Costa Vicentina: No Trilho dos Pescadores Gourmet
Portugal

Costa Vicentina: No Trilho dos Pescadores Gourmet

Falésias retalhadas, praias até perder de vista, muitas delas intocadas, um mar gelado de mil e uma cores. A Costa Vicentina é como os ingleses dizem “stuff dreams are made of e é por isso que não me canso de lá voltar.

Na terceira viagem do ano a Portugal rumei ao sul do país com os meus progenitores, revivendo uma tradição que se tinha vindo a tornar cada vez mais rara nos últimos anos, para três dias passados a visitar algumas das nossas paisagens favoritas e a descobrir novas. Foi um misto de caminhadas, trabalho de bronze e o último banho de mar do meu ano.

Em menos de nada estávamos no Intermaché de Aljezur, os supermercados são sempre a prioridade do nosso agregado familiar e, depois de comprados mais alguns quilos de comida para juntar ao já abastado farnel preparado em casa, estávamos prontos para a acção.

A Costa Vicentina está cheia de lugares imperdíveis e estes são os meus:

Praia da Amoreira

A Praia da Amoreira é uma das mais bonitas do país. A primeira visita foi em 2012, num ano que incluiu uma viagem à Croácia e um Interrail e mesmo assim foi amor ao primeiro mergulho. Pela sua geografia única e cores que lembram as praias de Palawan excepto na temperatura da água, a Amoreira é paragem obrigatória na Costa Vicentina.

Praia do Amado

O vermelho vivo das falésias da praia do Amado contrasta com os habituais laranjas e amarelos da costa portuguesa. Considerada uma das melhores praias do país para surfar, foram as rochas à esquerda que nos entretiveram durante mais tempo. Nas poças que se formam nas rochas habitam uma quantidade enorme de seres vivos. Lapas, mini camarões, ouriços-do-mar, anémonas e até um polvo vimos. É uma delícia ficar a admirar diversidade daquele micromundo subaquático.

No fim do primeiro dia fomos confrontados com a dura realidade da restauração neste cantinho de Portugal: o gourmet apoderou-se de todos os restaurantes e parecia impossível encontrar uma refeição que não fossem em “cama de”, com “espuma de” ou ainda mais grave “filete de Robalo”. Desapontados, conformámo-nos com mais uma visita ao Intermaché.

Trilho dos Pescadores: Praia de Monte Clérigo à Ponta da Atalaia

Depois de muitos anos a sonhar com o Trilho dos Pescadores consegui caminhar uns míseros dez quilómetros do percurso e ficar ainda com mais vontade de o completar. As duas horas planeadas de passeio tornaram-se em quatro por boas razões. Começando na Praia de Monte Clérigo e a sua pitoresca aldeia postal seguimos em direcção à Praia da Fateixa e nunca mais parámos.

O trilho faz-se sempre junto ao mar e é bastante acessível, sendo que algumas partes têm muita areia. As vistas são simplesmente espectaculares. Passando pela Praia do Coelha e Praia do Medo da Fonte Santa chegámos à Ponta da Atalaia. Se tiveres perninhas para isso, aconselhar-te-ia a caminhar até à magnífica Praia da Arrifana e a sua Fortaleza que têm um dos melhores pores-do-sol do país.

Cabo de São Vicente, Beliche e Lagos

Aproveitando o balanço, há mais umas praias e paisagens que não podia deixar de mencionar. No último dia começámos por visitar o ponto mais sudoeste da Europa, o Cabo de São Vicente e saltitámos de praia em praia até Lagos. Fortaleza do Beliche, Praia do Beliche, Praia da Ingrina e agora que olho para o Google Maps também não me importava nada de ter conhecido a Praia Blimunda e Baltasar. Claro que nenhuma viagem a esta zona fica completa sem um passeio pela Ponta da Piedade.

Para os mais gulosos termino com duas dicas para coisinhas boas em Lagos: gelados de calibre italiano é na Gelícia e bolos tradicionais de calibre de freira são na Pastelaria Algarve.

Alfacinha germinada e cultivada num cantinho à beira mar plantado, a Inês tem uma certa inquietação que não a deixa ficar muito tempo tempo no mesmo sítio. Fez Erasmus em Paris, trabalhou em Istambul e em Portugal, fez um mestrado em Creative Advertising em Milão e agora trabalha no Reino Unido. Viajar, criatividade, cozinhar, dançar e ler são algumas das suas paixões. A combinação de algumas delas deu origem a este blog, o Mudanças Constantes. Bem-vindos!

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