Islândia Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/islandia/ Blog de viagens para inquietos e irrequietos Sun, 23 Jan 2022 12:35:24 +0000 en-GB hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://www.mudancasconstantes.com/wp-content/uploads/2018/10/cropped-Untitled-design-1-32x32.png Islândia Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/islandia/ 32 32 Uma semana de Verão na Islândia: itinerário e informações úteis https://www.mudancasconstantes.com/2019/08/09/uma-semana-islandia-itinerario/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=uma-semana-islandia-itinerario https://www.mudancasconstantes.com/2019/08/09/uma-semana-islandia-itinerario/#respond Fri, 09 Aug 2019 15:21:28 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5543 Nos últimos anos a Islândia explodiu em todo o lado. Literalmente, com o vulcão Eyjafjallajökull em 2010, que lançou o caos na Europa e a Islândia para as bocas do mundo e depois com o Game of Thrones na televisão, na internet com os blogs de viagem e, por fim, no Instagram com os “influencers”. É fácil perceber o porquê do sucesso da Islândia: na Europa já não se encontra esta natureza bruta, especialmente concentrada em tão poucos quilómetros quadrados. Com tanta maravilha junta, a única coisa que pode dissuadir alguém de visitar a Islândia são mesmo os preços. Não há muito a fazer senão começar um porquinho mealheiro chamado “Islândia” e mentalizarmo-nos que vêm aí dias de dieta forçada. Mas vai ser a dieta mais recompensadora de sempre! Se a Islândia também consta da tua lista, aqui vão as minhas dicas e roteiro para uma semana: Voos: Com a falência da WOW Air as opções de voos low-cost para a Islândia ficaram bastante mais reduzidas. Do Reino Unido os voos mais em conta são pela WizzAir. A partir de Portugal, a WizzAir também é uma das melhores opções com escala em Luton. Transporte para o centro Reykjavik: Aterrar na Islândia é aterrar no meio de um campo de lava sem nada à volta. Existem duas opções de transportes públicos até ao centro O Flybus que vai até ao centro e depois distribui as pessoas pelos hotéis. Preço ida e volta: 50€. Há entre um a dois autocarros por hora, têm wi-fi e demoram cerca de 45 minutos a chegar ao centro. https://www.re.is/tour/flybus/ Autocarro 55: É muito mais barato (6€) mas tem horários mais reduzidos e não vai até ao centro aos fins-de-semana, terias que apanhar outro autocarro. Mesmo assim é uma boa solução económica. Horários neste site: https://straeto.is/en ou no Google Maps. Deslocações na ilha: Não há dúvida que a melhor forma de ver a Islândia é de carro ou autocaravana. Para além da falta de transportes públicos, a Islândia tem aquele factor irritante de ser tão bonita que é preciso parar de 5 em 5 minutos para tirar fotografias. Se não tiveres a possibilidade de alugar o teu próprio transporte, existem imensas agências que organizam tours de um dia ou mais. No verão também há muita gente a andar à boleia. Aluguer de carro: Nós alugámos o carro com a Geysir Car Rental e correu tudo bem. O melhor é alugar um carro tipo jipe, o mais popular sendo o Dacia Duster, porque muitas estradas são de gravilha. Como fomos quase no Verão não tivemos problemas nenhum com o tempo volátil da Islândia, mas ao alugar o carro a agência dá sempre um briefing de precauções a tomar porque ventos fortes e nevões inesperados são pratos da casa. Alojamento: As autocaravanas são super populares na Islândia porque são um dois em um e permitem poupar imenso dinheiro já que o alojamento é um dos maiores rombos no orçamento. O hostel mais barato perto de Reykjavik é o Vibrant Iceland hostel (recomendo). Durante a viagem, estes foram os lugares onde ficámos: – B2 Apartments, Reykjavik – Airbnb em Búðardalur – Golden Circle Apartments – Hellishólar Cottages – Hörgsland Cottages Recomendação particular para os B2 Apartments e Golden Circle Apartments. Condições das estradas: Apesar da estrada 1, a principal estrada na Islândia, estar em boas condições, muitas estradas ainda são de gravilha e outras não estão sequer abertas durante os meses de inverno. http://www.road.is/ é o site onde podes consultar, em tempo real, a situação nas estradas na Islândia. Estações e Tempo: Com as quatro estações muito marcadas, um inverno na Islândia nunca passou, nem de perto nem de longe, pelos meus pensamentos. No verão os preços até podem aumentar, mas os dias são mais longos e as probabilidades de sol também são maiores. Nós devemos ter apanhado uma semana record de sol, fim de Maio – inicio de Junho, porque nunca apanhámos mau tempo. Setembro e Março é a melhor altura para ver auroras. Moeda e Dinheiro: É possível pagar com cartão em todo o lado. 1€ = 137.32 Icelandic Króna, Agosto 2019. Supermercados e refeições: Uma boa estratégia para poupar algum dinheiro na Islândia é levar uma mala com comida! Massa, arroz, enlatados… e comprar lá só os frescos. Nunca experimentámos sequer entrar em restaurantes. O supermercado Kronan tem uma boa padaria/pastelaria que nos safou algumas refeições. Álcool: A venda de álcool é proibida nos supermercados por isso, se quiseres comprar tens que encontrar uma Vínbúðin, uma “off-licence” que existe nas maiores localidades do país.   O que levar: No Verão posso recomendar levar uma máscara para os olhos porque os cortinados nunca funcionam a cem porcento. Para além disso, roupa e calçado impermeável caso pretendas explorar as cascatas mais a fundo. Budget: Alimentação + Gasolina + Estacionamento para três pessoas durante uma semana = 500€ Itinerário de uma semana: Dia 1: Reykjavík e arredores Dia 2: A Península de SnaefellsnesDia 3: Uma voltinha pelo NorteDia 4: Golden Circle Dia 5, 6 e 7: Sul e glaciares Guarda este mapa com alguns dos melhores lugares para visitar na Islândia: Boa viagem!

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Nos últimos anos a Islândia explodiu em todo o lado. Literalmente, com o vulcão Eyjafjallajökull em 2010, que lançou o caos na Europa e a Islândia para as bocas do mundo e depois com o Game of Thrones na televisão, na internet com os blogs de viagem e, por fim, no Instagram com os “influencers”. É fácil perceber o porquê do sucesso da Islândia: na Europa já não se encontra esta natureza bruta, especialmente concentrada em tão poucos quilómetros quadrados.

Com tanta maravilha junta, a única coisa que pode dissuadir alguém de visitar a Islândia são mesmo os preços. Não há muito a fazer senão começar um porquinho mealheiro chamado “Islândia” e mentalizarmo-nos que vêm aí dias de dieta forçada. Mas vai ser a dieta mais recompensadora de sempre!

Se a Islândia também consta da tua lista, aqui vão as minhas dicas e roteiro para uma semana:

Voos: Com a falência da WOW Air as opções de voos low-cost para a Islândia ficaram bastante mais reduzidas. Do Reino Unido os voos mais em conta são pela WizzAir. A partir de Portugal, a WizzAir também é uma das melhores opções com escala em Luton.

Transporte para o centro Reykjavik: Aterrar na Islândia é aterrar no meio de um campo de lava sem nada à volta. Existem duas opções de transportes públicos até ao centro

  1. O Flybus que vai até ao centro e depois distribui as pessoas pelos hotéis. Preço ida e volta: 50€. Há entre um a dois autocarros por hora, têm wi-fi e demoram cerca de 45 minutos a chegar ao centro. https://www.re.is/tour/flybus/
  2. Autocarro 55: É muito mais barato (6€) mas tem horários mais reduzidos e não vai até ao centro aos fins-de-semana, terias que apanhar outro autocarro. Mesmo assim é uma boa solução económica. Horários neste site: https://straeto.is/en ou no Google Maps.

Deslocações na ilha: Não há dúvida que a melhor forma de ver a Islândia é de carro ou autocaravana. Para além da falta de transportes públicos, a Islândia tem aquele factor irritante de ser tão bonita que é preciso parar de 5 em 5 minutos para tirar fotografias. Se não tiveres a possibilidade de alugar o teu próprio transporte, existem imensas agências que organizam tours de um dia ou mais. No verão também há muita gente a andar à boleia.

Aluguer de carro: Nós alugámos o carro com a Geysir Car Rental e correu tudo bem. O melhor é alugar um carro tipo jipe, o mais popular sendo o Dacia Duster, porque muitas estradas são de gravilha. Como fomos quase no Verão não tivemos problemas nenhum com o tempo volátil da Islândia, mas ao alugar o carro a agência dá sempre um briefing de precauções a tomar porque ventos fortes e nevões inesperados são pratos da casa.

Alojamento: As autocaravanas são super populares na Islândia porque são um dois em um e permitem poupar imenso dinheiro já que o alojamento é um dos maiores rombos no orçamento. O hostel mais barato perto de Reykjavik é o Vibrant Iceland hostel (recomendo).

Durante a viagem, estes foram os lugares onde ficámos:

– B2 Apartments, Reykjavik
– Airbnb em Búðardalur
– Golden Circle Apartments
– Hellishólar Cottages
– Hörgsland Cottages

Recomendação particular para os B2 Apartments e Golden Circle Apartments.

Condições das estradas: Apesar da estrada 1, a principal estrada na Islândia, estar em boas condições, muitas estradas ainda são de gravilha e outras não estão sequer abertas durante os meses de inverno. http://www.road.is/ é o site onde podes consultar, em tempo real, a situação nas estradas na Islândia.

Estações e Tempo: Com as quatro estações muito marcadas, um inverno na Islândia nunca passou, nem de perto nem de longe, pelos meus pensamentos. No verão os preços até podem aumentar, mas os dias são mais longos e as probabilidades de sol também são maiores. Nós devemos ter apanhado uma semana record de sol, fim de Maio – inicio de Junho, porque nunca apanhámos mau tempo. Setembro e Março é a melhor altura para ver auroras.

Moeda e Dinheiro: É possível pagar com cartão em todo o lado. 1€ = 137.32 Icelandic Króna, Agosto 2019.

Supermercados e refeições: Uma boa estratégia para poupar algum dinheiro na Islândia é levar uma mala com comida! Massa, arroz, enlatados… e comprar lá só os frescos. Nunca experimentámos sequer entrar em restaurantes. O supermercado Kronan tem uma boa padaria/pastelaria que nos safou algumas refeições.

Álcool: A venda de álcool é proibida nos supermercados por isso, se quiseres comprar tens que encontrar uma Vínbúðin, uma “off-licence” que existe nas maiores localidades do país.  

O que levar: No Verão posso recomendar levar uma máscara para os olhos porque os cortinados nunca funcionam a cem porcento. Para além disso, roupa e calçado impermeável caso pretendas explorar as cascatas mais a fundo.

Budget: Alimentação + Gasolina + Estacionamento para três pessoas durante uma semana = 500€

Itinerário de uma semana:

Dia 1: Reykjavík e arredores
Dia 2:
A Península de Snaefellsnes
Dia 3:
Uma voltinha pelo Norte
Dia 4:
Golden Circle
Dia 5, 6 e 7:
Sul e glaciares

Guarda este mapa com alguns dos melhores lugares para visitar na Islândia:

Boa viagem!

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10 lugares a não perder no Sul da Islândia https://www.mudancasconstantes.com/2019/07/13/islandia-sul-roadtrip/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=islandia-sul-roadtrip https://www.mudancasconstantes.com/2019/07/13/islandia-sul-roadtrip/#comments Sat, 13 Jul 2019 11:14:01 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5411 O sul da Islândia foi a região que levou a maior fatia do nosso tempo. Nesta terra de gelo e fogo abrandámos o ritmo e conseguimos explorar um bocadinho mais a fundo cada lugar, sem nos preocuparmos tanto com a quantidade de quilómetros que ainda tínhamos por fazer. Afinal, é aqui que se encontram algumas das cascatas mais icónicas da Islândia, o maior glaciar da ilha e até os destroços de um avião que por ali se estraçalhou nos anos 70. Resumindo três dias num post, aqui vão os dez lugares que não podes perder no Sul da Islândia: Lagoa Glaciar Jökulsárlón e os outros mil glaciares É em países como a Islândia que dá jeito ter pais mais audazes que nós. Para o dia de anos da minha mãe marcámos um passeio numa pequena lancha pela lagoa glaciar Jökulsárlón. O capítulo “Amarais: uma aventura no gelo” estava prestes a começar. Quando chegámos, fomos recebidos por um guia australiano, muito entusiasmado, que andava louco com o Conan Osíris. Pela primeira vez o Cristiano Ronaldo tinha sido suplantado. Vestimo-nos num estilo Explorador do Árctico e depois de um pequeno briefing de segurança voámos em direcção ao início do glaciar com um vento gelado a fazer um lifting rejuvenescedor na nossa cara. Ao alcançarmos o ponto mais perto possível, já com os motores desligados, começámos a aprender mais e mais sobre este Glaciar/Lagoa de nome impronunciável – como quase tudo na Islândia. Esta extensão de gelo faz parte do maior glaciar da Europa e a sua lagoa tem uma cor única (muito azul) porque está em contacto com a água do mar. Ao longe ouvia-se o gelo a rachar e a cair e eu só pensava “espero que não venha aí um tsunami”. Mas ainda mais bonito que o glaciar são os icebergs que flutuam pela lagoa em direcção ao mar. Para além do azul glacial deslumbrante, vimos uma foca gorducha a descansar em cima de um iceberg. Coisa mais linda! Fizemos a tour com a Ice Lagoon Adventure Tours e não podia deixar de os recomendar. A tour custa cerca de 70€ por pessoa e dura uma hora. E se pensas que este é o único glaciar para ver na zona, “tá errrraaaadooo”. Por todos os lados brotam glaciares e voltamos àquele velho dilema islandês: onde é que paramos e onde é que não paramos. Skógafoss Depois de uma semana de Islândia, tinha chegado o momento de reflectir sobre qual foi a cascata mais bonita que vimos. A decisão não foi muito difícil, porque apesar de não ser a maior ou mais feroz das cascatas, é impossível bater o cenário da Skógafoss. Areia preta, arco-íris duplos, verde musgo que trepa pelas rochas e a fantástica caminhada até ao cimo da cascata e que continua rio acima… É simplesmente imperdível. Seljalandsfoss Claro que na Islâdia, uma cascata só não chega. Têm que ser logo duas ou três de cada vez. No caso da Seljalandsfoss, que tem a particularidade de se poder caminhar por trás da água, existem mais duas cascatas vizinhas. Não te esqueças do impermeável se te quiseres aproximar já que o banho é garantido.  À semelhança de outros lugares mais turísticos na Islândia, este parque de estacionamento é pago, mas se estacionares no parque mais longe da cascata, é grátis. Höfn Höfn tem o potencial para ser a paragem mais surpreendente de toda a viagem. De forma meio inesperada, fomos lá parar porque estávamos na zona e havia um Netto (o nosso supermercado preferido). O que não sabíamos é que íamos almoçar com uma vista para três ou quatro glaciares diferentes que ocupavam uma extensão tão grande que nem cabia na máquina fotográfica! Solheimasandur Plane Wreck E para não ser tudo beleza natural aqui vão uns restos de avião para desenjoar. Em 1973, um avião da marinha dos Estados Unidos ficou sem combustível e caiu numa praia de areia negra da Islândia. Agora, é um dos lugares mais fotografados do país. A primeira vez que chegámos ao parque de estacionamento antes do caminho que te leva ao avião, estava cheio de gente e quando nos deparámos com sinais de perigo e que alertavam as pessoas para se prepararem para uma caminhada de no mínimo três horas para ir e vir decidimos que não valia a pena. O shuttle que faz o mesmo caminho é caríssimo e pareceu-nos ridículo pagar para fazer um percurso daqueles. Na volta tornámos a parar ali (desta vez mais cedo, pelas 10 da manhã) e encontrámos o estacionamento quase vazio. Ainda estávamos na dúvida, até porque as nuvens prometiam chuva, mas quando vimos pessoas a fazer a caminhada com mini crianças, achámos que estava na altura de nos fazermos fortes e ir. E foi o melhor que fizemos! Para chegar aos destroços é preciso caminhar cerca de 45 minutos (4km) e mais 45 para vir. Não sei em que ritmo de andamento é que eles se basearam para as tais “três horas”… O trilho é muito fácil, sempre em frente e passado meia hora começámos a ver o lugar onde se encontravam os restos mortais do avião. É um lugar diferente de tudo o que já vi e que podia facilmente pertencer a um filme de ficção científica. Àquela hora ainda não havia muita gente e pudemos explorar calmamente o lugar. Já li que durante as horas mais concorridas não é um lugar particularmente agradável já que toda a gente sobe para cima do avião, o que supostamente é proibido. Mesmo assim, recomendo a 100% porque onde mais é que vais poder ver algo assim? PS: toda a tripulação sobreviveu ao acidente. Dyrhólaey Viewpoint Para um país com tantas paisagens de cortar a respiração, não existem assim tantos miradouros que nos permitam ter uma vista de centenas e centenas de quilómetros. E é por isso que o Miradouro de Dyrhólaey se destaca. Do topo, de um lado está um areal negro infinito que contrasta com o azul vibrante da água do mar. Do outro lado, a praia Reynisfjara e os seus icónicos rochedos. Os guias dizem que há papagaios-do-mar (puffins) nesta zona, mas nós não vimos nenhum! Diamond Beach Um dos maiores hits islandeses no Instagram é a praia dos Diamantes. Coladinha à Lagoa Glaciar Jökulsárlón, é nesta praia que os fabulosos icebergs que tínhamos andado a ver no barco desaguam. Tal como no Geysir, aqui os adultos transformam-se em crianças e brincam com os pedaços de gelo que povoam esta praia ainda muito selvagem, que para além dos “diamantes” tem espinhas de peixes gigantes… Reynisfjara Beach Esta praia infame tem tanto de bonita como de perigosa. Apesar das rochas no mar chamarem à atenção, semelhantes às da Península de Snaefellsnes, são as colunas de basalto e as suas grutas as estrelas desta praia. Não fiando muito naquelas águas conhecidas internacionalmente pelas suas ondas furtivas e mortíferas, fiquei-me pela primeira gruta, cujo tecto é tão intrincado que parece uma obra de arte contemporânea.  As colunas mais perto da areia também formam um bom trono, quase digno de Kings Landing. Svartifoss Continuando na onda das colunas de basalto, saltamos agora para a Svartifoss. Para lá chegar há que dar às perninhas. Estacionamos o carro (onde era GRÁTIS) e começámos a subir (como tudo na Islândia, o caminho está bem indicado). Como já seria de esperar, pelo caminho há outras quedas de água, que por esta altura já não impressionam ninguém, mas são sempre prazerosas de se ver. Cerca de 30 minutos depois, quase sempre a subir, lá está ela ao longe, rodeada por floresta e colunas de basalto. Foi nesta cascata que nos deparámos com os famosos “instagrammers” e “influencers” que rumam à Islândia à procura da fotografia que dê mais likes. O problema é que não se olha a meios para atingir os likes e é a natureza que, outrora intocada, leva com os pezinhos de milhares de turistas todos os dias, apesar das placas dizerem “proibido”.   A beleza desta cascata é inegável, mas saímos todos um bocadinho desiludidos com o comportamento das pessoas que a visitavam. Foss a Sidu Esta pequena cascata pode não ser das mais impressionantes, mas estava tão perto do nosso alojamento no último dia que não a podíamos deixar escapar. É nestes lugares mais recônditos que se encontra a verdadeira essência da Islândia: teres maravilhas da natureza só para ti. Neste caso, para ti e para pessoas que gostam de tirar fotos nuas… Bónus: Nauthúsagil Este foi um dos lugares que descobrimos por acaso. Quando já não tínhamos muito mais para explorar na zona, metemo-nos por uma “estrada” que vai dar ao desfiladeiro Fimmvörduháls, mas depois de 10 minutos percebemos que sem um jipe a sério não íamos chegar a lado nenhum. Ao voltar para trás vimos um pequeno parque de estacionamento que nos pareceu o lugar ideal para um pic-nic! Viemos depois a descobrir que se nos aventurássemos pelas fendas das rochas iríamos encontrar uma… cascata! Não te esqueças das galochas e do impermeável. As vistas a partir do topo da colina também são maravilhosas. E assim acabou a nossa viagem pela Islândia, um país que nos surpreende a cada curva e ao qual adorava poder voltar para explorar os cantinhos mais escondidos!

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O sul da Islândia foi a região que levou a maior fatia do nosso tempo. Nesta terra de gelo e fogo abrandámos o ritmo e conseguimos explorar um bocadinho mais a fundo cada lugar, sem nos preocuparmos tanto com a quantidade de quilómetros que ainda tínhamos por fazer.

Afinal, é aqui que se encontram algumas das cascatas mais icónicas da Islândia, o maior glaciar da ilha e até os destroços de um avião que por ali se estraçalhou nos anos 70.

Resumindo três dias num post, aqui vão os dez lugares que não podes perder no Sul da Islândia:

Lagoa Glaciar Jökulsárlón e os outros mil glaciares

É em países como a Islândia que dá jeito ter pais mais audazes que nós. Para o dia de anos da minha mãe marcámos um passeio numa pequena lancha pela lagoa glaciar Jökulsárlón. O capítulo “Amarais: uma aventura no gelo” estava prestes a começar.

Quando chegámos, fomos recebidos por um guia australiano, muito entusiasmado, que andava louco com o Conan Osíris. Pela primeira vez o Cristiano Ronaldo tinha sido suplantado.

Vestimo-nos num estilo Explorador do Árctico e depois de um pequeno briefing de segurança voámos em direcção ao início do glaciar com um vento gelado a fazer um lifting rejuvenescedor na nossa cara.

Ao alcançarmos o ponto mais perto possível, já com os motores desligados, começámos a aprender mais e mais sobre este Glaciar/Lagoa de nome impronunciável – como quase tudo na Islândia. Esta extensão de gelo faz parte do maior glaciar da Europa e a sua lagoa tem uma cor única (muito azul) porque está em contacto com a água do mar.

Ao longe ouvia-se o gelo a rachar e a cair e eu só pensava “espero que não venha aí um tsunami”. Mas ainda mais bonito que o glaciar são os icebergs que flutuam pela lagoa em direcção ao mar. Para além do azul glacial deslumbrante, vimos uma foca gorducha a descansar em cima de um iceberg. Coisa mais linda!

Fizemos a tour com a Ice Lagoon Adventure Tours e não podia deixar de os recomendar. A tour custa cerca de 70€ por pessoa e dura uma hora.

E se pensas que este é o único glaciar para ver na zona, “tá errrraaaadooo”. Por todos os lados brotam glaciares e voltamos àquele velho dilema islandês: onde é que paramos e onde é que não paramos.

Skógafoss

Depois de uma semana de Islândia, tinha chegado o momento de reflectir sobre qual foi a cascata mais bonita que vimos. A decisão não foi muito difícil, porque apesar de não ser a maior ou mais feroz das cascatas, é impossível bater o cenário da Skógafoss.

Areia preta, arco-íris duplos, verde musgo que trepa pelas rochas e a fantástica caminhada até ao cimo da cascata e que continua rio acima… É simplesmente imperdível.

Seljalandsfoss

Claro que na Islâdia, uma cascata só não chega. Têm que ser logo duas ou três de cada vez. No caso da Seljalandsfoss, que tem a particularidade de se poder caminhar por trás da água, existem mais duas cascatas vizinhas. Não te esqueças do impermeável se te quiseres aproximar já que o banho é garantido.

 À semelhança de outros lugares mais turísticos na Islândia, este parque de estacionamento é pago, mas se estacionares no parque mais longe da cascata, é grátis.

Höfn

Höfn tem o potencial para ser a paragem mais surpreendente de toda a viagem. De forma meio inesperada, fomos lá parar porque estávamos na zona e havia um Netto (o nosso supermercado preferido). O que não sabíamos é que íamos almoçar com uma vista para três ou quatro glaciares diferentes que ocupavam uma extensão tão grande que nem cabia na máquina fotográfica!

Solheimasandur Plane Wreck

E para não ser tudo beleza natural aqui vão uns restos de avião para desenjoar. Em 1973, um avião da marinha dos Estados Unidos ficou sem combustível e caiu numa praia de areia negra da Islândia. Agora, é um dos lugares mais fotografados do país.

A primeira vez que chegámos ao parque de estacionamento antes do caminho que te leva ao avião, estava cheio de gente e quando nos deparámos com sinais de perigo e que alertavam as pessoas para se prepararem para uma caminhada de no mínimo três horas para ir e vir decidimos que não valia a pena. O shuttle que faz o mesmo caminho é caríssimo e pareceu-nos ridículo pagar para fazer um percurso daqueles.

Na volta tornámos a parar ali (desta vez mais cedo, pelas 10 da manhã) e encontrámos o estacionamento quase vazio. Ainda estávamos na dúvida, até porque as nuvens prometiam chuva, mas quando vimos pessoas a fazer a caminhada com mini crianças, achámos que estava na altura de nos fazermos fortes e ir. E foi o melhor que fizemos!

Para chegar aos destroços é preciso caminhar cerca de 45 minutos (4km) e mais 45 para vir. Não sei em que ritmo de andamento é que eles se basearam para as tais “três horas”… O trilho é muito fácil, sempre em frente e passado meia hora começámos a ver o lugar onde se encontravam os restos mortais do avião.

É um lugar diferente de tudo o que já vi e que podia facilmente pertencer a um filme de ficção científica. Àquela hora ainda não havia muita gente e pudemos explorar calmamente o lugar. Já li que durante as horas mais concorridas não é um lugar particularmente agradável já que toda a gente sobe para cima do avião, o que supostamente é proibido.

Mesmo assim, recomendo a 100% porque onde mais é que vais poder ver algo assim?

PS: toda a tripulação sobreviveu ao acidente.

Dyrhólaey Viewpoint

Para um país com tantas paisagens de cortar a respiração, não existem assim tantos miradouros que nos permitam ter uma vista de centenas e centenas de quilómetros. E é por isso que o Miradouro de Dyrhólaey se destaca. Do topo, de um lado está um areal negro infinito que contrasta com o azul vibrante da água do mar. Do outro lado, a praia Reynisfjara e os seus icónicos rochedos.

Os guias dizem que há papagaios-do-mar (puffins) nesta zona, mas nós não vimos nenhum!

Diamond Beach

Um dos maiores hits islandeses no Instagram é a praia dos Diamantes. Coladinha à Lagoa Glaciar Jökulsárlón, é nesta praia que os fabulosos icebergs que tínhamos andado a ver no barco desaguam.

Tal como no Geysir, aqui os adultos transformam-se em crianças e brincam com os pedaços de gelo que povoam esta praia ainda muito selvagem, que para além dos “diamantes” tem espinhas de peixes gigantes…

Reynisfjara Beach

Esta praia infame tem tanto de bonita como de perigosa. Apesar das rochas no mar chamarem à atenção, semelhantes às da Península de Snaefellsnes, são as colunas de basalto e as suas grutas as estrelas desta praia.

Não fiando muito naquelas águas conhecidas internacionalmente pelas suas ondas furtivas e mortíferas, fiquei-me pela primeira gruta, cujo tecto é tão intrincado que parece uma obra de arte contemporânea.  As colunas mais perto da areia também formam um bom trono, quase digno de Kings Landing.

Svartifoss

Continuando na onda das colunas de basalto, saltamos agora para a Svartifoss. Para lá chegar há que dar às perninhas. Estacionamos o carro (onde era GRÁTIS) e começámos a subir (como tudo na Islândia, o caminho está bem indicado).

Como já seria de esperar, pelo caminho há outras quedas de água, que por esta altura já não impressionam ninguém, mas são sempre prazerosas de se ver. Cerca de 30 minutos depois, quase sempre a subir, lá está ela ao longe, rodeada por floresta e colunas de basalto.

Foi nesta cascata que nos deparámos com os famosos “instagrammers” e “influencers” que rumam à Islândia à procura da fotografia que dê mais likes. O problema é que não se olha a meios para atingir os likes e é a natureza que, outrora intocada, leva com os pezinhos de milhares de turistas todos os dias, apesar das placas dizerem “proibido”.  

A beleza desta cascata é inegável, mas saímos todos um bocadinho desiludidos com o comportamento das pessoas que a visitavam.

Foss a Sidu

Esta pequena cascata pode não ser das mais impressionantes, mas estava tão perto do nosso alojamento no último dia que não a podíamos deixar escapar.

É nestes lugares mais recônditos que se encontra a verdadeira essência da Islândia: teres maravilhas da natureza só para ti. Neste caso, para ti e para pessoas que gostam de tirar fotos nuas…

Bónus: Nauthúsagil

Este foi um dos lugares que descobrimos por acaso. Quando já não tínhamos muito mais para explorar na zona, metemo-nos por uma “estrada” que vai dar ao desfiladeiro Fimmvörduháls, mas depois de 10 minutos percebemos que sem um jipe a sério não íamos chegar a lado nenhum.

Ao voltar para trás vimos um pequeno parque de estacionamento que nos pareceu o lugar ideal para um pic-nic! Viemos depois a descobrir que se nos aventurássemos pelas fendas das rochas iríamos encontrar uma… cascata! Não te esqueças das galochas e do impermeável.

As vistas a partir do topo da colina também são maravilhosas.

E assim acabou a nossa viagem pela Islândia, um país que nos surpreende a cada curva e ao qual adorava poder voltar para explorar os cantinhos mais escondidos!

The post 10 lugares a não perder no Sul da Islândia appeared first on Mudanças Constantes.

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O reluzente Golden Circle https://www.mudancasconstantes.com/2019/06/28/islandia-golden-circle/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=islandia-golden-circle https://www.mudancasconstantes.com/2019/06/28/islandia-golden-circle/#comments Fri, 28 Jun 2019 19:18:20 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5371 Até então tínhamos visto a Islândia das estradas desertas, cavalos selvagens e parques de estacionamento meio vazios. Ao dia três tudo estava prestes a mudar porque íamos visitar o “Golden Circle”. A poucos quilómetros de Reykjavík, este “círculo” está mesmo à mão e combina três das mais conhecidas atracções da Islândia que são completamente diferentes entre si: o Þingvellir National Park, o Geysir e a Gullfoss. Um pouco a medo, pois os charters de chineses do Golden Circle são lendários, seguimos em direcção ao Þingvellir National Park. Para nossa surpresa, e desilusão dos que apregoam o apocalipse turístico na Islândia, não foi assim tão mau! Em toda a Islândia só enfrentámos bichas para a casa de banho das mulheres… Ah, e este Círculo Dourado é-lo por uma razão: aqui, tudo o que reluz, é mesmo ouro. Þingvellir National Park: a alma da Islândia Sempre me perguntei por que é que este parque nacional era um marco na Islândia. Pelas fotografias parecia-me pouco mais do que um aglomerado de pedras cinzentonas e sem graça… mas é exactamente o oposto. É um fenómeno geológico, histórico e político com muito mais para contar do que aquilo que possamos pensar. Há mais de um milhar de anos, foi aqui que surgiu um dos primeiros conceitos de parlamento. Chefes de todos clãs islandeses reunir-se-iam anualmente neste parque, a partir de 930 AD, para discutir, julgar criminosos e fazer o belo do networking. Nesta altura, estes chefes provavelmente ainda não sabiam que a sua sala de reuniões era o único lugar do mundo onde a fenda das placas tectónicas está acima do nível das águas do mar e, consequentemente, o único lugar onde nós podemos andar entre elas. De um lado temos a placa América do Norte e do outro a placa Eurasia, que todos anos acolhem centenas de milhares de visitantes que rezam para que elas não se decidam voltar a juntar naquele momento. Como se tudo isto não bastasse, o parque é muito mais “do que umas rochas”. Tem cascatas, igrejas, lagos e uma das águas mais cristalinas do mundo onde podes fazer snorkeling ou mergulho (à fantástica temperatura de 4 graus em dias bons) na ravina de Silfra com uma visibilidade até 100 metros. Pela sua relevância histórica, o parque Þingvellir é o único “monumento” na Islândia listado como Património da UNESCO. Geysir (Strokkur): a explosão dos 15 minutos  A magia de vermos algo pela primeira vez é inexplicável, e acho que essa a razão pela qual este geysir é tão popular. À sua volta, dezenas de adultos reúnem-se com um brilho nos olhos como uma criança que espera pelo Pai Natal. As máquinas fotográficas estão todas a postos e o geysir vai brincando com as nossas expectativas num “vai não vai” até que vai mesmo e se ouve um “aaaaaah” conjunto. O Geysir “explode” com bastante frequência sendo que algumas explosões são mais potentes que outras. Nós reparámos que mais ou menos de 15 em 15 minutos há uma grande (até  40 metros) intercalada por outras menos espampanantes. Este complexo geotermal vai além do geysir, com piscinas termais de um azul garrido fascinante e uma caminhada a pique que já não nos apeteceu fazer! Gullfoss: a toda poderosa Já tínhamos visto o potencial da força das cascatas da Islândia na Godafoss, mas a Gullfoss tem outro nível. A água, vinda dos glaciares Langjökull, corre com uma força tal que os seus salpicos quase nos dão um banho. Ao mesmo tempo, quando o sol bate, há arco-íris que se formam no ar. De baixo, de cima ou de lado, todas as perspectivas são magníficas e não podia haver melhor forma de fechar este círculo. O passeio da noite sem noite Se há tradição na nossa família é o “passeiozinho a seguir ao jantar”. Nos dois dias anteriores, este passeio foi facilmente ignorado, já que os ventos cortantes a 2 graus nos davam uma desculpa para ficar no quentinho do nosso apartamento. Mas desta vez estávamos em Laugarvatn, um lago com piscinas geotermais rodeado por encostas que nos protegiam do vento. Estava na hora do passeio! Em Laugarvatan tudo é calma e tranquilidade, nada mexe e nada se ouve. À beira do lago, nuvens de fumo e um cheiro a enxofre anunciam que, por baixo dos nossos pés, a terra respira e se escavarmos a superfície arenosa com um colher, rapidamente percebemos que nos podemos tornar num cozido se não tivermos cuidado. E a Islândia é muito isto: uma superfície de paisagens arrebatadoras, muitas vezes só para ti e um interior em ebulição que sabe-se lá quando é que vai rebentar! Dicas rápidas Alojamento: Os Golden Circle Apartments em Laugarvatn são fantásticos, com óptimas condições para cozinhar e numa localização espectacular para quem visita o Golden Circle. Estacionamento Þingvellir: Havia uma fila desnecessariamente grande para pagar o parque de estacionamento, porque ninguém percebeu que havia mais do que uma caixa para pagar. Claro que sendo portugueses, nós percebemos logo e despachamo-nos num instantinho. Para pagar precisas de cartão (não há cá dinheiro para ninguém) e da matrícula do carro. Custa cerca de 5€. Evitar as massas: O Golden Circle é a região mais visitada da Islândia o que significa que há montes de autocarros a chegar a sair a toda a hora. Quando chegámos ao Þingvellir, que costuma ser a primeira paragem do círculo (pelas 11 da manhã) estava cheio. Quando saímos (à uma da tarde) estava vazio. E a partir daí nunca apanhámos grandes enchentes porque já estávamos atrasados relativamente às horas das tours. Ou seja, o meu conselho é: ou fazer a rota ao contrário ou começar mais tarde de forma a não colidir com a maioria das pessoas.

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Até então tínhamos visto a Islândia das estradas desertas, cavalos selvagens e parques de estacionamento meio vazios. Ao dia três tudo estava prestes a mudar porque íamos visitar o “Golden Circle”.

A poucos quilómetros de Reykjavík, este “círculo” está mesmo à mão e combina três das mais conhecidas atracções da Islândia que são completamente diferentes entre si: o Þingvellir National Park, o Geysir e a Gullfoss.

Um pouco a medo, pois os charters de chineses do Golden Circle são lendários, seguimos em direcção ao Þingvellir National Park. Para nossa surpresa, e desilusão dos que apregoam o apocalipse turístico na Islândia, não foi assim tão mau! Em toda a Islândia só enfrentámos bichas para a casa de banho das mulheres…

Ah, e este Círculo Dourado é-lo por uma razão: aqui, tudo o que reluz, é mesmo ouro.

Þingvellir National Park: a alma da Islândia

Sempre me perguntei por que é que este parque nacional era um marco na Islândia. Pelas fotografias parecia-me pouco mais do que um aglomerado de pedras cinzentonas e sem graça… mas é exactamente o oposto. É um fenómeno geológico, histórico e político com muito mais para contar do que aquilo que possamos pensar.

Há mais de um milhar de anos, foi aqui que surgiu um dos primeiros conceitos de parlamento. Chefes de todos clãs islandeses reunir-se-iam anualmente neste parque, a partir de 930 AD, para discutir, julgar criminosos e fazer o belo do networking.

Nesta altura, estes chefes provavelmente ainda não sabiam que a sua sala de reuniões era o único lugar do mundo onde a fenda das placas tectónicas está acima do nível das águas do mar e, consequentemente, o único lugar onde nós podemos andar entre elas.

De um lado temos a placa América do Norte e do outro a placa Eurasia, que todos anos acolhem centenas de milhares de visitantes que rezam para que elas não se decidam voltar a juntar naquele momento.

Como se tudo isto não bastasse, o parque é muito mais “do que umas rochas”. Tem cascatas, igrejas, lagos e uma das águas mais cristalinas do mundo onde podes fazer snorkeling ou mergulho (à fantástica temperatura de 4 graus em dias bons) na ravina de Silfra com uma visibilidade até 100 metros.

Pela sua relevância histórica, o parque Þingvellir é o único “monumento” na Islândia listado como Património da UNESCO.

Geysir (Strokkur): a explosão dos 15 minutos 

A magia de vermos algo pela primeira vez é inexplicável, e acho que essa a razão pela qual este geysir é tão popular. À sua volta, dezenas de adultos reúnem-se com um brilho nos olhos como uma criança que espera pelo Pai Natal.

As máquinas fotográficas estão todas a postos e o geysir vai brincando com as nossas expectativas num “vai não vai” até que vai mesmo e se ouve um “aaaaaah” conjunto.

O Geysir “explode” com bastante frequência sendo que algumas explosões são mais potentes que outras. Nós reparámos que mais ou menos de 15 em 15 minutos há uma grande (até  40 metros) intercalada por outras menos espampanantes.

Este complexo geotermal vai além do geysir, com piscinas termais de um azul garrido fascinante e uma caminhada a pique que já não nos apeteceu fazer!

Gullfoss: a toda poderosa

Já tínhamos visto o potencial da força das cascatas da Islândia na Godafoss, mas a Gullfoss tem outro nível. A água, vinda dos glaciares Langjökull, corre com uma força tal que os seus salpicos quase nos dão um banho. Ao mesmo tempo, quando o sol bate, há arco-íris que se formam no ar.

De baixo, de cima ou de lado, todas as perspectivas são magníficas e não podia haver melhor forma de fechar este círculo.

O passeio da noite sem noite

Se há tradição na nossa família é o “passeiozinho a seguir ao jantar”. Nos dois dias anteriores, este passeio foi facilmente ignorado, já que os ventos cortantes a 2 graus nos davam uma desculpa para ficar no quentinho do nosso apartamento. Mas desta vez estávamos em Laugarvatn, um lago com piscinas geotermais rodeado por encostas que nos protegiam do vento. Estava na hora do passeio!

Em Laugarvatan tudo é calma e tranquilidade, nada mexe e nada se ouve. À beira do lago, nuvens de fumo e um cheiro a enxofre anunciam que, por baixo dos nossos pés, a terra respira e se escavarmos a superfície arenosa com um colher, rapidamente percebemos que nos podemos tornar num cozido se não tivermos cuidado.

E a Islândia é muito isto: uma superfície de paisagens arrebatadoras, muitas vezes só para ti e um interior em ebulição que sabe-se lá quando é que vai rebentar!

Dicas rápidas

Alojamento: Os Golden Circle Apartments em Laugarvatn são fantásticos, com óptimas condições para cozinhar e numa localização espectacular para quem visita o Golden Circle.

Estacionamento Þingvellir: Havia uma fila desnecessariamente grande para pagar o parque de estacionamento, porque ninguém percebeu que havia mais do que uma caixa para pagar. Claro que sendo portugueses, nós percebemos logo e despachamo-nos num instantinho. Para pagar precisas de cartão (não há cá dinheiro para ninguém) e da matrícula do carro. Custa cerca de 5€.

Evitar as massas: O Golden Circle é a região mais visitada da Islândia o que significa que há montes de autocarros a chegar a sair a toda a hora. Quando chegámos ao Þingvellir, que costuma ser a primeira paragem do círculo (pelas 11 da manhã) estava cheio. Quando saímos (à uma da tarde) estava vazio. E a partir daí nunca apanhámos grandes enchentes porque já estávamos atrasados relativamente às horas das tours. Ou seja, o meu conselho é: ou fazer a rota ao contrário ou começar mais tarde de forma a não colidir com a maioria das pessoas.

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Entre os Westfjords e o Norte, ganhou o Norte https://www.mudancasconstantes.com/2019/06/20/islandia-norte-roadtrip/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=islandia-norte-roadtrip https://www.mudancasconstantes.com/2019/06/20/islandia-norte-roadtrip/#respond Thu, 20 Jun 2019 19:46:47 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5353 Às vezes os nossos planos de viagem levam uma reviravolta e, quase sempre, para melhor. No nosso caso, tínhamos em mente que iriamos passar um dia a passear pelos Westfjords até chegarmos ao lugar onde se vêem papagaios-do-mar (puffins) no seu habitat natural. Problema? Eram quase quatro horas a conduzir sem paragens, só para lá chegar, o que significava mais de oitos horas de condução no mínimo. Oito horas para ver uns passarocos que nem sabemos se lá estão! Parecia demasiado esforço para o retorno. A outra opção, que nos surgiu no dia anterior ao olhar para o mapa, seria fazer parte do norte da Islândia, até à Godafoss, a cascata dos Deuses. Pelo caminho, pararíamos pelos lugares que nos apetecesse. O tempo ao volante não seria muito diferente, mas ao menos tínhamos mais garantias que ia valer a pena. No norteda Islândia nada me surpreendeu mais do que a beleza (e o vazio) das estradas. Nem é preciso quase sair do carro para ver lugares de cortar a respiração! E os cavalos… tantos cavalos! Pelo caminho, foi isto que vimos: Kolugljúfur Canyon Cheguei a este desfiladeiro a queixar-me que estava demasiado sol para tirar fotografias decentes. Depois de me deixar destas choraminguisses ridículas, fomos explorar o desfiladeiro com uma pequena caminhada. A melhor memória que tenho deste lugar quase desconhecido é a cor a água, que nalgumas partes é quase verde, algo que é muito fora do comum na Islândia! Glaumbær Continuando na onda do “pouco comum”, aqui vai uma paragem cultural! Como já ficou bem claro, 99% do que há para ver na Islândia é natureza e é por isso que Glaumbær é uma paragem tão atractiva e diferente. Glaumbær é uma quinta com casinhas tradicionais que mais parecem ser o lar de gnomos do que humanos. Os telhados de relva são o que as torna tão adoráveis e com uma história que remonta aos anos 800 este é um lugar a não perder na Islândia. Akureyri Akureyri é uma das maiores cidades da Islândia o que quer dizer que tem semáforos, uma rua principal e dois ou três supermercados. Também é o lugar mais perigoso de toda a Islândia. Esquece os vulcões e os glaciares, em Akureyri podes morrer num acidente de automóvel a qualquer momento já que todos os condutores parecem ser loucos! Esta “cidade” fez-me lembrar um bocadinho Queenstown na Nova Zelândia, que também está rodeada de montanhas lindíssimas e um lago (neste caso um fiorde) que vai até ao mar. Goðafoss O nosso objectivo do dia estava cumprido: tínhamos chegado à magnífica Godafoss. Até então não tínhamos visto uma cascata “a sério” na Islândia. Por “a sério” entenda-se uma quantidade de água a passar à nossa beira com um poder avassalador. Aqui, a água já não era verde, era de uma azul glaciar parecido ao dos olhos do “Night King” da Guerra dos Tronos. Com 5 ou 6 camadas de roupa em cima, aproximamo-nos o mais que podíamos dá água e por ali ficámos a admirar aquela força da natureza. Infelizmente estava na altura de começar o regresso até ao nosso Airbnb quentinho em Búðardalur. Claro que também na volta fomos parando para a fotografia ocasional, é impossível não o fazer! É TUDO TÃO LINDO! PS: se tiveres tempo, pára em Hvitserkur

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Às vezes os nossos planos de viagem levam uma reviravolta e, quase sempre, para melhor. No nosso caso, tínhamos em mente que iriamos passar um dia a passear pelos Westfjords até chegarmos ao lugar onde se vêem papagaios-do-mar (puffins) no seu habitat natural. Problema? Eram quase quatro horas a conduzir sem paragens, só para lá chegar, o que significava mais de oitos horas de condução no mínimo. Oito horas para ver uns passarocos que nem sabemos se lá estão! Parecia demasiado esforço para o retorno.

A outra opção, que nos surgiu no dia anterior ao olhar para o mapa, seria fazer parte do norte da Islândia, até à Godafoss, a cascata dos Deuses. Pelo caminho, pararíamos pelos lugares que nos apetecesse. O tempo ao volante não seria muito diferente, mas ao menos tínhamos mais garantias que ia valer a pena.

No norteda Islândia nada me surpreendeu mais do que a beleza (e o vazio) das estradas. Nem é preciso quase sair do carro para ver lugares de cortar a respiração! E os cavalos… tantos cavalos!

Pelo caminho, foi isto que vimos:

Kolugljúfur Canyon

Cheguei a este desfiladeiro a queixar-me que estava demasiado sol para tirar fotografias decentes. Depois de me deixar destas choraminguisses ridículas, fomos explorar o desfiladeiro com uma pequena caminhada.

A melhor memória que tenho deste lugar quase desconhecido é a cor a água, que nalgumas partes é quase verde, algo que é muito fora do comum na Islândia!

Glaumbær

Continuando na onda do “pouco comum”, aqui vai uma paragem cultural! Como já ficou bem claro, 99% do que há para ver na Islândia é natureza e é por isso que Glaumbær é uma paragem tão atractiva e diferente.

Glaumbær é uma quinta com casinhas tradicionais que mais parecem ser o lar de gnomos do que humanos. Os telhados de relva são o que as torna tão adoráveis e com uma história que remonta aos anos 800 este é um lugar a não perder na Islândia.

Akureyri

Akureyri é uma das maiores cidades da Islândia o que quer dizer que tem semáforos, uma rua principal e dois ou três supermercados. Também é o lugar mais perigoso de toda a Islândia. Esquece os vulcões e os glaciares, em Akureyri podes morrer num acidente de automóvel a qualquer momento já que todos os condutores parecem ser loucos!

Esta “cidade” fez-me lembrar um bocadinho Queenstown na Nova Zelândia, que também está rodeada de montanhas lindíssimas e um lago (neste caso um fiorde) que vai até ao mar.

Goðafoss

O nosso objectivo do dia estava cumprido: tínhamos chegado à magnífica Godafoss. Até então não tínhamos visto uma cascata “a sério” na Islândia. Por “a sério” entenda-se uma quantidade de água a passar à nossa beira com um poder avassalador.

Aqui, a água já não era verde, era de uma azul glaciar parecido ao dos olhos do “Night King” da Guerra dos Tronos. Com 5 ou 6 camadas de roupa em cima, aproximamo-nos o mais que podíamos dá água e por ali ficámos a admirar aquela força da natureza.

Infelizmente estava na altura de começar o regresso até ao nosso Airbnb quentinho em Búðardalur. Claro que também na volta fomos parando para a fotografia ocasional, é impossível não o fazer! É TUDO TÃO LINDO!

PS: se tiveres tempo, pára em Hvitserkur

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A Península de Snaefellsnes: uma Islândia dos pequenitos https://www.mudancasconstantes.com/2019/06/15/peninsula-snaefellsnes-islandia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=peninsula-snaefellsnes-islandia https://www.mudancasconstantes.com/2019/06/15/peninsula-snaefellsnes-islandia/#comments Sat, 15 Jun 2019 14:00:40 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5325 Sete dias na Islândia não é muito tempo, mas no Verão a noite nunca chega e os dias de viagem acabam por se prolongar sem darmos por isso. Logo no nosso primeiro dia de estrada fizemos 12 horas! O Google esquece-se que na Islândia, de cinco em cinco quilómetros, há um lugar em que “temos mesmo que parar”… Fazendo o primeiro troço da Ring Road, a Estrada Número 1 que dá a volta à ilha toda, chegámos ao nosso primeiro destino da viagem: a Península de Snaefellsnes. Este bocadinho de terra aparentemente insignificante engana bem! Apesar das distâncias não serem particularmente grandes, há tanta coisa para ver que não fizemos mais nada o dia inteiro para além desta península. Ela é vulcões, focas, igrejas fofas e cascatas icónicas. Uma pequena amostra bem concentrada de tudo o que a Islândia tem para dar. 1# Paragem: Gerðuberg Cliffs Logo no início da península estão estas colunas de basalto hexagonais, feitas com uma precisão de engenheiro, sendo que neste caso os empreiteiros foram a lava e o mar. Existem vários caminhos para subir até ao topo destas colunas que têm uma vista fantástica sobre as praias e montanhas. 2# Paragem: Ytri Tunga Seal Beach A paragem mais fofa da nossa roadtrip. Depois de uma pequena caminhada pela praia encontrámos nas rochas uma colónia de focas que disfrutavam do sol de forma pachorrenta. É tão giro vê-las ali a brincar em família! 3# Paragem: Rauðfeldsgjá Gorge Apesar de ter planeado a maioria das nossas paragens na Islândia às vezes há lugares lindos que surgem inesperadamente. É fácil identificar os pontos turísticos: têm sempre um parque de estacionamento cheio que carros lá perto. Foi o caso deste desfiladeiro, que parece saído de um documentário do National Geographic, onde as gaivotas têm os seus ninhos e voam por ali em círculos num ambiente absolutamente selvagem. Há uma passagem que te leva para dentro do desfiladeiro (onde supostamente há uma queda de água) mas só é acessível se tiveres roupa e sapatos impermeáveis. Com ou sem cascata é uma paragem obrigatória. 4# Paragem: Arnarstapi Quando a fome aperta há sempre desculpa para mais uma paragem. Com uma marmita de luxo trazida de Portugal, incluindo a bela da sandes de bacalhau à Brás, cerejas e bolinhos caseiros piquenicámos no carro abrigados do vento gelado. Para além de uma boa paragem para almoço, em Arnarstapi também há uma caminhada de 6 km pelos rochedos até Hellnar. Nós só fizemos uma pequena parte por falta de tempo, mas esta vila, que outrora foi um importante porto de comércio, tem alguns dos rochedos mas bonitos do país. 5# Paragem: Lóndrangar Cliffs e Djúpalónssandur Black Beach Seguiram-se duas praias de areia negra onde a natureza nos continua a surpreender com as suas capacidades artísticas. Nas falésias de Lóndrangar, sobressai no meio do mar uma estrutura de conto de fadas, com 75 metros que se vê a quilómetros de distância. Logo a seguir está a praia de Djúpalónssandur, com pedras gigantescas que eram usadas para testar a força dos pescadores e os “restos mortais” de uma traineira inglesa que naufragou naquela costa em 1948.  6# Paragem: Saxholar Crater Com tanta paragem já estávamos a ver a nossa a vida a andar para trás e a pensar que nunca chegaríamos ao nosso destino. Num esforço para cortar paragens, pensei que a cratera Saxholar podia ser evitada, mas assim que nos começamos a aproximar dela, vimos logo que estava na hora de mais uma paragem. Esta cratera de vulcão, que entrou em erupção há cerca de 3000 anos, dá-nos muito em troca de pouco. Numa paisagem maioritariamente plana, do topo da cratera dá para ver tudo, e tudo é bonito. E são só 5 minutos a subir! 7# Paragem: Ingjaldshólskirkja Para além da catastrófica igreja de Reykjvík, a maioria das igrejas islandesas são muito adoráveis e pitorescas. Esta igreja em particular é o postal islandês perfeito. 8# Paragem: Svödufoss Se há escolhas a fazer na Islândia é se “esta cascata vale a pena”. Há tantas, de tantos tamanhos, formas e feitios que se fossemos parar em todas nem um ano chegava. Mas esta em particular está tão bem enquadrada que se tornou numa das minhas paisagens islandesas preferidas. Ao fim da tarde já as nuvens tinham destapado o topo do glaciar e, num campo amarelo-torrado, lá está ela a pousar para as fotos. 9# Paragem: Kirkjufellsfoss Tínhamos finalmente chegado ao ponto mais famoso desta península: a cascata Kirkjufellsfoss. Quando se Googla “Islândia” (não Iceland, porque no Reino Unido é uma loja de congelados…) esta é uma das primeiras imagens que aparece. Pelos vistos é a cascata mais fotografada da Islândia. E não é que é tudo mentira? A cascata em si é minúscula (para padrões islandeses) e nunca seria minimamente conhecida se não fosse a perspectiva super fotogénica com a montanha Kirkjufell por trás. Senti-me algo aldrabada pelas milhares de fotos que já tinha visto no Instagram desta cascata que prometia ser a mais bonita da Islândia, mas de forma a perpetuar esta embuste, aqui vão as minhas também: E assim foi a nossa tour pela Península que tem tudo num pequeno pedacinho de terra. Às 9 da noite, já estoirados, alcançámos finalmente o nosso Airbnb quentinho e procedemos a deliciarmo-nos com um Arroz de Pato gourmet. É este o truque da Islândia, uma quantidade significativa de Tupperwares com delícias caseiras para nos aconchegar depois de um longo dia de passeio.

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Sete dias na Islândia não é muito tempo, mas no Verão a noite nunca chega e os dias de viagem acabam por se prolongar sem darmos por isso. Logo no nosso primeiro dia de estrada fizemos 12 horas! O Google esquece-se que na Islândia, de cinco em cinco quilómetros, há um lugar em que “temos mesmo que parar”…

Fazendo o primeiro troço da Ring Road, a Estrada Número 1 que dá a volta à ilha toda, chegámos ao nosso primeiro destino da viagem: a Península de Snaefellsnes.

Este bocadinho de terra aparentemente insignificante engana bem! Apesar das distâncias não serem particularmente grandes, há tanta coisa para ver que não fizemos mais nada o dia inteiro para além desta península. Ela é vulcões, focas, igrejas fofas e cascatas icónicas. Uma pequena amostra bem concentrada de tudo o que a Islândia tem para dar.

1# Paragem: Gerðuberg Cliffs

Logo no início da península estão estas colunas de basalto hexagonais, feitas com uma precisão de engenheiro, sendo que neste caso os empreiteiros foram a lava e o mar. Existem vários caminhos para subir até ao topo destas colunas que têm uma vista fantástica sobre as praias e montanhas.

2# Paragem: Ytri Tunga Seal Beach

A paragem mais fofa da nossa roadtrip. Depois de uma pequena caminhada pela praia encontrámos nas rochas uma colónia de focas que disfrutavam do sol de forma pachorrenta. É tão giro vê-las ali a brincar em família!

3# Paragem: Rauðfeldsgjá Gorge

Apesar de ter planeado a maioria das nossas paragens na Islândia às vezes há lugares lindos que surgem inesperadamente. É fácil identificar os pontos turísticos: têm sempre um parque de estacionamento cheio que carros lá perto.

Foi o caso deste desfiladeiro, que parece saído de um documentário do National Geographic, onde as gaivotas têm os seus ninhos e voam por ali em círculos num ambiente absolutamente selvagem.

Há uma passagem que te leva para dentro do desfiladeiro (onde supostamente há uma queda de água) mas só é acessível se tiveres roupa e sapatos impermeáveis. Com ou sem cascata é uma paragem obrigatória.

4# Paragem: Arnarstapi

Quando a fome aperta há sempre desculpa para mais uma paragem. Com uma marmita de luxo trazida de Portugal, incluindo a bela da sandes de bacalhau à Brás, cerejas e bolinhos caseiros piquenicámos no carro abrigados do vento gelado.

Para além de uma boa paragem para almoço, em Arnarstapi também há uma caminhada de 6 km pelos rochedos até Hellnar. Nós só fizemos uma pequena parte por falta de tempo, mas esta vila, que outrora foi um importante porto de comércio, tem alguns dos rochedos mas bonitos do país.

5# Paragem: Lóndrangar Cliffs e Djúpalónssandur Black Beach

Seguiram-se duas praias de areia negra onde a natureza nos continua a surpreender com as suas capacidades artísticas. Nas falésias de Lóndrangar, sobressai no meio do mar uma estrutura de conto de fadas, com 75 metros que se vê a quilómetros de distância.

Logo a seguir está a praia de Djúpalónssandur, com pedras gigantescas que eram usadas para testar a força dos pescadores e os “restos mortais” de uma traineira inglesa que naufragou naquela costa em 1948. 

6# Paragem: Saxholar Crater

Com tanta paragem já estávamos a ver a nossa a vida a andar para trás e a pensar que nunca chegaríamos ao nosso destino. Num esforço para cortar paragens, pensei que a cratera Saxholar podia ser evitada, mas assim que nos começamos a aproximar dela, vimos logo que estava na hora de mais uma paragem.

Esta cratera de vulcão, que entrou em erupção há cerca de 3000 anos, dá-nos muito em troca de pouco. Numa paisagem maioritariamente plana, do topo da cratera dá para ver tudo, e tudo é bonito. E são só 5 minutos a subir!

7# Paragem: Ingjaldshólskirkja

Para além da catastrófica igreja de Reykjvík, a maioria das igrejas islandesas são muito adoráveis e pitorescas. Esta igreja em particular é o postal islandês perfeito.

8# Paragem: Svödufoss

Se há escolhas a fazer na Islândia é se “esta cascata vale a pena”. Há tantas, de tantos tamanhos, formas e feitios que se fossemos parar em todas nem um ano chegava. Mas esta em particular está tão bem enquadrada que se tornou numa das minhas paisagens islandesas preferidas.

Ao fim da tarde já as nuvens tinham destapado o topo do glaciar e, num campo amarelo-torrado, lá está ela a pousar para as fotos.

9# Paragem: Kirkjufellsfoss

Tínhamos finalmente chegado ao ponto mais famoso desta península: a cascata Kirkjufellsfoss. Quando se Googla “Islândia” (não Iceland, porque no Reino Unido é uma loja de congelados…) esta é uma das primeiras imagens que aparece. Pelos vistos é a cascata mais fotografada da Islândia. E não é que é tudo mentira?

A cascata em si é minúscula (para padrões islandeses) e nunca seria minimamente conhecida se não fosse a perspectiva super fotogénica com a montanha Kirkjufell por trás. Senti-me algo aldrabada pelas milhares de fotos que já tinha visto no Instagram desta cascata que prometia ser a mais bonita da Islândia, mas de forma a perpetuar esta embuste, aqui vão as minhas também:

E assim foi a nossa tour pela Península que tem tudo num pequeno pedacinho de terra. Às 9 da noite, já estoirados, alcançámos finalmente o nosso Airbnb quentinho e procedemos a deliciarmo-nos com um Arroz de Pato gourmet. É este o truque da Islândia, uma quantidade significativa de Tupperwares com delícias caseiras para nos aconchegar depois de um longo dia de passeio.

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Reykjavík, Blue Lagoon e arredores: Arranca a roadtrip https://www.mudancasconstantes.com/2019/06/05/reykjavik-blue-lagoon-islandia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=reykjavik-blue-lagoon-islandia https://www.mudancasconstantes.com/2019/06/05/reykjavik-blue-lagoon-islandia/#comments Wed, 05 Jun 2019 20:27:13 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5288 Ao sair do aeroporto de Keflavik percebi que só por teimosia humana é que existe vida inteligente naquela ilha. Um lugar tão inóspito só devia ser lar para pássaros e focas, mas por alguma razão 338 mil alminhas vivem na Islândia. Este ano a Islândia foi o destino escolhido para a nossa roadtrip familiar anual. Bem sei que é um dos países mais badalados do momento e que toda a gente lá vai, mas há uma razão para isso – e não, não são os likes do Instagram. Ao contrário do resto da Europa, na Islândia ainda é a natureza que dita as regras e há uma vulnerabilidade aos elementos como nunca tinha sentido. Afinal, nunca sabemos quando é que vem aí um nevão, um tsunami glaciar ou uma erupção vulcânica, mas os islandeses parecem viver bem com isso! Nas parcas cidades existentes reina uma calmaria digna do Alentejo interior e, tal como todas as outras viagens à Islândia, a nossa também começou e acabou na curiosa Reykjavík. Em vez de saltarmos directamente para a Ring Road, tirámos algum tempo para explorar a capital e os seus arredores. Reykjavík: Paira um charme hipster no ar Reykjavík tem de ser uma das capitais mais pequenas e vazias do mundo! O centro vê-se (bem) em cerca de duas horas e é um dos poucos lugares onde se avistam islandeses no seu habitat natural. Tenho que admitir que há uma certa personalidade nesta cidade. As lojas de design, os restaurantes gourmet que devem custar um rim, as casinhas tradicionais e a arte urbana, tudo concentrado na rua Laugavegur, fazem de Reykjavík um lugar mais interessante do que aparenta. Dito isto, é aqui que se encontra a potencial vencedora do prémio “Igreja mais feia do mundo”, a Hallgrímskirkja que parece ser uma mistura de foguetão com igreja soviética. À beira mar estão as duas últimas atracções de Reykjavík, e também as minhas preferidas, o Harpa Concert Hall e o Sun Voyager. Com um design islandês / dinamarquês, a sala de espectáculos Harpa é fascinante por dentro e por fora. Ao nos aproximarmos, vamos vendo o edifício a mudar de cor através das suas escamas espelhadas que reflectem a luz do sol. Já lá dentro – a visita é gratuita – são as formas e linhas futuristas que surpreendem. E a poucos minutos a pé (como tudo em Reykjavík) está então o Viajante do Sol – uma escultura que representa um barco de sonhos e uma ode ao sol – com vista para as montanhas e mar, paisagem que nos pisca o olho como quem diz “isto é só um cheirinho do que está para vir”. Reykjanesfólkvangur: impronunciável mas bonito Foi no último dia, quando estávamos a vir do sul da Islândia para a Blue Lagoon, que demos com o Reykjanesfólkvangur. Mesmo à beira de Reykjavík, este parque está cheio de actividade geotermal, mas passa completamente despercebido à maioria dos turistas e por isso vive-se uma paz absoluta. A maioria da paisagem é composta por lava e musgo, mas depois há os magníficos lagos deste parque. O primeiro é o Kleifarvatn um lago gigante com praias de areia preta e o Graenavatn, um pequeno lago esmeralda. Em Krýsuvík está tudo a borbulhar, com piscinas de lama a 100 graus e montanhas coloridas cheias de minerais. No ar sente-se sempre um cheirinho cientificamente conhecido como ovos podres ou enxofre. Blue Lagoon: acabar num caldinho bom Para acabar a nossa viagem em grande, decidimos que a última paragem seria a Blue Lagoon, que fica convenientemente perto do aeroporto. A Blue Lagoon é fácil de identificar: num enorme campo de lava, a água de um azul leitoso destaca-se no meio do preto e há dezenas de autocarros a dirigirem-se para lá a toda a hora. Um dos meus maiores medos, relativos a esta lagoa, e a toda a Islândia, era que o turismo de massas já tivesse estragado a experiência de a visitar. Mas não! Claro que é um lugar concorrido e nunca na vida tinha visto tanta maminha e pipi chinês como nos balneários da Lagoa Azul, mas mesmo assim é difícil não gostar de nadar naquelas águas quentes, rodeados por uma paisagem marciana e beber uma cerveja enquanto se mete uma mascara de sílica na cara. É um bocado caro de mais para o que oferecem? SimTem turistas a mais? Sim Se vale a pena? Sim, são duas horas bastante bem passadas e há sempre cantinhos sossegados se procurares bem. Este foi o início e o fim da viagem, o meio vem aí 😉

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Ao sair do aeroporto de Keflavik percebi que só por teimosia humana é que existe vida inteligente naquela ilha. Um lugar tão inóspito só devia ser lar para pássaros e focas, mas por alguma razão 338 mil alminhas vivem na Islândia.

Este ano a Islândia foi o destino escolhido para a nossa roadtrip familiar anual. Bem sei que é um dos países mais badalados do momento e que toda a gente lá vai, mas há uma razão para isso – e não, não são os likes do Instagram.

Ao contrário do resto da Europa, na Islândia ainda é a natureza que dita as regras e há uma vulnerabilidade aos elementos como nunca tinha sentido. Afinal, nunca sabemos quando é que vem aí um nevão, um tsunami glaciar ou uma erupção vulcânica, mas os islandeses parecem viver bem com isso!

Nas parcas cidades existentes reina uma calmaria digna do Alentejo interior e, tal como todas as outras viagens à Islândia, a nossa também começou e acabou na curiosa Reykjavík. Em vez de saltarmos directamente para a Ring Road, tirámos algum tempo para explorar a capital e os seus arredores.

Reykjavík: Paira um charme hipster no ar

Reykjavík tem de ser uma das capitais mais pequenas e vazias do mundo! O centro vê-se (bem) em cerca de duas horas e é um dos poucos lugares onde se avistam islandeses no seu habitat natural.

Tenho que admitir que há uma certa personalidade nesta cidade. As lojas de design, os restaurantes gourmet que devem custar um rim, as casinhas tradicionais e a arte urbana, tudo concentrado na rua Laugavegur, fazem de Reykjavík um lugar mais interessante do que aparenta.

Dito isto, é aqui que se encontra a potencial vencedora do prémio “Igreja mais feia do mundo”, a Hallgrímskirkja que parece ser uma mistura de foguetão com igreja soviética.

À beira mar estão as duas últimas atracções de Reykjavík, e também as minhas preferidas, o Harpa Concert Hall e o Sun Voyager. Com um design islandês / dinamarquês, a sala de espectáculos Harpa é fascinante por dentro e por fora. Ao nos aproximarmos, vamos vendo o edifício a mudar de cor através das suas escamas espelhadas que reflectem a luz do sol. Já lá dentro – a visita é gratuita – são as formas e linhas futuristas que surpreendem.

E a poucos minutos a pé (como tudo em Reykjavík) está então o Viajante do Sol – uma escultura que representa um barco de sonhos e uma ode ao sol – com vista para as montanhas e mar, paisagem que nos pisca o olho como quem diz “isto é só um cheirinho do que está para vir”.

Reykjanesfólkvangur: impronunciável mas bonito

Foi no último dia, quando estávamos a vir do sul da Islândia para a Blue Lagoon, que demos com o Reykjanesfólkvangur. Mesmo à beira de Reykjavík, este parque está cheio de actividade geotermal, mas passa completamente despercebido à maioria dos turistas e por isso vive-se uma paz absoluta.

A maioria da paisagem é composta por lava e musgo, mas depois há os magníficos lagos deste parque. O primeiro é o Kleifarvatn um lago gigante com praias de areia preta e o Graenavatn, um pequeno lago esmeralda.

Em Krýsuvík está tudo a borbulhar, com piscinas de lama a 100 graus e montanhas coloridas cheias de minerais. No ar sente-se sempre um cheirinho cientificamente conhecido como ovos podres ou enxofre.

Blue Lagoon: acabar num caldinho bom

Para acabar a nossa viagem em grande, decidimos que a última paragem seria a Blue Lagoon, que fica convenientemente perto do aeroporto. A Blue Lagoon é fácil de identificar: num enorme campo de lava, a água de um azul leitoso destaca-se no meio do preto e há dezenas de autocarros a dirigirem-se para lá a toda a hora.

Um dos meus maiores medos, relativos a esta lagoa, e a toda a Islândia, era que o turismo de massas já tivesse estragado a experiência de a visitar. Mas não! Claro que é um lugar concorrido e nunca na vida tinha visto tanta maminha e pipi chinês como nos balneários da Lagoa Azul, mas mesmo assim é difícil não gostar de nadar naquelas águas quentes, rodeados por uma paisagem marciana e beber uma cerveja enquanto se mete uma mascara de sílica na cara.

É um bocado caro de mais para o que oferecem? Sim
Tem turistas a mais? Sim
Se vale a pena? Sim, são duas horas bastante bem passadas e há sempre cantinhos sossegados se procurares bem.

Este foi o início e o fim da viagem, o meio vem aí 😉

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