zanzibar Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/tag/zanzibar/ Blog de viagens para inquietos e irrequietos Tue, 19 Mar 2019 21:08:52 +0000 en-GB hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.2 https://www.mudancasconstantes.com/wp-content/uploads/2018/10/cropped-Untitled-design-1-32x32.png zanzibar Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/tag/zanzibar/ 32 32 Stone Town: um poço de história, cultura e portas https://www.mudancasconstantes.com/2019/03/11/stone-town-zanzibar/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=stone-town-zanzibar https://www.mudancasconstantes.com/2019/03/11/stone-town-zanzibar/#respond Mon, 11 Mar 2019 19:46:22 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=4997 Uma viagem a Zanzibar nunca ficaria completa sem um passeio pela icónica cidade de Stone Town. É um lugar com um passado cultural tão rico que dava para uma aula de história de duas horas! Não querendo maçar, aqui fica um resumo rápido dos eventos mais relevantes da história de Zanzibar: – Em 1498 os portugueses tornaram-se nos primeiros europeus a chegar a Zanzibar (claro) – Durante quase 2 séculos a ilha esteve sobre o domínio de Portugal e foram os portugueses que começaram a construir a primeira estrutura em pedra: o Old Fort – Em 1698 veio o Sultão do Omã e apoderou-se da coisa – Em 1840 Stone Town tornou-se na capital do Sultanato do Omã e foi neste período que a cidade começou a prosperar. – Poucos anos depois, Zanzibar passou a ser um sultanato independente – Durante todo o século XIX Stone Town floresceu como um importante centro de comércio de especiarias e escravos. – Atraiu mercadores ricos de todo o mundo e transformou-se numa cidade com uma grande diversidade cultural e arquitectónica. – No fim do século vieram os ingleses e tomaram a ilha em 45 minutos e Zanzibar foi colonizada. Esta é considerada a guerra mais curta da História. – Em 1964, Stone Town foi palco da sangrenta “Revolução de Zanzibar” onde finalmente disseram “adeusinho” ao sultão. Zanzibar torna-se independente. – No mesmo ano Zanzibar passa a fazer parte a Tanzânia e assim continua até aos dias de hoje. Ufa! Com tantas trocas e baldrocas é fácil perceber porque é que esta cidade, património da UNESCO, tem tanto que se lhe diga. Mas como sempre, o segredo está nos detalhes e nas ruas estreitas e encruzilhadas de Stone Town é nas portas que podemos viver o seu passado. Se escutássemos por uma porta decorada com pinos de latão do outro lado provavelmente ouviríamos Punjabi. Por trás das mais simples e coloridas, viviam os Swahili. E, ao abrirmos uma porta com padrões intrincados (muitos deles representando versos do Corão) seriamos recebidos por um árabe. As horas que passámos em Stone Town acabaram por ser muito espontâneas e sem rumo. A regra é simples “mete-te pelas ruas que te chamam mais à atenção”. Sem querer, descobrimos a casa do Freddie Mercury, um arco português, dezenas de portas magníficas e lojas de artesanato que me deram, efectivamente, vontade de comprar tudo. A cidade pode ser um bocadinho “rough around the edges”, imperfeita, mas é nos ninhos de cabos de electricidade ou nas casas que precisam de uma nova demão de tinta que reside a sua singularidade. Conquistou facilmente um lugar no meu top cidades. Dicas rápidas Restaurante: Recomendaram-me o Lukmaan Restaurant e tem muito boas reviews! Alojamento: Ten to Ten foi o hostel que nos recomendaram em Paje como um lugar onde podíamos deixar a nossa bagagem enquanto passeávamos por Stone Town antes de irmos para o aeroporto. O staff foi cinco estrelas e o hostel estava cheio de viajantes a solo e em grupo, por isso pareceu-me ser uma boa escolha caso queiras pernoitar em Stone Town. Táxis: Tenta sempre marcar os táxis através do alojamento. É mais barato e não tens que te preocupar com negociações. Roupa: Apesar de ser uma ilha muçulmana, Stone Town tem um estilo muito relaxado. Vi muitas turistas de calções, mas aconselho umas calças leves e largas e um top/t-shirt que cubra os ombros.

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Uma viagem a Zanzibar nunca ficaria completa sem um passeio pela icónica cidade de Stone Town. É um lugar com um passado cultural tão rico que dava para uma aula de história de duas horas! Não querendo maçar, aqui fica um resumo rápido dos eventos mais relevantes da história de Zanzibar:

– Em 1498 os portugueses tornaram-se nos primeiros europeus a chegar a Zanzibar (claro)
– Durante quase 2 séculos a ilha esteve sobre o domínio de Portugal e foram os portugueses que começaram a construir a primeira estrutura em pedra: o Old Fort

– Em 1698 veio o Sultão do Omã e apoderou-se da coisa
– Em 1840 Stone Town tornou-se na capital do Sultanato do Omã e foi neste período que a cidade começou a prosperar.
– Poucos anos depois, Zanzibar passou a ser um sultanato independente
– Durante todo o século XIX Stone Town floresceu como um importante centro de comércio de especiarias e escravos.
– Atraiu mercadores ricos de todo o mundo e transformou-se numa cidade com uma grande diversidade cultural e arquitectónica.

– No fim do século vieram os ingleses e tomaram a ilha em 45 minutos e Zanzibar foi colonizada. Esta é considerada a guerra mais curta da História.
– Em 1964, Stone Town foi palco da sangrenta “Revolução de Zanzibar” onde finalmente disseram “adeusinho” ao sultão. Zanzibar torna-se independente.
– No mesmo ano Zanzibar passa a fazer parte a Tanzânia e assim continua até aos dias de hoje.

Ufa!

Com tantas trocas e baldrocas é fácil perceber porque é que esta cidade, património da UNESCO, tem tanto que se lhe diga. Mas como sempre, o segredo está nos detalhes e nas ruas estreitas e encruzilhadas de Stone Town é nas portas que podemos viver o seu passado.

Se escutássemos por uma porta decorada com pinos de latão do outro lado provavelmente ouviríamos Punjabi.

Por trás das mais simples e coloridas, viviam os Swahili.

E, ao abrirmos uma porta com padrões intrincados (muitos deles representando versos do Corão) seriamos recebidos por um árabe.

As horas que passámos em Stone Town acabaram por ser muito espontâneas e sem rumo. A regra é simples “mete-te pelas ruas que te chamam mais à atenção”. Sem querer, descobrimos a casa do Freddie Mercury, um arco português, dezenas de portas magníficas e lojas de artesanato que me deram, efectivamente, vontade de comprar tudo.

A cidade pode ser um bocadinho “rough around the edges”, imperfeita, mas é nos ninhos de cabos de electricidade ou nas casas que precisam de uma nova demão de tinta que reside a sua singularidade.

Conquistou facilmente um lugar no meu top cidades.

Dicas rápidas

Restaurante: Recomendaram-me o Lukmaan Restaurant e tem muito boas reviews!

Alojamento: Ten to Ten foi o hostel que nos recomendaram em Paje como um lugar onde podíamos deixar a nossa bagagem enquanto passeávamos por Stone Town antes de irmos para o aeroporto. O staff foi cinco estrelas e o hostel estava cheio de viajantes a solo e em grupo, por isso pareceu-me ser uma boa escolha caso queiras pernoitar em Stone Town.

Táxis: Tenta sempre marcar os táxis através do alojamento. É mais barato e não tens que te preocupar com negociações.

Roupa: Apesar de ser uma ilha muçulmana, Stone Town tem um estilo muito relaxado. Vi muitas turistas de calções, mas aconselho umas calças leves e largas e um top/t-shirt que cubra os ombros.

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Zanzibar: o paraíso do dolce fare niente https://www.mudancasconstantes.com/2019/03/02/zanzibar-paraiso-paje-jambiani/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=zanzibar-paraiso-paje-jambiani https://www.mudancasconstantes.com/2019/03/02/zanzibar-paraiso-paje-jambiani/#comments Sat, 02 Mar 2019 19:33:06 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=4969 Passados cinco dias a levar com pó e a andar num jipe que muitas vezes se assemelhava a uma centrifugadora, estávamos com vontade de pouco ou nada fazer nos dias seguintes. Vai daí, apanhámos um micro avião de Arusha e voamos em direcção à ilha de Zanzibar. Co-piloto e o caso da mala fugidia Chegados ao “aeroporto” de Arusha, reparámos que aquele não era um aeroporto típico. O check-in, feito numa bancada de madeira, não tinha qualquer computorização. Havia uma lista de passageiros impressa, qual chamada feita na escola, e os bilhetes eram escritos à mão. A balança para pesar as malas parecia saída do Mercado de Alvalade e a sala de espera era ao ar livre. Ao embarcarmos para o “avião” chamaram-me. Queriam meter-me no lugar do co-piloto. Sim, eu que tenho medo de aviões. Lá fui. Começou bem, porque só demorei cerca de meia hora a perceber como se apertava aquele cinto. Depois chegou o piloto oficial. Tinha estilo, mas estava mais preocupada em saber se sabia manejar a maquineta. Ele disse que sim. A viagem foi surpreendentemente divertida e calma. Ao que parece, depois da descolagem, aquilo faz tudo sozinho! Ele bebia descontraidamente o seu café, enquanto preenchia uns relatórios quaisquer e ouvia música. “This is my life: sun, sky and coffee”. Uma hora depois, éramos os melhores amigos: para além de já saber a vida toda do moço, também consegui que se desviasse ligeiramente da rota para evitar potencial turbulência. Tenho que ir mais vezes no cockpit. Assim que aterramos a minha tia pergunta-me “onde está a tua mala cor-de-rosa?”. Meio confusa, lembrei-me que ao embarcar ma tinham tirado porque não a podia carregar naquele lugar. Concluímos que devia ter ido para o porão, juntamente com as outras. Só que não. Depois de passarmos o controlo de passaporte (que por milagre tinha ficado comigo e não na mochila) descobrimos que a mochila tinha ficado abordo e que estava toda feliz já em viagem para Dar es Salam. Pequeno inconveniente? Era onde tinha o telemóvel, carteira e antibióticos que andava a tomar. As boas notícias? Só íamos ter que esperar hora e meia pelo seu regresso. Quem não teve tanta sorte foram as donas das outras duas ou três malas que nem chegaram a embarcar. Teriam que esperar pelo dia seguinte. Num voo de 11, quatro malas perdidas não é uma má média…. O nosso herói do dia foi mesmo o nosso taxista que aceitou esperar estoicamente pelo regresso da mala antes de nos levar até ao hostel. E agora vamos ao que interessa: Paje e Jambiani: ficamos por aqui? Quando a Terra criou Zanzibar, parece que não se esqueceu de nenhum dos ingredientes da lista “como fazer um paraíso”. Uma colher de areia branca, um balde de água QUENTE, uma pincelada dos mais belos tons de azul, e uma pitada de gente simpática e sorridente. E ainda polvilhou tudo com lulas que resultam nuns calamares deliciosos. Não posso contar muito sobre as mil e uma actividades que podes fazer nesta ilha, mas posso dizer-te que é um lugar fabuloso para não fazer nada. É, claro, um lugar ao qual planeio voltar porque sei que tem bom mergulho, uma história riquíssima no que toca ao comércio de especiarias e muitas outras praias e ilhas para explorar. Contudo, a nós bastou-nos um biquíni, um livro e umas camas de rede e não podíamos ter sido mais felizes. Nas raras vezes em que não estávamos em modo bacalhau demolhado na água, a bem mais de 30 graus, nem estendidos a passar pelas brasas, passeávamos pelas magníficas praias de Paje. A caminhada de Paje até Jambiani é absolutamente maravilhosa. As praias de Zanzibar têm marés extramente “grandes”: ou há muita água, ou não há água nenhuma! Por isso, mais ou menos a cada vinte minutos, a paisagem vai mudando radicalmente, incluindo os mil e um tons de azul do mar. Ao mesmo tempo, muitas mulheres trabalham na apanha das algas da praia, para quê não sei bem. Os homens pescam nos seus barcos de madeira tradicionais e os Maasai que viajam desde o interior da Tanzânia até Zanzibar para ganhar o seu pão, andam alegremente atrás dos turistas a tentar vender artesanato ou fotos a saltar.   Uma última sugestão: o Summer Beach Paje. Este hostel, acabadinho de abrir, foi um pouco a nossa casa. Mesmo em cima da praia, com uma comida deliciosa e um staff impecável, é o lugar perfeito para “não faz nada”. Nós acabámos por ficar no Summer Dream Lodge, dos mesmos donos, porque na altura em que reservamos o Summer Beach ainda nem tinha aberto. São ambos opções low cost brilhantes com um óptimo ambiente. Até para solo travelers. Dicas rápidas Transporte: Um táxi do aeroporto até Paje demora cerca de uma hora. O preço através do hostel foi de 30 dólares. Muito mais barato do que os 50 dólares tabelados no aeroporto. Tenta marcar sempre o transporte através do teu alojamento.

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Passados cinco dias a levar com pó e a andar num jipe que muitas vezes se assemelhava a uma centrifugadora, estávamos com vontade de pouco ou nada fazer nos dias seguintes. Vai daí, apanhámos um micro avião de Arusha e voamos em direcção à ilha de Zanzibar.

Co-piloto e o caso da mala fugidia

Chegados ao “aeroporto” de Arusha, reparámos que aquele não era um aeroporto típico. O check-in, feito numa bancada de madeira, não tinha qualquer computorização. Havia uma lista de passageiros impressa, qual chamada feita na escola, e os bilhetes eram escritos à mão. A balança para pesar as malas parecia saída do Mercado de Alvalade e a sala de espera era ao ar livre.

Ao embarcarmos para o “avião” chamaram-me. Queriam meter-me no lugar do co-piloto. Sim, eu que tenho medo de aviões.

Lá fui. Começou bem, porque só demorei cerca de meia hora a perceber como se apertava aquele cinto. Depois chegou o piloto oficial. Tinha estilo, mas estava mais preocupada em saber se sabia manejar a maquineta. Ele disse que sim.

A viagem foi surpreendentemente divertida e calma. Ao que parece, depois da descolagem, aquilo faz tudo sozinho! Ele bebia descontraidamente o seu café, enquanto preenchia uns relatórios quaisquer e ouvia música. This is my life: sun, sky and coffee”.

Uma hora depois, éramos os melhores amigos: para além de já saber a vida toda do moço, também consegui que se desviasse ligeiramente da rota para evitar potencial turbulência. Tenho que ir mais vezes no cockpit.

Assim que aterramos a minha tia pergunta-me “onde está a tua mala cor-de-rosa?”. Meio confusa, lembrei-me que ao embarcar ma tinham tirado porque não a podia carregar naquele lugar. Concluímos que devia ter ido para o porão, juntamente com as outras. Só que não.

Depois de passarmos o controlo de passaporte (que por milagre tinha ficado comigo e não na mochila) descobrimos que a mochila tinha ficado abordo e que estava toda feliz já em viagem para Dar es Salam. Pequeno inconveniente? Era onde tinha o telemóvel, carteira e antibióticos que andava a tomar.

As boas notícias? Só íamos ter que esperar hora e meia pelo seu regresso. Quem não teve tanta sorte foram as donas das outras duas ou três malas que nem chegaram a embarcar. Teriam que esperar pelo dia seguinte. Num voo de 11, quatro malas perdidas não é uma má média….

O nosso herói do dia foi mesmo o nosso taxista que aceitou esperar estoicamente pelo regresso da mala antes de nos levar até ao hostel.

E agora vamos ao que interessa:

Paje e Jambiani: ficamos por aqui?

Quando a Terra criou Zanzibar, parece que não se esqueceu de nenhum dos ingredientes da lista “como fazer um paraíso”. Uma colher de areia branca, um balde de água QUENTE, uma pincelada dos mais belos tons de azul, e uma pitada de gente simpática e sorridente. E ainda polvilhou tudo com lulas que resultam nuns calamares deliciosos.

Não posso contar muito sobre as mil e uma actividades que podes fazer nesta ilha, mas posso dizer-te que é um lugar fabuloso para não fazer nada. É, claro, um lugar ao qual planeio voltar porque sei que tem bom mergulho, uma história riquíssima no que toca ao comércio de especiarias e muitas outras praias e ilhas para explorar.

Contudo, a nós bastou-nos um biquíni, um livro e umas camas de rede e não podíamos ter sido mais felizes.

Nas raras vezes em que não estávamos em modo bacalhau demolhado na água, a bem mais de 30 graus, nem estendidos a passar pelas brasas, passeávamos pelas magníficas praias de Paje.

A caminhada de Paje até Jambiani é absolutamente maravilhosa. As praias de Zanzibar têm marés extramente “grandes”: ou há muita água, ou não há água nenhuma! Por isso, mais ou menos a cada vinte minutos, a paisagem vai mudando radicalmente, incluindo os mil e um tons de azul do mar.

Ao mesmo tempo, muitas mulheres trabalham na apanha das algas da praia, para quê não sei bem. Os homens pescam nos seus barcos de madeira tradicionais e os Maasai que viajam desde o interior da Tanzânia até Zanzibar para ganhar o seu pão, andam alegremente atrás dos turistas a tentar vender artesanato ou fotos a saltar.  

Uma última sugestão: o Summer Beach Paje. Este hostel, acabadinho de abrir, foi um pouco a nossa casa. Mesmo em cima da praia, com uma comida deliciosa e um staff impecável, é o lugar perfeito para “não faz nada”.

Nós acabámos por ficar no Summer Dream Lodge, dos mesmos donos, porque na altura em que reservamos o Summer Beach ainda nem tinha aberto. São ambos opções low cost brilhantes com um óptimo ambiente. Até para solo travelers.

Dicas rápidas

Transporte: Um táxi do aeroporto até Paje demora cerca de uma hora. O preço através do hostel foi de 30 dólares. Muito mais barato do que os 50 dólares tabelados no aeroporto. Tenta marcar sempre o transporte através do teu alojamento.

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