Portugal

Peneda e Gerês por entre os pingos da chuva

Em 2020 a sensação de Verão no Instagram foi o Gerês. Com restrições às viagens internacionais, milhares (milhões?!) de portugueses rumaram ao norte do país para descobrir este oásis de cascatas, águas verdes e azuis, miradouros e aldeias perdidas no tempo.

Inspirada pela enchente de fotografias e lugares magníficos que inundaram o meu feed, também eu me juntei à festa e segui para Norte com os meus pais no fim de Setembro depois de já termos picado o ponto no Algarve e Centro do país.

Para passar a pente fino o mais belo Parque Nacional português são necessárias semanas, mas como só tínhamos três dias tentámos ver a maior quantidade de sítios no menor espaço de tempo possível. Olhando agora para trás vejo que não nos saímos nada mal. Como as paragens foram muitas, decidi organizá-las por características comuns neste post.

Diz lá que o nosso país não é lindo!

Aldeias e Monumentos históricos (Peneda e Gerês)

Pitões das Júnias

Tudo começou em Pitões das Júnias com umas nuvens ameaçadoras a deslocarem-se a grande velocidade na nossa direcção. O nosso destino em Pitões era o Mosteiro de Santa Maria das Júnias que por estar em ruínas é muito mais interessante do que um mosteiro normal.

A sua construção remonta ao século XII e está isolado num vale rodeado de silêncio e natureza. Um dos lugares mais curiosos para visitar em terras nortenhas.

Espigueiros de Soajo

O Soajo tem uma colecção (Eira Comunitária) de espigueiros invejável: são 24 com uma vista espectacular sobre o Alto Minho. Estas estruturas centenárias para secar o milho e outros cereais foram estrategicamente concebidas para afastar os roedores. São um complemento maravilhoso à paisagem da região.

Os espigueiros de Lindoso também valem muito a pena e ficam só a 20 minutos de carro.

Aldeia de Pontes

A Aldeia de Pontes em Castro Laboreiro ficou marcada no meu Google Maps desde que vi uma imagem daquela zona. Quando começámos a fazer a estrada de Castro Laboreiro até lá percebemos imediatamente o porquê do nome “Pontes”. Num espaço de poucos quilómetros vão surgindo várias pontes que parecem ser a casa de elfos e duendes.

Já a Aldeia de Pontes em si foi recentemente recuperada por um emigrante português que voltou cheio de vontade de dar uma nova vida à sua terra. Ali, num lugar em que o tempo é mais lento, vais encontrar uma paz única.

Cascatas, Pontes, Barragens e Poços (Gerês)

Poço Verde

Em sete dias de viagem pelo país, este foi o lugar que mais gostei de descobrir. Perto do Miradouro de Fafião há uma estrada de terra que te vai levar a uma das lagoas mais secretas do Gerês.

Uma mera caminhada de 5km (ida e volta) conduz-te à água mais verde que já vi e se fores cedo pode ser que apanhes o lugar todo só para ti (fomos por volta do meio dia e mesmo assim tivemos o poço só para nós).

Felizmente ainda não existem placas para este cantinho ainda conhecido por poucos, por isso é de aproveitar! Neste post vais encontrar o ficheiro GPS com o caminho até ao poço (é muito fácil).

Ponte da Misarela

Combinam-se duas das coisas que o Gerês tem de melhor – cascatas e pontes – e temos a dramática Ponte da Misarela. Também conhecida como “Ponte do Diabo” e carregada de tradições e superstições, só quem nunca a visitou é que se pode considerar amaldiçoado.

Erguida na idade média por um arquitecto arrojado esta ponte de treze metros de vão foi depois reconstruída no início do século XIX. Também palco de batalhas e momentos históricos importantes, uma visita ao Gerês nunca ficará completa sem uma descida a esta ponte icónica.

Cascata do Arado e Tahiti

Água a cair pedra abaixo é algo que não falta no Gerês. Estas duas cascatas fizeram parte do nosso itinerário porque estavam à beira da estrada e no nosso caminho para chegar a outros destinos.

A Cascata do Arado é bonita mas no fim de Verão tem pouca água como seria de esperar e a Cascata do Tahiti é talvez a cascata mais controversa das redondezas por ser perigosa e de difícil acesso. Nós contentamo-nos com a vista de cima.

Dois lugares que ficaram por visitar desta vez por envolverem caminhadas de alguns quilómetros foram as Cascatas das 7 Lagoas do Xertelo e o Poço Azul. Para a próxima não escapam!

Barragem de Negrões

Às portas do Parque Nacional Peneda-Gerês fica Negrões e Vilarinho de Negrões onde a Barragem do Alto Rabagão cria uma paisagem de penínsulas e aldeias de granito onde de vez em quando passa um gatito preto.


Miradouros, Baloiços e Paisagens (Peneda e Gerês)

Miradouro da Pedra Bela

Fazendo juz ao nome o Miradouro da Pedra Bela é mais uma paragem obrigatória no Gerês. A mais de 800 metros de altitude este miradouro tem uma vista privilegiada sobre a albufeira da Caniçada e uma grande extensão do Parque Nacional.


Miradouro de Fafião

O Miradouro de Fafião tem de ser um dos mais curiosos e bem concebidos miradouros do país. A vista é sublime, mas a estreita estrada de ferro que liga os dois rochedos que sustentam o miradouro é simplesmente mágica!

Uma curiosidade: No Gerês vais encontrar várias vezes uma coisa chamada Fojo. Esta estrutura em pedra era usada para proteger os rebanhos e as aldeias dos lobos e a de Fafião (Fojo do Lobo) é considerada uma das maiores e mais bem preservadas armadilhas de lobos da Península Ibérica.

Um fojo
Baloiço do Mezio

Uma rápida pesquisa no Google mostra a beleza deste miradouro. Adorava tê-la testemunhado com os meus próprios olhos! Os últimos dias de Setembro trouxeram algumas manhãs de nevoeiro absoluto ao norte do país e a nossa visita ao Baloiço do Mezio tornou-se numa caça ao tesouro para cegos.

Quando conseguimos localizar o baloiço em si concluímos que éramos efectivamente os únicos que não tinham desistido de o visitar e divertimo-nos imenso a baloiçar e a destruir aquelas estruturas de pedras empilhadas ridículas que as pessoas teimam em construir em lugares bonitos.

As Estradas da Peneda

O lado do Gerês rouba muita atenção ao lado da Peneda, mas percorrer as estradas da Peneda é um verdadeiro regalo para os olhos. Já a entrar no Outono a Peneda começava a despir os verdes e amarelos do verão e começava a vestir os laranjas e os vermelhos da nova estação. Definitivamente uma parte do Parque Nacional que não te deves esquecer quando planeares o teu itinerário.

Anseio agora pelo dia em que possa explorar a pé os melhores trilhos deste lugar tão especial.

Dicas rápidas

Restaurante: A única dica que tenho quando a um restaurante foi a que já apareceu neste post: o Petiscas em Ponte Lima.

Alfacinha germinada e cultivada num cantinho à beira mar plantado, a Inês tem uma certa inquietação que não a deixa ficar muito tempo tempo no mesmo sítio. Fez Erasmus em Paris, trabalhou em Istambul e em Portugal, fez um mestrado em Creative Advertising em Milão e agora trabalha no Reino Unido. Viajar, criatividade, cozinhar, dançar e ler são algumas das suas paixões. A combinação de algumas delas deu origem a este blog, o Mudanças Constantes. Bem-vindos!

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