libano Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/tag/libano/ Blog de viagens para inquietos e irrequietos Sun, 23 Jan 2022 12:40:38 +0000 en-GB hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://www.mudancasconstantes.com/wp-content/uploads/2018/10/cropped-Untitled-design-1-32x32.png libano Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/tag/libano/ 32 32 A essência do Líbano numa semana: dicas, informações úteis e itinerário https://www.mudancasconstantes.com/2019/05/11/libano-uma-semana-dicas-itinerario/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=libano-uma-semana-dicas-itinerario https://www.mudancasconstantes.com/2019/05/11/libano-uma-semana-dicas-itinerario/#respond Sat, 11 May 2019 08:34:05 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5211 O Líbano é um destino de viagem improvável. A juntar à sua inconveniente posição geográfica entre a Síria e Israel, é um país com muito pouca infra-estrutura turística e até apelidado de caro. Todas estas características, aparentemente pouco apelativas, fazem do Líbano um país não prioritário para a maioria dos viajantes. E é aqui que se dá o twist: é a falta de turismo que torna o Líbano num país tão autêntico. As pessoas são maravilhosas, acolhedoras sem segundas intenções e genuínas. A comida é deliciosa, há história por todo o lado e tens tudo isto só para ti, porque ainda mais ninguém deu com o Líbano. Uma semana de férias foi tempo suficiente para quase tudo (é um país muito pequeno) e estas são as minhas dicas para preparares a tua viagem a este país tão singular. Como chegar: A Transavia, uma low cost holandesa, tem voos directos de Paris e Amesterdão para Beirut, três vezes por semana. Os nossos voos foram 200€, por pessoa, ida e volta. Não há voos directos de Portugal. Visto: Não é preciso visto, mas a entrada é negada às pessoas com o carimbo de Israel no passaporte. As filas para o controlo de passaporte são longas. Demorámos cerca de 90 minutos até ter o passaporte carimbado. Leva uma caneta para preencher o documento de chegada. Wifi: O aeroporto tem 30 minutos de wifi gratuito. Recomendo comprar um cartão SIM, principalmente para navegação ou Uber se for o caso. Eu comprei um de 500MB por cerca de 11 USD e deu perfeitamente para uma semana (só não podes andar no Instagram!) Transportes: A falta de transportes públicos é uma das coisas que pode afastar as pessoas do Líbano: praticamente não existem. Sendo assim, estas são as melhores opções: Táxi: Muitas pessoas contratam um serviço de táxi para se deslocar no Líbano. O único inconveniente é a possibilidade de seres aldrabado à grande. Nós usámos sempre táxis de uma empresa de um amigo do Rodrigue. Aqui fica o contacto: +9613093626 (Joe). Uber: Disseram-me que é uma das melhores opções. Evitam-se os enganos e também fazem longas distâncias. Alugar um carro: Para mim, esta é definitivamente a melhor opção. Apesar da condução ser louca nas cidades, o carro dá-te muita flexibilidade e as estradas não são más (nas montanhas estão um bocado esburacadas). A nível da condução, convém ter alguma experiência, particularmente em países “sem regras” contudo foi muito melhor do que estava à espera. O carro ficou-nos a 30 dólares por dia na Adonis. Autocarros: Ora bem, os autocarros existem, mas ninguém sabe bem a que horas vêm ou onde é que param. É possível, mas é mais difícil. Agências: Há sempre agências de turismo que oferecem passeios aos lugares mais turísticos. Clima: O Líbano tem um clima muito próximo do Europeu com estações muito vincadas. Diria que os melhores meses para visitar são Maio, Junho e Setembro. Nós fomos no fim de Abril e ainda apanhámos um tempo bem fresquinho! Moeda: Libra libanesa e dólares americanos. Usam ambos e são aceites em todo o lado. É possível pagar com cartão em muitos lugares. Os ATM cobram bastante por cada levantamento. Língua: O idioma oficial é o árabe, mas a maioria das pessoas fala Francês e Inglês muito bem. Segurança: Nunca me senti insegura no Líbano (excepto na estrada). Ao contrário de Marrocos ou Turquia, aqui não há olhares sinuosos ou comentários infelizes. Por outro lado, é o país mais militarizado que já visitei, com dezenas de check points nas estradas, tanques de guerra e militares nas ruas. Claro que toda esta “preparação” é mais inquietante que tranquilizante, mas viajar também é estarmos desconfortáveis. Roupa: Não há regras. Em Beirut as mulheres produzem-se muito para sair à noite e as discotecas não aceitam modelitos desmazelados. Comida: A cozinha Libanesa merece um post só para si que eventualmente há-de aparecer. Para mim, os meze ganham a todo o outro tido de comida. Dêem-me uma taça de húmus, uma taça de baba ganoush e um quilo de pão fresco e sou uma mulher feliz. Preço de uma refeição fast food: 5 a 7 dólares por pessoa Preço de uma refeição num restaurante normal: 15 a 20 dólares por pessoaPreço de uma refeição num restaurante bom: +25 dólares por pessoa Bebidas: A cerveja local é muito decente, Beirut e Almaza e Arak, a bebida mais tradicional, é muito parecida ao Raki da Turquia e Ouzo da Grécia. Alojamento: Nós acabámos por ficar num hotel perto de casa do meu amigo, mas eu recomendaria um Airbnb em Beirut, vi uns muito giros. Trânsito: Se ficares em Beirut, tens que ter em atenção a questão do trânsito que é absolutamente infernal durante a semana. Consulta o estado das estradas no Google Maps antes de sair. Itinerário de uma semana no Líbano Dia 1: Baatara Gorge, Montanhas do Líbano, Cedros de Deus Dia 2: Byblos, Batroun, Mseilha Fort e Jeita GrottoDia 3: Baalbek, Beqaa Valley, Harissa e JouniehDia 4: Tripoli Dia 5: Sidon (Saida) e Tyre *Dia 6: Aanjar e Beiteddine Palace*Dia 7: Beirut Nota 1: Batroun é uma pequena vila à beira mar. Não tivemos a oportunidade de explorar muito porque estava a chover, mas é pertinho de Bybos, por isso é fácil de lá chegar. O mesmo se aplica ao Forte, que só vimos de passagem no carro. Nota 2: Sidon é mais uma cidade histórica no Líbano. As maiores atracções são o Castelo no mar, os souks antigos e o Palácio Dabane. Nota 3: O dia 6 foi o dia que não conseguimos fazer. Aanjar tem ruínas romanas (surpresa!) e o Palácio Beiteddine otomano do século XIX. Boas mudanças!

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O Líbano é um destino de viagem improvável. A juntar à sua inconveniente posição geográfica entre a Síria e Israel, é um país com muito pouca infra-estrutura turística e até apelidado de caro.

Todas estas características, aparentemente pouco apelativas, fazem do Líbano um país não prioritário para a maioria dos viajantes. E é aqui que se dá o twist: é a falta de turismo que torna o Líbano num país tão autêntico. As pessoas são maravilhosas, acolhedoras sem segundas intenções e genuínas. A comida é deliciosa, há história por todo o lado e tens tudo isto só para ti, porque ainda mais ninguém deu com o Líbano.

Uma semana de férias foi tempo suficiente para quase tudo (é um país muito pequeno) e estas são as minhas dicas para preparares a tua viagem a este país tão singular.

Como chegar: A Transavia, uma low cost holandesa, tem voos directos de Paris e Amesterdão para Beirut, três vezes por semana. Os nossos voos foram 200€, por pessoa, ida e volta. Não há voos directos de Portugal.

Visto: Não é preciso visto, mas a entrada é negada às pessoas com o carimbo de Israel no passaporte. As filas para o controlo de passaporte são longas. Demorámos cerca de 90 minutos até ter o passaporte carimbado. Leva uma caneta para preencher o documento de chegada.

Wifi: O aeroporto tem 30 minutos de wifi gratuito. Recomendo comprar um cartão SIM, principalmente para navegação ou Uber se for o caso. Eu comprei um de 500MB por cerca de 11 USD e deu perfeitamente para uma semana (só não podes andar no Instagram!)

Transportes: A falta de transportes públicos é uma das coisas que pode afastar as pessoas do Líbano: praticamente não existem. Sendo assim, estas são as melhores opções:

Táxi: Muitas pessoas contratam um serviço de táxi para se deslocar no Líbano. O único inconveniente é a possibilidade de seres aldrabado à grande. Nós usámos sempre táxis de uma empresa de um amigo do Rodrigue. Aqui fica o contacto: +9613093626 (Joe).

Uber: Disseram-me que é uma das melhores opções. Evitam-se os enganos e também fazem longas distâncias.

Alugar um carro: Para mim, esta é definitivamente a melhor opção. Apesar da condução ser louca nas cidades, o carro dá-te muita flexibilidade e as estradas não são más (nas montanhas estão um bocado esburacadas). A nível da condução, convém ter alguma experiência, particularmente em países “sem regras” contudo foi muito melhor do que estava à espera. O carro ficou-nos a 30 dólares por dia na Adonis.

Autocarros: Ora bem, os autocarros existem, mas ninguém sabe bem a que horas vêm ou onde é que param. É possível, mas é mais difícil.

Agências: Há sempre agências de turismo que oferecem passeios aos lugares mais turísticos.

Clima: O Líbano tem um clima muito próximo do Europeu com estações muito vincadas. Diria que os melhores meses para visitar são Maio, Junho e Setembro. Nós fomos no fim de Abril e ainda apanhámos um tempo bem fresquinho!

Moeda: Libra libanesa e dólares americanos. Usam ambos e são aceites em todo o lado. É possível pagar com cartão em muitos lugares. Os ATM cobram bastante por cada levantamento.

Língua: O idioma oficial é o árabe, mas a maioria das pessoas fala Francês e Inglês muito bem.

Segurança: Nunca me senti insegura no Líbano (excepto na estrada). Ao contrário de Marrocos ou Turquia, aqui não há olhares sinuosos ou comentários infelizes. Por outro lado, é o país mais militarizado que já visitei, com dezenas de check points nas estradas, tanques de guerra e militares nas ruas. Claro que toda esta “preparação” é mais inquietante que tranquilizante, mas viajar também é estarmos desconfortáveis.

Roupa: Não há regras. Em Beirut as mulheres produzem-se muito para sair à noite e as discotecas não aceitam modelitos desmazelados.

Comida: A cozinha Libanesa merece um post só para si que eventualmente há-de aparecer. Para mim, os meze ganham a todo o outro tido de comida. Dêem-me uma taça de húmus, uma taça de baba ganoush e um quilo de pão fresco e sou uma mulher feliz.

Preço de uma refeição fast food: 5 a 7 dólares por pessoa
Preço de uma refeição num restaurante normal: 15 a 20 dólares por pessoa
Preço de uma refeição num restaurante bom: +25 dólares por pessoa

Bebidas: A cerveja local é muito decente, Beirut e Almaza e Arak, a bebida mais tradicional, é muito parecida ao Raki da Turquia e Ouzo da Grécia.

Alojamento: Nós acabámos por ficar num hotel perto de casa do meu amigo, mas eu recomendaria um Airbnb em Beirut, vi uns muito giros.

Trânsito: Se ficares em Beirut, tens que ter em atenção a questão do trânsito que é absolutamente infernal durante a semana. Consulta o estado das estradas no Google Maps antes de sair.

Itinerário de uma semana no Líbano

Dia 1: Baatara Gorge, Montanhas do Líbano, Cedros de Deus
Dia 2: Byblos, Batroun, Mseilha Fort e Jeita Grotto
Dia 3: Baalbek, Beqaa Valley, Harissa e Jounieh
Dia 4: Tripoli
Dia 5: Sidon (Saida) e Tyre *
Dia 6: Aanjar e Beiteddine Palace*
Dia 7: Beirut

Nota 1: Batroun é uma pequena vila à beira mar. Não tivemos a oportunidade de explorar muito porque estava a chover, mas é pertinho de Bybos, por isso é fácil de lá chegar. O mesmo se aplica ao Forte, que só vimos de passagem no carro.

Nota 2: Sidon é mais uma cidade histórica no Líbano. As maiores atracções são o Castelo no mar, os souks antigos e o Palácio Dabane.

Nota 3: O dia 6 foi o dia que não conseguimos fazer. Aanjar tem ruínas romanas (surpresa!) e o Palácio Beiteddine otomano do século XIX.

Boas mudanças!

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Tripoli and Beirut: encontrei a alma do Líbano https://www.mudancasconstantes.com/2019/05/09/tripoli-beirut-libano/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=tripoli-beirut-libano https://www.mudancasconstantes.com/2019/05/09/tripoli-beirut-libano/#comments Thu, 09 May 2019 22:07:54 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5176 Beleza natural, cascatas e paisagens do Líbano? Check! Monumentos e cidades milenares de cortar a respiração? Check! Falta agora falar das duas cidades que, para mim, são a alma do Líbano: Tripoli e Beirut. A história não tem sido simpática com estas cidades. Desde a sanguinária guerra civil nos anos 70 até aos recentes bombardeamentos Israelitas em 2006, parece que paira sempre no ar a pergunta “o que é que vem a seguir”? Ao mesmo tempo, a incerteza do futuro torna os libaneses num povo que ama viver e fá-lo de forma incondicional. Os libaneses têm o sangue na guelra e estas duas cidades são a prova disso. Tripoli: a alma antiga e conservadora Culturalmente, Tripoli foi o lugar que mais gostei no Líbano. A confusão do trânsito, o labirinto de ruas do bazar, a herança dos hammams otomanos… Esta cidade é a representação exacta do conceito que todos temos de “Médio Oriente”. Mal chegámos ao primeiro monumento “da lista”, a Mansouri Great Mosque, demos de caras com uma porta fechada. Antes de termos tempo de decidir onde ir a seguir, um senhor abordou-nos e disse que a pessoa que costuma abrir a mesquita se “tinha esquecido da chave em casa e já voltava”. Entretanto ofereceu-se para nos mostrar as redondezas gratuitamente e eu fiquei logo de pé atrás. Já são muitos anos a virar frangos no médio oriente, mas este era efectivamente inocente e acabou por ser muito gentil. A um ritmo louco, vimos dois hammams (Izzeddeen Hammam e Hamam Alnouri), uma madrassa, duas mesquitas e o bazar. Continuo sem saber se ele viveu mesmo em Inglaterra e Espanha (mas falava ambas as línguas) ou se o homem da mesquita se tinha mesmo esquecido da chave, mas a verdade é que no fim nem nos pediu gorjeta (claro que demos à mesma)! Depois de nos despedirmos aproveitámos o ritmo mais lento e subimos até ao castelo – Citadel of Raymond de Saint-Gilles – que tem uma vista incrível sobre o outro lado do rio, onde o amontoado de casas faz lembrar a América do Sul. À saída deparámo-nos com o parque de estacionamento dos Tanques de guerra e potenciais mísseis… Quando andava a pesquisar sobre o Líbano e via Tripoli como um dos destinos “obrigatórios” nunca percebi porquê. Nas fotografias pareceu-me sempre uma cidade pouco apelativa e desinteressante. E é exactamente o oposto! Definitivamente um lugar obrigatório, cheio de personalidade e carácter. Beirut: a alma moderna e festiva Ao ver a baixa de Beirut mal podia acreditar: é absolutamente deslumbrante. A alcunha de “Paris do Médio Oriente” começou a fazer todo o sentido. Uma cidade que há 50 anos estava absolutamente em ruínas, destruída pela guerra civil, tem um dos centros mais bonitos e bem cuidados que já vi. Ali, as marcas de luxo reinam e há um cheirinho a dinheiro no ar! Para além do centro, a Mohamad al amin Mosque é magnífica e fica mesmo ao lado da Saint Georges Maronite Cathedral. Na parte costeira da cidade fomos dar uma espreitadela às Raouche Rock e o passeio à beira mar também é muito agradável. No meu mapa também tenho marcados os bairros Gemmayzeh e Hamra. Também me recomendaram a Alternative Walking Tour que me parece fantástica. Infelizmente não tivemos tempo suficiente para ver Beirut “a fundo”, mas vivemos Beirut ao máximo! Aqui vão as minhas recomendações de quatro sítios MUITO diferentes que tornaram a nossa viagem inesquecível. Alerta: o Líbano é um país bastante caro. O melhor Brunch da cidade: o prémio vai para o SUD Restobar. A uma módica quantia de 35 dólares por pessoa, o SUD serve um brunch buffet com bar aberto de sumo de laranja natural e café. Para comer, há tudo. Desde as tradicionais panquecas e crepes, passando pelas saladas e pizzas até a uma quantidade desumana de carne. É brilhante. Convém reservar. O melhor restaurante tradicional: No Líbano, sê libanês. O meu amigo e as amigas dele decidiram levar-nos a um restaurante de comida tradicional com música libanesa ao vivo, o Bou Melhem. Ora, uma refeição tradicional no Líbano é uma refeição infinita. À mesa chega 10 vezes mais comida do que a necessária e quando já estamos completamente a rebentar pelas costuras lembram-se de mencionar que aquilo era só entradas. Este restaurante é “comida e bebida à descrição” e os músicos são muito bons. 40 dólares por pessoa. Embrulha! Reservar uns dias antes. February 30 para dançar: O conceito de discoteca no Líbano é interessante. Em vez de pista de dança há mesas reservadas. No início está tudo muito calmo, parece um bar, mas passados uns copos já está tudo a dançar à volta da mesa.O único inconveniente é a parte de ter que se ter “contactos”. A cunha ainda é rainha no Líbano. A música é uma mistura de Oriental com Western. Adorei! Acaba a noite no… Makhlouf: Depois da discoteca, só falta mesmo o Shawarma.As pessoas acumulam-se na rua às duas e três da manhã à espera da sua vez, mas o truque parece ser ir para as mesas lá dentro. O Shawarma de frango é de facto divinal. É assim que se acaba uma grande noite!

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Beleza natural, cascatas e paisagens do Líbano? Check! Monumentos e cidades milenares de cortar a respiração? Check! Falta agora falar das duas cidades que, para mim, são a alma do Líbano: Tripoli e Beirut.

A história não tem sido simpática com estas cidades. Desde a sanguinária guerra civil nos anos 70 até aos recentes bombardeamentos Israelitas em 2006, parece que paira sempre no ar a pergunta “o que é que vem a seguir”?

Marcas da guerra

Ao mesmo tempo, a incerteza do futuro torna os libaneses num povo que ama viver e fá-lo de forma incondicional. Os libaneses têm o sangue na guelra e estas duas cidades são a prova disso.

Tripoli: a alma antiga e conservadora

Culturalmente, Tripoli foi o lugar que mais gostei no Líbano. A confusão do trânsito, o labirinto de ruas do bazar, a herança dos hammams otomanos… Esta cidade é a representação exacta do conceito que todos temos de “Médio Oriente”.

Mal chegámos ao primeiro monumento “da lista”, a Mansouri Great Mosque, demos de caras com uma porta fechada. Antes de termos tempo de decidir onde ir a seguir, um senhor abordou-nos e disse que a pessoa que costuma abrir a mesquita se “tinha esquecido da chave em casa e já voltava”.

Entretanto ofereceu-se para nos mostrar as redondezas gratuitamente e eu fiquei logo de pé atrás. Já são muitos anos a virar frangos no médio oriente, mas este era efectivamente inocente e acabou por ser muito gentil.

A um ritmo louco, vimos dois hammams (Izzeddeen Hammam e Hamam Alnouri), uma madrassa, duas mesquitas e o bazar. Continuo sem saber se ele viveu mesmo em Inglaterra e Espanha (mas falava ambas as línguas) ou se o homem da mesquita se tinha mesmo esquecido da chave, mas a verdade é que no fim nem nos pediu gorjeta (claro que demos à mesma)!

Depois de nos despedirmos aproveitámos o ritmo mais lento e subimos até ao castelo – Citadel of Raymond de Saint-Gilles – que tem uma vista incrível sobre o outro lado do rio, onde o amontoado de casas faz lembrar a América do Sul. À saída deparámo-nos com o parque de estacionamento dos Tanques de guerra e potenciais mísseis…

Quando andava a pesquisar sobre o Líbano e via Tripoli como um dos destinos “obrigatórios” nunca percebi porquê. Nas fotografias pareceu-me sempre uma cidade pouco apelativa e desinteressante. E é exactamente o oposto! Definitivamente um lugar obrigatório, cheio de personalidade e carácter.

Beirut: a alma moderna e festiva

Ao ver a baixa de Beirut mal podia acreditar: é absolutamente deslumbrante. A alcunha de “Paris do Médio Oriente” começou a fazer todo o sentido. Uma cidade que há 50 anos estava absolutamente em ruínas, destruída pela guerra civil, tem um dos centros mais bonitos e bem cuidados que já vi.

Ali, as marcas de luxo reinam e há um cheirinho a dinheiro no ar!

Para além do centro, a Mohamad al amin Mosque é magnífica e fica mesmo ao lado da Saint Georges Maronite Cathedral. Na parte costeira da cidade fomos dar uma espreitadela às Raouche Rock e o passeio à beira mar também é muito agradável.

No meu mapa também tenho marcados os bairros Gemmayzeh e Hamra. Também me recomendaram a Alternative Walking Tour que me parece fantástica.

Hamra

Infelizmente não tivemos tempo suficiente para ver Beirut “a fundo”, mas vivemos Beirut ao máximo! Aqui vão as minhas recomendações de quatro sítios MUITO diferentes que tornaram a nossa viagem inesquecível. Alerta: o Líbano é um país bastante caro.

O melhor Brunch da cidade: o prémio vai para o SUD Restobar. A uma módica quantia de 35 dólares por pessoa, o SUD serve um brunch buffet com bar aberto de sumo de laranja natural e café. Para comer, há tudo. Desde as tradicionais panquecas e crepes, passando pelas saladas e pizzas até a uma quantidade desumana de carne. É brilhante. Convém reservar.

O melhor restaurante tradicional: No Líbano, sê libanês. O meu amigo e as amigas dele decidiram levar-nos a um restaurante de comida tradicional com música libanesa ao vivo, o Bou Melhem. Ora, uma refeição tradicional no Líbano é uma refeição infinita.

À mesa chega 10 vezes mais comida do que a necessária e quando já estamos completamente a rebentar pelas costuras lembram-se de mencionar que aquilo era só entradas. Este restaurante é “comida e bebida à descrição” e os músicos são muito bons. 40 dólares por pessoa. Embrulha! Reservar uns dias antes.

February 30 para dançar: O conceito de discoteca no Líbano é interessante. Em vez de pista de dança há mesas reservadas. No início está tudo muito calmo, parece um bar, mas passados uns copos já está tudo a dançar à volta da mesa.O único inconveniente é a parte de ter que se ter “contactos”. A cunha ainda é rainha no Líbano. A música é uma mistura de Oriental com Western. Adorei!

Acaba a noite no… Makhlouf: Depois da discoteca, só falta mesmo o Shawarma.As pessoas acumulam-se na rua às duas e três da manhã à espera da sua vez, mas o truque parece ser ir para as mesas lá dentro. O Shawarma de frango é de facto divinal. É assim que se acaba uma grande noite!

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Byblos, Baalbek e Tyre: Nas pegadas da história https://www.mudancasconstantes.com/2019/05/07/baalbek-byblos-tyre-libano/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=baalbek-byblos-tyre-libano https://www.mudancasconstantes.com/2019/05/07/baalbek-byblos-tyre-libano/#comments Tue, 07 May 2019 20:24:32 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5147 Temos que admitir que os nossos antepassados eram gente esforçada; já ninguém faz maravilhas destas! O Líbano pode ser oito vezes mais pequeno que Portugal, mas se há coisa da qual se pode gabar é de ter mais relevância história por metro quadrado do que, provavelmente, qualquer outro país do mundo. Uma ruína por dia foi mais ou menos o mote da nossa viagem, mas foi em Byblos e Baalbek que o meu coração deu pulinhos de contente. Byblos (Jbeil): o que é que NÃO aconteceu aqui?! Byblos foi construída há cerca de oito mil anos e tem sido continuamente habitada durante os últimos cinco mil, tornando-a numa das cidades mais antigas do mundo. Pedra sobre pedra, as suas ruas milenares desdobram-se em curvas e contracurvas nos pequenos, mas deliciosos antigos souks. Como em todo o médio oriente, estes bazares são uma mistura entre a tradição e o turismo, mas em Byblos sente-se uma calma estranha: os vendedores não gritam ou gesticulam pela nossa atenção. Desta vez não tive que ir ver 30 carpetes enquanto me serviam 10 copos de chá. Se há coisa que me surpreendeu no Líbano, e que irei repetir em todos os posts, é que tudo é mais bonito do que aparenta. No caso de Byblos, não estava particularmente interessada nas ruínas ou castelo, mas uma vez lá dentro é impossível ficar indiferente. Para além da sua posição privilegiada, mesmo junto ao mar, as ruínas do castelo têm muitas histórias para contar, incluindo a história de como nasceu o primeiro alfabeto. Fora do complexo das ruínas, não podes perder a Saint John Church, o Porto de pesca, de onde saíram barcos Fenícios com vinho e madeira de cedro para o Egipto e uma rua absolutamente adorável cheia de restaurantes catitas e decorada com buganvílias. Baalbek: O Deus do vinho é claramente o melhor Deus Os fenícios só podiam estar bêbados quando decidiram construir Baalbek. Quando lá chegamos, depois de duas horas a conduzir por montanhas onde, perdoem-me a expressão, não se via a ponta dum corno por causa das nuvens, fomos recebidos pelo guia mais entusiasta da história. Entre saltos, gritos e onomatopeias, lá nos foi conduzindo pelos milhares de anos de história, peregrinações e sacrifícios. A parte mais impressionante de Baalbek é a grandeza dos seus monumentos, que é ainda uma incógnita para os historiadores, que só podem teorizar sobre como é que foi possível construir algo desta magnitude sem tecnologia. O Templo de Baco, posteriormente construído pelos romanos, é considerado o templo Romano mais bonito e bem decorado do mundo e um dos mais bem preservados. O Beqaa Valley, onde fica Baalbek, também é muito famoso no Líbano pelo seu vinho. Já que estávamos por ali aproveitámos para ir ver as caves da Ksara e provar os vinhos, claro! Para ser sincera o Branco era decente, mas os outros eram muito fraquinhos, mas sempre deu para conhecer uns tugas – claro que tinham que estar nos vinhos! Tyre: só mais umas, só mais umas! Prometo que estas são as últimas ruínas do dia. Tyre, também conhecida como Sour, fica no sul do Líbano já muito perto da fronteira com Israel. Mais uma vez, aqui é o passado que importa. Tyre foi uma cidade portuária extremamente importante na altura dos fenícios e durante o período Romano com colónias em Cadiz e Cartaghe. Hoje, apesar da zona do porto e da praia serem muito famosas como destino de verão dos Libaneses, ao conduzir até às ruinas vimos o lado mais duro do Líbano. A pobreza e o conservadorismo eram evidentes. Também pela proximidade com Israel, via-se ainda mais militares e checkpoints do que o normal, bandeiras do Hezbollah (tal como em Baalbek) e bandeiras da palestina. Um ambiente mais pesado, portanto. Nas ruínas de Tyre a parte mais interessante é um Hipódromo romano com capacidade para 20000 espectadores. Já no porto, fomos ao meu restaurante preferido de toda a viagem, o Tony! Peixe fresco, bom meze e preços decentes.

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Temos que admitir que os nossos antepassados eram gente esforçada; já ninguém faz maravilhas destas!

O Líbano pode ser oito vezes mais pequeno que Portugal, mas se há coisa da qual se pode gabar é de ter mais relevância história por metro quadrado do que, provavelmente, qualquer outro país do mundo.

Uma ruína por dia foi mais ou menos o mote da nossa viagem, mas foi em Byblos e Baalbek que o meu coração deu pulinhos de contente.

Byblos (Jbeil): o que é que NÃO aconteceu aqui?!

Byblos foi construída há cerca de oito mil anos e tem sido continuamente habitada durante os últimos cinco mil, tornando-a numa das cidades mais antigas do mundo. Pedra sobre pedra, as suas ruas milenares desdobram-se em curvas e contracurvas nos pequenos, mas deliciosos antigos souks.

Como em todo o médio oriente, estes bazares são uma mistura entre a tradição e o turismo, mas em Byblos sente-se uma calma estranha: os vendedores não gritam ou gesticulam pela nossa atenção. Desta vez não tive que ir ver 30 carpetes enquanto me serviam 10 copos de chá.

Se há coisa que me surpreendeu no Líbano, e que irei repetir em todos os posts, é que tudo é mais bonito do que aparenta. No caso de Byblos, não estava particularmente interessada nas ruínas ou castelo, mas uma vez lá dentro é impossível ficar indiferente.

Para além da sua posição privilegiada, mesmo junto ao mar, as ruínas do castelo têm muitas histórias para contar, incluindo a história de como nasceu o primeiro alfabeto.

Fora do complexo das ruínas, não podes perder a Saint John Church, o Porto de pesca, de onde saíram barcos Fenícios com vinho e madeira de cedro para o Egipto e uma rua absolutamente adorável cheia de restaurantes catitas e decorada com buganvílias.

Baalbek: O Deus do vinho é claramente o melhor Deus

Os fenícios só podiam estar bêbados quando decidiram construir Baalbek.

Quando lá chegamos, depois de duas horas a conduzir por montanhas onde, perdoem-me a expressão, não se via a ponta dum corno por causa das nuvens, fomos recebidos pelo guia mais entusiasta da história. Entre saltos, gritos e onomatopeias, lá nos foi conduzindo pelos milhares de anos de história, peregrinações e sacrifícios.

A parte mais impressionante de Baalbek é a grandeza dos seus monumentos, que é ainda uma incógnita para os historiadores, que só podem teorizar sobre como é que foi possível construir algo desta magnitude sem tecnologia.

O Templo de Baco, posteriormente construído pelos romanos, é considerado o templo Romano mais bonito e bem decorado do mundo e um dos mais bem preservados.

O Beqaa Valley, onde fica Baalbek, também é muito famoso no Líbano pelo seu vinho. Já que estávamos por ali aproveitámos para ir ver as caves da Ksara e provar os vinhos, claro! Para ser sincera o Branco era decente, mas os outros eram muito fraquinhos, mas sempre deu para conhecer uns tugas – claro que tinham que estar nos vinhos!

Tyre: só mais umas, só mais umas!

Prometo que estas são as últimas ruínas do dia. Tyre, também conhecida como Sour, fica no sul do Líbano já muito perto da fronteira com Israel. Mais uma vez, aqui é o passado que importa. Tyre foi uma cidade portuária extremamente importante na altura dos fenícios e durante o período Romano com colónias em Cadiz e Cartaghe.

Hoje, apesar da zona do porto e da praia serem muito famosas como destino de verão dos Libaneses, ao conduzir até às ruinas vimos o lado mais duro do Líbano.

A pobreza e o conservadorismo eram evidentes. Também pela proximidade com Israel, via-se ainda mais militares e checkpoints do que o normal, bandeiras do Hezbollah (tal como em Baalbek) e bandeiras da palestina. Um ambiente mais pesado, portanto.

Nas ruínas de Tyre a parte mais interessante é um Hipódromo romano com capacidade para 20000 espectadores. Já no porto, fomos ao meu restaurante preferido de toda a viagem, o Tony! Peixe fresco, bom meze e preços decentes.

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