zakynthos – 2 dias Por fim, Zakynthos, a ilha que se tornou viral pela sua praia com um barco naufragado. Esta ilha é a mais turística e popular “ali da zona”. Para nós um dia bastou, dois dias são uma boa ideia se não quiseres andar sempre a correr. Lê mais sobre Zakynthos, aqui. Uma sugestão final: Acabei a minha viagem à Grécia na ilha de Skiathos e adorei! É uma ilha que muitos casais escolhem como destino de férias, mas eu fui sozinha e foi a cereja no topo do bolo. Podes ler mais sobre Skiathos neste post. Coríntia Antiga – Meio dia No regresso de Zakynthos para Atenas decidimos parar em Coríntia e adorámos. O museu de Coríntia apresenta muito bem a história da região (que nunca mais acaba) e ainda vimos o canal de Coríntia, uma obra-prima da engenharia moderna. Dicas e informações úteis para viajar na Grécia Estradas: As estradas na Grécia não são más. À boa moda de país do sul da Europa, tem muitas autoestradas. Algumas são pagas e funcionam como em Portugal. É só parar e pagar na portagem. Já os Gregos não são os melhores condutores do mundo… Contudo, Atenas é o lugar mais confuso e fora da capital foi sempre fácil de conduzir, sendo que é só deixar os Gregos passar! Limites de velocidade parecem ser só para enfeitar. Alugar carro: Optámos pelo carro mais barato no aluguer do Booking. Calhou-nos um Kia Picanto que coitadinho, era uma coisita assim pequena que não tem muita força, mas deu. O tanque do carro não leva muita gasolina por isso tem cuidado para não teres autonomia para apenas 4 km no meio da auto estrada… Custo do aluguer e companhia: Drive S.A – 372€ com seguro completo (8 dias), a partir do Aeroporto de Atenas. Comida: Para além das pessoas o melhor da Grécia é a comida. Não esperava nada comer tão bem em todo o lado. Há uma grande variedade de alimentos e até os vegetarianos se conseguirão safar na Grécia. Muito peixe, beringelas, queijo feta, tomates e pepinos! Supermercados: Achei os supermercados estranhamente caros quando comparados com os restaurantes. Não sei se foi de andarmos por sítios turísticos, mas quase não nos compensava cozinhar em casa. Marcação de Ferry: Existem várias empresas de ferries que ligam as várias ilhas gregas e não há propriamente um sistema centralizado que te deixe comprar bilhetes para todas. O mais parecido que encontrei foi a plataforma Ferry Hopper. Se não encontrares o teu ferry aqui não quer dizer que não exista, mas vais ter que pesquisar no Google e reservar pelo site da empresa.

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A Grécia, tal como a maioria dos destinos Europeus, não estava na minha lista de prioridades. Com tantas voltas que o Covid trocou, o plano inicial de ir à Geórgia teve de ser cancelado e vimo-nos obrigados a optar por um país com menos casos. A Grécia ganhou por conseguir reunir história, caminhadas e praias numa área relativamente pequena.

Este roteiro de dez dias foi feito por nós em oito. É possível fazer em oito dias (cortando algum tempo nas ilhas), mas só se for feito em jeito “sempre a andar”. Todos os dias acordávamos antes das oito e só chegávamos a casa às dez/onze da noite. Vida difícil, eu sei.

Aqui vai:

Atenas – 1 dia

Parece pouco tempo para uma das mais famosas capitais europeias, mas Atenas tem tudo o que é bom concentrado numa zona que se faz perfeitamente a pé.

O Partenon, a Free Walking Tour e os bairros mais característico são tudo coisas que não vais querer perder. Podes ler todas as minhas dicas sobre Atenas neste post.


Mosteiro Hosios Loukas e Meteora – 2 dias

Ver os mosteiros flutuantes de Meteora era a minha prioridade nesta viagem. São definitivamente uma das paisagens mais distintas que o nosso velho continente tem para oferecer. No caminho entre Atenas e Meteora ficámos ainda a conhece um mosteiro extra: o mosteiro Hosios Loukas

É preciso fazer um pequeno desvio, mas se tiveres umas duas horas extra, recomendo.

Descobre o melhor de Meteora, incluindo uma caminhada épica, neste post.

Dica: os mosteiros de Meteora fazem-se relativamente rápido. Se tivesse que refazer esta viagem, teria planeado sair de Meteora a meio do terceiro dia e dormir em Ioanina para tornar o dia de viagem seguinte mais curto e ficar mais tempo em Lefkada.


Ioanina e Lefkada – 2 dias

Ioanina foi uma paragem de conveniência, mas foi uma oportunidade para descobrir mais uma maravilha geológica, desta vez debaixo de terra. Durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto procuravam abrigo, foi por acaso que os habitantes daquela região descobriram quilómetros e quilómetros de grutas debaixo dos seus pés. Hoje, as grutas de Ioanina são consideradas as mais impressionantes da Grécia e visitá-las dá uma hora bem passada.

Lefkada é uma ilha cheia de praias idílicas onde uma pessoa se sente verdadeiramente de férias! Lê mais sobre as melhores praias da ilha neste post.


Kefalonia – 3 dias

Kefalonia é uma ilha que tem tudo. Nós só conseguimos passar lá dois dias, mas como tem tanto para ver sugiro três ou quatro!

O porquê de Kefalonia ter sido a minha ilha preferida das ilhas Iónicas está neste post.


Zakynthos – 2 dias

Por fim, Zakynthos, a ilha que se tornou viral pela sua praia com um barco naufragado. Esta ilha é a mais turística e popular “ali da zona”. Para nós um dia bastou, dois dias são uma boa ideia se não quiseres andar sempre a correr. Lê mais sobre Zakynthos, aqui.

Uma sugestão final: Acabei a minha viagem à Grécia na ilha de Skiathos e adorei! É uma ilha que muitos casais escolhem como destino de férias, mas eu fui sozinha e foi a cereja no topo do bolo. Podes ler mais sobre Skiathos neste post.

Coríntia Antiga – Meio dia

No regresso de Zakynthos para Atenas decidimos parar em Coríntia e adorámos. O museu de Coríntia apresenta muito bem a história da região (que nunca mais acaba) e ainda vimos o canal de Coríntia, uma obra-prima da engenharia moderna.


Dicas e informações úteis para viajar na Grécia

Estradas: As estradas na Grécia não são más. À boa moda de país do sul da Europa, tem muitas autoestradas. Algumas são pagas e funcionam como em Portugal. É só parar e pagar na portagem.

os Gregos não são os melhores condutores do mundo… Contudo, Atenas é o lugar mais confuso e fora da capital foi sempre fácil de conduzir, sendo que é só deixar os Gregos passar! Limites de velocidade parecem ser só para enfeitar.

Alugar carro: Optámos pelo carro mais barato no aluguer do Booking. Calhou-nos um Kia Picanto que coitadinho, era uma coisita assim pequena que não tem muita força, mas deu. O tanque do carro não leva muita gasolina por isso tem cuidado para não teres autonomia para apenas 4 km no meio da auto estrada…

Custo do aluguer e companhia: Drive S.A – 372€ com seguro completo (8 dias), a partir do Aeroporto de Atenas.

Comida: Para além das pessoas o melhor da Grécia é a comida. Não esperava nada comer tão bem em todo o lado. Há uma grande variedade de alimentos e até os vegetarianos se conseguirão safar na Grécia. Muito peixe, beringelas, queijo feta, tomates e pepinos!

Supermercados: Achei os supermercados estranhamente caros quando comparados com os restaurantes. Não sei se foi de andarmos por sítios turísticos, mas quase não nos compensava cozinhar em casa.

Marcação de Ferry: Existem várias empresas de ferries que ligam as várias ilhas gregas e não há propriamente um sistema centralizado que te deixe comprar bilhetes para todas. O mais parecido que encontrei foi a plataforma Ferry Hopper. Se não encontrares o teu ferry aqui não quer dizer que não exista, mas vais ter que pesquisar no Google e reservar pelo site da empresa.

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Zakynthos: azul mais azul não há https://www.mudancasconstantes.com/2022/02/17/zakynthos-um-dia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=zakynthos-um-dia https://www.mudancasconstantes.com/2022/02/17/zakynthos-um-dia/#comments Thu, 17 Feb 2022 19:16:23 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=8471 Mykonos e Santorini sempre foram as galinhas dos ovos de ouro da Grécia, mas o Instagram trouxe Zakynthos para a competição. A sua icónica praia entre as rochas, inacessível por terra, com um navio naufragado é a principal razão para esta fama repentina. Contudo, deixa-me que te diga que há outros lugares muito mais impressionantes e muito menos lotados em Zakynthos. Zakynthos foi a última das “Ionian Islands” que visitámos e só tínhamos um dia para a explorar.  Não era ideal, mas depois de passarmos o teste de eficácia em Lefkada e Kefalonia estávamos prontos para o desafio final. Assim que desembarcámos do ferry saímos disparados à primeira atracção do dia, as Blue Caves, que mesmo às oito e pouco da manhã já começavam a ter movimento. Blue Caves: Azul Piscina Como galinha de ovos d’ouro que é, Zakynthos está preparada para receber turistas em massa. Se queres ver uma atracção, há uma forma fácil de lá chegar. As Blue Caves, ou Grutas Azuis, estão no nordeste da ilha e são um conjunto de formações rochosas só acessíveis de barco. O nome “Blue Caves” vem da forma como água ali reflecte a luz, adquirindo uma cor que só deveria ser possível com corantes. Tendo feito alguma pesquisar sobre a melhor foma de ver as grutas, descobri as Potamitisbros Boat Trips. Como só queríamos ver a grutas (dispensámos a Paralia Navagio) só nos custou 10€ cada. A tour é muito curta, máximo 30 minutos, com uma paragem para nadar. Não vou dizer que foi a melhor experiência da minha vida, mas cumpre os mínimos olímpicos e se tens pouco tempo como nós é sem dúvida um boa opção. Os barcos estão sempre a sair. Para uma experiência mais divertida e interessante podes fazer estas grutas de kayak! Xigia Sulfur Beaches: Azul Celeste Nas ilhas gregas as praias brotam que nem cogumelos e há sempre uma pelo caminho. Como o nome indica estas praias não têm o cheiro mais apelativo, mas não deixam de ser boas para um mergulho refrescante. Sendo eu algo alérgica a multidões, optei pela mini praia da direita que não tinha ninguém às nove da manhã. Mergulho dado, pele seca, voltámos à estrada para atravessarmos para a mais longa viagem do dia até ao outro lado da ilha. Myzḗthres: Azul Turquesa De todos os “azuis” the Zakynthos, este é o mais impressionante. É daqueles lugares que um dia terá barreiras de segurança para que os turistas não se matem a tirar fotografias, mas até lá vale muito a pena. Há dois “miradouros” um mais oficial que o outro. O primeiro é muito perto do parque de estacionamento, o segundo implica uma curta e fácil caminhada de cinco ou dez minutos. As direcções são um pouco confusas e o parque de estacionamento (é um descampado) fica perto de um ponto que podes encontrar no Google como “The largest Greek flag in the World”. A partir daí é seguir as pessoas! Antes de seguirmos para a próxima paragem, precisávamos de almoçar e foi precisamente isso que fizemos na Taverna Argonaftes. Vista mar, comida preparada com amor e carinho num ambiente familiar, posso recomendar este pequeno restaurante, mas aviso já que não é muito rápido. Korakonissi: Azul Tiffany Não há nada como encontrar lugares por acaso que ultrapassam todas as tuas expectativas. Foi o caso da “praia” Korakonissi (os Gregos realmente têm jeito para nomes…). Creio que não lhe posso chamar praia já que areia nem vê-la, mas esta entrada de mar faz umas belas piscinas naturais que concentram peixinhos e outras formas de vida aquática. Nas ilhas gregas é imperativo andar sempre com sapatos para a água. As rochas são muito bonitas, mas pouco confortáveis e uma pessoa escusa de fazer aquelas figuras ridículas quando tenta sair da água num chão só de pedras. Se estás à procura de um sítio especial em Zakynthos, “this is it!” Porto Limnionas Beach: Azul Profundo Já nas horas finais do dia parámos no Porto Limnionas. Maior e mais popular que Korakonissi, fiquei contente por termos eleito a “praia” anterior como lugar para tomar banho. Porto Limnionas tem bar, café, espreguiçadeiras e um ambiente mais festivo. Um lugar que merece uma paragem fotográfica e talvez um mergulho! Paralia Navagio: Azul Royal Tinha chegado a hora de visitar o lugar que pôs Zakynthos no mapa: a praia do navio naufragado. O acesso à praia em si só é possível de barco, mas há um miradouro não oficial que tem uma vista magnífica sobre esta praia. A melhor altura do dia para ver a praia Navagio é definitivamente ao meio-dia quando as cores da água estão no seu exponente máximo. Contudo, com grandes vistas vêm grandes multidões. Por essa razão decidimos ir a este miradouro perto do pôr do sol quando a praia e água já tinham sido engolidas pelas sombras. Claro que não tínhamos o miradouro só para nós, mas penso que foi uma boa decisão. Para as melhores vistas vais ter que ir pelas rochas até ao fim do precipício. Não sei quanto mais tempo este miradouro vai estar acessível uma vez que já caíram de lá duas pessoas. Até lá, vale a pena visitar com cuidado!    Filippoi Beach: Azul Marinho Durante as nossas férias na Grécia iniciamos uma tradição de tomar sempre um banho ao pôr do sol. Sendo esta a última oportunidade do meu amigo de o fazer (eu ainda ia para Skiathos a seguir) a tradição tinha que ser cumprida. Saquei do Google Maps e encontrei esta praia que satisfazia os nossos requisitos. Quando lá chegámos éramos os únicos. Uma baía com água limpa e apetecível, mesmo sem sol. Foi também neste lugar, na estrada que dá acesso à praia, que vimos mais um pôr do sol magnífico para fechar o dia. Dicas Rápidas e Figos Maduros: “Cafe snack bar restaurants Nintri”: Não precisávamos de mais provas sobre a gentileza e simpatia dos gregos, mas tivemo-las na mesma. Como ficámos num alojamento no meio do nada, começámos a procurar no Google Maps restaurantes na região. Encontrámos o Nintri por acaso, um dos poucos restaurantes abertos ali na zona. A comida era muito boa e barata e no fim quando fomos pagar os donos dos restaurante deram-nos uns figos para sobremesa. Fiquei tão contente que eles correram logo para o frigorífico para nos dar mais. Saímos de lá com um bom saco de figos e com um grande sorriso! Alojamento: Ficámos neste Airbnb, mais pelo preço do que outra coisa. Foi o maior lugar onde ficámos, duas camas de casal e numa zona muito sossegada. Apesar do dono não falar inglês e de sermos recebidos pelos pais dele cujo inglês também é nulo, isso não afectou nada a nossa estadia que durou apenas algumas horas. Kefalonia – Zakynthos: Lê as dicas deste post. Zkaynthos – Continente: Usámos a Levante Ferries para fazer a viagem que liga Zakynthos a Kylini, no continente. Marquei os bilhetes através da Ferry Hoper. Se fizeres o mesmo podes levantá-los no porto, mesmo onde os barcos partem, com a tua referência. O preço para dois adultos com carro são 56€, só ida.

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Mykonos e Santorini sempre foram as galinhas dos ovos de ouro da Grécia, mas o Instagram trouxe Zakynthos para a competição. A sua icónica praia entre as rochas, inacessível por terra, com um navio naufragado é a principal razão para esta fama repentina. Contudo, deixa-me que te diga que há outros lugares muito mais impressionantes e muito menos lotados em Zakynthos.

Zakynthos foi a última das “Ionian Islands” que visitámos e só tínhamos um dia para a explorar.  Não era ideal, mas depois de passarmos o teste de eficácia em Lefkada e Kefalonia estávamos prontos para o desafio final.

Assim que desembarcámos do ferry saímos disparados à primeira atracção do dia, as Blue Caves, que mesmo às oito e pouco da manhã já começavam a ter movimento.

Blue Caves: Azul Piscina

Como galinha de ovos d’ouro que é, Zakynthos está preparada para receber turistas em massa. Se queres ver uma atracção, há uma forma fácil de lá chegar. As Blue Caves, ou Grutas Azuis, estão no nordeste da ilha e são um conjunto de formações rochosas só acessíveis de barco. O nome “Blue Caves” vem da forma como água ali reflecte a luz, adquirindo uma cor que só deveria ser possível com corantes.

Tendo feito alguma pesquisar sobre a melhor foma de ver as grutas, descobri as Potamitisbros Boat Trips. Como só queríamos ver a grutas (dispensámos a Paralia Navagio) só nos custou 10€ cada.

A tour é muito curta, máximo 30 minutos, com uma paragem para nadar. Não vou dizer que foi a melhor experiência da minha vida, mas cumpre os mínimos olímpicos e se tens pouco tempo como nós é sem dúvida um boa opção. Os barcos estão sempre a sair.

Para uma experiência mais divertida e interessante podes fazer estas grutas de kayak!

Xigia Sulfur Beaches: Azul Celeste

Nas ilhas gregas as praias brotam que nem cogumelos e há sempre uma pelo caminho. Como o nome indica estas praias não têm o cheiro mais apelativo, mas não deixam de ser boas para um mergulho refrescante.


Sendo eu algo alérgica a multidões, optei pela mini praia da direita que não tinha ninguém às nove da manhã. Mergulho dado, pele seca, voltámos à estrada para atravessarmos para a mais longa viagem do dia até ao outro lado da ilha.

Myzḗthres: Azul Turquesa

De todos os “azuis” the Zakynthos, este é o mais impressionante. É daqueles lugares que um dia terá barreiras de segurança para que os turistas não se matem a tirar fotografias, mas até lá vale muito a pena. Há dois “miradouros” um mais oficial que o outro. O primeiro é muito perto do parque de estacionamento, o segundo implica uma curta e fácil caminhada de cinco ou dez minutos.

As direcções são um pouco confusas e o parque de estacionamento (é um descampado) fica perto de um ponto que podes encontrar no Google como “The largest Greek flag in the World”. A partir daí é seguir as pessoas!

Antes de seguirmos para a próxima paragem, precisávamos de almoçar e foi precisamente isso que fizemos na Taverna Argonaftes. Vista mar, comida preparada com amor e carinho num ambiente familiar, posso recomendar este pequeno restaurante, mas aviso já que não é muito rápido.


Korakonissi: Azul Tiffany

Não há nada como encontrar lugares por acaso que ultrapassam todas as tuas expectativas. Foi o caso da “praia” Korakonissi (os Gregos realmente têm jeito para nomes…). Creio que não lhe posso chamar praia já que areia nem vê-la, mas esta entrada de mar faz umas belas piscinas naturais que concentram peixinhos e outras formas de vida aquática.

Nas ilhas gregas é imperativo andar sempre com sapatos para a água. As rochas são muito bonitas, mas pouco confortáveis e uma pessoa escusa de fazer aquelas figuras ridículas quando tenta sair da água num chão só de pedras.


Se estás à procura de um sítio especial em Zakynthos, “this is it!”


Porto Limnionas Beach: Azul Profundo

Já nas horas finais do dia parámos no Porto Limnionas. Maior e mais popular que Korakonissi, fiquei contente por termos eleito a “praia” anterior como lugar para tomar banho. Porto Limnionas tem bar, café, espreguiçadeiras e um ambiente mais festivo. Um lugar que merece uma paragem fotográfica e talvez um mergulho!

Paralia Navagio: Azul Royal

Tinha chegado a hora de visitar o lugar que pôs Zakynthos no mapa: a praia do navio naufragado. O acesso à praia em si só é possível de barco, mas há um miradouro não oficial que tem uma vista magnífica sobre esta praia.

A melhor altura do dia para ver a praia Navagio é definitivamente ao meio-dia quando as cores da água estão no seu exponente máximo. Contudo, com grandes vistas vêm grandes multidões. Por essa razão decidimos ir a este miradouro perto do pôr do sol quando a praia e água já tinham sido engolidas pelas sombras.

Claro que não tínhamos o miradouro só para nós, mas penso que foi uma boa decisão. Para as melhores vistas vais ter que ir pelas rochas até ao fim do precipício. Não sei quanto mais tempo este miradouro vai estar acessível uma vez que já caíram de lá duas pessoas. Até lá, vale a pena visitar com cuidado!  
 

Filippoi Beach: Azul Marinho

Durante as nossas férias na Grécia iniciamos uma tradição de tomar sempre um banho ao pôr do sol. Sendo esta a última oportunidade do meu amigo de o fazer (eu ainda ia para Skiathos a seguir) a tradição tinha que ser cumprida.

Saquei do Google Maps e encontrei esta praia que satisfazia os nossos requisitos. Quando lá chegámos éramos os únicos. Uma baía com água limpa e apetecível, mesmo sem sol. Foi também neste lugar, na estrada que dá acesso à praia, que vimos mais um pôr do sol magnífico para fechar o dia.

Dicas Rápidas e Figos Maduros:

Cafe snack bar restaurants Nintri”: Não precisávamos de mais provas sobre a gentileza e simpatia dos gregos, mas tivemo-las na mesma. Como ficámos num alojamento no meio do nada, começámos a procurar no Google Maps restaurantes na região. Encontrámos o Nintri por acaso, um dos poucos restaurantes abertos ali na zona. A comida era muito boa e barata e no fim quando fomos pagar os donos dos restaurante deram-nos uns figos para sobremesa. Fiquei tão contente que eles correram logo para o frigorífico para nos dar mais. Saímos de lá com um bom saco de figos e com um grande sorriso!

Alojamento: Ficámos neste Airbnb, mais pelo preço do que outra coisa. Foi o maior lugar onde ficámos, duas camas de casal e numa zona muito sossegada. Apesar do dono não falar inglês e de sermos recebidos pelos pais dele cujo inglês também é nulo, isso não afectou nada a nossa estadia que durou apenas algumas horas.

Kefalonia – Zakynthos: Lê as dicas deste post.

Zkaynthos – Continente: Usámos a Levante Ferries para fazer a viagem que liga Zakynthos a Kylini, no continente. Marquei os bilhetes através da Ferry Hoper. Se fizeres o mesmo podes levantá-los no porto, mesmo onde os barcos partem, com a tua referência. O preço para dois adultos com carro são 56€, só ida.

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Meteora: mosteiros nas nuvens e Pôr(es)-do-sol https://www.mudancasconstantes.com/2021/11/30/um-dia-meteora-mosteiros-grecia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=um-dia-meteora-mosteiros-grecia https://www.mudancasconstantes.com/2021/11/30/um-dia-meteora-mosteiros-grecia/#respond Tue, 30 Nov 2021 20:17:24 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=6810 Já se tinham passado muitas horas desde que tínhamos saído de Atenas em direcção a Meteora. De repente exclamo “tem de ser ali!”. À nossa frente erguiam-se rochas enormes, cada uma com uma forma mais peculiar que a outra. Tínhamos chegado à mítica Meteora. Apesar de já termos um dia de viagem inteiro em cima, decidimos que íamos fazer a caminhada que liga todos os mosteiros suspensos de Meteora assim que chegássemos a Kalabaka. Restavam-nos poucas horas de sol, mas o tempo para o dia seguinte era incerto e como tal não houve descanso para ninguém! Certamente a caminhada mais bonita da Grécia Eu digo isto sobre muitos sítios, mas Meteora já estava, de facto, há bastante tempo na minha lista infinita de “lugares que tenho mesmo de visitar”. Encontrar-me ali no meio daquele fenómeno humano-geológico (acabei de inventar o termo) teve um gostinho especial a missão cumprida. Perto do centro de Kalabaka há um trilho que te leva ao primeiro mosteiro: o Holy Trinity Monastery. Esta é a parte mais dura da caminhada, mas em 20 minutos estarás em frente a uma das paisagens mais bonitas da tua vida e esqueces o suor a escorrer-te pelas costas e os pulmões a implorarem por ar. A partir daí o caminho faz-se sempre pela estrada que está salpicada com vários miradouros, cada um mais bonito que o outro. Em dias de céu limpo aconselhar-te-ia fazeres a caminhada uma vez ao nascer e outra ao pôr do sol. Nós fizemos uma vez a pé e outra de carro, ambas ao pôr do sol e vimos como a paisagem muda consoante o tempo que faz. Deixo aqui o mapa com o caminho e os miradouros marcados que usei para me guiar. É só abrir no Google Maps e seguir caminho! Será que todos os eremitas ortodoxos são cabras montesas? O fascínio humano em construir teatros, templos, palácios e igrejas em lugares que parecem ser acessíveis apenas através de meios aéreos que só seriam inventados centenas ou milhares de anos depois é responsável por muitas das minhas viagens. Meteora não é excepção. Foram os monges eremitas ortodoxos que, entre o século IX e X, encontraram nos rochedos de Meteora um lugar inóspito e sossegado para se dedicarem a uma vida de solidão e isolamento. Apenas as doações da comunidade local asseguravam a sua sobrevivência. Alguns séculos depois, um monge chamado Nilos, decidiu pôr ordem na coisa e reuniu os eremitas todos para formar uma comunidade. Foi assim que, século após século, foram surgindo os mosteiros de Meteora até que no século XVI chegou a haver um total de 24 mosteiros, seis dos quais continuam activos até hoje. É possível visitar todos os seis mosteiros, mas muito honestamente não acho que valha a pena. Eles são bastante parecidos entre si e muito mais impressionantes de fora do que por dentro. Depois de ter feito a minha pesquisa, decidi que visitaríamos os três mosteiros que pareciam mais promissores. São eles: The Great Meteoron, Monastery of Varlaam e Monastery of the Holy Trinity at Meteora. Se quiseres poupar dinheiro visita só o Great Meteoron. De modo a mostrar como a igreja evoluiu muito desde o tempo dos eremitas, as mulheres têm que usar saia para entrar nos mosteiros e não aceitam cartões. Se não tiveres uma saia podes comprar um páreo “made-in-china” para te tapares. Parece que, ao contrário de ser mulher, a ganância afinal não é pecado. Se quiseres uma vista diferente para Meteora e tiveres um carro podes ir até ao Meteora Park. Quando lá fomos parar, um pouco por acaso, parecia um espaço abandonado que já tinha visto melhores dias. Contudo, a vista panorâmica para os rochedos é espectacular. Na primeira noite em Meteora descobrimos logo o melhor restaurante da Grécia e nunca mais quisemos outra coisa. Criativamente chamado “Meteora Restaurant” tem umas carnes de forno e guisadas de comer e chorar por mais. Só de pensar nisso fico com água na boca! Para acabar em beleza ao lado do restaurante há uma pastelaria, Patisserie Robos, bem jeitosa com uns bolinhos muito simpáticos. A Grécia pode não fazer bem ao perímetro abdominal, mas faz bem à alma. E assim nos despedimos de Meteora. Mais um lugar visitado, mais um sonho concretizado! Dicas rápidas Visitar os Mosteiros: Cada mosteiro custa 3€ para visitar e quando lá fui nenhum aceitava cartões. Como já mencionei, as mulheres devem ter os ombros tapados e ir com uma saia ou vestido comprido. Um lenço a fazer de saia também dá. Quanto aos homens, supostamente não podem ir de calções acima do joelho, mas vi muitos assim e ninguém dizia nada. Alojamento: Ficámos no Holy Rock Hostel e não me posso queixar. Os quartos são grandes e as casas de banho são limpas. Também está perto do centro da vila, por isso é conveniente. Supermercados: Nós não conseguimos arranjar supermercados grandes abertos por ser domingo, mas na Grécia aconselho-te a ires ao LIDL que é o único sítio com preços aceitáveis. Por alguma razão ir a supermercados na Grécia fica mais caro do que ir a restaurantes. Transportes: De Atenas até Meteora são cinco horas de distância de comboio. É uma óptima opção caso não tenhas carro!

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Já se tinham passado muitas horas desde que tínhamos saído de Atenas em direcção a Meteora. De repente exclamo “tem de ser ali!”. À nossa frente erguiam-se rochas enormes, cada uma com uma forma mais peculiar que a outra. Tínhamos chegado à mítica Meteora.

Apesar de já termos um dia de viagem inteiro em cima, decidimos que íamos fazer a caminhada que liga todos os mosteiros suspensos de Meteora assim que chegássemos a Kalabaka. Restavam-nos poucas horas de sol, mas o tempo para o dia seguinte era incerto e como tal não houve descanso para ninguém!

Certamente a caminhada mais bonita da Grécia

Eu digo isto sobre muitos sítios, mas Meteora já estava, de facto, há bastante tempo na minha lista infinita de “lugares que tenho mesmo de visitar”. Encontrar-me ali no meio daquele fenómeno humano-geológico (acabei de inventar o termo) teve um gostinho especial a missão cumprida.

Perto do centro de Kalabaka há um trilho que te leva ao primeiro mosteiro: o Holy Trinity Monastery. Esta é a parte mais dura da caminhada, mas em 20 minutos estarás em frente a uma das paisagens mais bonitas da tua vida e esqueces o suor a escorrer-te pelas costas e os pulmões a implorarem por ar.

A partir daí o caminho faz-se sempre pela estrada que está salpicada com vários miradouros, cada um mais bonito que o outro. Em dias de céu limpo aconselhar-te-ia fazeres a caminhada uma vez ao nascer e outra ao pôr do sol. Nós fizemos uma vez a pé e outra de carro, ambas ao pôr do sol e vimos como a paisagem muda consoante o tempo que faz.

Deixo aqui o mapa com o caminho e os miradouros marcados que usei para me guiar. É só abrir no Google Maps e seguir caminho!


Será que todos os eremitas ortodoxos são cabras montesas?

O fascínio humano em construir teatros, templos, palácios e igrejas em lugares que parecem ser acessíveis apenas através de meios aéreos que só seriam inventados centenas ou milhares de anos depois é responsável por muitas das minhas viagens. Meteora não é excepção.

Foram os monges eremitas ortodoxos que, entre o século IX e X, encontraram nos rochedos de Meteora um lugar inóspito e sossegado para se dedicarem a uma vida de solidão e isolamento. Apenas as doações da comunidade local asseguravam a sua sobrevivência. Alguns séculos depois, um monge chamado Nilos, decidiu pôr ordem na coisa e reuniu os eremitas todos para formar uma comunidade.

Foi assim que, século após século, foram surgindo os mosteiros de Meteora até que no século XVI chegou a haver um total de 24 mosteiros, seis dos quais continuam activos até hoje.

É possível visitar todos os seis mosteiros, mas muito honestamente não acho que valha a pena. Eles são bastante parecidos entre si e muito mais impressionantes de fora do que por dentro. Depois de ter feito a minha pesquisa, decidi que visitaríamos os três mosteiros que pareciam mais promissores. São eles: The Great Meteoron, Monastery of Varlaam e Monastery of the Holy Trinity at Meteora. Se quiseres poupar dinheiro visita só o Great Meteoron.

De modo a mostrar como a igreja evoluiu muito desde o tempo dos eremitas, as mulheres têm que usar saia para entrar nos mosteiros e não aceitam cartões. Se não tiveres uma saia podes comprar um páreo “made-in-china” para te tapares. Parece que, ao contrário de ser mulher, a ganância afinal não é pecado.

Se quiseres uma vista diferente para Meteora e tiveres um carro podes ir até ao Meteora Park. Quando lá fomos parar, um pouco por acaso, parecia um espaço abandonado que já tinha visto melhores dias. Contudo, a vista panorâmica para os rochedos é espectacular.

Na primeira noite em Meteora descobrimos logo o melhor restaurante da Grécia e nunca mais quisemos outra coisa. Criativamente chamado “Meteora Restaurant” tem umas carnes de forno e guisadas de comer e chorar por mais. Só de pensar nisso fico com água na boca!

Para acabar em beleza ao lado do restaurante há uma pastelaria, Patisserie Robos, bem jeitosa com uns bolinhos muito simpáticos. A Grécia pode não fazer bem ao perímetro abdominal, mas faz bem à alma. E assim nos despedimos de Meteora.

Mais um lugar visitado, mais um sonho concretizado!


Dicas rápidas

Visitar os Mosteiros: Cada mosteiro custa 3€ para visitar e quando lá fui nenhum aceitava cartões. Como já mencionei, as mulheres devem ter os ombros tapados e ir com uma saia ou vestido comprido. Um lenço a fazer de saia também dá. Quanto aos homens, supostamente não podem ir de calções acima do joelho, mas vi muitos assim e ninguém dizia nada.

Alojamento: Ficámos no Holy Rock Hostel e não me posso queixar. Os quartos são grandes e as casas de banho são limpas. Também está perto do centro da vila, por isso é conveniente.

Supermercados: Nós não conseguimos arranjar supermercados grandes abertos por ser domingo, mas na Grécia aconselho-te a ires ao LIDL que é o único sítio com preços aceitáveis. Por alguma razão ir a supermercados na Grécia fica mais caro do que ir a restaurantes.

Transportes: De Atenas até Meteora são cinco horas de distância de comboio. É uma óptima opção caso não tenhas carro!

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Atenas: do berço da democracia aos rabiscos modernos https://www.mudancasconstantes.com/2021/11/20/um-dia-em-atenas-acropole/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=um-dia-em-atenas-acropole https://www.mudancasconstantes.com/2021/11/20/um-dia-em-atenas-acropole/#comments Sat, 20 Nov 2021 23:04:10 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=6776 Faltava-me ver uma das mais emblemáticas capitais europeias: Atenas. Atenas, à semelhança de Roma, é um museu a céu aberto onde se pisa património da Humanidade a cada passo. Com apenas vinte e quatro horas para percorrer os seus mais de cinco mil anos de história, tínhamos que dar corda aos sapatos! Atenas é uma cidade que facilmente pode gerar sentimentos contraditórios. Por um lado tem a famosa Acrópole e ruínas tão bem preservadas que conseguimos imaginar como seria viver na antiguidade grega. Por outro, é a cidade europeia mais suja e insegura que já visitei. Não querendo ignorar este lado mais duro da cidade e para tentar compreender como vivem os habitantes de Atenas, começámos por fazer a habitual Free Walking Tour. Já perdi a conta à quantidade de free tours que fiz na vida, mas posso dizer que esta vale mesmo a pena. As histórias não contadas de Atenas “No fim desta tour só desejo uma coisa: que vocês adorem Atenas tanto quanto eu” dizia a Eva, a nossa guia, com uma energia contagiante. Durante as horas que se seguiram a Eva deliciou-nos com histórias e factos sobre aquela cidade que nunca descobriríamos de outra forma. Claro que quando pensamos em Atenas pensamos também nos Jogos Olímpicos e como tal o dia começou no majestoso Zappeion Exhibition Hall, que foi usado como palco dos duelos de esgrima nos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna em 1896. Não muito longe está o Panathenaic Stadium, o único estádio do mundo feito totalmente em mármore. Há dois mil e quinhentos anos, no lugar onde está hoje este “novo” estádio (estreado nos Jogos de 1896) existiram outros estádios onde se disputaram as primeira formas de provas de atletismo onde os atletas eram homens nus. E ele há gente que quer acabar com tradições… Para não me alongar mais com factos Olímpicos (que eu adoro) deixo aqui um link com alguma informação, incluindo a história da maratona! De tudo o que vimos e aprendemos nessa manhã, foram os soldados em frente à mansão da presidente (Evzones), que guardam um monumento dedicado ao Soldado Desconhecido (Unkown Soldier), que mais prenderam a minha atenção. A Grécia é um país que só reconquistou a sua independência aos Otomanos em 1821 e como tal ainda dão muita importância a simbolismos militares. Cada vez que os Evzones trocam a guarda há um particular ritual envolvido, uma espécie de dança sincronizada em câmera lenta. Tudo isto enquanto envergam uma farda no mínimo curiosa que inclui sapatos com pompons que pesam três quilos cada! Mais uma vez deixo os detalhes aqui, mas é algo que só visto! Ruas e ruelas no sopé da democracia Com os cérebros cheios de informação ainda a ser processada, não nos podíamos dar ao luxo de abrandar o passo. Sem rotas planeadas nem guias enveredámos pelas estreitas e tradicionais ruas dos bairros Plaka e Anafiotika. Este oásis de cores e detalhes é a melhor parte de Atenas (e sim, eu visitei o Parthenon!). É nestas ruas, umas mais bem tratadas que outras, umas com mais alma que outras que começo a perceber que de facto se pode adorar Atenas. Incentivados por uns senhores sentados num banco, entrámos por ruelas que parecem não ter saída, mas que vão dar à linha da frente de uma das maiores relíquias da Humanidade: a Acrópole! No bairro de Plaka, o mais hipster de Atenas, há arte urbana muito boa para ser explorada que contrasta com o classicismo das colunas, templos e esculturas milenares. Tropeçando em património da Humanidade Agora sim, a razão pela qual toda a gente visita Atenas: calhaus! Os Gregos não brincavam em serviço no que toca a tornar pedra em obra de arte. Por toda a cidade se encontram ruínas, umas mais bem preservadas que outras, que impressionam mais do que qualquer arranha céus. À semelhança de muitos outros sítios impõe-se a questão: como é que eles fizeram isto? A beleza das estátuas, os detalhes das colunas e a dimensão das construções parecem surreais, até para os padrões de hoje em dia.   Nós visitámos a maioria dos monumentos incluídos no bilhete combinado: Hadrian’s Library, a Ancient Agora, a Roman Agora e o Olympieion. Honestamente acho que valem todos a pena, mas se tiveres muito, muito pouco tempo em Atenas os que não podes mesmo falhar são a Ancient Agora e a Acrópole. Deixámos a Acrópole para as últimas horas do dia para fugir ao calor e às multidões e que bem que fizemos! A única coisa que me arrependo é ter pensado “em duas horas vemos aquilo”. Há teatros, fontes, templos, santuários, miradouros e muito mais para explorar. Ao pôr do sol, a pedra outrora branca fica com uma tez entre o rosa e o laranja e tudo fica ainda mais bonito. Se tiveres essa possibilidade faz uma visita guiada à Acrópole, por que há muito que os nossos olhos pouco treinados não vêem. Se não, podes ir ao Youtube (como eu) onde vais encontrar muitos vídeos que te darão uma boa noção do que para ali vai! No fim do dia tínhamos percorrido mais de vinte quilómetros e tínhamos cumprido o desejo da Eva: adorámos Atenas! Dicas rápidas Restaurantes: Foi logo na primeira refeição da viagem, em Atenas, que me apercebi que a balança ia acusar estas férias. Tenho duas recomendações: BeeRaki e Karamanlidika. O primeiro ficava mesmo ao lado do nosso alojamento, mas não é muito central. O segundo fica a poucos minutos a pé da Praça Monastiraki. Recomendo todos os pratos e mais alguns! A comida grega é simplesmente incrível (e muito em conta!) Bilhetes para a Acrópole: Como mencionei em cima há um bilhete combinado para todos os monumentos mais importantes de Atenas. Esse bilhete pode ser comprado em qualquer um dos monumentos, o que é muito conveniente para não ter que estar na fila da Acrópole. Os preços em Atenas variam consoante a época (época baixa e época alta) e se visitares em época alta (Abril a Outubro) vale mesmo muito a pena gastar os 30€ do bilhete combinado, só a Acrópole são 20€. Se visitares em época baixa, depende. O preço da Acrópole baixa para 10€, mas o do combinado mantém-se, por isso só vale a pena se visitares todos ou quase todos os monumentos incluídos. Segurança: Se fores uma mulher a viajar sozinha aconselho-te a ficar na zona mais central e turística de Atenas. Como já referi, Atenas não é uma cidade particularmente segura e tem zonas maioritariamente muçulmanas onde não se vê uma única mulher nas redondezas. Eu estive meio dia sozinha em Atenas e não me senti muito segura ao usar roupas de verão. Aeroporto – Centro: A forma mais barata de se chegar ao centro a partir do Aeroporto é ir de autocarro. Na Grécia convém ter sempre alguns trocos na carteira porque nem todos os sítios aceitam cartões. Há um guichê à saída do aeroporto onde podes comprar os bilhetes por 6€.

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Faltava-me ver uma das mais emblemáticas capitais europeias: Atenas. Atenas, à semelhança de Roma, é um museu a céu aberto onde se pisa património da Humanidade a cada passo. Com apenas vinte e quatro horas para percorrer os seus mais de cinco mil anos de história, tínhamos que dar corda aos sapatos!

Atenas é uma cidade que facilmente pode gerar sentimentos contraditórios. Por um lado tem a famosa Acrópole e ruínas tão bem preservadas que conseguimos imaginar como seria viver na antiguidade grega. Por outro, é a cidade europeia mais suja e insegura que já visitei.

Não querendo ignorar este lado mais duro da cidade e para tentar compreender como vivem os habitantes de Atenas, começámos por fazer a habitual Free Walking Tour. Já perdi a conta à quantidade de free tours que fiz na vida, mas posso dizer que esta vale mesmo a pena.

As histórias não contadas de Atenas

“No fim desta tour só desejo uma coisa: que vocês adorem Atenas tanto quanto eu” dizia a Eva, a nossa guia, com uma energia contagiante. Durante as horas que se seguiram a Eva deliciou-nos com histórias e factos sobre aquela cidade que nunca descobriríamos de outra forma.

Claro que quando pensamos em Atenas pensamos também nos Jogos Olímpicos e como tal o dia começou no majestoso Zappeion Exhibition Hall, que foi usado como palco dos duelos de esgrima nos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna em 1896.

Não muito longe está o Panathenaic Stadium, o único estádio do mundo feito totalmente em mármore. Há dois mil e quinhentos anos, no lugar onde está hoje este “novo” estádio (estreado nos Jogos de 1896) existiram outros estádios onde se disputaram as primeira formas de provas de atletismo onde os atletas eram homens nus. E ele há gente que quer acabar com tradições…

Para não me alongar mais com factos Olímpicos (que eu adoro) deixo aqui um link com alguma informação, incluindo a história da maratona!

De tudo o que vimos e aprendemos nessa manhã, foram os soldados em frente à mansão da presidente (Evzones), que guardam um monumento dedicado ao Soldado Desconhecido (Unkown Soldier), que mais prenderam a minha atenção.

A Grécia é um país que só reconquistou a sua independência aos Otomanos em 1821 e como tal ainda dão muita importância a simbolismos militares. Cada vez que os Evzones trocam a guarda há um particular ritual envolvido, uma espécie de dança sincronizada em câmera lenta.

Tudo isto enquanto envergam uma farda no mínimo curiosa que inclui sapatos com pompons que pesam três quilos cada! Mais uma vez deixo os detalhes aqui, mas é algo que só visto!

Ruas e ruelas no sopé da democracia

Com os cérebros cheios de informação ainda a ser processada, não nos podíamos dar ao luxo de abrandar o passo. Sem rotas planeadas nem guias enveredámos pelas estreitas e tradicionais ruas dos bairros Plaka e Anafiotika.

Este oásis de cores e detalhes é a melhor parte de Atenas (e sim, eu visitei o Parthenon!). É nestas ruas, umas mais bem tratadas que outras, umas com mais alma que outras que começo a perceber que de facto se pode adorar Atenas.

Incentivados por uns senhores sentados num banco, entrámos por ruelas que parecem não ter saída, mas que vão dar à linha da frente de uma das maiores relíquias da Humanidade: a Acrópole!

No bairro de Plaka, o mais hipster de Atenas, há arte urbana muito boa para ser explorada que contrasta com o classicismo das colunas, templos e esculturas milenares.

Tropeçando em património da Humanidade

Agora sim, a razão pela qual toda a gente visita Atenas: calhaus! Os Gregos não brincavam em serviço no que toca a tornar pedra em obra de arte. Por toda a cidade se encontram ruínas, umas mais bem preservadas que outras, que impressionam mais do que qualquer arranha céus.

À semelhança de muitos outros sítios impõe-se a questão: como é que eles fizeram isto?

A beleza das estátuas, os detalhes das colunas e a dimensão das construções parecem surreais, até para os padrões de hoje em dia.  

Nós visitámos a maioria dos monumentos incluídos no bilhete combinado: Hadrian’s Library, a Ancient Agora, a Roman Agora e o Olympieion. Honestamente acho que valem todos a pena, mas se tiveres muito, muito pouco tempo em Atenas os que não podes mesmo falhar são a Ancient Agora e a Acrópole.

Deixámos a Acrópole para as últimas horas do dia para fugir ao calor e às multidões e que bem que fizemos! A única coisa que me arrependo é ter pensado “em duas horas vemos aquilo”. Há teatros, fontes, templos, santuários, miradouros e muito mais para explorar. Ao pôr do sol, a pedra outrora branca fica com uma tez entre o rosa e o laranja e tudo fica ainda mais bonito.

Se tiveres essa possibilidade faz uma visita guiada à Acrópole, por que há muito que os nossos olhos pouco treinados não vêem. Se não, podes ir ao Youtube (como eu) onde vais encontrar muitos vídeos que te darão uma boa noção do que para ali vai!

No fim do dia tínhamos percorrido mais de vinte quilómetros e tínhamos cumprido o desejo da Eva: adorámos Atenas!

Dicas rápidas

Restaurantes: Foi logo na primeira refeição da viagem, em Atenas, que me apercebi que a balança ia acusar estas férias. Tenho duas recomendações: BeeRaki e Karamanlidika. O primeiro ficava mesmo ao lado do nosso alojamento, mas não é muito central. O segundo fica a poucos minutos a pé da Praça Monastiraki. Recomendo todos os pratos e mais alguns! A comida grega é simplesmente incrível (e muito em conta!)

Bilhetes para a Acrópole: Como mencionei em cima há um bilhete combinado para todos os monumentos mais importantes de Atenas. Esse bilhete pode ser comprado em qualquer um dos monumentos, o que é muito conveniente para não ter que estar na fila da Acrópole. Os preços em Atenas variam consoante a época (época baixa e época alta) e se visitares em época alta (Abril a Outubro) vale mesmo muito a pena gastar os 30€ do bilhete combinado, só a Acrópole são 20€. Se visitares em época baixa, depende. O preço da Acrópole baixa para 10€, mas o do combinado mantém-se, por isso só vale a pena se visitares todos ou quase todos os monumentos incluídos.

Segurança: Se fores uma mulher a viajar sozinha aconselho-te a ficar na zona mais central e turística de Atenas. Como já referi, Atenas não é uma cidade particularmente segura e tem zonas maioritariamente muçulmanas onde não se vê uma única mulher nas redondezas. Eu estive meio dia sozinha em Atenas e não me senti muito segura ao usar roupas de verão.

Aeroporto – Centro: A forma mais barata de se chegar ao centro a partir do Aeroporto é ir de autocarro. Na Grécia convém ter sempre alguns trocos na carteira porque nem todos os sítios aceitam cartões. Há um guichê à saída do aeroporto onde podes comprar os bilhetes por 6€.

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Lesvos: Para além do campo de refugiados https://www.mudancasconstantes.com/2019/01/01/lesvos-para-alem-do-campo-de-refugiados/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=lesvos-para-alem-do-campo-de-refugiados https://www.mudancasconstantes.com/2019/01/01/lesvos-para-alem-do-campo-de-refugiados/#respond Tue, 01 Jan 2019 16:04:53 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=4738 Viajei até Lesvos com o objectivo de fazer voluntariado com um projecto chamado Home for All. Apesar dos meus dias terem sido passados no restaurante e de não ter tido muito tempo para cirandar, o meu instinto de viajante incurável levou-me a visitar algumas pérolas da ilha nos momentos livres. Este post é a minha forma de te incentivar a visitar Lesvos, por que aqui também se apanham banhos de sol e mar e se vêem coisas bonitas. Economicamente, a ilha e os seus habitantes foram bastante afectados pela crise de refugiados. Os turistas deixaram de aparecer e os bares, restaurantes e hotéis que outrora prosperavam no verão, agora lutam para sobreviver. No caso de quereres dar uma ajudinha e divertires-te ao mesmo tempo, aqui vai a minha lista de lugares a visitar em Lesvos. Atenção que não tive a oportunidade de conhecer Mytilini que é a “capital”. Mithymna  Este foi sem dúvida o sítio mais bonito que vi na ilha. Deserto em pleno Dezembro, as suas ruas de calçada, a brisa marítima que brindava os poucos visitantes, na sua maioria voluntários holandeses, que apanhavam sol nas esplanadas e o castelo no topo do monte conferiam-lhe o estatuto de paraíso. Petra Apenas a 5 km de Mithymna, a maior atracção de Petra é a igreja que alguém decidiu construir no topo de uma rocha que deve ter aparecido ali no meio por milagre. Não se percebe muito bem como é que aquele aglomerado de pedra está no meio da vila, mas é uma vista no mínimo curiosa. Foi também em Petra que encontrei não um, não dois, não três mas quatro (!!!) portugueses!!! Sim, no meio do nada! Achei super engraçado e ainda falámos durante alguns minutos. Estamos de facto por todo o lado. Petra tem ar de ser muito animada no Verão com ruas que me lembram cidades costeiras da Turquia como Bodrum ou Marmaris. Katos Tristos & a Igreja Bizantina Não há lugar mais “aldeia grega tradicional” do que Katos Tritos. Foi aqui que morei durante uma semana, com os outros voluntários, e adorei! Íamos à padaria, ao minimercado, dizíamos “Yashas” e “Kalimera” (olá e bom dia) a todas as pessoas por quem passávamos e, para citar o Malato, fui muito feliz em Katos Tritos. Mas a maior surpresa que esta aldeia tem para oferecer é a sua igreja histórica bizantina. Subindo pelo olival acima, vais encontrar uma igreja ortodoxa feita de pedra e uma das melhores vistas da ilha. Eu consegui chegar lá ao nascer do sol e foi encantador! Fica aqui o ponto no Google Maps. Home for All & arredores A minha última sugestão não podia deixar de ser uma visita ao restaurante Home for All, onde podes almoçar ou jantar, aprender mais sobre o projecto e fazer uma doação. Aconselhável marcar antes para eles saberem com quem contar. Este porto piscatório tem um cenário épico e podes dar uns belos passeios à beira mar ali à volta. Resumindo, se quiseres ter uma experiência diferente, que te vai dar uma perspectiva mais realista do que é uma típica ilha grega do que Mykonos e Santorini e ajudar a impulsionar a economia de Lesvos, dá lá um saltinho. Milhares de oliveiras, flamingos, sol e mar estão, pelo menos, garantidos.

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Viajei até Lesvos com o objectivo de fazer voluntariado com um projecto chamado Home for All. Apesar dos meus dias terem sido passados no restaurante e de não ter tido muito tempo para cirandar, o meu instinto de viajante incurável levou-me a visitar algumas pérolas da ilha nos momentos livres.

Este post é a minha forma de te incentivar a visitar Lesvos, por que aqui também se apanham banhos de sol e mar e se vêem coisas bonitas. Economicamente, a ilha e os seus habitantes foram bastante afectados pela crise de refugiados. Os turistas deixaram de aparecer e os bares, restaurantes e hotéis que outrora prosperavam no verão, agora lutam para sobreviver.

No caso de quereres dar uma ajudinha e divertires-te ao mesmo tempo, aqui vai a minha lista de lugares a visitar em Lesvos. Atenção que não tive a oportunidade de conhecer Mytilini que é a “capital”.

Mithymna 

Este foi sem dúvida o sítio mais bonito que vi na ilha. Deserto em pleno Dezembro, as suas ruas de calçada, a brisa marítima que brindava os poucos visitantes, na sua maioria voluntários holandeses, que apanhavam sol nas esplanadas e o castelo no topo do monte conferiam-lhe o estatuto de paraíso.

Petra

Apenas a 5 km de Mithymna, a maior atracção de Petra é a igreja que alguém decidiu construir no topo de uma rocha que deve ter aparecido ali no meio por milagre. Não se percebe muito bem como é que aquele aglomerado de pedra está no meio da vila, mas é uma vista no mínimo curiosa.

Foi também em Petra que encontrei não um, não dois, não três mas quatro (!!!) portugueses!!! Sim, no meio do nada! Achei super engraçado e ainda falámos durante alguns minutos. Estamos de facto por todo o lado.

Petra tem ar de ser muito animada no Verão com ruas que me lembram cidades costeiras da Turquia como Bodrum ou Marmaris.

Katos Tristos & a Igreja Bizantina

Não há lugar mais “aldeia grega tradicional” do que Katos Tritos. Foi aqui que morei durante uma semana, com os outros voluntários, e adorei! Íamos à padaria, ao minimercado, dizíamos “Yashas” e “Kalimera” (olá e bom dia) a todas as pessoas por quem passávamos e, para citar o Malato, fui muito feliz em Katos Tritos.

Mas a maior surpresa que esta aldeia tem para oferecer é a sua igreja histórica bizantina. Subindo pelo olival acima, vais encontrar uma igreja ortodoxa feita de pedra e uma das melhores vistas da ilha. Eu consegui chegar lá ao nascer do sol e foi encantador! Fica aqui o ponto no Google Maps.

Home for All & arredores

A minha última sugestão não podia deixar de ser uma visita ao restaurante Home for All, onde podes almoçar ou jantar, aprender mais sobre o projecto e fazer uma doação. Aconselhável marcar antes para eles saberem com quem contar.

Este porto piscatório tem um cenário épico e podes dar uns belos passeios à beira mar ali à volta.

Resumindo, se quiseres ter uma experiência diferente, que te vai dar uma perspectiva mais realista do que é uma típica ilha grega do que Mykonos e Santorini e ajudar a impulsionar a economia de Lesvos, dá lá um saltinho. Milhares de oliveiras, flamingos, sol e mar estão, pelo menos, garantidos.

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[EN] Home for All: here, there’s a burning hope for a fresh start https://www.mudancasconstantes.com/2018/12/20/home-for-all-refugee-lesvos/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=home-for-all-refugee-lesvos https://www.mudancasconstantes.com/2018/12/20/home-for-all-refugee-lesvos/#respond Thu, 20 Dec 2018 21:17:16 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=4722 They say the calm comes after the storm. In Lesvos this calmness seems reluctant in coming, but there are some slim beams of light ripping through the clouds. And those rays of sun are NGOs and volunteers who work tirelessly to make the lives of refugees a little easier. Today I want to talk to you about a very unique and special project on the island, Home for All. While most organisations try to improve living conditions within the Moria refugee camp (which is very legitimate and noble), Home for All is the only organization that takes the refugees out of the camp. But why is this so important? Because for a few hours a day they are back in a human environment, dignified, safe, comfortable and happy. There is nothing more beautiful and important than that. So let me tell you the story of this wonderful project <3 It all started, some time ago, on the island … of Lesvos It was four years ago that Nikos and Katerina, owners of a restaurant by the sea, began to see people walking, all wet, on the beaches and roads of Lesvos. They didn’t know what phenomenon that was, but they wanted to help. They began by driving these people to a place of registration for emigrants. At that time there were still no camps. They quickly realized that it was not a passing problem, but they hardly imagined what it would become. The first step was to start distributing meals to refugees. But when they saw that people ate sitting on the floor, they decided to give them a space to enjoy their meals peacefully. Until the time came when they were forced to choose between maintaining their business and devoting themselves solely to feeding the refugees. They opted for the second option. And Home for All was born In four years the Home for All transformed. Suddenly it took on a lot more than just feeding the people who were coming. It was necessary to give them clothes, comfort and a friendly shelter. And the “homes” started multiplying. Today the project is much bigger than Nikos and Katerina, although they are, without doubt, the heart that makes everything move. There are 4 “homes”, clothing warehouses, donations and hundreds of volunteers who help throughout the year and guarantee the continuation of Home for All. That’s where I made my contribution. I went to Lesvos without really knowing what awaited me. All I knew about the project was that a significant amount of their work was directed towards connecting with refugees. However, being a rather insensitive person, I did not expect it to touch me so much. A day in the life of a volunteer Our day started at the volunteers’ house in the small village of Katos Tritos. After scoffing a Greek yogurt with 8% fat and a roll full of sesame seeds I was ready to work. When we got to the restaurant we would clean everything up and make sure we were ready to greet the guests. The food was prepared by the chefs: Katerina’s daughter and her boyfriend. Then Bill (the best English man ever after my boyfriend) drove our van to Moria. I only went there twice, but I quickly realised no one should live there. However, as soon as our groups entered through the doors of the restaurant, we only had one job: to make them happy. Starting by serving them bread, pasta, rice, fish, chicken or lamb, going through intense sessions of Jenga, Mikado or colouring and ending in the delivery of packages of clothes, shoes and hygiene items, during those hours there were no volunteers and refugees. Just friendship and companionship. And we would repeat everything at dinner. In total, about 50/60 people are fed per day. In summer there is room for more. It may look like a drop of water in an ocean of 8000 people. But it’s are at least 1300 meals a month and about 500,000 a year. What this project gave me I think volunteers are the ones who benefit most from volunteering. Yes, we contribute to improve the lives of these refugees for a few hours a day, but they change our perspective forever. As cliché as it may sound, the truth is that we are indeed very lucky. We are born in a safe country and, with more or less difficulties, we can live our lives without thinking every day if this will be the last. Home for All is about giving a face to the refugee crisis. Are we touched when we read and hear about it? Most will say yes. But we don’t know them, we don’t know their stories, we didn’t speak with them. They are easily forgotten when we turn off the television or close the computer. It’s different now. Where are those Afghan girls, who I danced with for several hours on our Ladie’s Night, going to be in a year? What is it going to happen to Omir who came from Iran and who loves Ronaldo, Umar who makes videos with Pakistani songs or that 10-year-old girl from Afghanistan with smart eyes and bushy eyebrows? You can’t turn it off any more.   And we have reached the final point of what this project has brought me: contact with children. I can honestly say I’ve never felt so far outside of the comfort zone because I had to deal with kids! This may sound absurd coming from someone who has travelled half the world alone, but whoever knows me knows this is an incredible achievement :p They are the kids who need the most attention and who need to forget what surrounds them. A refugee camp is not the school they deserve, so we’re there to give them back some of their stolen childhood. And this was strangely rewarding. Disclaimer: No, I will not start playing with children regularly. This week was good but it served me for the rest of my life. How can you help? Maybe I shouldn’t have left the most important part of the post to the end, but here it goes. First, as Katerina says, the ideal would be if everyone could volunteer even for at least a week. It is the best way to perceive the dimension of the problem and the reality in the camp. Second, it would be to make a donation. The project lives only on donations and volunteers. So, if this Christmas you are feeling a particularly strong holiday spirit, here is the link to be able to offer a meal to a refugee. In addition to meals, donations help: – To keep all “houses” open and working. The restaurant, the internet cafe, and new centre for women and children; – Repair the vans used to pick up and take refugees to the camp. The vans are old and give trouble too often; – Financing new initiatives. The next project / objective is to give financial independence to some refugees. The idea is to give them the machines and materials they need to practice their crafts (there are cobblers, tailors, electricians, etc.) and sell what they do. This project can effectively change the lives of refugees. One thing I can guarantee: your donation will surely help someone. Third and final point: you can share the project. The more people know that Home for All exists, the more people can donate and more lives can be changed. I hope that I have been able to portray, even if only a little, the importance of this amazing project!

The post [EN] Home for All: here, there’s a burning hope for a fresh start appeared first on Mudanças Constantes.

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They say the calm comes after the storm. In Lesvos this calmness seems reluctant in coming, but there are some slim beams of light ripping through the clouds. And those rays of sun are NGOs and volunteers who work tirelessly to make the lives of refugees a little easier.

Today I want to talk to you about a very unique and special project on the island, Home for All. While most organisations try to improve living conditions within the Moria refugee camp (which is very legitimate and noble), Home for All is the only organization that takes the refugees out of the camp. But why is this so important? Because for a few hours a day they are back in a human environment, dignified, safe, comfortable and happy. There is nothing more beautiful and important than that.

So let me tell you the story of this wonderful project <3

It all started, some time ago, on the island … of Lesvos

It was four years ago that Nikos and Katerina, owners of a restaurant by the sea, began to see people walking, all wet, on the beaches and roads of Lesvos. They didn’t know what phenomenon that was, but they wanted to help.

They began by driving these people to a place of registration for emigrants. At that time there were still no camps. They quickly realized that it was not a passing problem, but they hardly imagined what it would become.

Home for All family <3

The first step was to start distributing meals to refugees. But when they saw that people ate sitting on the floor, they decided to give them a space to enjoy their meals peacefully. Until the time came when they were forced to choose between maintaining their business and devoting themselves solely to feeding the refugees. They opted for the second option.

And Home for All was born

In four years the Home for All transformed. Suddenly it took on a lot more than just feeding the people who were coming. It was necessary to give them clothes, comfort and a friendly shelter. And the “homes” started multiplying.

Today the project is much bigger than Nikos and Katerina, although they are, without doubt, the heart that makes everything move. There are 4 “homes”, clothing warehouses, donations and hundreds of volunteers who help throughout the year and guarantee the continuation of Home for All. That’s where I made my contribution.

I went to Lesvos without really knowing what awaited me. All I knew about the project was that a significant amount of their work was directed towards connecting with refugees. However, being a rather insensitive person, I did not expect it to touch me so much.

A day in the life of a volunteer

Our day started at the volunteers’ house in the small village of Katos Tritos. After scoffing a Greek yogurt with 8% fat and a roll full of sesame seeds I was ready to work.

Our village!

When we got to the restaurant we would clean everything up and make sure we were ready to greet the guests. The food was prepared by the chefs: Katerina’s daughter and her boyfriend.

Then Bill (the best English man ever after my boyfriend) drove our van to Moria. I only went there twice, but I quickly realised no one should live there. However, as soon as our groups entered through the doors of the restaurant, we only had one job: to make them happy.

Starting by serving them bread, pasta, rice, fish, chicken or lamb, going through intense sessions of Jenga, Mikado or colouring and ending in the delivery of packages of clothes, shoes and hygiene items, during those hours there were no volunteers and refugees. Just friendship and companionship.

And we would repeat everything at dinner. In total, about 50/60 people are fed per day. In summer there is room for more. It may look like a drop of water in an ocean of 8000 people. But it’s are at least 1300 meals a month and about 500,000 a year.

Restaurant: Home 1

What this project gave me

I think volunteers are the ones who benefit most from volunteering. Yes, we contribute to improve the lives of these refugees for a few hours a day, but they change our perspective forever.

As cliché as it may sound, the truth is that we are indeed very lucky. We are born in a safe country and, with more or less difficulties, we can live our lives without thinking every day if this will be the last.

Home for All is about giving a face to the refugee crisis. Are we touched when we read and hear about it? Most will say yes. But we don’t know them, we don’t know their stories, we didn’t speak with them. They are easily forgotten when we turn off the television or close the computer.

It’s different now. Where are those Afghan girls, who I danced with for several hours on our Ladie’s Night, going to be in a year? What is it going to happen to Omir who came from Iran and who loves Ronaldo, Umar who makes videos with Pakistani songs or that 10-year-old girl from Afghanistan with smart eyes and bushy eyebrows? You can’t turn it off any more.

 

A group of refugees helped us unload a huge lorry full of donations

And we have reached the final point of what this project has brought me: contact with children. I can honestly say I’ve never felt so far outside of the comfort zone because I had to deal with kids! This may sound absurd coming from someone who has travelled half the world alone, but whoever knows me knows this is an incredible achievement :p

They are the kids who need the most attention and who need to forget what surrounds them. A refugee camp is not the school they deserve, so we’re there to give them back some of their stolen childhood. And this was strangely rewarding.

Disclaimer: No, I will not start playing with children regularly. This week was good but it served me for the rest of my life.

How can you help?

Maybe I shouldn’t have left the most important part of the post to the end, but here it goes.

First, as Katerina says, the ideal would be if everyone could volunteer even for at least a week. It is the best way to perceive the dimension of the problem and the reality in the camp.

Best volunteers ever!! <3

Second, it would be to make a donation. The project lives only on donations and volunteers. So, if this Christmas you are feeling a particularly strong holiday spirit, here is the link to be able to offer a meal to a refugee.

In addition to meals, donations help:

– To keep all “houses” open and working. The restaurant, the internet cafe, and new centre for women and children;

– Repair the vans used to pick up and take refugees to the camp. The vans are old and give trouble too often;

– Financing new initiatives. The next project / objective is to give financial independence to some refugees. The idea is to give them the machines and materials they need to practice their crafts (there are cobblers, tailors, electricians, etc.) and sell what they do. This project can effectively change the lives of refugees.

One thing I can guarantee: your donation will surely help someone.

Third and final point: you can share the project. The more people know that Home for All exists, the more people can donate and more lives can be changed.

Here’s a cute dog asking you to donate <3

I hope that I have been able to portray, even if only a little, the importance of this amazing project!

The post [EN] Home for All: here, there’s a burning hope for a fresh start appeared first on Mudanças Constantes.

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Home for All: aqui fervilha a esperança de um recomeço https://www.mudancasconstantes.com/2018/12/14/home-for-all-lesvos/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=home-for-all-lesvos https://www.mudancasconstantes.com/2018/12/14/home-for-all-lesvos/#comments Fri, 14 Dec 2018 19:52:52 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=4673 Dizem que depois da tempestade vem a bonança. Em Lesvos essa bonança parece teimar em chegar, mas existem alguns raios de sol que rasgam a escuridão da tempestade. E esses raios de sol são as ONG’s e os voluntários que trabalham incansavelmente para tornar a vida dos refugiados um bocadinho mais leve. Hoje quero falar-vos de um projecto muito especial e único na ilha, a Home for All. Enquanto a maioria das organizações tenta melhorar as condições de vida dentro do campo de refugiados de Moria (que é muito legítimo e nobre), a Home for All é a única organização que tira os refugiados do campo. E porque é que isso é tão importante? Porque durante algumas horas estão de volta a um ambiente humano, digno, seguro, confortável e feliz. E não há nada mais bonito e importante que isso. Por isso, deixem que vos conte a história deste maravilhoso projecto <3 Tudo começou, há um tempo atrás, na ilha… de Lesvos Foi há mais ou menos quatro anos atrás que o Nikos e Katerina, donos de um restaurante à beira mar, começaram a ver pessoas a caminhar, todas molhadas, pelas praias e estradas de Lesvos. Não sabiam o que era aquele fenómeno, mas queriam ajudar. Começaram por dar boleia a estas pessoas até a um local de registo de emigrantes. Nessa altura ainda não havia campos. Rapidamente perceberam que não era um problema passageiro, mas mal imaginavam no que se iria tornar. O primeiro passo foi começar a distribuir refeições pelos refugiados. Mas quando viram que as pessoas comiam sentadas no chão, decidiram ceder-lhes um espaço para usufruírem tranquilamente das suas refeições. Até que chegou o momento em que foram obrigados a escolher entre manter o seu negócio e dedicarem-se somente a alimentar os refugiados. Optaram pela segunda opção. E nasceu a Home for All Em quatro anos a Home for All transformou-se. De repente era preciso muito mais do que apenas alimentar as pessoas que iam chegando. Era preciso dar-lhes roupas, conforto e um porto de abrigo. E as “casas” foram-se multiplicando. Hoje o projecto é muito maior do que o Nikos e a Katerina, apesar de serem eles, sem dúvida, o coração que põe tudo a mexer. São 4 “casas”, armazéns de roupas, doações e centenas de voluntários que se disponibilizam a ajudar durante o ano e, que garantem a continuação da Home for All. Foi aí que dei a minha contribuição. Fui para Lesvos sem saber bem o que me esperava. Sabia que o projecto tinha uma grande componente de lidar com os refugiados e que era isso que o tornava tão emotivo. Mas, sendo eu uma pessoa algo insensível, não estava à espera que me tocasse tanto. Um dia na vida de um voluntário O nosso dia começava na casa dos voluntários na pequena aldeia de Katos Tritos. Depois de enfardar um iogurte grego com 8% de gordura e um pãozinho cheio de sementes de sésamo tipo turco estava pronta para trabalhar. Quando chegávamos ao restaurante limpávamos tudo e certificávamos-nos que estávamos prontos a receber os convidados. A comida era preparada pelos chefes de serviço: a filha da Katerina e o namorado. Depois, o Bill (o melhor inglês de sempre depois do meu namorado) guiava a nossa van até Mória. Só lá fui duas vezes, mas chegou-me para perceber que ali não devia viver ninguém. Mas assim que os nossos grupos entravam pelas portas tanto da carrinha como do restaurante o nosso trabalho era só um: fazê-los felizes. Começando por servir-lhes pão, massa, arroz, peixe, frango ou carneiro, passando por intensas sessões de Jenga, Mikado ou colorir e acabando na entrega de embrulhos de roupas, sapatos e higienes, durante aquelas horas não havia voluntários e refugiados. Só amizade e companheirismo. E repetíamos tudo ao jantar. No total, cerca de 50/60 pessoas por dia são alimentadas. No verão há espaço para mais. Pode parecer uma gota de água num oceano de 8000 pessoas. Mas são, no mínimo, 1300 refeições por mês e cerca de 500 000 por ano. O que este projecto me deu Acho que os voluntários são quem mais beneficia do voluntariado. Sim, contribuímos para melhorar a vida destes refugiados durante algumas horas por dia, mas eles mudam a nossa perspectiva sempre. Por muito cliché que pareça, a verdade é que somos mesmo muito sortudos. Por termos nascido num país seguro e, com mais ou menos dificuldades, conseguirmos viver a nossa vida sem pensar a cada dia se este será o último. A Home for All é sobre dar um rosto à crise. Ficamos emocionados quando lemos e ouvimos sobre a crise dos refugiados? A maioria dirá que sim. Mas não os conhecemos, não sabemos as suas histórias, não falámos com eles. São facilmente esquecidos quando desligamos a televisão ou fechamos o computador. Agora é diferente. Onde é que aquelas raparigas afegãs, com quem dancei durante horas na nossa Ladie’s Night, vão estar daqui a um ano? O que é que vai ser do Omir que veio do Irão e que adora o Ronaldo, do Umar que faz vídeos com músicas paquistanesas ou daquela miúda de 10 anos do Afeganistão de olhar espevitado e sobrancelhas fartas? Já não dá para desligar. E chegamos ao ponto final do que este projecto me trouxe: o contacto com as crianças. Posso dizer que foi a semana mais fora da zona de conforto da minha vida porque tive que lidar com crianças! Isto pode parecer absurdo vindo de alguém que já viajou meio mundo sozinha, mas quem me conhece sabe que este é um feito incrível :p Mas se há crianças que precisam de atenção e de esquecer o que as rodeia são estas. Um campo de refugiados não é a escola que merecem e por isso estamos lá nós para lhes devolver um pouco da infância roubada. E isso é estranhamente compensador. Disclaimer: não, não vou começar a brincar com crianças regularmente. Esta semana foi boa mas serviu-me para o resto da vidinha. Como podes ajudar Se calhar não devia ter deixado a parte mais importante desde post para o fim, mas cá vai. Primeiro, é como a Katerina diz, o ideal seria que toda a gente pudesse ser voluntária nem que seja durante uma semana só. É a melhor forma de perceber a dimensão do problema e a realidade no campo. Segundo, seria fazer uma doação. O projecto vive apenas de doações e voluntários. Por isso, se este natal tiveres com um espírito natalícia especialmente forte, aqui fica o link para poderes oferecer uma refeição a um refugiado. Para além das refeições, as doações ajudam a: – Manter todas as “casas” abertas e a funcionar. O restaurante, o Internet café, e novo centro para mulheres e crianças; – Reparar as carrinhas utilizadas para ir buscar e levar refugiados ao campo. São carrinhas velhas que dão problemas demasiadas vezes; – Financiar novas iniciativas. O próximo projecto / objectivo é dar independência financeira a alguns refugiados. A ideia é dar-lhes máquinas e materiais necessários para praticarem os seus ofícios (há sapateiros, alfaiates, electricistas, etc…) e vender o que eles fizerem. Este projecto é o que poderá mudar efectivamente as vidas dos refugiados. Uma coisa posso garantir: a tua doação ajudará alguém certamente. Terceiro e último ponto: podes passar a palavra. Quando mais pessoas souberem que a Home for All existe, mais gente poderá doar e mais vidas poderão ser mudadas. Espero que vos tenha conseguido transmitir, nem que seja só um bocadinho, a importância deste projecto apaixonante!

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Dizem que depois da tempestade vem a bonança. Em Lesvos essa bonança parece teimar em chegar, mas existem alguns raios de sol que rasgam a escuridão da tempestade. E esses raios de sol são as ONG’s e os voluntários que trabalham incansavelmente para tornar a vida dos refugiados um bocadinho mais leve.

Hoje quero falar-vos de um projecto muito especial e único na ilha, a Home for All. Enquanto a maioria das organizações tenta melhorar as condições de vida dentro do campo de refugiados de Moria (que é muito legítimo e nobre), a Home for All é a única organização que tira os refugiados do campo. E porque é que isso é tão importante? Porque durante algumas horas estão de volta a um ambiente humano, digno, seguro, confortável e feliz. E não há nada mais bonito e importante que isso.

Por isso, deixem que vos conte a história deste maravilhoso projecto <3

Tudo começou, há um tempo atrás, na ilha… de Lesvos

Foi há mais ou menos quatro anos atrás que o Nikos e Katerina, donos de um restaurante à beira mar, começaram a ver pessoas a caminhar, todas molhadas, pelas praias e estradas de Lesvos. Não sabiam o que era aquele fenómeno, mas queriam ajudar.

Começaram por dar boleia a estas pessoas até a um local de registo de emigrantes. Nessa altura ainda não havia campos. Rapidamente perceberam que não era um problema passageiro, mas mal imaginavam no que se iria tornar.

A família Home for All <3

O primeiro passo foi começar a distribuir refeições pelos refugiados. Mas quando viram que as pessoas comiam sentadas no chão, decidiram ceder-lhes um espaço para usufruírem tranquilamente das suas refeições. Até que chegou o momento em que foram obrigados a escolher entre manter o seu negócio e dedicarem-se somente a alimentar os refugiados. Optaram pela segunda opção.

E nasceu a Home for All

Em quatro anos a Home for All transformou-se. De repente era preciso muito mais do que apenas alimentar as pessoas que iam chegando. Era preciso dar-lhes roupas, conforto e um porto de abrigo. E as “casas” foram-se multiplicando.

Hoje o projecto é muito maior do que o Nikos e a Katerina, apesar de serem eles, sem dúvida, o coração que põe tudo a mexer. São 4 “casas”, armazéns de roupas, doações e centenas de voluntários que se disponibilizam a ajudar durante o ano e, que garantem a continuação da Home for All. Foi aí que dei a minha contribuição.

Fui para Lesvos sem saber bem o que me esperava. Sabia que o projecto tinha uma grande componente de lidar com os refugiados e que era isso que o tornava tão emotivo. Mas, sendo eu uma pessoa algo insensível, não estava à espera que me tocasse tanto.

Um dia na vida de um voluntário

O nosso dia começava na casa dos voluntários na pequena aldeia de Katos Tritos. Depois de enfardar um iogurte grego com 8% de gordura e um pãozinho cheio de sementes de sésamo tipo turco estava pronta para trabalhar.

A nossa aldeia

Quando chegávamos ao restaurante limpávamos tudo e certificávamos-nos que estávamos prontos a receber os convidados. A comida era preparada pelos chefes de serviço: a filha da Katerina e o namorado.

Depois, o Bill (o melhor inglês de sempre depois do meu namorado) guiava a nossa van até Mória. Só lá fui duas vezes, mas chegou-me para perceber que ali não devia viver ninguém. Mas assim que os nossos grupos entravam pelas portas tanto da carrinha como do restaurante o nosso trabalho era só um: fazê-los felizes.

Começando por servir-lhes pão, massa, arroz, peixe, frango ou carneiro, passando por intensas sessões de Jenga, Mikado ou colorir e acabando na entrega de embrulhos de roupas, sapatos e higienes, durante aquelas horas não havia voluntários e refugiados. Só amizade e companheirismo.

E repetíamos tudo ao jantar. No total, cerca de 50/60 pessoas por dia são alimentadas. No verão há espaço para mais. Pode parecer uma gota de água num oceano de 8000 pessoas. Mas são, no mínimo, 1300 refeições por mês e cerca de 500 000 por ano.

O restaurante e Home 1

O que este projecto me deu

Acho que os voluntários são quem mais beneficia do voluntariado. Sim, contribuímos para melhorar a vida destes refugiados durante algumas horas por dia, mas eles mudam a nossa perspectiva sempre.

Por muito cliché que pareça, a verdade é que somos mesmo muito sortudos. Por termos nascido num país seguro e, com mais ou menos dificuldades, conseguirmos viver a nossa vida sem pensar a cada dia se este será o último.

A Home for All é sobre dar um rosto à crise. Ficamos emocionados quando lemos e ouvimos sobre a crise dos refugiados? A maioria dirá que sim. Mas não os conhecemos, não sabemos as suas histórias, não falámos com eles. São facilmente esquecidos quando desligamos a televisão ou fechamos o computador.

Agora é diferente. Onde é que aquelas raparigas afegãs, com quem dancei durante horas na nossa Ladie’s Night, vão estar daqui a um ano? O que é que vai ser do Omir que veio do Irão e que adora o Ronaldo, do Umar que faz vídeos com músicas paquistanesas ou daquela miúda de 10 anos do Afeganistão de olhar espevitado e sobrancelhas fartas? Já não dá para desligar.

Grupo de refugiados que nos ajudaram a descarregar um camião cheio de doações

E chegamos ao ponto final do que este projecto me trouxe: o contacto com as crianças. Posso dizer que foi a semana mais fora da zona de conforto da minha vida porque tive que lidar com crianças! Isto pode parecer absurdo vindo de alguém que já viajou meio mundo sozinha, mas quem me conhece sabe que este é um feito incrível :p

Mas se há crianças que precisam de atenção e de esquecer o que as rodeia são estas. Um campo de refugiados não é a escola que merecem e por isso estamos lá nós para lhes devolver um pouco da infância roubada. E isso é estranhamente compensador.

Disclaimer: não, não vou começar a brincar com crianças regularmente. Esta semana foi boa mas serviu-me para o resto da vidinha.

Como podes ajudar

Se calhar não devia ter deixado a parte mais importante desde post para o fim, mas cá vai.

Primeiro, é como a Katerina diz, o ideal seria que toda a gente pudesse ser voluntária nem que seja durante uma semana só. É a melhor forma de perceber a dimensão do problema e a realidade no campo.

Melhores voluntários de sempre!! <3

Segundo, seria fazer uma doação. O projecto vive apenas de doações e voluntários. Por isso, se este natal tiveres com um espírito natalícia especialmente forte, aqui fica o link para poderes oferecer uma refeição a um refugiado.

Para além das refeições, as doações ajudam a:

Manter todas as “casas” abertas e a funcionar. O restaurante, o Internet café, e novo centro para mulheres e crianças;

– Reparar as carrinhas utilizadas para ir buscar e levar refugiados ao campo. São carrinhas velhas que dão problemas demasiadas vezes;

– Financiar novas iniciativas. O próximo projecto / objectivo é dar independência financeira a alguns refugiados. A ideia é dar-lhes máquinas e materiais necessários para praticarem os seus ofícios (há sapateiros, alfaiates, electricistas, etc…) e vender o que eles fizerem. Este projecto é o que poderá mudar efectivamente as vidas dos refugiados.

Uma coisa posso garantir: a tua doação ajudará alguém certamente.

Terceiro e último ponto: podes passar a palavra. Quando mais pessoas souberem que a Home for All existe, mais gente poderá doar e mais vidas poderão ser mudadas.

Fica aqui um cão fofo a apelar às doações

Espero que vos tenha conseguido transmitir, nem que seja só um bocadinho, a importância deste projecto apaixonante!

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Moria: Um inferno onde as chamas não param de arder https://www.mudancasconstantes.com/2018/12/11/moria-grecia-campo-refugiados/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=moria-grecia-campo-refugiados https://www.mudancasconstantes.com/2018/12/11/moria-grecia-campo-refugiados/#comments Tue, 11 Dec 2018 19:30:06 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=4665 English version here No verão de 2015 não havia telejornal que não abrisse com a crise de refugiados no mediterrâneo. Nesse ano 1 milhão de pessoas à procura de asilo entrou na Europa, tornando esta crise na maior alguma vez registada no nosso continente. Mas, enquanto no início as pessoas que iam chegando conseguiam tratar das burocracias necessárias em poucos dias, com o número crescente de barcos e pessoas a aparecer, os tempos de espera aumentaram. Para anos. O que significa que o campo de Moria, inicialmente concebido para alojar até 2000 refugiados, é hoje a “casa” de 8000 a 10 000 refugiados. Três anos depois, barcos continuam a chegar à ilha de Lesvos todos os dias, mesmo no inverno. Nestas condições, não se prevê uma solução num futuro breve (nem a longo prazo). Decidi escrever este post em particular, não para partilhar a minha experiência em Lesvos, mas para partilhar o que aprendi sobre o dia-a-dia no campo de Moria e as razões pelas quais é urgente mais financiamento para o campo e intervenção política para pelo menos melhorar as condições de vida dos refugiados. Apesar de ser um tema esquecido pelos media, é um problema que está longe de ser resolvido. A viagem até Lesvos A grande maioria dos refugiados que conheci vinham de países longínquos. Afeganistão, Paquistão, Camarões ou Congo são alguns dos exemplos. Só para chegar à Europa, sabe-se lá o que passaram. Trazidos por contrabandistas, é-lhes vendida uma mentira. Vêm em busca do sonho: morar num país seguro, onde possam trabalhar, viver e talvez sustentar as suas famílias. Viajam ilegalmente, enganados por aqueles que lhes garantem uma passagem segura para a Europa. Não sabem que vão ser postos num barco inseguro, com coletes salva-vidas falsos, para um destino incerto. Os que não aceitam embarcar são ameaçados ou mesmo mortos nas praias turcas. Afinal não são ninguém. Sem documentos, não existem. Depois vem a parte mais perigosa de todo o percurso: a viagem de barco até à ilha. Os barcos levam o dobro da sua capacidades e para a grande maioria dos refugiados, esta é a primeira vez que estão a ver o mar. Existem histórias horripilantes sobre estas travessias. E, para aqueles que efectivamente conseguem alcançar terra firme de novo, o sentimento é de celebração e felicidade. Claramente não sabem o que ainda está para vir. O ambiente e condições no campo de Moria Molhados, confusos e assoberbados está agora na altura de andar até Moria. Dependendo do lugar onde atracaram na ilha o percurso poderá demorar até dois dias. Algumas organizações e voluntários dedicam-se a ajudar neste trajecto, mas durante algum tempo as autoridades proibiram qualquer tipo de ajuda no transporte de refugiados. Felizmente isso já mudou. Chegou finalmente a hora de pedir asilo. Moria é um campo de registo, e é por isso que todas as pessoas são para lá encaminhadas. A cada pessoa é dada uma data para uma entrevista de pedido de asilo. Para quando? Dali a um ou dois anos. E é aí que a esperança começa a esmorecer. Durante esse tempo terão que viver no campo de refugiados de Moria, sem a possibilidade de se deslocarem para fora da ilha ou de trabalhar. Só lhes resta esperar. E essa espera torna-se ainda mais desesperante pelas condições do campo. O ambiente é opressivo. Há uma enorme segregação entre as diversas nacionalidades no campo. Os Afegãos não se dão com os Árabes, nacionais do Congo e Camarões não simpatizam com Somalis ou Eritreus e ninguém gosta dos Curdos. As condições são inumanas. O campo oficial parece uma prisão, anteriormente era um campo militar. É aí que mora a grande maioria dos refugiados. Ao chegar, ficam numa tenda para 200 pessoas. Depois serão, ou não, distribuídos pelos contentores do campo, as ISO Boxes, o único lugar onde ficarão mais abrigados do frio e chuva, mas que têm que partilhar, muitas vezes, com mais 25 pessoas. E depois existem as tendas. Devido à incapacidade do campo original de receber todas as pessoas que chegam, criou-se um novo campo adequadamente apelidado de “A Selva”. São centenas de tendas ou bocados de lona que alojam milhares de pessoas sem acesso a saneamento básico ou electricidade. Quando chove não há forma de escapar, o chão transforma-se em lama e e água entra por todos os lados. Segurança? Não existe. Histórias de violações, agressões ou suicídios são o pão nosso de cada dia. Comida? Duas a três horas de espera para o pequeno-almoço, o mesmo para o almoço e jantar. Recebem talvez um prato de arroz ou papas fora do prazo. Todos os membros da família têm que estar presentes para pedir comida. Resultado? Cerca de 9 horas por dia passadas à espera numa fila. Medicamentos? “Não temos, bebe água” Saneamento? Uma casa de banho para 70 pessoas e um duche para 80. 90€ por mês. É quanto cada refugiado recebe por mês quando vive no campo de refugiados de Moria. Como é que é possível sobreviver nestas condições? Honestamente não sei. A verdade é que cada refugiado que conheci tinha um sorriso para oferecer e assim que são postos num ambiente de conforto e segurança transformam-se. E é sobre essa transformação que vou falar no próximo post. “Metam pessoas num ambiente de animais e transformar-se-ão em animais” foi uma das frases que mais me marcou durante a minha semana em Lesvos. Há uma urgência em devolver a dignidade a estas pessoas e dar-lhes, pelo menos, a possibilidade de fazerem algo com o seu tempo. Existem outros campos na ilha de Lesvos, mas felizmente têm melhores condições. O de Kara Tepe, por exemplo, onde toda a gente vive em ISO Boxes e onde se limitam a alojar 1000 pessoas. Dezenas ou centenas de ONG’s trabalham arduamente para aliviar o sofrimento dos refugiados. Por outro lado existe ainda a ilha de Samos, onde também chegam milhares de refugiados todos os anos. Aqui vivem em condições tão más ou piores que em Lesvos. Um dos principais problemas: ninguém sabe disto. Se existe uma luz ao fundo deste túnel eu não a consigo ver. Contudo, e para aliviar um pouco a depressão que é este post, existe um “farol” sobrevive no meio da escuridão. E esse farol, senhores e senhoras, chama-se Home for All.

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English version here

No verão de 2015 não havia telejornal que não abrisse com a crise de refugiados no mediterrâneo. Nesse ano 1 milhão de pessoas à procura de asilo entrou na Europa, tornando esta crise na maior alguma vez registada no nosso continente.

Mas, enquanto no início as pessoas que iam chegando conseguiam tratar das burocracias necessárias em poucos dias, com o número crescente de barcos e pessoas a aparecer, os tempos de espera aumentaram. Para anos.

O que significa que o campo de Moria, inicialmente concebido para alojar até 2000 refugiados, é hoje a “casa” de 8000 a 10 000 refugiados. Três anos depois, barcos continuam a chegar à ilha de Lesvos todos os dias, mesmo no inverno. Nestas condições, não se prevê uma solução num futuro breve (nem a longo prazo).

Decidi escrever este post em particular, não para partilhar a minha experiência em Lesvos, mas para partilhar o que aprendi sobre o dia-a-dia no campo de Moria e as razões pelas quais é urgente mais financiamento para o campo e intervenção política para pelo menos melhorar as condições de vida dos refugiados. Apesar de ser um tema esquecido pelos media, é um problema que está longe de ser resolvido.

A viagem até Lesvos

A grande maioria dos refugiados que conheci vinham de países longínquos. Afeganistão, Paquistão, Camarões ou Congo são alguns dos exemplos. Só para chegar à Europa, sabe-se lá o que passaram. Trazidos por contrabandistas, é-lhes vendida uma mentira. Vêm em busca do sonho: morar num país seguro, onde possam trabalhar, viver e talvez sustentar as suas famílias.

Viajam ilegalmente, enganados por aqueles que lhes garantem uma passagem segura para a Europa. Não sabem que vão ser postos num barco inseguro, com coletes salva-vidas falsos, para um destino incerto. Os que não aceitam embarcar são ameaçados ou mesmo mortos nas praias turcas. Afinal não são ninguém. Sem documentos, não existem.

Depois vem a parte mais perigosa de todo o percurso: a viagem de barco até à ilha. Os barcos levam o dobro da sua capacidades e para a grande maioria dos refugiados, esta é a primeira vez que estão a ver o mar. Existem histórias horripilantes sobre estas travessias.

Imagem: Wikipedia

E, para aqueles que efectivamente conseguem alcançar terra firme de novo, o sentimento é de celebração e felicidade. Claramente não sabem o que ainda está para vir.

O ambiente e condições no campo de Moria

Molhados, confusos e assoberbados está agora na altura de andar até Moria. Dependendo do lugar onde atracaram na ilha o percurso poderá demorar até dois dias. Algumas organizações e voluntários dedicam-se a ajudar neste trajecto, mas durante algum tempo as autoridades proibiram qualquer tipo de ajuda no transporte de refugiados. Felizmente isso já mudou.

Chegou finalmente a hora de pedir asilo. Moria é um campo de registo, e é por isso que todas as pessoas são para lá encaminhadas. A cada pessoa é dada uma data para uma entrevista de pedido de asilo. Para quando? Dali a um ou dois anos. E é aí que a esperança começa a esmorecer.

Durante esse tempo terão que viver no campo de refugiados de Moria, sem a possibilidade de se deslocarem para fora da ilha ou de trabalhar. Só lhes resta esperar.

E essa espera torna-se ainda mais desesperante pelas condições do campo. O ambiente é opressivo. Há uma enorme segregação entre as diversas nacionalidades no campo. Os Afegãos não se dão com os Árabes, nacionais do Congo e Camarões não simpatizam com Somalis ou Eritreus e ninguém gosta dos Curdos.

As condições são inumanas. O campo oficial parece uma prisão, anteriormente era um campo militar. É aí que mora a grande maioria dos refugiados. Ao chegar, ficam numa tenda para 200 pessoas. Depois serão, ou não, distribuídos pelos contentores do campo, as ISO Boxes, o único lugar onde ficarão mais abrigados do frio e chuva, mas que têm que partilhar, muitas vezes, com mais 25 pessoas.

Imagem: Bill Hunter

E depois existem as tendas. Devido à incapacidade do campo original de receber todas as pessoas que chegam, criou-se um novo campo adequadamente apelidado de “A Selva”. São centenas de tendas ou bocados de lona que alojam milhares de pessoas sem acesso a saneamento básico ou electricidade. Quando chove não há forma de escapar, o chão transforma-se em lama e e água entra por todos os lados.

Segurança? Não existe. Histórias de violações, agressões ou suicídios são o pão nosso de cada dia.

Comida? Duas a três horas de espera para o pequeno-almoço, o mesmo para o almoço e jantar. Recebem talvez um prato de arroz ou papas fora do prazo. Todos os membros da família têm que estar presentes para pedir comida. Resultado? Cerca de 9 horas por dia passadas à espera numa fila.

Medicamentos? “Não temos, bebe água”

Saneamento? Uma casa de banho para 70 pessoas e um duche para 80.

90€ por mês. É quanto cada refugiado recebe por mês quando vive no campo de refugiados de Moria.

Como é que é possível sobreviver nestas condições? Honestamente não sei. A verdade é que cada refugiado que conheci tinha um sorriso para oferecer e assim que são postos num ambiente de conforto e segurança transformam-se. E é sobre essa transformação que vou falar no próximo post.

“Metam pessoas num ambiente de animais e transformar-se-ão em animais” foi uma das frases que mais me marcou durante a minha semana em Lesvos. Há uma urgência em devolver a dignidade a estas pessoas e dar-lhes, pelo menos, a possibilidade de fazerem algo com o seu tempo.

Existem outros campos na ilha de Lesvos, mas felizmente têm melhores condições. O de Kara Tepe, por exemplo, onde toda a gente vive em ISO Boxes e onde se limitam a alojar 1000 pessoas. Dezenas ou centenas de ONG’s trabalham arduamente para aliviar o sofrimento dos refugiados.

Imagem: Wikipedia

Por outro lado existe ainda a ilha de Samos, onde também chegam milhares de refugiados todos os anos. Aqui vivem em condições tão más ou piores que em Lesvos. Um dos principais problemas: ninguém sabe disto. Se existe uma luz ao fundo deste túnel eu não a consigo ver.

Contudo, e para aliviar um pouco a depressão que é este post, existe um “farol” sobrevive no meio da escuridão. E esse farol, senhores e senhoras, chama-se Home for All.

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