City Breaks,  Grécia

Atenas: do berço da democracia aos rabiscos modernos

Faltava-me ver uma das mais emblemáticas capitais europeias: Atenas. Atenas, à semelhança de Roma, é um museu a céu aberto onde se pisa património da Humanidade a cada passo. Com apenas vinte e quatro horas para percorrer os seus mais de cinco mil anos de história, tínhamos que dar corda aos sapatos!

Atenas é uma cidade que facilmente pode gerar sentimentos contraditórios. Por um lado tem a famosa Acrópole e ruínas tão bem preservadas que conseguimos imaginar como seria viver na antiguidade grega. Por outro, é a cidade europeia mais suja e insegura que já visitei.

Não querendo ignorar este lado mais duro da cidade e para tentar compreender como vivem os habitantes de Atenas, começámos por fazer a habitual Free Walking Tour. Já perdi a conta à quantidade de free tours que fiz na vida, mas posso dizer que esta vale mesmo a pena.

As histórias não contadas de Atenas

“No fim desta tour só desejo uma coisa: que vocês adorem Atenas tanto quanto eu” dizia a Eva, a nossa guia, com uma energia contagiante. Durante as horas que se seguiram a Eva deliciou-nos com histórias e factos sobre aquela cidade que nunca descobriríamos de outra forma.

Claro que quando pensamos em Atenas pensamos também nos Jogos Olímpicos e como tal o dia começou no majestoso Zappeion Exhibition Hall, que foi usado como palco dos duelos de esgrima nos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna em 1896.

Não muito longe está o Panathenaic Stadium, o único estádio do mundo feito totalmente em mármore. Há dois mil e quinhentos anos, no lugar onde está hoje este “novo” estádio (estreado nos Jogos de 1896) existiram outros estádios onde se disputaram as primeira formas de provas de atletismo onde os atletas eram homens nus. E ele há gente que quer acabar com tradições…

Para não me alongar mais com factos Olímpicos (que eu adoro) deixo aqui um link com alguma informação, incluindo a história da maratona!

De tudo o que vimos e aprendemos nessa manhã, foram os soldados em frente à mansão da presidente (Evzones), que guardam um monumento dedicado ao Soldado Desconhecido (Unkown Soldier), que mais prenderam a minha atenção.

A Grécia é um país que só reconquistou a sua independência aos Otomanos em 1821 e como tal ainda dão muita importância a simbolismos militares. Cada vez que os Evzones trocam a guarda há um particular ritual envolvido, uma espécie de dança sincronizada em câmera lenta.

Tudo isto enquanto envergam uma farda no mínimo curiosa que inclui sapatos com pompons que pesam três quilos cada! Mais uma vez deixo os detalhes aqui, mas é algo que só visto!

Ruas e ruelas no sopé da democracia

Com os cérebros cheios de informação ainda a ser processada, não nos podíamos dar ao luxo de abrandar o passo. Sem rotas planeadas nem guias enveredámos pelas estreitas e tradicionais ruas dos bairros Plaka e Anafiotika.

Este oásis de cores e detalhes é a melhor parte de Atenas (e sim, eu visitei o Parthenon!). É nestas ruas, umas mais bem tratadas que outras, umas com mais alma que outras que começo a perceber que de facto se pode adorar Atenas.

Incentivados por uns senhores sentados num banco, entrámos por ruelas que parecem não ter saída, mas que vão dar à linha da frente de uma das maiores relíquias da Humanidade: a Acrópole!

No bairro de Plaka, o mais hipster de Atenas, há arte urbana muito boa para ser explorada que contrasta com o classicismo das colunas, templos e esculturas milenares.

Tropeçando em património da Humanidade

Agora sim, a razão pela qual toda a gente visita Atenas: calhaus! Os Gregos não brincavam em serviço no que toca a tornar pedra em obra de arte. Por toda a cidade se encontram ruínas, umas mais bem preservadas que outras, que impressionam mais do que qualquer arranha céus.

À semelhança de muitos outros sítios impõe-se a questão: como é que eles fizeram isto?

A beleza das estátuas, os detalhes das colunas e a dimensão das construções parecem surreais, até para os padrões de hoje em dia.  

Nós visitámos a maioria dos monumentos incluídos no bilhete combinado: Hadrian’s Library, a Ancient Agora, a Roman Agora e o Olympieion. Honestamente acho que valem todos a pena, mas se tiveres muito, muito pouco tempo em Atenas os que não podes mesmo falhar são a Ancient Agora e a Acrópole.

Deixámos a Acrópole para as últimas horas do dia para fugir ao calor e às multidões e que bem que fizemos! A única coisa que me arrependo é ter pensado “em duas horas vemos aquilo”. Há teatros, fontes, templos, santuários, miradouros e muito mais para explorar. Ao pôr do sol, a pedra outrora branca fica com uma tez entre o rosa e o laranja e tudo fica ainda mais bonito.

Se tiveres essa possibilidade faz uma visita guiada à Acrópole, por que há muito que os nossos olhos pouco treinados não vêem. Se não, podes ir ao Youtube (como eu) onde vais encontrar muitos vídeos que te darão uma boa noção do que para ali vai!

No fim do dia tínhamos percorrido mais de vinte quilómetros e tínhamos cumprido o desejo da Eva: adorámos Atenas!

Dicas rápidas

Restaurantes: Foi logo na primeira refeição da viagem, em Atenas, que me apercebi que a balança ia acusar estas férias. Tenho duas recomendações: BeeRaki e Karamanlidika. O primeiro ficava mesmo ao lado do nosso alojamento, mas não é muito central. O segundo fica a poucos minutos a pé da Praça Monastiraki. Recomendo todos os pratos e mais alguns! A comida grega é simplesmente incrível (e muito em conta!)

Bilhetes para a Acrópole: Como mencionei em cima há um bilhete combinado para todos os monumentos mais importantes de Atenas. Esse bilhete pode ser comprado em qualquer um dos monumentos, o que é muito conveniente para não ter que estar na fila da Acrópole. Os preços em Atenas variam consoante a época (época baixa e época alta) e se visitares em época alta (Abril a Outubro) vale mesmo muito a pena gastar os 30€ do bilhete combinado, só a Acrópole são 20€. Se visitares em época baixa, depende. O preço da Acrópole baixa para 10€, mas o do combinado mantém-se, por isso só vale a pena se visitares todos ou quase todos os monumentos incluídos.

Segurança: Se fores uma mulher a viajar sozinha aconselho-te a ficar na zona mais central e turística de Atenas. Como já referi, Atenas não é uma cidade particularmente segura e tem zonas maioritariamente muçulmanas onde não se vê uma única mulher nas redondezas. Eu estive meio dia sozinha em Atenas e não me senti muito segura ao usar roupas de verão.

Aeroporto – Centro: A forma mais barata de se chegar ao centro a partir do Aeroporto é ir de autocarro. Na Grécia convém ter sempre alguns trocos na carteira porque nem todos os sítios aceitam cartões. Há um guichê à saída do aeroporto onde podes comprar os bilhetes por 6€.

Alfacinha germinada e cultivada num cantinho à beira mar plantado, a Inês tem uma certa inquietação que não a deixa ficar muito tempo tempo no mesmo sítio. Fez Erasmus em Paris, trabalhou em Istambul e em Portugal, fez um mestrado em Creative Advertising em Milão e agora trabalha no Reino Unido. Viajar, criatividade, cozinhar, dançar e ler são algumas das suas paixões. A combinação de algumas delas deu origem a este blog, o Mudanças Constantes. Bem-vindos!

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