Nova Zelândia

Abel Tasman: uma nova definição de molhadas

Até chegarmos a Nelson (localidade com um nome um bocado chunga) tínhamos tido uma sorte incrível com o tempo. Para o mês de Maio, quase Inverno, tinha chovido muito pouco e o sol acompanhava-nos na maioria dos dias. Mas a sorte não podia durar para sempre e nos dias em que estivemos na zona do Parque Abel Tasman a chuva decidiu não descolar.

Mas nós estávamos decididas a ver pelo menos uma parte do parque, até porque não havia muito mais a fazer na zona, e fomos ao nosso site preferido www.book.me.nz onde encontrámos uma viagem de barco para o dia seguinte na qual podíamos ver a paisagem e fazer uma caminhada de cerca de duas horas pelo parque.

No dia seguinte acordámos preparadas para um dia cinzento e fizemo-nos à estrada. Quando chegámos ao sítio do check in o senhor pergunta se queremos mesmo ir ou o nosso dinheiro de volta. Uma pergunta que não promete nada de bom! Mas já que estávamos ali decidimos arriscar. Ele lá nos deu uns ponchos – mais tarde viríamos a descobrir que com eles vestidos parecíamos ou fantasmas ou um preservativo gigante – e fomos avisadas que provavelmente voltaríamos mais cedo por causa do estado do mar.

E que estado! Já não experienciava tanto sobressalto desde o meu voo Singapura – Melbourne! A verdade é que a paisagem era fantástica e até tivemos direito a arco-íris múltiplos, mas temi um pouco pela minha vidinha com tanto solavanco. Parecia um daqueles barcos na pesca do bacalhau!

Enfim, eventualmente atracámos numa baía e começámos a caminhada. O parque natural Abel Tasman é um dos mais concorridos no Verão por também dar para fazer praia. É uma das Great Walks na Nova Zelândia sendo que o percurso inteiro demora 5 dias a completar. O bocadinho que fizemos foi muito giro, mas acho que a paisagem é demasiado semelhante em todo o parque para que valha a pena fazê-lo em jeito de Great Walk. Também é muito comum fazer-se o percurso de kayak.

Duas horas a caminhar pela floresta ainda seca de Abel Tasman

Passado meia hora já estava a chover bem e sacámos dos ponchos. Infelizmente não havia como evitar os riachos que nos passavam pelos pés e rapidamente desistimos de tentar saltitar para não nos molharmos. E foi com aquele som delicioso de “scnhaque scnhaque” que fizemos a nossa caminhada. E eu que queria tirar fotos ainda fiquei mais molhada a tentar pôr e tirar a máquina na mochila e quando chegámos ao fim, parecíamos uns pintos!

Não me arrependo nada de ter ido, mas acho que o parque será bastante mais interessante e bonito quando explorado a seco e com sol. Mas assim tivemos a desculpa perfeita para ir ao supermercado que nem umas Neo-Zelandesas: descalças.

Colecção Outono-Inverno para ir ao supermercado na Nova Zelândia

Alfacinha germinada e cultivada num cantinho à beira mar plantado, a Inês tem uma certa inquietação que não a deixa ficar muito tempo tempo no mesmo sítio. Fez Erasmus em Paris, trabalhou em Istambul e em Portugal, fez um mestrado em Creative Advertising em Milão e agora trabalha no Reino Unido. Viajar, criatividade, cozinhar, dançar e ler são algumas das suas paixões. A combinação de algumas delas deu origem a este blog, o Mudanças Constantes. Bem-vindos!

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