Tanzânia Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/tanzania/ Blog de viagens para inquietos e irrequietos Sun, 23 Jan 2022 12:38:43 +0000 en-GB hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://www.mudancasconstantes.com/wp-content/uploads/2018/10/cropped-Untitled-design-1-32x32.png Tanzânia Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/tanzania/ 32 32 Viajar na Tanzânia: Dicas, itinerário e informações úteis https://www.mudancasconstantes.com/2019/04/27/dicas-viajar-tanzania-itinerario-safari/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=dicas-viajar-tanzania-itinerario-safari https://www.mudancasconstantes.com/2019/04/27/dicas-viajar-tanzania-itinerario-safari/#respond Sat, 27 Apr 2019 20:00:16 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5116 Passados vários anos a viajar sempre da forma mais barata possível, eis que surge uma viagem a um país que dificilmente pode ser apelidado de barato. A Tanzânia é um dos países mais famosos do mundo para fazer safaris (é a casa do Serengeti!) e, ao mesmo tempo, um destino considerado quase de luxo, com muito pouca infra-estrutura para turismo independente. Vai daí, vimo-nos na obrigação de contratar uma agência que nos organizasse o safari. No início fiquei um pouco de pé atrás porque nunca contratei uma agência para nada, mas como as alternativas não eram particularmente apetecíveis, lá teve que ser! E não podíamos ter feito uma escolha melhor, porque a nossa agência tomou conta de tudo e tornou a nossa experiência mil vezes melhor do que tínhamos imaginado. Nós só tivemos que chegar, sentar no jipe e ser passeados que nem uns reis durante a floresta e savana africana durante seis dias. Mesmo com agência e guias há sempre coisas importantes que devemos saber sobre o nosso destino, por isso aqui vão umas dicas de viagem: Como chegar: O aeroporto internacional mais perto dos parques nacionais mais relevantes é o Aeroporto do Kilimanjaro. Nós voámos com a Qatar Airways que tem o “pequeno” inconveniente de estar proibida no espaço aéreo da Arábia Saudita o que faz com que os voos “vão dar uma ganda volta”. O único voo directo da europa para o Kilimanjaro é o da KLM a partir de Amesterdão. Outros aeroportos internacionais: Dar es Salaam e Zanzibar. Voos internos: uma ida a Zanzibar é praticamente indispensável quando se vai à Tanzânia. Para lá chegares tens várias hipóteses. A mais prestigiada é a Coastal Aviation, mas como é estupidamente cara as outras opções são a Flightlink (a que usámos), a Fastjet e a Precision Air. Todas elas têm micro-aviões com ar que se vão desfazer no ar, mas a alternativa é um comboio de quase 24 horas entre Arusha e Dar es Saalam… A única coisa má de voar doméstico na Tanzânia é a grande probabilidade de as malas nunca embarcarem. Normalmente chegam no dia seguinte! Visto: Os portugueses podem adquirir um visto à chegada. O visto custa 50 USD, pagamento em dinheiro. Se estiveste no passado num país com risco de Febre-amarela tens que apresentar o boletim de vacinas com essa vacina. Mais informações aqui. Clima: A Tanzânia tem várias estações bastante pronunciadas que funcionam mais ou menos assim Estação das chuvas (época baixa): Março a Maio e Novembro e DezembroEstação seca (época alta e meia época): Junho a Outubro e Janeiro e Fevereiro. Em Fevereiro apanhámos a migração dos gnus e a época em que nascem os gnuzinhos! Consulta do viajante: Existe algum risco de malária na Tanzânia, por isso é importante levar os medicamentos anti-malária (não sofri com efeitos secundários). Para além da malária há algumas vacinas que convém levar e é aconselhável ir à consulta do viajante uns meses antes da viagem em si. Água: A água não é potável e não é aconselhável nem para lavar os dentes. Comida: Nos hotéis a comida é muito ocidental/europeia e como em safari é tudo pensão completa acabámos por nunca comer fora. Em geral a comida é bastante boa e nunca me deu problemas. Já em Zanzibar também comemos bem, particularmente peixe, polvo e lulas. A escolha da agência: A parte mais importante da viagem! Mal começámos a enviar emails para agências na Tanzânia rapidamente percebemos que a Soul of Tanzania era a melhor opção. Apesar do budget inicial ter sido um um choque, depois de uma certa negociação e ajustamentos o preço ficou muito mais aceitável. Para além de rápidos nas respostas e de terem uma delegação em Portugal, a Soul of Tanzania foi impecável em todos os aspectos. Todos os guias, motoristas e staff eram simpáticos e pontuais, a comida era infinitamente melhor do que a das outras companhias e nos cinco dias de safari conseguimos ver todos os animais que há para ver. Recomendo a 100%! Packing List: Tons neutros, várias camadas porque a amplitude térmica é muito grande, protector solar (!), chapéu, óculos de sol, repelente, binóculos pequenos, se quiseres fotografar, uma objectiva de grande alcance será o mais indicado, sapatos fechados (ténis servem), calções e vestidos são bem vindos. Preço por pessoa: cerca de 2200 dólares por pessoa. 5 dias de safari, 6 noites de alojamento com pensão completa, guia, todas as deslocações na mainland (Zanzibar não), 1 dia de tour a uma vila Maasai, voos ida e volta para Zanzibar e água ilimitada. Dinheiro: Na mainland convém andar sempre com notas pequenas de dólares por causa das gorjetas. O dólar é aceite em todos os lugares turísticos, mas em lugares mais rurais é melhor ter moeda local. Em Zanzibar, é preferível pagar com Tanzanian shilling. Gorjetas: Nos hotéis o staff é sempre impecável e disposto a ajudar em tudo, contudo há sempre uma expectativa de gorjeta. Por isso mesmo, é conveniente andar sempre com notas de 1 ou 5 dólares e ir distribuindo. Kit silêncio: Isto de dormir em plena selva é muito giro, mas se não fores daquelas pessoas que adormece em todo o lado, vai ser difícil ignorar o barulho dos animais durante a noite. Prepara-te e leva uns bons tampões de ouvidos e uma máscara para os olhos por causa da luz de manhã. Itinerário de 11 dias: Tanzânia + Zanzibar Dia 1: Chegar e dormir, a viagem é longa! Dia 2: Safari no Lago Manyara Dia 3: Viagem até ao Serengeti + Safari no Serengeti Dia 4: Safari no Serengeti Dia 5: Safari no Serengeti + Viagem até Ngorongoro Dia 6: Safari no Ngorongoro + Avião até Zanzibar Dia 7: Zanzibar Dia 8: Zanzibar Dia 9: Zanzibar Dia 10: Zanzibar + Viagem de volta Dia 11: Visita a uma tribo local + Avião de volta para a realidade Claro que com mais tempo há sempre mais possibilidades. Faltou o Kilimanjaro, ver Zanzibar como deve ser (desta vez foi mais para descansar) e visitar outras tribos que seriam certamente tão interessantes como os Maasai. Fica para a próxima 😉

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Passados vários anos a viajar sempre da forma mais barata possível, eis que surge uma viagem a um país que dificilmente pode ser apelidado de barato. A Tanzânia é um dos países mais famosos do mundo para fazer safaris (é a casa do Serengeti!) e, ao mesmo tempo, um destino considerado quase de luxo, com muito pouca infra-estrutura para turismo independente.

Vai daí, vimo-nos na obrigação de contratar uma agência que nos organizasse o safari. No início fiquei um pouco de pé atrás porque nunca contratei uma agência para nada, mas como as alternativas não eram particularmente apetecíveis, lá teve que ser!

E não podíamos ter feito uma escolha melhor, porque a nossa agência tomou conta de tudo e tornou a nossa experiência mil vezes melhor do que tínhamos imaginado. Nós só tivemos que chegar, sentar no jipe e ser passeados que nem uns reis durante a floresta e savana africana durante seis dias.

Mesmo com agência e guias há sempre coisas importantes que devemos saber sobre o nosso destino, por isso aqui vão umas dicas de viagem:

Como chegar: O aeroporto internacional mais perto dos parques nacionais mais relevantes é o Aeroporto do Kilimanjaro. Nós voámos com a Qatar Airways que tem o “pequeno” inconveniente de estar proibida no espaço aéreo da Arábia Saudita o que faz com que os voos “vão dar uma ganda volta”. O único voo directo da europa para o Kilimanjaro é o da KLM a partir de Amesterdão.

Outros aeroportos internacionais: Dar es Salaam e Zanzibar.

Voos internos: uma ida a Zanzibar é praticamente indispensável quando se vai à Tanzânia. Para lá chegares tens várias hipóteses. A mais prestigiada é a Coastal Aviation, mas como é estupidamente cara as outras opções são a Flightlink (a que usámos), a Fastjet e a Precision Air.

Todas elas têm micro-aviões com ar que se vão desfazer no ar, mas a alternativa é um comboio de quase 24 horas entre Arusha e Dar es Saalam… A única coisa má de voar doméstico na Tanzânia é a grande probabilidade de as malas nunca embarcarem. Normalmente chegam no dia seguinte!

Visto: Os portugueses podem adquirir um visto à chegada. O visto custa 50 USD, pagamento em dinheiro. Se estiveste no passado num país com risco de Febre-amarela tens que apresentar o boletim de vacinas com essa vacina. Mais informações aqui.

Clima: A Tanzânia tem várias estações bastante pronunciadas que funcionam mais ou menos assim

Estação das chuvas (época baixa): Março a Maio e Novembro e Dezembro
Estação seca (época alta e meia época): Junho a Outubro e Janeiro e Fevereiro.

Em Fevereiro apanhámos a migração dos gnus e a época em que nascem os gnuzinhos!

Consulta do viajante: Existe algum risco de malária na Tanzânia, por isso é importante levar os medicamentos anti-malária (não sofri com efeitos secundários). Para além da malária há algumas vacinas que convém levar e é aconselhável ir à consulta do viajante uns meses antes da viagem em si.

Água: A água não é potável e não é aconselhável nem para lavar os dentes.

Comida: Nos hotéis a comida é muito ocidental/europeia e como em safari é tudo pensão completa acabámos por nunca comer fora. Em geral a comida é bastante boa e nunca me deu problemas. Já em Zanzibar também comemos bem, particularmente peixe, polvo e lulas.

A escolha da agência: A parte mais importante da viagem! Mal começámos a enviar emails para agências na Tanzânia rapidamente percebemos que a Soul of Tanzania era a melhor opção. Apesar do budget inicial ter sido um um choque, depois de uma certa negociação e ajustamentos o preço ficou muito mais aceitável.

Para além de rápidos nas respostas e de terem uma delegação em Portugal, a Soul of Tanzania foi impecável em todos os aspectos. Todos os guias, motoristas e staff eram simpáticos e pontuais, a comida era infinitamente melhor do que a das outras companhias e nos cinco dias de safari conseguimos ver todos os animais que há para ver. Recomendo a 100%!

Packing List: Tons neutros, várias camadas porque a amplitude térmica é muito grande, protector solar (!), chapéu, óculos de sol, repelente, binóculos pequenos, se quiseres fotografar, uma objectiva de grande alcance será o mais indicado, sapatos fechados (ténis servem), calções e vestidos são bem vindos.

Preço por pessoa: cerca de 2200 dólares por pessoa. 5 dias de safari, 6 noites de alojamento com pensão completa, guia, todas as deslocações na mainland (Zanzibar não), 1 dia de tour a uma vila Maasai, voos ida e volta para Zanzibar e água ilimitada.

Dinheiro: Na mainland convém andar sempre com notas pequenas de dólares por causa das gorjetas. O dólar é aceite em todos os lugares turísticos, mas em lugares mais rurais é melhor ter moeda local. Em Zanzibar, é preferível pagar com Tanzanian shilling.

Gorjetas: Nos hotéis o staff é sempre impecável e disposto a ajudar em tudo, contudo há sempre uma expectativa de gorjeta. Por isso mesmo, é conveniente andar sempre com notas de 1 ou 5 dólares e ir distribuindo.

Kit silêncio: Isto de dormir em plena selva é muito giro, mas se não fores daquelas pessoas que adormece em todo o lado, vai ser difícil ignorar o barulho dos animais durante a noite. Prepara-te e leva uns bons tampões de ouvidos e uma máscara para os olhos por causa da luz de manhã.

Itinerário de 11 dias: Tanzânia + Zanzibar

Dia 1: Chegar e dormir, a viagem é longa!

Dia 2: Safari no Lago Manyara

Dia 3: Viagem até ao Serengeti + Safari no Serengeti

Dia 4: Safari no Serengeti

Dia 5: Safari no Serengeti + Viagem até Ngorongoro

Dia 6: Safari no Ngorongoro + Avião até Zanzibar

Dia 7: Zanzibar

Dia 8: Zanzibar

Dia 9: Zanzibar

Dia 10: Zanzibar + Viagem de volta

Dia 11: Visita a uma tribo local + Avião de volta para a realidade

Claro que com mais tempo há sempre mais possibilidades. Faltou o Kilimanjaro, ver Zanzibar como deve ser (desta vez foi mais para descansar) e visitar outras tribos que seriam certamente tão interessantes como os Maasai. Fica para a próxima 😉

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Os Maasai de Longido: Uma viagem no tempo https://www.mudancasconstantes.com/2019/03/20/maasai-longido-tanzania/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=maasai-longido-tanzania https://www.mudancasconstantes.com/2019/03/20/maasai-longido-tanzania/#comments Wed, 20 Mar 2019 19:53:49 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5033 Mal começámos a planear a nossa viagem à Tanzânia e a desenhar o nosso itinerário, pedi logo à nossa agência se podíamos incluir no plano uma visita a uma tribo Maasai. A ideia de tribo sempre me fascinou. Povos que, num mundo completamente globalizado e digitalizado, renunciam a qualquer tipo de tecnologia (excepto telemóveis :p) e vivem exactamente da mesma forma que os seus antepassados. É claro que este estilo de vida se está a extinguir rapidamente e essa é a principal razão da minha fome de aprender mais sobre as tribos do nosso mundo. Contudo, no primeiro dia de viagem, começámos a ver Maasai em todo o lado. Fiquei estupefacta, o meu conceito de tribo estava a ser completamente estilhaçado. Provavelmente porque, ao contrário do que pensava, os Maasai são um grupo étnico e não uma tribo. Ah, e são 800 000 só na Tanzânia. Santa ignorância. Muitos Maasai subsistem do turismo, sabendo que as suas roupas, tradições e artesanato são apetecíveis para os quem os visita. As suas aldeias, outrora tradicionais, transformaram-se um pouco num “Maasai dos Pequenitos” onde os turistas vão para se mascarar de Maasai e tirar fotografias aos saltos. Foi a partir daí que comecei a temer ter feito a escolha errada quando pedi para “visitar uma aldeia local”. Afinal, só queria aprender mais sobre aquela cultura, mas da forma mais respeitosa possível. Até ao último dia não sabia o que nos esperava, mas foi quando começámos a conduzir em direcção à fronteira com o Quénia que nasceu uma réstia de esperança: estávamos a ir na direcção oposta ao trilho turístico. Ali, não havia nada nem ninguém. Depois de uma hora e meia de carro tínhamos chegado. Estávamos em Longido, uma aldeia da Tanzânia. Um lugar lindíssimo onde o Swahilli e o Maa (língua dos Maasai) co-habitam pacificamente. O nosso guia local chamava-se Samuel. Nos lábios traz um sorriso aberto e acolhedor e nos olhos, muitos anos de histórias e sabedoria. Estava na altura de ingressarmos pelo verdadeiro mundo dos Maasai. Na meia hora de caminho a pé da aldeia de Longido até à boda dos Maasai, fomos falando um pouco sobre tudo. O Samuel é um defensor do ambiente e está a tentar consciencializar a população da zona a adoptar práticas mais sustentáveis no seu dia-a-dia. Também tinha mais conhecimentos sobre a situação política mundial do que muitos presidentes… À medida que íamos andando, passámos por várias escolas e crianças que vinham a correr para nós. Estas crianças são mais fofas e menos chatas que as nossas… O Samuel era bastante rígido com os mais novos, desancando qualquer um que se atrevesse a dizer-nos algo como “não tenho dinheiro”. Ele respondia-lhes sempre “estudem e um dia vão ter dinheiro”. No caminho cruzámo-nos com vários Maasai que o conheciam ou pertenciam à sua família. Alguns dos gestos de respeito entre eles incluem passar as mãos pela cabeça da pessoa mais velha. Neste caso, tanto homens como mulheres, eram quase sempre carecas. Na cultura Maasai, os homens podem ter várias mulheres e essa foi uma das razões que levou o Samuel a abandonar as suas raízes. Como católico que é, só se podia casar com uma mulher e parecia satisfeito com isso! Eventualmente chegámos à boda Maasai que íamos visitar naquele dia. E é neste momento que nos perguntamos: como é que isto é possível? À nossa frente tínhamos um conjunto de nove ou dez casas feitas basicamente de terra, barro e estrume com telhados de palha. Parecia um cenário de um filme, mas era cem porcento real. Fomos recebidos com alguns sorrisos tímidos, mas acolhedores e como ninguém falava inglês o nosso guia passou também a ser intérprete. Passado pouco tempo fomos convidados a entrar numa das casas e aí caiu-nos mesmo tudo. Depois dos nossos olhos se habituarem ao escuro, começámos a ver algumas formas. No chão, havia um espaço para uma fogueira, dois banquinhos de plástico e um balde grande virado ao contrário que também servia de banco. Havia também uma espécie de divisões. Num lado era o “quarto das crianças” onde se encontrava uma espaçosa “cama”. Por cama entenda-se um bocado de couro com pó, em cima do chão. Sim, isto era a cama. Na outra “divisão” havia uma cama mais estreita para a dona da casa. Sentámo-nos na cama e nos bancos, com a lanterna dos telemóveis ligada para vermos melhor e tínhamos agora direito a fazer perguntas. Ficámos a saber que na cultura Maasai são as mulheres que constroem as suas casa. Os homens não têm casa e vão dormindo nas casas das suas mulheres. Quando uma mulher tem um filho, a criança passa a ser da aldeia e não da mãe. Criam-na em comunidade e é por isso que há sempre um espaço para elas. Esta tribo que visitámos, recebe algumas visitas de turistas e é a eles que vendem o seu artesanato, mas em geral, os Maasai vivem do seu gado. Ao sairmos da casa, reparámos que, numa divisão que nos tinha escapado completamente quando entrámos, havia umas cabrinhas lá dentro. Pelos vistos, também fazem parte da família. Provavelmente, muito ficou por dizer e aprender, mas acho que estávamos tão fascinados só com o facto de estarmos a testemunhar a vida naquele lugar perdido no tempo que nem conseguimos pensar em mais perguntas. No fim, as mulheres da tribo prepararam uma demonstração do seu artesanato para vender e ainda bem porque o artesanato deles é lindo! Comprei um colar muito colorido de missangas que nunca vou usar, mas que faz uma grande figura na minha sala! Infelizmente este foi o nosso último dia de viagem e a volta foi directa para o aeroporto. A Tanzânia é sem dúvida um país magnífico, com uma cultura muito rica e paisagens de cortar a respiração. Um lugar que merece certamente várias visitas, tantas quanto o tempo (e o dinheiro!) permitir.

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Mal começámos a planear a nossa viagem à Tanzânia e a desenhar o nosso itinerário, pedi logo à nossa agência se podíamos incluir no plano uma visita a uma tribo Maasai. A ideia de tribo sempre me fascinou. Povos que, num mundo completamente globalizado e digitalizado, renunciam a qualquer tipo de tecnologia (excepto telemóveis :p) e vivem exactamente da mesma forma que os seus antepassados.

É claro que este estilo de vida se está a extinguir rapidamente e essa é a principal razão da minha fome de aprender mais sobre as tribos do nosso mundo.

Contudo, no primeiro dia de viagem, começámos a ver Maasai em todo o lado. Fiquei estupefacta, o meu conceito de tribo estava a ser completamente estilhaçado. Provavelmente porque, ao contrário do que pensava, os Maasai são um grupo étnico e não uma tribo. Ah, e são 800 000 só na Tanzânia. Santa ignorância.

Muitos Maasai subsistem do turismo, sabendo que as suas roupas, tradições e artesanato são apetecíveis para os quem os visita. As suas aldeias, outrora tradicionais, transformaram-se um pouco num “Maasai dos Pequenitos” onde os turistas vão para se mascarar de Maasai e tirar fotografias aos saltos.

Foi a partir daí que comecei a temer ter feito a escolha errada quando pedi para “visitar uma aldeia local”. Afinal, só queria aprender mais sobre aquela cultura, mas da forma mais respeitosa possível.

Até ao último dia não sabia o que nos esperava, mas foi quando começámos a conduzir em direcção à fronteira com o Quénia que nasceu uma réstia de esperança: estávamos a ir na direcção oposta ao trilho turístico. Ali, não havia nada nem ninguém.

Depois de uma hora e meia de carro tínhamos chegado. Estávamos em Longido, uma aldeia da Tanzânia. Um lugar lindíssimo onde o Swahilli e o Maa (língua dos Maasai) co-habitam pacificamente.

O nosso guia local chamava-se Samuel. Nos lábios traz um sorriso aberto e acolhedor e nos olhos, muitos anos de histórias e sabedoria. Estava na altura de ingressarmos pelo verdadeiro mundo dos Maasai.

Na meia hora de caminho a pé da aldeia de Longido até à boda dos Maasai, fomos falando um pouco sobre tudo. O Samuel é um defensor do ambiente e está a tentar consciencializar a população da zona a adoptar práticas mais sustentáveis no seu dia-a-dia. Também tinha mais conhecimentos sobre a situação política mundial do que muitos presidentes…

À medida que íamos andando, passámos por várias escolas e crianças que vinham a correr para nós. Estas crianças são mais fofas e menos chatas que as nossas… O Samuel era bastante rígido com os mais novos, desancando qualquer um que se atrevesse a dizer-nos algo como “não tenho dinheiro”. Ele respondia-lhes sempre “estudem e um dia vão ter dinheiro”.

No caminho cruzámo-nos com vários Maasai que o conheciam ou pertenciam à sua família. Alguns dos gestos de respeito entre eles incluem passar as mãos pela cabeça da pessoa mais velha. Neste caso, tanto homens como mulheres, eram quase sempre carecas.

Uma prima!

Na cultura Maasai, os homens podem ter várias mulheres e essa foi uma das razões que levou o Samuel a abandonar as suas raízes. Como católico que é, só se podia casar com uma mulher e parecia satisfeito com isso!

Eventualmente chegámos à boda Maasai que íamos visitar naquele dia. E é neste momento que nos perguntamos: como é que isto é possível? À nossa frente tínhamos um conjunto de nove ou dez casas feitas basicamente de terra, barro e estrume com telhados de palha. Parecia um cenário de um filme, mas era cem porcento real.

Fomos recebidos com alguns sorrisos tímidos, mas acolhedores e como ninguém falava inglês o nosso guia passou também a ser intérprete.

Passado pouco tempo fomos convidados a entrar numa das casas e aí caiu-nos mesmo tudo. Depois dos nossos olhos se habituarem ao escuro, começámos a ver algumas formas. No chão, havia um espaço para uma fogueira, dois banquinhos de plástico e um balde grande virado ao contrário que também servia de banco. Havia também uma espécie de divisões.

Encontrei este desenho que ilustra relativamente bem o interior de uma casa Maasai

Num lado era o “quarto das crianças” onde se encontrava uma espaçosa “cama”. Por cama entenda-se um bocado de couro com pó, em cima do chão. Sim, isto era a cama. Na outra “divisão” havia uma cama mais estreita para a dona da casa. Sentámo-nos na cama e nos bancos, com a lanterna dos telemóveis ligada para vermos melhor e tínhamos agora direito a fazer perguntas.

Ficámos a saber que na cultura Maasai são as mulheres que constroem as suas casa. Os homens não têm casa e vão dormindo nas casas das suas mulheres. Quando uma mulher tem um filho, a criança passa a ser da aldeia e não da mãe. Criam-na em comunidade e é por isso que há sempre um espaço para elas.

Esta tribo que visitámos, recebe algumas visitas de turistas e é a eles que vendem o seu artesanato, mas em geral, os Maasai vivem do seu gado. Ao sairmos da casa, reparámos que, numa divisão que nos tinha escapado completamente quando entrámos, havia umas cabrinhas lá dentro. Pelos vistos, também fazem parte da família.

Provavelmente, muito ficou por dizer e aprender, mas acho que estávamos tão fascinados só com o facto de estarmos a testemunhar a vida naquele lugar perdido no tempo que nem conseguimos pensar em mais perguntas.

No fim, as mulheres da tribo prepararam uma demonstração do seu artesanato para vender e ainda bem porque o artesanato deles é lindo! Comprei um colar muito colorido de missangas que nunca vou usar, mas que faz uma grande figura na minha sala!

Infelizmente este foi o nosso último dia de viagem e a volta foi directa para o aeroporto. A Tanzânia é sem dúvida um país magnífico, com uma cultura muito rica e paisagens de cortar a respiração. Um lugar que merece certamente várias visitas, tantas quanto o tempo (e o dinheiro!) permitir.

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Stone Town: um poço de história, cultura e portas https://www.mudancasconstantes.com/2019/03/11/stone-town-zanzibar/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=stone-town-zanzibar https://www.mudancasconstantes.com/2019/03/11/stone-town-zanzibar/#respond Mon, 11 Mar 2019 19:46:22 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=4997 Uma viagem a Zanzibar nunca ficaria completa sem um passeio pela icónica cidade de Stone Town. É um lugar com um passado cultural tão rico que dava para uma aula de história de duas horas! Não querendo maçar, aqui fica um resumo rápido dos eventos mais relevantes da história de Zanzibar: – Em 1498 os portugueses tornaram-se nos primeiros europeus a chegar a Zanzibar (claro) – Durante quase 2 séculos a ilha esteve sobre o domínio de Portugal e foram os portugueses que começaram a construir a primeira estrutura em pedra: o Old Fort – Em 1698 veio o Sultão do Omã e apoderou-se da coisa – Em 1840 Stone Town tornou-se na capital do Sultanato do Omã e foi neste período que a cidade começou a prosperar. – Poucos anos depois, Zanzibar passou a ser um sultanato independente – Durante todo o século XIX Stone Town floresceu como um importante centro de comércio de especiarias e escravos. – Atraiu mercadores ricos de todo o mundo e transformou-se numa cidade com uma grande diversidade cultural e arquitectónica. – No fim do século vieram os ingleses e tomaram a ilha em 45 minutos e Zanzibar foi colonizada. Esta é considerada a guerra mais curta da História. – Em 1964, Stone Town foi palco da sangrenta “Revolução de Zanzibar” onde finalmente disseram “adeusinho” ao sultão. Zanzibar torna-se independente. – No mesmo ano Zanzibar passa a fazer parte a Tanzânia e assim continua até aos dias de hoje. Ufa! Com tantas trocas e baldrocas é fácil perceber porque é que esta cidade, património da UNESCO, tem tanto que se lhe diga. Mas como sempre, o segredo está nos detalhes e nas ruas estreitas e encruzilhadas de Stone Town é nas portas que podemos viver o seu passado. Se escutássemos por uma porta decorada com pinos de latão do outro lado provavelmente ouviríamos Punjabi. Por trás das mais simples e coloridas, viviam os Swahili. E, ao abrirmos uma porta com padrões intrincados (muitos deles representando versos do Corão) seriamos recebidos por um árabe. As horas que passámos em Stone Town acabaram por ser muito espontâneas e sem rumo. A regra é simples “mete-te pelas ruas que te chamam mais à atenção”. Sem querer, descobrimos a casa do Freddie Mercury, um arco português, dezenas de portas magníficas e lojas de artesanato que me deram, efectivamente, vontade de comprar tudo. A cidade pode ser um bocadinho “rough around the edges”, imperfeita, mas é nos ninhos de cabos de electricidade ou nas casas que precisam de uma nova demão de tinta que reside a sua singularidade. Conquistou facilmente um lugar no meu top cidades. Dicas rápidas Restaurante: Recomendaram-me o Lukmaan Restaurant e tem muito boas reviews! Alojamento: Ten to Ten foi o hostel que nos recomendaram em Paje como um lugar onde podíamos deixar a nossa bagagem enquanto passeávamos por Stone Town antes de irmos para o aeroporto. O staff foi cinco estrelas e o hostel estava cheio de viajantes a solo e em grupo, por isso pareceu-me ser uma boa escolha caso queiras pernoitar em Stone Town. Táxis: Tenta sempre marcar os táxis através do alojamento. É mais barato e não tens que te preocupar com negociações. Roupa: Apesar de ser uma ilha muçulmana, Stone Town tem um estilo muito relaxado. Vi muitas turistas de calções, mas aconselho umas calças leves e largas e um top/t-shirt que cubra os ombros.

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Uma viagem a Zanzibar nunca ficaria completa sem um passeio pela icónica cidade de Stone Town. É um lugar com um passado cultural tão rico que dava para uma aula de história de duas horas! Não querendo maçar, aqui fica um resumo rápido dos eventos mais relevantes da história de Zanzibar:

– Em 1498 os portugueses tornaram-se nos primeiros europeus a chegar a Zanzibar (claro)
– Durante quase 2 séculos a ilha esteve sobre o domínio de Portugal e foram os portugueses que começaram a construir a primeira estrutura em pedra: o Old Fort

– Em 1698 veio o Sultão do Omã e apoderou-se da coisa
– Em 1840 Stone Town tornou-se na capital do Sultanato do Omã e foi neste período que a cidade começou a prosperar.
– Poucos anos depois, Zanzibar passou a ser um sultanato independente
– Durante todo o século XIX Stone Town floresceu como um importante centro de comércio de especiarias e escravos.
– Atraiu mercadores ricos de todo o mundo e transformou-se numa cidade com uma grande diversidade cultural e arquitectónica.

– No fim do século vieram os ingleses e tomaram a ilha em 45 minutos e Zanzibar foi colonizada. Esta é considerada a guerra mais curta da História.
– Em 1964, Stone Town foi palco da sangrenta “Revolução de Zanzibar” onde finalmente disseram “adeusinho” ao sultão. Zanzibar torna-se independente.
– No mesmo ano Zanzibar passa a fazer parte a Tanzânia e assim continua até aos dias de hoje.

Ufa!

Com tantas trocas e baldrocas é fácil perceber porque é que esta cidade, património da UNESCO, tem tanto que se lhe diga. Mas como sempre, o segredo está nos detalhes e nas ruas estreitas e encruzilhadas de Stone Town é nas portas que podemos viver o seu passado.

Se escutássemos por uma porta decorada com pinos de latão do outro lado provavelmente ouviríamos Punjabi.

Por trás das mais simples e coloridas, viviam os Swahili.

E, ao abrirmos uma porta com padrões intrincados (muitos deles representando versos do Corão) seriamos recebidos por um árabe.

As horas que passámos em Stone Town acabaram por ser muito espontâneas e sem rumo. A regra é simples “mete-te pelas ruas que te chamam mais à atenção”. Sem querer, descobrimos a casa do Freddie Mercury, um arco português, dezenas de portas magníficas e lojas de artesanato que me deram, efectivamente, vontade de comprar tudo.

A cidade pode ser um bocadinho “rough around the edges”, imperfeita, mas é nos ninhos de cabos de electricidade ou nas casas que precisam de uma nova demão de tinta que reside a sua singularidade.

Conquistou facilmente um lugar no meu top cidades.

Dicas rápidas

Restaurante: Recomendaram-me o Lukmaan Restaurant e tem muito boas reviews!

Alojamento: Ten to Ten foi o hostel que nos recomendaram em Paje como um lugar onde podíamos deixar a nossa bagagem enquanto passeávamos por Stone Town antes de irmos para o aeroporto. O staff foi cinco estrelas e o hostel estava cheio de viajantes a solo e em grupo, por isso pareceu-me ser uma boa escolha caso queiras pernoitar em Stone Town.

Táxis: Tenta sempre marcar os táxis através do alojamento. É mais barato e não tens que te preocupar com negociações.

Roupa: Apesar de ser uma ilha muçulmana, Stone Town tem um estilo muito relaxado. Vi muitas turistas de calções, mas aconselho umas calças leves e largas e um top/t-shirt que cubra os ombros.

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Zanzibar: o paraíso do dolce fare niente https://www.mudancasconstantes.com/2019/03/02/zanzibar-paraiso-paje-jambiani/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=zanzibar-paraiso-paje-jambiani https://www.mudancasconstantes.com/2019/03/02/zanzibar-paraiso-paje-jambiani/#comments Sat, 02 Mar 2019 19:33:06 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=4969 Passados cinco dias a levar com pó e a andar num jipe que muitas vezes se assemelhava a uma centrifugadora, estávamos com vontade de pouco ou nada fazer nos dias seguintes. Vai daí, apanhámos um micro avião de Arusha e voamos em direcção à ilha de Zanzibar. Co-piloto e o caso da mala fugidia Chegados ao “aeroporto” de Arusha, reparámos que aquele não era um aeroporto típico. O check-in, feito numa bancada de madeira, não tinha qualquer computorização. Havia uma lista de passageiros impressa, qual chamada feita na escola, e os bilhetes eram escritos à mão. A balança para pesar as malas parecia saída do Mercado de Alvalade e a sala de espera era ao ar livre. Ao embarcarmos para o “avião” chamaram-me. Queriam meter-me no lugar do co-piloto. Sim, eu que tenho medo de aviões. Lá fui. Começou bem, porque só demorei cerca de meia hora a perceber como se apertava aquele cinto. Depois chegou o piloto oficial. Tinha estilo, mas estava mais preocupada em saber se sabia manejar a maquineta. Ele disse que sim. A viagem foi surpreendentemente divertida e calma. Ao que parece, depois da descolagem, aquilo faz tudo sozinho! Ele bebia descontraidamente o seu café, enquanto preenchia uns relatórios quaisquer e ouvia música. “This is my life: sun, sky and coffee”. Uma hora depois, éramos os melhores amigos: para além de já saber a vida toda do moço, também consegui que se desviasse ligeiramente da rota para evitar potencial turbulência. Tenho que ir mais vezes no cockpit. Assim que aterramos a minha tia pergunta-me “onde está a tua mala cor-de-rosa?”. Meio confusa, lembrei-me que ao embarcar ma tinham tirado porque não a podia carregar naquele lugar. Concluímos que devia ter ido para o porão, juntamente com as outras. Só que não. Depois de passarmos o controlo de passaporte (que por milagre tinha ficado comigo e não na mochila) descobrimos que a mochila tinha ficado abordo e que estava toda feliz já em viagem para Dar es Salam. Pequeno inconveniente? Era onde tinha o telemóvel, carteira e antibióticos que andava a tomar. As boas notícias? Só íamos ter que esperar hora e meia pelo seu regresso. Quem não teve tanta sorte foram as donas das outras duas ou três malas que nem chegaram a embarcar. Teriam que esperar pelo dia seguinte. Num voo de 11, quatro malas perdidas não é uma má média…. O nosso herói do dia foi mesmo o nosso taxista que aceitou esperar estoicamente pelo regresso da mala antes de nos levar até ao hostel. E agora vamos ao que interessa: Paje e Jambiani: ficamos por aqui? Quando a Terra criou Zanzibar, parece que não se esqueceu de nenhum dos ingredientes da lista “como fazer um paraíso”. Uma colher de areia branca, um balde de água QUENTE, uma pincelada dos mais belos tons de azul, e uma pitada de gente simpática e sorridente. E ainda polvilhou tudo com lulas que resultam nuns calamares deliciosos. Não posso contar muito sobre as mil e uma actividades que podes fazer nesta ilha, mas posso dizer-te que é um lugar fabuloso para não fazer nada. É, claro, um lugar ao qual planeio voltar porque sei que tem bom mergulho, uma história riquíssima no que toca ao comércio de especiarias e muitas outras praias e ilhas para explorar. Contudo, a nós bastou-nos um biquíni, um livro e umas camas de rede e não podíamos ter sido mais felizes. Nas raras vezes em que não estávamos em modo bacalhau demolhado na água, a bem mais de 30 graus, nem estendidos a passar pelas brasas, passeávamos pelas magníficas praias de Paje. A caminhada de Paje até Jambiani é absolutamente maravilhosa. As praias de Zanzibar têm marés extramente “grandes”: ou há muita água, ou não há água nenhuma! Por isso, mais ou menos a cada vinte minutos, a paisagem vai mudando radicalmente, incluindo os mil e um tons de azul do mar. Ao mesmo tempo, muitas mulheres trabalham na apanha das algas da praia, para quê não sei bem. Os homens pescam nos seus barcos de madeira tradicionais e os Maasai que viajam desde o interior da Tanzânia até Zanzibar para ganhar o seu pão, andam alegremente atrás dos turistas a tentar vender artesanato ou fotos a saltar.   Uma última sugestão: o Summer Beach Paje. Este hostel, acabadinho de abrir, foi um pouco a nossa casa. Mesmo em cima da praia, com uma comida deliciosa e um staff impecável, é o lugar perfeito para “não faz nada”. Nós acabámos por ficar no Summer Dream Lodge, dos mesmos donos, porque na altura em que reservamos o Summer Beach ainda nem tinha aberto. São ambos opções low cost brilhantes com um óptimo ambiente. Até para solo travelers. Dicas rápidas Transporte: Um táxi do aeroporto até Paje demora cerca de uma hora. O preço através do hostel foi de 30 dólares. Muito mais barato do que os 50 dólares tabelados no aeroporto. Tenta marcar sempre o transporte através do teu alojamento.

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Passados cinco dias a levar com pó e a andar num jipe que muitas vezes se assemelhava a uma centrifugadora, estávamos com vontade de pouco ou nada fazer nos dias seguintes. Vai daí, apanhámos um micro avião de Arusha e voamos em direcção à ilha de Zanzibar.

Co-piloto e o caso da mala fugidia

Chegados ao “aeroporto” de Arusha, reparámos que aquele não era um aeroporto típico. O check-in, feito numa bancada de madeira, não tinha qualquer computorização. Havia uma lista de passageiros impressa, qual chamada feita na escola, e os bilhetes eram escritos à mão. A balança para pesar as malas parecia saída do Mercado de Alvalade e a sala de espera era ao ar livre.

Ao embarcarmos para o “avião” chamaram-me. Queriam meter-me no lugar do co-piloto. Sim, eu que tenho medo de aviões.

Lá fui. Começou bem, porque só demorei cerca de meia hora a perceber como se apertava aquele cinto. Depois chegou o piloto oficial. Tinha estilo, mas estava mais preocupada em saber se sabia manejar a maquineta. Ele disse que sim.

A viagem foi surpreendentemente divertida e calma. Ao que parece, depois da descolagem, aquilo faz tudo sozinho! Ele bebia descontraidamente o seu café, enquanto preenchia uns relatórios quaisquer e ouvia música. This is my life: sun, sky and coffee”.

Uma hora depois, éramos os melhores amigos: para além de já saber a vida toda do moço, também consegui que se desviasse ligeiramente da rota para evitar potencial turbulência. Tenho que ir mais vezes no cockpit.

Assim que aterramos a minha tia pergunta-me “onde está a tua mala cor-de-rosa?”. Meio confusa, lembrei-me que ao embarcar ma tinham tirado porque não a podia carregar naquele lugar. Concluímos que devia ter ido para o porão, juntamente com as outras. Só que não.

Depois de passarmos o controlo de passaporte (que por milagre tinha ficado comigo e não na mochila) descobrimos que a mochila tinha ficado abordo e que estava toda feliz já em viagem para Dar es Salam. Pequeno inconveniente? Era onde tinha o telemóvel, carteira e antibióticos que andava a tomar.

As boas notícias? Só íamos ter que esperar hora e meia pelo seu regresso. Quem não teve tanta sorte foram as donas das outras duas ou três malas que nem chegaram a embarcar. Teriam que esperar pelo dia seguinte. Num voo de 11, quatro malas perdidas não é uma má média….

O nosso herói do dia foi mesmo o nosso taxista que aceitou esperar estoicamente pelo regresso da mala antes de nos levar até ao hostel.

E agora vamos ao que interessa:

Paje e Jambiani: ficamos por aqui?

Quando a Terra criou Zanzibar, parece que não se esqueceu de nenhum dos ingredientes da lista “como fazer um paraíso”. Uma colher de areia branca, um balde de água QUENTE, uma pincelada dos mais belos tons de azul, e uma pitada de gente simpática e sorridente. E ainda polvilhou tudo com lulas que resultam nuns calamares deliciosos.

Não posso contar muito sobre as mil e uma actividades que podes fazer nesta ilha, mas posso dizer-te que é um lugar fabuloso para não fazer nada. É, claro, um lugar ao qual planeio voltar porque sei que tem bom mergulho, uma história riquíssima no que toca ao comércio de especiarias e muitas outras praias e ilhas para explorar.

Contudo, a nós bastou-nos um biquíni, um livro e umas camas de rede e não podíamos ter sido mais felizes.

Nas raras vezes em que não estávamos em modo bacalhau demolhado na água, a bem mais de 30 graus, nem estendidos a passar pelas brasas, passeávamos pelas magníficas praias de Paje.

A caminhada de Paje até Jambiani é absolutamente maravilhosa. As praias de Zanzibar têm marés extramente “grandes”: ou há muita água, ou não há água nenhuma! Por isso, mais ou menos a cada vinte minutos, a paisagem vai mudando radicalmente, incluindo os mil e um tons de azul do mar.

Ao mesmo tempo, muitas mulheres trabalham na apanha das algas da praia, para quê não sei bem. Os homens pescam nos seus barcos de madeira tradicionais e os Maasai que viajam desde o interior da Tanzânia até Zanzibar para ganhar o seu pão, andam alegremente atrás dos turistas a tentar vender artesanato ou fotos a saltar.  

Uma última sugestão: o Summer Beach Paje. Este hostel, acabadinho de abrir, foi um pouco a nossa casa. Mesmo em cima da praia, com uma comida deliciosa e um staff impecável, é o lugar perfeito para “não faz nada”.

Nós acabámos por ficar no Summer Dream Lodge, dos mesmos donos, porque na altura em que reservamos o Summer Beach ainda nem tinha aberto. São ambos opções low cost brilhantes com um óptimo ambiente. Até para solo travelers.

Dicas rápidas

Transporte: Um táxi do aeroporto até Paje demora cerca de uma hora. O preço através do hostel foi de 30 dólares. Muito mais barato do que os 50 dólares tabelados no aeroporto. Tenta marcar sempre o transporte através do teu alojamento.

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Cratera de Ngorongoro e o ciclo da vida https://www.mudancasconstantes.com/2019/02/23/cratera-de-ngorongoro-tanzania-safari/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=cratera-de-ngorongoro-tanzania-safari https://www.mudancasconstantes.com/2019/02/23/cratera-de-ngorongoro-tanzania-safari/#comments Sat, 23 Feb 2019 08:21:00 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=4921 Ngorongoro é um Serengeti em esteróides. Ao olhar para a cratera esquecem-se quaisquer noções de tempo e espaço. Há 2.5 milhões de anos o cone de um vulcão colapsou após uma erupção gigante e deixou a caldeira impressionante que podemos ver hoje. Mas para além da paisagem espectacular que apaparica os olhos de qualquer um, a maioria dos turistas viaja meio mundo para ver a quantidade de animais absolutamente anormal que está concentrada neste pequeno pedaço de terra. Durante as quatro horas que percorremos a Cratera de Ngorongoro, tivemos vários momentos que nos deixaram de queixo caído. Parecia que havia uns pozinhos mágicos no ar que meteram todos os animais em grande actividade. Aqui ficam os melhores momentos: Love is in the air Ainda nem tínhamos entrado há cinco minutos na cratera quando vimos dois leões a acasalar. Enquanto um jipe cheio de chineses gritava em pleno êxtase – mais do que o que a leoa aparentava – pudemos testemunhar um momento inesquecível, particularmente marcado pelos poderosos rugidos do leão. Neste dia parecia que todos os animais tinham as hormonas aos saltos e para além dos leões ainda vimos búfalos e zebras a acasalar. Deviam ser adolescentes. E nasceu um gnuzinho  – estas imagens podem impressionar os mais fraquinhos Já tínhamos reparado que muitos dos gnus que andavam pela cratera eram muito jovens, com cerca de uma semana. Estávamos no “período dos nascimentos”. Eventualmente parámos junto a um grupo de gnus e uma “gnua” estava deitada no chão. Se olhássemos com atenção, podíamos ver umas patinhas a sair dela: o parto tinha começado e o filho estava prestes a nascer. Durante cerca de 10 minutos vimos a mãe a esforçar-se para o nascimento do filho, a comer a placenta, a ajuda-lo a pôr-se em pé – depois de nascer os gnus conseguem andar passados mais ou menos 5 minutos – e a olhar ferozmente para uma raposa que andava a fazer a ronda. Até eu que, segundo dizem, tenho um coração de pedra, achei comovente. Encerra-se o ciclo Ainda meio atordoados com o nascimento do gnu, reparámos numa hiena pelo caminho, que estava com a boca cheia de sangue. Curiosos para ver o que ela estava a comer, retrocedemos ligeiramente e qual não foi o nosso espanto ao vermos que estava a comer outra hiena! É que nem no Rei Leão são tão más! Pois é, as hienas praticam o belo do canibalismo! O cheiro a putrefacção era absolutamente horrível e nauseante. Foi uma transição brusca, mas faz parte. Como se não bastasse ser o epicentro de momentos épicos, a Cratera é um dos melhores – se não o melhor – lugar do mundo para ver Rinocerontes Negros. Esta espécie de Rinocerontes, à beira da extinção, é extremamente rara e é em Ngorongoro que se encontram em maior número: cerca de 26. Nós tivemos a sorte de ver quatro. Resumindo, Ngorongoro apaixonou-nos tanto que queremos voltar um dia (ou dois). Rhino Lodge A nossa estadia nesta terra também foi maravilhosa. Infelizmente só passámos uma noite no Rhino Lodge, mas foi o nosso alojamento preferido! A varanda/esplanada e restaurante são maravilhosos e foi o único sítio onde pude provar um prato local (Ugali – um género de polenta com um guisado de feijão). Também tem a parte conveniente de ser um lugar que os animais apreciam, por isso é normal ver búfalos e outras coisas giras cujo nome desconheço a espairecer por ali. Ngorongoro, vais deixar saudades!

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Ngorongoro é um Serengeti em esteróides.

Ao olhar para a cratera esquecem-se quaisquer noções de tempo e espaço. Há 2.5 milhões de anos o cone de um vulcão colapsou após uma erupção gigante e deixou a caldeira impressionante que podemos ver hoje.

Mas para além da paisagem espectacular que apaparica os olhos de qualquer um, a maioria dos turistas viaja meio mundo para ver a quantidade de animais absolutamente anormal que está concentrada neste pequeno pedaço de terra.

Durante as quatro horas que percorremos a Cratera de Ngorongoro, tivemos vários momentos que nos deixaram de queixo caído. Parecia que havia uns pozinhos mágicos no ar que meteram todos os animais em grande actividade. Aqui ficam os melhores momentos:

Love is in the air

Ainda nem tínhamos entrado há cinco minutos na cratera quando vimos dois leões a acasalar. Enquanto um jipe cheio de chineses gritava em pleno êxtase – mais do que o que a leoa aparentava – pudemos testemunhar um momento inesquecível, particularmente marcado pelos poderosos rugidos do leão.

Neste dia parecia que todos os animais tinham as hormonas aos saltos e para além dos leões ainda vimos búfalos e zebras a acasalar. Deviam ser adolescentes.

E nasceu um gnuzinho  – estas imagens podem impressionar os mais fraquinhos

Já tínhamos reparado que muitos dos gnus que andavam pela cratera eram muito jovens, com cerca de uma semana. Estávamos no “período dos nascimentos”. Eventualmente parámos junto a um grupo de gnus e uma “gnua” estava deitada no chão. Se olhássemos com atenção, podíamos ver umas patinhas a sair dela: o parto tinha começado e o filho estava prestes a nascer.

Durante cerca de 10 minutos vimos a mãe a esforçar-se para o nascimento do filho, a comer a placenta, a ajuda-lo a pôr-se em pé – depois de nascer os gnus conseguem andar passados mais ou menos 5 minutos – e a olhar ferozmente para uma raposa que andava a fazer a ronda.

Até eu que, segundo dizem, tenho um coração de pedra, achei comovente.

Encerra-se o ciclo

Ainda meio atordoados com o nascimento do gnu, reparámos numa hiena pelo caminho, que estava com a boca cheia de sangue. Curiosos para ver o que ela estava a comer, retrocedemos ligeiramente e qual não foi o nosso espanto ao vermos que estava a comer outra hiena! É que nem no Rei Leão são tão más!

Pois é, as hienas praticam o belo do canibalismo! O cheiro a putrefacção era absolutamente horrível e nauseante. Foi uma transição brusca, mas faz parte.

Parvas

Como se não bastasse ser o epicentro de momentos épicos, a Cratera é um dos melhores – se não o melhor – lugar do mundo para ver Rinocerontes Negros. Esta espécie de Rinocerontes, à beira da extinção, é extremamente rara e é em Ngorongoro que se encontram em maior número: cerca de 26. Nós tivemos a sorte de ver quatro.

Resumindo, Ngorongoro apaixonou-nos tanto que queremos voltar um dia (ou dois).

Rhino Lodge

A nossa estadia nesta terra também foi maravilhosa. Infelizmente só passámos uma noite no Rhino Lodge, mas foi o nosso alojamento preferido! A varanda/esplanada e restaurante são maravilhosos e foi o único sítio onde pude provar um prato local (Ugali – um género de polenta com um guisado de feijão).

Copyright: Rhino Lodge

Também tem a parte conveniente de ser um lugar que os animais apreciam, por isso é normal ver búfalos e outras coisas giras cujo nome desconheço a espairecer por ali.

Ngorongoro, vais deixar saudades!

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Serengeti: Aqui há gato, muito gato! https://www.mudancasconstantes.com/2019/02/19/serengeti-safari-tanzania/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=serengeti-safari-tanzania https://www.mudancasconstantes.com/2019/02/19/serengeti-safari-tanzania/#comments Tue, 19 Feb 2019 22:55:17 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=4846 Monumental. Colossal.
Impressionante. Único. UAU.
O nosso segundo dia de safari passou-se entre suspiros de admiração e tentativas de adjectivar o “inadjectivável”

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Monumental. Colossal. Impressionante. Único. UAU.

O nosso segundo dia de safari passou-se entre suspiros de admiração e tentativas de adjectivar o “inadjectivável”.

Ngorongoro: comecemos pelo princípio

Certamente que existem poucos lugares no mundo tão assoberbantes como a Cratera de Ngorongoro. Não me querendo alongar demasiado sobre este lugar neste post (dedicar-lhe-ei um mais tarde), esta cratera é um poço de biodiversidade inigualável. 

Mas não é só isso. Foi na região a cratera que foram descobertas pegadas de hominídeos (Australopithecus afarensis) com 3.6 milhões de anos e fósseis humanos com 1.8 milhões de anos. Resumindo, foi por aqui – Este de África – que começámos.

Depois de uma longa sessão de absorção de todos os detalhes e contornos da cratera de Ngorongoro, continuámos pela estrada que nos levaria ao Serengeti.

Nas estradas encontrámos búfalos, zebras, girafas, cabrinhas, vacas e até camelos (que os Maasai usam pelo seu leite). Ao longo da viagem a paisagem transformava-se. Os tons de verde começaram a amarelar e a abundância de água esmorecia.

Durante toda o percurso vimos muitos Maasai, algo que me surpreendeu. Por alguma razão achava que eram uma tribo meia “escondida” – provavelmente porque é esse o meu conceito de tribo. Contudo, os Maasai são um grupo étnico do Quénia e Tanzânia com uma população de 800 000 só na Tanzânia.

Mal podia esperar pelo nosso último dia de viagem onde iríamos explorar a fundo esta cultura e modo de vida tão diferentes dos nossos.

Serengeti: um pouco de tudo para todos os gostos

Já em plena savana fomos brindados com o primeiro grande presente que o Serengeti nos deu: a migração dos gnus. Todos os anos quase dois milhões de gnus e milhares de zebras e gazelas migram do sul do Serengeti até ao sul do Quénia, cobrindo cerca de 800 km. É uma das maiores migrações do mundo.

Em Fevereiro/Março, para além de poderes assistir à migração, também é a altura em que nascem os gnuzinhos todos; 8000 por dia!

Mas foi assim que entrámos no Parque Nacional do Serengeti que começou a desbunda total!

5 minutos depois de termos entrado já estávamos aos pés de um leão que dormia pacificamente debaixo de uma árvore à beira da estrada… um bocadinho mais adiante descobrimos uma alcateia de leões! Eventualmente perdemos a conta ao número de Reis da Selva que vimos.

Ainda passámos por hipopótamos, o Pumba, águias, abutres, uma chita (a única da viagem!) e dois leopardos lindíssimos, que passaram a ser os meus bichos favoritos.

Não podíamos ter pedido mais.  

Ora, claro que o Serengeti ainda não se tinha cansado de nos surpreender e à medida que nos íamos aproximando do acampamento dava-se um pôr-do-sol espectacular.

Dormindo com as amigas hienas

O nosso acampamento, o Serengeti Bush Camp, era bem giro. À chegada fomos recebidos com grandes sorrisos dos Maasai que ali trabalham. Para além dos sorrisos também estávamos dependentes deles para sobreviver nas duas noites que íamos passar no coração do Serengeti.

As regras eram simples: a partir do momento em que o sol se pusesse tínhamos que ser acompanhados sempre que quiséssemos sair das nossas tendas. Afinal, estávamos a dormir no meio da selva, sem cercas ou qualquer outra protecção.

Agora, “tendas” é como quem diz. Com canalização, camas e electricidade, este acampamento tinha tudo. Também tinha os donos e staff mais queridos do mundo que para além de saberem quem era o Cristiano Ronaldo, sabiam muitos outros jogadores da nossa Selecção Nacional!

Durante a noite é bom que tenhas ou tampões para os ouvidos ou um sono pesado porque os animais são mais activos quando o sol se põe. Logo, vais ter uma orquestra sinfónica selvagem como banda sonora dos teus sonhos. Há coisas piores 😉

E nos outros dias?

Nos outros três Game Drives que fizemos não tivemos tanta sorte como no primeiro, de qualquer forma vimos muita coisa e aqui ficam os melhores momentos:

Um Crocodilo de barriga cheia

Uma piscina mal cheirosa cheia de hipopótamos

Leões nas árvores a tentar descer que nem uns totós

Leões esparramados a dormir

Um momento “eu mal posso esperar para ser rei!” com o Simba

E muita bicharada gira que, apesar de não ser tão sexy como os felinos, enriquece muito os safaris.

E assim se passaram dois dias num dos ecossistemas mais preciosos e antigos do Mundo.

Nota: muitas das fotografias foram tiradas pelo meu tio, Luís Oliveira.

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Lago Manyara & Arusha: Karibu, this is Africa https://www.mudancasconstantes.com/2019/02/16/lago-manyara-arusha-karatu/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=lago-manyara-arusha-karatu https://www.mudancasconstantes.com/2019/02/16/lago-manyara-arusha-karatu/#comments Sat, 16 Feb 2019 11:13:25 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=4786 África começa assim que pões o pé fora do Avião. As longas e demoradas filas para o visto indicam uma noção de tempo diferente. Polay polay em swahili, ou devagar devagar em português, é lei. 50 dólares e um senhor dos serviços fronteiriços que falava português depois, estávamos oficialmente prontos para começar a nossa aventura. Desta vez “nós” sou eu e os meus tios, que me encantam com histórias de safaris em África desde que sou pequenina. Com tantas evocações de cenários dignos de um documentário do National Geographic, mal podia esperar para que chegasse a minha vez. E tinha logo que começar em grande: na Tanzânia.  Observações da minha janela indiscreta No percurso do aeroporto até ao nosso simpático lodge, senti que iria viver esta viagem numa espécie de bolha. Dentro do nosso moderno e confortável carro com ar condicionado e vidros fumados, observava uma realidade desconfortável do outro lado. A Tanzânia é um dos países mais pobre do mundo, o oitavo para ser mais precisa, mas no que falta ao país em recursos económicos e infra-estrutura, o seu povo compensa com bom humor e muita lata! Em termos de boa disposição têm-na em abundância. A acção nas ruas e estradas desenvolve-se qual filme de Hollywood. No trânsito, as regras fazem-se consoante a pressa em chegar ao destino – quem diz que as rotundas só têm um sentido nunca esteve em África. Já num ritmo mais vagaroso, nos mercados vendem-se todos os itens possíveis e imagináveis e os donos de cafés e restaurantes limpam incessantemente as mesas, cadeiras e chão que se enchem de poeira cada vez que um carro passa. Lago Manyara: onde os leões sobem às árvores A Tanzânia tem nada mais nada menos que 16 parques nacionais, todos eles com muito bicho! O Lago Manyara, na minha opinião, foi uma óptima introdução ao mundo dos safaris e tem a grande vantagem de estar num sítio lindíssimo e muito verde. Por causa da sua densa vegetação há imensos macacos e elefantes, mas o que torna este parque tão famoso é ser a casa dos leões que sobem às árvores (posteriormente ficámos a saber que no Serengeti também sobem!) Como foi o nosso primeiro parque estava completamente fascinada com tudo. Babuínos? Uau; Búfalos? Adoro!; Águias? Nunca vi!; Elefantes? Posso adoptar um?!; Leões? É o Simba! Claro que depois de cinco dias a observar o reino animal o entusiasmo já não é assim tão grande – só com leões e leopardos – mas o encanto nunca se desvanece. Foi logo neste primeiro dia que percebemos que tínhamos feito a escolha certa no que toca ao nosso guia e agência. Ao almoço, enquanto toda a gente comia sandes e frango saídos de caixas de papel, nós tínhamos uma marmita gourmet, com direito a toalha, individuais, comida quente, frutinha cortada, talheres e até vinho! Sim, que isto de andar à procura de leões nas árvores dá fome… e sede! Outro dos destaques desta viagem foi o alojamento. Muitas vezes ficámos em lugares absolutamente fantásticos com vistas maravilhosas. E foi o caso do Karatu Simba Lodge que, apesar de difícil de encontrar, está estrategicamente posicionado no meio do nada, e há poucas coisas melhores que isso. Só mesmo a piscina à tua espera depois de um dia de pó, calor e suor 😉 E foi aqui que recarregámos as baterias e nos preparámos para o dia seguinte que nos ia levar até ao coração do Serengeti.

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África começa assim que pões o pé fora do Avião. As longas e demoradas filas para o visto indicam uma noção de tempo diferente. Polay polay em swahili, ou devagar devagar em português, é lei.

50 dólares e um senhor dos serviços fronteiriços que falava português depois, estávamos oficialmente prontos para começar a nossa aventura.

Desta vez “nós” sou eu e os meus tios, que me encantam com histórias de safaris em África desde que sou pequenina. Com tantas evocações de cenários dignos de um documentário do National Geographic, mal podia esperar para que chegasse a minha vez. E tinha logo que começar em grande: na Tanzânia. 

Sim, são estes malucos. “Estávamos a fugir do leão”
Observações da minha janela indiscreta

No percurso do aeroporto até ao nosso simpático lodge, senti que iria viver esta viagem numa espécie de bolha. Dentro do nosso moderno e confortável carro com ar condicionado e vidros fumados, observava uma realidade desconfortável do outro lado.


A Tanzânia é um dos países mais pobre do mundo, o oitavo para ser mais precisa, mas no que falta ao país em recursos económicos e infra-estrutura, o seu povo compensa com bom humor e muita lata! Em termos de boa disposição têm-na em abundância.

Haja criatividade para os nomes das lojas!


A acção nas ruas e estradas desenvolve-se qual filme de Hollywood. No trânsito, as regras fazem-se consoante a pressa em chegar ao destino – quem diz que as rotundas só têm um sentido nunca esteve em África.

Já num ritmo mais vagaroso, nos mercados vendem-se todos os itens possíveis e imagináveis e os donos de cafés e restaurantes limpam incessantemente as mesas, cadeiras e chão que se enchem de poeira cada vez que um carro passa.

Lago Manyara: onde os leões sobem às árvores

A Tanzânia tem nada mais nada menos que 16 parques nacionais, todos eles com muito bicho! O Lago Manyara, na minha opinião, foi uma óptima introdução ao mundo dos safaris e tem a grande vantagem de estar num sítio lindíssimo e muito verde.

Árvore das salsichas!


Por causa da sua densa vegetação há imensos macacos e elefantes, mas o que torna este parque tão famoso é ser a casa dos leões que sobem às árvores (posteriormente ficámos a saber que no Serengeti também sobem!)

Como foi o nosso primeiro parque estava completamente fascinada com tudo. Babuínos? Uau; Búfalos? Adoro!; Águias? Nunca vi!; Elefantes? Posso adoptar um?!; Leões? É o Simba!

Claro que depois de cinco dias a observar o reino animal o entusiasmo já não é assim tão grande – só com leões e leopardos – mas o encanto nunca se desvanece.

Foi logo neste primeiro dia que percebemos que tínhamos feito a escolha certa no que toca ao nosso guia e agência. Ao almoço, enquanto toda a gente comia sandes e frango saídos de caixas de papel, nós tínhamos uma marmita gourmet, com direito a toalha, individuais, comida quente, frutinha cortada, talheres e até vinho!

Sim, que isto de andar à procura de leões nas árvores dá fome… e sede!

Outro dos destaques desta viagem foi o alojamento. Muitas vezes ficámos em lugares absolutamente fantásticos com vistas maravilhosas. E foi o caso do Karatu Simba Lodge que, apesar de difícil de encontrar, está estrategicamente posicionado no meio do nada, e há poucas coisas melhores que isso.

Só mesmo a piscina à tua espera depois de um dia de pó, calor e suor 😉

E foi aqui que recarregámos as baterias e nos preparámos para o dia seguinte que nos ia levar até ao coração do Serengeti.

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