Irão Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/irao/ Blog de viagens para inquietos e irrequietos Sun, 23 Jan 2022 12:38:56 +0000 en-GB hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 https://www.mudancasconstantes.com/wp-content/uploads/2018/10/cropped-Untitled-design-1-32x32.png Irão Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/irao/ 32 32 Irão: o itinerário de uma maratona de 10 dias! https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/25/10-dias-no-irao-itinerario/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=10-dias-no-irao-itinerario https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/25/10-dias-no-irao-itinerario/#respond Wed, 25 Apr 2018 22:09:30 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=3349 A nossa decisão de viajar até ao Irão foi bastante espontânea. Depois de 7 meses sem sair da Europa tive uma epifania e pensei “está na altura de mais uma aventura”. O Irão já estava na minha mente há muitos anos e agora parecia ser a altura certa. Começámos com 7 dias e acabámos com 10 sabendo que já não podíamos mesmo esticar mais este número. Depois começou o planeamento. Teerão, Isfahan e Shiraz já eram um dado adquirido. O resto foi lá com pesquisa. Sabíamos desde o início que ia ser uma maratona. Na maioria das cidades íamos ter apenas um dia, ou até meio-dia. Mas faz parte do nosso estilo de viagem quando não temos tempo: andar o dia todo sem parar e ver devorar tudo o que há para ver! Portanto, se tiveres pernas de aço e pouco tempo aqui vai o meu itinerário. 1º dia: Teerão Fugindo à moda de saltar Teerão e de ir para uma cidade mais a sul, decidimos dedicar-lhe um dia. E não nos arrependemos! Teerão é considerada a cidade mais moderna e menos conversadora do Irão. A vida decorre normalmente, como em todas as capitais do mundo, exceptuando talvez o caótico trânsito. Tivemos a oportunidade de ver o magnífico Golestan Palace, o Bazaar, a Tabiat Bridge – um lugar perfeito para picnics e para socializar – e ainda a Azadi Tower, o grande símbolo de Teerão. 7 razões para não saltares Teerão neste post. 2º e 3º dias: Shiraz & Persépolis 11 horas num autocarro depois chegamos a Shiraz. Encontrámo-nos com o nosso host de Couchsurfing e a partir daí fomos a todo o lado e mais algum! Ele mostrou-nos toda a parte antiga de Shiraz e ainda nos acolheu como se fossemos parte da família. No segundo dia visitámos a mesquita mais famosa do Irão, a Pink Mosque e Persépolis, uma das mais importantes ruínas do mundo. Podes ler mais sobre a nossa incrível experiência com a família do Moji aqui e sobre as duas maiores pérolas de Shiraz aqui. 4º e 5º dias: Kaluts & Deserto Sem nunca abrandarmos o ritmo, começámos a nossa tour no deserto depois de mais um autocarro nocturno desta vez com destino a Kerman. Nesta tour vimos algumas das paisagens mais espectaculares que o Irão tem para oferecer. Os Kaluts, formações arenosas, levam-nos directamente para representações hollywoodescas de Marte. Tudo sobre o nosso guia, tour e momentos inesquecíveis neste post. 6º e 7º dias: Kerman & Yazd Um pequeno azar trouxe-nos a oportunidade de vermos rapidamente Kerman e o seu famoso hamam. Já em Yazd corremos as ruas labirínticas do centro histórico e mais uma vez testemunhámos que as pessoas são o melhor do Irão. Para além de ficarmos a conhecer melhor as tradições da tribo Qashqai, ainda aprendemos a dançar e pude experimentar um dos fatos tradicionais que as mulheres nómadas usam. Todas estas andanças e mais neste post. 8º dia: Isfahan A famosa Isfahan tem alguns dos monumentos mais bonitos do país sendo que uns são cristãos e outros muçulmanos. O nosso dia foi passado de igreja em igreja, mesquita em mesquita e ponte em ponte! E como se não bastasse ainda fiz uma aula de cozinha onde alguns dos segredos da gastronomia iraniana me foram revelados 😉 Queres saber mais? Clica aqui. 9º dia: Kashan & Qom Em dia de maratona final percorremos Kashan e Qom a um ritmo alucinante. Mas conseguimos ver um bazar, uma mesquita, um santuário, um hamam e dois palacetes. Não mau certo? Infelizmente estava na hora de nos despedirmos do Irão e de começarmos a processar tudo o que tínhamos visto e vivido durante estes dias. Podes encontrar este último relato aqui! 10º dia: Chegadas e Partidas Há sempre dias que ficam perdidos entre viagens. O Irão é um país gigante e viagens de 6, 8,12 ou 14 horas não são nada de estranhar. Prepara-te para perderes algum tempo com isso! Se quiseres saber mais sobre como planear uma viagem ao Irão este longo (LONGOOO!) post foi feito para ti! Pensamentos finais 🙂 O Irão é um país que te vai testar. Cada dia, cada pessoa vão fazer com que te questiones. A ti, à tua visão sobre o mundo e aos teus padrões do que é “normal”. Mas para mim, viajar também é esse desconforto. O seres confrontado com pensamentos e situações que nunca antes te ocorreram. O nunca saberes o que pode acontecer. O seres surpreendido todos os dias e aprenderes com isso. Abre-te ao Irão e este certamente conquistar-te-á. Vídeo da viagem:

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A nossa decisão de viajar até ao Irão foi bastante espontânea. Depois de 7 meses sem sair da Europa tive uma epifania e pensei “está na altura de mais uma aventura”. O Irão já estava na minha mente há muitos anos e agora parecia ser a altura certa.

Começámos com 7 dias e acabámos com 10 sabendo que já não podíamos mesmo esticar mais este número. Depois começou o planeamento. Teerão, Isfahan e Shiraz já eram um dado adquirido. O resto foi lá com pesquisa.

Sabíamos desde o início que ia ser uma maratona. Na maioria das cidades íamos ter apenas um dia, ou até meio-dia. Mas faz parte do nosso estilo de viagem quando não temos tempo: andar o dia todo sem parar e ver devorar tudo o que há para ver! Portanto, se tiveres pernas de aço e pouco tempo aqui vai o meu itinerário.

1º dia: Teerão

Fugindo à moda de saltar Teerão e de ir para uma cidade mais a sul, decidimos dedicar-lhe um dia. E não nos arrependemos! Teerão é considerada a cidade mais moderna e menos conversadora do Irão. A vida decorre normalmente, como em todas as capitais do mundo, exceptuando talvez o caótico trânsito.

Tivemos a oportunidade de ver o magnífico Golestan Palace, o Bazaar, a Tabiat Bridge – um lugar perfeito para picnics e para socializar – e ainda a Azadi Tower, o grande símbolo de Teerão.

7 razões para não saltares Teerão neste post.

2º e 3º dias: Shiraz & Persépolis

11 horas num autocarro depois chegamos a Shiraz. Encontrámo-nos com o nosso host de Couchsurfing e a partir daí fomos a todo o lado e mais algum! Ele mostrou-nos toda a parte antiga de Shiraz e ainda nos acolheu como se fossemos parte da família.

No segundo dia visitámos a mesquita mais famosa do Irão, a Pink Mosque e Persépolis, uma das mais importantes ruínas do mundo.

Podes ler mais sobre a nossa incrível experiência com a família do Moji aqui e sobre as duas maiores pérolas de Shiraz aqui.

4º e 5º dias: Kaluts & Deserto

Sem nunca abrandarmos o ritmo, começámos a nossa tour no deserto depois de mais um autocarro nocturno desta vez com destino a Kerman. Nesta tour vimos algumas das paisagens mais espectaculares que o Irão tem para oferecer. Os Kaluts, formações arenosas, levam-nos directamente para representações hollywoodescas de Marte.

Tudo sobre o nosso guia, tour e momentos inesquecíveis neste post.

6º e 7º dias: Kerman & Yazd

Um pequeno azar trouxe-nos a oportunidade de vermos rapidamente Kerman e o seu famoso hamam. Já em Yazd corremos as ruas labirínticas do centro histórico e mais uma vez testemunhámos que as pessoas são o melhor do Irão. Para além de ficarmos a conhecer melhor as tradições da tribo Qashqai, ainda aprendemos a dançar e pude experimentar um dos fatos tradicionais que as mulheres nómadas usam.

Todas estas andanças e mais neste post.

8º dia: Isfahan

A famosa Isfahan tem alguns dos monumentos mais bonitos do país sendo que uns são cristãos e outros muçulmanos. O nosso dia foi passado de igreja em igreja, mesquita em mesquita e ponte em ponte!

E como se não bastasse ainda fiz uma aula de cozinha onde alguns dos segredos da gastronomia iraniana me foram revelados 😉 Queres saber mais? Clica aqui.

9º dia: Kashan & Qom

Em dia de maratona final percorremos Kashan e Qom a um ritmo alucinante. Mas conseguimos ver um bazar, uma mesquita, um santuário, um hamam e dois palacetes. Não mau certo?

sultan amir ahmad bathhouse kashan abbasi house kashan

Infelizmente estava na hora de nos despedirmos do Irão e de começarmos a processar tudo o que tínhamos visto e vivido durante estes dias.

Podes encontrar este último relato aqui!

10º dia: Chegadas e Partidas

Há sempre dias que ficam perdidos entre viagens. O Irão é um país gigante e viagens de 6, 8,12 ou 14 horas não são nada de estranhar. Prepara-te para perderes algum tempo com isso!

Se quiseres saber mais sobre como planear uma viagem ao Irão este longo (LONGOOO!) post foi feito para ti!

Pensamentos finais 🙂

O Irão é um país que te vai testar. Cada dia, cada pessoa vão fazer com que te questiones. A ti, à tua visão sobre o mundo e aos teus padrões do que é “normal”. Mas para mim, viajar também é esse desconforto. O seres confrontado com pensamentos e situações que nunca antes te ocorreram. O nunca saberes o que pode acontecer. O seres surpreendido todos os dias e aprenderes com isso.

Abre-te ao Irão e este certamente conquistar-te-á.

Vídeo da viagem:

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Desvendar o Irão: tudo o que deves saber antes de ir (parte 1) https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/23/irao-tudo-o-que-deves-saber-antes-de-ir-1/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=irao-tudo-o-que-deves-saber-antes-de-ir-1 https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/23/irao-tudo-o-que-deves-saber-antes-de-ir-1/#comments Mon, 23 Apr 2018 20:23:39 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=3337 Preparar uma viagem ao Irão pode ser algo um pouco caótico. Para além de não haver uma grande quantidade de informação disponível, a informação que há pode ser bastante contraditória, principalmente a nível de regras sociais e culturais. Algo que até é compreensível, porque o Irão é um país que, desde que assinou o acordo nuclear com os Estados Unidos, se abriu muito ao ocidente e a sociedade está em constante mudança. Apoiei-me muito noutros blogs e grupos de Facebook para planear esta viagem e neste post pretendo retribuir o favor! Avião De Portugal para Teerão a opção mais simpática para voar parece ser a Austrian Airlines. Apesar das longas escalas em Viena, o que até pode ser uma vantagem, tem uns preços muito razoáveis, cerca de 400€ ida e volta. Do aeroporto de Teerão até ao hostel marquei um transfer pela TAP Persia, correu tudo lindamente! Clima O Irão é um país com 4 estações muito vincadas. Desde neve no Inverno a um calor insuportável no Verão as melhores estações para visitar o Irão são as de transição: a Primavera (Março, Abril) e o Outono (Outubro, Novembro). Quando (não) visitar Para além do clima há outros factores que deves ter em consideração. O primeiro é o Norwuz, o ano novo persa. Começa no dia 21 de Março e dura duas semanas. Durante estas duas semanas todos os Iranianos têm férias e viajam para as suas terras “Natal” ou para outras cidades. Os hotéis ficam cheios, os preços sobem e só é mesmo uma boa altura para ver Teerão que está mais limpa e vazia do que nunca. Segundo: o Ramadão. Sendo um dos países mais rígidos no que toca ao islamismo, o Ramadão não me parece uma época muito desejável para o visitar. Encontrar comida e água durante o dia deve ser difícil e será certamente uma altura ainda mais conservadora do que o normal. O Ramadão muda de datas todos os anos e este ano (2018) é de 16 de Maio a 14 de Junho. Visto O visto para o Irão não é particularmente difícil de se obter. Podes fazê-lo à chegada ou na embaixada Portuguesa. Escrevi um post dedicado a este assunto e podes ler tudo aqui. Hijab, chador e o que vestir no Irão Mulheres Claro que nós somos as desgraçadas. Não sei se sou a pessoa mais indicada para dar conselhos relativamente a este assunto uma vez que toda a gente ficava a olhar para mim como se fosse um alien, mas vou tentar. Roupas um pouco reveladoras! Aqui vão algumas regras: – Lenço (hijab): a partir do momento em que sais to avião tens que usar um lenço em todo o lado. Rua, restaurantes, transportes públicos… Quando estás num hostel ou numa casa particular podes tirar, mas convém perguntares primeiro. Aprende como usar o véu neste vídeo muito útil. – Chador: Um género de lençol preto no qual as mulheres mais conservadoras se embrulham. Apesar de não ser obrigatório na grande maioria dos sítios, quando visitas um shrine (santuário) sagrado tens que usar. À entrada alguém te vai emprestar um se não tiveres. – Calças: As calças devem ser compridas e ir até ao tornozelo no mínimo. Podes optar por calças largas ou por calças normais quando acompanhadas por túnicas que cubram o rabo. – Túnicas: As túnicas devem ser compridas. As mangas devem cobrir os braços todos (ou quase) e de preferência não ter grandes decotes. Se tiver um bocado podes sempre tapar com o lenço. – Cores: A maioria das iranianas costuma andar com roupas pouco chamativas, mas isso não quer dizer que tenhas que fazer o mesmo. Eu andava um bocado berrante, mas como isso não está na lei não interessa! – Calçado: podes andar como quiseres. – Maquilhagem: dificilmente usarás mais do que as Iranianas. Por fim, como somos turistas as regras são mais relaxadas, mas mesmo assim convém andar dentro dos padrões definidos para não chamar demasiado à atenção. Não por que vá acontecer alguma coisa, só porque é desconfortável. Homens Podem usar basicamente o que quiserem excepto calções. Calças de ganga, t-shirts ou camisas parecem ser uma boa opção. Em oásis, piscinas ou praias podem usar calções de banho. Dinheiro Nó mental! A moeda oficial do Irão são os Rials, mas a moeda das ruas são Tomans. A diferença é um zero e no início é um bocado complicado, mas depois aquilo vai lá. Exemplo: 1€ = 60 000 rials ou 6 000 tomans. Para evitar confusões o melhor é perguntares se o preço está em Tomans ou Rials. Em geral as coisas oficiais, como o preço das atracções turísticas estão em Rials e o resto (restaurantes, mercados, táxis) dão o preço em tomans. As melhores taxas de câmbio estão nas lojas oficiais de troca de dinheiro. Não vás a bancos ou à rua. Não procures a rate na internet. Pergunta no hostel a rate do momento e troca nas lojas. Muito importante! A rede multibancos só funciona com cartões nacionais. É IMPOSSÍVEL levantar dinheiro em todo o país ou pagar com cartões de crédito estrangeiros. Tens que levar dinheiro suficiente para toda a viagem contigo. Em muitos lugares (alojamento e tours) aceitam euros ou dólares americanos. Números Para te complicar ainda mais a vida, os números em persa também são diferentes! Aqui vai uma tabela para ajudar. Tens mesmo que a decorar. Preços Os preços no Irão estão sujeitos à enorme inflação que o rial sofre e por isso podem ficar desactualizados rapidamente. Mas aqui vão umas luzes: – 1 noite num hostel em quarto partilhado com pequeno almoço: 10 a 15€ – Refeição num restaurante local: 1 a 4€ – Autocarros entre cidades: 3 a 12€ – Táxi ou Snapp: 1 a 3€ – Atracções turísticas: 2 a 7€ – O mais caro no Irão são definitivamente as atracções turísticas porque o preço para turistas é 8 a 15 vezes superior ao preço para iranianos. Gastámos em média 25€ por dia/por pessoa. Alojamento, comida, transportes e atracções turísticas. continua aqui.

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Preparar uma viagem ao Irão pode ser algo um pouco caótico. Para além de não haver uma grande quantidade de informação disponível, a informação que há pode ser bastante contraditória, principalmente a nível de regras sociais e culturais. Algo que até é compreensível, porque o Irão é um país que, desde que assinou o acordo nuclear com os Estados Unidos, se abriu muito ao ocidente e a sociedade está em constante mudança.

Apoiei-me muito noutros blogs e grupos de Facebook para planear esta viagem e neste post pretendo retribuir o favor!

Avião

De Portugal para Teerão a opção mais simpática para voar parece ser a Austrian Airlines. Apesar das longas escalas em Viena, o que até pode ser uma vantagem, tem uns preços muito razoáveis, cerca de 400€ ida e volta.

Do aeroporto de Teerão até ao hostel marquei um transfer pela TAP Persia, correu tudo lindamente!

Clima

O Irão é um país com 4 estações muito vincadas. Desde neve no Inverno a um calor insuportável no Verão as melhores estações para visitar o Irão são as de transição: a Primavera (Março, Abril) e o Outono (Outubro, Novembro).

Quando (não) visitar

Para além do clima há outros factores que deves ter em consideração. O primeiro é o Norwuz, o ano novo persa. Começa no dia 21 de Março e dura duas semanas. Durante estas duas semanas todos os Iranianos têm férias e viajam para as suas terras “Natal” ou para outras cidades. Os hotéis ficam cheios, os preços sobem e só é mesmo uma boa altura para ver Teerão que está mais limpa e vazia do que nunca.

Segundo: o Ramadão. Sendo um dos países mais rígidos no que toca ao islamismo, o Ramadão não me parece uma época muito desejável para o visitar. Encontrar comida e água durante o dia deve ser difícil e será certamente uma altura ainda mais conservadora do que o normal. O Ramadão muda de datas todos os anos e este ano (2018) é de 16 de Maio a 14 de Junho.

Visto

O visto para o Irão não é particularmente difícil de se obter. Podes fazê-lo à chegada ou na embaixada Portuguesa. Escrevi um post dedicado a este assunto e podes ler tudo aqui.

Hijab, chador e o que vestir no Irão

  • Mulheres

Claro que nós somos as desgraçadas. Não sei se sou a pessoa mais indicada para dar conselhos relativamente a este assunto uma vez que toda a gente ficava a olhar para mim como se fosse um alien, mas vou tentar.

Roupas um pouco reveladoras!

Aqui vão algumas regras:

– Lenço (hijab): a partir do momento em que sais to avião tens que usar um lenço em todo o lado. Rua, restaurantes, transportes públicos… Quando estás num hostel ou numa casa particular podes tirar, mas convém perguntares primeiro. Aprende como usar o véu neste vídeo muito útil.

– Chador: Um género de lençol preto no qual as mulheres mais conservadoras se embrulham. Apesar de não ser obrigatório na grande maioria dos sítios, quando visitas um shrine (santuário) sagrado tens que usar. À entrada alguém te vai emprestar um se não tiveres.

Hijab e Chador são usados no Irão

– Calças: As calças devem ser compridas e ir até ao tornozelo no mínimo. Podes optar por calças largas ou por calças normais quando acompanhadas por túnicas que cubram o rabo.

– Túnicas: As túnicas devem ser compridas. As mangas devem cobrir os braços todos (ou quase) e de preferência não ter grandes decotes. Se tiver um bocado podes sempre tapar com o lenço.

– Cores: A maioria das iranianas costuma andar com roupas pouco chamativas, mas isso não quer dizer que tenhas que fazer o mesmo. Eu andava um bocado berrante, mas como isso não está na lei não interessa!

– Calçado: podes andar como quiseres.

– Maquilhagem: dificilmente usarás mais do que as Iranianas.

Por fim, como somos turistas as regras são mais relaxadas, mas mesmo assim convém andar dentro dos padrões definidos para não chamar demasiado à atenção. Não por que vá acontecer alguma coisa, só porque é desconfortável.

  • Homens

Podem usar basicamente o que quiserem excepto calções. Calças de ganga, t-shirts ou camisas parecem ser uma boa opção. Em oásis, piscinas ou praias podem usar calções de banho.

Dinheiro

Nó mental! A moeda oficial do Irão são os Rials, mas a moeda das ruas são Tomans. A diferença é um zero e no início é um bocado complicado, mas depois aquilo vai lá.

Exemplo:

1€ = 60 000 rials ou 6 000 tomans.

Para evitar confusões o melhor é perguntares se o preço está em Tomans ou Rials. Em geral as coisas oficiais, como o preço das atracções turísticas estão em Rials e o resto (restaurantes, mercados, táxis) dão o preço em tomans.

As melhores taxas de câmbio estão nas lojas oficiais de troca de dinheiro. Não vás a bancos ou à rua. Não procures a rate na internet. Pergunta no hostel a rate do momento e troca nas lojas.

#riquinhosnoirao

Muito importante! A rede multibancos só funciona com cartões nacionais. É IMPOSSÍVEL levantar dinheiro em todo o país ou pagar com cartões de crédito estrangeiros. Tens que levar dinheiro suficiente para toda a viagem contigo.

Em muitos lugares (alojamento e tours) aceitam euros ou dólares americanos.

Números

Para te complicar ainda mais a vida, os números em persa também são diferentes! Aqui vai uma tabela para ajudar. Tens mesmo que a decorar.

Preços

Os preços no Irão estão sujeitos à enorme inflação que o rial sofre e por isso podem ficar desactualizados rapidamente. Mas aqui vão umas luzes:

– 1 noite num hostel em quarto partilhado com pequeno almoço: 10 a 15€

– Refeição num restaurante local: 1 a 4€

– Autocarros entre cidades: 3 a 12€

– Táxi ou Snapp: 1 a 3€

– Atracções turísticas: 2 a 7€

– O mais caro no Irão são definitivamente as atracções turísticas porque o preço para turistas é 8 a 15 vezes superior ao preço para iranianos.

Gastámos em média 25€ por dia/por pessoa. Alojamento, comida, transportes e atracções turísticas.

continua aqui.

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Desvendar o Irão: tudo o que deves saber antes de ir (parte 2) https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/23/irao-tudo-o-que-deves-saber-antes-de-ir-2/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=irao-tudo-o-que-deves-saber-antes-de-ir-2 https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/23/irao-tudo-o-que-deves-saber-antes-de-ir-2/#comments Mon, 23 Apr 2018 19:49:31 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=3334 continuando o overflow de informação… Alojamento O alojamento no Irão não é algo particularmente barato. Um quarto num hotel começa nos 50€ e vai por aí a cima. As minhas opções preferidas são hostels, homestays e couchsurfing, sendo que os últimos dois são ilegais, mas a melhor forma contactar com os locais e de aprender mais sobre a cultura Iraniana. As Homestays são um conjunto de quartos em casa de iranianos que foram transformados para um propósito turístico. Muitas delas podem ser encontradas no Booking ou Google. Os preços são iguais aos dos hostels, mas normalmente a comida é melhor! Couchsurfing Apesar de ser ilegal o Couchsurfing é extremamente popular no Irão. Muitos jovens têm uma sede gigante de conhecer estrangeiros e uma das melhores formas de o fazerem é através desta plataforma. O nível de hospitalidade dos Iranianos é uma loucura, por isso não envies mais do que um ou dois pedidos por cidade, porque em princípio serão aceites. Depois prepara-te para fazeres tudo com o teu host, teres jantares cozinhados pela mãe dele e um quarto só para ti enquanto ele dorme na sala! Apesar de ter tido uma experiência incrível aconselho-te, como sempre, a leres bem as reviews e os perfis porque há várias pessoas a tentar fazer negócio do Couchsurfing. Leva uma pequena lembrança para a tua família, vão adorar! Nunca refiras à polícia ou pessoas na rua que estás a fazer Couchsurfing. A ti provavelmente não te vai acontecer nada, mas pode ser um problema para o teu/tua host. Autocarros Os autocarros são a melhor forma de viajar pelo Irão. São bastante frequentes, mais rápidos que os comboios, vão a todo o lado e os VIP são muito confortáveis (e baratos). Para além disso são toda uma experiência cultural com direito a filmes iranianos, música e snacks capazes de dar diabetes a qualquer um! Os autocarros não têm casas de banho. Não é possível para estrangeiros marcar autocarros fora do país, mas isso não é necessariamente um problema. A não ser que visites numa altura de enchentes como o Norwuz ou Ramadão consegues comprar o bilhete na estação no dia antes ou mesmo no dia em si. Se, de qualquer forma, quiseres marcar antes, podes fazê-lo pela TAP Persia. Eles ajudaram-me imenso durante toda a viagem e são impecáveis no serviço ao cliente. Comboios A rede de comboios é bem mais reduzida que a rede de autocarros. É possível viajar entre Teerão, Kashan, Isfahan, Shiraz e Yazd de comboio, mas demoras mais tempo do que de autocarro. Contudo, as viagens nocturnas de comboio em primeira classe são mais confortáveis do que as de autocarro. Os bilhetes podem ser adquiridos nas estações. Aviões Existem muitos voos domésticos entre cidades no Irão, mas como os aviões deles de vez em quando caem não aconselhava muito… Eu, que odeio voar, nem pus essa opção na mesa. A Mahan Air é supostamente uma das mais seguras. Táxis e Snapp O meio mais comum para te transportares dentro das cidades. Os táxis estão por todo o lado e tens sempre que perguntar o preço primeiro. Convém teres a morada em persa, porque a maioria dos taxistas não sabe ler o nosso alfabeto. Por seres turista vais ser aldrabado/a no preço por isso tenta baixá-lo um bocado. O Snapp é o Uber versão Iraniana. Se tiveres um cartão SIM Iraniano podes instalá-lo e usufruir de preços quase criminosos (um terço do táxi). Se não conseguires instalar podes sempre pedir ao teu host ou ao pessoal do hostel para chamar um por ti. O preço é definido desde o início por isso não há negociações. Regras, Etiqueta e os Iranianos Vamos lá à lista! – Tira os sapatos sempre que entrares em casa de alguém. – Homens cumprimentam-se com um aperto de mão, mulheres também. Homens e mulheres não se cumprimentam, só um aceno de cabeça e um sorriso. – É normal que os iranianos te convidem para tudo. Diz que sim! Excepto se forem guias turísticos :p – É normal que te perguntem sobre o teu trabalho e quanto é que ganhas. – Os iranianos são persas e não árabes. Não confundas! – Os iranianos mais novos costumam falar inglês. – Aprende algumas palavras básicas. Olá = Salam; Obrigado = Merci – Toda a gente faz operações ao nariz! – Assoares-te em público é considerado uma falta de respeito. – No metro de Teerão existem carruagens só para mulheres. – Eu viajei com um amigo meu e tenho a certeza que toda a gente achava que nós eramos casados. Se fores com um/a namorado/a não dêem as mãos ou beijos em público, é ilegal. – As mulheres não podem andar de bicicleta. – Não podes fotografar nenhum tipo de edifícios governamentais. Normalmente existem sinais a dizer que fotografias são proibidas. Eles levam isto mesmo muito a sério. – Sexta-feira é um dia sagrado e por isso há muita coisa que fecha ou autocarros que não partem. Comida A comida iraniana é deliciosa. Nas ruas o mais fácil de encontrar são Kebabs e Fast Food porque comida tradicionalmente iraniana é feita em casa. Se fizeres Couchsurfing ou ficares em Homestays vais certamente comer a melhor comida iraniana que há. Se não, pergunta no teu hostel onde é que deves ir comer! Álcool Nada. Niente. None. Mega ilegal, mega proibido. Existem algumas “cervejas sem álcool” que são muito horríveis. Muitos iranianos compram álcool no mercado negro ou fazem-no em casa, mas se forem apanhados pela polícia podem levar 80 chicotadas… Por isso aconselho-te a teres muito cuidado com isto. O mesmo se aplica a drogas. Água Surpreendentemente a água da torneira é potável no Irão! E em todo o lado existem postos gratuitos para encher garrafas e beber água fresca. Aproveita. Casas de banho Mais um pequeno choque cultural. Quase todas as casas de banho no Irão são buracos no chão sem papel higiénico. Têm o ponto positivo de serem gratuitas e o negativo de muitas vezes serem nojentas. Não se pode ter tudo… Aconselho-te a andares sempre com toalhitas higiénicas contigo ou lenços de papel, mas não os mandes pelo buraco, porque vai entupir! Segurança Para um país que é considerado como um dos mais perigosos do mundo, tudo nos pareceu muito seguro. O nível de crime de rua é baixíssimo. Não existem carteiristas, assaltos ou nada dessas coisas. Andar nas ruas é perfeitamente seguro a qualquer hora. Também não existem bombas a explodir ou Estado Islâmico nas ruas! Internet, SIM & VPN Abril 2018: de momento parece que existem alguns entraves aos SIM card para turistas. Nós comprámos facilmente o nosso no hostel e por isso não sei bem se é verdade ou não. São raros os lugares onde podes encontrar wifi no Irão. Para além dos hostels e cafés turísticos não existem em mais lado nenhum. A melhor forma é mesmo arranjares um cartão SIM com um plano de dados. Nós pagámos 3€ para 2GB. Certifica-te que o teu telemóvel está desbloqueado antes de ires. Como muitos sites estão bloqueados no Irão (Facebook, Youtube, Twitter) aconselho-te a levares uma aplicação de VPN no telemóvel. Eu optei pela Turbo, que funcionou razoavelmente bem e é gratuita. A Express VPN, parece ser das melhores mas é paga. O Whatsapp funciona sem VPN e é a melhor forma de comunicar com os hostels, guias, etc. *Não conseguimos fazer hotspot com as redes de lá. E acho que acabei a lista interminável de dicas e informações úteis. Espero que ajude e se ainda tiveres alguma dúvida, comenta 😉 Boa viagem!

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continuando o overflow de informação…

Alojamento

O alojamento no Irão não é algo particularmente barato. Um quarto num hotel começa nos 50€ e vai por aí a cima. As minhas opções preferidas são hostels, homestays e couchsurfing, sendo que os últimos dois são ilegais, mas a melhor forma contactar com os locais e de aprender mais sobre a cultura Iraniana.

As Homestays são um conjunto de quartos em casa de iranianos que foram transformados para um propósito turístico. Muitas delas podem ser encontradas no Booking ou Google. Os preços são iguais aos dos hostels, mas normalmente a comida é melhor!

Couchsurfing

Apesar de ser ilegal o Couchsurfing é extremamente popular no Irão. Muitos jovens têm uma sede gigante de conhecer estrangeiros e uma das melhores formas de o fazerem é através desta plataforma.

O nível de hospitalidade dos Iranianos é uma loucura, por isso não envies mais do que um ou dois pedidos por cidade, porque em princípio serão aceites. Depois prepara-te para fazeres tudo com o teu host, teres jantares cozinhados pela mãe dele e um quarto só para ti enquanto ele dorme na sala!

A minha mãe adoptiva iraniana!

Apesar de ter tido uma experiência incrível aconselho-te, como sempre, a leres bem as reviews e os perfis porque há várias pessoas a tentar fazer negócio do Couchsurfing. Leva uma pequena lembrança para a tua família, vão adorar!

Nunca refiras à polícia ou pessoas na rua que estás a fazer Couchsurfing. A ti provavelmente não te vai acontecer nada, mas pode ser um problema para o teu/tua host.

Autocarros

Os autocarros são a melhor forma de viajar pelo Irão. São bastante frequentes, mais rápidos que os comboios, vão a todo o lado e os VIP são muito confortáveis (e baratos). Para além disso são toda uma experiência cultural com direito a filmes iranianos, música e snacks capazes de dar diabetes a qualquer um! Os autocarros não têm casas de banho.

Não é possível para estrangeiros marcar autocarros fora do país, mas isso não é necessariamente um problema. A não ser que visites numa altura de enchentes como o Norwuz ou Ramadão consegues comprar o bilhete na estação no dia antes ou mesmo no dia em si.

Se, de qualquer forma, quiseres marcar antes, podes fazê-lo pela TAP Persia. Eles ajudaram-me imenso durante toda a viagem e são impecáveis no serviço ao cliente.

Comboios

A rede de comboios é bem mais reduzida que a rede de autocarros. É possível viajar entre Teerão, Kashan, Isfahan, Shiraz e Yazd de comboio, mas demoras mais tempo do que de autocarro. Contudo, as viagens nocturnas de comboio em primeira classe são mais confortáveis do que as de autocarro.

Os bilhetes podem ser adquiridos nas estações.

Aviões

Existem muitos voos domésticos entre cidades no Irão, mas como os aviões deles de vez em quando caem não aconselhava muito… Eu, que odeio voar, nem pus essa opção na mesa. A Mahan Air é supostamente uma das mais seguras.

Táxis e Snapp

O meio mais comum para te transportares dentro das cidades. Os táxis estão por todo o lado e tens sempre que perguntar o preço primeiro. Convém teres a morada em persa, porque a maioria dos taxistas não sabe ler o nosso alfabeto. Por seres turista vais ser aldrabado/a no preço por isso tenta baixá-lo um bocado.

O Snapp é o Uber versão Iraniana. Se tiveres um cartão SIM Iraniano podes instalá-lo e usufruir de preços quase criminosos (um terço do táxi). Se não conseguires instalar podes sempre pedir ao teu host ou ao pessoal do hostel para chamar um por ti. O preço é definido desde o início por isso não há negociações.

Regras, Etiqueta e os Iranianos

Vamos lá à lista!

– Tira os sapatos sempre que entrares em casa de alguém.

– Homens cumprimentam-se com um aperto de mão, mulheres também. Homens e mulheres não se cumprimentam, só um aceno de cabeça e um sorriso.

– É normal que os iranianos te convidem para tudo. Diz que sim! Excepto se forem guias turísticos :p

– É normal que te perguntem sobre o teu trabalho e quanto é que ganhas.

– Os iranianos são persas e não árabes. Não confundas!

– Os iranianos mais novos costumam falar inglês.

– Aprende algumas palavras básicas. Olá = Salam; Obrigado = Merci

– Toda a gente faz operações ao nariz!

– Assoares-te em público é considerado uma falta de respeito.

– No metro de Teerão existem carruagens só para mulheres.

– Eu viajei com um amigo meu e tenho a certeza que toda a gente achava que nós eramos casados. Se fores com um/a namorado/a não dêem as mãos ou beijos em público, é ilegal.

– As mulheres não podem andar de bicicleta.

– Não podes fotografar nenhum tipo de edifícios governamentais. Normalmente existem sinais a dizer que fotografias são proibidas. Eles levam isto mesmo muito a sério.

– Sexta-feira é um dia sagrado e por isso há muita coisa que fecha ou autocarros que não partem.

Comida

A comida iraniana é deliciosa. Nas ruas o mais fácil de encontrar são Kebabs e Fast Food porque comida tradicionalmente iraniana é feita em casa. Se fizeres Couchsurfing ou ficares em Homestays vais certamente comer a melhor comida iraniana que há. Se não, pergunta no teu hostel onde é que deves ir comer!

Álcool

Nada. Niente. None. Mega ilegal, mega proibido. Existem algumas “cervejas sem álcool” que são muito horríveis. Muitos iranianos compram álcool no mercado negro ou fazem-no em casa, mas se forem apanhados pela polícia podem levar 80 chicotadas…

Por isso aconselho-te a teres muito cuidado com isto. O mesmo se aplica a drogas.

Água

Surpreendentemente a água da torneira é potável no Irão! E em todo o lado existem postos gratuitos para encher garrafas e beber água fresca. Aproveita.

Casas de banho

Mais um pequeno choque cultural. Quase todas as casas de banho no Irão são buracos no chão sem papel higiénico. Têm o ponto positivo de serem gratuitas e o negativo de muitas vezes serem nojentas. Não se pode ter tudo…

Aconselho-te a andares sempre com toalhitas higiénicas contigo ou lenços de papel, mas não os mandes pelo buraco, porque vai entupir!

Segurança

Para um país que é considerado como um dos mais perigosos do mundo, tudo nos pareceu muito seguro. O nível de crime de rua é baixíssimo. Não existem carteiristas, assaltos ou nada dessas coisas. Andar nas ruas é perfeitamente seguro a qualquer hora.

Também não existem bombas a explodir ou Estado Islâmico nas ruas!

Internet, SIM & VPN

Abril 2018: de momento parece que existem alguns entraves aos SIM card para turistas. Nós comprámos facilmente o nosso no hostel e por isso não sei bem se é verdade ou não.

São raros os lugares onde podes encontrar wifi no Irão. Para além dos hostels e cafés turísticos não existem em mais lado nenhum. A melhor forma é mesmo arranjares um cartão SIM com um plano de dados. Nós pagámos 3€ para 2GB.

Certifica-te que o teu telemóvel está desbloqueado antes de ires.

Como muitos sites estão bloqueados no Irão (Facebook, Youtube, Twitter) aconselho-te a levares uma aplicação de VPN no telemóvel. Eu optei pela Turbo, que funcionou razoavelmente bem e é gratuita. A Express VPN, parece ser das melhores mas é paga.

O Whatsapp funciona sem VPN e é a melhor forma de comunicar com os hostels, guias, etc.

*Não conseguimos fazer hotspot com as redes de lá.
E acho que acabei a lista interminável de dicas e informações úteis. Espero que ajude e se ainda tiveres alguma dúvida, comenta 😉

Boa viagem!

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Como fazer o VOA (Visa On Arrival) para o Irão https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/23/voa-visa-on-arrival-para-o-irao-portugal/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=voa-visa-on-arrival-para-o-irao-portugal https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/23/voa-visa-on-arrival-para-o-irao-portugal/#comments Mon, 23 Apr 2018 19:22:44 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=3331 Desde que o Irão assinou o acordo nuclear o processo para a obtenção de vistos é muito mais fácil do que era. Hoje em dia muitas nacionalidades podem pedir o Visa On Arrival sem terem que passar pela chatice de ir à embaixada e felizmente Portugal é um desses países. Aqui está, passinho a passinho, o que tens que fazer para obter um. 1º Passo: completar este formulário online. Aconselho-te a fazê-lo no mínimo duas semanas antes da tua viagem para eles terem tempo de processar o pedido. Até este ponto é tudo grátis. Presta particular atenção à parte das fotografias porque têm medidas e especificações muito precisas. Na profissão nunca ponhas jornalista ou blogger. Não são bem vindos. 2º Passo: Verificar se o pedido foi aceite no mesmo site. Mesmo que não seja não tens que te preocupar. Li sobre muitas pessoas cujo pedido online não foi aceite (provavelmente são as fotografias) e tudo correu normalmente no aeroporto. Pode é levar mais tempo. 3º Passo: Reunir todos os documentos que precisas São eles: Antes da viagem: – Passaporte válido pelo menos durante 6 meses; – Impressão do pedido de visto online; – Confirmação do bilhete de volta; – Confirmação da primeira noite num hostel, hotel… Eles confirmam por isso é importante que os dados que lhes dás sejam legítimos; – Nunca ter estado em Israel. Se tiveres algum carimbo de Israel no teu passaporte não podes entrar no Irão. No aeroporto: – Seguro de viagem. À saída do avião vais encontrar um pequeno escritório que vende seguros de viagem. O preço é de 14€ para 15 dias. É só pagar, assinar e eles dão-te o papel. – Pagar o visto. O custo do visto para portugueses é de 75€. 4º Passo: Entregar tudo e esperar que te devolvam o passaporte 5º Passo: Quando te devolverem o passaporte, espera 10 minutos (para o sistema actualizar) e podes sair. Pensava que me iam dar um visto enorme e afinal é só um carimbo! Este processo não demorou mais do que 20 ou 30 minutos e podia ter demorado menos se eu tivesse percebido que podia sair e não tinha que esperar por um visto no meu passaporte! Contudo, já ouvi relatos de pessoas que ficaram lá duas horas, mas acho que isso foi para pessoas que não tinham o formulário completo online. A duração do visto pode ser de 14 ou 30 dias. Lista de aeroportos onde podes pedir o VOA IKA: Imam Khomeini Airport TEH: Tehran Mehrabad Airport SYZ: Shiraz International Airport MHD: Mashhad International Airport TBZ: Tabriz International Airport ISF: Isfahan International Airport KIH: Kish International Airport Este post foi escrito em Abril de 2018. Neste género de burocracias é normal que as coisas mudem por isso verifica junto de outras fontes tudo o que está aqui escrito.

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Desde que o Irão assinou o acordo nuclear o processo para a obtenção de vistos é muito mais fácil do que era. Hoje em dia muitas nacionalidades podem pedir o Visa On Arrival sem terem que passar pela chatice de ir à embaixada e felizmente Portugal é um desses países.

Aqui está, passinho a passinho, o que tens que fazer para obter um.

1º Passo: completar este formulário online. Aconselho-te a fazê-lo no mínimo duas semanas antes da tua viagem para eles terem tempo de processar o pedido. Até este ponto é tudo grátis.

Presta particular atenção à parte das fotografias porque têm medidas e especificações muito precisas.

Na profissão nunca ponhas jornalista ou blogger. Não são bem vindos.

2º Passo: Verificar se o pedido foi aceite no mesmo site. Mesmo que não seja não tens que te preocupar. Li sobre muitas pessoas cujo pedido online não foi aceite (provavelmente são as fotografias) e tudo correu normalmente no aeroporto. Pode é levar mais tempo.

3º Passo: Reunir todos os documentos que precisas

São eles:

Antes da viagem:

– Passaporte válido pelo menos durante 6 meses;

– Impressão do pedido de visto online;

– Confirmação do bilhete de volta;

– Confirmação da primeira noite num hostel, hotel… Eles confirmam por isso é importante que os dados que lhes dás sejam legítimos;

– Nunca ter estado em Israel. Se tiveres algum carimbo de Israel no teu passaporte não podes entrar no Irão.

No aeroporto:

– Seguro de viagem. À saída do avião vais encontrar um pequeno escritório que vende seguros de viagem. O preço é de 14€ para 15 dias. É só pagar, assinar e eles dão-te o papel.

– Pagar o visto. O custo do visto para portugueses é de 75€.

4º Passo: Entregar tudo e esperar que te devolvam o passaporte

5º Passo: Quando te devolverem o passaporte, espera 10 minutos (para o sistema actualizar) e podes sair. Pensava que me iam dar um visto enorme e afinal é só um carimbo!

Este processo não demorou mais do que 20 ou 30 minutos e podia ter demorado menos se eu tivesse percebido que podia sair e não tinha que esperar por um visto no meu passaporte! Contudo, já ouvi relatos de pessoas que ficaram lá duas horas, mas acho que isso foi para pessoas que não tinham o formulário completo online.

A duração do visto pode ser de 14 ou 30 dias.

Lista de aeroportos onde podes pedir o VOA

IKA: Imam Khomeini Airport
TEH: Tehran Mehrabad Airport
SYZ: Shiraz International Airport
MHD: Mashhad International Airport
TBZ: Tabriz International Airport
ISF: Isfahan International Airport
KIH: Kish International Airport

Este post foi escrito em Abril de 2018. Neste género de burocracias é normal que as coisas mudem por isso verifica junto de outras fontes tudo o que está aqui escrito.

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Uma maratona tuga por Kashan https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/19/kashan-qom-irao/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=kashan-qom-irao https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/19/kashan-qom-irao/#comments Thu, 19 Apr 2018 07:03:34 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=3303 Ao contrário dos franceses e alemães, que quase fogem uns dos outros quando se cruzam em viagem, eu adoro conhecer os portugueses que percorrem este mundo. E em Teerão o Pina (o meu amigo) conheceu dois portugueses que estavam a fazer uma volta pelo Irão mais ou menos como nós. Encontrámo-nos por breves momentos em Shiraz e em Isfahan ficámos no mesmo hostel. No último dia da viagem os nossos planos finalmente coincidiram e fomos ver Kashan juntos. Quatro horas, uma cidade Tínhamos pouco tempo para ver Kashan e um plano mais ou menos definido. Começámos pelo bazar, particularmente famoso pela sua clarabóia espectacularmente trabalhada. Tinham-me dito que devia ver o telhado do bazar mas que este só era acessível através das lojas dos vendedores. Supostamente os vendedores convidam os turistas que andam a visitar as lojas para subir de vez em quando, mas como não tínhamos tempo para isso perguntámos a um homem que veio falar connosco como é que se ia lá a cima. Claro que acabámos por ter que lhe dar uns trocos (se bem que ele nos pediu tipo 5€ ou assim!) mas vimos o rooftop! Entretanto as nossas barrigas já estavam a dar horas e fomos almoçar no Madarbozorg Traditional Restaurant. E foi a “atracção” de Kashan que nos levou mais tempo a ver comer. Ao menos estava bom. Depois tivemos mesmo que acelerar o paço da maratona. A primeira paragem pós almoço foi a Agha Bozorg Mosque, a mais bonita da cidade, que é também uma escola de teologia: uma madrassa. Assim que acabámos fomos a correr para a Tabatabaeis House. Kashan é conhecida no Irão pelas suas casas, que é como quem diz, palacetes. Existem vários, todos próximos uns dos outros, e são um regalo para os olhos! A arquitectura, a decoração e os jardins… tudo combina lindamente. Na recepção reparámos que existia um bilhete combinado para ver a Tabatabaeis House + Sultan Amir Ahmad Bathhouse + Abbāsi House por 350 000 rials. O preço individual de cada uma das atracções é de 150 000 rials. Olhámos para o relógio, olhámos para o preço, olhámos novamente para o relógio e “challenge accepted”. Fizemos um sprint e conseguimos ver tudo numa hora. Acho que vale bastante a pena comprar o “pack” até porque vimos a Abbāsi House que provavelmente não veríamos doutra forma. O hamam é mesmo espectacular. Tanto o telhado como o seu interior. E foi aqui que dissemos adeus aos nossos tugas e seguimos em modo VIP para Qom. Como nessa noite tínhamos que estar no aeroporto de Teerão decidimos arranjar um transporte privado (através da TAP Persia) que nos levou de Kashan até Qom e de Qom até ao aeroporto. O Manel e a Teresa Mais sagrado não há Queríamos para em Qom porque é uma das mais sagradas cidades do Irão com um santuário muito famoso, o Fatima È Massummeh Shrine. Tipo a nossa Fátima em Portugal! Quando lá chegámos eu tive que ir para a entrada das mulheres, onde o nosso vestuário é cuidadosamente controlado e lancei logo o pânico! Não estava a vestir um chador. Pelos vistos eles não estão muito habituados a turistas estrangeiros. Lá comuniquei que precisava que me arranjassem um e por gestos disseram-me para esperar sentada. Esperei, esperei, perguntaram-me de onde é que era e onde é que estava o meu marido (isto tudo em iraniano, só percebi “Turkey” e “husband”) ao que eu respondi “lá fora”. Passados uns 10 minutos lá me arranjaram um chador, embrulharam-me e estava “livre” para seguir. Fui ter com os meus guarda-costas que me esperavam com um guia muito muçulmano. Sempre muito composto e com um certo medo de se dirigir a mim, foi falando sobre a história do santuário e da sua arquitectura. Parecia um bocado um robot, mas ao menos isto é tudo grátis! O santuário em si vale mesmo uma visita, é bastante impressionante. Milhares e milhares de pessoas estavam a chegar porque se aproximava a hora da reza. E, assim sem darmos por nada, a nossa viagem pelo Irão chegava ao fim. Tínhamos umas 7 horas para matar no aeroporto que preenchemos a comer, escrever, organizar malas, passear por todos os cantos e até jogar à forca. Foram 10 dias inesquecíveis num país que “não é para ver, é para viver” como dizia o Manel. Apesar das paisagens lindíssimas do deserto, dos padrões dos azulejos e da diferente arquitectura islâmica, o que nos fica do Irão são os sabores, as contradições, a cultura e acima de tudo, as pessoas, claro. Um país ao qual espero regressar, para explorar as montanhas do norte e as ilhas do sul. Para descobrir a hospitalidade das vilas mais pequenas e os segredos que guardam. Mas isso fica para a próxima!

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Ao contrário dos franceses e alemães, que quase fogem uns dos outros quando se cruzam em viagem, eu adoro conhecer os portugueses que percorrem este mundo.

E em Teerão o Pina (o meu amigo) conheceu dois portugueses que estavam a fazer uma volta pelo Irão mais ou menos como nós. Encontrámo-nos por breves momentos em Shiraz e em Isfahan ficámos no mesmo hostel. No último dia da viagem os nossos planos finalmente coincidiram e fomos ver Kashan juntos.

Quatro horas, uma cidade

Tínhamos pouco tempo para ver Kashan e um plano mais ou menos definido. Começámos pelo bazar, particularmente famoso pela sua clarabóia espectacularmente trabalhada.

Tinham-me dito que devia ver o telhado do bazar mas que este só era acessível através das lojas dos vendedores. Supostamente os vendedores convidam os turistas que andam a visitar as lojas para subir de vez em quando, mas como não tínhamos tempo para isso perguntámos a um homem que veio falar connosco como é que se ia lá a cima.

Claro que acabámos por ter que lhe dar uns trocos (se bem que ele nos pediu tipo 5€ ou assim!) mas vimos o rooftop! Entretanto as nossas barrigas já estavam a dar horas e fomos almoçar no Madarbozorg Traditional Restaurant. E foi a “atracção” de Kashan que nos levou mais tempo a ver comer. Ao menos estava bom.

Depois tivemos mesmo que acelerar o paço da maratona. A primeira paragem pós almoço foi a Agha Bozorg Mosque, a mais bonita da cidade, que é também uma escola de teologia: uma madrassa.

Assim que acabámos fomos a correr para a Tabatabaeis House. Kashan é conhecida no Irão pelas suas casas, que é como quem diz, palacetes. Existem vários, todos próximos uns dos outros, e são um regalo para os olhos! A arquitectura, a decoração e os jardins… tudo combina lindamente.

Na recepção reparámos que existia um bilhete combinado para ver a Tabatabaeis House + Sultan Amir Ahmad Bathhouse + Abbāsi House por 350 000 rials. O preço individual de cada uma das atracções é de 150 000 rials. Olhámos para o relógio, olhámos para o preço, olhámos novamente para o relógio e “challenge accepted”.

Fizemos um sprint e conseguimos ver tudo numa hora. Acho que vale bastante a pena comprar o “pack” até porque vimos a Abbāsi House que provavelmente não veríamos doutra forma.

O hamam é mesmo espectacular. Tanto o telhado como o seu interior.

Hum… bela metáfora!



E foi aqui que dissemos adeus aos nossos tugas e seguimos em modo VIP para Qom. Como nessa noite tínhamos que estar no aeroporto de Teerão decidimos arranjar um transporte privado (através da TAP Persia) que nos levou de Kashan até Qom e de Qom até ao aeroporto.

O Manel e a Teresa

Mais sagrado não há

Queríamos para em Qom porque é uma das mais sagradas cidades do Irão com um santuário muito famoso, o Fatima È Massummeh Shrine. Tipo a nossa Fátima em Portugal!

Quando lá chegámos eu tive que ir para a entrada das mulheres, onde o nosso vestuário é cuidadosamente controlado e lancei logo o pânico! Não estava a vestir um chador. Pelos vistos eles não estão muito habituados a turistas estrangeiros.

Lá comuniquei que precisava que me arranjassem um e por gestos disseram-me para esperar sentada. Esperei, esperei, perguntaram-me de onde é que era e onde é que estava o meu marido (isto tudo em iraniano, só percebi “Turkey” e “husband”) ao que eu respondi “lá fora”. Passados uns 10 minutos lá me arranjaram um chador, embrulharam-me e estava “livre” para seguir.

Colecção Outono/Inverno enrolada

Fui ter com os meus guarda-costas que me esperavam com um guia muito muçulmano. Sempre muito composto e com um certo medo de se dirigir a mim, foi falando sobre a história do santuário e da sua arquitectura. Parecia um bocado um robot, mas ao menos isto é tudo grátis!

O santuário em si vale mesmo uma visita, é bastante impressionante. Milhares e milhares de pessoas estavam a chegar porque se aproximava a hora da reza.

E, assim sem darmos por nada, a nossa viagem pelo Irão chegava ao fim. Tínhamos umas 7 horas para matar no aeroporto que preenchemos a comer, escrever, organizar malas, passear por todos os cantos e até jogar à forca.

Foram 10 dias inesquecíveis num país que “não é para ver, é para viver” como dizia o Manel. Apesar das paisagens lindíssimas do deserto, dos padrões dos azulejos e da diferente arquitectura islâmica, o que nos fica do Irão são os sabores, as contradições, a cultura e acima de tudo, as pessoas, claro.

Um país ao qual espero regressar, para explorar as montanhas do norte e as ilhas do sul. Para descobrir a hospitalidade das vilas mais pequenas e os segredos que guardam.

Mas isso fica para a próxima!

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Isfahan e os sabores do Irão https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/15/isfahan-sabores-irao/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=isfahan-sabores-irao https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/15/isfahan-sabores-irao/#comments Sun, 15 Apr 2018 15:17:25 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=3279 Mal nos metemos no autocarro de Yazd para Isfahan sabíamos que estávamos a chegar ao fim desta incrível jornada. Ia ser a última cidade onde íamos pernoitar. Ficámos na Anar Guesthouse, a casa de uma família iraniana muito acolhedora que recebe turistas. Assim que a Mashad, a filha, nos abriu a porta sentimo-nos em casa. E logo a seguir disse as palavras mágicas: “a minha irmã vai dar uma aula de cozinha hoje. Querem participar?”. SIM, SIM, SIM, foi a minha resposta imediata. Estava pronta para aprender os segredos da cozinha iraniana. Uma viagem pela cozinha e problemas do Irão E assim foi, passei a noite com mais um casal de noruegueses, um de suíços e um belga a cozinhar sob as ordens da Maryam, a versão iraniana do Gordon Ramsay, que não aceitava nada menos que perfeição! Durante o jantar percebemos que ela é uma das iranianas que mal pode esperar pelo dia em que vai conseguir andar livremente pela rua, sem lenços, sem restrições. Contou-nos a triste história do dia em que a sua filha, de 15 anos, foi levada por dois “polícias” da Sepah (um organização religiosa extremamente poderosa, com o seu próprio exército, bancos e infra-estruturas) para a esquadra por ter umas calças demasiado curtas e onde foi obrigada a assinar um documento como nunca mais andaria assim vestida. Cozinhámos 4 pratos com nomes impronunciáveis e aqui vão algumas considerações sobre a gastronomia iraniana: – Manteiga: há manteiga em tudo. Eles usam ghee, manteiga clarificada que hoje em dia já se pode encontrar em muitos supermercados. A maior diferença entre esta manteiga e a normal é que a manteiga clarificada não tem lactose. – Beringelas! Um dos ingredientes preferidos dos iranianos. Assadas, fritas, estufadas, tudo se pode fazer com beringelas 😀 – Especiarias: Hafta advieh é uma mistura de sete especiarias que os iranianos põem em todos os pratos que cozinham. Aqui está um exemplo de proporções, tudo em pó: – Tumeric (100 gramas); Curcuma ou açafrão das índias – Cumin (50 gramas); Cominhos – Sumac (50 gramas); Sumagre – Paprika (50 gramas); Pimentão Doce – Safflower (50 gramas); Cártamo – Cinnamon (50 gramas); Canela – Cardamom (50 gramas) Cardamomo – Açafrão: para além destas especiarias os iranianos também usam açafrão em tudo. Em quantidades bastante menores porque é muito mais caro, claro. Quando voltar a viver numa casa com uma cozinha decente faço as receitas e partilho aqui 😉 Nem é preciso dizer que estava tudo delicioso e que para além de nos divertirmos imenso, até porque o grupo era super entusiasmado, comemos que nem uns reis. Podes encontrar a Maryam no Instagram. Overdose de religião: as igrejas e mesquitas de Isfahan Melhor pequeno almoço que comemos no Irão! O nosso hostel estava muito próximo do bairro arménio e começámos por andar até à Igreja Bethlehem famosa, tal como a Vank Cathedral, pelo seu interior dourado e pinturas detalhadas. É arrebatadora ao primeiro olhar. Todos os centímetros da igreja estão cobertos com pinturas ou ouro. Os desenhos intrincados da cúpula são maravilhosos. Na minha opinião esta igreja é mais interessante de se visitar do que a Vank tanto por ser menos turística e metade do preço como por ser igualmente bonita. Nós fomos às duas, ainda tínhamos muitos Rials para gastar :p Vank Cathedral E agora para algo mais iraniano… Caminhámos em direcção ao centro, passando a ponte Si-o-Se Pol que hoje em dia é um pouco inútil uma vez que o rio está seco. O nosso destino era a Praça Naghsh-e Jahan onde se reúnem as maiores atracções de Isfahan e os mais simpáticos vendedores de carpetes do mundo. É impossível que durante a tua visita ao Irão não acabes numa loja de carpetes onde te vão apresentar todos os tipo de carpetes que existem. Felizmente os vendedores iranianos não são particularmente agressivos e quando percebem que não vale a pena deixam-te ir em paz. Mas é uma experiência engraçada. A primeira mesquita que visitámos foi a Abbasi Great Mosque, um complexo gigante e impressionante capaz de deixar qualquer um de queixo caído. À noite e durante as orações a entrada é gratuita, mas também tem muito mais gente. E por fim, a Sheikh Lotfollah Mosque, uma das mesquitas mais fotogénicas do Irão que até está na capa do guia da Lonely Planet! O resto do dia foi passado a vaguear pelas ruas do interminável bazar de Isfahan e passámos por uma outra ponte, a Khaju Bridge. A cidade deve ser tão mais bonita quando tem um rio! Ainda tivemos tempo de visitar a sede da TAP Persia, a agência com que marquei todos os meus bilhetes de autocarro. Já sabia, pelas mensagens, que eram uns bacanos, mas não fazia ideia que eram uma startup de 5 ou 6 “miúdos” com 30 anos no máximo que perceberam o valor a internet e em pouco tempo se tornaram numa das agências mais famosas do Irão. Adorei conhecê-los. Pessoas que já viajaram, viveram noutros países e voltaram para o Irão para tentar fazer algo pelo seu país. E conseguiram. À noite tive a brilhante ideia de pedir à Mashad se ela e a irmã nos podiam fazer um jantar, para nós e para mais um casal de tugas que também lá estava hospedado. E assim foi: ficámos horas à conversa no simpático pátio da casa com um jantar formidável. Perfeito.

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Mal nos metemos no autocarro de Yazd para Isfahan sabíamos que estávamos a chegar ao fim desta incrível jornada. Ia ser a última cidade onde íamos pernoitar. Ficámos na Anar Guesthouse, a casa de uma família iraniana muito acolhedora que recebe turistas.

Assim que a Mashad, a filha, nos abriu a porta sentimo-nos em casa. E logo a seguir disse as palavras mágicas: “a minha irmã vai dar uma aula de cozinha hoje. Querem participar?”. SIM, SIM, SIM, foi a minha resposta imediata. Estava pronta para aprender os segredos da cozinha iraniana.

Uma viagem pela cozinha e problemas do Irão

E assim foi, passei a noite com mais um casal de noruegueses, um de suíços e um belga a cozinhar sob as ordens da Maryam, a versão iraniana do Gordon Ramsay, que não aceitava nada menos que perfeição!

Durante o jantar percebemos que ela é uma das iranianas que mal pode esperar pelo dia em que vai conseguir andar livremente pela rua, sem lenços, sem restrições. Contou-nos a triste história do dia em que a sua filha, de 15 anos, foi levada por dois “polícias” da Sepah (um organização religiosa extremamente poderosa, com o seu próprio exército, bancos e infra-estruturas) para a esquadra por ter umas calças demasiado curtas e onde foi obrigada a assinar um documento como nunca mais andaria assim vestida.

Cozinhámos 4 pratos com nomes impronunciáveis e aqui vão algumas considerações sobre a gastronomia iraniana:

– Manteiga: há manteiga em tudo. Eles usam ghee, manteiga clarificada que hoje em dia já se pode encontrar em muitos supermercados. A maior diferença entre esta manteiga e a normal é que a manteiga clarificada não tem lactose.

– Beringelas! Um dos ingredientes preferidos dos iranianos. Assadas, fritas, estufadas, tudo se pode fazer com beringelas 😀

– Especiarias: Hafta advieh é uma mistura de sete especiarias que os iranianos põem em todos os pratos que cozinham. Aqui está um exemplo de proporções, tudo em pó:

– Tumeric (100 gramas); Curcuma ou açafrão das índias
– Cumin (50 gramas); Cominhos
– Sumac (50 gramas); Sumagre
– Paprika (50 gramas); Pimentão Doce
– Safflower (50 gramas); Cártamo
– Cinnamon (50 gramas); Canela
– Cardamom (50 gramas) Cardamomo

– Açafrão: para além destas especiarias os iranianos também usam açafrão em tudo. Em quantidades bastante menores porque é muito mais caro, claro.

Quando voltar a viver numa casa com uma cozinha decente faço as receitas e partilho aqui 😉

Nem é preciso dizer que estava tudo delicioso e que para além de nos divertirmos imenso, até porque o grupo era super entusiasmado, comemos que nem uns reis. Podes encontrar a Maryam no Instagram.

Overdose de religião: as igrejas e mesquitas de Isfahan

Melhor pequeno almoço que comemos no Irão!

O nosso hostel estava muito próximo do bairro arménio e começámos por andar até à Igreja Bethlehem famosa, tal como a Vank Cathedral, pelo seu interior dourado e pinturas detalhadas.

Igreja Bethlehem

É arrebatadora ao primeiro olhar. Todos os centímetros da igreja estão cobertos com pinturas ou ouro. Os desenhos intrincados da cúpula são maravilhosos. Na minha opinião esta igreja é mais interessante de se visitar do que a Vank tanto por ser menos turística e metade do preço como por ser igualmente bonita. Nós fomos às duas, ainda tínhamos muitos Rials para gastar :p

Vank Cathedral

E agora para algo mais iraniano…

Caminhámos em direcção ao centro, passando a ponte Si-o-Se Pol que hoje em dia é um pouco inútil uma vez que o rio está seco. O nosso destino era a Praça Naghsh-e Jahan onde se reúnem as maiores atracções de Isfahan e os mais simpáticos vendedores de carpetes do mundo.

É impossível que durante a tua visita ao Irão não acabes numa loja de carpetes onde te vão apresentar todos os tipo de carpetes que existem. Felizmente os vendedores iranianos não são particularmente agressivos e quando percebem que não vale a pena deixam-te ir em paz. Mas é uma experiência engraçada.

A primeira mesquita que visitámos foi a Abbasi Great Mosque, um complexo gigante e impressionante capaz de deixar qualquer um de queixo caído. À noite e durante as orações a entrada é gratuita, mas também tem muito mais gente.

E por fim, a Sheikh Lotfollah Mosque, uma das mesquitas mais fotogénicas do Irão que até está na capa do guia da Lonely Planet!

O resto do dia foi passado a vaguear pelas ruas do interminável bazar de Isfahan e passámos por uma outra ponte, a Khaju Bridge. A cidade deve ser tão mais bonita quando tem um rio!

Ainda tivemos tempo de visitar a sede da TAP Persia, a agência com que marquei todos os meus bilhetes de autocarro. Já sabia, pelas mensagens, que eram uns bacanos, mas não fazia ideia que eram uma startup de 5 ou 6 “miúdos” com 30 anos no máximo que perceberam o valor a internet e em pouco tempo se tornaram numa das agências mais famosas do Irão.

Adorei conhecê-los. Pessoas que já viajaram, viveram noutros países e voltaram para o Irão para tentar fazer algo pelo seu país. E conseguiram.

À noite tive a brilhante ideia de pedir à Mashad se ela e a irmã nos podiam fazer um jantar, para nós e para mais um casal de tugas que também lá estava hospedado. E assim foi: ficámos horas à conversa no simpático pátio da casa com um jantar formidável. Perfeito.

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Kerman e Yazd, as cidades do deserto https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/13/kerman-yazd-irao/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=kerman-yazd-irao https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/13/kerman-yazd-irao/#comments Fri, 13 Apr 2018 16:43:05 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=3256 Estas duas pequenas cidades no deserto não podiam ser mais diferentes uma da outra. Tivemos pouco mais do que algumas horas em cada, mas foram ambas surpreendentemente interessantes, principalmente de um ponto de vista cultural. Passámos por Kerman a voar! Em Kerman ficámos no maravilhoso Narenj Hostel. Os donos eram simpatiquíssimos e recomendaram-nos um restaurante que tinha um ar todo fino e onde pagamos 3 euros para os dois! Inicialmente era suposto abalarmos de Kerman logo às 6 da manhã, mas houve umas trocas nos autocarros e ainda bem. Assim, tivemos tempo para visitar o centro histórico. Passeámos pelas ruas desertas do bazar, afinal de contas era feriado nacional e o dia em que todos iranianos devem “ir para a natureza”. Tivemos a sorte de encontrar a Ganjali Khan Bathhouse aberta, o local mais famoso de Kerman. Desenferrujar o meu turco com os nómadas Qashqai Por fim, conseguimos apanhar o nosso autocarro e chegar a Yazd. Bem, mais ou menos. O autocarro deixou-nos numa rotunda e fomos andando até que encontrámos uma bomba de gasolina e por gestos e sons o moço que lá trabalhava percebeu que queríamos um táxi e chamou-nos um. Mais um iraniano fofinho! Quando chegámos ao nosso “hostel” fiquei logo apaixonada. Estava todo decorado com carpetes e artesanato dos Qashqai, uma tribo nómada que está centralizada no Irão, mas para além de Farsi fala Turco também. E assim que lhes disse que sabia falar um bocadinho de turco, não queriam outra coisa! Yazd tem um centro histórico bastante pequeno, mas é digno de uma visita. Para além do famosíssimo Amir Chakmaq Complex e da Jame Mosque (que pode ser visitada gratuitamente à noite), o lado mais fascinante de Yazd são as suas ruas e ruelas labirínticas que parecem feitas de barro, conferindo-lhe uma atmosfera única. Inesperadamente foi em Yazd que encontrámos mais turistas, talvez por só haver uma rua principal e estarem lá todos concentrados. Nessa mesma rua fui abordada, do nada, por uma família com uns 10 membros (desde crianças a avôs) que me convidaram para ir almoçar em casa deles quando estivesse por Kashan! A noite que passámos no hostel dos Qashqai foi uma noite mesmo muito cultural! Para além de nos mostrarem as músicas deles também no ensinaram a dançar e conseguiram convencer-me a vestir as roupas tradicionais das mulheres da tribo. Parecia a princesa do Frozen versão nómada! Foi uma das noites mais divertidas e memoráveis da viagem onde falámos todas as santas línguas possíveis e imagináveis e acabámos a jantar uma massa que eles fizeram para todos. Teşekkür Ederim! Dica: Yazd tem mais para ver do que o seu centro. Existem várias vilas à volta, as torres do silêncio e até a torre dos pombos em Meybod. Para visitar estes locais o melhor é fazê-lo de táxi ou através de uma agência. Podes encontrar várias na rua da Jame Mosque.

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Estas duas pequenas cidades no deserto não podiam ser mais diferentes uma da outra. Tivemos pouco mais do que algumas horas em cada, mas foram ambas surpreendentemente interessantes, principalmente de um ponto de vista cultural.

Passámos por Kerman a voar!

Em Kerman ficámos no maravilhoso Narenj Hostel. Os donos eram simpatiquíssimos e recomendaram-nos um restaurante que tinha um ar todo fino e onde pagamos 3 euros para os dois! Inicialmente era suposto abalarmos de Kerman logo às 6 da manhã, mas houve umas trocas nos autocarros e ainda bem. Assim, tivemos tempo para visitar o centro histórico.

Passeámos pelas ruas desertas do bazar, afinal de contas era feriado nacional e o dia em que todos iranianos devem “ir para a natureza”. Tivemos a sorte de encontrar a Ganjali Khan Bathhouse aberta, o local mais famoso de Kerman.

Desenferrujar o meu turco com os nómadas Qashqai

Por fim, conseguimos apanhar o nosso autocarro e chegar a Yazd. Bem, mais ou menos. O autocarro deixou-nos numa rotunda e fomos andando até que encontrámos uma bomba de gasolina e por gestos e sons o moço que lá trabalhava percebeu que queríamos um táxi e chamou-nos um. Mais um iraniano fofinho!

Quando chegámos ao nosso “hostel” fiquei logo apaixonada. Estava todo decorado com carpetes e artesanato dos Qashqai, uma tribo nómada que está centralizada no Irão, mas para além de Farsi fala Turco também. E assim que lhes disse que sabia falar um bocadinho de turco, não queriam outra coisa!

Yazd tem um centro histórico bastante pequeno, mas é digno de uma visita. Para além do famosíssimo Amir Chakmaq Complex e da Jame Mosque (que pode ser visitada gratuitamente à noite), o lado mais fascinante de Yazd são as suas ruas e ruelas labirínticas que parecem feitas de barro, conferindo-lhe uma atmosfera única.

Inesperadamente foi em Yazd que encontrámos mais turistas, talvez por só haver uma rua principal e estarem lá todos concentrados. Nessa mesma rua fui abordada, do nada, por uma família com uns 10 membros (desde crianças a avôs) que me convidaram para ir almoçar em casa deles quando estivesse por Kashan!

A noite que passámos no hostel dos Qashqai foi uma noite mesmo muito cultural! Para além de nos mostrarem as músicas deles também no ensinaram a dançar e conseguiram convencer-me a vestir as roupas tradicionais das mulheres da tribo. Parecia a princesa do Frozen versão nómada!

Foi uma das noites mais divertidas e memoráveis da viagem onde falámos todas as santas línguas possíveis e imagináveis e acabámos a jantar uma massa que eles fizeram para todos.

Teşekkür Ederim!

Dica: Yazd tem mais para ver do que o seu centro. Existem várias vilas à volta, as torres do silêncio e até a torre dos pombos em Meybod. Para visitar estes locais o melhor é fazê-lo de táxi ou através de uma agência. Podes encontrar várias na rua da Jame Mosque.

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Deserto, Oásis e Kaluts: entrámos num jipe e aterrámos em Marte https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/12/deserto-oasis-kaluts-irao/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=deserto-oasis-kaluts-irao https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/12/deserto-oasis-kaluts-irao/#comments Thu, 12 Apr 2018 16:27:05 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=3224 Não querendo parecer muito ignorante, antes de ter planeado esta viagem não fazia ideia que o Irão tinha desertos. Ou pelo menos desertos que valem a pena ser vistos. Mas quando comecei a pesquisar e a delinear uma rota, esbarrei com fotografias dos Kaluts e soube imediatamente que tinha que ver aquelas paisagens ao vivo. A trabalheira que me deu arranjar um guia! Como alugar um carro no Irão estava fora de questão, tive que me empenhar em arranjar um guia. Encontrei vários contactos no grupo de facebook See you in Iran e mais alguns através de blogues e comecei a disparar. Entre respostas que demoravam séculos e sugestões de itinerário que não me pareciam assim tão fantásticas lá apareceu o Mohsen. Rapidíssimo a responder, itinerário detalhado, mas com um preço que mata qualquer um. Como percebeu que para nós seria impossível pagar aquilo, disse-me que se encontrasse mais duas pessoas para os mesmos dias podíamos dividir o preço. E encontrou! Depois de muita conversa lá consegui que me sugerisse um preço decente e aceitámos. Íamos passar dois dias a passear pelo deserto, desfiladeiros, oásis e vilas desabitadas com duas francesas. 1º dia: Um cipreste milenar, um mergulho ilegal e os magníficos Kaluts Conhecemos as francesas, a Charlotte e Photine (xaxou e fafou ou algo assim!) na viagem de autocarro nocturna de Shiraz até Kerman. Simpatizámos logo com elas. Quando chegámos a Kerman, apanhámos um Snapp – um uber à iraniana – e fomos até casa do nosso guia que nos recebeu com um pequeno-almoço acabado de fazer. A mulher dele nunca se sentou connosco, só nos servia e incentivava-nos a comer. A seguir chegou o nosso belo jipe, guiado pelo Mustafa. Aconchegámo-nos todos lá dentro e rumo ao deserto! A primeira paragem foi um cipreste com cerca de 800 ou 900 anos, uma árvore muito famosa e venerada na região. A partir daqui tivemos que dizer adeus a casas de banho, água corrente e abraçar o vento e calor do deserto. Assim que o jipe começou a enveredar por trilhos sem asfalto soube que tinha feito a escolha certa em relação àquela tour. Visitámos um desfiladeiro a pé, chamado Vale das Águias, que parecia um mini Grand Canyon. Com o calor já a apertar levaram-nos até um riacho escondido no meio de muitas canas. Quando vimos água ficámos contentíssimos. Mal podíamos esperar para nos enfiarmos lá dentro. Muito a medo, o nosso guia lá disse que como não havia ninguém podíamos tomar banho “como fazíamos lá em França”. Nem foi preciso dizer duas vezes. Enquanto ele e o Mustafa se escondiam muito bem para não ver um centímetro da nossa pele, nós banhávamo-nos livremente. Soube-nos pela vida. Já tapadas e decentes tínhamos um almoço cozinhado pela mulher do Mohsen à nossa espera. Estufado de beringela com carne de camelo. Que pitéu! Só faltava mesmo a bela da sesta para terminarmos a manhã em beleza. Entretanto, estava na altura de enveredarmos pelo deserto profundo. A temperatura ia aumentando para valores que nem deviam ser permitidos e aquele riacho já parecia uma memória de um sonho longínquo. Eventualmente começámos a ver umas formas a surgir no meio do deserto. Estávamos a aproximarmo-nos dos Kaluts. Tínhamos basicamente chegado a Marte! Este deserto é de facto um lugar muito especial. Durante milhares de anos a erosão do vento foi moldando a rochas arenosas em diferentes formas que hoje se chamam Kaluts. Nesta região está também o Lut Desert, conhecido por ser o lugar mais quente do mundo, onde já se registaram temperaturas record de 70.7ºC. Nós felizmente ficámo-nos por 30 graus abaixo! O Mustafa parou o carrou junto a um local onde se podiam ver os restos de uma fogueira e disse “bem-vindos à minha casa”. Era alí que íamos pernoitar. Infelizmente não tivemos muita sorte com o tempo porque com o vento levantou imensa poeira e tornou-se impossível de ver estrelas, nascer do sol e, para mim, até dormir (acabei a dormir no carro!). Mas a paisagem e a sensação de estarmos completamente desconectados do mundo fizeram com que valesse a pena. Isso e o maravilhoso jantar de kebab! 2º dia: Oásis e os direitos das mulheres Depois de um pequeno-almoço temperado com pó e areia conduzimos durante o que pareceram horas intermináveis pelo deserto parando só para ver umas pequenas dunas bem fotogénicas. Só nos faltava a última paragem: o tão prometido oásis. É incrível como durante quilómetros e quilómetros não se vê mais do que rochas e areias e depois, do nada, existe vegetação, palmeiras e vida. Estávamos em Shahdad, uma vila onde surpreendentemente ainda vivem pessoas e onde existem estradas alcatroadas e tudo! Até ao oásis há uma pequena caminhada de 15 minutos onde tens que abraçar a pequena cabra montesa que há dentro de ti. A cascata e lagoa que se formam no meio daquele desfiladeiro são indiscutivelmente lindíssimas. Mas esta experiência deixou-me memórias agridoces. Enquanto os homens podiam mergulhar no oásis de calções de banho e nada mais, tal como fazemos na Europa, as mulheres tinham que ir completamente vestidas, incluindo véu. Vimos uma ou duas sem o véu ao que o nosso guia respondeu “não devem fazer o mesmo, é ilegal”. E portanto, ali estavam a maioria das mulheres, sentadas cá fora, a olhar com uma expressão vazia para os homens que se divertiam livremente dentro de água. Nadavam, brincavam e até dançavam, algo que também é ilegal. Eu não tive “coragem” de entrar. A última coisa que me apetecia era ter roupas ensopadas dos pés à cabeça só porque sim. E a parte mais triste é que isto foi um dia das nossas vidas (minha e das francesas), mas são todos os dias da vida das mulheres iranianas. Espero muito sinceramente que as coisas mudem radicalmente para estas mulheres em breve. Com mais um almoço delicioso no bucho e uma power nap fomos visitar as ruínas da antiga cidade de Shahdad, destruída por um terramoto há 40 anos atrás. Uma verdadeira cidade do deserto com casas feitas a partir de terra e feno. E foi assim que chegámos ao fim da nossa aventura do deserto. Apesar do nosso guia ser um pouco conservador acho que foi uma oportunidade incrível para falar com alguém que não é um “jovem millennial” que quer uma revolução já e perceber o outro lado da moeda. Afinal, viajar é isso. Quando chegámos ao nosso hostel ficámos encantados com o luxo de termos uma sanita e um duche para tirarmos os quilos de pó que tínhamos em cima! Afinal, viajar é isso. 😉 Contacto do guia Nome: Mohsen Whatsapp: +98 913 387 0492 Custo: 160€ por pessoa. Tudo incluído.

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Não querendo parecer muito ignorante, antes de ter planeado esta viagem não fazia ideia que o Irão tinha desertos. Ou pelo menos desertos que valem a pena ser vistos. Mas quando comecei a pesquisar e a delinear uma rota, esbarrei com fotografias dos Kaluts e soube imediatamente que tinha que ver aquelas paisagens ao vivo.

A trabalheira que me deu arranjar um guia!

Como alugar um carro no Irão estava fora de questão, tive que me empenhar em arranjar um guia. Encontrei vários contactos no grupo de facebook See you in Iran e mais alguns através de blogues e comecei a disparar.

Entre respostas que demoravam séculos e sugestões de itinerário que não me pareciam assim tão fantásticas lá apareceu o Mohsen. Rapidíssimo a responder, itinerário detalhado, mas com um preço que mata qualquer um. Como percebeu que para nós seria impossível pagar aquilo, disse-me que se encontrasse mais duas pessoas para os mesmos dias podíamos dividir o preço. E encontrou! Depois de muita conversa lá consegui que me sugerisse um preço decente e aceitámos.

Íamos passar dois dias a passear pelo deserto, desfiladeiros, oásis e vilas desabitadas com duas francesas.

1º dia: Um cipreste milenar, um mergulho ilegal e os magníficos Kaluts

Conhecemos as francesas, a Charlotte e Photine (xaxou e fafou ou algo assim!) na viagem de autocarro nocturna de Shiraz até Kerman. Simpatizámos logo com elas. Quando chegámos a Kerman, apanhámos um Snapp – um uber à iraniana – e fomos até casa do nosso guia que nos recebeu com um pequeno-almoço acabado de fazer. A mulher dele nunca se sentou connosco, só nos servia e incentivava-nos a comer.

A seguir chegou o nosso belo jipe, guiado pelo Mustafa. Aconchegámo-nos todos lá dentro e rumo ao deserto! A primeira paragem foi um cipreste com cerca de 800 ou 900 anos, uma árvore muito famosa e venerada na região.

A partir daqui tivemos que dizer adeus a casas de banho, água corrente e abraçar o vento e calor do deserto. Assim que o jipe começou a enveredar por trilhos sem asfalto soube que tinha feito a escolha certa em relação àquela tour. Visitámos um desfiladeiro a pé, chamado Vale das Águias, que parecia um mini Grand Canyon.


Com o calor já a apertar levaram-nos até um riacho escondido no meio de muitas canas. Quando vimos água ficámos contentíssimos. Mal podíamos esperar para nos enfiarmos lá dentro. Muito a medo, o nosso guia lá disse que como não havia ninguém podíamos tomar banho “como fazíamos lá em França”. Nem foi preciso dizer duas vezes. Enquanto ele e o Mustafa se escondiam muito bem para não ver um centímetro da nossa pele, nós banhávamo-nos livremente.

Soube-nos pela vida. Já tapadas e decentes tínhamos um almoço cozinhado pela mulher do Mohsen à nossa espera. Estufado de beringela com carne de camelo. Que pitéu! Só faltava mesmo a bela da sesta para terminarmos a manhã em beleza.

Entretanto, estava na altura de enveredarmos pelo deserto profundo. A temperatura ia aumentando para valores que nem deviam ser permitidos e aquele riacho já parecia uma memória de um sonho longínquo.

Pequena vila que visitámos. Este lugar vai ser convertido num hotel de 5 estrelas em breve.

Eventualmente começámos a ver umas formas a surgir no meio do deserto. Estávamos a aproximarmo-nos dos Kaluts. Tínhamos basicamente chegado a Marte!

Este deserto é de facto um lugar muito especial. Durante milhares de anos a erosão do vento foi moldando a rochas arenosas em diferentes formas que hoje se chamam Kaluts. Nesta região está também o Lut Desert, conhecido por ser o lugar mais quente do mundo, onde já se registaram temperaturas record de 70.7ºC. Nós felizmente ficámo-nos por 30 graus abaixo!

O Mustafa parou o carrou junto a um local onde se podiam ver os restos de uma fogueira e disse “bem-vindos à minha casa”. Era alí que íamos pernoitar.

Infelizmente não tivemos muita sorte com o tempo porque com o vento levantou imensa poeira e tornou-se impossível de ver estrelas, nascer do sol e, para mim, até dormir (acabei a dormir no carro!). Mas a paisagem e a sensação de estarmos completamente desconectados do mundo fizeram com que valesse a pena. Isso e o maravilhoso jantar de kebab!

2º dia: Oásis e os direitos das mulheres


Depois de um pequeno-almoço temperado com pó e areia conduzimos durante o que pareceram horas intermináveis pelo deserto parando só para ver umas pequenas dunas bem fotogénicas.

Só nos faltava a última paragem: o tão prometido oásis. É incrível como durante quilómetros e quilómetros não se vê mais do que rochas e areias e depois, do nada, existe vegetação, palmeiras e vida. Estávamos em Shahdad, uma vila onde surpreendentemente ainda vivem pessoas e onde existem estradas alcatroadas e tudo!

Até ao oásis há uma pequena caminhada de 15 minutos onde tens que abraçar a pequena cabra montesa que há dentro de ti. A cascata e lagoa que se formam no meio daquele desfiladeiro são indiscutivelmente lindíssimas.

Mas esta experiência deixou-me memórias agridoces. Enquanto os homens podiam mergulhar no oásis de calções de banho e nada mais, tal como fazemos na Europa, as mulheres tinham que ir completamente vestidas, incluindo véu. Vimos uma ou duas sem o véu ao que o nosso guia respondeu “não devem fazer o mesmo, é ilegal”.

E portanto, ali estavam a maioria das mulheres, sentadas cá fora, a olhar com uma expressão vazia para os homens que se divertiam livremente dentro de água. Nadavam, brincavam e até dançavam, algo que também é ilegal. Eu não tive “coragem” de entrar. A última coisa que me apetecia era ter roupas ensopadas dos pés à cabeça só porque sim. E a parte mais triste é que isto foi um dia das nossas vidas (minha e das francesas), mas são todos os dias da vida das mulheres iranianas. Espero muito sinceramente que as coisas mudem radicalmente para estas mulheres em breve.

Uma imagem que vale mais que mil palavras

Com mais um almoço delicioso no bucho e uma power nap fomos visitar as ruínas da antiga cidade de Shahdad, destruída por um terramoto há 40 anos atrás. Uma verdadeira cidade do deserto com casas feitas a partir de terra e feno.

E foi assim que chegámos ao fim da nossa aventura do deserto. Apesar do nosso guia ser um pouco conservador acho que foi uma oportunidade incrível para falar com alguém que não é um “jovem millennial” que quer uma revolução já e perceber o outro lado da moeda. Afinal, viajar é isso.

Quando chegámos ao nosso hostel ficámos encantados com o luxo de termos uma sanita e um duche para tirarmos os quilos de pó que tínhamos em cima! Afinal, viajar é isso. 😉

Contacto do guia

Nome: Mohsen
Whatsapp:
+98 913 387 0492
Custo: 160€ por pessoa. Tudo incluído.

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Mesquita Nasir al Molk e Persépolis, as duas pérolas de Shiraz https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/10/shiraz-pink-mosque-persepolis/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=shiraz-pink-mosque-persepolis https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/10/shiraz-pink-mosque-persepolis/#comments Tue, 10 Apr 2018 19:27:56 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=3203 Foi uma fotografia da Nasir al Molk mosque, ou mesquita cor-de-rosa, que vi há alguns anos atrás que despertou o meu interesse pelo Irão. Acho difícil ficar indiferente àquelas cores e arquitectura. Todo o cenário parece saído do livro das Mil e Uma Noites. E por isso mesmo, não podia estar mais entusiasmada para ver a mesquita mais bonita do Irão, talvez do mundo, com os meus próprios olhos. E devo dizer que correspondeu a todas as minhas expectativas. Só tivemos o azar de visitar Shiraz no Norwuz, o ano novo persa, e consequentemente a altura com mais turistas (iranianos) no Irão. A ti, recomendo-te chegares um pouco antes das oito da manhã, para garantir que tens a mesquita só para ti e que podes tirar foto incríveis! Nasir al Molk Depois de pagarmos o preço turístico de 5€ para entrar, foi altura de nos deixarmos embasbacar por cada canto desta obra-prima. Logo à entrada há um espelho de água que reflecte perfeitamente a mesquita. Os azulejos são pintados com um detalhe exímio e as formas geométricas são únicas. O interior da mesquita, apesar de já estar um pouco cheio, é um lugar que dá para contemplar durante horas. Deixo as fotografias falarem por mim! Quando saímos, para uma cidade ainda adormecida, lá conseguimos descobrir um lugar para tomar o pequeno-almoço num cantinho onde ninguém falava inglês. 1.6€ para os dois. Ainda andámos até à Hafez Tomb, um lugar sagrado naquela cidade, dedicado ao mais adorado poeta persa. Às 10 da manhã já estava demasiado cheia para visitarmos, mas se fores ao Irão numa época “normal”, recomendo-te a entrar. Persépolis Tínhamos combinado com o Moji (o nosso host) e com um amigo dele que íamos a Persépolis nesse dia. Tal como o resto da cidade estava a abarrotar, mas não podíamos deixar de visitar este marco histórico. Uma vez que toda a gente dizia que nós (eu e o meu amigo) parecíamos iranianos, o Moji comprou 4 bilhetes para iranianos e, como que por milagre, passámos todos sem nos terem dito nada. Eu com as minhas roupas todas coloridas e algo “curtas” devo ter passado como uma iraniana rebelde. Persépolis pode traduzir-se como “Cidade dos Persas” e foi capital do Império Persa entre 550–330 BC. As suas ruínas são impressionantes e não é todos os dias que se passeia por um lugar que foi destruído por Alexandre, o Grande! E foi com um grande escaldão que nos despedimos de Persépolis e fomos almoçar a um dos “restaurantes” mais fixes que já vi! Era uma mistura de restaurante e jardim, onde em vez de mesas havia umas mini cabaninhas, com umas carpetes no chão onde podíamos relaxar e comer. Um sítio todo fino, com pratos deliciosos pela modica quantia de 4 euros a cada! Que sonho! Mas infelizmente o nosso tempo em Shiraz já estava a chegar ao fim e já só conseguimos ir a casa, tomar banho, jantar com a “nossa” família e despedirmo-nos entre muitos abraços, beijinhos e promessas que voltaríamos ao Irão! É difícil de expressar a nossa gratidão pelo que esta família fez por nós a troco de nada (vá, um postal e um íman…). Mersi!! Um olhar sobre o Irão antes da revolução Enquanto passeávamos pelo centro de Shiraz, decidimos parar no Café Arg para descansar e beber um suminho. Este café é especial, porque era uma casa normal e quando a proprietária morreu foi transformado em café, mas o interior continua igual ao que era. Para além de ser um espaço interessante, em conjunto com o menu os empregados trazem os álbuns da família. E que choque! Parecia que estava a ver os álbuns dos meus pais, mas com mais mulheres com monocelhas! Até 1979 o Irão parecia um país europeu. As roupas, os costumes… a Revolução Islâmica transformou drasticamente o país para aquilo que é hoje. A nossa paragem seguinte foi Kerman e uma viagem de dois dias de jipe no deserto!!

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Foi uma fotografia da Nasir al Molk mosque, ou mesquita cor-de-rosa, que vi há alguns anos atrás que despertou o meu interesse pelo Irão. Acho difícil ficar indiferente àquelas cores e arquitectura. Todo o cenário parece saído do livro das Mil e Uma Noites. E por isso mesmo, não podia estar mais entusiasmada para ver a mesquita mais bonita do Irão, talvez do mundo, com os meus próprios olhos.

E devo dizer que correspondeu a todas as minhas expectativas. Só tivemos o azar de visitar Shiraz no Norwuz, o ano novo persa, e consequentemente a altura com mais turistas (iranianos) no Irão. A ti, recomendo-te chegares um pouco antes das oito da manhã, para garantir que tens a mesquita só para ti e que podes tirar foto incríveis!

Nasir al Molk

Depois de pagarmos o preço turístico de 5€ para entrar, foi altura de nos deixarmos embasbacar por cada canto desta obra-prima. Logo à entrada há um espelho de água que reflecte perfeitamente a mesquita. Os azulejos são pintados com um detalhe exímio e as formas geométricas são únicas.

O interior da mesquita, apesar de já estar um pouco cheio, é um lugar que dá para contemplar durante horas. Deixo as fotografias falarem por mim!


Quando saímos, para uma cidade ainda adormecida, lá conseguimos descobrir um lugar para tomar o pequeno-almoço num cantinho onde ninguém falava inglês. 1.6€ para os dois.

Ainda andámos até à Hafez Tomb, um lugar sagrado naquela cidade, dedicado ao mais adorado poeta persa. Às 10 da manhã já estava demasiado cheia para visitarmos, mas se fores ao Irão numa época “normal”, recomendo-te a entrar.

Persépolis

Tínhamos combinado com o Moji (o nosso host) e com um amigo dele que íamos a Persépolis nesse dia. Tal como o resto da cidade estava a abarrotar, mas não podíamos deixar de visitar este marco histórico.

Uma vez que toda a gente dizia que nós (eu e o meu amigo) parecíamos iranianos, o Moji comprou 4 bilhetes para iranianos e, como que por milagre, passámos todos sem nos terem dito nada. Eu com as minhas roupas todas coloridas e algo “curtas” devo ter passado como uma iraniana rebelde.

Persépolis pode traduzir-se como “Cidade dos Persas” e foi capital do Império Persa entre 550–330 BC. As suas ruínas são impressionantes e não é todos os dias que se passeia por um lugar que foi destruído por Alexandre, o Grande!

E foi com um grande escaldão que nos despedimos de Persépolis e fomos almoçar a um dos “restaurantes” mais fixes que já vi! Era uma mistura de restaurante e jardim, onde em vez de mesas havia umas mini cabaninhas, com umas carpetes no chão onde podíamos relaxar e comer. Um sítio todo fino, com pratos deliciosos pela modica quantia de 4 euros a cada! Que sonho!

Mas infelizmente o nosso tempo em Shiraz já estava a chegar ao fim e já só conseguimos ir a casa, tomar banho, jantar com a “nossa” família e despedirmo-nos entre muitos abraços, beijinhos e promessas que voltaríamos ao Irão!

É difícil de expressar a nossa gratidão pelo que esta família fez por nós a troco de nada (vá, um postal e um íman…). Mersi!!

Diz lá que não são os melhores?

Um olhar sobre o Irão antes da revolução

Enquanto passeávamos pelo centro de Shiraz, decidimos parar no Café Arg para descansar e beber um suminho. Este café é especial, porque era uma casa normal e quando a proprietária morreu foi transformado em café, mas o interior continua igual ao que era.

Para além de ser um espaço interessante, em conjunto com o menu os empregados trazem os álbuns da família. E que choque! Parecia que estava a ver os álbuns dos meus pais, mas com mais mulheres com monocelhas! Até 1979 o Irão parecia um país europeu. As roupas, os costumes… a Revolução Islâmica transformou drasticamente o país para aquilo que é hoje.

A nossa paragem seguinte foi Kerman e uma viagem de dois dias de jipe no deserto!!

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Shiraz: foi por isto que fui ao Irão https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/10/shiraz-hospitalidade-iraniana-couchsurfing/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=shiraz-hospitalidade-iraniana-couchsurfing https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/10/shiraz-hospitalidade-iraniana-couchsurfing/#comments Tue, 10 Apr 2018 14:38:24 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=3179 A hospitalidade Iraniana é lendária. Vem em qualquer guia de viagem sobre o Irão, existem milhares de posts sobre isso e é um dos tópicos de conversa mais comuns entre viajantes que se cruzam no país. E por isso, uma das melhores coisas que podes fazer no Irão, é seres hospedado/a por uma família iraniana. E no Irão isso está à distância de uns cliques. Sou uma fã assumida do Couchsurfing e, apesar do couchsurfing ser ilegal no Irão (tudo é!), é utilizado por milhares de Iranianos que abrem a porta de suas casas a estrangeiros e os tratam como família a partir o momento em que passam a porta. A minha família iraniana Depois de ler atentamente vários perfis de hosts em Shiraz decidi contactar o Moji. Só lhe escrevi a ele porque tinha lido que as probabilidades de te aceitarem o pedido à primeira são grandes e assim foi. Passados dois ou três dias tinha uma reposta afirmativa. Íamos ficar em casa dele e da sua família. No dia que chegámos à estação de autocarros de Shiraz – depois de uma longa viagem de 11 horas desde Teerão, que contou com filmes cómicos Iranianos, música iraniana a alto e bom som e bolos estilo dancake capazes de rebentar com os níveis de glicémia de qualquer um – o Moji veio ter connosco. A primeira coisa que nos ensinou foi que em Shiraz tudo decorre nas calmas e sem preocupações. “Don’t worry be happy” é o seu lema. Gostei dele imediatamente. Fomos deixar as malas a casa onde a mãe nos recebeu com um grande sorriso e um pequeno-almoço típico. No Irão come-se no chão, numa toalha em cima da carpete. O Moji foi um querido e deu-nos o quarto dele e dormiu na sala durante os dias em que lá estivemos. A minha mãe adoptiva iraniana! Turistando por Shiraz A partir daí já não nos separámos mais! Tinha programado para nós uma tour completa pelos melhores monumentos de Shiraz. Começámos pelo Vakil Bazaar que estava a rebentar pelas costuras e aprendemos muito sobre o artesanato local (ele também é artista!). Depois, passámos pela Vakil Mosque (só pelo exterior), Karim Khan Citadel e Eram Garden. Apesar do Irão ser basicamente um deserto gigante, os jardins iranianos estão extremamente bem cuidados e verdes. E Shiraz é particularmente famosa pela sua natureza. Os jardins são também um lugar onde os iranianos se encontram para conversar, fazer picnics e tirar muitas fotografias. Por isso, nós fizemos o mesmo! Ainda tivemos energia para visitar o Shahcheragh Holy Shrine, a maior mesquita da cidade e uma das mais importantes do país. Nos Holy Shrines as mulheres têm que usar sempre um chador, basicamente têm que se embrulhar num lençol, e os turistas têm que ser acompanhados por um guia que lhes é adjudicado gratuitamente. Apesar de o interior não ser acessível a não muçulmanos, dá para espreitar e é impressionante como brilha por causa do efeito dos espelhos. O último lugar que visitámos foi o palacete Shapouri Pavilion que fica lindo à noite! Quando chegámos a casa tínhamos uma pratada de massa à nossa espera e estávamos prontos para ir dormir! Mais uma pequena história que diz muito sobre o povo iraniano A condução dos iranianos é tudo menos segura e as condições das estradas não ajudam muito à festa. Quando estávamos todos a dar um passeio perto de uma estrada ouve-se o barulho de um acidente e vimos que um carro tinha capotado para dentro da vala que existe entre a estrada e o passeio. Do nada, cerca de 20 homens desataram a correr, passando pela estrada, parando o trânsito, prontos para ajudar. Em meio minuto tinham posto o carro de volta à sua posição original e as pessoas que iam lá dentro estavam bem. Nunca na minha vida vi nada assim. Todas estas pessoas largaram tudo o que estavam a fazer para ir ajudar alguém. Surpreendeu-me imenso e acho que na Europa seria difícil ver tanto altruísmo e entreajuda. O aparato todo não durou muito mais do que 5 minutos, mas é uma imagem que ficou bem gravada na minha memória. As histórias de Shiraz continuam aqui!

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A hospitalidade Iraniana é lendária. Vem em qualquer guia de viagem sobre o Irão, existem milhares de posts sobre isso e é um dos tópicos de conversa mais comuns entre viajantes que se cruzam no país.

E por isso, uma das melhores coisas que podes fazer no Irão, é seres hospedado/a por uma família iraniana. E no Irão isso está à distância de uns cliques. Sou uma fã assumida do Couchsurfing e, apesar do couchsurfing ser ilegal no Irão (tudo é!), é utilizado por milhares de Iranianos que abrem a porta de suas casas a estrangeiros e os tratam como família a partir o momento em que passam a porta.

A minha família iraniana

Depois de ler atentamente vários perfis de hosts em Shiraz decidi contactar o Moji. Só lhe escrevi a ele porque tinha lido que as probabilidades de te aceitarem o pedido à primeira são grandes e assim foi. Passados dois ou três dias tinha uma reposta afirmativa. Íamos ficar em casa dele e da sua família.

No dia que chegámos à estação de autocarros de Shiraz – depois de uma longa viagem de 11 horas desde Teerão, que contou com filmes cómicos Iranianos, música iraniana a alto e bom som e bolos estilo dancake capazes de rebentar com os níveis de glicémia de qualquer um – o Moji veio ter connosco.

A primeira coisa que nos ensinou foi que em Shiraz tudo decorre nas calmas e sem preocupações. “Don’t worry be happy” é o seu lema. Gostei dele imediatamente.

Fomos deixar as malas a casa onde a mãe nos recebeu com um grande sorriso e um pequeno-almoço típico. No Irão come-se no chão, numa toalha em cima da carpete. O Moji foi um querido e deu-nos o quarto dele e dormiu na sala durante os dias em que lá estivemos.

A minha mãe adoptiva iraniana!

Turistando por Shiraz

A partir daí já não nos separámos mais! Tinha programado para nós uma tour completa pelos melhores monumentos de Shiraz. Começámos pelo Vakil Bazaar que estava a rebentar pelas costuras e aprendemos muito sobre o artesanato local (ele também é artista!). Depois, passámos pela Vakil Mosque (só pelo exterior), Karim Khan Citadel e Eram Garden.

Apesar do Irão ser basicamente um deserto gigante, os jardins iranianos estão extremamente bem cuidados e verdes. E Shiraz é particularmente famosa pela sua natureza. Os jardins são também um lugar onde os iranianos se encontram para conversar, fazer picnics e tirar muitas fotografias. Por isso, nós fizemos o mesmo!

Ainda tivemos energia para visitar o Shahcheragh Holy Shrine, a maior mesquita da cidade e uma das mais importantes do país. Nos Holy Shrines as mulheres têm que usar sempre um chador, basicamente têm que se embrulhar num lençol, e os turistas têm que ser acompanhados por um guia que lhes é adjudicado gratuitamente.

Eles não deixam entrar com máquinas fotográficas por isso só tenho estas fotos rascas

Introdução ao estilo embrulhado!

Apesar de o interior não ser acessível a não muçulmanos, dá para espreitar e é impressionante como brilha por causa do efeito dos espelhos. O último lugar que visitámos foi o palacete Shapouri Pavilion que fica lindo à noite!

Quando chegámos a casa tínhamos uma pratada de massa à nossa espera e estávamos prontos para ir dormir!

Mais uma pequena história que diz muito sobre o povo iraniano

A condução dos iranianos é tudo menos segura e as condições das estradas não ajudam muito à festa. Quando estávamos todos a dar um passeio perto de uma estrada ouve-se o barulho de um acidente e vimos que um carro tinha capotado para dentro da vala que existe entre a estrada e o passeio.

Do nada, cerca de 20 homens desataram a correr, passando pela estrada, parando o trânsito, prontos para ajudar. Em meio minuto tinham posto o carro de volta à sua posição original e as pessoas que iam lá dentro estavam bem.

Nunca na minha vida vi nada assim. Todas estas pessoas largaram tudo o que estavam a fazer para ir ajudar alguém. Surpreendeu-me imenso e acho que na Europa seria difícil ver tanto altruísmo e entreajuda. O aparato todo não durou muito mais do que 5 minutos, mas é uma imagem que ficou bem gravada na minha memória.

As histórias de Shiraz continuam aqui!

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