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Como planear um Interrail em 7 passos

Um Interrail faz parte do imaginário da maioria dos viajantes. É aquela primeira grande viagem que desperta uma sede incontrolável por descobrir mais e mais mundo. Pelo menos comigo foi assim.

Por ser uma viagem mais longa e com tantas possibilidades (afinal são 33 países à nossa disposição), nem sempre é fácil saber por onde começar, mas para mim, que adoro planear, não podia ter sido mais entusiasmante construir a estrutura desta aventura.

Como correu espectacularmente bem espero que este post funcione como um empurrãozinho e que te esclareça todas as dúvidas sobre o Interrail.

1 – Define o teu orçamento

Antes de decidir partir à aventura, convém dar um olhinho ao extracto bancário; o teu orçamento vai ajudar-te a decidir se tens a Europa toda a teus pés ou se é melhor ficar pelos países mais em conta.

Apesar de ser a primeira pessoa a dizer que não é preciso ser rico para viajar, também sou realista o suficiente para perceber que um mês de viagem por países como a Noruega, Suécia e Finlândia pode não estar ao alcance de todos.

Por isso, antes de fazer um plano, tento perceber quanto posso gastar nessa viagem e adapto o itinerário a partir daí. O meu orçamento para o Interrail (2012) era €1500 no máximo dos máximos e acabei por gastar cerca de €1100.

2 – Escolhe os teus destinos

A escolha dos destinos passa por dois critérios: o que queres ver (óbvio) e o tempo que tens. Há quem prefira ver um país num mês, ou 8 capitais nesse mesmo espaço de tempo. Eu sabia que queria ver muito em pouco tempo – afinal, quem é que não quer aos dezoito anos?! – e decidi ficar cerca de três dias em cada sítio o que acabou por se revelar uma boa escolha.

Pelo orçamento que já tinha definido escolhi visitar um misto de cidades mais caras (Paris, Viena e Berlim) com mais baratas (Budapeste, Cracóvia e Praga).

Podes ver o itinerário detalhado neste post.

Em retrospectiva, este itinerário foi perfeito para a minha primeira viagem “a sério” e permitiu-me fazer o “check” de muitas capitais europeias. Hoje em dia sonho em fazer outros Interrail, desta vez por aquelas cidades e vilas Europeias mais “invisíveis”, mas que têm tanto ou mais para oferecer do que as capitais mais badaladas.

Podes encontrar o mapa com todas a ligações férreas incluídas pelo passe na Europa aqui.

3 – Será que (o passe) vale a pena?

Agora que o itinerário se está a compor, está na hora de decidir o passe. Existem vários tipos de passes:

– Passes de um só país, aqui.

– Os passes globais flexíveis, em que escolhes os dias em que viajas (limitado pelo valor do passe) durante um determinado período de tempo.

– Os passes globais te permitem viajar todos os dias durante um mês ou mais.

No meu caso, como íamos estar parados em cidades durante alguns dias sem precisar de andar de comboio, fazia mais sentido comprarmos aquele que nos dava a flexibilidade de viajar quando precisávamos. Escolhemos o flexível de 10 dias de viagem em 22 dias no total (entretanto os passes mudaram e são muito mais convenientes agora).

Podes consultar todos os passes disponíveis aqui.

O Interrail começou em 1972 e desde aí tornou-se numa das viagens mais icónicas à face da terra. Entretanto o mundo mudou e as opções de viagem são agora quase infinitas. E se um passe de Interrail pode ser uma oportunidade incrível de poupança para viajar de comboio (principalmente se tiveres menos de 27 anos) na Europa Central e do Norte, nos países da Europa de Leste é um desperdício porque os preços dos bilhetes são extremamente baixos.

Assim sendo, depois de teres uma ideia dos destinos que queres visitar tens que investigar se um passe vale a pena ou não.

4 – Percebe o teu passe

Para tirares o máximo partido do teu passe de Interrail aqui vão algumas dicas:

  • Verifica se o comboio que queres apanhar tem reservas obrigatórias.

Comboios nocturnos e de alta velocidade são de reserva obrigatória e normalmente têm uma taxa que não é coberta pelo passe. Se não tiveres pressa, opta por comboios mais lentos e evita essa taxa. Podes consultar aqui todas as taxas de reserva e reservar no site do Interrail.

  • Dormir em comboios é a melhor coisa de sempre

A primeira vez que entrei num comboio e percebi que era naquela divisão, partilhada com mais três ou cinco pessoas, que ia passar a noite achei que não ia dormir nada. Não estar mais longe da verdade! Mal o comboio começou a andar era como se estivesse a ser embalada, já só acordei na manhã seguinte.

Aconselho-te a levar tampões de ouvidos e alguns podcasts ou aqueles “noise-canceling headphones” para o caso de teres companhia que ressone, mas fora isso é uma experiência espectacular.

  • Um comboio nocturno = Um dia de viagem

Quando apanhas um comboio nocturno não precisas de usar dois dias do passe. Só tens que usar o dia em que o comboio parte. Esta regra mudou em 2019 e a antiga regra “das 7 da tarde” já não é válida. Mais informação aqui.

  • Revisores (informação de 2012)

Nos comboios nocturnos os revisores vão pedir-te o teu passe e documento de identificação e vão ficar com eles durante a noite. Ser-te-ão devolvidos na manhã seguinte. Não vale a pena protestar, é o procedimento normal. Quanto muito, mantém sempre contigo uma fotocópia do CC e/ou passaporte.

  • Mantém tudo em segurança

Tranca as portas da carruagem e dorme com os teus pertences mais valiosos debaixo da almofada. Prevenir não custa 😉

  • Parcerias Interrail

O teu passe Interrail não te dá só viagens de comboio. Há parcerias com transportes locais, ferries, empresas de aluguer de carros, museus, etc. Explora todas as possibilidades aqui.

5 – Deslocações além passe

Como forma de continuar a poupar, quase não usámos transportes dentro das cidades que visitámos. Em geral, marcámos hostels a uma distância razoável das estações de comboio (já que eram sempre o nosso ponto de partida e de chegada) e do centro histórico. A maioria das cidades Europeias são fáceis de fazer a pé e é a melhor forma de absorver tudo o que têm para oferecer.

Contudo, lê com atenção as características do passe e as vantagens em cada país porque nalgumas cidades os comboios urbanos também estão incluídos. Em Berlim, por exemplo, estão.

Em cidades maiores como Paris, vale a pena comprar os passes diários de transportes e aproveitar esses dias para ver vários sítios mais “fora de mão”.

6 – Encontra o teu poiso

Para mim, esta é sempre uma das partes mais divertidas de planear. Adoro passear pelo Hostelworld e descobrir os hostels de cada cidade, as suas localizações, preços e comentários. Quando fizemos o Interrail tive em consideração todos estes factores e tentei arranjar uma boa relação qualidade preço.

Na minha opinião os melhores hostels são aqueles que têm actividades em grupo como aulas de cozinha e quartos para quatro ou seis pessoas onde vais conseguir dormir o suficiente para manter o ritmo da viagem.

Os valores podem ir de €8 por noite nas cidades mais baratas a €30 nas mais caras. O hostelworld também é uma boa forma de benchmarking para perceber os valores médios de uma cidade e antecipares o que vais gastar.

Outra opção é o Couchsurfing. Em 2012 tinha 18 anos e não me passou pela cabeça arriscar esta opção. Entretanto cresci e percebi que esta plataforma pode ser uma das melhores coisas do mundo quando utilizada de forma correcta. Aqui fica um post sobre a minha primeira experiência de Couchsurfing.

7 – Descobre o melhor que cada lugar tem para oferecer

Antes de viajar para qualquer lado que seja corro sempre uma quantidade anormal de blogs para descobrir os lugares mais promissores de se visitar e marco-os no meu Google Maps. Aconselho-te a fazer o mesmo, afinal já estás aqui 😉 .

Já na cidade normalmente começo por uma free walking tour (funcionam com doações, pagas o que queres) como forma de me situar na cidade e conhecer o centro. A partir daí vou pedindo dicas e seguindo o meu mapa (Google) e instinto.

Bom Interrail!

Alfacinha germinada e cultivada num cantinho à beira mar plantado, a Inês tem uma certa inquietação que não a deixa ficar muito tempo tempo no mesmo sítio. Fez Erasmus em Paris, trabalhou em Istambul e em Portugal, fez um mestrado em Creative Advertising em Milão e agora trabalha no Reino Unido. Viajar, criatividade, cozinhar, dançar e ler são algumas das suas paixões. A combinação de algumas delas deu origem a este blog, o Mudanças Constantes. Bem-vindos!

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