Jordânia Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/jordania/ Blog de viagens para inquietos e irrequietos Tue, 09 Aug 2022 18:10:55 +0000 en-GB hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://www.mudancasconstantes.com/wp-content/uploads/2018/10/cropped-Untitled-design-1-32x32.png Jordânia Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/jordania/ 32 32 Wadi Rum: estrelas, fogueiras e grãos de areia https://www.mudancasconstantes.com/2022/08/04/wadi-rum-jordania/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=wadi-rum-jordania https://www.mudancasconstantes.com/2022/08/04/wadi-rum-jordania/#respond Thu, 04 Aug 2022 21:19:33 +0000 https://www.mudancasconstantes.com/?p=9072 Star Wars, The Martian, Dune e Lawrence of Arabia têm todos uma coisa em comum: cenas filmadas no deserto Wadi Rum. Não é por acaso. A melhor palavra para descrever Wadi Rum é “Marte”. Laranja e vermelho com rochas moldadas pelo vento nas mais estranhas formas, este é o cenário que imaginamos nos contos Mil e Uma Noites. Depois de uma manhã bem preenchida em Petra, conduzimos duas horas até à vila de Wadi Rum onde o Mohammed estava à nossa espera. A partir dali, despedimo-nos do carro e passámos para o jipe que nos levaria ao nosso alojamento para as duas noites que se seguiam: tendas Beduínas no meio do deserto. A melhor noite da viagem As tendas ficam apenas a 20/30 minutos da aldeia, por isso as comodidades são muitas. Até um duche com água corrente pudemos tomar. Acho que foi o meu primeiro duche a sério num deserto! Em pouco tempo estávamos em contagem decrescente para o pôr do sol e enquanto nos deleitávamos com as cores do céu, também elas alaranjadas, fomos ver o chefe de “cozinha” a enterrar o nosso jantar. Sim, no deserto do Wadi Rum o solo é o forno. Há um buraco com brasas e quando estão prontas a carne e vegetais são lá postas e cobertas com areia. Passado uma hora está pronto, desenterra-se o jantar e vamos para a mesa. Sem internet disponível, não é que as pessoas têm que falar umas com as outras e passar um serão bem mais agradável? Esta foi a noite mais memorável de toda a viagem. Juntou-se um casal espanhol, um casal alemão e um casal inglês/indiano na tenda de refeições e conversámos noite fora. O contraste entre a espanhola de Sevilha e os Alemães era de morrer a rir. Já o Catalão era um ultra-maratonista que arranhava o inglês e, apesar de ser o mais introvertido, tinha histórias suficientes para um mês de conversa. Mencionou que um dos lugares mais bonitos onde já tinha estado eram “umas ilhas do Íemen”. Para um homem que já correu, literalmente, o mundo todo, pareceu-me intrigante. Ficou a sementinha para o futuro. A noite de conversa terminou com uma observação de estrelas e descoberta de constelações. Infelizmente já não nos reuniríamos todos na noite seguinte, mas ficaram as memórias de uma noite de muita galhofa poliglota. Mensagens do Passado Parece-me que, ao contrário de Petra, não há muitas formas originais para visitar o deserto Wadi Rum. Tanto pelo jipe como pelo sentido de orientação, estás dependente de uma tour, geralmente organizada pelo teu alojamento. Os pontos são sempre os mesmos, penso que se tiveres dois dias possas ir a lugares mais longe, mas nós ficámo-nos pela tour tradicional. Pagámos cerca de 25€ por cabeça com transporte, almoço e “guia” incluídos. Sendo eu muito reticente no que toca a tours organizadas, fiquei surpreendida pela quantidade de coisas que conseguimos ver naquele dia. As paisagens, essas já sabemos, são de cortar a respiração. Contudo, não fazia ideia do património cultural que o Wadi Rum tem para oferecer! A primeira paragem da tour é uma nascente natural com pouca força. À primeira vista não é muito impressionante, mas esta nascente começou a ser usada no tempo dos Nabateus como ponto de reabastecimento de água nas rotas comerciais entre a Arábia e o Levante. Foi aqui que vimos o nosso primeiro ponto arqueológico do dia, ainda sem muito contexto. Existem mais de 154 pontos de relevância arqueológica em Wadi Rum e parece que a nossa espécie simpatiza com a zona desde há pelo menos 12 000 anos! Na Jordânia quase tudo o que há de bom acontece em desfiladeiros e Wadi Rum não é excepção. A meio da manhã visitámos o Khazali Canyon, um desfiladeiro com inscrições que vão desde o Neolítico até à era dos Nabateus. Do passado mais distante, vemos inscrições que representam actividades agrícolas, caravanas de comerciantes e caça bem como o nascimento de um bebé. Este é o “alfabeto” Tamúdico. Com o tempo as inscrições aproximaram-se mais do árabe, e é nessa língua e alfabeto que se encontram as mais recentes palavras do desfiladeiro. Muitas delas são preces e rezas de peregrinos na sua jornada até Meca. O nosso guia contou-nos que aquelas paredes serviam um pouco como jornais, para comunicar com outros comerciantes e tribos nómadas que por ali passavam. Sestas Beduínas Para além dos rabiscos milenares, passámos o dia a saltitar de rocha em rocha, cada uma com um nome adequado à sua forma. O almoço e sesta foram uma das minhas partes preferidas do dia. Ao estilo Beduíno, o nosso guia pára numa sombra (sim, elas existem) e pede-nos para ir apanhar paus. Qual camping gás qual quê! À estilo survivor, começa uma fogueira e cozinha o seu maravilhoso estufado de feijão que ainda não consegui replicar. Com pão, atum, tomates, pepinos e este maravilhoso estufado não podíamos ter pedido um repasto melhor. O dia terminou como terminam todos os dias no deserto: no topo de uma rocha a olhar para um pôr do sol tímido entre a neblina. Quando voltámos ao acampamento aguardava-nos mais um Zarb – frango e legumes cozinhados na terra. Eles dizem que só o fazem de vez em quando, para as pessoas se sentirem especiais, mas fazem todos os dias claro! Seguiu-se outra noite na conversa, desta vez sem o “salero” espanhol. Acabar dentro de água Estávamos mesmo na recta final da nossa viagem à Jordânia, mas havia uma última cidade para visitar: Aqaba. Aqaba é o tipo de sítio onde se encontram resorts de férias e pubs irlandeses. Não é certamente o lugar mais encantador da Jordânia, mas tem uma coisa que rivaliza com a beleza dos desertos e desfiladeiros do resto do país: o Mar Vermelho. É no Mar Vermelho que estão alguns dos mais bonitos corais do mundo e em Aqaba podes vê-los simplesmente dirigindo-te à praia com uma máscara de snorkeling. Já há muito tempo que não via corais assim e tanta variedade de peixes cada um de sua cor. Algumas dicas se quiseres ir à praia e fazer snorkeling na Jordânia: 1. Precisas de carro para chegar à South Beach. É uma praia pública e gratuita, onde as mulheres podem estar de biquíni. Tem estacionamento e casas de banho/chuveiros. 2. Se fores mulher e estiveres a viajar sozinha ou com um grupo só de mulheres aconselho-te a ir para a praia de um resort ou numa snorkeling tour. Há demasiados rapazes a olhar intensamente e a meter conversa. Se não tiveres carro, as tours também são uma boa opção. Há muitas. 3. O nosso hostel alugava equipamento de snorkeling e certamente é uma prática comum na zona. Em Aqaba: Restaurante de peixe bom e barato aqui. Visita Ayla, uma zona para pessoas ricas com lojas e restaurantes finos. É tudo muito limpo e arranjado. Eles deixam os turistas entrar só para ver e comer gelados a preços inflacionados. O pôr do sol perto da Fortaleza de Aqaba é muito popular tanto para turistas como para a população local. E podes ver Israel e o Egipto ao mesmo tempo! Assim terminou uma semana na Jordânia onde não houve um dia em que não dissessemos “hoje foi espectacular”. Um país com tanto para oferecer e já ali ao lado! Dicas rápidas Alojamento Wadi Rum: Paguei 7€ para três pessoas, duas noites, com pequeno almoço incluído. Como? O Bedouin Night Camp faz preços ridiculamente baixos para depois ter pessoas a fazer as tours com eles e jantar. Contudo, o preço da tour é justo e do jantar também. Eles são cinco estrelas e como disse, foram as nossas melhores noites na Jordânia! Alojamento Aqaba: Ficámos na Hakaia Community, um hostel com gente boa onda e com staff que nos deu muito boas dicas. Pagámos cerca de 15€ por pessoa.

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Star Wars, The Martian, Dune e Lawrence of Arabia têm todos uma coisa em comum: cenas filmadas no deserto Wadi Rum. Não é por acaso. A melhor palavra para descrever Wadi Rum é “Marte”. Laranja e vermelho com rochas moldadas pelo vento nas mais estranhas formas, este é o cenário que imaginamos nos contos Mil e Uma Noites.

Depois de uma manhã bem preenchida em Petra, conduzimos duas horas até à vila de Wadi Rum onde o Mohammed estava à nossa espera. A partir dali, despedimo-nos do carro e passámos para o jipe que nos levaria ao nosso alojamento para as duas noites que se seguiam: tendas Beduínas no meio do deserto.

A melhor noite da viagem

As tendas ficam apenas a 20/30 minutos da aldeia, por isso as comodidades são muitas. Até um duche com água corrente pudemos tomar. Acho que foi o meu primeiro duche a sério num deserto!

Em pouco tempo estávamos em contagem decrescente para o pôr do sol e enquanto nos deleitávamos com as cores do céu, também elas alaranjadas, fomos ver o chefe de “cozinha” a enterrar o nosso jantar. Sim, no deserto do Wadi Rum o solo é o forno. Há um buraco com brasas e quando estão prontas a carne e vegetais são lá postas e cobertas com areia. Passado uma hora está pronto, desenterra-se o jantar e vamos para a mesa.


Sem internet disponível, não é que as pessoas têm que falar umas com as outras e passar um serão bem mais agradável? Esta foi a noite mais memorável de toda a viagem.

Juntou-se um casal espanhol, um casal alemão e um casal inglês/indiano na tenda de refeições e conversámos noite fora. O contraste entre a espanhola de Sevilha e os Alemães era de morrer a rir. Já o Catalão era um ultra-maratonista que arranhava o inglês e, apesar de ser o mais introvertido, tinha histórias suficientes para um mês de conversa. Mencionou que um dos lugares mais bonitos onde já tinha estado eram “umas ilhas do Íemen”. Para um homem que já correu, literalmente, o mundo todo, pareceu-me intrigante. Ficou a sementinha para o futuro.


A noite de conversa terminou com uma observação de estrelas e descoberta de constelações. Infelizmente já não nos reuniríamos todos na noite seguinte, mas ficaram as memórias de uma noite de muita galhofa poliglota.

Mensagens do Passado

Parece-me que, ao contrário de Petra, não há muitas formas originais para visitar o deserto Wadi Rum. Tanto pelo jipe como pelo sentido de orientação, estás dependente de uma tour, geralmente organizada pelo teu alojamento.

Os pontos são sempre os mesmos, penso que se tiveres dois dias possas ir a lugares mais longe, mas nós ficámo-nos pela tour tradicional. Pagámos cerca de 25€ por cabeça com transporte, almoço e “guia” incluídos.

Sendo eu muito reticente no que toca a tours organizadas, fiquei surpreendida pela quantidade de coisas que conseguimos ver naquele dia. As paisagens, essas já sabemos, são de cortar a respiração. Contudo, não fazia ideia do património cultural que o Wadi Rum tem para oferecer!

A primeira paragem da tour é uma nascente natural com pouca força. À primeira vista não é muito impressionante, mas esta nascente começou a ser usada no tempo dos Nabateus como ponto de reabastecimento de água nas rotas comerciais entre a Arábia e o Levante.

Foi aqui que vimos o nosso primeiro ponto arqueológico do dia, ainda sem muito contexto. Existem mais de 154 pontos de relevância arqueológica em Wadi Rum e parece que a nossa espécie simpatiza com a zona desde há pelo menos 12 000 anos!

Na Jordânia quase tudo o que há de bom acontece em desfiladeiros e Wadi Rum não é excepção. A meio da manhã visitámos o Khazali Canyon, um desfiladeiro com inscrições que vão desde o Neolítico até à era dos Nabateus.

Do passado mais distante, vemos inscrições que representam actividades agrícolas, caravanas de comerciantes e caça bem como o nascimento de um bebé. Este é o “alfabeto” Tamúdico. Com o tempo as inscrições aproximaram-se mais do árabe, e é nessa língua e alfabeto que se encontram as mais recentes palavras do desfiladeiro. Muitas delas são preces e rezas de peregrinos na sua jornada até Meca.


O nosso guia contou-nos que aquelas paredes serviam um pouco como jornais, para comunicar com outros comerciantes e tribos nómadas que por ali passavam.

Sestas Beduínas

Para além dos rabiscos milenares, passámos o dia a saltitar de rocha em rocha, cada uma com um nome adequado à sua forma. O almoço e sesta foram uma das minhas partes preferidas do dia. Ao estilo Beduíno, o nosso guia pára numa sombra (sim, elas existem) e pede-nos para ir apanhar paus. Qual camping gás qual quê!


À estilo survivor, começa uma fogueira e cozinha o seu maravilhoso estufado de feijão que ainda não consegui replicar. Com pão, atum, tomates, pepinos e este maravilhoso estufado não podíamos ter pedido um repasto melhor.


O dia terminou como terminam todos os dias no deserto: no topo de uma rocha a olhar para um pôr do sol tímido entre a neblina. Quando voltámos ao acampamento aguardava-nos mais um Zarb – frango e legumes cozinhados na terra. Eles dizem que só o fazem de vez em quando, para as pessoas se sentirem especiais, mas fazem todos os dias claro! Seguiu-se outra noite na conversa, desta vez sem o “salero” espanhol.

Acabar dentro de água

Estávamos mesmo na recta final da nossa viagem à Jordânia, mas havia uma última cidade para visitar: Aqaba. Aqaba é o tipo de sítio onde se encontram resorts de férias e pubs irlandeses.

Não é certamente o lugar mais encantador da Jordânia, mas tem uma coisa que rivaliza com a beleza dos desertos e desfiladeiros do resto do país: o Mar Vermelho.

É no Mar Vermelho que estão alguns dos mais bonitos corais do mundo e em Aqaba podes vê-los simplesmente dirigindo-te à praia com uma máscara de snorkeling. Já há muito tempo que não via corais assim e tanta variedade de peixes cada um de sua cor. Algumas dicas se quiseres ir à praia e fazer snorkeling na Jordânia:

1. Precisas de carro para chegar à South Beach. É uma praia pública e gratuita, onde as mulheres podem estar de biquíni. Tem estacionamento e casas de banho/chuveiros.

2. Se fores mulher e estiveres a viajar sozinha ou com um grupo só de mulheres aconselho-te a ir para a praia de um resort ou numa snorkeling tour. Há demasiados rapazes a olhar intensamente e a meter conversa. Se não tiveres carro, as tours também são uma boa opção. Há muitas.

3. O nosso hostel alugava equipamento de snorkeling e certamente é uma prática comum na zona.

Em Aqaba:

  • Restaurante de peixe bom e barato aqui.
  • Visita Ayla, uma zona para pessoas ricas com lojas e restaurantes finos. É tudo muito limpo e arranjado. Eles deixam os turistas entrar só para ver e comer gelados a preços inflacionados.
  • O pôr do sol perto da Fortaleza de Aqaba é muito popular tanto para turistas como para a população local. E podes ver Israel e o Egipto ao mesmo tempo!


Assim terminou uma semana na Jordânia onde não houve um dia em que não dissessemos “hoje foi espectacular”. Um país com tanto para oferecer e já ali ao lado!

Dicas rápidas

Alojamento Wadi Rum: Paguei 7€ para três pessoas, duas noites, com pequeno almoço incluído. Como? O Bedouin Night Camp faz preços ridiculamente baixos para depois ter pessoas a fazer as tours com eles e jantar. Contudo, o preço da tour é justo e do jantar também. Eles são cinco estrelas e como disse, foram as nossas melhores noites na Jordânia!

Alojamento Aqaba: Ficámos na Hakaia Community, um hostel com gente boa onda e com staff que nos deu muito boas dicas. Pagámos cerca de 15€ por pessoa.

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Petra: uma maravilha que se desdobra em mil https://www.mudancasconstantes.com/2022/07/28/petra-dois-dia-jordania/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=petra-dois-dia-jordania https://www.mudancasconstantes.com/2022/07/28/petra-dois-dia-jordania/#respond Thu, 28 Jul 2022 21:15:25 +0000 https://www.mudancasconstantes.com/?p=9022 Petra leva milhões de turistas à Jordânia todos os anos. Mas quantos saberão que aquela famosa fotografia de Petra, do Treasury (Tesouro), que toda a gente tem como referência, é quase insignificante quando comparada com a dimensão real da cidade perdida? Estima-se que, até hoje, só se tenha escavado cerca de quinze porcento de Petra e que ainda haja muito por descobrir. Sabia que tinha de dedicar dois dias completos à exploração desta maravilha do mundo moderno e quando comprámos o Jordan Pass, escolhemos o modelo “Explorer” que dá acesso a dois dias em Petra. Sendo este um dos lugares mais turísticos do mundo, há toda uma panóplia de itinerários turísticos para o visitar. Felizmente também há algumas formas de viver Petra. No meu dicionário, “viver” significa fazer a pé os melhores trilhos que a região tem para oferecer. Foi quando comecei a pesquisar sobre as melhores caminhadas de Petra que encontrei o jackpot: um caminho pela “porta das traseiras de Petra”! Entrar pela porta do cavalo O nome pode não parecer muito apelativo, mas a par da caminhada do Wadi Ghuweir, esta foi a melhor decisão que fiz nesta viagem. Começando em Little Petra e acabando em Wadi Musa, esta caminhada leva-te por paisagens desertas fantásticas que quase ninguém conhece, passa pelo Monastery (Mosteiro) e desce até às mais famosas ruas de Petra. É um caminho bem mais agradável e fácil que o caminho oficial com a vantagem acrescida de ser “contra a maré”. A primeira coisa a fazer antes de começares a tua caminhada é levantar os bilhetes na entrada oficial em Wadi Musa. Se tens o Jordan Pass, diz ao staff da bilheteira e eles indicar-te-ão a fila correcta. É um pouco confuso, mas eles eventualmente lá se organizam. Estes bilhetes vão dar-te acesso à caminhada em Little Petra. Se levares só o Jordan Pass não te deixam entrar. Esta é também a tua última oportunidade de comprar mantimentos a preços razoáveis num supermercado em Wadi Musa. O que vale é que há supermercados com pão fresco, húmus, baba ganoush e fruta que nos mantiveram bem nutridos o dia todo. Depois de teres os bilhetes na mão e a comida na mochila, está na hora de ir negociar com os taxistas para te levarem até Little Petra. Eles pedem cerca de 15JD. Sei de pessoas que conseguiram por 8JD. Eu só consegui baixar até aos 10JD. O taxista era um querido e apesar de nos ter tentado dissuadir de fazer a caminhada (eles vão dizer que é muito difícil e perigoso) depois lá se convenceu. Também disse que para homens até dava, mas que para mulheres não. Respondi-lhe que era mais forte que os homens e a partir daí chamou-me “super lady” o resto da viagem. À entrada de Little Petra é possível que haja mais guias a tentar dissuadir-te da caminhada, mas agradece, sorri e eles eventualmente desistem. Aconselho-te a começar a caminhada cedo por causa do calor, nós fomos no fim de Outubro e ainda estava bem quente. E reserva 20/30 minutos para explorar Little Petra antes de começares a caminhar. Valha-nos o GPS Apesar da caminhada poder parecer intimidante por causa dos seus dezoito quilómetros, o caminho em si é fácil de seguir e diria que não precisas de um grande nível de fitness. Mas definitivamente precisas de GPS. Podes fazer download do ficheiro aqui. Este é o único trilho que posso recomendar e deves segui-lo à risca. Eu uso uma aplicação chamada gpx viewer para abrir os ficheiros gpx e seguir o caminho. Há mais trilhos noutras aplicações como o All Trails, mas têm um início bem mais complicado e exposto. Quando fizemos este caminho penso que uma ou duas vezes ficámos com dúvidas por onde seguir, mas facilmente encontrámos a direcção correcta. A partir de uma altura começa a haver placas a dizer “Monastery” e cafezinhos. A paisagem é muito diversa e vais passando por pequenas casas (aka barracas) de pastores e miúdos a vender pedras (que podes simplesmente encontrar no chão). Para além de bonito, este caminho está quase inexplorado, o que é raro em Petra! Hora e meia depois, começou a espreitar por trás das rochas o pináculo do Mosteiro e ali estava, perante nós, aquele que seria o primeiro de muitos monumentos “uau!” em Petra. Construído no mesmo estilo do Tesouro (Treasury), mas ainda maior, o Mosteiro merece ser apreciado com calma. Felizmente, mesmo à frente do Mosteiro, está o café com a segunda melhor esplanada da Jordânia. O número um vem a caminho! A imensidão de Petra Por esta altura já nos tínhamos começado a aperceber da imensidão de Petra, mas foi quando descemos a escadaria interminável até ao que é considerado o centro da cidade que sentimos que bem podíamos passar ali uma semana que não íamos ver tudo o que tem para oferecer. Neste primeiro dia decidimos não nos aventurarmos demasiado por trilhos secundários já que mesmo sem desvios seriam 22 quilómetros que acabaríamos por fazer. Mesmo assim, não deixámos de nos deslumbrar pelos túmulos reais, o teatro romano e pelo desfiladeiro principal que liga o centro da cidade à perola de Petra: o Tesouro. Às quatro da tarde o Tesouro está cheio de turistas, mas não deixa de ser esplendoroso. Decidimos dar por terminada a exploração de Petra neste primeiro dia, até porque tínhamos que acordar às cinco da manhã no dia seguinte para termos o privilégio de sermos uns dos primeiros a chegar ao Treasury no dia seguinte. Se como nós, estiveres em desespero por uma cerveja, aviso-te que é uma empreitada quase tão grande como andar 22 quilómetros! Só encontrámos bebidas alcoólicas (a um preço pouco simpático) no The Cave Bar. Mas soube pela vida! Restava-nos um sono pouco descansado num “hostel capsula” e um despertador programado para horas pouco amigáveis. O crepúsculo dos Nabateus As portas de Petra abrem-se às 6 da manhã e às 6:10 já tínhamos passados os torniquetes, ainda iluminados com a luz da lua. Da entrada até ao Tesouro são cerca de 45 minutos a percorrer o mesmo desfiladeiro que comerciantes nómadas percorriam há mais de dois mil anos. Em menos de nada estávamos a dar os passos finais e o Tesouro, desta vez vazio, estava mesmo ali à frente dos nossos olhinhos sonolentos. Sem burros, cavalos, camelos ou carrinhos de golfe dá para voltar atrás no tempo e ter um cheirinho de como era Petra durante todos os séculos que permaneceu escondida do mundo. Mas o nosso objectivo ainda não estava cumprido. O café com melhor vista do mundo estava à nossa espera! Um sumo de laranja e romã com vista Por todo o lado há miúdos a dizer que te podem levar à melhor vista de Petra, um miradouro no topo do desfiladeiro com uma vista maravilhosa sobre o Tesouro. Contudo, eles não o fazem de graça e argumentam que aquele é o único caminho. Só que não é. Há um caminho, absolutamente gratuito, que começa na zona dos túmulos reais: o Al Khubtha Trail (número 2) e que te leva até ao café com a melhor vista do mundo. Pelo caminho, tens que subir muitas escadas, mas vale a pena. A caminhada demora cerca de 45 minutos/uma hora. Chegámos tão cedo que o dono do “café” (uma tenda beduína) ainda estava a abrir. Apesar de poderes ver a vista de outros pontos, é quando desces as escadas e entras na tenda que tens mais um daqueles momentos “uau, estou aqui!”. Pedimos uns suminhos naturais e ali ficámos durante algumas horas a olhar para a luz a mudar, as pessoas a chegar e a absorver tudo o que aquele lugar tinha para oferecer. A caminhada do Sacrifício As nossas horas em Petra estavam a chegar ao fim. Da zona dos túmulos reais fomos explorar a Igreja do século V d.c, com mosaicos que rivalizam os de Madaba. A caminhada que nos restava fazer era a número três, até ao “Lugar Alto de Sacrifício” (High Place of Sacrifice). Optámos por começar no Qasr al-Bint, o mais importante templo de Petra. O caminho também pode ser feito a partir de uma entrada entre o Teatro Romano e o Tesouro, mas a subida é mais intensa. Esta caminhada leva-te por vários túmulos, incluindo alguns com esculturas Romanas e mais vistas incríveis sobre a extensão de Petra. Esta cidade perdida tem sítios suficientes para explorar durante uma vida toda, mas nós só tínhamos dois dias e estava na hora de nos fazermos na estrada e seguirmos para o nosso próximo destino: o deserto de Wadi Rum! Dicas rápidas Alojamento: Ficámos no Petra Cabin Hostel, por que foi o alojamento mais barato que encontrámos. Não é uma experiência particularmente agradável. Há imensa gente no mesmo espaço, um dormitório gigante com camas “fechadas”, mas como foi só uma noite não foi trágico. A comida ao jantar era boa e eles também podem dar-te uma lunchbox para Petra. Se ficares aqui aconselho-te a levar bons tampões para os ouvidos e uma máscara para os olhos. Jordan Pass: Já mencionei noutros artigos, mas o Jordan Pass é uma das melhores coisas da Jordânia. A diferença entre as três modalidades do Jordan Pass está na quantidade de dias de acesso que te dá a Petra. Podes escolher um dia, dois ou três. Dois dias foi perfeito, escolhe três se quiseres fazer TODAS as caminhas que Petra tem para oferecer. Se não comprares o Jordan Pass, podes comprar o bilhete à entrada. Um dia: 50 JD, Dois dias: 55 JD, Três dias: 60 JD. Restaurantes & Supermercados: Os restaurantes na Jordânia são surpreendentemente caros, por isso optámos por comer nos alojamentos ou fazer as nossas próprias refeições com coisas que encontrámos nos supermercados. Para Petra vais querer levar muita água e comidas leves. Dentro da cidade perdida vais encontrar muitos cafés, alguns com comidas básicas também, por isso não vais morrer à fome! Caminhadas: Na bilheteira vais encontrar um mapa valiosíssimo com todas as caminhadas de Petra, pontos de interesse, casas de banho, etc. É gratuito e disponível em várias línguas. Quando comecei a ler sobre Petra fiquei muito confusa com a quantidade de nomes, caminhadas e sítios que li por essa internet fora. O mapa vai ajudar-te muito a planear os teus dias!

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Petra leva milhões de turistas à Jordânia todos os anos. Mas quantos saberão que aquela famosa fotografia de Petra, do Treasury (Tesouro), que toda a gente tem como referência, é quase insignificante quando comparada com a dimensão real da cidade perdida? Estima-se que, até hoje, só se tenha escavado cerca de quinze porcento de Petra e que ainda haja muito por descobrir.

Sabia que tinha de dedicar dois dias completos à exploração desta maravilha do mundo moderno e quando comprámos o Jordan Pass, escolhemos o modelo “Explorer” que dá acesso a dois dias em Petra.


Sendo este um dos lugares mais turísticos do mundo, há toda uma panóplia de itinerários turísticos para o visitar. Felizmente também há algumas formas de viver Petra. No meu dicionário, “viver” significa fazer a pé os melhores trilhos que a região tem para oferecer. Foi quando comecei a pesquisar sobre as melhores caminhadas de Petra que encontrei o jackpot: um caminho pela “porta das traseiras de Petra”!


Entrar pela porta do cavalo

O nome pode não parecer muito apelativo, mas a par da caminhada do Wadi Ghuweir, esta foi a melhor decisão que fiz nesta viagem. Começando em Little Petra e acabando em Wadi Musa, esta caminhada leva-te por paisagens desertas fantásticas que quase ninguém conhece, passa pelo Monastery (Mosteiro) e desce até às mais famosas ruas de Petra. É um caminho bem mais agradável e fácil que o caminho oficial com a vantagem acrescida de ser “contra a maré”.

A primeira coisa a fazer antes de começares a tua caminhada é levantar os bilhetes na entrada oficial em Wadi Musa. Se tens o Jordan Pass, diz ao staff da bilheteira e eles indicar-te-ão a fila correcta. É um pouco confuso, mas eles eventualmente lá se organizam. Estes bilhetes vão dar-te acesso à caminhada em Little Petra. Se levares só o Jordan Pass não te deixam entrar.

Esta é também a tua última oportunidade de comprar mantimentos a preços razoáveis num supermercado em Wadi Musa. O que vale é que há supermercados com pão fresco, húmus, baba ganoush e fruta que nos mantiveram bem nutridos o dia todo.

Depois de teres os bilhetes na mão e a comida na mochila, está na hora de ir negociar com os taxistas para te levarem até Little Petra. Eles pedem cerca de 15JD. Sei de pessoas que conseguiram por 8JD. Eu só consegui baixar até aos 10JD. O taxista era um querido e apesar de nos ter tentado dissuadir de fazer a caminhada (eles vão dizer que é muito difícil e perigoso) depois lá se convenceu. Também disse que para homens até dava, mas que para mulheres não. Respondi-lhe que era mais forte que os homens e a partir daí chamou-me “super lady” o resto da viagem.


À entrada de Little Petra é possível que haja mais guias a tentar dissuadir-te da caminhada, mas agradece, sorri e eles eventualmente desistem.

Aconselho-te a começar a caminhada cedo por causa do calor, nós fomos no fim de Outubro e ainda estava bem quente. E reserva 20/30 minutos para explorar Little Petra antes de começares a caminhar.


Valha-nos o GPS

Apesar da caminhada poder parecer intimidante por causa dos seus dezoito quilómetros, o caminho em si é fácil de seguir e diria que não precisas de um grande nível de fitness. Mas definitivamente precisas de GPS. Podes fazer download do ficheiro aqui. Este é o único trilho que posso recomendar e deves segui-lo à risca. Eu uso uma aplicação chamada gpx viewer para abrir os ficheiros gpx e seguir o caminho.

Há mais trilhos noutras aplicações como o All Trails, mas têm um início bem mais complicado e exposto.


Quando fizemos este caminho penso que uma ou duas vezes ficámos com dúvidas por onde seguir, mas facilmente encontrámos a direcção correcta. A partir de uma altura começa a haver placas a dizer “Monastery” e cafezinhos. A paisagem é muito diversa e vais passando por pequenas casas (aka barracas) de pastores e miúdos a vender pedras (que podes simplesmente encontrar no chão). Para além de bonito, este caminho está quase inexplorado, o que é raro em Petra!


Hora e meia depois, começou a espreitar por trás das rochas o pináculo do Mosteiro e ali estava, perante nós, aquele que seria o primeiro de muitos monumentos “uau!” em Petra. Construído no mesmo estilo do Tesouro (Treasury), mas ainda maior, o Mosteiro merece ser apreciado com calma. Felizmente, mesmo à frente do Mosteiro, está o café com a segunda melhor esplanada da Jordânia. O número um vem a caminho!


A imensidão de Petra

Por esta altura já nos tínhamos começado a aperceber da imensidão de Petra, mas foi quando descemos a escadaria interminável até ao que é considerado o centro da cidade que sentimos que bem podíamos passar ali uma semana que não íamos ver tudo o que tem para oferecer.


Neste primeiro dia decidimos não nos aventurarmos demasiado por trilhos secundários já que mesmo sem desvios seriam 22 quilómetros que acabaríamos por fazer. Mesmo assim, não deixámos de nos deslumbrar pelos túmulos reais, o teatro romano e pelo desfiladeiro principal que liga o centro da cidade à perola de Petra: o Tesouro. Às quatro da tarde o Tesouro está cheio de turistas, mas não deixa de ser esplendoroso.

Decidimos dar por terminada a exploração de Petra neste primeiro dia, até porque tínhamos que acordar às cinco da manhã no dia seguinte para termos o privilégio de sermos uns dos primeiros a chegar ao Treasury no dia seguinte.


Se como nós, estiveres em desespero por uma cerveja, aviso-te que é uma empreitada quase tão grande como andar 22 quilómetros! Só encontrámos bebidas alcoólicas (a um preço pouco simpático) no The Cave Bar. Mas soube pela vida! Restava-nos um sono pouco descansado num “hostel capsula” e um despertador programado para horas pouco amigáveis.


O crepúsculo dos Nabateus

As portas de Petra abrem-se às 6 da manhã e às 6:10 já tínhamos passados os torniquetes, ainda iluminados com a luz da lua. Da entrada até ao Tesouro são cerca de 45 minutos a percorrer o mesmo desfiladeiro que comerciantes nómadas percorriam há mais de dois mil anos.


Em menos de nada estávamos a dar os passos finais e o Tesouro, desta vez vazio, estava mesmo ali à frente dos nossos olhinhos sonolentos. Sem burros, cavalos, camelos ou carrinhos de golfe dá para voltar atrás no tempo e ter um cheirinho de como era Petra durante todos os séculos que permaneceu escondida do mundo.

Mas o nosso objectivo ainda não estava cumprido. O café com melhor vista do mundo estava à nossa espera!


Um sumo de laranja e romã com vista

Por todo o lado há miúdos a dizer que te podem levar à melhor vista de Petra, um miradouro no topo do desfiladeiro com uma vista maravilhosa sobre o Tesouro. Contudo, eles não o fazem de graça e argumentam que aquele é o único caminho.

Só que não é. Há um caminho, absolutamente gratuito, que começa na zona dos túmulos reais: o Al Khubtha Trail (número 2) e que te leva até ao café com a melhor vista do mundo. Pelo caminho, tens que subir muitas escadas, mas vale a pena. A caminhada demora cerca de 45 minutos/uma hora.


Chegámos tão cedo que o dono do “café” (uma tenda beduína) ainda estava a abrir. Apesar de poderes ver a vista de outros pontos, é quando desces as escadas e entras na tenda que tens mais um daqueles momentos “uau, estou aqui!”. Pedimos uns suminhos naturais e ali ficámos durante algumas horas a olhar para a luz a mudar, as pessoas a chegar e a absorver tudo o que aquele lugar tinha para oferecer.



A caminhada do Sacrifício

As nossas horas em Petra estavam a chegar ao fim. Da zona dos túmulos reais fomos explorar a Igreja do século V d.c, com mosaicos que rivalizam os de Madaba.

A caminhada que nos restava fazer era a número três, até ao “Lugar Alto de Sacrifício” (High Place of Sacrifice). Optámos por começar no Qasr al-Bint, o mais importante templo de Petra. O caminho também pode ser feito a partir de uma entrada entre o Teatro Romano e o Tesouro, mas a subida é mais intensa.


Esta caminhada leva-te por vários túmulos, incluindo alguns com esculturas Romanas e mais vistas incríveis sobre a extensão de Petra.

Esta cidade perdida tem sítios suficientes para explorar durante uma vida toda, mas nós só tínhamos dois dias e estava na hora de nos fazermos na estrada e seguirmos para o nosso próximo destino: o deserto de Wadi Rum!



Dicas rápidas

Alojamento: Ficámos no Petra Cabin Hostel, por que foi o alojamento mais barato que encontrámos. Não é uma experiência particularmente agradável. Há imensa gente no mesmo espaço, um dormitório gigante com camas “fechadas”, mas como foi só uma noite não foi trágico. A comida ao jantar era boa e eles também podem dar-te uma lunchbox para Petra.

Se ficares aqui aconselho-te a levar bons tampões para os ouvidos e uma máscara para os olhos.

Jordan Pass: Já mencionei noutros artigos, mas o Jordan Pass é uma das melhores coisas da Jordânia. A diferença entre as três modalidades do Jordan Pass está na quantidade de dias de acesso que te dá a Petra. Podes escolher um dia, dois ou três. Dois dias foi perfeito, escolhe três se quiseres fazer TODAS as caminhas que Petra tem para oferecer. Se não comprares o Jordan Pass, podes comprar o bilhete à entrada. Um dia: 50 JD, Dois dias: 55 JD, Três dias: 60 JD.

Restaurantes & Supermercados: Os restaurantes na Jordânia são surpreendentemente caros, por isso optámos por comer nos alojamentos ou fazer as nossas próprias refeições com coisas que encontrámos nos supermercados. Para Petra vais querer levar muita água e comidas leves. Dentro da cidade perdida vais encontrar muitos cafés, alguns com comidas básicas também, por isso não vais morrer à fome!

Caminhadas: Na bilheteira vais encontrar um mapa valiosíssimo com todas as caminhadas de Petra, pontos de interesse, casas de banho, etc. É gratuito e disponível em várias línguas. Quando comecei a ler sobre Petra fiquei muito confusa com a quantidade de nomes, caminhadas e sítios que li por essa internet fora. O mapa vai ajudar-te muito a planear os teus dias!

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Wadi Ghuweir e Dana: uma viagem aos tempos jurássicos https://www.mudancasconstantes.com/2022/07/03/wadi-ghuweir-dana-caminhada-jordania/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=wadi-ghuweir-dana-caminhada-jordania https://www.mudancasconstantes.com/2022/07/03/wadi-ghuweir-dana-caminhada-jordania/#respond Sun, 03 Jul 2022 13:31:59 +0000 https://www.mudancasconstantes.com/?p=8998 Enquanto me passeava pela blogosfera à procura de informação sobre a Jordânia, apareceu-me o estranho nome Wadi Ghuweir. Despertou a minha curiosidade não só por parecer um nome meio alemão, mas porque os autores argumentavam que esta é a melhor caminhada da Jordânia. As fotografias pareciam comprovar aquela opinião e o Wadi Ghuweir passou a constar do nosso itinerário. Vindos do Mar Morto, pernoitámos nuns “iglus de Chocapic” com uma vista fenomenal sobre a reserva natural de Dana. O nosso alojamento oferecia transporte e guia para esta caminhada. Após alguma negociação, combinei com um dos donos do “hotel” que na manhã seguinte nos iriam levar, a nós e a mais outros dois caminhantes, até ao início do Wadi Ghuweir e que partilharíamos o custo do guia entre todos nós. Acordámos bem cedo, metemos o lanche e a água nas mochilas e entrámos na carrinha que nos levaria ao ponto de partida. Éramos cinco mais o condutor e achámos que o guia estaria à nossa espera no desfiladeiro. Errado. Quarenta e cinco minutos depois tínhamos chegado efectivamente ao início do Wadi Ghuweir, mas guia nem vê-lo. Deve ter havido um momento em que o funcionário do hotel achou que nós não precisávamos de guia e que nos aguentaríamos sozinhos. Quando perguntámos ao condutor pelo guia ele disse “a água será o vosso guia”. Assim foi. As cinco ou seis horas que se seguiram passaram-se dentro do desfiladeiro entre zonas áridas e secas e zonas onde a água nos dava pela cintura. Não vale a pena tentares não molhar os sapatos. Dá muito mais trabalho e eventualmente vais molha-los. Se puderes leva sandálias de caminhada, é muito mais prático. A caminhada em si não é muito difícil, quase sempre a direito, mas a verdade é que tivemos a sorte de encontrar alguns turistas com guias pelo caminho. Foram muito úteis nas partes onde as direcções não são claras e acho que não nos teríamos safado tão bem sem a ajuda deles. Quanto ao Wadi Ghuweir em si, é difícil descrever o quão especial este lugar é! Uma formação geológica construída pela força da água ao longo dos milénios. Não fossem os rabiscos desnecessários nas paredes feitos por humanos meio símios, até teríamos medo que um dinossauro pudesse estar algures à espreita. Todo o caminho é lindíssimo, mas passado uma hora e pouco começámos a ver palmeiras a surgir por cima de nós: tínhamos chegado à paisagem mais épica que a caminhada tem para oferecer. Um oásis de plantas, palmeiras suspensas e riachos de água numa composição tão perfeita que parece efeitos especiais de Hollywood. No Wadi Ghuweir deslizámos por escorregas naturais, caminhámos e chapinhámos na água e recarregámos baterias com o belo pão e atum que nos deram. Por fim, avistámos os sistemas de irrigação que o motorista nos tinha falado e sabíamos que estávamos prestes a voltar ao presente. À sombra de uma árvore alguns dos guias e turistas descansavam e preparavam chá. Eventualmente o nosso carro lá apareceu (nunca sabemos muito bem se se esqueceram de nós ou não) e iniciámos a longa jornada de volta. Apesar de só termos caminhado uns 15 quilómetros, o regresso a Dana demora cerca de duas horas, mas chegámos bem a tempo de um banho e refeição quentes. Ainda tivemos direito a parar na King’s Highway para umas fotografias panorâmicas. Se gostas de uma boa caminhada e aventura só posso dizer: vai, vai, vai. Este é um lugar ainda pouco conhecido na Jordânia e não vais encontrar muitos sítios assim no mundo. Dicas rápidas Alojamento: Nós ficámos num lugar que apelidámos de “iglus de Chocapic”. Inserido na Biosfera de Dana, não podíamos ter pedido uma vista melhor. Não foi o sítio mais barato onde ficámos na Jordânia, mas foi o lugar mais giro (equiparado ao de Wadi Rum). O nome que lhe demos vem do aspecto que estas casinhas têm lá dentro, parecem feitas de montes de cereais de Chocapic todos juntos. Eles têm pequeno-almoço e jantar e os almoços estão incluídos nos preços da tour. Recomendo a 100% o Al Nawatef Camp ECO camp Dana Nature Reserve Tour Wadi Ghuweir: Na internet encontrei duas opções para fazer este tour: a partir de Dana e a partir de Wadi Musa (Petra). Há pessoas que argumentam que é melhor fazer a partir de Wadi Musa por o regresso ser muito mais rápido, mas pelo que vi os preços também são muito mais altos… Nós pagámos cerca de 25/30€ por pessoa com tudo incluído (menos guia) e há pessoas a pagar 90€ por pessoa a partir de Petra… Honestamente acho que não compensa o preço para poupar uma ou duas horas. Com guia ou sem guia: Quanto ao guia… Os preços acho que eram 25€ por grupo, ou seja ia-nos custar 5€ a cada. Eu acho que vale a pena, tanto que disse que queria guia! Contudo, se fores uma pessoa que está muito habituada a fazer caminhadas técnicas não deverás encontrar muitas dificuldades. Houve duas ou três vezes que fiquei muito agradecida pelas dicas dos guias que encontrámos pelo caminho.

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Enquanto me passeava pela blogosfera à procura de informação sobre a Jordânia, apareceu-me o estranho nome Wadi Ghuweir. Despertou a minha curiosidade não só por parecer um nome meio alemão, mas porque os autores argumentavam que esta é a melhor caminhada da Jordânia.

As fotografias pareciam comprovar aquela opinião e o Wadi Ghuweir passou a constar do nosso itinerário. Vindos do Mar Morto, pernoitámos nuns “iglus de Chocapic” com uma vista fenomenal sobre a reserva natural de Dana.

O nosso alojamento oferecia transporte e guia para esta caminhada. Após alguma negociação, combinei com um dos donos do “hotel” que na manhã seguinte nos iriam levar, a nós e a mais outros dois caminhantes, até ao início do Wadi Ghuweir e que partilharíamos o custo do guia entre todos nós.


Acordámos bem cedo, metemos o lanche e a água nas mochilas e entrámos na carrinha que nos levaria ao ponto de partida. Éramos cinco mais o condutor e achámos que o guia estaria à nossa espera no desfiladeiro. Errado.

Quarenta e cinco minutos depois tínhamos chegado efectivamente ao início do Wadi Ghuweir, mas guia nem vê-lo. Deve ter havido um momento em que o funcionário do hotel achou que nós não precisávamos de guia e que nos aguentaríamos sozinhos. Quando perguntámos ao condutor pelo guia ele disse “a água será o vosso guia”. Assim foi. As cinco ou seis horas que se seguiram passaram-se dentro do desfiladeiro entre zonas áridas e secas e zonas onde a água nos dava pela cintura. Não vale a pena tentares não molhar os sapatos. Dá muito mais trabalho e eventualmente vais molha-los. Se puderes leva sandálias de caminhada, é muito mais prático.


A caminhada em si não é muito difícil, quase sempre a direito, mas a verdade é que tivemos a sorte de encontrar alguns turistas com guias pelo caminho. Foram muito úteis nas partes onde as direcções não são claras e acho que não nos teríamos safado tão bem sem a ajuda deles.

Quanto ao Wadi Ghuweir em si, é difícil descrever o quão especial este lugar é! Uma formação geológica construída pela força da água ao longo dos milénios. Não fossem os rabiscos desnecessários nas paredes feitos por humanos meio símios, até teríamos medo que um dinossauro pudesse estar algures à espreita.


Todo o caminho é lindíssimo, mas passado uma hora e pouco começámos a ver palmeiras a surgir por cima de nós: tínhamos chegado à paisagem mais épica que a caminhada tem para oferecer.

Um oásis de plantas, palmeiras suspensas e riachos de água numa composição tão perfeita que parece efeitos especiais de Hollywood. No Wadi Ghuweir deslizámos por escorregas naturais, caminhámos e chapinhámos na água e recarregámos baterias com o belo pão e atum que nos deram.


Por fim, avistámos os sistemas de irrigação que o motorista nos tinha falado e sabíamos que estávamos prestes a voltar ao presente. À sombra de uma árvore alguns dos guias e turistas descansavam e preparavam chá.

Eventualmente o nosso carro lá apareceu (nunca sabemos muito bem se se esqueceram de nós ou não) e iniciámos a longa jornada de volta. Apesar de só termos caminhado uns 15 quilómetros, o regresso a Dana demora cerca de duas horas, mas chegámos bem a tempo de um banho e refeição quentes. Ainda tivemos direito a parar na King’s Highway para umas fotografias panorâmicas.


Se gostas de uma boa caminhada e aventura só posso dizer: vai, vai, vai. Este é um lugar ainda pouco conhecido na Jordânia e não vais encontrar muitos sítios assim no mundo.

Dicas rápidas

Alojamento: Nós ficámos num lugar que apelidámos de “iglus de Chocapic”. Inserido na Biosfera de Dana, não podíamos ter pedido uma vista melhor. Não foi o sítio mais barato onde ficámos na Jordânia, mas foi o lugar mais giro (equiparado ao de Wadi Rum). O nome que lhe demos vem do aspecto que estas casinhas têm lá dentro, parecem feitas de montes de cereais de Chocapic todos juntos. Eles têm pequeno-almoço e jantar e os almoços estão incluídos nos preços da tour. Recomendo a 100% o Al Nawatef Camp ECO camp Dana Nature Reserve

Tour Wadi Ghuweir: Na internet encontrei duas opções para fazer este tour: a partir de Dana e a partir de Wadi Musa (Petra). Há pessoas que argumentam que é melhor fazer a partir de Wadi Musa por o regresso ser muito mais rápido, mas pelo que vi os preços também são muito mais altos… Nós pagámos cerca de 25/30€ por pessoa com tudo incluído (menos guia) e há pessoas a pagar 90€ por pessoa a partir de Petra… Honestamente acho que não compensa o preço para poupar uma ou duas horas.

Com guia ou sem guia: Quanto ao guia… Os preços acho que eram 25€ por grupo, ou seja ia-nos custar 5€ a cada. Eu acho que vale a pena, tanto que disse que queria guia! Contudo, se fores uma pessoa que está muito habituada a fazer caminhadas técnicas não deverás encontrar muitas dificuldades. Houve duas ou três vezes que fiquei muito agradecida pelas dicas dos guias que encontrámos pelo caminho.

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Mar Morto e Wadi AlMujib: da calmaria da água salgada à rebaldaria da água doce https://www.mudancasconstantes.com/2022/06/28/mar-morto-wadi-almujib-jordania/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=mar-morto-wadi-almujib-jordania https://www.mudancasconstantes.com/2022/06/28/mar-morto-wadi-almujib-jordania/#respond Tue, 28 Jun 2022 21:28:09 +0000 https://www.mudancasconstantes.com/?p=8968 O dia em que visitámos o Mar Morto foi tão cheio de aventuras e peripécias que o Mar Morto em si até parece insignificante. Tudo começou em Madaba, uma cidade a sul de Amã onde nos encontrámos com a Apo, uma amiga francesa que já nos tinha acompanhado no Cazaquistão, Quirguistão e Uzbequistão. O nosso grupo estava oficialmente completo. Vamos brincar aos mosaicos? Madaba não foi só uma paragem conveniente no caminho entre Amã e o Mar Morto, é a cidade dos mosaicos! Em cada esquina de Madaba encontra-se uma igreja importante ou um centro arqueológico digno de ser visitado. Como em toda a Jordânia (ou em todo o Médio Oriente), ali fez-se História. Não há nenhum lugar que represente tão bem a relevância histórica de Madaba como o mapa de mosaicos na igreja de São Jorge (St. George’s Church). Esta humilde igreja Grega-Ortodoxa não parece guardar tesouro nenhum, mesmo depois de passarmos a porta de entrada. Só quando nos começámos a aproximar do pequeno agregado de turistas a um canto, todos a olhar para baixo, é que vimos O mapa. Ali, perto dos nossos pés, está o mapa com a mais antiga representação da Palestina. Feito de mosaicos (claro) este mapa do século VI, marca importantes lugares bíblicos do Médio Oriente. Nós visitámos a igreja a um domingo e tivemos de esperar até que a missa acabasse para ir lá dentro. É um dos poucos lugares não incluídos no Jordan Pass. Antes da igreja de São Jorge já tínhamos visitado os Parques Arqueológico de Madaba 1 e 2, onde podes encontrar… Mosaicos! Como estes parques estão incluídos no Jordan Pass não custa nada dar um saltinho e ver estas obras primas: Por fim, fica a sugestão de mais uma igreja. Quem diria que uma viagem à Jordânia nos levaria a tantas igrejas?! De seu nome St. John the Baptist Roman Catholic Church, esta igreja é interessante tanto por cima como por baixo. Por baixo, está um complexo arqueológico com ruínas romanas e um poço de 3000 anos ainda operacional. Por cima, uma torre onde podes subir para ver as vistas. Quase não subimos por causa da missa, mas os senhores da recepção acharam que nós vermos Madaba de cima era mais importante do que a paz de espírito dos devotos e levaram-nos pela missa adentro até chegarmos à porta ruidosa de acesso às torres dos sinos. Uma vez lá em cima, conseguimos ver toda a extensão de Madaba e no caminho de volta ainda demos de caras (literalmente) com algumas frases filosóficas escritas nas paredes. Madaba acabou por ser uma óptima maneira de começar o dia, e se achas que já fizemos muita coisa, não te enganes. Nem onze da manhã eram! As moscas do Mar Morto Ainda em Madaba, passámos por uma padaria para nos abastecermos, porque a partir dali não fazíamos ideia de quando encontraríamos outro sítio para comer. Arrancámos em direção ao Monte Nebo, onde reza a história que o Maomé avistou a Terra Prometida pela primeira vez. Há um lugar onde podes parar o carro e ver a vista, que me parece a mesma do sítio onde se paga. A partir daí a paisagem tornou-se muito mais interessante e em pouco tempo estávamos nas últimas curvas e contracurvas até à beira Mar Morto. Nadar no Mar Morto, pelo menos no lado da Jordânia, está normalmente reservado para quem fica nos hotéis ou paga pelas estâncias balneares. Contudo, pagar vinte euros para nadar no mar é contra os meus princípios, por isso dirigimo-nos até ao ponto do Google que diz “Free hot springs” e que nos comentários dizia que também tinha acesso à praia. Chegámos, estacionamos no meio da estrada onde diz que é proibido (como toda a gente), e trocámos de roupa no carro. Mal saímos notámos que estávamos a ser atacados por dezenas de moscas, mas achámos que era por termos estacionado perto do lixo. Não. As moscas e o mar morto são um pacote, não há um sem o outro. Lá descemos pelo carreiro de gravilha até à “praia”. Claramente um local onde os habitantes ali da zona vão aos fins de semana. A água é limpa, mas há bastante lixo no chão. Nós só queríamos ter a sensação de flutuar no mar morto e para isso serviu bem. É muito estranho! Flutuar é fácil, mas pôr-mo-nos em pé é difícil, parece que a gravidade deixou de funcionar! Todos achámos que foi uma experiência divertida, mas entre as moscas e os rapazes locais a olhar para nós como se nunca tivessem visto nada assim, não sei se é algo que me apeteça muito repetir. A água também nos deixou com uma sensação muito oleosa na pele. Não sei se foi dali, daquela zona não oficial, ou se é sempre assim. Depois de um banho rápido, despejámos umas garrafas de água doce pela cabeça abaixo para nos limparmos e voltámos à estrada. No mesmo sítio também podes encontrar a famosa argila do mar morto para te besuntares com ela. Se fores só com um grupo de mulheres ou uma mulher a viajar sozinha aconselho-te a optares pela praia de um resort. Por fim, penso que posso dizer que o Mar Morto é mais giro lá fora do que lá dentro. Inicia-se a saga dos desfiladeiros Se no mar morto nada mexe, no Wadi AlMujib a história é outra! Este desfiladeiro tem cascatas, rápidos e umas boas duas horas de adrenalina para te oferecer. O acesso custa 21 JD, que inclui um colete salva-vidas ranhoso. Tinha lido que era possível alugar sapatos para a água na recepção, mas desde o COVID que deixaram de estar disponíveis, por isso lá fomos com botas de caminhada e ténis para a água. Aconselho-te, não só para esta caminhada, mas para a Jordânia em geral, a ter umas boas sandálias de caminhada. São muito mais apropriadas para o terreno e vais estar preparado/a para a possibilidade de encontrar caminhos com água. Connosco, levávamos apenas uma bolsa impermeável para o telemóvel para podermos tirar fotografias e estávamos prontos para a aventura. O Wadi Al Mujib só está aberto até de Abril/Maio até ao fim de Outubro ou consoante as chuvas. Se chover pode fechar devido à força da água. Nós tivemos sorte, fomos no fim de Outubro, ou seja depois da época seca e só precisamos de nadar nalgumas zonas. Explorar um desfiladeiro assim foi incrível. Nunca sabíamos as formas e as cores que as paredes iam tomar e foi super divertido andar e esbracejar na água e arrastarmo-nos em cordas para não irmos com a corrente. Não achei o caminho difícil, mas recomendo que saibas nadar bem e que estejas confortável com a água. Nós fizemos sem guia e havia bastante gente a fazer o percurso por isso tivemos sempre a certeza que estávamos a ir pelo caminho certo (também não há muito que enganar), mas tens sempre a possibilidade de contratar um guia para te ajudar. Acho que demorámos cerca de 45 minutos a chegar ao fim do caminho e a volta foi mais fácil já que podíamos ir com a corrente e não contra ela. As fotos não são as melhores, mas esta foi sem dúvida uma das coisas que mais gostei de fazer na Jordânia e se fores na altura certa e tiveres carro vais ver que é uma experiência inesquecível! Faltava-nos então concluir a etapa mais longa do dia: conduzir até Dana. Aqui percebemos que os tempos de condução dados pelo Google não são muito fiáveis… Do desfiladeiro até ao nosso alojamento em Dana devíamos ter demorado menos de duas horas e penso que demoramos quase três pelo tipo de estradas. A parte positiva é que a paisagem é linda, tanto no mar morto como quando se começa a subir para o interior do país. Chegámos a Dana já de noite e esfomeados, felizmente as nossas “casas-Chocapic” tinham um jantar delicioso à nossa espera. Mas mais sobre isso no próximo post! Dicas rápidas Alojamento Mar Morto: É bastante caro ficar alojado no Mar Morto, por isso decidimos ficar a noite antes em Madaba e a noite seguinte em Dana. Comida: Trás mantimentos porque não vais encontrar restaurantes ou cafés no caminho. Madaba foi o último sítio que visitámos onde era fácil encontrar/comprar álcool.

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O dia em que visitámos o Mar Morto foi tão cheio de aventuras e peripécias que o Mar Morto em si até parece insignificante. Tudo começou em Madaba, uma cidade a sul de Amã onde nos encontrámos com a Apo, uma amiga francesa que já nos tinha acompanhado no Cazaquistão, Quirguistão e Uzbequistão. O nosso grupo estava oficialmente completo.

Vamos brincar aos mosaicos?

Madaba não foi só uma paragem conveniente no caminho entre Amã e o Mar Morto, é a cidade dos mosaicos! Em cada esquina de Madaba encontra-se uma igreja importante ou um centro arqueológico digno de ser visitado. Como em toda a Jordânia (ou em todo o Médio Oriente), ali fez-se História.

Não há nenhum lugar que represente tão bem a relevância histórica de Madaba como o mapa de mosaicos na igreja de São Jorge (St. George’s Church). Esta humilde igreja Grega-Ortodoxa não parece guardar tesouro nenhum, mesmo depois de passarmos a porta de entrada.


Só quando nos começámos a aproximar do pequeno agregado de turistas a um canto, todos a olhar para baixo, é que vimos O mapa. Ali, perto dos nossos pés, está o mapa com a mais antiga representação da Palestina. Feito de mosaicos (claro) este mapa do século VI, marca importantes lugares bíblicos do Médio Oriente. Nós visitámos a igreja a um domingo e tivemos de esperar até que a missa acabasse para ir lá dentro. É um dos poucos lugares não incluídos no Jordan Pass.

Antes da igreja de São Jorge já tínhamos visitado os Parques Arqueológico de Madaba 1 e 2, onde podes encontrar… Mosaicos! Como estes parques estão incluídos no Jordan Pass não custa nada dar um saltinho e ver estas obras primas:


Por fim, fica a sugestão de mais uma igreja. Quem diria que uma viagem à Jordânia nos levaria a tantas igrejas?! De seu nome St. John the Baptist Roman Catholic Church, esta igreja é interessante tanto por cima como por baixo. Por baixo, está um complexo arqueológico com ruínas romanas e um poço de 3000 anos ainda operacional. Por cima, uma torre onde podes subir para ver as vistas.

Quase não subimos por causa da missa, mas os senhores da recepção acharam que nós vermos Madaba de cima era mais importante do que a paz de espírito dos devotos e levaram-nos pela missa adentro até chegarmos à porta ruidosa de acesso às torres dos sinos.


Uma vez lá em cima, conseguimos ver toda a extensão de Madaba e no caminho de volta ainda demos de caras (literalmente) com algumas frases filosóficas escritas nas paredes. Madaba acabou por ser uma óptima maneira de começar o dia, e se achas que já fizemos muita coisa, não te enganes. Nem onze da manhã eram!

As moscas do Mar Morto

Ainda em Madaba, passámos por uma padaria para nos abastecermos, porque a partir dali não fazíamos ideia de quando encontraríamos outro sítio para comer.

Arrancámos em direção ao Monte Nebo, onde reza a história que o Maomé avistou a Terra Prometida pela primeira vez. Há um lugar onde podes parar o carro e ver a vista, que me parece a mesma do sítio onde se paga. A partir daí a paisagem tornou-se muito mais interessante e em pouco tempo estávamos nas últimas curvas e contracurvas até à beira Mar Morto.


Nadar no Mar Morto, pelo menos no lado da Jordânia, está normalmente reservado para quem fica nos hotéis ou paga pelas estâncias balneares. Contudo, pagar vinte euros para nadar no mar é contra os meus princípios, por isso dirigimo-nos até ao ponto do Google que diz “Free hot springs” e que nos comentários dizia que também tinha acesso à praia.

Chegámos, estacionamos no meio da estrada onde diz que é proibido (como toda a gente), e trocámos de roupa no carro. Mal saímos notámos que estávamos a ser atacados por dezenas de moscas, mas achámos que era por termos estacionado perto do lixo. Não. As moscas e o mar morto são um pacote, não há um sem o outro.

Lá descemos pelo carreiro de gravilha até à “praia”. Claramente um local onde os habitantes ali da zona vão aos fins de semana. A água é limpa, mas há bastante lixo no chão. Nós só queríamos ter a sensação de flutuar no mar morto e para isso serviu bem. É muito estranho! Flutuar é fácil, mas pôr-mo-nos em pé é difícil, parece que a gravidade deixou de funcionar!


Todos achámos que foi uma experiência divertida, mas entre as moscas e os rapazes locais a olhar para nós como se nunca tivessem visto nada assim, não sei se é algo que me apeteça muito repetir. A água também nos deixou com uma sensação muito oleosa na pele. Não sei se foi dali, daquela zona não oficial, ou se é sempre assim. Depois de um banho rápido, despejámos umas garrafas de água doce pela cabeça abaixo para nos limparmos e voltámos à estrada.

No mesmo sítio também podes encontrar a famosa argila do mar morto para te besuntares com ela. Se fores só com um grupo de mulheres ou uma mulher a viajar sozinha aconselho-te a optares pela praia de um resort.

Por fim, penso que posso dizer que o Mar Morto é mais giro lá fora do que lá dentro.

Inicia-se a saga dos desfiladeiros

Se no mar morto nada mexe, no Wadi AlMujib a história é outra! Este desfiladeiro tem cascatas, rápidos e umas boas duas horas de adrenalina para te oferecer.

O acesso custa 21 JD, que inclui um colete salva-vidas ranhoso. Tinha lido que era possível alugar sapatos para a água na recepção, mas desde o COVID que deixaram de estar disponíveis, por isso lá fomos com botas de caminhada e ténis para a água. Aconselho-te, não só para esta caminhada, mas para a Jordânia em geral, a ter umas boas sandálias de caminhada. São muito mais apropriadas para o terreno e vais estar preparado/a para a possibilidade de encontrar caminhos com água.

Connosco, levávamos apenas uma bolsa impermeável para o telemóvel para podermos tirar fotografias e estávamos prontos para a aventura.


O Wadi Al Mujib só está aberto até de Abril/Maio até ao fim de Outubro ou consoante as chuvas. Se chover pode fechar devido à força da água. Nós tivemos sorte, fomos no fim de Outubro, ou seja depois da época seca e só precisamos de nadar nalgumas zonas. Explorar um desfiladeiro assim foi incrível. Nunca sabíamos as formas e as cores que as paredes iam tomar e foi super divertido andar e esbracejar na água e arrastarmo-nos em cordas para não irmos com a corrente.


Não achei o caminho difícil, mas recomendo que saibas nadar bem e que estejas confortável com a água. Nós fizemos sem guia e havia bastante gente a fazer o percurso por isso tivemos sempre a certeza que estávamos a ir pelo caminho certo (também não há muito que enganar), mas tens sempre a possibilidade de contratar um guia para te ajudar.

Acho que demorámos cerca de 45 minutos a chegar ao fim do caminho e a volta foi mais fácil já que podíamos ir com a corrente e não contra ela. As fotos não são as melhores, mas esta foi sem dúvida uma das coisas que mais gostei de fazer na Jordânia e se fores na altura certa e tiveres carro vais ver que é uma experiência inesquecível!


Faltava-nos então concluir a etapa mais longa do dia: conduzir até Dana. Aqui percebemos que os tempos de condução dados pelo Google não são muito fiáveis… Do desfiladeiro até ao nosso alojamento em Dana devíamos ter demorado menos de duas horas e penso que demoramos quase três pelo tipo de estradas. A parte positiva é que a paisagem é linda, tanto no mar morto como quando se começa a subir para o interior do país. Chegámos a Dana já de noite e esfomeados, felizmente as nossas “casas-Chocapic” tinham um jantar delicioso à nossa espera. Mas mais sobre isso no próximo post!

Dicas rápidas

Alojamento Mar Morto: É bastante caro ficar alojado no Mar Morto, por isso decidimos ficar a noite antes em Madaba e a noite seguinte em Dana.

Comida: Trás mantimentos porque não vais encontrar restaurantes ou cafés no caminho. Madaba foi o último sítio que visitámos onde era fácil encontrar/comprar álcool.

The post Mar Morto e Wadi AlMujib: da calmaria da água salgada à rebaldaria da água doce appeared first on Mudanças Constantes.

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Amã & Jerash: os romanos andaram a fazer das suas https://www.mudancasconstantes.com/2022/06/08/ama-jerash-jordania/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=ama-jerash-jordania https://www.mudancasconstantes.com/2022/06/08/ama-jerash-jordania/#respond Wed, 08 Jun 2022 20:43:12 +0000 https://www.mudancasconstantes.com/?p=8939 Amã passa despercebida. Apesar de ser a capital da Jordânia, tem fama (um pouco injusta, diga-se de passagem) de “não ter nada para ver”. Percebo que a Jordânia tenha muitos outros encantos mais dignos da atenção de um viajante, mas eu sou uma mulher que adora cidades e acho que é nelas onde se encontra muito da essência de um país. Naquele que é provavelmente o país mais turístico do Médio Oriente, Amã é um pequeno refúgio sem tours de camelo ou bancas “tudo a 1€”. Esta é uma cidade com uma história muito antiga e uma história muito recente. No meio não há nada. Muito antiga, porque os Romanos engraçaram com a cidade, na altura chamada Filadélfia, e redesenharam-na ao seu estilo quando absorveram o Império Egípcio. O declínio do Império Romano levou também ao declínio de Amã, que só voltou para as luzes da ribalta no início do século XX, quando se tornou numa paragem da rota de peregrinação entre Damascus e Meca. Em poucas décadas Amã passou de uma cidade com uma dúzia de casas e muito pó, para uma quase metrópole com arranha-céus e quatro milhões de habitantes. Se visitares Amã há quatro coisas que não podes deixar de fazer! “Free Walking Tour” É fácil passear por Amã sem repararmos nos bocados de história que se escondem por entre ruas estreitas, cimento e asfalto. Como menciono em quase todos os posts que escrevo, procuro sempre por uma “free walking tour” para conhecer melhor a cidade. Desta vez, não encontrei exactamente o mesmo conceito Europeu, mas encontrei algo que despertou a minha curiosidade. Numa manhã cinzenta fomos até ao hotel Pasha Hotel e encontrámos o Mohammed, um guia não oficial, nativo de Amã que testemunhou a transformação da cidade nos últimos cinquenta anos. Como em todas as “free tours” o Mohammed trabalha a troco de gorjetas de turistas e durante duas ou três horas levou-nos pelas partes mais antigas da cidade, desde os vestígios romanos aos souks, os mercados onde os locais fazem as suas compras. Foi esta tour que me fez gostar tanto de Amã e que me faz recomendar passar pelo menos um dia a explorá-la! Teatro Romano O mais impressionante resquício da presença romana em Amã. Incluído no Jordan Pass, este teatro construído no segundo século tinha a capacidade para seis mil pessoas. O trabalho de restauração não foi 100% fiel ao original, mas não deixa de ser um lugar impressionante para se visitar. Cidadela A Cidadela fica na colina mais alta de Amã e os taxistas aproveitam-se bem desse facto dizendo aos turistas que é uma canseira chegar lá a cima. Ora, estes taxistas não conhecem Lisboa, nem sabem a quantidade de vezes que já tive de subir a pique dos Restauradores ao Bairro Alto e, por isso, não nos convenceram. Foi uma sorte, porque no caminho até lá, passámos pela rua com o meu mural preferido e tudo! A Cidadela em si, é um mundo de relíquias do passado. Conta com duas colunas originais do Templo de Hércules ainda erectas e com o complexo real do palácio Umayyad (uma civilização Árabe do século VI). A vista também não é nada de se deitar fora! O melhor falafel da Jordânia A comida na Jordânia não é nada má, mas surpreendentemente os restaurantes também não são nada baratos, especialmente se não souberes onde procurar. Em Amã recomendaram-nos o Hashem, que é uma instituição do Falafel. Aconselho a ir cedo, nós fomos ao pequeno-almoço e adorámos. Sem filas nem espera, comemos o melhor falafel de húmus da viagem. Pode parecer estranho como escolha de pequeno-almoço, mas depois de uma semana na Jordânia é a coisa mais normal do mundo. E claro, super barato! Bónus: O melhor hostel da Jordânia O Nomads é o lugar ideal para conhecer pessoas com quem viajar. Nós ficámos só uma noite, mas conhecemos logo um espanhol e um porto ricanho com quem partilhamos um jantar e uma óptima conversa num rooftop bar. O staff também é cinco estrelas e pode ajudar-te a organisar transporte se não tiveres um carro. Cinco estrelas! Jerash e os seus belos calhaus Se Amã é um lugar que não está na lista de todos os viajantes de Jordânia, Jerash, por outro lado, é um dos sítios mais famosos do país e até da região. Para além de ser enorme, está tão bem preservado que é impossível não começarmos a imaginar como se vivia ali no tempo dos Romanos. Em Jerash vais encontrar colunas sem fim, estradas, praças, teatros, arcos, templos, igrejas e sabe Zeus que mais. Um verdadeiro banquete para todos os amantes de história e não só. Tal como em Amã, a transição do comércio terrestre para o marinho levou ao abandono e esquecimento desta cidade que só voltou a ser um centro populacional na posterioridade. Contudo, a riqueza histórica de Jerash é indescritível e se quiseres aprender um pouco mais sobre este lugar aconselho-te a dar um olhinho no YouTube. Como podes ver, este foi só o nosso primeiro dia na Jordânia e não parámos de ver coisas incríveis! Os dias que se seguiram foram igualmente memoráveis. Dicas rápidas Restaurantes: Para além do Hashem, recomendo o AlQuds Restaurant, mas só se gostares de carne. É um óptimo restaurante para provar cozinha tradicional da Jordânia, aviso já que não é muito light! Se puderes, leva um piquenique contigo para Jerash, os restaurantes lá são muito turísticos e os preços pouco simpáticos. Transporte Aeroporto – Amã: O centro de Amã faz-se muito bem a pé e um Uber para o aeroporto não te deve custar mais de 12€. Como alugámos um carro fizemos todas a deslocações desta forma, mas também há autocarros do aeroporto até ao centro. Transporte Amã – Jerash: A viagem de carro de Amã até Jerash dura cerca de uma hora. Também é possível fazer o trajecto de autocarro, mas vais precisar de uma dia inteiro para visitar a cidade das colunas. Há autocarros sempre a sair da estação de Tabarbour. Os transportes públicos são muito baratos na Jordânia. Pede ao motorista para te deixar perto da Hadrian Gate. Para voltar a Amã, há uma estação pequena de autocarros 300 metros a sul das ruínas, podes sempre perguntar aos seguranças ou às pessoas no posto turístico.

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Amã passa despercebida. Apesar de ser a capital da Jordânia, tem fama (um pouco injusta, diga-se de passagem) de “não ter nada para ver”. Percebo que a Jordânia tenha muitos outros encantos mais dignos da atenção de um viajante, mas eu sou uma mulher que adora cidades e acho que é nelas onde se encontra muito da essência de um país.

Naquele que é provavelmente o país mais turístico do Médio Oriente, Amã é um pequeno refúgio sem tours de camelo ou bancas “tudo a 1€”. Esta é uma cidade com uma história muito antiga e uma história muito recente. No meio não há nada.


Muito antiga, porque os Romanos engraçaram com a cidade, na altura chamada Filadélfia, e redesenharam-na ao seu estilo quando absorveram o Império Egípcio. O declínio do Império Romano levou também ao declínio de Amã, que só voltou para as luzes da ribalta no início do século XX, quando se tornou numa paragem da rota de peregrinação entre Damascus e Meca.

Em poucas décadas Amã passou de uma cidade com uma dúzia de casas e muito pó, para uma quase metrópole com arranha-céus e quatro milhões de habitantes.

Se visitares Amã há quatro coisas que não podes deixar de fazer!

“Free Walking Tour”

É fácil passear por Amã sem repararmos nos bocados de história que se escondem por entre ruas estreitas, cimento e asfalto. Como menciono em quase todos os posts que escrevo, procuro sempre por uma “free walking tour” para conhecer melhor a cidade. Desta vez, não encontrei exactamente o mesmo conceito Europeu, mas encontrei algo que despertou a minha curiosidade.


Numa manhã cinzenta fomos até ao hotel Pasha Hotel e encontrámos o Mohammed, um guia não oficial, nativo de Amã que testemunhou a transformação da cidade nos últimos cinquenta anos. Como em todas as “free tours” o Mohammed trabalha a troco de gorjetas de turistas e durante duas ou três horas levou-nos pelas partes mais antigas da cidade, desde os vestígios romanos aos souks, os mercados onde os locais fazem as suas compras.

Foi esta tour que me fez gostar tanto de Amã e que me faz recomendar passar pelo menos um dia a explorá-la!

Teatro Romano

O mais impressionante resquício da presença romana em Amã. Incluído no Jordan Pass, este teatro construído no segundo século tinha a capacidade para seis mil pessoas. O trabalho de restauração não foi 100% fiel ao original, mas não deixa de ser um lugar impressionante para se visitar.



Cidadela

A Cidadela fica na colina mais alta de Amã e os taxistas aproveitam-se bem desse facto dizendo aos turistas que é uma canseira chegar lá a cima. Ora, estes taxistas não conhecem Lisboa, nem sabem a quantidade de vezes que já tive de subir a pique dos Restauradores ao Bairro Alto e, por isso, não nos convenceram.

Foi uma sorte, porque no caminho até lá, passámos pela rua com o meu mural preferido e tudo!


A Cidadela em si, é um mundo de relíquias do passado. Conta com duas colunas originais do Templo de Hércules ainda erectas e com o complexo real do palácio Umayyad (uma civilização Árabe do século VI). A vista também não é nada de se deitar fora!

O melhor falafel da Jordânia

A comida na Jordânia não é nada má, mas surpreendentemente os restaurantes também não são nada baratos, especialmente se não souberes onde procurar. Em Amã recomendaram-nos o Hashem, que é uma instituição do Falafel. Aconselho a ir cedo, nós fomos ao pequeno-almoço e adorámos. Sem filas nem espera, comemos o melhor falafel de húmus da viagem. Pode parecer estranho como escolha de pequeno-almoço, mas depois de uma semana na Jordânia é a coisa mais normal do mundo. E claro, super barato!


Bónus: O melhor hostel da Jordânia

O Nomads é o lugar ideal para conhecer pessoas com quem viajar. Nós ficámos só uma noite, mas conhecemos logo um espanhol e um porto ricanho com quem partilhamos um jantar e uma óptima conversa num rooftop bar. O staff também é cinco estrelas e pode ajudar-te a organisar transporte se não tiveres um carro. Cinco estrelas!

Jerash e os seus belos calhaus

Se Amã é um lugar que não está na lista de todos os viajantes de Jordânia, Jerash, por outro lado, é um dos sítios mais famosos do país e até da região. Para além de ser enorme, está tão bem preservado que é impossível não começarmos a imaginar como se vivia ali no tempo dos Romanos.

Em Jerash vais encontrar colunas sem fim, estradas, praças, teatros, arcos, templos, igrejas e sabe Zeus que mais. Um verdadeiro banquete para todos os amantes de história e não só.


Tal como em Amã, a transição do comércio terrestre para o marinho levou ao abandono e esquecimento desta cidade que só voltou a ser um centro populacional na posterioridade. Contudo, a riqueza histórica de Jerash é indescritível e se quiseres aprender um pouco mais sobre este lugar aconselho-te a dar um olhinho no YouTube.


Como podes ver, este foi só o nosso primeiro dia na Jordânia e não parámos de ver coisas incríveis! Os dias que se seguiram foram igualmente memoráveis.

Dicas rápidas

Restaurantes: Para além do Hashem, recomendo o AlQuds Restaurant, mas só se gostares de carne. É um óptimo restaurante para provar cozinha tradicional da Jordânia, aviso já que não é muito light! Se puderes, leva um piquenique contigo para Jerash, os restaurantes lá são muito turísticos e os preços pouco simpáticos.

Transporte Aeroporto – Amã: O centro de Amã faz-se muito bem a pé e um Uber para o aeroporto não te deve custar mais de 12€. Como alugámos um carro fizemos todas a deslocações desta forma, mas também há autocarros do aeroporto até ao centro.

Transporte Amã – Jerash: A viagem de carro de Amã até Jerash dura cerca de uma hora. Também é possível fazer o trajecto de autocarro, mas vais precisar de uma dia inteiro para visitar a cidade das colunas. Há autocarros sempre a sair da estação de Tabarbour. Os transportes públicos são muito baratos na Jordânia. Pede ao motorista para te deixar perto da Hadrian Gate.

Para voltar a Amã, há uma estação pequena de autocarros 300 metros a sul das ruínas, podes sempre perguntar aos seguranças ou às pessoas no posto turístico.

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