Escócia Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/escocia/ Blog de viagens para inquietos e irrequietos Sun, 23 Jan 2022 12:42:22 +0000 en-GB hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://www.mudancasconstantes.com/wp-content/uploads/2018/10/cropped-Untitled-design-1-32x32.png Escócia Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/escocia/ 32 32 Isle of Skye: as fadas moram aqui https://www.mudancasconstantes.com/2021/08/25/ilha-skye-escocia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=ilha-skye-escocia https://www.mudancasconstantes.com/2021/08/25/ilha-skye-escocia/#respond Wed, 25 Aug 2021 20:37:05 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=6605 Quando visitei a ilha de Skye há oito anos senti que aquele era um lugar especial. Eu sou completamente céptica relativamente a tudo o que é espiritualidade, anjinhos e outras coisas não provadas pela ciência, mas de alguma forma parecia que havia ali uma energia diferente. Na altura, um dia foi todo o tempo que tivemos (eu e os meus pais) para ver esta ilha, mas desde então sabia que haveria de regressar. Assim sendo, desta vez reservei quatro dias completos para me deixar enfeitiçar, e dia após dia Skye deixou-me estupefacta com a sua beleza em bruto. Aqui vamos nós! As Fadas da Terra moram no Fairy Glen A viagem de autocarro de Fort William até Portree (a vila maiorzinha em Skye) traduz-se em três horas de estradas que contornam lagos, vales e rios. Tudo debaixo de nuvens e uma chuva miudinha que é tão característica da Escócia. À chegada a Portree, depois de ir deixar a mochila no Airbnb que ia ser o meu ninho de repouso nos dias seguintes, tinha que fazer uma escolha: deixar-me ficar no quentinho do quarto e deixar as caminhadas para o dia seguinte ou ir estrear o poncho que comprara há algumas horas. Ganhou a segunda opção e lá fui eu para o autocarro que saía daquela que era possivelmente a única escola da ilha. Portanto lá fui eu e os miúdos do quinto ano até Uig onde fica o Fairy Glen.Só pela paragem de autocarro do meu destino já tinha valido a pena o passeio. Apesar das nuvens baixas, a baía de Uig era uma celebração de azuis e verdes e uma premonição daquilo que estava para vir. Vinte e cinco minutos depois e várias paragens para fotografar ovelhas e lutar contra o vento e a chuva que ora vinham, ora iam, cheguei ao vale mais encantado de Skye. As fotografias definitivamente não conseguem captar o misticismo deste lugar e das suas colinas singulares. Por mim tinha ficado por ali durante horas a explorar as redondezas (como se não bastasse o vale em si ainda há várias quedas de água por perto), mas tinha os minutos contados. Após uma voltinha rápida e desorientada por aquele que foi um dos lugares que mais gostei em toda a minha viagem vi-me obrigada a correr, literalmente, até à paragem de autocarro para apanhar o último serviço do dia às seis da tarde. Claro que o autocarro só apareceu dez minutos depois e o meu suor foi em vão, mas a decisão de ir apanhar chuva e explorar a ilha em vez de ficar no bem bom foi a melhor que tomei! As Fadas do Ar moram no Quiraing Ao terceiro dia o sol decidiu aparecer em Skye e as rajadas de vento já não me faziam levantar voo. Apanhei o primeiro autocarro do dia em direcção ao Norte da ilha onde fica o Quiraing. Depois de trinta minutos a andar na companhia de rebanhos de ovelhas cheguei ao ponto oficial de início da caminhada. As horas que se seguiram foram absolutamente inesquecíveis. Do início ao fim, o circuito de Quiraing é uma surpresa a cada curva. As cores, os lagos, o mar… tudo funciona numa sinfonia paisagística perfeita. O facto de ter feito a caminhada sem me cruzar com ninguém tornou a experiência ainda mais especial e fez-me pensar que as pessoas que simplesmente conduzem até ao miradouro principal do Quiraing para tirar uma fotografia sem fazerem a caminhada não sabem o que perdem! Dica: podes encontrar o trilho que fiz aqui. Se não tiveres carro como eu, não precisas de caminhar até ao ponto de começo, podes “entrar” pelo caminho perto do cemitério (cemetery parking no google maps). O mais aconselhado é fazer a caminhada no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio. Prepara-te para ventos bastante fortes e não tentes fazer o trilho num dia de mau tempo. Esta é definitivamente uma das melhores caminhadas que já fiz. À tarde ainda fiz o trilho do Old Man of Storr, que é o mais famoso da ilha devido à sua curiosa formação rochosa e as suas “agulhas”. Infelizmente não me apercebi que havia dois caminhos possíveis e acabei por não subir até às famosas agulhas, mas mesmo assim não me posso queixar das vistas. Deixo aqui o link do trilho que devia ter feito. Enquanto esperava pelo autocarro de regresso, meti conversa com a única outra pessoa que também estava à espera do último autocarro do dia e descobrimos que íamos estar as duas no mesmo hostel no dia seguinte. Muitas horas passámos na sala comum desse hostel em Inverness a conversar sobre viagens, vinte e quatro horas depois. As Fadas da Água moram nas Fairy Pools Foram precisas duas tentativas, uma delas obviamente falhada, para chegar às Fairy Pools. Mais uma vez, a falta de carro tornou esta jornada mais interessante porque foi preciso uma caminhada de cinco horas no total para fazer algo que se faz de carro em meia hora. Desta vez tive que atravessar o sopé das Montanhas Cullins, sempre ao lado de um riacho que se transformava numa nova cascata a cada 100 metros. Como já estava habituada, não avistei vivalma e os passaritos e ovelhas foram, mais uma vez, a minha companhia. Cerca de duas horas depois cheguei às Fairy Pools que me apresentaram a mais umas quantas tonalidades de azul. É fácil de perceber porque é que estas “piscinas de fadas” aparecem em todos os roteiros turísticos. Apesar das temperaturas pouco convidativas, alguns corajosos aventuram-se a mergulhar nas pequenas poças de um azul muito fotogénico. Quanto mais se anda, menos gente há e mais bonitas se tornam estas piscinas naturais. Voltando à primeira tentativa: a previsão metereológica para a manhã da primeira tentativa não era a melhor, mas havia a possibilidade de não chover muito e portanto lá apanhei o primeiro autocarro até Sligachan onde começa a caminhada. Claro que estava a chover “cats and dogs”, como dizem aqui, e assim ficou durante duas horas que foi o tempo que tive que esperar na paragem até apanhar o autocarro seguinte. Quando o autocarro veio não aceitavam cartões (inédito no Reino Unido), mas o condutor deixou-me entrar na mesma. No fim da viagem, quando ia levantar dinheiro para pagar o senhor deve ter sentido pena do meu ar desconsolado, frio e molhado e disse que me oferecia a viagem. Uma das vantagens de viajar sozinha! Portree, a solução para o clima escocês No dia da minha tentativa falhada nas Fairy Pools tive que arranjar uma solução para me entreter durante o resto do dia. Depois de um banho quente, estava na hora de encontrar uma refeição quente. Felizmente dei com o Cafe Arriba que para além de ter comida ultra saborosa e bem confecionada (com porções bem generosas) também tem uma vista para a baia de Portree que parece uma pintura. O almoço reconfortante ajudou-me a ultrapassar o trauma da molha que apanhei e arrisquei uma pequena caminhada à volta de Portree. Para minha surpresa a chuva aguentou-se e deixou-me fazer um circuito de três quilómetros – Scorrybreac Circuit – surpreendentemente bonito e agradável. O resto da tarde foi passado dentro de um pub a conversar com um médico do Bangladesh que conheci através do Couchsurfing. Este é o resumo dos meus dias em Skye e não é que por mim voltava para lá já para o ano? Continua a ser um dos meus lugares preferidos! Dicas rápidas Alojamento: Em tempos Covidosos não havia hostels abertos em Skye, por isso tive que recorrer ao Airbnb o que até foi bom, porque depois de caminhar mais de vinte e tal quilómetros não há nada melhor que um quartinho solitário. Conta gastar entre 70 a 80 pounds por noite se optares por um Airbnb perto do centro de Portree. O alojamento no Reino Unido é bastante caro. Transportes: A minha maior preocupação na preparação desta viagem era não ter carro. Foram muitas pesquisar no Google “Skye without a car”. Muitas diziam que não era possível, mas claro que tudo é possível. Há autocarros que ligam os principais pontos da ilha: Broadford, Sligachan, Portree e Uig. Felizmente, todos os pontos que queria visitar estavam nessa rota. É claro que requer um nível de planeamento maior, porque há poucos autocarros e começam cedo e acabam cedo. Se gostas de andar e queres mesmo visitar Portree, acho que não ter carro não é desculpa. O Google Maps é bastante fiável no que toca aos horários dos autocarros na ilha, mas podes sempre consultar o site da citylink e da stagecoach. Podes comprar um passe diário a bordo dos autocarros stagecoach que compensa se usares mais do que dois autocarros por dia. Refeições: A maioria das minhas refeições saíram do Coop (supermercado) de Portree. Como o quarto que aluguei não tinha cozinha, tive que inovar e cozinhar umas massas recheadas com a água a ferver vinda de um kettle e aquecer um molho de tomate com o vapor d’água. Durante o dia aconselho a levares comida suficiente porque não há muita oferta disponível.

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Quando visitei a ilha de Skye há oito anos senti que aquele era um lugar especial. Eu sou completamente céptica relativamente a tudo o que é espiritualidade, anjinhos e outras coisas não provadas pela ciência, mas de alguma forma parecia que havia ali uma energia diferente.

Na altura, um dia foi todo o tempo que tivemos (eu e os meus pais) para ver esta ilha, mas desde então sabia que haveria de regressar. Assim sendo, desta vez reservei quatro dias completos para me deixar enfeitiçar, e dia após dia Skye deixou-me estupefacta com a sua beleza em bruto. Aqui vamos nós!

As Fadas da Terra moram no Fairy Glen

A viagem de autocarro de Fort William até Portree (a vila maiorzinha em Skye) traduz-se em três horas de estradas que contornam lagos, vales e rios. Tudo debaixo de nuvens e uma chuva miudinha que é tão característica da Escócia.

À chegada a Portree, depois de ir deixar a mochila no Airbnb que ia ser o meu ninho de repouso nos dias seguintes, tinha que fazer uma escolha: deixar-me ficar no quentinho do quarto e deixar as caminhadas para o dia seguinte ou ir estrear o poncho que comprara há algumas horas.

Ganhou a segunda opção e lá fui eu para o autocarro que saía daquela que era possivelmente a única escola da ilha. Portanto lá fui eu e os miúdos do quinto ano até Uig onde fica o Fairy Glen.

Só pela paragem de autocarro do meu destino já tinha valido a pena o passeio.
Apesar das nuvens baixas, a baía de Uig era uma celebração de azuis e verdes e uma premonição daquilo que estava para vir.

Vinte e cinco minutos depois e várias paragens para fotografar ovelhas e lutar contra o vento e a chuva que ora vinham, ora iam, cheguei ao vale mais encantado de Skye. As fotografias definitivamente não conseguem captar o misticismo deste lugar e das suas colinas singulares.

Por mim tinha ficado por ali durante horas a explorar as redondezas (como se não bastasse o vale em si ainda há várias quedas de água por perto), mas tinha os minutos contados. Após uma voltinha rápida e desorientada por aquele que foi um dos lugares que mais gostei em toda a minha viagem vi-me obrigada a correr, literalmente, até à paragem de autocarro para apanhar o último serviço do dia às seis da tarde.

Claro que o autocarro só apareceu dez minutos depois e o meu suor foi em vão, mas a decisão de ir apanhar chuva e explorar a ilha em vez de ficar no bem bom foi a melhor que tomei!


As Fadas do Ar moram no Quiraing

Ao terceiro dia o sol decidiu aparecer em Skye e as rajadas de vento já não me faziam levantar voo. Apanhei o primeiro autocarro do dia em direcção ao Norte da ilha onde fica o Quiraing. Depois de trinta minutos a andar na companhia de rebanhos de ovelhas cheguei ao ponto oficial de início da caminhada. As horas que se seguiram foram absolutamente inesquecíveis.

Do início ao fim, o circuito de Quiraing é uma surpresa a cada curva. As cores, os lagos, o mar… tudo funciona numa sinfonia paisagística perfeita. O facto de ter feito a caminhada sem me cruzar com ninguém tornou a experiência ainda mais especial e fez-me pensar que as pessoas que simplesmente conduzem até ao miradouro principal do Quiraing para tirar uma fotografia sem fazerem a caminhada não sabem o que perdem!

Dica: podes encontrar o trilho que fiz aqui. Se não tiveres carro como eu, não precisas de caminhar até ao ponto de começo, podes “entrar” pelo caminho perto do cemitério (cemetery parking no google maps). O mais aconselhado é fazer a caminhada no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio. Prepara-te para ventos bastante fortes e não tentes fazer o trilho num dia de mau tempo.

Esta é definitivamente uma das melhores caminhadas que já fiz.

À tarde ainda fiz o trilho do Old Man of Storr, que é o mais famoso da ilha devido à sua curiosa formação rochosa e as suas “agulhas”. Infelizmente não me apercebi que havia dois caminhos possíveis e acabei por não subir até às famosas agulhas, mas mesmo assim não me posso queixar das vistas. Deixo aqui o link do trilho que devia ter feito.

Enquanto esperava pelo autocarro de regresso, meti conversa com a única outra pessoa que também estava à espera do último autocarro do dia e descobrimos que íamos estar as duas no mesmo hostel no dia seguinte. Muitas horas passámos na sala comum desse hostel em Inverness a conversar sobre viagens, vinte e quatro horas depois.

As Fadas da Água moram nas Fairy Pools

Foram precisas duas tentativas, uma delas obviamente falhada, para chegar às Fairy Pools. Mais uma vez, a falta de carro tornou esta jornada mais interessante porque foi preciso uma caminhada de cinco horas no total para fazer algo que se faz de carro em meia hora.

Desta vez tive que atravessar o sopé das Montanhas Cullins, sempre ao lado de um riacho que se transformava numa nova cascata a cada 100 metros. Como já estava habituada, não avistei vivalma e os passaritos e ovelhas foram, mais uma vez, a minha companhia.

Cerca de duas horas depois cheguei às Fairy Pools que me apresentaram a mais umas quantas tonalidades de azul. É fácil de perceber porque é que estas “piscinas de fadas” aparecem em todos os roteiros turísticos. Apesar das temperaturas pouco convidativas, alguns corajosos aventuram-se a mergulhar nas pequenas poças de um azul muito fotogénico. Quanto mais se anda, menos gente há e mais bonitas se tornam estas piscinas naturais.

Voltando à primeira tentativa: a previsão metereológica para a manhã da primeira tentativa não era a melhor, mas havia a possibilidade de não chover muito e portanto lá apanhei o primeiro autocarro até Sligachan onde começa a caminhada. Claro que estava a chover “cats and dogs”, como dizem aqui, e assim ficou durante duas horas que foi o tempo que tive que esperar na paragem até apanhar o autocarro seguinte.

Quando o autocarro veio não aceitavam cartões (inédito no Reino Unido), mas o condutor deixou-me entrar na mesma. No fim da viagem, quando ia levantar dinheiro para pagar o senhor deve ter sentido pena do meu ar desconsolado, frio e molhado e disse que me oferecia a viagem. Uma das vantagens de viajar sozinha!

Portree, a solução para o clima escocês

No dia da minha tentativa falhada nas Fairy Pools tive que arranjar uma solução para me entreter durante o resto do dia. Depois de um banho quente, estava na hora de encontrar uma refeição quente. Felizmente dei com o Cafe Arriba que para além de ter comida ultra saborosa e bem confecionada (com porções bem generosas) também tem uma vista para a baia de Portree que parece uma pintura.

O almoço reconfortante ajudou-me a ultrapassar o trauma da molha que apanhei e arrisquei uma pequena caminhada à volta de Portree. Para minha surpresa a chuva aguentou-se e deixou-me fazer um circuito de três quilómetros – Scorrybreac Circuit – surpreendentemente bonito e agradável.

O resto da tarde foi passado dentro de um pub a conversar com um médico do Bangladesh que conheci através do Couchsurfing.

Este é o resumo dos meus dias em Skye e não é que por mim voltava para lá já para o ano? Continua a ser um dos meus lugares preferidos!

Dicas rápidas

Alojamento: Em tempos Covidosos não havia hostels abertos em Skye, por isso tive que recorrer ao Airbnb o que até foi bom, porque depois de caminhar mais de vinte e tal quilómetros não há nada melhor que um quartinho solitário. Conta gastar entre 70 a 80 pounds por noite se optares por um Airbnb perto do centro de Portree. O alojamento no Reino Unido é bastante caro.

Transportes: A minha maior preocupação na preparação desta viagem era não ter carro. Foram muitas pesquisar no Google “Skye without a car”. Muitas diziam que não era possível, mas claro que tudo é possível. Há autocarros que ligam os principais pontos da ilha: Broadford, Sligachan, Portree e Uig. Felizmente, todos os pontos que queria visitar estavam nessa rota. É claro que requer um nível de planeamento maior, porque há poucos autocarros e começam cedo e acabam cedo. Se gostas de andar e queres mesmo visitar Portree, acho que não ter carro não é desculpa.

O Google Maps é bastante fiável no que toca aos horários dos autocarros na ilha, mas podes sempre consultar o site da citylink e da stagecoach. Podes comprar um passe diário a bordo dos autocarros stagecoach que compensa se usares mais do que dois autocarros por dia.

Refeições: A maioria das minhas refeições saíram do Coop (supermercado) de Portree. Como o quarto que aluguei não tinha cozinha, tive que inovar e cozinhar umas massas recheadas com a água a ferver vinda de um kettle e aquecer um molho de tomate com o vapor d’água. Durante o dia aconselho a levares comida suficiente porque não há muita oferta disponível.

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Fort William: montanhas, vales, lagos e praias aos teus (cansados) pés https://www.mudancasconstantes.com/2021/08/24/fort-william-escocia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=fort-william-escocia https://www.mudancasconstantes.com/2021/08/24/fort-william-escocia/#comments Tue, 24 Aug 2021 20:37:42 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=6568 Três. anos. desde. a. última. viagem. a. solo. Peço desculpa pela pontuação excessiva, mas neste caso justifica-se. Entre viagens com amigos, para ver a família e pandemias, as oportunidades para viajar sozinha não têm sido muitas. A ideia de uma semana de caminhada na Escócia surgiu depois de vários meses de trabalho intenso e de horas extraordinárias que culminaram numa acumulação de folgas suficientes para me desligar dos emails e zooms durante algum tempo. Ao contrário dos meus itinerários habituais, decidi parar mais tempo em cada sítio e só ficar a dormir em Fort William e Isle of Skye. Passaram-se oito anos desde a última vez que visitei estes lugares, mas desta vez queria percorrê-los pelos meus próprios pés e “conquistá-los”. Fort William é uma excelente base de operações para quem quer explorar as Highlands escocesas. No sopé do Ben Nevis, a montanha mais alta do Reino Unido (também são só 1,345 metros), está esta pequena vila – grande para os standards escoceses – que satisfaz todo o tipo de aventureiros. Cheguei a Fort William já tarde depois de uma longa viagem de carro que começou às 4:30 da manhã e de uma primeira caminhada de treze quilómetros. Meia hora depois de sair do autocarro já estava em casa de uma couchsurfer a jantar uma refeição feita com ingredientes resgatados do caixote do lixo do M&S que me soube pela vida. Ah, a beleza de viajar sozinha! Faltava-me apenas repôr as horas de sonos em falta até porque para os próximos dias estavam planeadas inúmeras caminhadas e até uma viagem no Hogwarts Express! Da Plataforma 9¾ até Mallaig No segundo filme do Harry Potter, no meio daquela acção toda de conduzir um carro voador descontrolado, está o Glenfinnan Viaduct. Sendo um dos pontos mais icónicos da região, já o tinha visitado mas “por baixo”. Agora, estava na altura de ter a experiência mágica e embarcar no Hogwarts Express, ou como dizem os muggles, o comboio que liga Fort William a Mallaig. Esta viagem de comboio pode ter sido popularizada pelos filmes do feiticeiro mais famoso do mundo, mas a verdade é que já era considerada uma das viagens de comboio mais bonitas que há. Em menos de três horas somos transportados das montanhas até a praias com água cristalina azul e verde e areia branca. No caminho passamos por desfiladeiros, vales, lagos e claro aquedutos. Já em Mallaig, uma hora deu-me para fazer um curto trilho à volta da aldeia e comer uma dose de Fish & Chips incrível com uma cerveja à beira mar. Quando uma hippie da Lituânia te recomenda comer Fish & Chips de tamboril, é seguir o conselho! The Cabin Restaurant é fantástico. Ben Nevis: Acordar cedo e cedo erguer dá saúde e faz chover Subir ao Ben Nevis está na lista de todos os caminhantes que viajam até à Escócia, mas tem um senão: o tempo. Como já é habitual nas montanhas, ora há sol, ora há vento, ora há chuva e tudo num espaço de cinco minutos. A previsão metereológica estava longe de ser animadora, mas havia a possibilidade de só começar a chover às 11 da manhã e como às cinco já estava a sair de casa, tinha esperança. Quando cheguei à base do Ben (já somos amigos) pairavam por ali umas nuvens cinzentas pouco promissoras, mas lá fui. As primeiras duas horas, ou seja, metade do caminho, fizeram-se relativamente sem contratempos e a paisagem era maravilhosa como já era de esperar. Afinal, é por isso que as pessoas sobem às montanhas! Contudo, do nada a visibilidade ficou reduzida a menos de um metro e a chuva e o vento tomaram conta da situação. Não era naquele dia que ia chegar ao cumo do Ben Nevis. Até hoje me pergunto o que é que os malucos que continuavam a subir quando eu já estava a descer tinham na cabeça. Sete horas de caminhada à chuva, vento e sem ver nada não me parece nada apetecível! O resto do dia foi passado a passear por Fort William – até às ruínas do Old Inverlochy Castle – depois de um banho bem quente. Encontrei um café amoroso com óptima comida e uma padaria com pão a sério! Comprei um pão gigante que me acompanhou no resto da viagem e que tornou o meu consumo excessivo de sandes em algo bem mais agradável. A próxima paragem era aquela que eu mais aguardava: a Isle of Skye! Dicas rápidas Transporte nas Highlands Escocesas: Uma das minhas maiores preocupações antes de viajar para as Highlands era como é que me haveria de deslocar. Estou farta de ir até Edimburgo de comboio, mas as ligações ferroviárias ao norte não são tão extensas estava com algum receio de que fosse preciso alugar carro. Mas não! Apesar de não haver autocarros e comboios a toda a hora, há oferta suficiente para fazer os percursos mais comuns. Citylink: A CityLink oferece ligações entre as principais cidades escocesas e também pontos turísticos. Eles oferecem um passe muito simpático chamado “Explorer Pass” que podes encontrar e comprar neste site. Semelhante aos passes de Interrail e Flixbus, esta oferta deixa-te andar nos autocarros que quiseres durante os dias estipulados por um preço fixo. Compensa muito especialmente em viagens longas (superiores a duas horas). Comer em Fort William: Café e restaurante The Geographer que tem pratos vegetarianos para além dos “clássicos” ingleses e a Rain Bakery, para pão verdadeiro. The Jacobite Steam Train: O nome verdadeiro do “comboio do Harry Potter”. A viagem custa cerca de cinquenta pounds (ida e volta) com uma hora de pausa em Mallaig. Se quiseres uma opção mais em conta podes comprar os bilhetes para um comboio normal, a maior diferença é que nesses comboios as janelas não abrem e é mais difícil tirar fotografias decentes da viagem. Podes reservar os teus bilhetes aqui. Outras caminhadas: A Cow Hill é uma caminhada circular de dez quilómetros com umas belas vistas sobre Fort William, caso tenhas tempo. Também era para ter ido a Glencoe, que é absolutamente estonteante, para outra caminhada (Pap of Glencoe) mas mais uma vez o tempo não colaborou.

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Três. anos. desde. a. última. viagem. a. solo. Peço desculpa pela pontuação excessiva, mas neste caso justifica-se. Entre viagens com amigos, para ver a família e pandemias, as oportunidades para viajar sozinha não têm sido muitas.

A ideia de uma semana de caminhada na Escócia surgiu depois de vários meses de trabalho intenso e de horas extraordinárias que culminaram numa acumulação de folgas suficientes para me desligar dos emails e zooms durante algum tempo.

Ao contrário dos meus itinerários habituais, decidi parar mais tempo em cada sítio e só ficar a dormir em Fort William e Isle of Skye. Passaram-se oito anos desde a última vez que visitei estes lugares, mas desta vez queria percorrê-los pelos meus próprios pés e “conquistá-los”.

Fort William é uma excelente base de operações para quem quer explorar as Highlands escocesas. No sopé do Ben Nevis, a montanha mais alta do Reino Unido (também são só 1,345 metros), está esta pequena vila – grande para os standards escoceses – que satisfaz todo o tipo de aventureiros.


Cheguei a Fort William já tarde depois de uma longa viagem de carro que começou às 4:30 da manhã e de uma primeira caminhada de treze quilómetros. Meia hora depois de sair do autocarro já estava em casa de uma couchsurfer a jantar uma refeição feita com ingredientes resgatados do caixote do lixo do M&S que me soube pela vida. Ah, a beleza de viajar sozinha!

Faltava-me apenas repôr as horas de sonos em falta até porque para os próximos dias estavam planeadas inúmeras caminhadas e até uma viagem no Hogwarts Express!


Da Plataforma 9¾ até Mallaig

No segundo filme do Harry Potter, no meio daquela acção toda de conduzir um carro voador descontrolado, está o Glenfinnan Viaduct. Sendo um dos pontos mais icónicos da região, já o tinha visitado mas “por baixo”. Agora, estava na altura de ter a experiência mágica e embarcar no Hogwarts Express, ou como dizem os muggles, o comboio que liga Fort William a Mallaig.

Esta viagem de comboio pode ter sido popularizada pelos filmes do feiticeiro mais famoso do mundo, mas a verdade é que já era considerada uma das viagens de comboio mais bonitas que há. Em menos de três horas somos transportados das montanhas até a praias com água cristalina azul e verde e areia branca. No caminho passamos por desfiladeiros, vales, lagos e claro aquedutos.

Já em Mallaig, uma hora deu-me para fazer um curto trilho à volta da aldeia e comer uma dose de Fish & Chips incrível com uma cerveja à beira mar. Quando uma hippie da Lituânia te recomenda comer Fish & Chips de tamboril, é seguir o conselho! The Cabin Restaurant é fantástico.


Ben Nevis: Acordar cedo e cedo erguer dá saúde e faz chover

Subir ao Ben Nevis está na lista de todos os caminhantes que viajam até à Escócia, mas tem um senão: o tempo. Como já é habitual nas montanhas, ora há sol, ora há vento, ora há chuva e tudo num espaço de cinco minutos.

A previsão metereológica estava longe de ser animadora, mas havia a possibilidade de só começar a chover às 11 da manhã e como às cinco já estava a sair de casa, tinha esperança. Quando cheguei à base do Ben (já somos amigos) pairavam por ali umas nuvens cinzentas pouco promissoras, mas lá fui.

As primeiras duas horas, ou seja, metade do caminho, fizeram-se relativamente sem contratempos e a paisagem era maravilhosa como já era de esperar. Afinal, é por isso que as pessoas sobem às montanhas!

Contudo, do nada a visibilidade ficou reduzida a menos de um metro e a chuva e o vento tomaram conta da situação. Não era naquele dia que ia chegar ao cumo do Ben Nevis. Até hoje me pergunto o que é que os malucos que continuavam a subir quando eu já estava a descer tinham na cabeça. Sete horas de caminhada à chuva, vento e sem ver nada não me parece nada apetecível!

O resto do dia foi passado a passear por Fort William – até às ruínas do Old Inverlochy Castle – depois de um banho bem quente. Encontrei um café amoroso com óptima comida e uma padaria com pão a sério! Comprei um pão gigante que me acompanhou no resto da viagem e que tornou o meu consumo excessivo de sandes em algo bem mais agradável.

A próxima paragem era aquela que eu mais aguardava: a Isle of Skye!


Dicas rápidas

Transporte nas Highlands Escocesas: Uma das minhas maiores preocupações antes de viajar para as Highlands era como é que me haveria de deslocar. Estou farta de ir até Edimburgo de comboio, mas as ligações ferroviárias ao norte não são tão extensas estava com algum receio de que fosse preciso alugar carro. Mas não! Apesar de não haver autocarros e comboios a toda a hora, há oferta suficiente para fazer os percursos mais comuns.

Citylink: A CityLink oferece ligações entre as principais cidades escocesas e também pontos turísticos. Eles oferecem um passe muito simpático chamado “Explorer Pass” que podes encontrar e comprar neste site. Semelhante aos passes de Interrail e Flixbus, esta oferta deixa-te andar nos autocarros que quiseres durante os dias estipulados por um preço fixo. Compensa muito especialmente em viagens longas (superiores a duas horas).

Comer em Fort William: Café e restaurante The Geographer que tem pratos vegetarianos para além dos “clássicos” ingleses e a Rain Bakery, para pão verdadeiro.

The Jacobite Steam Train: O nome verdadeiro do “comboio do Harry Potter”. A viagem custa cerca de cinquenta pounds (ida e volta) com uma hora de pausa em Mallaig. Se quiseres uma opção mais em conta podes comprar os bilhetes para um comboio normal, a maior diferença é que nesses comboios as janelas não abrem e é mais difícil tirar fotografias decentes da viagem. Podes reservar os teus bilhetes aqui.

Outras caminhadas: A Cow Hill é uma caminhada circular de dez quilómetros com umas belas vistas sobre Fort William, caso tenhas tempo. Também era para ter ido a Glencoe, que é absolutamente estonteante, para outra caminhada (Pap of Glencoe) mas mais uma vez o tempo não colaborou.


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As mulheres audazes de Edimburgo https://www.mudancasconstantes.com/2019/03/31/mulheres-audazes-edimburgo/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=mulheres-audazes-edimburgo https://www.mudancasconstantes.com/2019/03/31/mulheres-audazes-edimburgo/#respond Sun, 31 Mar 2019 08:02:25 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5057 Para comemorar os 200 artigos do blog vou escrever um post feminista! Pronto, já fugiram todos! Não se preocupem, prometo que também tem uma parte de viagem 😉 Quando estive em Lesvos, na Grécia, conheci a Sally. Escocesa, feminista e activista a Sally organiza, anualmente, o Festival das Mulheres Audazes em Edimburgo. Rapidamente nos tornámos amigas e ficou pendente o convite para ir ao festival em Fevereiro de 2019. Como seria espectável, acabei por ir; tudo o que seja cama grátis e uma desculpa para passear é um sim! Já tinha ido a Edimburgo com os meus pais há uns anos e adorei. Acho que é daquelas cidades mesmo perfeitas para uma escapadinha de fim-de-semana. Como o festival não ia ocupar muito do meu tempo, aproveitei para rever alguns dos lugares que já conhecia e descobrir outros. Se tens Edimburgo na tua lista aqui vão algumas dicas sobre os meus cantinhos preferidos. Dean Village: uma a aldeia no meio da cidade A minha primeira manhã começou com uma longa caminhada até à Dean Village. Esta pequena zona com antigos moinhos de água, no centro de Edimburgo, é um oásis para aqueles que gostam de silêncio e natureza. Nas bermas do curso de água “Water of Leith” há parques, trilhos para caminhantes e um conjunto de casinhas que parecem saídas de um conto de fadas. Foi, sem dúvida, uma agradável surpresa e o lugar que mais gostei nesta minha segunda visita a Edimburgo. Simples, mas tão bom! As ruas e histórias de Edimburgo Depois de um lugar sossegado e recatado estava na altura de me embrulhar no meio da cidade. Começando pelos Princess Street Gardens, comecei a subir em direcção ao Castelo só para descer novamente, pela rua mais fotografada de Edimburgo, até ao Grassmarket. Edimburgo tem prédios e ruas maravilhosas por todos os lados, por isso não há nada melhor do que andar a pé às voltas pelo centro e encontrar os teus melhores recantos. Se gostas de aprender mais sobre a história tenho a minha sugestão de sempre: a Free Walking Tour. Apenas um conselho, leva roupa muito quente porque esta tour é muito mais talking do que walking e quase congelei até ao tutano. A melhor parte foi conhecer um português (claro) que também andava a viajar sozinho. Sendo Edimburgo uma cidade rica em histórias de fantasmas, criaturas mágicas, Harry Potters e afins existem imensas tours sobre os mais diversos temas, por isso se fores um/a nerd como eu é o paraíso! Lugar bom e barato para almoçar: Ting Thai Caravan e lugar perfeito para café e brownies quando o tempo está chocho: Thomas J Walls coffee. O Festival das Mulheres Audazes Por fim, a razão que me levou até Edimburgo. A palavra feminista anda pelas horas da morte. Como é que um conceito tão simples, como o da igualdade de direitos entre homens e mulheres, ficou tão distorcido nos últimos anos? E é exactamente por isso que iniciativas como estas são tão importantes nos dias de hoje. Mais do que uma luta pelos nossos direitos, o Festival das Mulheres Audazes é uma celebração de mulheres para mulheres. Um festival com um espírito de entreajuda e suporte no feminino como nunca vi. Fora das portas do festival ficam os medos, dúvidas e hesitações. Dentro ficam as mulheres audazes. Mulheres que querem aprender, ensinar e partilhar. Mulheres que se atrevem a ir mais longe e a desafiar todos os “não consegues” e “não podes” que lhes foram ditos ao longo da vida. Cantar, dançar, escrever, desenhar, porque não? Espero mesmo que este tipo de eventos continue a aparecer e que encorajem mais mulheres a sair da sua zona de conforto e a experimentar coisas que nunca tentaram antes! Uma nota sobre uma grande artista feminista Só participei em dois eventos do festival (um sobre viagens claro!) e outro que era um jantar de comemoração da obra de Judy Chicago chamada “ The Dinner Party”. Esta peça de arte feminista foi inspirada numa situação bem real e adorei saber a sua história. Citando a Wikipedia: “Chicago said she got the idea for the work while attending a real dinner party in 1974. “The men at the table were all professors,” she recalled, “and the women all had doctorates but weren’t professors. The women had all the talent, and they sat there silent while the men held forth. I started thinking that women have never had a Last Supper, but they have had dinner parties.” Nasceu então a Dinner Party, uma celebração de mulheres desde a pré-história até aos dias de hoje. “Each place setting features a table runner embroidered with the woman’s name and images or symbols relating to her accomplishments, with a napkin, utensils, a glass or goblet, and a plate. Many of the plates feature a butterfly- or flower-like sculpture as a vulva symbol. A collaborative effort of female and male artisans, The Dinner Party celebrates traditional female accomplishments such as textile arts and china painting, which have been framed as craft or domestic art, as opposed to the more culturally valued, male-dominated fine arts.”    Resumindo, é isto!

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Para comemorar os 200 artigos do blog vou escrever um post feminista!
Pronto, já fugiram todos! Não se preocupem, prometo que também tem uma parte de viagem 😉

A primavera estava instalada em Edimburgo!

Quando estive em Lesvos, na Grécia, conheci a Sally. Escocesa, feminista e activista a Sally organiza, anualmente, o Festival das Mulheres Audazes em Edimburgo. Rapidamente nos tornámos amigas e ficou pendente o convite para ir ao festival em Fevereiro de 2019. Como seria espectável, acabei por ir; tudo o que seja cama grátis e uma desculpa para passear é um sim!

Já tinha ido a Edimburgo com os meus pais há uns anos e adorei. Acho que é daquelas cidades mesmo perfeitas para uma escapadinha de fim-de-semana. Como o festival não ia ocupar muito do meu tempo, aproveitei para rever alguns dos lugares que já conhecia e descobrir outros. Se tens Edimburgo na tua lista aqui vão algumas dicas sobre os meus cantinhos preferidos.

Dean Village: uma a aldeia no meio da cidade

A minha primeira manhã começou com uma longa caminhada até à Dean Village. Esta pequena zona com antigos moinhos de água, no centro de Edimburgo, é um oásis para aqueles que gostam de silêncio e natureza. Nas bermas do curso de água “Water of Leith” há parques, trilhos para caminhantes e um conjunto de casinhas que parecem saídas de um conto de fadas.

Foi, sem dúvida, uma agradável surpresa e o lugar que mais gostei nesta minha segunda visita a Edimburgo. Simples, mas tão bom!

As ruas e histórias de Edimburgo

Depois de um lugar sossegado e recatado estava na altura de me embrulhar no meio da cidade. Começando pelos Princess Street Gardens, comecei a subir em direcção ao Castelo só para descer novamente, pela rua mais fotografada de Edimburgo, até ao Grassmarket.

Edimburgo tem prédios e ruas maravilhosas por todos os lados, por isso não há nada melhor do que andar a pé às voltas pelo centro e encontrar os teus melhores recantos.

Se gostas de aprender mais sobre a história tenho a minha sugestão de sempre: a Free Walking Tour. Apenas um conselho, leva roupa muito quente porque esta tour é muito mais talking do que walking e quase congelei até ao tutano. A melhor parte foi conhecer um português (claro) que também andava a viajar sozinho.

A estátua de David Hume sofreu durante a noite de Sábado…

Sendo Edimburgo uma cidade rica em histórias de fantasmas, criaturas mágicas, Harry Potters e afins existem imensas tours sobre os mais diversos temas, por isso se fores um/a nerd como eu é o paraíso!

Lugar bom e barato para almoçar: Ting Thai Caravan e lugar perfeito para café e brownies quando o tempo está chocho: Thomas J Walls coffee.

O Festival das Mulheres Audazes

Por fim, a razão que me levou até Edimburgo.

A palavra feminista anda pelas horas da morte. Como é que um conceito tão simples, como o da igualdade de direitos entre homens e mulheres, ficou tão distorcido nos últimos anos?

E é exactamente por isso que iniciativas como estas são tão importantes nos dias de hoje. Mais do que uma luta pelos nossos direitos, o Festival das Mulheres Audazes é uma celebração de mulheres para mulheres. Um festival com um espírito de entreajuda e suporte no feminino como nunca vi.

Fora das portas do festival ficam os medos, dúvidas e hesitações. Dentro ficam as mulheres audazes. Mulheres que querem aprender, ensinar e partilhar. Mulheres que se atrevem a ir mais longe e a desafiar todos os “não consegues” e “não podes” que lhes foram ditos ao longo da vida. Cantar, dançar, escrever, desenhar, porque não?

Espero mesmo que este tipo de eventos continue a aparecer e que encorajem mais mulheres a sair da sua zona de conforto e a experimentar coisas que nunca tentaram antes!

Uma nota sobre uma grande artista feminista

Só participei em dois eventos do festival (um sobre viagens claro!) e outro que era um jantar de comemoração da obra de Judy Chicago chamada “ The Dinner Party”. Esta peça de arte feminista foi inspirada numa situação bem real e adorei saber a sua história. Citando a Wikipedia:

“Chicago said she got the idea for the work while attending a real dinner party in 1974. “The men at the table were all professors,” she recalled, “and the women all had doctorates but weren’t professors. The women had all the talent, and they sat there silent while the men held forth. I started thinking that women have never had a Last Supper, but they have had dinner parties.”

Nasceu então a Dinner Party, uma celebração de mulheres desde a pré-história até aos dias de hoje.

Each place setting features a table runner embroidered with the woman’s name and images or symbols relating to her accomplishments, with a napkin, utensils, a glass or goblet, and a plate. Many of the plates feature a butterfly- or flower-like sculpture as a vulva symbol. A collaborative effort of female and male artisans, The Dinner Party celebrates traditional female accomplishments such as textile arts and china painting, which have been framed as craft or domestic art, as opposed to the more culturally valued, male-dominated fine arts.”   

Resumindo, é isto!

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