Escócia

As mulheres audazes de Edimburgo

Para comemorar os 200 artigos do blog vou escrever um post feminista!
Pronto, já fugiram todos! Não se preocupem, prometo que também tem uma parte de viagem 😉

A primavera estava instalada em Edimburgo!

Quando estive em Lesvos, na Grécia, conheci a Sally. Escocesa, feminista e activista a Sally organiza, anualmente, o Festival das Mulheres Audazes em Edimburgo. Rapidamente nos tornámos amigas e ficou pendente o convite para ir ao festival em Fevereiro de 2019. Como seria espectável, acabei por ir; tudo o que seja cama grátis e uma desculpa para passear é um sim!

Já tinha ido a Edimburgo com os meus pais há uns anos e adorei. Acho que é daquelas cidades mesmo perfeitas para uma escapadinha de fim-de-semana. Como o festival não ia ocupar muito do meu tempo, aproveitei para rever alguns dos lugares que já conhecia e descobrir outros. Se tens Edimburgo na tua lista aqui vão algumas dicas sobre os meus cantinhos preferidos.

Dean Village: uma a aldeia no meio da cidade

A minha primeira manhã começou com uma longa caminhada até à Dean Village. Esta pequena zona com antigos moinhos de água, no centro de Edimburgo, é um oásis para aqueles que gostam de silêncio e natureza. Nas bermas do curso de água “Water of Leith” há parques, trilhos para caminhantes e um conjunto de casinhas que parecem saídas de um conto de fadas.

Foi, sem dúvida, uma agradável surpresa e o lugar que mais gostei nesta minha segunda visita a Edimburgo. Simples, mas tão bom!

As ruas e histórias de Edimburgo

Depois de um lugar sossegado e recatado estava na altura de me embrulhar no meio da cidade. Começando pelos Princess Street Gardens, comecei a subir em direcção ao Castelo só para descer novamente, pela rua mais fotografada de Edimburgo, até ao Grassmarket.

Edimburgo tem prédios e ruas maravilhosas por todos os lados, por isso não há nada melhor do que andar a pé às voltas pelo centro e encontrar os teus melhores recantos.

Se gostas de aprender mais sobre a história tenho a minha sugestão de sempre: a Free Walking Tour. Apenas um conselho, leva roupa muito quente porque esta tour é muito mais talking do que walking e quase congelei até ao tutano. A melhor parte foi conhecer um português (claro) que também andava a viajar sozinho.

A estátua de David Hume sofreu durante a noite de Sábado…

Sendo Edimburgo uma cidade rica em histórias de fantasmas, criaturas mágicas, Harry Potters e afins existem imensas tours sobre os mais diversos temas, por isso se fores um/a nerd como eu é o paraíso!

Lugar bom e barato para almoçar: Ting Thai Caravan e lugar perfeito para café e brownies quando o tempo está chocho: Thomas J Walls coffee.

O Festival das Mulheres Audazes

Por fim, a razão que me levou até Edimburgo.

A palavra feminista anda pelas horas da morte. Como é que um conceito tão simples, como o da igualdade de direitos entre homens e mulheres, ficou tão distorcido nos últimos anos?

E é exactamente por isso que iniciativas como estas são tão importantes nos dias de hoje. Mais do que uma luta pelos nossos direitos, o Festival das Mulheres Audazes é uma celebração de mulheres para mulheres. Um festival com um espírito de entreajuda e suporte no feminino como nunca vi.

Fora das portas do festival ficam os medos, dúvidas e hesitações. Dentro ficam as mulheres audazes. Mulheres que querem aprender, ensinar e partilhar. Mulheres que se atrevem a ir mais longe e a desafiar todos os “não consegues” e “não podes” que lhes foram ditos ao longo da vida. Cantar, dançar, escrever, desenhar, porque não?

Espero mesmo que este tipo de eventos continue a aparecer e que encorajem mais mulheres a sair da sua zona de conforto e a experimentar coisas que nunca tentaram antes!

Uma nota sobre uma grande artista feminista

Só participei em dois eventos do festival (um sobre viagens claro!) e outro que era um jantar de comemoração da obra de Judy Chicago chamada “ The Dinner Party”. Esta peça de arte feminista foi inspirada numa situação bem real e adorei saber a sua história. Citando a Wikipedia:

“Chicago said she got the idea for the work while attending a real dinner party in 1974. “The men at the table were all professors,” she recalled, “and the women all had doctorates but weren’t professors. The women had all the talent, and they sat there silent while the men held forth. I started thinking that women have never had a Last Supper, but they have had dinner parties.”

Nasceu então a Dinner Party, uma celebração de mulheres desde a pré-história até aos dias de hoje.

Each place setting features a table runner embroidered with the woman’s name and images or symbols relating to her accomplishments, with a napkin, utensils, a glass or goblet, and a plate. Many of the plates feature a butterfly- or flower-like sculpture as a vulva symbol. A collaborative effort of female and male artisans, The Dinner Party celebrates traditional female accomplishments such as textile arts and china painting, which have been framed as craft or domestic art, as opposed to the more culturally valued, male-dominated fine arts.”   

Resumindo, é isto!

Alfacinha germinada e cultivada num cantinho à beira mar plantado, a Inês tem uma certa inquietação que não a deixa ficar muito tempo tempo no mesmo sítio. Fez Erasmus em Paris, trabalhou em Istambul e em Portugal, fez um mestrado em Creative Advertising em Milão e agora trabalha no Reino Unido. Viajar, criatividade, cozinhar, dançar e ler são algumas das suas paixões. A combinação de algumas delas deu origem a este blog, o Mudanças Constantes. Bem-vindos!

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