Reino Unido Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/reino-unido/ Blog de viagens para inquietos e irrequietos Sun, 23 Jan 2022 12:42:22 +0000 en-GB hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://www.mudancasconstantes.com/wp-content/uploads/2018/10/cropped-Untitled-design-1-32x32.png Reino Unido Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/reino-unido/ 32 32 Isle of Skye: as fadas moram aqui https://www.mudancasconstantes.com/2021/08/25/ilha-skye-escocia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=ilha-skye-escocia https://www.mudancasconstantes.com/2021/08/25/ilha-skye-escocia/#respond Wed, 25 Aug 2021 20:37:05 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=6605 Quando visitei a ilha de Skye há oito anos senti que aquele era um lugar especial. Eu sou completamente céptica relativamente a tudo o que é espiritualidade, anjinhos e outras coisas não provadas pela ciência, mas de alguma forma parecia que havia ali uma energia diferente. Na altura, um dia foi todo o tempo que tivemos (eu e os meus pais) para ver esta ilha, mas desde então sabia que haveria de regressar. Assim sendo, desta vez reservei quatro dias completos para me deixar enfeitiçar, e dia após dia Skye deixou-me estupefacta com a sua beleza em bruto. Aqui vamos nós! As Fadas da Terra moram no Fairy Glen A viagem de autocarro de Fort William até Portree (a vila maiorzinha em Skye) traduz-se em três horas de estradas que contornam lagos, vales e rios. Tudo debaixo de nuvens e uma chuva miudinha que é tão característica da Escócia. À chegada a Portree, depois de ir deixar a mochila no Airbnb que ia ser o meu ninho de repouso nos dias seguintes, tinha que fazer uma escolha: deixar-me ficar no quentinho do quarto e deixar as caminhadas para o dia seguinte ou ir estrear o poncho que comprara há algumas horas. Ganhou a segunda opção e lá fui eu para o autocarro que saía daquela que era possivelmente a única escola da ilha. Portanto lá fui eu e os miúdos do quinto ano até Uig onde fica o Fairy Glen.Só pela paragem de autocarro do meu destino já tinha valido a pena o passeio. Apesar das nuvens baixas, a baía de Uig era uma celebração de azuis e verdes e uma premonição daquilo que estava para vir. Vinte e cinco minutos depois e várias paragens para fotografar ovelhas e lutar contra o vento e a chuva que ora vinham, ora iam, cheguei ao vale mais encantado de Skye. As fotografias definitivamente não conseguem captar o misticismo deste lugar e das suas colinas singulares. Por mim tinha ficado por ali durante horas a explorar as redondezas (como se não bastasse o vale em si ainda há várias quedas de água por perto), mas tinha os minutos contados. Após uma voltinha rápida e desorientada por aquele que foi um dos lugares que mais gostei em toda a minha viagem vi-me obrigada a correr, literalmente, até à paragem de autocarro para apanhar o último serviço do dia às seis da tarde. Claro que o autocarro só apareceu dez minutos depois e o meu suor foi em vão, mas a decisão de ir apanhar chuva e explorar a ilha em vez de ficar no bem bom foi a melhor que tomei! As Fadas do Ar moram no Quiraing Ao terceiro dia o sol decidiu aparecer em Skye e as rajadas de vento já não me faziam levantar voo. Apanhei o primeiro autocarro do dia em direcção ao Norte da ilha onde fica o Quiraing. Depois de trinta minutos a andar na companhia de rebanhos de ovelhas cheguei ao ponto oficial de início da caminhada. As horas que se seguiram foram absolutamente inesquecíveis. Do início ao fim, o circuito de Quiraing é uma surpresa a cada curva. As cores, os lagos, o mar… tudo funciona numa sinfonia paisagística perfeita. O facto de ter feito a caminhada sem me cruzar com ninguém tornou a experiência ainda mais especial e fez-me pensar que as pessoas que simplesmente conduzem até ao miradouro principal do Quiraing para tirar uma fotografia sem fazerem a caminhada não sabem o que perdem! Dica: podes encontrar o trilho que fiz aqui. Se não tiveres carro como eu, não precisas de caminhar até ao ponto de começo, podes “entrar” pelo caminho perto do cemitério (cemetery parking no google maps). O mais aconselhado é fazer a caminhada no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio. Prepara-te para ventos bastante fortes e não tentes fazer o trilho num dia de mau tempo. Esta é definitivamente uma das melhores caminhadas que já fiz. À tarde ainda fiz o trilho do Old Man of Storr, que é o mais famoso da ilha devido à sua curiosa formação rochosa e as suas “agulhas”. Infelizmente não me apercebi que havia dois caminhos possíveis e acabei por não subir até às famosas agulhas, mas mesmo assim não me posso queixar das vistas. Deixo aqui o link do trilho que devia ter feito. Enquanto esperava pelo autocarro de regresso, meti conversa com a única outra pessoa que também estava à espera do último autocarro do dia e descobrimos que íamos estar as duas no mesmo hostel no dia seguinte. Muitas horas passámos na sala comum desse hostel em Inverness a conversar sobre viagens, vinte e quatro horas depois. As Fadas da Água moram nas Fairy Pools Foram precisas duas tentativas, uma delas obviamente falhada, para chegar às Fairy Pools. Mais uma vez, a falta de carro tornou esta jornada mais interessante porque foi preciso uma caminhada de cinco horas no total para fazer algo que se faz de carro em meia hora. Desta vez tive que atravessar o sopé das Montanhas Cullins, sempre ao lado de um riacho que se transformava numa nova cascata a cada 100 metros. Como já estava habituada, não avistei vivalma e os passaritos e ovelhas foram, mais uma vez, a minha companhia. Cerca de duas horas depois cheguei às Fairy Pools que me apresentaram a mais umas quantas tonalidades de azul. É fácil de perceber porque é que estas “piscinas de fadas” aparecem em todos os roteiros turísticos. Apesar das temperaturas pouco convidativas, alguns corajosos aventuram-se a mergulhar nas pequenas poças de um azul muito fotogénico. Quanto mais se anda, menos gente há e mais bonitas se tornam estas piscinas naturais. Voltando à primeira tentativa: a previsão metereológica para a manhã da primeira tentativa não era a melhor, mas havia a possibilidade de não chover muito e portanto lá apanhei o primeiro autocarro até Sligachan onde começa a caminhada. Claro que estava a chover “cats and dogs”, como dizem aqui, e assim ficou durante duas horas que foi o tempo que tive que esperar na paragem até apanhar o autocarro seguinte. Quando o autocarro veio não aceitavam cartões (inédito no Reino Unido), mas o condutor deixou-me entrar na mesma. No fim da viagem, quando ia levantar dinheiro para pagar o senhor deve ter sentido pena do meu ar desconsolado, frio e molhado e disse que me oferecia a viagem. Uma das vantagens de viajar sozinha! Portree, a solução para o clima escocês No dia da minha tentativa falhada nas Fairy Pools tive que arranjar uma solução para me entreter durante o resto do dia. Depois de um banho quente, estava na hora de encontrar uma refeição quente. Felizmente dei com o Cafe Arriba que para além de ter comida ultra saborosa e bem confecionada (com porções bem generosas) também tem uma vista para a baia de Portree que parece uma pintura. O almoço reconfortante ajudou-me a ultrapassar o trauma da molha que apanhei e arrisquei uma pequena caminhada à volta de Portree. Para minha surpresa a chuva aguentou-se e deixou-me fazer um circuito de três quilómetros – Scorrybreac Circuit – surpreendentemente bonito e agradável. O resto da tarde foi passado dentro de um pub a conversar com um médico do Bangladesh que conheci através do Couchsurfing. Este é o resumo dos meus dias em Skye e não é que por mim voltava para lá já para o ano? Continua a ser um dos meus lugares preferidos! Dicas rápidas Alojamento: Em tempos Covidosos não havia hostels abertos em Skye, por isso tive que recorrer ao Airbnb o que até foi bom, porque depois de caminhar mais de vinte e tal quilómetros não há nada melhor que um quartinho solitário. Conta gastar entre 70 a 80 pounds por noite se optares por um Airbnb perto do centro de Portree. O alojamento no Reino Unido é bastante caro. Transportes: A minha maior preocupação na preparação desta viagem era não ter carro. Foram muitas pesquisar no Google “Skye without a car”. Muitas diziam que não era possível, mas claro que tudo é possível. Há autocarros que ligam os principais pontos da ilha: Broadford, Sligachan, Portree e Uig. Felizmente, todos os pontos que queria visitar estavam nessa rota. É claro que requer um nível de planeamento maior, porque há poucos autocarros e começam cedo e acabam cedo. Se gostas de andar e queres mesmo visitar Portree, acho que não ter carro não é desculpa. O Google Maps é bastante fiável no que toca aos horários dos autocarros na ilha, mas podes sempre consultar o site da citylink e da stagecoach. Podes comprar um passe diário a bordo dos autocarros stagecoach que compensa se usares mais do que dois autocarros por dia. Refeições: A maioria das minhas refeições saíram do Coop (supermercado) de Portree. Como o quarto que aluguei não tinha cozinha, tive que inovar e cozinhar umas massas recheadas com a água a ferver vinda de um kettle e aquecer um molho de tomate com o vapor d’água. Durante o dia aconselho a levares comida suficiente porque não há muita oferta disponível.

The post Isle of Skye: as fadas moram aqui appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
Quando visitei a ilha de Skye há oito anos senti que aquele era um lugar especial. Eu sou completamente céptica relativamente a tudo o que é espiritualidade, anjinhos e outras coisas não provadas pela ciência, mas de alguma forma parecia que havia ali uma energia diferente.

Na altura, um dia foi todo o tempo que tivemos (eu e os meus pais) para ver esta ilha, mas desde então sabia que haveria de regressar. Assim sendo, desta vez reservei quatro dias completos para me deixar enfeitiçar, e dia após dia Skye deixou-me estupefacta com a sua beleza em bruto. Aqui vamos nós!

As Fadas da Terra moram no Fairy Glen

A viagem de autocarro de Fort William até Portree (a vila maiorzinha em Skye) traduz-se em três horas de estradas que contornam lagos, vales e rios. Tudo debaixo de nuvens e uma chuva miudinha que é tão característica da Escócia.

À chegada a Portree, depois de ir deixar a mochila no Airbnb que ia ser o meu ninho de repouso nos dias seguintes, tinha que fazer uma escolha: deixar-me ficar no quentinho do quarto e deixar as caminhadas para o dia seguinte ou ir estrear o poncho que comprara há algumas horas.

Ganhou a segunda opção e lá fui eu para o autocarro que saía daquela que era possivelmente a única escola da ilha. Portanto lá fui eu e os miúdos do quinto ano até Uig onde fica o Fairy Glen.

Só pela paragem de autocarro do meu destino já tinha valido a pena o passeio.
Apesar das nuvens baixas, a baía de Uig era uma celebração de azuis e verdes e uma premonição daquilo que estava para vir.

Vinte e cinco minutos depois e várias paragens para fotografar ovelhas e lutar contra o vento e a chuva que ora vinham, ora iam, cheguei ao vale mais encantado de Skye. As fotografias definitivamente não conseguem captar o misticismo deste lugar e das suas colinas singulares.

Por mim tinha ficado por ali durante horas a explorar as redondezas (como se não bastasse o vale em si ainda há várias quedas de água por perto), mas tinha os minutos contados. Após uma voltinha rápida e desorientada por aquele que foi um dos lugares que mais gostei em toda a minha viagem vi-me obrigada a correr, literalmente, até à paragem de autocarro para apanhar o último serviço do dia às seis da tarde.

Claro que o autocarro só apareceu dez minutos depois e o meu suor foi em vão, mas a decisão de ir apanhar chuva e explorar a ilha em vez de ficar no bem bom foi a melhor que tomei!


As Fadas do Ar moram no Quiraing

Ao terceiro dia o sol decidiu aparecer em Skye e as rajadas de vento já não me faziam levantar voo. Apanhei o primeiro autocarro do dia em direcção ao Norte da ilha onde fica o Quiraing. Depois de trinta minutos a andar na companhia de rebanhos de ovelhas cheguei ao ponto oficial de início da caminhada. As horas que se seguiram foram absolutamente inesquecíveis.

Do início ao fim, o circuito de Quiraing é uma surpresa a cada curva. As cores, os lagos, o mar… tudo funciona numa sinfonia paisagística perfeita. O facto de ter feito a caminhada sem me cruzar com ninguém tornou a experiência ainda mais especial e fez-me pensar que as pessoas que simplesmente conduzem até ao miradouro principal do Quiraing para tirar uma fotografia sem fazerem a caminhada não sabem o que perdem!

Dica: podes encontrar o trilho que fiz aqui. Se não tiveres carro como eu, não precisas de caminhar até ao ponto de começo, podes “entrar” pelo caminho perto do cemitério (cemetery parking no google maps). O mais aconselhado é fazer a caminhada no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio. Prepara-te para ventos bastante fortes e não tentes fazer o trilho num dia de mau tempo.

Esta é definitivamente uma das melhores caminhadas que já fiz.

À tarde ainda fiz o trilho do Old Man of Storr, que é o mais famoso da ilha devido à sua curiosa formação rochosa e as suas “agulhas”. Infelizmente não me apercebi que havia dois caminhos possíveis e acabei por não subir até às famosas agulhas, mas mesmo assim não me posso queixar das vistas. Deixo aqui o link do trilho que devia ter feito.

Enquanto esperava pelo autocarro de regresso, meti conversa com a única outra pessoa que também estava à espera do último autocarro do dia e descobrimos que íamos estar as duas no mesmo hostel no dia seguinte. Muitas horas passámos na sala comum desse hostel em Inverness a conversar sobre viagens, vinte e quatro horas depois.

As Fadas da Água moram nas Fairy Pools

Foram precisas duas tentativas, uma delas obviamente falhada, para chegar às Fairy Pools. Mais uma vez, a falta de carro tornou esta jornada mais interessante porque foi preciso uma caminhada de cinco horas no total para fazer algo que se faz de carro em meia hora.

Desta vez tive que atravessar o sopé das Montanhas Cullins, sempre ao lado de um riacho que se transformava numa nova cascata a cada 100 metros. Como já estava habituada, não avistei vivalma e os passaritos e ovelhas foram, mais uma vez, a minha companhia.

Cerca de duas horas depois cheguei às Fairy Pools que me apresentaram a mais umas quantas tonalidades de azul. É fácil de perceber porque é que estas “piscinas de fadas” aparecem em todos os roteiros turísticos. Apesar das temperaturas pouco convidativas, alguns corajosos aventuram-se a mergulhar nas pequenas poças de um azul muito fotogénico. Quanto mais se anda, menos gente há e mais bonitas se tornam estas piscinas naturais.

Voltando à primeira tentativa: a previsão metereológica para a manhã da primeira tentativa não era a melhor, mas havia a possibilidade de não chover muito e portanto lá apanhei o primeiro autocarro até Sligachan onde começa a caminhada. Claro que estava a chover “cats and dogs”, como dizem aqui, e assim ficou durante duas horas que foi o tempo que tive que esperar na paragem até apanhar o autocarro seguinte.

Quando o autocarro veio não aceitavam cartões (inédito no Reino Unido), mas o condutor deixou-me entrar na mesma. No fim da viagem, quando ia levantar dinheiro para pagar o senhor deve ter sentido pena do meu ar desconsolado, frio e molhado e disse que me oferecia a viagem. Uma das vantagens de viajar sozinha!

Portree, a solução para o clima escocês

No dia da minha tentativa falhada nas Fairy Pools tive que arranjar uma solução para me entreter durante o resto do dia. Depois de um banho quente, estava na hora de encontrar uma refeição quente. Felizmente dei com o Cafe Arriba que para além de ter comida ultra saborosa e bem confecionada (com porções bem generosas) também tem uma vista para a baia de Portree que parece uma pintura.

O almoço reconfortante ajudou-me a ultrapassar o trauma da molha que apanhei e arrisquei uma pequena caminhada à volta de Portree. Para minha surpresa a chuva aguentou-se e deixou-me fazer um circuito de três quilómetros – Scorrybreac Circuit – surpreendentemente bonito e agradável.

O resto da tarde foi passado dentro de um pub a conversar com um médico do Bangladesh que conheci através do Couchsurfing.

Este é o resumo dos meus dias em Skye e não é que por mim voltava para lá já para o ano? Continua a ser um dos meus lugares preferidos!

Dicas rápidas

Alojamento: Em tempos Covidosos não havia hostels abertos em Skye, por isso tive que recorrer ao Airbnb o que até foi bom, porque depois de caminhar mais de vinte e tal quilómetros não há nada melhor que um quartinho solitário. Conta gastar entre 70 a 80 pounds por noite se optares por um Airbnb perto do centro de Portree. O alojamento no Reino Unido é bastante caro.

Transportes: A minha maior preocupação na preparação desta viagem era não ter carro. Foram muitas pesquisar no Google “Skye without a car”. Muitas diziam que não era possível, mas claro que tudo é possível. Há autocarros que ligam os principais pontos da ilha: Broadford, Sligachan, Portree e Uig. Felizmente, todos os pontos que queria visitar estavam nessa rota. É claro que requer um nível de planeamento maior, porque há poucos autocarros e começam cedo e acabam cedo. Se gostas de andar e queres mesmo visitar Portree, acho que não ter carro não é desculpa.

O Google Maps é bastante fiável no que toca aos horários dos autocarros na ilha, mas podes sempre consultar o site da citylink e da stagecoach. Podes comprar um passe diário a bordo dos autocarros stagecoach que compensa se usares mais do que dois autocarros por dia.

Refeições: A maioria das minhas refeições saíram do Coop (supermercado) de Portree. Como o quarto que aluguei não tinha cozinha, tive que inovar e cozinhar umas massas recheadas com a água a ferver vinda de um kettle e aquecer um molho de tomate com o vapor d’água. Durante o dia aconselho a levares comida suficiente porque não há muita oferta disponível.

The post Isle of Skye: as fadas moram aqui appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
https://www.mudancasconstantes.com/2021/08/25/ilha-skye-escocia/feed/ 0
Fort William: montanhas, vales, lagos e praias aos teus (cansados) pés https://www.mudancasconstantes.com/2021/08/24/fort-william-escocia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=fort-william-escocia https://www.mudancasconstantes.com/2021/08/24/fort-william-escocia/#comments Tue, 24 Aug 2021 20:37:42 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=6568 Três. anos. desde. a. última. viagem. a. solo. Peço desculpa pela pontuação excessiva, mas neste caso justifica-se. Entre viagens com amigos, para ver a família e pandemias, as oportunidades para viajar sozinha não têm sido muitas. A ideia de uma semana de caminhada na Escócia surgiu depois de vários meses de trabalho intenso e de horas extraordinárias que culminaram numa acumulação de folgas suficientes para me desligar dos emails e zooms durante algum tempo. Ao contrário dos meus itinerários habituais, decidi parar mais tempo em cada sítio e só ficar a dormir em Fort William e Isle of Skye. Passaram-se oito anos desde a última vez que visitei estes lugares, mas desta vez queria percorrê-los pelos meus próprios pés e “conquistá-los”. Fort William é uma excelente base de operações para quem quer explorar as Highlands escocesas. No sopé do Ben Nevis, a montanha mais alta do Reino Unido (também são só 1,345 metros), está esta pequena vila – grande para os standards escoceses – que satisfaz todo o tipo de aventureiros. Cheguei a Fort William já tarde depois de uma longa viagem de carro que começou às 4:30 da manhã e de uma primeira caminhada de treze quilómetros. Meia hora depois de sair do autocarro já estava em casa de uma couchsurfer a jantar uma refeição feita com ingredientes resgatados do caixote do lixo do M&S que me soube pela vida. Ah, a beleza de viajar sozinha! Faltava-me apenas repôr as horas de sonos em falta até porque para os próximos dias estavam planeadas inúmeras caminhadas e até uma viagem no Hogwarts Express! Da Plataforma 9¾ até Mallaig No segundo filme do Harry Potter, no meio daquela acção toda de conduzir um carro voador descontrolado, está o Glenfinnan Viaduct. Sendo um dos pontos mais icónicos da região, já o tinha visitado mas “por baixo”. Agora, estava na altura de ter a experiência mágica e embarcar no Hogwarts Express, ou como dizem os muggles, o comboio que liga Fort William a Mallaig. Esta viagem de comboio pode ter sido popularizada pelos filmes do feiticeiro mais famoso do mundo, mas a verdade é que já era considerada uma das viagens de comboio mais bonitas que há. Em menos de três horas somos transportados das montanhas até a praias com água cristalina azul e verde e areia branca. No caminho passamos por desfiladeiros, vales, lagos e claro aquedutos. Já em Mallaig, uma hora deu-me para fazer um curto trilho à volta da aldeia e comer uma dose de Fish & Chips incrível com uma cerveja à beira mar. Quando uma hippie da Lituânia te recomenda comer Fish & Chips de tamboril, é seguir o conselho! The Cabin Restaurant é fantástico. Ben Nevis: Acordar cedo e cedo erguer dá saúde e faz chover Subir ao Ben Nevis está na lista de todos os caminhantes que viajam até à Escócia, mas tem um senão: o tempo. Como já é habitual nas montanhas, ora há sol, ora há vento, ora há chuva e tudo num espaço de cinco minutos. A previsão metereológica estava longe de ser animadora, mas havia a possibilidade de só começar a chover às 11 da manhã e como às cinco já estava a sair de casa, tinha esperança. Quando cheguei à base do Ben (já somos amigos) pairavam por ali umas nuvens cinzentas pouco promissoras, mas lá fui. As primeiras duas horas, ou seja, metade do caminho, fizeram-se relativamente sem contratempos e a paisagem era maravilhosa como já era de esperar. Afinal, é por isso que as pessoas sobem às montanhas! Contudo, do nada a visibilidade ficou reduzida a menos de um metro e a chuva e o vento tomaram conta da situação. Não era naquele dia que ia chegar ao cumo do Ben Nevis. Até hoje me pergunto o que é que os malucos que continuavam a subir quando eu já estava a descer tinham na cabeça. Sete horas de caminhada à chuva, vento e sem ver nada não me parece nada apetecível! O resto do dia foi passado a passear por Fort William – até às ruínas do Old Inverlochy Castle – depois de um banho bem quente. Encontrei um café amoroso com óptima comida e uma padaria com pão a sério! Comprei um pão gigante que me acompanhou no resto da viagem e que tornou o meu consumo excessivo de sandes em algo bem mais agradável. A próxima paragem era aquela que eu mais aguardava: a Isle of Skye! Dicas rápidas Transporte nas Highlands Escocesas: Uma das minhas maiores preocupações antes de viajar para as Highlands era como é que me haveria de deslocar. Estou farta de ir até Edimburgo de comboio, mas as ligações ferroviárias ao norte não são tão extensas estava com algum receio de que fosse preciso alugar carro. Mas não! Apesar de não haver autocarros e comboios a toda a hora, há oferta suficiente para fazer os percursos mais comuns. Citylink: A CityLink oferece ligações entre as principais cidades escocesas e também pontos turísticos. Eles oferecem um passe muito simpático chamado “Explorer Pass” que podes encontrar e comprar neste site. Semelhante aos passes de Interrail e Flixbus, esta oferta deixa-te andar nos autocarros que quiseres durante os dias estipulados por um preço fixo. Compensa muito especialmente em viagens longas (superiores a duas horas). Comer em Fort William: Café e restaurante The Geographer que tem pratos vegetarianos para além dos “clássicos” ingleses e a Rain Bakery, para pão verdadeiro. The Jacobite Steam Train: O nome verdadeiro do “comboio do Harry Potter”. A viagem custa cerca de cinquenta pounds (ida e volta) com uma hora de pausa em Mallaig. Se quiseres uma opção mais em conta podes comprar os bilhetes para um comboio normal, a maior diferença é que nesses comboios as janelas não abrem e é mais difícil tirar fotografias decentes da viagem. Podes reservar os teus bilhetes aqui. Outras caminhadas: A Cow Hill é uma caminhada circular de dez quilómetros com umas belas vistas sobre Fort William, caso tenhas tempo. Também era para ter ido a Glencoe, que é absolutamente estonteante, para outra caminhada (Pap of Glencoe) mas mais uma vez o tempo não colaborou.

The post Fort William: montanhas, vales, lagos e praias aos teus (cansados) pés appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
Três. anos. desde. a. última. viagem. a. solo. Peço desculpa pela pontuação excessiva, mas neste caso justifica-se. Entre viagens com amigos, para ver a família e pandemias, as oportunidades para viajar sozinha não têm sido muitas.

A ideia de uma semana de caminhada na Escócia surgiu depois de vários meses de trabalho intenso e de horas extraordinárias que culminaram numa acumulação de folgas suficientes para me desligar dos emails e zooms durante algum tempo.

Ao contrário dos meus itinerários habituais, decidi parar mais tempo em cada sítio e só ficar a dormir em Fort William e Isle of Skye. Passaram-se oito anos desde a última vez que visitei estes lugares, mas desta vez queria percorrê-los pelos meus próprios pés e “conquistá-los”.

Fort William é uma excelente base de operações para quem quer explorar as Highlands escocesas. No sopé do Ben Nevis, a montanha mais alta do Reino Unido (também são só 1,345 metros), está esta pequena vila – grande para os standards escoceses – que satisfaz todo o tipo de aventureiros.


Cheguei a Fort William já tarde depois de uma longa viagem de carro que começou às 4:30 da manhã e de uma primeira caminhada de treze quilómetros. Meia hora depois de sair do autocarro já estava em casa de uma couchsurfer a jantar uma refeição feita com ingredientes resgatados do caixote do lixo do M&S que me soube pela vida. Ah, a beleza de viajar sozinha!

Faltava-me apenas repôr as horas de sonos em falta até porque para os próximos dias estavam planeadas inúmeras caminhadas e até uma viagem no Hogwarts Express!


Da Plataforma 9¾ até Mallaig

No segundo filme do Harry Potter, no meio daquela acção toda de conduzir um carro voador descontrolado, está o Glenfinnan Viaduct. Sendo um dos pontos mais icónicos da região, já o tinha visitado mas “por baixo”. Agora, estava na altura de ter a experiência mágica e embarcar no Hogwarts Express, ou como dizem os muggles, o comboio que liga Fort William a Mallaig.

Esta viagem de comboio pode ter sido popularizada pelos filmes do feiticeiro mais famoso do mundo, mas a verdade é que já era considerada uma das viagens de comboio mais bonitas que há. Em menos de três horas somos transportados das montanhas até a praias com água cristalina azul e verde e areia branca. No caminho passamos por desfiladeiros, vales, lagos e claro aquedutos.

Já em Mallaig, uma hora deu-me para fazer um curto trilho à volta da aldeia e comer uma dose de Fish & Chips incrível com uma cerveja à beira mar. Quando uma hippie da Lituânia te recomenda comer Fish & Chips de tamboril, é seguir o conselho! The Cabin Restaurant é fantástico.


Ben Nevis: Acordar cedo e cedo erguer dá saúde e faz chover

Subir ao Ben Nevis está na lista de todos os caminhantes que viajam até à Escócia, mas tem um senão: o tempo. Como já é habitual nas montanhas, ora há sol, ora há vento, ora há chuva e tudo num espaço de cinco minutos.

A previsão metereológica estava longe de ser animadora, mas havia a possibilidade de só começar a chover às 11 da manhã e como às cinco já estava a sair de casa, tinha esperança. Quando cheguei à base do Ben (já somos amigos) pairavam por ali umas nuvens cinzentas pouco promissoras, mas lá fui.

As primeiras duas horas, ou seja, metade do caminho, fizeram-se relativamente sem contratempos e a paisagem era maravilhosa como já era de esperar. Afinal, é por isso que as pessoas sobem às montanhas!

Contudo, do nada a visibilidade ficou reduzida a menos de um metro e a chuva e o vento tomaram conta da situação. Não era naquele dia que ia chegar ao cumo do Ben Nevis. Até hoje me pergunto o que é que os malucos que continuavam a subir quando eu já estava a descer tinham na cabeça. Sete horas de caminhada à chuva, vento e sem ver nada não me parece nada apetecível!

O resto do dia foi passado a passear por Fort William – até às ruínas do Old Inverlochy Castle – depois de um banho bem quente. Encontrei um café amoroso com óptima comida e uma padaria com pão a sério! Comprei um pão gigante que me acompanhou no resto da viagem e que tornou o meu consumo excessivo de sandes em algo bem mais agradável.

A próxima paragem era aquela que eu mais aguardava: a Isle of Skye!


Dicas rápidas

Transporte nas Highlands Escocesas: Uma das minhas maiores preocupações antes de viajar para as Highlands era como é que me haveria de deslocar. Estou farta de ir até Edimburgo de comboio, mas as ligações ferroviárias ao norte não são tão extensas estava com algum receio de que fosse preciso alugar carro. Mas não! Apesar de não haver autocarros e comboios a toda a hora, há oferta suficiente para fazer os percursos mais comuns.

Citylink: A CityLink oferece ligações entre as principais cidades escocesas e também pontos turísticos. Eles oferecem um passe muito simpático chamado “Explorer Pass” que podes encontrar e comprar neste site. Semelhante aos passes de Interrail e Flixbus, esta oferta deixa-te andar nos autocarros que quiseres durante os dias estipulados por um preço fixo. Compensa muito especialmente em viagens longas (superiores a duas horas).

Comer em Fort William: Café e restaurante The Geographer que tem pratos vegetarianos para além dos “clássicos” ingleses e a Rain Bakery, para pão verdadeiro.

The Jacobite Steam Train: O nome verdadeiro do “comboio do Harry Potter”. A viagem custa cerca de cinquenta pounds (ida e volta) com uma hora de pausa em Mallaig. Se quiseres uma opção mais em conta podes comprar os bilhetes para um comboio normal, a maior diferença é que nesses comboios as janelas não abrem e é mais difícil tirar fotografias decentes da viagem. Podes reservar os teus bilhetes aqui.

Outras caminhadas: A Cow Hill é uma caminhada circular de dez quilómetros com umas belas vistas sobre Fort William, caso tenhas tempo. Também era para ter ido a Glencoe, que é absolutamente estonteante, para outra caminhada (Pap of Glencoe) mas mais uma vez o tempo não colaborou.


The post Fort William: montanhas, vales, lagos e praias aos teus (cansados) pés appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
https://www.mudancasconstantes.com/2021/08/24/fort-william-escocia/feed/ 1
Bibury & Burford: romance nos Cotswolds https://www.mudancasconstantes.com/2021/07/10/bibury-burford-cotswolds/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=bibury-burford-cotswolds https://www.mudancasconstantes.com/2021/07/10/bibury-burford-cotswolds/#respond Sat, 10 Jul 2021 15:42:44 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=6540 Aldeias pequenas e amorosas com casas centenárias: check Algumas das ruas mais bonitas de Inglaterra: check Pubs tradicionais e Sunday roasts: check Caminhadas por colinas verdejantes: check É indiscutível que os Cotswolds reúnem todos os requisitos para uma escapadela romântica de sucesso. Por isso, assim que anunciaram que se podia voltar a fazer turismo e a dormir fora de casa, o destino para um fim de semana a dois estava escolhido. Como a bibliografia sobre os Cotswolds neste blog já vais longa (podes encontrar o post sobre minha primeira visita aqui e sobre a segunda aqui) este será um post mais curtinho, mas com muito sumo! Bibury: “quintessentially British” Como já nos tem habituado, Inglaterra brindou-nos com um sábado bem chuvoso que nos obrigou a reconsiderar os nossos planos. A prioridade passou a ser encontrar um pub com uma tenda de jardim já que estávamos no início do Maio mais chuvoso dos últimos 25 anos.O santo padroeiro dos pubs deve ter ouvido as nossas preces e saiu-se com o Sherborne Arms, um pub muito simpático que nos acolheu com cobertura e até aquecedores de exterior. Nem queríamos acreditar! Os planos para o primeiro dia de “passeio” foram cumpridos. Domingo amanheceu, contra todas as expectativas, solarengo e estava na altura de explorar a aldeia a sério, depois de uma tentativa meio falhada na noite anterior. Arlington Row às nove da manhã é um sonho. Conhecida como uma das ruas mais bonitas do Reino Unido, este conjunto de casas do século XIV já foi o cenário de filmes e até aparece nos passaportes britânicos. É um ícone.O ideal é chegar a Bibury bem cedo antes dos autocarros turísticos. Tens as ruas e a calmaria do campo só para ti. Como já é hábito, recorri ao meu melhor amigo All Trails e encotrei esta caminhada pelas colinas ao redor de Bibury. Na primavera as florestas inglesas enchem-se de bluebells, umas flores pequeninas entre o roxo e o azul, que enchem o chão normalmente verde de cor. Bibury é um género de Inglaterra dos pequenitos; num pedacinho de terra concentra tudo o que representa o país, pelo menos o país que vemos nos filmes. Burford: à terceira é de vez Foram precisas três visitas a Burford para a conseguir ver sem ser debaixo de uma chuva torrencial. Burford tem uma rua principal que é sempre a subir, mas vale a pena o esforço. Do topo tem-se uma vista privilegiada sobre a High Street e as suas lojas e casas centenárias. Burford também pode ser considerada a capital gastronómica dos Cotswolds com inúmeros pubs que oferecem uma experiência a nível das papilas gustativas acima do normal. Um bom exemplo é o The Angel at Burford, um gastro pub com vários prémios no cadastro. Cirencester: Tesco e uma voltinha Como a chuva e o covid arruinaram as nossas perspectivas de podermos passar a noite a fazer um pub crawl acabámos no Tesco de Cirencester a comprar vinho e cerveja. Já que ali estavamos decidimos dar um saltinho ao centro da cidade. Para além do centro pitoresco como os Cotswolds já nos habituaram, destaco o Cirencester Park para um bom passeio. Certamente que a quarta visita aos Cotswolds não será a última, mas acho que já me posso considerar uma especialista neste cantinho (muito) inglês. Dicas rápidas Alojamento: Apesar dos preços pouco convidativos, a minha recomendação é ficar num Airb&b o mais central possível nos Cotswolds, particularmente se tiveres vilas e aldeias que queres visitar em particular. Os Cotswolds, especialmente aos fins de semana, são uma zona bastante concorrida e quanto mais cedo começares melhor. Os fins do dia e noites também costumam ser calmos porque pouca gente vive lá. Sunday Roast: Há poucas coisas mais tradicionais do que comer um Sunday Roast num pub nos Cotswolds. Encontrei um pub em Finstock chamado Plough Inn com boa comida e um bom espaço exterior. Recomendo particularmente o Chicken Roast.

The post Bibury & Burford: romance nos Cotswolds appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
  • Aldeias pequenas e amorosas com casas centenárias: check
  • Algumas das ruas mais bonitas de Inglaterra: check
  • Pubs tradicionais e Sunday roasts: check
  • Caminhadas por colinas verdejantes: check
  • É indiscutível que os Cotswolds reúnem todos os requisitos para uma escapadela romântica de sucesso. Por isso, assim que anunciaram que se podia voltar a fazer turismo e a dormir fora de casa, o destino para um fim de semana a dois estava escolhido.

    Como a bibliografia sobre os Cotswolds neste blog já vais longa (podes encontrar o post sobre minha primeira visita aqui e sobre a segunda aqui) este será um post mais curtinho, mas com muito sumo!

    Bibury: “quintessentially British”

    Como já nos tem habituado, Inglaterra brindou-nos com um sábado bem chuvoso que nos obrigou a reconsiderar os nossos planos. A prioridade passou a ser encontrar um pub com uma tenda de jardim já que estávamos no início do Maio mais chuvoso dos últimos 25 anos.

    O santo padroeiro dos pubs deve ter ouvido as nossas preces e saiu-se com o Sherborne Arms, um pub muito simpático que nos acolheu com cobertura e até aquecedores de exterior. Nem queríamos acreditar! Os planos para o primeiro dia de “passeio” foram cumpridos.

    Depois do pub, uma tentativa de ver Bibury sem apanhar uma chuvada.

    Domingo amanheceu, contra todas as expectativas, solarengo e estava na altura de explorar a aldeia a sério, depois de uma tentativa meio falhada na noite anterior.

    Arlington Row às nove da manhã é um sonho. Conhecida como uma das ruas mais bonitas do Reino Unido, este conjunto de casas do século XIV já foi o cenário de filmes e até aparece nos passaportes britânicos. É um ícone.
    O ideal é chegar a Bibury bem cedo antes dos autocarros turísticos. Tens as ruas e a calmaria do campo só para ti.

    Como já é hábito, recorri ao meu melhor amigo All Trails e encotrei esta caminhada pelas colinas ao redor de Bibury. Na primavera as florestas inglesas enchem-se de bluebells, umas flores pequeninas entre o roxo e o azul, que enchem o chão normalmente verde de cor.


    Bibury é um género de Inglaterra dos pequenitos; num pedacinho de terra concentra tudo o que representa o país, pelo menos o país que vemos nos filmes.

    Burford: à terceira é de vez

    Foram precisas três visitas a Burford para a conseguir ver sem ser debaixo de uma chuva torrencial. Burford tem uma rua principal que é sempre a subir, mas vale a pena o esforço. Do topo tem-se uma vista privilegiada sobre a High Street e as suas lojas e casas centenárias.

    Burford também pode ser considerada a capital gastronómica dos Cotswolds com inúmeros pubs que oferecem uma experiência a nível das papilas gustativas acima do normal. Um bom exemplo é o The Angel at Burford, um gastro pub com vários prémios no cadastro.

    Cirencester: Tesco e uma voltinha

    Como a chuva e o covid arruinaram as nossas perspectivas de podermos passar a noite a fazer um pub crawl acabámos no Tesco de Cirencester a comprar vinho e cerveja. Já que ali estavamos decidimos dar um saltinho ao centro da cidade. Para além do centro pitoresco como os Cotswolds já nos habituaram, destaco o Cirencester Park para um bom passeio.

    Certamente que a quarta visita aos Cotswolds não será a última, mas acho que já me posso considerar uma especialista neste cantinho (muito) inglês.

    Dicas rápidas

    Alojamento: Apesar dos preços pouco convidativos, a minha recomendação é ficar num Airb&b o mais central possível nos Cotswolds, particularmente se tiveres vilas e aldeias que queres visitar em particular. Os Cotswolds, especialmente aos fins de semana, são uma zona bastante concorrida e quanto mais cedo começares melhor. Os fins do dia e noites também costumam ser calmos porque pouca gente vive lá.

    Sunday Roast: Há poucas coisas mais tradicionais do que comer um Sunday Roast num pub nos Cotswolds. Encontrei um pub em Finstock chamado Plough Inn com boa comida e um bom espaço exterior. Recomendo particularmente o Chicken Roast.

    The post Bibury & Burford: romance nos Cotswolds appeared first on Mudanças Constantes.

    ]]>
    https://www.mudancasconstantes.com/2021/07/10/bibury-burford-cotswolds/feed/ 0
    Whitstable & Brighton: desconfinando à beira mar https://www.mudancasconstantes.com/2021/07/01/whitstable-brighton-inglaterra/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=whitstable-brighton-inglaterra https://www.mudancasconstantes.com/2021/07/01/whitstable-brighton-inglaterra/#respond Thu, 01 Jul 2021 07:11:05 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=6512 Março 2021Passaram-se cinco meses desde a última vez que não era ilegal fazer uma viagem de comboio só para ir passear. Durante esses meses prometi a mim própria que a minha primeira saída pós confinamento seria para ver o mar. Quando o dia chegou, ignorei o facto de estarem cinco graus de máxima, nuvens e um vento cortante e apanhei um comboio até Whitstable. Posso dizer que até ver um mar entre o castanho e o cinzento me fez feliz! Whitstable: uma refeição para a história Contrariamente à maioria das cidades e vilas costeiras inglesas, Whitstable não se tornou num parque de diversões para adultos e conserva uma atmosfera muito tradicional. Como é costume, tem uma High Street onde se concentram lojas, supermercados e os mais preciosos “restaurantes” de Whitstable: as chip shops. Acho que deve estar escrito algures na constituição inglesa que é obrigatório comer Fish and Chips quando se visita uma vila costeira. Se não está mais valia; não há ninguém que não o faça (ou que não o recomende). Como chegámos cedo, não conseguimos conceber a ideia de comer fritos com fritos àquela hora e decidimos ir dar o nosso passeio antes de estimularmos os níveis de colesterol do nosso corpo. Os ventos poucos convidativos levaram-nos a enveredar pelas ruas interiores de Whitstable até ganharmos coragem de ir ver o mar. E foi aqui que Whitstable nos surpreendeu, com as suas cores, arquitectura, detalhes inesperados e ruas fotogénicas. Já à beira mar, Whistable conquista-nos pelas suas barraquinhas coloridas que aguardam por dias mais soalheiros para acolher os banhistas. Com os dedos das mãos e pés a passar para um branco defunto estava na hora de nos atirarmos à grande especialidade que é o Fish & Chips pela primeira vez na vida.Passaram quase três anos desde que estou no Reino Unido sem provar uma única dose de Fish & Chips, mas ao menos quando foi, foi como deve ser. Apesar de terem sido mais de muitas as pessoas que me recomendaram esta iguaria britânica, ninguém me avisou que nos é servido praticamente um peixe inteiro que precisa de um estômago bem esfomeado para o receber. É daquelas refeições que são boas no lugar certo, à hora certa, mas que depois de acabar se pensa “agora só repito daqui a seis meses”. Ah, e por “lugar certo” entenda-se o beco mais resguardado da briza marítima possível. Foi nesta altura que o frio nos venceu e voltámos para a estação de comboio. Ainda passámos pelo supermercado para comprar um smoothies para desenjoar… Estava oficialmente aberta a época dos passeios! Brighton: a cidade das festas, adormecida Brighton é internacionalmente conhecida pelas suas festas, bares, discotecas e “cena” LGBT. Com todas as restrições em vigor, o centro de Brighton era uma sombra de si mesmo, mas para compensar o mar e o céu azul estavam no seu sítio e não eram poucas as pessoas que caminhavam, tal como eu, à beira mar para descomprimir depois de meses de prisão domiciliária. Tenho duas recomendações em Brighton. Em primeiro lugar estão os Burger Brothers, uma mini casa de hambúrgueres com prémios atrás de prémios! Os hambúrgueres são de comer e, não diria chorar por mais porque um normal já me encheu para o dia inteiro, mas eles são conhecidos por fazerem hambúrgueres duplos, triplos e por aí fora… Portanto, se tiveres estômago para isso, aproveita! Como o restaurante é muito pequenino, aconselho um picnic nos jardins do Royal Pavilion. Este edifício, que não se percebe muito bem como foi ali parar, é uma misturada de estilos arquitectónicos (Mouro, Tartar, Gótico, Indiano e Chinês). O resultado foi um palacete curioso que surpreende tanto por fora como por dentro. O interior só vi no Google porque na altura a cultura/museus ainda não tinham aberto. Assim foram as primeiras “viagens” pós confinamento. Felizmente foram as primeiras de muitas, pelo menos no Reino Unido. Dicas rápidas St. Pacras International ou London Victoria (Londres) – Whitstable: O comboio de Londres até Whitstable dura cerca de uma hora e um quarto. Não é uma viagem particularmente interessante, mas faz-me bem. Os preços andam à volta dos 20 a 26 pounds ida e volta. London Blackfriars – Brighton: A viagem entre Londres e Brighton faz-se no mesmo tempo (cerca de uma hora e um quarto), mas consegues arranjar bilhetes a treze pounds ida e volta. Também há comboios a partir de London Victoria, mas são mais caros. Em Inglaterra os preços dos comboios variam muito consoante os dias da semana e as horas. Aos fins de semana geralmente são sempre mais em conta e claro, fora da hora de ponta. Comprar ida e volta fica sempre mais barato.

    The post Whitstable & Brighton: desconfinando à beira mar appeared first on Mudanças Constantes.

    ]]>
    Março 2021
    Passaram-se cinco meses desde a última vez que não era ilegal fazer uma viagem de comboio só para ir passear. Durante esses meses prometi a mim própria que a minha primeira saída pós confinamento seria para ver o mar.

    Quando o dia chegou, ignorei o facto de estarem cinco graus de máxima, nuvens e um vento cortante e apanhei um comboio até Whitstable. Posso dizer que até ver um mar entre o castanho e o cinzento me fez feliz!

    Whitstable: uma refeição para a história

    Contrariamente à maioria das cidades e vilas costeiras inglesas, Whitstable não se tornou num parque de diversões para adultos e conserva uma atmosfera muito tradicional. Como é costume, tem uma High Street onde se concentram lojas, supermercados e os mais preciosos “restaurantes” de Whitstable: as chip shops.

    Acho que deve estar escrito algures na constituição inglesa que é obrigatório comer Fish and Chips quando se visita uma vila costeira. Se não está mais valia; não há ninguém que não o faça (ou que não o recomende). Como chegámos cedo, não conseguimos conceber a ideia de comer fritos com fritos àquela hora e decidimos ir dar o nosso passeio antes de estimularmos os níveis de colesterol do nosso corpo.

    Os ventos poucos convidativos levaram-nos a enveredar pelas ruas interiores de Whitstable até ganharmos coragem de ir ver o mar. E foi aqui que Whitstable nos surpreendeu, com as suas cores, arquitectura, detalhes inesperados e ruas fotogénicas.

    Já à beira mar, Whistable conquista-nos pelas suas barraquinhas coloridas que aguardam por dias mais soalheiros para acolher os banhistas.

    Com os dedos das mãos e pés a passar para um branco defunto estava na hora de nos atirarmos à grande especialidade que é o Fish & Chips pela primeira vez na vida.

    Passaram quase três anos desde que estou no Reino Unido sem provar uma única dose de Fish & Chips, mas ao menos quando foi, foi como deve ser. Apesar de terem sido mais de muitas as pessoas que me recomendaram esta iguaria britânica, ninguém me avisou que nos é servido praticamente um peixe inteiro que precisa de um estômago bem esfomeado para o receber. É daquelas refeições que são boas no lugar certo, à hora certa, mas que depois de acabar se pensa “agora só repito daqui a seis meses”. Ah, e por “lugar certo” entenda-se o beco mais resguardado da briza marítima possível.

    Foi nesta altura que o frio nos venceu e voltámos para a estação de comboio. Ainda passámos pelo supermercado para comprar um smoothies para desenjoar…

    Estava oficialmente aberta a época dos passeios!

    Brighton: a cidade das festas, adormecida

    Brighton é internacionalmente conhecida pelas suas festas, bares, discotecas e “cena” LGBT. Com todas as restrições em vigor, o centro de Brighton era uma sombra de si mesmo, mas para compensar o mar e o céu azul estavam no seu sítio e não eram poucas as pessoas que caminhavam, tal como eu, à beira mar para descomprimir depois de meses de prisão domiciliária.

    Tenho duas recomendações em Brighton. Em primeiro lugar estão os Burger Brothers, uma mini casa de hambúrgueres com prémios atrás de prémios! Os hambúrgueres são de comer e, não diria chorar por mais porque um normal já me encheu para o dia inteiro, mas eles são conhecidos por fazerem hambúrgueres duplos, triplos e por aí fora… Portanto, se tiveres estômago para isso, aproveita!

    Como o restaurante é muito pequenino, aconselho um picnic nos jardins do Royal Pavilion. Este edifício, que não se percebe muito bem como foi ali parar, é uma misturada de estilos arquitectónicos (Mouro, Tartar, Gótico, Indiano e Chinês). O resultado foi um palacete curioso que surpreende tanto por fora como por dentro. O interior só vi no Google porque na altura a cultura/museus ainda não tinham aberto.

    Assim foram as primeiras “viagens” pós confinamento. Felizmente foram as primeiras de muitas, pelo menos no Reino Unido.


    Dicas rápidas

    St. Pacras International ou London Victoria (Londres) – Whitstable: O comboio de Londres até Whitstable dura cerca de uma hora e um quarto. Não é uma viagem particularmente interessante, mas faz-me bem. Os preços andam à volta dos 20 a 26 pounds ida e volta.

    London Blackfriars – Brighton: A viagem entre Londres e Brighton faz-se no mesmo tempo (cerca de uma hora e um quarto), mas consegues arranjar bilhetes a treze pounds ida e volta. Também há comboios a partir de London Victoria, mas são mais caros.

    Em Inglaterra os preços dos comboios variam muito consoante os dias da semana e as horas. Aos fins de semana geralmente são sempre mais em conta e claro, fora da hora de ponta. Comprar ida e volta fica sempre mais barato.

    The post Whitstable & Brighton: desconfinando à beira mar appeared first on Mudanças Constantes.

    ]]>
    https://www.mudancasconstantes.com/2021/07/01/whitstable-brighton-inglaterra/feed/ 0
    Midlands: Passeios ingleses num Outono confinado https://www.mudancasconstantes.com/2021/01/31/midlands-cambridge-lavenham/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=midlands-cambridge-lavenham https://www.mudancasconstantes.com/2021/01/31/midlands-cambridge-lavenham/#respond Sun, 31 Jan 2021 16:01:35 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=6422 Lembro-me que o fim de semana de Halloween de 2020 foi o último em liberdade moderada. Celebrámos com um jantar em nossa casa que teve um travo agridoce; não sabíamos bem quando é que poderíamos voltar a repetir tal “ajuntamento”. Ainda hoje não sabemos.Tentando fazer omeletes sem ovos durante o novo confinamento, arrastei o meu namorado por estas Midlands – região onde moramos – adentro e tentámos correr tudo o que havia para ver nas redondezas. Se alguma vez te encontrares nesta parte do país, estes são alguns dos lugares que podes (e deves!) incluir na tua lista. Cambridge, a cidade do conhecimento Cambridge é um dos meus lugares preferidos em Inglaterra. É a cidade onde se formaram algumas das mentes mais brilhantes do mundo e também o lugar perfeito para uma day trip. A primeira vez que visitei Cambridge descobri que uma das actividades mais famosas para se fazer é punting. Punting envolve enfiarmo-nos num barco guiado por um estudante da universidade que nos relata a sua história enquanto navegamos pelos canais que atravessam várias faculdades, cada uma mais bonita que a outra. Como na primeira vez que visitei Cambridge não tinha dinheiro para o punting e na segunda não tinha tempo, há um terceiro passeio a Cambridge marcado para um futuro pós pandémico. É uma cidade com muito mais para se descobrir do que aparenta! Bury St Edmunds, a jóia na coroa de Suffolk Há lugares aos quais só se vai por acaso e Bury St Edmunds é um desses casos. Situada entre Cambridge e Lavenham, Bury St Edmunds surgiu no meu telemóvel como a oportunidade perfeita para parar um bocadinho e esticar as pernas. Nas placas que anunciam na estrada que estamos oficialmente em Bury St Edmunds encontrava-se também a frase “ The Jewel in the Crown Of Suffolk”. Promissor. Estacionámos, vimos uma torre de uma igreja e dirigimo-nos para lá. No caminho começámos a duvidar se esta seria mesmo a jóia de Suffolk, já que à nossa volta só viamos casas banais e a igreja também era “só mais uma”. Tinhamos andado na direcção errada. Eventualmente lá encontrámos o caminho certo e descobrimos uma vila mercantil com uma catedral de quinhentos anos e ruínas de uma abadia milenar. Nas ruas mais perto do centro histórico ainda se vêem muitos edifícios antigos incluindo o espectacular The Angel Hotel onde até o Charles Dickens dormiu! Há também um simpático mercado de rua às quartas e sábados. Uma paragem aleatória que se transformou numa agradável surpresa. Lavenham, um passeio medieval Lavenham tem de ser um dos segredos mais bem guardados do Reino Unido. É um daqueles lugares que surge do nada no feed do Instagram e nos faz questionar “como é que eu não sabia que isto existe?!”. Lavenham é um exemplo quase intocado de uma aldeia mercantil cujo principal bem comercializado era a lã. Esta aldeia, que já foi uma das mais abastadas do Reino Unido durante o tempo dos Tudors, é caracterizada pelos seus icónicos prédios medievais. Aqui, cada esquina é uma oportunidade fotográfica e torna-se repetitivo a quantidade de vezes que se diz “tão giro!” ou “olha aquela!” Nós almoçámos no Lavenham Greyhound e achámos o pub super acolhedor. Pode ser que ainda exista num mundo pós covid. Stoke Bruerne, a vila do canal Com a lista de lugares que podemos visitar cada vez mais reduzida resta-nos a vizinhança. Stoke Bruerne é mais uma tradicional aldeia inglesa que se destaca pela sua posição junto ao Grand Union Canal – um canal que começa em Londres e já só pára em Birmingham, estendendo-se por 220 quilómetros – e até tem um Museu do Canal. Pode não ser o lugar mais emblemático de Inglaterra mas tem o seu charme e é um daqueles lugares em que nos basta um pub (The Boat Inn) e uma cerveja na mão para sermos felizes. Também tem várias casinhas com telhados de palha que são um regalo para a vista. Ampthill, umas ruínas curiosas Já num post anterior tinha mencionado o site AllTrails. Este site é uma compilação de caminhadas feitas por outros utilizadores e permite-te passar a conhecer imensos lugares novos. Um desses lugares é a Houghton House, uma mansão do século XVII em ruínas no topo de uma colina. Como adoro edifícios em ruínas e imaginar o seu passado (as festas de arromba que esta casa não deve ter visto!) não podia ter ficado mais contente com esta descoberta. Ampthill em si, a vila mais próxima, também foi uma agradável surpresa que merecerá certamente uma nova visita quando os pubs e restaurantes re-abrirem! Warwick, o imponente castelo Não será de estranhar que para fechar este post venha aí mais uma vila histórica, é o menu do dia. Warwick tem um dos maiores castelos de Inglaterra e uma data de edifícios medievais para juntar à festa. Começámos pela melhor vista sobre o castelo, numa pequena ponte para carros e pessoas que atravessa o rio Avon, parte de uma estrada com o nome Banbury Road. Na mesma zona, durante os dias de primavera, um dos lugares mais bonitos para visitar em Warwick é o The Mill Garden e a rua que desce até lá é uma das mais características que encontrámos. Encaminhámo-nos para a St. Mary’s Church e vimos o exterior do The Lord Leycester Hospital que por causa das restrições estava fechado, mas não deixa de ser uma paragem obrigatória. Apesar do nome, este conjunto de edifícios medievais não era um hospital, mas sim um lugar onde as guildas da cidade se reuniam e alojavam os seus. Ao aproximarmo-nos da hora de almoço dirigimo-nos para a Market Square onde encontrámos chamuças e outras bancas com comidinhas boas. E assim se fecha este capítulo das Midlands que espero que em breve se estenda ao resto do país!

    The post Midlands: Passeios ingleses num Outono confinado appeared first on Mudanças Constantes.

    ]]>
    Lembro-me que o fim de semana de Halloween de 2020 foi o último em liberdade moderada. Celebrámos com um jantar em nossa casa que teve um travo agridoce; não sabíamos bem quando é que poderíamos voltar a repetir tal “ajuntamento”. Ainda hoje não sabemos.

    Tentando fazer omeletes sem ovos durante o novo confinamento, arrastei o meu namorado por estas Midlands – região onde moramos – adentro e tentámos correr tudo o que havia para ver nas redondezas. Se alguma vez te encontrares nesta parte do país, estes são alguns dos lugares que podes (e deves!) incluir na tua lista.

    Cambridge, a cidade do conhecimento

    Cambridge é um dos meus lugares preferidos em Inglaterra. É a cidade onde se formaram algumas das mentes mais brilhantes do mundo e também o lugar perfeito para uma day trip. A primeira vez que visitei Cambridge descobri que uma das actividades mais famosas para se fazer é punting. Punting envolve enfiarmo-nos num barco guiado por um estudante da universidade que nos relata a sua história enquanto navegamos pelos canais que atravessam várias faculdades, cada uma mais bonita que a outra.

    Como na primeira vez que visitei Cambridge não tinha dinheiro para o punting e na segunda não tinha tempo, há um terceiro passeio a Cambridge marcado para um futuro pós pandémico. É uma cidade com muito mais para se descobrir do que aparenta!

    Bury St Edmunds, a jóia na coroa de Suffolk

    Há lugares aos quais só se vai por acaso e Bury St Edmunds é um desses casos. Situada entre Cambridge e Lavenham, Bury St Edmunds surgiu no meu telemóvel como a oportunidade perfeita para parar um bocadinho e esticar as pernas. Nas placas que anunciam na estrada que estamos oficialmente em Bury St Edmunds encontrava-se também a frase “ The Jewel in the Crown Of Suffolk”. Promissor.

    Estacionámos, vimos uma torre de uma igreja e dirigimo-nos para lá. No caminho começámos a duvidar se esta seria mesmo a jóia de Suffolk, já que à nossa volta só viamos casas banais e a igreja também era “só mais uma”. Tinhamos andado na direcção errada.

    Eventualmente lá encontrámos o caminho certo e descobrimos uma vila mercantil com uma catedral de quinhentos anos e ruínas de uma abadia milenar. Nas ruas mais perto do centro histórico ainda se vêem muitos edifícios antigos incluindo o espectacular The Angel Hotel onde até o Charles Dickens dormiu! Há também um simpático mercado de rua às quartas e sábados.

    Uma paragem aleatória que se transformou numa agradável surpresa.

    Lavenham, um passeio medieval

    Lavenham tem de ser um dos segredos mais bem guardados do Reino Unido. É um daqueles lugares que surge do nada no feed do Instagram e nos faz questionar “como é que eu não sabia que isto existe?!”.

    Lavenham é um exemplo quase intocado de uma aldeia mercantil cujo principal bem comercializado era a lã. Esta aldeia, que já foi uma das mais abastadas do Reino Unido durante o tempo dos Tudors, é caracterizada pelos seus icónicos prédios medievais.

    Aqui, cada esquina é uma oportunidade fotográfica e torna-se repetitivo a quantidade de vezes que se diz “tão giro!” ou “olha aquela!”

    Nós almoçámos no Lavenham Greyhound e achámos o pub super acolhedor. Pode ser que ainda exista num mundo pós covid.

    Stoke Bruerne, a vila do canal

    Com a lista de lugares que podemos visitar cada vez mais reduzida resta-nos a vizinhança. Stoke Bruerne é mais uma tradicional aldeia inglesa que se destaca pela sua posição junto ao Grand Union Canal – um canal que começa em Londres e já só pára em Birmingham, estendendo-se por 220 quilómetros – e até tem um Museu do Canal.

    Pode não ser o lugar mais emblemático de Inglaterra mas tem o seu charme e é um daqueles lugares em que nos basta um pub (The Boat Inn) e uma cerveja na mão para sermos felizes. Também tem várias casinhas com telhados de palha que são um regalo para a vista.

    Ampthill, umas ruínas curiosas

    Já num post anterior tinha mencionado o site AllTrails. Este site é uma compilação de caminhadas feitas por outros utilizadores e permite-te passar a conhecer imensos lugares novos. Um desses lugares é a Houghton House, uma mansão do século XVII em ruínas no topo de uma colina.

    Como adoro edifícios em ruínas e imaginar o seu passado (as festas de arromba que esta casa não deve ter visto!) não podia ter ficado mais contente com esta descoberta. Ampthill em si, a vila mais próxima, também foi uma agradável surpresa que merecerá certamente uma nova visita quando os pubs e restaurantes re-abrirem!

    Warwick, o imponente castelo

    Não será de estranhar que para fechar este post venha aí mais uma vila histórica, é o menu do dia. Warwick tem um dos maiores castelos de Inglaterra e uma data de edifícios medievais para juntar à festa.

    Começámos pela melhor vista sobre o castelo, numa pequena ponte para carros e pessoas que atravessa o rio Avon, parte de uma estrada com o nome Banbury Road. Na mesma zona, durante os dias de primavera, um dos lugares mais bonitos para visitar em Warwick é o The Mill Garden e a rua que desce até lá é uma das mais características que encontrámos.

    Encaminhámo-nos para a St. Mary’s Church e vimos o exterior do The Lord Leycester Hospital que por causa das restrições estava fechado, mas não deixa de ser uma paragem obrigatória. Apesar do nome, este conjunto de edifícios medievais não era um hospital, mas sim um lugar onde as guildas da cidade se reuniam e alojavam os seus. Ao aproximarmo-nos da hora de almoço dirigimo-nos para a Market Square onde encontrámos chamuças e outras bancas com comidinhas boas.

    E assim se fecha este capítulo das Midlands que espero que em breve se estenda ao resto do país!

    The post Midlands: Passeios ingleses num Outono confinado appeared first on Mudanças Constantes.

    ]]>
    https://www.mudancasconstantes.com/2021/01/31/midlands-cambridge-lavenham/feed/ 0
    Londres desfolhada https://www.mudancasconstantes.com/2021/01/11/londres-outono/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=londres-outono https://www.mudancasconstantes.com/2021/01/11/londres-outono/#respond Mon, 11 Jan 2021 22:07:42 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=6386 Há duas coisas que me fazem muito feliz: ver o mar e andar durante horas por cidades. Como a primeira é mais difícil de fazer acontecer quando se vive no meio de Inglaterra, tenho que me satisfazer com a segunda que também não está nada mal. No Outono os parques e ruas de Londres arranjam-se a preceito para a nova estação e os amarelos, laranjas e vermelhos começam a aparecer tanto nas árvores como no chão. Como qualquer desculpa é boa para ir a Londres, desta vez foi descobrir os melhores lugares para fotografar o Outono na cidade que nos levou lá. 22 quilómetros, duas pizzas e um gelado/éclair depois, pairava no ar um sentimento de missão cumprida misturado com pernas doridas. O que mais nos surpreendeu foi que, entre os lugares mais conhecidos e que já constavam na nossa lista, conseguimos descobrir muitos outros que nunca tínhamos visto. Aqui vai o melhor do dia: Hyde Park O maior parque de Londres é o primeiro lugar em que se pensa para ver o melhor que o Outono tem para oferecer. Numa cidade de milhões de pessoas sempre em movimento, passear pelo Hyde Park é como um bálsamo para a alma. No Hyde Park há sempre lugares mais recatados onde só passam esquilos gordos e onde te podes deleitar a olhar para as majestosas árvores que o parque tem para oferecer. Notting Hill Gate Ao lado da estação de metro Notting Hill Gate fica um conjunto de ruas com algumas das casas mais adoráveis de Londres. Cada uma de sua cor, estas casas tornam a Hillgate Place e as ruas que a rodeiam numa das zonas mais pitorescas de Londres. Não muito longe fica um dos pubs mais famosos de Londres, The Churchill Arms, que é uma festa de flores na primavera e verão. Os “Mews” de Kensington A palavra “mews” define um conjunto de casas que foram inicialmente construídas para ser um estábulo e entretanto foram convertidas numa zona exclusivamente residencial. É nestas ruas que Londres se transforma numa pequena vila campestre e a prova disso são os Kynance Mews e a Christ Church Kensington que parecem saídos dos tradicionais Cotswolds. A caminho de South Kensington onde planeámos almoçar ainda passámos pelos Stanhope Mews, mais um cantinho encantador. Recentemente descobri que um dos melhores sítios para almoçar ou jantar em Londres é a pizzaria Franco Manca. São baratas, são boas, o serviço é rápido e não cobram taxa de serviço! What else? Com uma pizza na barriga só me faltava mesmo um gelado e não é que mesmo ali ao lado, depois de passar pelos Reece Mews, estava uma das melhores gelatarias de Londres – a Oddono’s – que para além de ser italiana também tem preços quase italianos. Já a Alexandra, que conheci quando fiz Erasmus em Paris, ainda não se desapegou da pastelaria francesa e acabou na Maitre Choux. Chelsea Embankment Depois de já termos passado horas intermináveis a andar, finalmente chegámos ao Tamisa. O Chelsea Embankment é um dos meus lugares preferidos em Londres porque é onde começa um caminho, sempre junto ao rio, que vai dar ao Big Ben e mais além. Westminster e St James’s Park O dia acabou com a luz perfeita a iluminar o Palácio de Westminster e o Parque St James. Enquanto nos encaminhávamos para a estação de Euston para voltar a casa, mal podíamos acreditar na sorte que tínhamos tido com aquele dia de sol que tinha começado com uma carga de água assustadora. Há dias assim!

    The post Londres desfolhada appeared first on Mudanças Constantes.

    ]]>
    Há duas coisas que me fazem muito feliz: ver o mar e andar durante horas por cidades. Como a primeira é mais difícil de fazer acontecer quando se vive no meio de Inglaterra, tenho que me satisfazer com a segunda que também não está nada mal.

    No Outono os parques e ruas de Londres arranjam-se a preceito para a nova estação e os amarelos, laranjas e vermelhos começam a aparecer tanto nas árvores como no chão. Como qualquer desculpa é boa para ir a Londres, desta vez foi descobrir os melhores lugares para fotografar o Outono na cidade que nos levou lá.

    22 quilómetros, duas pizzas e um gelado/éclair depois, pairava no ar um sentimento de missão cumprida misturado com pernas doridas. O que mais nos surpreendeu foi que, entre os lugares mais conhecidos e que já constavam na nossa lista, conseguimos descobrir muitos outros que nunca tínhamos visto. Aqui vai o melhor do dia:

    Hyde Park

    O maior parque de Londres é o primeiro lugar em que se pensa para ver o melhor que o Outono tem para oferecer. Numa cidade de milhões de pessoas sempre em movimento, passear pelo Hyde Park é como um bálsamo para a alma.

    No Hyde Park há sempre lugares mais recatados onde só passam esquilos gordos e onde te podes deleitar a olhar para as majestosas árvores que o parque tem para oferecer.

    Notting Hill Gate

    Ao lado da estação de metro Notting Hill Gate fica um conjunto de ruas com algumas das casas mais adoráveis de Londres. Cada uma de sua cor, estas casas tornam a Hillgate Place e as ruas que a rodeiam numa das zonas mais pitorescas de Londres.

    Não muito longe fica um dos pubs mais famosos de Londres, The Churchill Arms, que é uma festa de flores na primavera e verão.

    Os “Mews” de Kensington

    A palavra “mews” define um conjunto de casas que foram inicialmente construídas para ser um estábulo e entretanto foram convertidas numa zona exclusivamente residencial. É nestas ruas que Londres se transforma numa pequena vila campestre e a prova disso são os Kynance Mews e a Christ Church Kensington que parecem saídos dos tradicionais Cotswolds.

    A caminho de South Kensington onde planeámos almoçar ainda passámos pelos Stanhope Mews, mais um cantinho encantador.

    Recentemente descobri que um dos melhores sítios para almoçar ou jantar em Londres é a pizzaria Franco Manca. São baratas, são boas, o serviço é rápido e não cobram taxa de serviço! What else?

    Com uma pizza na barriga só me faltava mesmo um gelado e não é que mesmo ali ao lado, depois de passar pelos Reece Mews, estava uma das melhores gelatarias de Londres – a Oddono’s – que para além de ser italiana também tem preços quase italianos. Já a Alexandra, que conheci quando fiz Erasmus em Paris, ainda não se desapegou da pastelaria francesa e acabou na Maitre Choux.

    Chelsea Embankment

    Depois de já termos passado horas intermináveis a andar, finalmente chegámos ao Tamisa. O Chelsea Embankment é um dos meus lugares preferidos em Londres porque é onde começa um caminho, sempre junto ao rio, que vai dar ao Big Ben e mais além.

    Westminster e St James’s Park

    O dia acabou com a luz perfeita a iluminar o Palácio de Westminster e o Parque St James. Enquanto nos encaminhávamos para a estação de Euston para voltar a casa, mal podíamos acreditar na sorte que tínhamos tido com aquele dia de sol que tinha começado com uma carga de água assustadora. Há dias assim!

    The post Londres desfolhada appeared first on Mudanças Constantes.

    ]]>
    https://www.mudancasconstantes.com/2021/01/11/londres-outono/feed/ 0
    Manchester, o Peak District e um desvio https://www.mudancasconstantes.com/2021/01/08/manchester-o-peak-district-e-um-desvio/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=manchester-o-peak-district-e-um-desvio https://www.mudancasconstantes.com/2021/01/08/manchester-o-peak-district-e-um-desvio/#respond Fri, 08 Jan 2021 19:15:09 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=6356 No fim de semana que fui ao Peak District era para ter ido a Milão, mas a pandemia decidiu obrigar-me a cancelar pela segunda vez uma viagem. Determinada a não ficar em casa mais um fim de semana e verificando que a previsão meteorológica prometia sol, em poucos minutos pus-me a congeminar um plano que incluía uma visita a Manchester e ao Peak District para uma longa caminhada. As viagens de comboio no Reino Unido podem ser inimigas da conta bancária, mas ao menos ligam cidades a uma velocidade estonteante. Do lugar onde vivo (Milton Keynes) até Manchester são 250 quilómetros que se fazem em menos de duas horas de comboio. Um tirinho! Um amigo meu que também é meu vizinho alinhou nesta aventura espontânea – talvez porque, como sempre, não fui muito clara na quantidade de passos que teríamos de dar – e lá fomos nós para norte antes que nos fechassem todos em casa outra vez. Manchester, um charme industrial A cidade de Manchester é algo controversa. Já há algum tempo que estava curiosa em visitá-la, mas sempre que perguntava a pessoas que já lá tinham estado a sua opinião sobre a cidade ou diziam “sim, é super interessante!” ou “não é nada de especial”. Como o melhor é mesmo vermos pelos nossos próprios olhos, fui verificar quem é que tinha razão. Para mim, ganhou a equipa “interessante”. Apesar de só ter visto o centro, achei Manchester uma cidade muito jovem cheia de bares e vida noturna (mesmo durante uma pandemia!). Alguns dos lugares a não perder são: a Manchester Cathedral que fica ao lado da Shambles Square onde ainda podes ver o que resta da arquitectura inglesa tradicional. Um dos ex-libris da cidade é a John Rylands Library, uma biblioteca que parece saida de um filme do Harry Potter que infelizmente estava fechada devido ao bicho maldito e a Albert Square também é muito bonita. Na Gay Village vais encontrar imensos bares e uma bela vista sobre o canal. Ali mesmo ao lado fica também o Alan Turing Memorial. A nossa voltinha de reconhecimento a Manchester acabou no The Circus Tavern, apelidado “o bar mais pequeno da Europa”, este pub com pequenas salas é muito acolhedor e é daqueles lugares verdadeiramente ingleses onde toda a gente mete conversa. A noite foi curta até porque tínhamos um comboio para apanhar bem cedo no dia seguinte. Afinal, estávamos ali para caminhar, não para ir a festas! Kinder Scout and Mam Tor Circular: uma caminhada com um percalço O dia ainda mal tinha começado e nós já estávamos em movimento. Tínhamos 17 quilómetros pela frente e queríamos evitar multidões. Sim, porque conseguimos encontrar um dia de sol para fazer esta caminhada! Começando em Edale, uma aldeia amorosa mesmo no coração do Peak District, fomos andando em direcção à parte mais difícil do percurso: uma subida de pedregulhos por onde passa um rio – é praticamente uma cascata – e que me fez dar graças às minhas botas à prova de água. Apesar de cansativa, a primeira hora de caminhada é deslumbrante, principalmente com os tons de Outono que coloriam a vegetação. Já no topo só a lama atrapalhou o nosso passo. Eventualmente chegámos a um ponto em que, distraídos na conversa, nos esquecemos que tínhamos um GPS para consultar e assumimos que sabíamos o caminho. Errado! Quando demos por nós já tínhamos andado quilómetros na direcção contrária e agora havia que voltar o mais depressa possível para o trilho certo porque tínhamos um comboio marcado que não podíamos perder. Olhando para os tempos no Google, tínhamos cerca de dez minutos de manobra e por isso pusemos as perninhas em modo turbo e caminhámos como nunca caminhámos na vida. A parte boa deste desvio inesperado foi termos encontrado lugares que não veríamos doutra forma. A parte menos interessante foi a final, até porque teve que ser feita meio a correr naquela ânsia do “será que vamos mesmo conseguir?”. No fim, tal e qual como o Google tinha dito, chegámos à estação de comboio dez minutos antes e celebrámos o nosso sucesso sentando-nos pela primeira vez em muitas horas. Os 17 quilómetros tinham-se transformado em 23 e a aventura teve um bocadinho mais adrenalina do que era inicialmente esperado. Mesmo assim foi uma caminhada épica e adorei voltar ao Peak District, desta vez com sol! Dicas rápidas Hostels vs Airbnb: Eu sou uma das maiores defensoras dos hostels, excepto em Inglaterra. Por causa do Covid os preços dos hostels estavam bastante em conta e decidimos ficar no Selina NQ1 Manchester. Devo dizer que para hostel inglês as condições são excelentes, mas eu esqueço-me sempre que este povo marca dormidas em hostels para beber até ficar um pavão histérico e depois pôr-se aos gritos no corredor a horas indecentes por razão nenhuma. Nota-se que estou traumatizada? Resumo, se queres dormir, marca um Airbnb principalmente às sextas e sábados! Bilhetes de comboio: Em Inglaterra é sempre muito mais barato comprar ida e volta do que bilhetes separados. Se morares cá e tiveres até 30 anos compra um Railcard. O Railcard dá descontos de cerca de 30% em todos os comboios no país. Equipamento: Para qualquer caminhada em Inglaterra convém levar botas de caminhada impermeáveis. Nem sempre vais andar por trilhos com cascatas como este, mas há muita lama em geral, por isso ténis não são aconselháveis. Para esta caminhada levei também bastões que desde que me aventurei pelas montanhas Suíças considero indispensáveis. Alltrails: O AllTrails tornou-se rapidamente no meu site preferido para encontrar caminhadas novas, especialmente em tempos de confinamento. Quase todas as caminhadas têm o percurso para download em múltiplos formatos, incluindo GPX Track. O trilho que fiz é este. Aconselho fazer no sentido contra-relógio.

    The post Manchester, o Peak District e um desvio appeared first on Mudanças Constantes.

    ]]>
    No fim de semana que fui ao Peak District era para ter ido a Milão, mas a pandemia decidiu obrigar-me a cancelar pela segunda vez uma viagem. Determinada a não ficar em casa mais um fim de semana e verificando que a previsão meteorológica prometia sol, em poucos minutos pus-me a congeminar um plano que incluía uma visita a Manchester e ao Peak District para uma longa caminhada.

    As viagens de comboio no Reino Unido podem ser inimigas da conta bancária, mas ao menos ligam cidades a uma velocidade estonteante. Do lugar onde vivo (Milton Keynes) até Manchester são 250 quilómetros que se fazem em menos de duas horas de comboio. Um tirinho!

    Um amigo meu que também é meu vizinho alinhou nesta aventura espontânea – talvez porque, como sempre, não fui muito clara na quantidade de passos que teríamos de dar – e lá fomos nós para norte antes que nos fechassem todos em casa outra vez.

    Manchester, um charme industrial

    A cidade de Manchester é algo controversa. Já há algum tempo que estava curiosa em visitá-la, mas sempre que perguntava a pessoas que já lá tinham estado a sua opinião sobre a cidade ou diziam “sim, é super interessante!” ou “não é nada de especial”. Como o melhor é mesmo vermos pelos nossos próprios olhos, fui verificar quem é que tinha razão.

    Para mim, ganhou a equipa “interessante”. Apesar de só ter visto o centro, achei Manchester uma cidade muito jovem cheia de bares e vida noturna (mesmo durante uma pandemia!). Alguns dos lugares a não perder são: a Manchester Cathedral que fica ao lado da Shambles Square onde ainda podes ver o que resta da arquitectura inglesa tradicional.

    Um dos ex-libris da cidade é a John Rylands Library, uma biblioteca que parece saida de um filme do Harry Potter que infelizmente estava fechada devido ao bicho maldito e a Albert Square também é muito bonita.

    Na Gay Village vais encontrar imensos bares e uma bela vista sobre o canal. Ali mesmo ao lado fica também o Alan Turing Memorial. A nossa voltinha de reconhecimento a Manchester acabou no The Circus Tavern, apelidado “o bar mais pequeno da Europa”, este pub com pequenas salas é muito acolhedor e é daqueles lugares verdadeiramente ingleses onde toda a gente mete conversa.

    A noite foi curta até porque tínhamos um comboio para apanhar bem cedo no dia seguinte. Afinal, estávamos ali para caminhar, não para ir a festas!

    Kinder Scout and Mam Tor Circular: uma caminhada com um percalço

    O dia ainda mal tinha começado e nós já estávamos em movimento. Tínhamos 17 quilómetros pela frente e queríamos evitar multidões. Sim, porque conseguimos encontrar um dia de sol para fazer esta caminhada!

    Começando em Edale, uma aldeia amorosa mesmo no coração do Peak District, fomos andando em direcção à parte mais difícil do percurso: uma subida de pedregulhos por onde passa um rio – é praticamente uma cascata – e que me fez dar graças às minhas botas à prova de água. Apesar de cansativa, a primeira hora de caminhada é deslumbrante, principalmente com os tons de Outono que coloriam a vegetação.

    Já no topo só a lama atrapalhou o nosso passo. Eventualmente chegámos a um ponto em que, distraídos na conversa, nos esquecemos que tínhamos um GPS para consultar e assumimos que sabíamos o caminho. Errado!

    Quando demos por nós já tínhamos andado quilómetros na direcção contrária e agora havia que voltar o mais depressa possível para o trilho certo porque tínhamos um comboio marcado que não podíamos perder.

    Olhando para os tempos no Google, tínhamos cerca de dez minutos de manobra e por isso pusemos as perninhas em modo turbo e caminhámos como nunca caminhámos na vida. A parte boa deste desvio inesperado foi termos encontrado lugares que não veríamos doutra forma.

    A parte menos interessante foi a final, até porque teve que ser feita meio a correr naquela ânsia do “será que vamos mesmo conseguir?”. No fim, tal e qual como o Google tinha dito, chegámos à estação de comboio dez minutos antes e celebrámos o nosso sucesso sentando-nos pela primeira vez em muitas horas. Os 17 quilómetros tinham-se transformado em 23 e a aventura teve um bocadinho mais adrenalina do que era inicialmente esperado.

    Mesmo assim foi uma caminhada épica e adorei voltar ao Peak District, desta vez com sol!

    Dicas rápidas

    Hostels vs Airbnb: Eu sou uma das maiores defensoras dos hostels, excepto em Inglaterra. Por causa do Covid os preços dos hostels estavam bastante em conta e decidimos ficar no Selina NQ1 Manchester. Devo dizer que para hostel inglês as condições são excelentes, mas eu esqueço-me sempre que este povo marca dormidas em hostels para beber até ficar um pavão histérico e depois pôr-se aos gritos no corredor a horas indecentes por razão nenhuma. Nota-se que estou traumatizada? Resumo, se queres dormir, marca um Airbnb principalmente às sextas e sábados!

    Bilhetes de comboio: Em Inglaterra é sempre muito mais barato comprar ida e volta do que bilhetes separados. Se morares cá e tiveres até 30 anos compra um Railcard. O Railcard dá descontos de cerca de 30% em todos os comboios no país.

    Equipamento: Para qualquer caminhada em Inglaterra convém levar botas de caminhada impermeáveis. Nem sempre vais andar por trilhos com cascatas como este, mas há muita lama em geral, por isso ténis não são aconselháveis. Para esta caminhada levei também bastões que desde que me aventurei pelas montanhas Suíças considero indispensáveis.

    Alltrails: O AllTrails tornou-se rapidamente no meu site preferido para encontrar caminhadas novas, especialmente em tempos de confinamento. Quase todas as caminhadas têm o percurso para download em múltiplos formatos, incluindo GPX Track. O trilho que fiz é este. Aconselho fazer no sentido contra-relógio.

    The post Manchester, o Peak District e um desvio appeared first on Mudanças Constantes.

    ]]>
    https://www.mudancasconstantes.com/2021/01/08/manchester-o-peak-district-e-um-desvio/feed/ 0
    Seven Sisters e um escaldão inglês https://www.mudancasconstantes.com/2020/09/29/seven-sisters-inglaterra/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=seven-sisters-inglaterra https://www.mudancasconstantes.com/2020/09/29/seven-sisters-inglaterra/#comments Tue, 29 Sep 2020 10:52:45 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=6213 Durante algum tempo pensei que a caminhada das Seven Sisters estava amaldiçoada. O simples plano de apanhar um par de comboios para o sul do país e andar umas horas a pé foi constantemente adiado desde Fevereiro e só agora – estamos em Setembro – é que se cumpriu. Como o Reino Unido não é um país com grande densidade populacional de caminhantes, rumei à costa sul de Inglaterra sozinha para algumas horas de contemplação e trabalho de pernas. Apanhando um comboio de London Victoria são no máximo duas horas até Seaford por uma paisagem que rapidamente se transfigura de uma metrópole de milhões para quilómetros e quilómetros de colinas de um verde só alcançável por países de clima duvidoso. É na estação de Lewes, ao trocar para um comboio que já viu melhores dias, que se distingue quem são os caminhantes. A uma velocidade adequada à de um comboio do século XIX cheguei à vila costeira de Seaford para um primeiro vislumbre de mar em mais de dois meses A caminhada das Seven Sisters tem cerca de 17 quilómetros com maré baixa e mais uns três ou quatro com a maré alta e acaba na vila de Eastbourne. É possível fazê-la em ambos os sentidos, mas é sabido que as vistas são melhores de Seaford até Eastbourne. Num dia de Verão num ano em que não se pode viajar para lado nenhum, seria de esperar que as Seven Sisters estivessem ao rubro. Tinha-me preparado psicologicamente para o pior. Em vez disso houve mais que muitas oportunidades para ouvir um dos meus sons preferidos: o silêncio. Outra das surpresas da caminhada foi a diversidade de paisagens, que vão muito além do “rochedo branco com relva no topo”. Logo no início podes encontrar as casas pitorescas que aparecem no filme Expiação. Logo ao lado fica a praia que vai ditar se a tua caminhada tem mais ou menos quilómetros. É na Cuckmere Haven que o rio se junta ao mar e, pelos vistos, quando a maré está cheia tens que ir dar a chamada “ganda volta” por uma ponte mais acima. A parte positiva é que se tiveres que o fazer há um pub, o The Cuckmere Inn, no caminho e onde podes parar! Foi depois desta parte que encontrei a minha vista preferida: Os quilómetros finais são adornados pelo farol “Beachy Head Lighthouse” que, apesar de construído em 1902, já se avizinhava um grande adereço de fotografias de Instagram. E é assim que termina uma das caminhadas mais famosas de Inglaterra que num dia soalheiro e com vento te pode dar um escaldão com tanta categoria como o que se apanha em qualquer praia portuguesa. Dicas rápidas Comboios: Em Inglaterra, o preço de comprar um bilhete de ida é o mesmo que comprar um bilhete de ida e volta. Por isso, o melhor é comprar ou ida e volta Londres – Seaford ou Londres – Eastbourne e depois comprar um bilhete de ida de Lewes – Seaford ou de Eastbourne – Lewes.

    The post Seven Sisters e um escaldão inglês appeared first on Mudanças Constantes.

    ]]>
    Durante algum tempo pensei que a caminhada das Seven Sisters estava amaldiçoada. O simples plano de apanhar um par de comboios para o sul do país e andar umas horas a pé foi constantemente adiado desde Fevereiro e só agora – estamos em Setembro – é que se cumpriu.

    Como o Reino Unido não é um país com grande densidade populacional de caminhantes, rumei à costa sul de Inglaterra sozinha para algumas horas de contemplação e trabalho de pernas.

    Apanhando um comboio de London Victoria são no máximo duas horas até Seaford por uma paisagem que rapidamente se transfigura de uma metrópole de milhões para quilómetros e quilómetros de colinas de um verde só alcançável por países de clima duvidoso.

    É na estação de Lewes, ao trocar para um comboio que já viu melhores dias, que se distingue quem são os caminhantes. A uma velocidade adequada à de um comboio do século XIX cheguei à vila costeira de Seaford para um primeiro vislumbre de mar em mais de dois meses

    A caminhada das Seven Sisters tem cerca de 17 quilómetros com maré baixa e mais uns três ou quatro com a maré alta e acaba na vila de Eastbourne. É possível fazê-la em ambos os sentidos, mas é sabido que as vistas são melhores de Seaford até Eastbourne.

    Num dia de Verão num ano em que não se pode viajar para lado nenhum, seria de esperar que as Seven Sisters estivessem ao rubro. Tinha-me preparado psicologicamente para o pior. Em vez disso houve mais que muitas oportunidades para ouvir um dos meus sons preferidos: o silêncio.

    Outra das surpresas da caminhada foi a diversidade de paisagens, que vão muito além do “rochedo branco com relva no topo”. Logo no início podes encontrar as casas pitorescas que aparecem no filme Expiação.

    Logo ao lado fica a praia que vai ditar se a tua caminhada tem mais ou menos quilómetros. É na Cuckmere Haven que o rio se junta ao mar e, pelos vistos, quando a maré está cheia tens que ir dar a chamada “ganda volta” por uma ponte mais acima. A parte positiva é que se tiveres que o fazer há um pub, o The Cuckmere Inn, no caminho e onde podes parar!

    Foi depois desta parte que encontrei a minha vista preferida:

    Os quilómetros finais são adornados pelo farol “Beachy Head Lighthouse” que, apesar de construído em 1902, já se avizinhava um grande adereço de fotografias de Instagram.

    E é assim que termina uma das caminhadas mais famosas de Inglaterra que num dia soalheiro e com vento te pode dar um escaldão com tanta categoria como o que se apanha em qualquer praia portuguesa.

    Dicas rápidas

    Comboios: Em Inglaterra, o preço de comprar um bilhete de ida é o mesmo que comprar um bilhete de ida e volta. Por isso, o melhor é comprar ou ida e volta Londres – Seaford ou Londres – Eastbourne e depois comprar um bilhete de ida de Lewes – Seaford ou de Eastbourne – Lewes.

    The post Seven Sisters e um escaldão inglês appeared first on Mudanças Constantes.

    ]]>
    https://www.mudancasconstantes.com/2020/09/29/seven-sisters-inglaterra/feed/ 4
    A cinzenta e tradicional Inglaterra dos filmes https://www.mudancasconstantes.com/2019/11/14/cotswolds-bath-inglaterra/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=cotswolds-bath-inglaterra https://www.mudancasconstantes.com/2019/11/14/cotswolds-bath-inglaterra/#comments Thu, 14 Nov 2019 08:18:36 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5806 Já se sabe que o clima está longe de ser a melhor qualidade de Inglaterra. Nunca está extremamente frio nem quente, não há tempestades e as chuvas torrenciais são raras. Há uma expressão muito inglesa que descreve lindamente o tempo nesta ilha geograficamente mal posicionada: lukewarm. Em português, morno, lukewarm é um estado de indiferença, de desinteresse no qual Inglaterra se mergulha durante mais ou menos nove meses por ano. Não querendo atender ao pedido de “bom tempo” por parte da minha mãe, Inglaterra mostrou-se tal e qual como é durante o nosso fim-de-semana de passeio pelos Cotswolds e Bath. Vendo o copo meio cheio, Inglaterra tem um certo encanto sob um céu cinzento, afinal, nunca nenhum arquitecto desenhou uma casa aqui a pensar o quão bem ficaria num dia de sol. Destemidos e munidos com um grande chapéu-de-chuva foi assim que passámos um fim-de-semana muito inglês: Castle Combe Demorei um ano até conseguir enfiar Castle Combe num plano de passeio credível – ficava sempre fora de mão! Castle Combe é uma aldeia de conto de fadas. Ali não há nada que destoe até porque a construção mais recente é do século XV… Está situada num vale, não tem carros, tem uma igreja, um palacete fino, um centro mercantil, pubs e casas de chá e, a cereja no topo do bolo: uma ponte mega pitoresca. Se isto tudo junto não dá a aldeia mais bonita do Reino Unido não sei o que dá! Depois de um ano de espera, posso dizer que correspondeu às expectativas. Bradford-on-Avon Ao contrário da aldeia anterior, nunca tinha ouvido falar de Bradford on Avon até ler um artigo num jornal inglês que afirmava que esta era “a nova Bath”. Sendo Bath uma das cidades mais turísticas de Inglaterra, achei que parecia uma boa premissa. Chegámos a Bradford às cinco da tarde – quando já não se avistava vivalma – e como tal a vila era nossa. A zona mais bonita de Bradford é, sem dúvida, a da ponte (do século XIII) sobre o rio Avon que, em vez de parecer um simpático canal como aparece nas fotografias, parecia um rio com rápidos mortais tanta era a chuva dos últimos dias. Já o centro é relativamente pequeno, mas com uma arquitectura muito característica e interessante. Estas vilinhas costumam ter vias e trilhos para caminhar e andar de bicicleta sempre à beira rio e numa visita com mais e melhor tempo parece-me ser o plano ideal. Pelo que li é recomendada a passagem pelo Tithe Barn e The Lock Inn Café. Lacock Acho seguro declarar que Lacock foi a grande surpresa deste fim-de-semana, sobretudo porque lá chegámos completamente vazios de quaisquer expectativas. Lacock não era mais do que um ponto de interrogação promissor. Num domingo chuvoso às 9 da manhã, havia três pessoas em Lacock e essas pessoas éramos nós! E não é que encontrámos um amor de aldeia? Em Lacock tudo parece ter sido posto no sítio com um cuidado e carinho especiais que ignoraram a passagem dos últimos 800 anos. Por estar tão bem preservada, Lacock já serviu de cenário a muitos filmes e séries ingleses incluído *drumroll* o Harry Potter! Quase cai para o lado quando soube disto, mas infelizmente as nossas horas não coincidiram com as da Abadia que já foi Howgwarts, mas fica para a próxima. Ao menos pisei o mesmo chão que o cast… Lacock também é o lugar perfeito para uma refeição reconfortante num pub, de preferência com lareira. Uma chef recomendou-nos o The George Inn e como tem mesmo muito bom aspecto, passa a ser a minha recomendação também. Bath Bath é como uma vila dos Cotswolds em ponto grande. Cheia de movimento, cultura e turistas chineses, esta é a única cidade do Reino Unido considerada património da UNESCO. Apesar de ser conhecida pelos banhos romanos que a baptizaram, os “modestos” 20 pounds de entrada afastaram-nos para outras atracções como a Ponte Pulteney e o Royal Crescent. Os preços injustificados e proibitivos praticados em Bath acabam por prejudicar a experiência na cidade por que não resta muito mais para fazer. Se tiveres vontade de gastar dinheiro, para além dos banhos há o Prior Park Landscape Garden que parece muito giro. Bath também fica muito perto de Stonehenge que visitei já há alguns anos com a Scarpertours e adorei. Entretanto estava na altura de rumarmos para norte, de volta a casa. Os Cotswolds são definitivamente uma das minhas regiões preferidas de Inglaterra e o lugar perfeito para viver a experiência das casas de chá e dos pubs tradicionais.

    The post A cinzenta e tradicional Inglaterra dos filmes appeared first on Mudanças Constantes.

    ]]>
    Já se sabe que o clima está longe de ser a melhor qualidade de Inglaterra. Nunca está extremamente frio nem quente, não há tempestades e as chuvas torrenciais são raras. Há uma expressão muito inglesa que descreve lindamente o tempo nesta ilha geograficamente mal posicionada: lukewarm. Em português, morno, lukewarm é um estado de indiferença, de desinteresse no qual Inglaterra se mergulha durante mais ou menos nove meses por ano.

    Castle Combe

    Não querendo atender ao pedido de “bom tempo” por parte da minha mãe, Inglaterra mostrou-se tal e qual como é durante o nosso fim-de-semana de passeio pelos Cotswolds e Bath.

    Vendo o copo meio cheio, Inglaterra tem um certo encanto sob um céu cinzento, afinal, nunca nenhum arquitecto desenhou uma casa aqui a pensar o quão bem ficaria num dia de sol. Destemidos e munidos com um grande chapéu-de-chuva foi assim que passámos um fim-de-semana muito inglês:

    Castle Combe

    Demorei um ano até conseguir enfiar Castle Combe num plano de passeio credível – ficava sempre fora de mão! Castle Combe é uma aldeia de conto de fadas. Ali não há nada que destoe até porque a construção mais recente é do século XV…

    Está situada num vale, não tem carros, tem uma igreja, um palacete fino, um centro mercantil, pubs e casas de chá e, a cereja no topo do bolo: uma ponte mega pitoresca. Se isto tudo junto não dá a aldeia mais bonita do Reino Unido não sei o que dá! Depois de um ano de espera, posso dizer que correspondeu às expectativas.

    Bradford-on-Avon

    Ao contrário da aldeia anterior, nunca tinha ouvido falar de Bradford on Avon até ler um artigo num jornal inglês que afirmava que esta era “a nova Bath”. Sendo Bath uma das cidades mais turísticas de Inglaterra, achei que parecia uma boa premissa. Chegámos a Bradford às cinco da tarde – quando já não se avistava vivalma – e como tal a vila era nossa.

    A zona mais bonita de Bradford é, sem dúvida, a da ponte (do século XIII) sobre o rio Avon que, em vez de parecer um simpático canal como aparece nas fotografias, parecia um rio com rápidos mortais tanta era a chuva dos últimos dias. Já o centro é relativamente pequeno, mas com uma arquitectura muito característica e interessante.

    Estas vilinhas costumam ter vias e trilhos para caminhar e andar de bicicleta sempre à beira rio e numa visita com mais e melhor tempo parece-me ser o plano ideal. Pelo que li é recomendada a passagem pelo Tithe Barn e The Lock Inn Café.

    Lacock

    Acho seguro declarar que Lacock foi a grande surpresa deste fim-de-semana, sobretudo porque lá chegámos completamente vazios de quaisquer expectativas. Lacock não era mais do que um ponto de interrogação promissor.

    Num domingo chuvoso às 9 da manhã, havia três pessoas em Lacock e essas pessoas éramos nós! E não é que encontrámos um amor de aldeia? Em Lacock tudo parece ter sido posto no sítio com um cuidado e carinho especiais que ignoraram a passagem dos últimos 800 anos.

    Por estar tão bem preservada, Lacock já serviu de cenário a muitos filmes e séries ingleses incluído *drumroll* o Harry Potter! Quase cai para o lado quando soube disto, mas infelizmente as nossas horas não coincidiram com as da Abadia que já foi Howgwarts, mas fica para a próxima. Ao menos pisei o mesmo chão que o cast…

    Lacock também é o lugar perfeito para uma refeição reconfortante num pub, de preferência com lareira. Uma chef recomendou-nos o The George Inn e como tem mesmo muito bom aspecto, passa a ser a minha recomendação também.

    Bath

    Bath é como uma vila dos Cotswolds em ponto grande. Cheia de movimento, cultura e turistas chineses, esta é a única cidade do Reino Unido considerada património da UNESCO. Apesar de ser conhecida pelos banhos romanos que a baptizaram, os “modestos” 20 pounds de entrada afastaram-nos para outras atracções como a Ponte Pulteney e o Royal Crescent.

    Os preços injustificados e proibitivos praticados em Bath acabam por prejudicar a experiência na cidade por que não resta muito mais para fazer. Se tiveres vontade de gastar dinheiro, para além dos banhos há o Prior Park Landscape Garden que parece muito giro.

    Bath também fica muito perto de Stonehenge que visitei já há alguns anos com a Scarpertours e adorei.

    Entretanto estava na altura de rumarmos para norte, de volta a casa. Os Cotswolds são definitivamente uma das minhas regiões preferidas de Inglaterra e o lugar perfeito para viver a experiência das casas de chá e dos pubs tradicionais.

    The post A cinzenta e tradicional Inglaterra dos filmes appeared first on Mudanças Constantes.

    ]]>
    https://www.mudancasconstantes.com/2019/11/14/cotswolds-bath-inglaterra/feed/ 1
    White Cliffs of Dover e um sudeste soalheiro https://www.mudancasconstantes.com/2019/07/30/white-cliffs-of-dover-inglaterra/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=white-cliffs-of-dover-inglaterra https://www.mudancasconstantes.com/2019/07/30/white-cliffs-of-dover-inglaterra/#respond Tue, 30 Jul 2019 17:26:56 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5507 Nos escassos dias de sol ingleses é quase proibido ficar em casa. O país transforma-se e não há como não alinhar neste movimento: os calções e os chinelos saem do armário, os transportes para o litoral enchem-se e as praias, outrora cinzentas e acastanhadas, tornam-se num paraíso quase tão apetitoso quanto as Maldivas. Não querendo perder esta súbita febre de Verão, também nós nos dirigimos ao sul no fim de Junho. Com os White Cliffs of Dover em mente, conjurámos um plano que incluía Canterbury, Dover e Rye – um mix de vilas tradicionais, falésias e praia. Canterbury: galinhas regatadas e enchiladas Com os nossos antecedentes trágico-cómico nos Airbnb ingleses, mal podíamos esperar para ver quem nos aguardava do outro lado da porta desta vez. Felizmente fomos recebidos por uma cadela que parecia uma vaca e com um sorriso, vindo dos donos, que apaziguou os nossos receios. Para além de simpáticos com os humanos, os nossos hosts resgatavam cães (já iam em mais de 100 resgates) e até galinhas. Quem diria que as galinhas precisavam de ser resgatadas… Com mais de três horas de estrada e trânsito no lombo, descansámos até a barriga se queixar. Decidimos jantar na rua principal de Canterbury e usar a táctica do “restaurante com gente”. Acabámos num mexicano chamado Tacos Locos que tinha Margaritas com uns 90% de tequila e porções gigantescas! Ainda mais cansados depois de comermos por quatro em vez de dois, fomos explorar o potencial de Canterbury. Ficámos certos que tínhamos que voltar na manhã seguinte. Acordámos com as galinhas (literalmente) e depois de um pequeno-almoço, vegetariano e livre qualquer pecado animal, voltámos ao ataque a Canterbury. Apesar de ter um centro pequenino, é uma cidade muito catita com uma das arquitecturas mais icónicas e interessantes que já vi em Inglaterra. Os Greyfriars Gardens também são muito merecedores de uma visita. Canterbury é uma cidade absolutamente adorável e entrou para o top de lugares que mais gosto neste país! Os prístinos White Cliffs of Dover Mas o nosso destino era mesmo o mar e como tal, dirigimo-nos a alta velocidade para a St Margarets Bay, uma pequena baía com “praia” aka calhaus junto ao mar onde pudemos explorar o sopé das falésias. Já para explorar o topo das falésias, seguimos para a entrada oficial dos White Cliffs of Dover. Assim que entramos no trilho fomos surpreendidos não pelo “branco, mais branco não há”, mas por uma vista panorâmica sobre o Porto de Dover, o porto de passageiros mais concorrido da Europa. Ultrapassando esta parte industrial, tínhamos pela frente quilómetros de relva verdejante para palmilhar enquanto nos deslumbrávamos com o azul do mar e o branco das falésias. Tudo era paz e tranquilidade, excepto quando se ouvia uns espanhóis. Contudo, debaixo dos nossos pés a história era outra. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando o Winston Churchill visitou a zona, reparou que o inimigo andava livremente pelo Estreito de Dover sem que ninguém lhe fizesse frente. Imediatamente ordenou a instalação de artilharia pesada e a construção da “Fan Bay”, uma rede de túneis subterrâneos que funcionavam como abrigo e esconderijo estratégico que hoje pode ser visitada. Afinal de contas, em dias de sol, França vê-se lá ao fundo, a uns meros 33 quilómetros de distância. Fazer o caminho completo de ida e volta demora cerca de três horas, mas o trilho é muito fácil e acessível. Nós no total fizemos só 90 minutos. Dover e a alma de Inglaterra No fim da nossa caminhada já só pensávamos no almoço. No Google Maps escrevemos uma palavra “Wetherspoons” e num segundo lá estava ele, como sempre, pronto para nos receber de braços abertos. Para quem não conhece, o Wetherspoons é uma cadeia de pubs inglesa, mas eu acho que é muito mais do que isso: é a alma de Inglaterra. Estes pubs servem para tudo. Bebidas baratas depois do trabalho? Check! Pequeno-almoço inglês? Check! Almoço numa cidade desconhecida? Check! Há um certo sentimento de pertença e familiaridade neste lugar, quase como uma casa. Não tem muita classe ou glamour, mas como eles dizem “it gets the job done”. Por isso, se um dia quiseres conhecer a Inglaterra para além de Londres, este é um bom ponto de partida. PS: O wrap de legumes grelhados é surpreendentemente bom. Rye, um casamento e uma praia Se há coisas boas no Instagram é ficarmos a conhecer lugares que de outra forma nunca seriam visitados por ser tão insignificantes no mapa. Sendo eu uma aficionada por casinhas tradicionais inglesas, não podia deixar de escapar a pequena vila de Rye. Muralhas, casas com vigas, igrejas e até gelados decentes para os padrões ingleses tornam Rye num lugar muito apelativo para um passeio de domingo. O momento mais entusiasmante do dia (provavelmente do mês) nesta vila foi um casamento. Enquanto subíamos uma das ruas principais, começámos a ouvir um sino que era agitado por um senhor vestido a rigor que anunciava ao mundo o casamento e o nome dois noivos. Tínhamos viajado 200 anos no tempo. Não podendo deixar este dia de verão perfeito escapar sem aproveitar todos os raios de sol possíveis, fomos até à Rye Harbour Nature Reserve que apesar de não ser nada de especial tem uma praia onde consolidámos o nosso escaldão. Dicas rápidas Estacionamento em Canterbury: Como em todo o lado em Inglaterra, o estacionamento é pago no centro. O nosso host deu-nos a dica de estacionar no fim da Monastery Street/Havelock Street onde era grátis.

    The post White Cliffs of Dover e um sudeste soalheiro appeared first on Mudanças Constantes.

    ]]>
    Nos escassos dias de sol ingleses é quase proibido ficar em casa. O país transforma-se e não há como não alinhar neste movimento: os calções e os chinelos saem do armário, os transportes para o litoral enchem-se e as praias, outrora cinzentas e acastanhadas, tornam-se num paraíso quase tão apetitoso quanto as Maldivas.

    Não querendo perder esta súbita febre de Verão, também nós nos dirigimos ao sul no fim de Junho. Com os White Cliffs of Dover em mente, conjurámos um plano que incluía Canterbury, Dover e Rye – um mix de vilas tradicionais, falésias e praia.


    Canterbury: galinhas regatadas e enchiladas

    Com os nossos antecedentes trágico-cómico nos Airbnb ingleses, mal podíamos esperar para ver quem nos aguardava do outro lado da porta desta vez. Felizmente fomos recebidos por uma cadela que parecia uma vaca e com um sorriso, vindo dos donos, que apaziguou os nossos receios. Para além de simpáticos com os humanos, os nossos hosts resgatavam cães (já iam em mais de 100 resgates) e até galinhas. Quem diria que as galinhas precisavam de ser resgatadas…

    Com mais de três horas de estrada e trânsito no lombo, descansámos até a barriga se queixar. Decidimos jantar na rua principal de Canterbury e usar a táctica do “restaurante com gente”. Acabámos num mexicano chamado Tacos Locos que tinha Margaritas com uns 90% de tequila e porções gigantescas!

    Ainda mais cansados depois de comermos por quatro em vez de dois, fomos explorar o potencial de Canterbury. Ficámos certos que tínhamos que voltar na manhã seguinte.

    Acordámos com as galinhas (literalmente) e depois de um pequeno-almoço, vegetariano e livre qualquer pecado animal, voltámos ao ataque a Canterbury. Apesar de ter um centro pequenino, é uma cidade muito catita com uma das arquitecturas mais icónicas e interessantes que já vi em Inglaterra.

    Os Greyfriars Gardens também são muito merecedores de uma visita.

    Canterbury é uma cidade absolutamente adorável e entrou para o top de lugares que mais gosto neste país!


    Os prístinos White Cliffs of Dover

    Mas o nosso destino era mesmo o mar e como tal, dirigimo-nos a alta velocidade para a St Margarets Bay, uma pequena baía com “praia” aka calhaus junto ao mar onde pudemos explorar o sopé das falésias.

    Já para explorar o topo das falésias, seguimos para a entrada oficial dos White Cliffs of Dover. Assim que entramos no trilho fomos surpreendidos não pelo “branco, mais branco não há”, mas por uma vista panorâmica sobre o Porto de Dover, o porto de passageiros mais concorrido da Europa.

    Ultrapassando esta parte industrial, tínhamos pela frente quilómetros de relva verdejante para palmilhar enquanto nos deslumbrávamos com o azul do mar e o branco das falésias. Tudo era paz e tranquilidade, excepto quando se ouvia uns espanhóis.

    Contudo, debaixo dos nossos pés a história era outra. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando o Winston Churchill visitou a zona, reparou que o inimigo andava livremente pelo Estreito de Dover sem que ninguém lhe fizesse frente.

    Imediatamente ordenou a instalação de artilharia pesada e a construção da “Fan Bay”, uma rede de túneis subterrâneos que funcionavam como abrigo e esconderijo estratégico que hoje pode ser visitada. Afinal de contas, em dias de sol, França vê-se lá ao fundo, a uns meros 33 quilómetros de distância.

    Fazer o caminho completo de ida e volta demora cerca de três horas, mas o trilho é muito fácil e acessível. Nós no total fizemos só 90 minutos.


    Dover e a alma de Inglaterra

    No fim da nossa caminhada já só pensávamos no almoço. No Google Maps escrevemos uma palavra “Wetherspoons” e num segundo lá estava ele, como sempre, pronto para nos receber de braços abertos.

    Para quem não conhece, o Wetherspoons é uma cadeia de pubs inglesa, mas eu acho que é muito mais do que isso: é a alma de Inglaterra. Estes pubs servem para tudo. Bebidas baratas depois do trabalho? Check! Pequeno-almoço inglês? Check! Almoço numa cidade desconhecida? Check!

    Banksy em Dover

    Há um certo sentimento de pertença e familiaridade neste lugar, quase como uma casa. Não tem muita classe ou glamour, mas como eles dizem “it gets the job done”. Por isso, se um dia quiseres conhecer a Inglaterra para além de Londres, este é um bom ponto de partida.

    PS: O wrap de legumes grelhados é surpreendentemente bom.


    Rye, um casamento e uma praia

    Se há coisas boas no Instagram é ficarmos a conhecer lugares que de outra forma nunca seriam visitados por ser tão insignificantes no mapa. Sendo eu uma aficionada por casinhas tradicionais inglesas, não podia deixar de escapar a pequena vila de Rye.

    Muralhas, casas com vigas, igrejas e até gelados decentes para os padrões ingleses tornam Rye num lugar muito apelativo para um passeio de domingo.

    O momento mais entusiasmante do dia (provavelmente do mês) nesta vila foi um casamento. Enquanto subíamos uma das ruas principais, começámos a ouvir um sino que era agitado por um senhor vestido a rigor que anunciava ao mundo o casamento e o nome dois noivos. Tínhamos viajado 200 anos no tempo.

    Não podendo deixar este dia de verão perfeito escapar sem aproveitar todos os raios de sol possíveis, fomos até à Rye Harbour Nature Reserve que apesar de não ser nada de especial tem uma praia onde consolidámos o nosso escaldão.

    Dicas rápidas

    Estacionamento em Canterbury: Como em todo o lado em Inglaterra, o estacionamento é pago no centro. O nosso host deu-nos a dica de estacionar no fim da Monastery Street/Havelock Street onde era grátis.

    The post White Cliffs of Dover e um sudeste soalheiro appeared first on Mudanças Constantes.

    ]]>
    https://www.mudancasconstantes.com/2019/07/30/white-cliffs-of-dover-inglaterra/feed/ 0