Suíça Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/suica/ Blog de viagens para inquietos e irrequietos Sun, 23 Jan 2022 12:45:53 +0000 en-GB hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://www.mudancasconstantes.com/wp-content/uploads/2018/10/cropped-Untitled-design-1-32x32.png Suíça Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/suica/ 32 32 Pizol: Cinco (+) lagos, termas finas e estar offline https://www.mudancasconstantes.com/2020/09/06/pizol-cinco-lagos-suica/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=pizol-cinco-lagos-suica https://www.mudancasconstantes.com/2020/09/06/pizol-cinco-lagos-suica/#respond Sun, 06 Sep 2020 21:25:30 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=6159 Algures a meio de Fevereiro chegou o convite: “No Verão devíamos fazer uma caminhada nas montanhas Suíças”. A proposta vinha do meu amigo Adi que na altura se encontrava na etapa final da sua viagem de dois anos de bicicleta da Noruega à África do Sul. Sabíamos lá nós que a epidemia na China se tornaria numa pandemia mundial e que os quilómetros finais da viagem dele ficariam em águas de bacalhau e que os meus planos originais de viagem seriam todos cancelados. Com os destinos de viagem ultra limitados devido à imposição de quarentena no regresso por parte de Inglaterra, voltar à Suíça parecia-me a opção mais apetecível. Com poucos dias de antecedência marquei os meus voos para mais uma viagem “só acredito que vai acontecer quando sair do aeroporto”. Quatro dias de caminhadas, lagos e noites estreladas estavam prestes a começar: O primeiro lago e uma orquestra bovina Aterrei num país que parecia nunca ter ouvido falar de um tal COVID. Ao dirigir-me para a saída do aeroporto encontrei-me com o Adi, eu com máscara ele sem. Ainda confusa com este novo (ou antigo?) mundo, meti-me na magnífica campervan dos pais dele; aquela seria a nossa casa durante os próximos dias. Já com compras para sobrevivermos em autonomia na bagageira fizemos a nossa primeira paragem: Walensee. Este enorme lago fica mesmo na fronteira com o Liechtenstein e a caminho do nosso destino final: Pizol. Também não sabíamos quando voltaríamos a tomar banho e achámos por bem aproveitar esta oportunidade. Em países sem mar faz-se praia nos lagos e as margens deste estavam a rebentar pelas costuras. Lá encontrámos um cantinho na relva e, em menos de nada, estava a atirar-me não à água, mas ao pão e humus que tínhamos acabado de comprar (porque é que só me dou com pessoas que não se importam de não comer?!). Níveis de açúcar repostos o resto da tarde foi passado entre banhos de lago e banhos de sol. No fim do dia pusemos a van à prova ao subirmos até ao lugar mais próximo do início da caminhada do dia seguinte. Era aí, perto de uma Alpine Farm, que iríamos pernoitar. Como não podia deixar de ser o jantar foi gourmet: um risotto de cogumelos e uma salada de tomate, feta e azeite balsâmico! Sob um céu limpo e infinitas constelações adormecemos embalados ao som de uma orquestra “sinofónica” bovina ali residente. Nas montanhas, Suíça vs. Portugal é uma luta inglória Às seis da manhã saí disparada da “cama” para fotografar um amanhecer inacreditável. As montanhas à minha frente tinham-se tornado cor-de-rosa e atrás de mim, na Áustria, eram agora azuis. Como esta adrenalina matinal só parecia afectar um de nós fui persuadida a deixar-me dormir mais um bocadinho até serem horas de pessoas normais se levantarem.  O sol já ia alto quando acabámos de enfiar todo o equipamento que íamos precisar para acampar nessa noite em duas mochilas. Foi a primeira vez que me apercebi onde é que me estava a meter. Digamos que caminhadas já fiz eu muitas, mas com oito ou mais quilos às costas, esta era a primeira. E deixem-me mencionar, assim só ao de leve como quem não quer a coisa, que eu não levava nem um terço do peso total entre nós. Munida de dois bastões de caminhada de carbono (para leigos como eu, significa que são ultra leves) e de uma grande determinação de provar a mim mesma – e ao Suíço! – que ia conseguir acabar aquela caminhada com os dois pulmões ainda dentro da caixa torácica, arrancámos.   Depois de 30 minutos sempre a subir estávamos oficialmente no início da caminhada, ao lado do Wangersee, o primeiro lago. Este simpático lago funciona para baixar os padrõezinhos dos caminhantes relativamente ao potencial deste trilho. Assim, ficamos completamente estupefactos com o que está para vir. Ir com um “profissional” destas coisas tem os seus benefícios. Optámos por fazer o caminho no sentido contrário e acabámos por ter as montanhas e os lagos quase só para nós. Aconselho vivamente a fazer Wangersee>Baschalvasee > Schwarzsee > Schottensee > Wildsee não só para evitar fazer descidas íngremes com gravilha (nós fizemos em subida) como para deixar os lagos mais impressionantes para o fim, o que torna a caminhada muito mais entusiasmante e recompensadora. Para além da minha inaptidão para carregar peso às costas, também estava mais que provado que o único equipamento que tinha que funcionava tinha sido cedido pela mãe do Adi. Ora vejamos: os meus óculos de sol, que só têm uma haste, foram considerados “o pior tipo de óculos de sol para caminhadas” uma vez que são “abertos”. A sola do meu sapato esquerdo descolou-se passadas duas horas de caminhada e soltou-se completamente no fim do primeiro dia. A sola do direito descolou-se uma hora depois de começarmos o segundo dia. Humilhada pelo meu corpo e equipamento, restava-me dizer: “Eu fui criada na praia, não nas montanhas. Hás-de ver que sou muito melhor a ficar estendida ao sol um dia inteiro sem me mexer”. Pelas quatro da tarde chegámos ao nosso poiso para a noite: o Schottensee, um dos lagos mais bonitos que já vi. Nas seis horas que caminhámos para lá chegar senti-me uma formiguinha no meio daquelas montanhas, saíram-me do corpo litros de suor (e alguns palavrões ofegantes) e abracei em pleno o melhor que a natureza tem para nos dar: paz de espírito. Ser obrigada a desligar Uma das maravilhas de nos afastarmos do mundo dito “civilizado” é deixarmos de ter rede. Antes da quarentena já passava uma quantidade de tempo pouco saudável online e com a impossibilidade de sair de casa comecei a passar quase todas as horas do meu dia em frente ao computador. Ora, isto dá cabo de qualquer um. Nas montanhas corta-se o mal pela raiz e depois de caminhar restou-nos ficar a apanhar sol e a molhar os pés na água gelada do lago (no meu caso) ou ir subir a mais picos a correr só porque sim (no caso do Adi). Se isto não é terapêutico não sei o que será. Quando o sol começou a baixar estava na altura de fazer o jantar: massa com molho de tomate, cebola e curgete -previamente cortadas e transportadas num Tupperware; já disse que com a comida não se brinca! Para voltarmos a encher as nossas garrafas com água potável fervemos vários litros de água do lago e para celebrar o fim do primeiro dia bebemos uns tragos do tradicional schnapps. Mais uma vez adormecemos a olhar para um céu estrelado ao som dos sinos do gado caprino desta vez. Um último esforço e a recompensa O último dia de caminhada começou comigo a confirmar que uma sopa Knorr de cogumelos não serve de pequeno-almoço para ninguém. Tenda, sacos cama e colchões arrumados, estávamos prontos para a recta final. Subimos até ao Wildsee contornando as centenas de caminhantes que vinham na direcção contrária. Não há nada como uma boa fotografia de Instagram para mover multidões. Mas mais uma vez decidimos fazer a nossa própria rota e embarcar por um desvio que nos levaria ao pico do Pizol a 2,844 metros. Como este trilho envolve andar no gelo e gravilha eu fiz uma paragem técnica enquanto o meu parceiro de caminhada ia lá ao topo “num instantinho”. Apesar de não ter chegado ao topo, adorei este trilho porque tornou a caminhada e as paisagens que oferece ainda mais diversa. Agora já só nos faltava descer e esperar que a campervan ainda estivesse onde a tínhamos deixado. Fácil, certo?! Teria sido fácil se tivéssemos ido pelo caminho oficial, mas não. “Vamos por aqui, tem menos gente”. E porque é que será que tem menos gente? Porque tem vários troços só de gravilha fina que ao mínimo erro te iria levar a visitar as vaquinhas lá no fundo da montanha. Com o coração na boca e eventualmente lágrimas nos olhos lá fiz o trilho rogando pragas ao dia oito de agosto que já me tinha tentado matar há três anos no Sri Lanka. Moral da história: não inventes caminhos! Para comemorar a nossa chegada intactos ao local de partida, tínhamos uma procissão intimidante de vacas à nossa espera. Felizmente ficaram-se pelos olhares desconfiados enquanto eu lhes segredava que não comia carne há imenso tempo! Nessa tarde tomámos a decisão mais fácil da viagem: irmos a uma das melhores termas da Suíça. Tamina Therme os nossos corpos suados, dorido e sujos vão deleitar-se nas tuas águas. Todos maltrapilhos entrámos num dos lugares mais finos que já vi na vida e a recepcionista deve ter tido medo das nossas toalhas (com razão), uma vez que nos ofereceu umas quando dissemos que não queríamos pagar pelas do spa. Duas horas depois estávamos limpinhos e bem massajados pelos infinitos jactos de água e jacuzzis que estas termas naturais ofereciam. Uma última vez, estacionámos a caravana, fizemos o jantar e desligámos com os sons da natureza. Como não podia deixar de ser, o último dia ainda foi gozado até à última com uma visita à Tamina Gorge, um desfiladeiro na zona das águas termais (entrada: 5CHF), e um mergulho rápido num lago perto de Zurique antes do voo. Olhando para as mais de 1600 palavras deste post pergunto-me como é que quatro dias na Suíça deram para escrever tanto. A verdade é que este ano cada viagem tem um sabor diferente; viajar deixou de ser uma garantia e passou a ser um privilégio. Aguardo ansiosamente pelo dia em que voltaremos a viajar sem restrições. Até lá, vamos viajando assim, devagarinho. Dicas rápidas Caminhada dos Cinco Lagos em Pizol: O acesso normal a esta caminhada é feito através de um teleférico. Fica aqui o site da região do Pizol com mais informações: Turismo Pizol Pernoitar/estacionar no início da caminhada: O Adi foi quem descobriu o lugar onde poderíamos dormir e deixar a van para fazer a caminhada. Estas são as coordenadas GPS do lugar onde ficámos 46°58’19.0″N 9°26’15.4″E ; tem acesso a água potável. Contudo, antes de a chegarmos tivemos que preencher um formulário e deixar 20 CHF num envelope num género de casota de madeira. Equipamento: De forma a estares mais preparado/a que eu, aqui vão umas dicas. Bastões de caminhada ajudam imenso tanto em subidas como descidas e são imprescindíveis se carregares muito peso às costas. Fiquei fã. Usa protector solar, batom do cieiro, óculos de sol e boné! O sol nas montanhas é muito mais agressivo do que noutros lugares. E sapatos/botas de caminhada que não se estejam a desfazer. Caminhada: A caminhada em si não é muito difícil se tiveres um estilo de vida activo. Há muitos pais que levam miúdos de sete ou oito anos para esta caminhada (até mais novos) e sobrevivem todos.

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Algures a meio de Fevereiro chegou o convite: “No Verão devíamos fazer uma caminhada nas montanhas Suíças”. A proposta vinha do meu amigo Adi que na altura se encontrava na etapa final da sua viagem de dois anos de bicicleta da Noruega à África do Sul.

Sabíamos lá nós que a epidemia na China se tornaria numa pandemia mundial e que os quilómetros finais da viagem dele ficariam em águas de bacalhau e que os meus planos originais de viagem seriam todos cancelados.

Com os destinos de viagem ultra limitados devido à imposição de quarentena no regresso por parte de Inglaterra, voltar à Suíça parecia-me a opção mais apetecível. Com poucos dias de antecedência marquei os meus voos para mais uma viagem “só acredito que vai acontecer quando sair do aeroporto”.

Quatro dias de caminhadas, lagos e noites estreladas estavam prestes a começar:

O primeiro lago e uma orquestra bovina

Aterrei num país que parecia nunca ter ouvido falar de um tal COVID. Ao dirigir-me para a saída do aeroporto encontrei-me com o Adi, eu com máscara ele sem. Ainda confusa com este novo (ou antigo?) mundo, meti-me na magnífica campervan dos pais dele; aquela seria a nossa casa durante os próximos dias.

Já com compras para sobrevivermos em autonomia na bagageira fizemos a nossa primeira paragem: Walensee. Este enorme lago fica mesmo na fronteira com o Liechtenstein e a caminho do nosso destino final: Pizol. Também não sabíamos quando voltaríamos a tomar banho e achámos por bem aproveitar esta oportunidade.

Em países sem mar faz-se praia nos lagos e as margens deste estavam a rebentar pelas costuras. Lá encontrámos um cantinho na relva e, em menos de nada, estava a atirar-me não à água, mas ao pão e humus que tínhamos acabado de comprar (porque é que só me dou com pessoas que não se importam de não comer?!). Níveis de açúcar repostos o resto da tarde foi passado entre banhos de lago e banhos de sol.

No fim do dia pusemos a van à prova ao subirmos até ao lugar mais próximo do início da caminhada do dia seguinte. Era aí, perto de uma Alpine Farm, que iríamos pernoitar. Como não podia deixar de ser o jantar foi gourmet: um risotto de cogumelos e uma salada de tomate, feta e azeite balsâmico!

Sob um céu limpo e infinitas constelações adormecemos embalados ao som de uma orquestra “sinofónica” bovina ali residente.

Nas montanhas, Suíça vs. Portugal é uma luta inglória

Às seis da manhã saí disparada da “cama” para fotografar um amanhecer inacreditável. As montanhas à minha frente tinham-se tornado cor-de-rosa e atrás de mim, na Áustria, eram agora azuis. Como esta adrenalina matinal só parecia afectar um de nós fui persuadida a deixar-me dormir mais um bocadinho até serem horas de pessoas normais se levantarem. 

O sol já ia alto quando acabámos de enfiar todo o equipamento que íamos precisar para acampar nessa noite em duas mochilas. Foi a primeira vez que me apercebi onde é que me estava a meter. Digamos que caminhadas já fiz eu muitas, mas com oito ou mais quilos às costas, esta era a primeira. E deixem-me mencionar, assim só ao de leve como quem não quer a coisa, que eu não levava nem um terço do peso total entre nós.

Munida de dois bastões de caminhada de carbono (para leigos como eu, significa que são ultra leves) e de uma grande determinação de provar a mim mesma – e ao Suíço! – que ia conseguir acabar aquela caminhada com os dois pulmões ainda dentro da caixa torácica, arrancámos.  

Depois de 30 minutos sempre a subir estávamos oficialmente no início da caminhada, ao lado do Wangersee, o primeiro lago. Este simpático lago funciona para baixar os padrõezinhos dos caminhantes relativamente ao potencial deste trilho. Assim, ficamos completamente estupefactos com o que está para vir.

Ir com um “profissional” destas coisas tem os seus benefícios. Optámos por fazer o caminho no sentido contrário e acabámos por ter as montanhas e os lagos quase só para nós. Aconselho vivamente a fazer Wangersee>Baschalvasee > Schwarzsee > Schottensee > Wildsee não só para evitar fazer descidas íngremes com gravilha (nós fizemos em subida) como para deixar os lagos mais impressionantes para o fim, o que torna a caminhada muito mais entusiasmante e recompensadora.

Para além da minha inaptidão para carregar peso às costas, também estava mais que provado que o único equipamento que tinha que funcionava tinha sido cedido pela mãe do Adi. Ora vejamos: os meus óculos de sol, que só têm uma haste, foram considerados “o pior tipo de óculos de sol para caminhadas” uma vez que são “abertos”. A sola do meu sapato esquerdo descolou-se passadas duas horas de caminhada e soltou-se completamente no fim do primeiro dia. A sola do direito descolou-se uma hora depois de começarmos o segundo dia. Humilhada pelo meu corpo e equipamento, restava-me dizer: “Eu fui criada na praia, não nas montanhas. Hás-de ver que sou muito melhor a ficar estendida ao sol um dia inteiro sem me mexer”.

Pelas quatro da tarde chegámos ao nosso poiso para a noite: o Schottensee, um dos lagos mais bonitos que já vi. Nas seis horas que caminhámos para lá chegar senti-me uma formiguinha no meio daquelas montanhas, saíram-me do corpo litros de suor (e alguns palavrões ofegantes) e abracei em pleno o melhor que a natureza tem para nos dar: paz de espírito.

Ser obrigada a desligar

Uma das maravilhas de nos afastarmos do mundo dito “civilizado” é deixarmos de ter rede. Antes da quarentena já passava uma quantidade de tempo pouco saudável online e com a impossibilidade de sair de casa comecei a passar quase todas as horas do meu dia em frente ao computador. Ora, isto dá cabo de qualquer um.

Nas montanhas corta-se o mal pela raiz e depois de caminhar restou-nos ficar a apanhar sol e a molhar os pés na água gelada do lago (no meu caso) ou ir subir a mais picos a correr só porque sim (no caso do Adi). Se isto não é terapêutico não sei o que será.

Quando o sol começou a baixar estava na altura de fazer o jantar: massa com molho de tomate, cebola e curgete -previamente cortadas e transportadas num Tupperware; já disse que com a comida não se brinca!

Para voltarmos a encher as nossas garrafas com água potável fervemos vários litros de água do lago e para celebrar o fim do primeiro dia bebemos uns tragos do tradicional schnapps. Mais uma vez adormecemos a olhar para um céu estrelado ao som dos sinos do gado caprino desta vez.

Um último esforço e a recompensa

O último dia de caminhada começou comigo a confirmar que uma sopa Knorr de cogumelos não serve de pequeno-almoço para ninguém. Tenda, sacos cama e colchões arrumados, estávamos prontos para a recta final.

Subimos até ao Wildsee contornando as centenas de caminhantes que vinham na direcção contrária. Não há nada como uma boa fotografia de Instagram para mover multidões. Mas mais uma vez decidimos fazer a nossa própria rota e embarcar por um desvio que nos levaria ao pico do Pizol a 2,844 metros.

Como este trilho envolve andar no gelo e gravilha eu fiz uma paragem técnica enquanto o meu parceiro de caminhada ia lá ao topo “num instantinho”. Apesar de não ter chegado ao topo, adorei este trilho porque tornou a caminhada e as paisagens que oferece ainda mais diversa.

Agora já só nos faltava descer e esperar que a campervan ainda estivesse onde a tínhamos deixado. Fácil, certo?! Teria sido fácil se tivéssemos ido pelo caminho oficial, mas não. “Vamos por aqui, tem menos gente”. E porque é que será que tem menos gente? Porque tem vários troços só de gravilha fina que ao mínimo erro te iria levar a visitar as vaquinhas lá no fundo da montanha. Com o coração na boca e eventualmente lágrimas nos olhos lá fiz o trilho rogando pragas ao dia oito de agosto que já me tinha tentado matar há três anos no Sri Lanka. Moral da história: não inventes caminhos!

Para comemorar a nossa chegada intactos ao local de partida, tínhamos uma procissão intimidante de vacas à nossa espera. Felizmente ficaram-se pelos olhares desconfiados enquanto eu lhes segredava que não comia carne há imenso tempo!

Nessa tarde tomámos a decisão mais fácil da viagem: irmos a uma das melhores termas da Suíça. Tamina Therme os nossos corpos suados, dorido e sujos vão deleitar-se nas tuas águas. Todos maltrapilhos entrámos num dos lugares mais finos que já vi na vida e a recepcionista deve ter tido medo das nossas toalhas (com razão), uma vez que nos ofereceu umas quando dissemos que não queríamos pagar pelas do spa. Duas horas depois estávamos limpinhos e bem massajados pelos infinitos jactos de água e jacuzzis que estas termas naturais ofereciam.

Uma última vez, estacionámos a caravana, fizemos o jantar e desligámos com os sons da natureza.

Como não podia deixar de ser, o último dia ainda foi gozado até à última com uma visita à Tamina Gorge, um desfiladeiro na zona das águas termais (entrada: 5CHF), e um mergulho rápido num lago perto de Zurique antes do voo.

Olhando para as mais de 1600 palavras deste post pergunto-me como é que quatro dias na Suíça deram para escrever tanto. A verdade é que este ano cada viagem tem um sabor diferente; viajar deixou de ser uma garantia e passou a ser um privilégio. Aguardo ansiosamente pelo dia em que voltaremos a viajar sem restrições. Até lá, vamos viajando assim, devagarinho.

Dicas rápidas

Caminhada dos Cinco Lagos em Pizol: O acesso normal a esta caminhada é feito através de um teleférico. Fica aqui o site da região do Pizol com mais informações: Turismo Pizol

Pernoitar/estacionar no início da caminhada: O Adi foi quem descobriu o lugar onde poderíamos dormir e deixar a van para fazer a caminhada. Estas são as coordenadas GPS do lugar onde ficámos 46°58’19.0″N 9°26’15.4″E ; tem acesso a água potável. Contudo, antes de a chegarmos tivemos que preencher um formulário e deixar 20 CHF num envelope num género de casota de madeira.

Equipamento: De forma a estares mais preparado/a que eu, aqui vão umas dicas. Bastões de caminhada ajudam imenso tanto em subidas como descidas e são imprescindíveis se carregares muito peso às costas. Fiquei fã. Usa protector solar, batom do cieiro, óculos de sol e boné! O sol nas montanhas é muito mais agressivo do que noutros lugares. E sapatos/botas de caminhada que não se estejam a desfazer.

Caminhada: A caminhada em si não é muito difícil se tiveres um estilo de vida activo. Há muitos pais que levam miúdos de sete ou oito anos para esta caminhada (até mais novos) e sobrevivem todos.

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[EN] A trip of a lifetime: a bike journey from Cape 2 Cape https://www.mudancasconstantes.com/2018/05/17/bike-journey-from-cape-to-cape/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=bike-journey-from-cape-to-cape https://www.mudancasconstantes.com/2018/05/17/bike-journey-from-cape-to-cape/#comments Thu, 17 May 2018 17:07:56 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=3424 One of my favourite things about traveling is the amazing people I meet. They have the most extraordinary life stories to tell and better: they are hungry for more. So they will keep going to new places, discovering new ways of connecting to people and live more. One of these awesome people I’ve met is Adi. We met in Borneo for no longer than one day but we kept in touch for what it has been, today, more than one year. And now he’s doing one of the most incredible things I’ve ever heard of: A trip from Nordkapp (North Cape) in Norway to Cape Town in South Africa by bike. Isn’t it the coolest thing ever? And because I like to share cool things with you, I’ve partnered up with Adi to have a monthly (more realistically, maybe every 3 months) update on their trip here on Mudanças Constantes. To kick things off, an interview about the project and how they are making it happen. Let’s start with the introductions: who are you guys? Names, cities, age, jobs, horoscope signs, weird tattoos… Give us a quick bio! We are Adrian (28) and Fabian (29) from a small village in Switzerland called Buchrain. We both quit our jobs for this adventure. Adrian was working as a research assistant in aquatic research and Fabian worked as a wood construction technician. And a little curiosity: Adrian has a tattoo on his foot with the outline of Switzerland. Now that we are acquainted, how the hell did you come up with this idea? Have you done any long bike trips before?   The process started a while back, maybe 3 to 4 years ago. We started to think about a long bike journey first and then later decided to go from North to South instead of going West or East. Upon this we did a test tour 3 years ago in the Baltics for about 2 weeks to see how it feels and if we would like to do this of traveling for a longer period of time. This trip was the longest bike trip we both did, up to this point. Eventually, we started planning the Cape 2 Cape trip with more details and now we are finally about to start. What does it take to prepare a trip like this? For how long have you been planning, what have been your main difficulties at this stage? The detailed planning started last summer and it got more intense in 2018. We planned the possible route, equipment, insurances, visas, bank accounts and other administrative things. The main difficulty was to find out if it would be possible to arrange the visas on the way and where. Up to this day, we still don’t have much information on how and where we can get visas for most African countries.  Do you have your plan all sorted out? Or do you have some room for changes? We just created a preliminary time plan and route to have a rough idea about how long it could take us. On the way we want to be flexible and change the route as much as we want, according to new information of locals or just the daily mood. If you want to check our detailed planned route click here. Right now, what’s your route? Number of countries, kilometres, days, dates… We will fly to Tromsø and then go as far North as possible by ferry, a 16 hours ride! On the North Cape we will start cycling South through northern Europe, do a detour on the UK and Ireland, then cross France and Spain before we cross over to Morocco. Afterwards, we will cycle the west coast of the African continent until we reach Cape Town. We plan to cycle more than 30’000 km crossing 30 countries in about 600 days. And what are you looking forward to the most in your trip? And the least? While I (Adrian) am particularly looking forward to see Ireland, Scotland and Africa in general, Fabian can’t wait to experience the African culture. We are both concerned about the headwind in general and kids throwing rocks in Morocco (something we’ve heard about). I’m a bit of a loser when it comes to bikes, but what’s your equipment? Talk to all the cyclists out there! There is a lot to think about when it comes to the equipment for such a trip. I won’t go into details, since we will put all the equipment and the corresponding brands on the website. We are using rear panniers, handlebar bag and a huge dry bag on top of the rear panniers. A tent, cooking materials, sleeping bag, and air mattress are basic equipment we both need every day. Each one of us is carrying between 30-40 kg and in Africa we will have to carry even more. If other crazy bike fellows want to join you on the road how can they reach you? There are many ways to reach us. Facebook,  Instagram,  or using the contact form on the website . And finally, with this huge adventure ahead, are you particularly nervous about anything? Adrian: I get a bit nervous when I start thinking about the rainy season in Sub-Saharan countries as the “roads” tend to change into impassable trails. Fabian: I am not very excited about the mosquitoes in Scandinavia and the humidity in the Tropical regions in Africa. And that’s it! Hope you have enjoyed getting to know these brave guys and their awesome project! Keep up with them through social media and go give them some love! Hopefully in the next months we get a second interview to know their stories! Have an awesome trip guys! Boa viagem 😉

The post [EN] A trip of a lifetime: a bike journey from Cape 2 Cape appeared first on Mudanças Constantes.

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One of my favourite things about traveling is the amazing people I meet. They have the most extraordinary life stories to tell and better: they are hungry for more. So they will keep going to new places, discovering new ways of connecting to people and live more.

One of these awesome people I’ve met is Adi. We met in Borneo for no longer than one day but we kept in touch for what it has been, today, more than one year. And now he’s doing one of the most incredible things I’ve ever heard of: A trip from Nordkapp (North Cape) in Norway to Cape Town in South Africa by bike.

Isn’t it the coolest thing ever?

And because I like to share cool things with you, I’ve partnered up with Adi to have a monthly (more realistically, maybe every 3 months) update on their trip here on Mudanças Constantes. To kick things off, an interview about the project and how they are making it happen.

Let’s start with the introductions: who are you guys? Names, cities, age, jobs, horoscope signs, weird tattoos… Give us a quick bio!

We are Adrian (28) and Fabian (29) from a small village in Switzerland called Buchrain. We both quit our jobs for this adventure. Adrian was working as a research assistant in aquatic research and Fabian worked as a wood construction technician.

And a little curiosity: Adrian has a tattoo on his foot with the outline of Switzerland.

During the first 4 months they will be 3. From left to right: Fabian, Joel and Adrian (Adi)

Now that we are acquainted, how the hell did you come up with this idea? Have you done any long bike trips before?  

The process started a while back, maybe 3 to 4 years ago. We started to think about a long bike journey first and then later decided to go from North to South instead of going West or East. Upon this we did a test tour 3 years ago in the Baltics for about 2 weeks to see how it feels and if we would like to do this of traveling for a longer period of time. This trip was the longest bike trip we both did, up to this point. Eventually, we started planning the Cape 2 Cape trip with more details and now we are finally about to start.

What does it take to prepare a trip like this? For how long have you been planning, what have been your main difficulties at this stage?

The detailed planning started last summer and it got more intense in 2018. We planned the possible route, equipment, insurances, visas, bank accounts and other administrative things. The main difficulty was to find out if it would be possible to arrange the visas on the way and where. Up to this day, we still don’t have much information on how and where we can get visas for most African countries.

 Do you have your plan all sorted out? Or do you have some room for changes?

We just created a preliminary time plan and route to have a rough idea about how long it could take us. On the way we want to be flexible and change the route as much as we want, according to new information of locals or just the daily mood.

If you want to check our detailed planned route click here.

Right now, what’s your route? Number of countries, kilometres, days, dates…

We will fly to Tromsø and then go as far North as possible by ferry, a 16 hours ride! On the North Cape we will start cycling South through northern Europe, do a detour on the UK and Ireland, then cross France and Spain before we cross over to Morocco. Afterwards, we will cycle the west coast of the African continent until we reach Cape Town. We plan to cycle more than 30’000 km crossing 30 countries in about 600 days.

And what are you looking forward to the most in your trip? And the least?

While I (Adrian) am particularly looking forward to see Ireland, Scotland and Africa in general, Fabian can’t wait to experience the African culture. We are both concerned about the headwind in general and kids throwing rocks in Morocco (something we’ve heard about).

I’m a bit of a loser when it comes to bikes, but what’s your equipment? Talk to all the cyclists out there!

There is a lot to think about when it comes to the equipment for such a trip. I won’t go into details, since we will put all the equipment and the corresponding brands on the website. We are using rear panniers, handlebar bag and a huge dry bag on top of the rear panniers. A tent, cooking materials, sleeping bag, and air mattress are basic equipment we both need every day. Each one of us is carrying between 30-40 kg and in Africa we will have to carry even more.

Intercycle equipment

If other crazy bike fellows want to join you on the road how can they reach you?

There are many ways to reach us. FacebookInstagram,  or using the contact form on the website .

And finally, with this huge adventure ahead, are you particularly nervous about anything?

Adrian: I get a bit nervous when I start thinking about the rainy season in Sub-Saharan countries as the “roads” tend to change into impassable trails.

Fabian: I am not very excited about the mosquitoes in Scandinavia and the humidity in the Tropical regions in Africa.

First update from the trip: Landscape in Northen Norway at midnight.

And that’s it! Hope you have enjoyed getting to know these brave guys and their awesome project! Keep up with them through social media and go give them some love!

Hopefully in the next months we get a second interview to know their stories! Have an awesome trip guys!

Boa viagem 😉

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Lucerne: edição de Verão e uma despedida https://www.mudancasconstantes.com/2018/05/16/lucerne-verao-cape-2-cape/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=lucerne-verao-cape-2-cape https://www.mudancasconstantes.com/2018/05/16/lucerne-verao-cape-2-cape/#respond Wed, 16 May 2018 20:10:31 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=3408 Não foi assim há tanto tempo que estive em Lucerne, mas vi-me “obrigada” a lá voltar para uma festa de despedida de um Suíço. Afinal, ele vai começar uma viagem de dois anos de bicicleta de Cabo a Cabo (Nordkapp a Capetown) e se há acontecimento que merece uma mega festa – e a minha presença, está claro – é este! Desta vez tive a sorte de ver a cidade com uma outra luz. Apanhei um dia limpo, cheio de sol e as cores da cidade estavam magníficas. Parecia um lugar diferente. E no Verão, o melhor miradouro sobre a cidade, as Nine Towers, está aberto e é de entrada gratuita. Só podes subir a quatro das nove torres e a que tem a melhor vista é a última. É um passeio a não perder e um sítio óptimo para fugir às hordas de chineses invadem o centro histórico da cidade. Como é linda a Primavera! Já no sábado a festa foi de arromba. Das 3 da tarde até às 5 da manhã, com cerca de 100 pessoas e centenas de litros de cerveja e salsichas patrocinados! Espero que tenham a viagem das vidas deles. Dicas rápidas Wifi grátis: A estação de comboios tem uma H&M e um Coop. Ambos com internet a funcionar perfeitamente. O Coop também é uma óptima opção para refeições rápidas e baratas. Casas de banho: As casas de banho da estação central são pagas, mas as do terminal de autocarros são gratuitas e são mesmo lá ao lado.

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Não foi assim há tanto tempo que estive em Lucerne, mas vi-me “obrigada” a lá voltar para uma festa de despedida de um Suíço. Afinal, ele vai começar uma viagem de dois anos de bicicleta de Cabo a Cabo (Nordkapp a Capetown) e se há acontecimento que merece uma mega festa – e a minha presença, está claro – é este!

Desta vez tive a sorte de ver a cidade com uma outra luz. Apanhei um dia limpo, cheio de sol e as cores da cidade estavam magníficas. Parecia um lugar diferente.

E no Verão, o melhor miradouro sobre a cidade, as Nine Towers, está aberto e é de entrada gratuita. Só podes subir a quatro das nove torres e a que tem a melhor vista é a última. É um passeio a não perder e um sítio óptimo para fugir às hordas de chineses invadem o centro histórico da cidade.

Como é linda a Primavera!

Um dos malucos que se vai fazer à estrada!

Já no sábado a festa foi de arromba. Das 3 da tarde até às 5 da manhã, com cerca de 100 pessoas e centenas de litros de cerveja e salsichas patrocinados! Espero que tenham a viagem das vidas deles.

A festa foi num casarão mesmo no centro de Lucerne com um jardim gigante! Fiquei apaixonada por esta varanda.

Dicas rápidas

Wifi grátis: A estação de comboios tem uma H&M e um Coop. Ambos com internet a funcionar perfeitamente. O Coop também é uma óptima opção para refeições rápidas e baratas.

Casas de banho: As casas de banho da estação central são pagas, mas as do terminal de autocarros são gratuitas e são mesmo lá ao lado.

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Lugano e Ticino: então mas isto é Itália ou Suíça? https://www.mudancasconstantes.com/2018/02/13/lugano-lucarno-suica/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=lugano-lucarno-suica https://www.mudancasconstantes.com/2018/02/13/lugano-lucarno-suica/#respond Tue, 13 Feb 2018 17:13:56 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=2893 Viver em Milão é viver numa das cidades com pior qualidade de ar na Europa. Mas felizmente, mesmo aqui ao lado, estão as montanhas suíças. Ora, num mestrado que me deixa a maioria dos fins-de-semana livres, uma das minhas actividades preferidas é explorar as redondezas. Desta vez a região escolhida foi Lugano e em dois dias consegui ver não só esta pequena cidade, mas também as maiores atracções da região: Ticino. Lugano Os meus primeiros cinco minutos em Lugano foram muito estranhos. Sabia que estava noutro país, as ruas limpas e condutores civilizados confirmavam-no, mas a língua e as pessoas eram iguais às que tinha deixado em Milão uma hora atrás. E Ticino é isso mesmo, uma Itália disfarçada de Suíça. Fui até ao hotel (não ficava num hotel há uns 10 anos…) encontrei-me com o Adi, o meu amigo Suíço que já tinha aparecido neste post, e fomos em busca de algo para comer no centro da “cidade”. Porquê entre aspas? Porque não se passa nada em Lugano! Parecia Seia numa noite de Inverno! Ao menos Ticino tem a vantagem de ser mais barato que o resto da Suíça e de ter só restaurantes italianos. Um win win! E embora estivéssemos no país dele, era eu que percebia a língua e lá jantámos umas pizzas que sim senhor por um preço que não fez grande mossa. A melhor coisa de se ficar num alojamento local em Ticino é receberes um passe de transporte para a região inteira. Os comboios e autocarros são gratuitos e nós usámos e abusámos deles! Monte Brè Visitar Lugano no Inverno tem o inconveniente de encontrares a cidade vazia e a maioria dos funiculares fechados, mas tem a parte maravilhosa de teres os poucos sítios que estão abertos só para ti. Foi o que nos aconteceu no Monte Brè. Apanhámos o autocarro da estação central que vai quase até ao topo (depois são mais 20 minutos a subir) e eventualmente chegas a um miradouro incrível sobre as montanhas, lagos e cidade. E não havia vivalma à vista! Um dia de inverno perfeito com uma paisagem lindíssima só para nós. Bellinzona Como tínhamos que aproveitar ao máximo o passe dos transportes, escolhemos Bellinzona como o nosso próximo destino. Esta cidade tem não um, não dois, mas três castelos medievais, todos património da UNESCO. Acabámos por fazer o caminho entre eles a pé porque era domingo em época baixa e, consequentemente, os autocarros pouco frequentes. Locarno Ainda tínhamos luz do dia e pernas que conseguiam andar e por isso apanhámos o comboio até Locarno, onde encontrámos todas as pessoas que faltavam nos sítios anteriores. Locarno tem uma vista fantástica com o lago emoldurado pelas montanhas e montes e esplanadas cheias. Para além de poderes visitar o centro histórico com as suas igrejas, piazzas e castelos também podes apanhar um autocarro até Ascona que tem uma data de casas coloridas viradas para o lago e mais pessoas a apanhar sol em esplanadas. Riva St. Vitale No domingo fui visitar uma mini aldeia chamada Riva St. Vitale que nunca visitaria na vida não fosse os tios do Adi viverem lá. Como não são italianos o almoço foi MacDonalds (choque cultural!) e estivemos à conversa durante algumas horas numa grande mixórdia de línguas. E porque é que deves ir a esta terriola no meio do nada? Porque é onde está o funicular que sobe até ao Monte Generoso. Claro que em Janeiro estava fechado, mas no Verão parece ter uma vista muito promissora! E assim é Ticino, uma região soalheira e amigável, pouco Suíça e muito Italiana. Dicas rápidas Alojamento: Ficámos no IBIS Paradiso, que para um hotel na Suíça tem uns preços bastante decentes, tipo 60 € por noite. A taxa turística que tens que pagar em todos os alojamentos é o que te dá acesso ao cartão de transporte. Transporte: No alojamento pede ao recepcionista um mapa dos transportes da região que podes usar com o teu cartão. Assim ficar a saber até onde podes ir e como. Refeições: Os supermercados na Suíça são sempre a minha opção preferida, mas em Lugano e em Ticino em geral é possível ter um jantar para dois por cerca de 30 ou 35€ (sem álcool).

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Viver em Milão é viver numa das cidades com pior qualidade de ar na Europa. Mas felizmente, mesmo aqui ao lado, estão as montanhas suíças. Ora, num mestrado que me deixa a maioria dos fins-de-semana livres, uma das minhas actividades preferidas é explorar as redondezas.

Desta vez a região escolhida foi Lugano e em dois dias consegui ver não só esta pequena cidade, mas também as maiores atracções da região: Ticino.

Lugano

Os meus primeiros cinco minutos em Lugano foram muito estranhos. Sabia que estava noutro país, as ruas limpas e condutores civilizados confirmavam-no, mas a língua e as pessoas eram iguais às que tinha deixado em Milão uma hora atrás. E Ticino é isso mesmo, uma Itália disfarçada de Suíça.

Fui até ao hotel (não ficava num hotel há uns 10 anos…) encontrei-me com o Adi, o meu amigo Suíço que já tinha aparecido neste post, e fomos em busca de algo para comer no centro da “cidade”. Porquê entre aspas? Porque não se passa nada em Lugano! Parecia Seia numa noite de Inverno!

Ao menos Ticino tem a vantagem de ser mais barato que o resto da Suíça e de ter só restaurantes italianos. Um win win! E embora estivéssemos no país dele, era eu que percebia a língua e lá jantámos umas pizzas que sim senhor por um preço que não fez grande mossa.

A melhor coisa de se ficar num alojamento local em Ticino é receberes um passe de transporte para a região inteira. Os comboios e autocarros são gratuitos e nós usámos e abusámos deles!

Monte Brè

Visitar Lugano no Inverno tem o inconveniente de encontrares a cidade vazia e a maioria dos funiculares fechados, mas tem a parte maravilhosa de teres os poucos sítios que estão abertos só para ti. Foi o que nos aconteceu no Monte Brè. Apanhámos o autocarro da estação central que vai quase até ao topo (depois são mais 20 minutos a subir) e eventualmente chegas a um miradouro incrível sobre as montanhas, lagos e cidade. E não havia vivalma à vista! Um dia de inverno perfeito com uma paisagem lindíssima só para nós.

Bellinzona

Como tínhamos que aproveitar ao máximo o passe dos transportes, escolhemos Bellinzona como o nosso próximo destino. Esta cidade tem não um, não dois, mas três castelos medievais, todos património da UNESCO. Acabámos por fazer o caminho entre eles a pé porque era domingo em época baixa e, consequentemente, os autocarros pouco frequentes.


Locarno

Ainda tínhamos luz do dia e pernas que conseguiam andar e por isso apanhámos o comboio até Locarno, onde encontrámos todas as pessoas que faltavam nos sítios anteriores. Locarno tem uma vista fantástica com o lago emoldurado pelas montanhas e montes e esplanadas cheias.

Para além de poderes visitar o centro histórico com as suas igrejas, piazzas e castelos também podes apanhar um autocarro até Ascona que tem uma data de casas coloridas viradas para o lago e mais pessoas a apanhar sol em esplanadas.

Riva St. Vitale

No domingo fui visitar uma mini aldeia chamada Riva St. Vitale que nunca visitaria na vida não fosse os tios do Adi viverem lá. Como não são italianos o almoço foi MacDonalds (choque cultural!) e estivemos à conversa durante algumas horas numa grande mixórdia de línguas.

E porque é que deves ir a esta terriola no meio do nada? Porque é onde está o funicular que sobe até ao Monte Generoso. Claro que em Janeiro estava fechado, mas no Verão parece ter uma vista muito promissora!

E assim é Ticino, uma região soalheira e amigável, pouco Suíça e muito Italiana.

Dicas rápidas

Alojamento: Ficámos no IBIS Paradiso, que para um hotel na Suíça tem uns preços bastante decentes, tipo 60 € por noite. A taxa turística que tens que pagar em todos os alojamentos é o que te dá acesso ao cartão de transporte.

Transporte: No alojamento pede ao recepcionista um mapa dos transportes da região que podes usar com o teu cartão. Assim ficar a saber até onde podes ir e como.

Refeições: Os supermercados na Suíça são sempre a minha opção preferida, mas em Lugano e em Ticino em geral é possível ter um jantar para dois por cerca de 30 ou 35€ (sem álcool).

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Basileia: levei a minha turma a passear https://www.mudancasconstantes.com/2018/02/02/basileia-suica-fim-de-semana/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=basileia-suica-fim-de-semana https://www.mudancasconstantes.com/2018/02/02/basileia-suica-fim-de-semana/#respond Fri, 02 Feb 2018 16:44:52 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=2862 A minha turma do mestrado é um espectáculo. Somos 28 pessoas de 15 países diferentes e por nos termos mudado para um país onde não conhecemos ninguém e onde não falamos grande coisa da língua tornámo-nos bastante próximos. Perto da altura do Natal, começou-se a falar que tínhamos que fazer uma viagem, e como há poucos dias tinha lido sobre os mercados de Natal da Basileia, achei que seria uma boa aposta. Para além disso, a maioria deles nunca tinha ido à Suíça e bastaram duas ou três fotos no Google para os convencer. Autocarros e hostel marcados, íamos a uma sexta e voltávamos a um domingo. Ainda falei com uma amiga minha portuguesa, a Ana, que vive em Londres e com quem me costumo encontrar nesta altura (2015 foi em Londres, 2016 em Lyon) ela também se juntou à festa! Uma escolha pouco óbvia Capitais europeias já as visitei quase a todas e cada vez mais gosto de me surpreender com cidades pequenas e desconhecidas que por vezes têm muito para oferecer e são, no geral, pouco turísticas. No caso da Basileia, para além dos mercados de Natal mais perfeitinhos que já vi, das ruas imaculadas e de um centro histórico extremamente bem preservado ainda tem uma quantidade absurda de museus e uma arquitectura moderna que parece completamente aleatória, mas que funciona! E afinal, o que é que há mesmo para ver na Basileia? Ora aqui vai! Centro Histórico Começando no nosso hostel, ao caminhar para o centro, tínhamos que passar pela estação de comboios.  Construída ainda no século XIX,  aqui podes encontrar vários cafés, lojas de chocolates e até um supermercado. Quando tudo fecha aos domingos, são as estações que te salvam! A zona de Altstadt é a mais pitoresca da cidade. Certifica-te que exploras todos os cantinhos, todas as ruelas estreitas, a St. Alban Tor e especialmente as casas perto do Basler Papiermühle, o museu do papel com um moinho que remonta ao ano de 1453. Depois, o Basel Munster, a catedral da cidade. Apesar de não ser particularmente interessante por dentro, podes subir ao topo (5€) das suas torres e ver quão bonita é a arquitectura dos edifícios mais antigos. A maior e mais importante praça de Basel é onde se encontra o City Hall, um dos edifícios mais relevantes e artísticos da cidade. Tem um mercado diário, e “muito” movimento, o que em Basel se traduz nalgum movimento. Por fim, a Spalentor que parece uma torre com uma porta que te vai levar directamente a um reino encantado de fadas e duendes. Os bairros à volta desta porta também são muito giros e antigos. No verão os Basilenses (não sei como se chamam as pessoas de lá!) nadam e tomam banho no rio. Há umas partes nas margens, na zona de Altstadlt a que eles se atrevem a chamar de praias! Arquitectura Moderna e Museus Depois de uma grande dose de tradição, faltava descobrir a zona mais moderna e contemporânea da cidade. O Messe Basel é um centro de eventos e espectáculos e todo o seu exterior é incrível. Enquanto passeávamos também descobrimos o Warteck Bier, uma antiga fábrica de cerveja que foi recuperada um bocadinho ao estilo da Lx Factory. Decidimos subir até ao topo e pelos vistos crashamos um almoço particular, mas ao menos vimos a vista! Basel também é muito conhecida pelos seus museus que infelizmente não tivemos tempo de visitar. Aqui vão alguns exemplos: Museum Der Kulturen, Foundation Beyeler Museum, BANK BIS, General Trade School, Kunstmuseum Basel. Mercados de Natal A razão que nos levou à Basileia! O meu mercado preferido é o junto ao Munster (catedral). É relativamente pequenino, mas é tão perfeitinho! As canecas, as decorações, as luzes e a comida! A comida é tão boa!! Desde umas espetadas gigantes de carne, tipo kebab mas com qualidade ao apple strudel e vinho quente tudo é delicioso. Nos mercados de Natal, na primeira vez tens que pagar uma caneca e o vinho. Depois ficas com a caneca e vais enchendo nos vários sítios que vendem o gluehwein. O maior mercado fica na Barfüsserplatz que também tem imensas decorações e atracções, mas que na minha opinião é um pouco confuso de mais. Os mercados só aceitam dinheiro (francos suíços). Um jardim para passear Por fim, uma sugestão um bocadinho diferente: um passeio no Jardim Merian. É grande, com lagos e tudo, e tem uma zona que até parece uma mini quinta pedagógica com cabrinhas, ovelhas, coelhos e hortas. É um sítio relaxado, para quem quiser respirar um bocadinho de ar puro. E assim se passaram os nossos dias em Basel, uma cidade encantadora com muito para dar, nem que seja numa escapadinha de fim-de-semana! Dicas rápidas Transportes: Se ficares hospedado/a num hotel, hostel ou alojamento turístico em geral, tens direito a um passe gratuito para os transportes da cidade para todos os dias em que lá ficares. Alojamento: Ficámos num hostel chamado YMCA Generation que, apesar de caro (claro) tem óptimas condições e cozinha. Também fica muito perto da estação de comboios e autocarros. Alimentação: O truque para sobreviver na Suíça sem entrar em banca rota é ir sempre ao supermercado para todas as refeições. A qualidade dos produtos é excelente e não são assim tão caros!

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A minha turma do mestrado é um espectáculo. Somos 28 pessoas de 15 países diferentes e por nos termos mudado para um país onde não conhecemos ninguém e onde não falamos grande coisa da língua tornámo-nos bastante próximos.

Perto da altura do Natal, começou-se a falar que tínhamos que fazer uma viagem, e como há poucos dias tinha lido sobre os mercados de Natal da Basileia, achei que seria uma boa aposta. Para além disso, a maioria deles nunca tinha ido à Suíça e bastaram duas ou três fotos no Google para os convencer.

Autocarros e hostel marcados, íamos a uma sexta e voltávamos a um domingo. Ainda falei com uma amiga minha portuguesa, a Ana, que vive em Londres e com quem me costumo encontrar nesta altura (2015 foi em Londres, 2016 em Lyon) ela também se juntou à festa!

Uma escolha pouco óbvia

Capitais europeias já as visitei quase a todas e cada vez mais gosto de me surpreender com cidades pequenas e desconhecidas que por vezes têm muito para oferecer e são, no geral, pouco turísticas. No caso da Basileia, para além dos mercados de Natal mais perfeitinhos que já vi, das ruas imaculadas e de um centro histórico extremamente bem preservado ainda tem uma quantidade absurda de museus e uma arquitectura moderna que parece completamente aleatória, mas que funciona!

E afinal, o que é que há mesmo para ver na Basileia? Ora aqui vai!

Centro Histórico

Começando no nosso hostel, ao caminhar para o centro, tínhamos que passar pela estação de comboios.  Construída ainda no século XIX,  aqui podes encontrar vários cafés, lojas de chocolates e até um supermercado. Quando tudo fecha aos domingos, são as estações que te salvam!

A zona de Altstadt é a mais pitoresca da cidade. Certifica-te que exploras todos os cantinhos, todas as ruelas estreitas, a St. Alban Tor e especialmente as casas perto do Basler Papiermühle, o museu do papel com um moinho que remonta ao ano de 1453.

Depois, o Basel Munster, a catedral da cidade. Apesar de não ser particularmente interessante por dentro, podes subir ao topo (5€) das suas torres e ver quão bonita é a arquitectura dos edifícios mais antigos.

A maior e mais importante praça de Basel é onde se encontra o City Hall, um dos edifícios mais relevantes e artísticos da cidade. Tem um mercado diário, e “muito” movimento, o que em Basel se traduz nalgum movimento.

Por fim, a Spalentor que parece uma torre com uma porta que te vai levar directamente a um reino encantado de fadas e duendes. Os bairros à volta desta porta também são muito giros e antigos.

No verão os Basilenses (não sei como se chamam as pessoas de lá!) nadam e tomam banho no rio. Há umas partes nas margens, na zona de Altstadlt a que eles se atrevem a chamar de praias!

Arquitectura Moderna e Museus

Depois de uma grande dose de tradição, faltava descobrir a zona mais moderna e contemporânea da cidade. O Messe Basel é um centro de eventos e espectáculos e todo o seu exterior é incrível. Enquanto passeávamos também descobrimos o Warteck Bier, uma antiga fábrica de cerveja que foi recuperada um bocadinho ao estilo da Lx Factory. Decidimos subir até ao topo e pelos vistos crashamos um almoço particular, mas ao menos vimos a vista!


Basel também é muito conhecida pelos seus museus que infelizmente não tivemos tempo de visitar. Aqui vão alguns exemplos: Museum Der Kulturen, Foundation Beyeler Museum, BANK BIS, General Trade School, Kunstmuseum Basel.

Mercados de Natal

A razão que nos levou à Basileia! O meu mercado preferido é o junto ao Munster (catedral). É relativamente pequenino, mas é tão perfeitinho! As canecas, as decorações, as luzes e a comida! A comida é tão boa!! Desde umas espetadas gigantes de carne, tipo kebab mas com qualidade ao apple strudel e vinho quente tudo é delicioso.

Nos mercados de Natal, na primeira vez tens que pagar uma caneca e o vinho. Depois ficas com a caneca e vais enchendo nos vários sítios que vendem o gluehwein.

O maior mercado fica na Barfüsserplatz que também tem imensas decorações e atracções, mas que na minha opinião é um pouco confuso de mais. Os mercados só aceitam dinheiro (francos suíços).


Um jardim para passear

Por fim, uma sugestão um bocadinho diferente: um passeio no Jardim Merian. É grande, com lagos e tudo, e tem uma zona que até parece uma mini quinta pedagógica com cabrinhas, ovelhas, coelhos e hortas. É um sítio relaxado, para quem quiser respirar um bocadinho de ar puro.

E assim se passaram os nossos dias em Basel, uma cidade encantadora com muito para dar, nem que seja numa escapadinha de fim-de-semana!

Dicas rápidas

Transportes: Se ficares hospedado/a num hotel, hostel ou alojamento turístico em geral, tens direito a um passe gratuito para os transportes da cidade para todos os dias em que lá ficares.

Alojamento: Ficámos num hostel chamado YMCA Generation que, apesar de caro (claro) tem óptimas condições e cozinha. Também fica muito perto da estação de comboios e autocarros.

Alimentação: O truque para sobreviver na Suíça sem entrar em banca rota é ir sempre ao supermercado para todas as refeições. A qualidade dos produtos é excelente e não são assim tão caros!

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Zurique e Lucerne: cheira bem, cheira a dinheiro! https://www.mudancasconstantes.com/2018/01/23/zurique-lucerne-suica/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=zurique-lucerne-suica https://www.mudancasconstantes.com/2018/01/23/zurique-lucerne-suica/#comments Tue, 23 Jan 2018 22:30:05 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=2822 Durante dois Verões seguidos, quando tinha 10 e 11 anos fui à Suíça com os meus pais. O meu primo trabalhava no CERN e aproveitámos essa oportunidade para visitar o que aquele país tem de melhor. Entretanto nunca mais lá pus os pés, tanto por achar que já tinha visto tudo, como por ser caro (muito caro!!) e ter outras prioridades. Agora que estou a viver em Milão, a fronteira com a Suíça fica a uma hora de caminho, e acabou por se tornar num dos meus destinos preferidos para fugir à poluição de Milão e ter algum contacto com a natureza. A primeira chance para visitar novamente o país surgiu porque um rapaz suíço que conheci no Bornéu tinha voltado para Zurique e me convidou para ir passar lá um fim-de-semana. E eu como não sou de dizer não a estas coisas, aproveitei e fui! Zurique: Gente rica e o meu saco de dois euros Cheguei a Zurique na minha charrete de luxo, ou como outros lhe chamam, autocarro Flixbus e fui deixar as malas a casa do Adi. Fiquei logo triste quando tive que pagar 9 francos por um passe de transportes de 24 horas para aquela zona. Começámos por ir à floresta perto da casa dele, e os meus pulmões deram pulinhos de contentes. Depois, enquanto o sol se punha, começamos a descer em direcção ao centro, passando pela Universidade de Zurique onde até o Einstein estudou. Apesar da proximidade com Itália, a cultura Suíça está a anos-luz da vizinha. Tudo é calmo, os carros param nas passadeiras, as pessoas cheiram a dinheiro. Na parte antiga, tudo está bem conservado e bem pintado. E eu andava a ver tudo isto com um saco de pano todo desgraçado que comprei na Tiger a 2€. Destacam-se a ópera, a igreja Grossmünste, onde podes subir ao topo, as ruas e lojas da Bahnhofstrasse e a maravilhosa Sprüngli, com os melhores chocolates suíços. Uma tablete pode custar 6 euros, mas prometo que vale a pena. E os bombons também! À noite cozinhei uma mistela que era suposto ser Thai Fried Rice – eles disseram que ficou óptima – e tenho a dizer que a solução para sobreviver na Suíça passa definitivamente por cozinhar em casa. Como tínhamos a companhia de uma amiga do Adi ainda demos um saltinho a um bar. O cúmulo desta cidade é teres que comprar um bilhete diferente para os transportes nocturnos que custa 5€! Ao menos têm transportes… Lucerne: Chineses e relógios à modica quantia de 200000€ No sábado tínhamos que escolher entre Berna e Lucerne para dar um passeio e acabei por escolher Lucerne, porque achei que deviaria ser a opção mais diferente de Zurique. Aviso já que um bilhete de comboio para uma viagem de uma hora custou-me o mesmo que o bilhete de autocarro de 4 horas de Milão! Enfim, ultrapassada esta parte, fomos ver o centro de Lucerne que é particularmente famoso pela Chapelbridge, Kapellbrücke, a ponte de madeira coberta mais antiga da Europa, e o sítio perfeito para tirar fotos dignas de um conto de fadas. No centro histórico, são muitos os edifícios históricos pintados com figuras de grande detalhe. Subimos até às muralhas de um castelo e até uma vaquinha carinhosa encontrámos. Como o Adi é de lá, aqui vão mais umas sugestões caso tenhas tempo: Subir ao Monte Pilatus, ouvir um concerto no KKL, fazer uma viagem de barco pelo lago e no Verão eles até nadam no rio! Entretanto fomos almoçar, dei cerca de 10€ por uma sandes, e vimos um dos monumentos mais importantes da Suíça, o Leão de Lucerne feito em honra dos soldados suíços massacrados na revolução francesa. À volta para a estação, espreitámos a Jesuitenkirche, uma igreja com um órgão espectacular. Comprámos um quilo de queijo para fondue (ia ser o jantar) e fomos a um centro comercial só de relógios, o Bucherer. À medida que íamos subindo de piso, os preços também iam subindo! Até que vimos relógios que custavam centenas de milhares de euros, e eu lá continuava com a minha mala de dois euros… também eramos quase os dois únicos europeus, todas as outras pessoas eram chinesas! A noite prometia: tínhamos uma festa de anos em casa de uma das colegas do Adi, mas antes “fizemos” o fondue (aquilo é só derreter o queijo e partir pão). Muito sinceramente não acho mau, mas depois de 7/8 bocados já estava farta. Os outros resistiram mais tempo e lá acabaram com um quilo de queijo. A festa foi genial, era num apartamento super grande, com pessoas de todo o mundo, todos cientistas menos eu (!), com direito a doutorados a fazer de barmen e DJ’s. No dia seguinte regressei a Milão com a promessa feita de que ia voltar em breve!

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Durante dois Verões seguidos, quando tinha 10 e 11 anos fui à Suíça com os meus pais. O meu primo trabalhava no CERN e aproveitámos essa oportunidade para visitar o que aquele país tem de melhor. Entretanto nunca mais lá pus os pés, tanto por achar que já tinha visto tudo, como por ser caro (muito caro!!) e ter outras prioridades.

Agora que estou a viver em Milão, a fronteira com a Suíça fica a uma hora de caminho, e acabou por se tornar num dos meus destinos preferidos para fugir à poluição de Milão e ter algum contacto com a natureza.

A primeira chance para visitar novamente o país surgiu porque um rapaz suíço que conheci no Bornéu tinha voltado para Zurique e me convidou para ir passar lá um fim-de-semana. E eu como não sou de dizer não a estas coisas, aproveitei e fui!

Zurique: Gente rica e o meu saco de dois euros

Cheguei a Zurique na minha charrete de luxo, ou como outros lhe chamam, autocarro Flixbus e fui deixar as malas a casa do Adi. Fiquei logo triste quando tive que pagar 9 francos por um passe de transportes de 24 horas para aquela zona.

Começámos por ir à floresta perto da casa dele, e os meus pulmões deram pulinhos de contentes. Depois, enquanto o sol se punha, começamos a descer em direcção ao centro, passando pela Universidade de Zurique onde até o Einstein estudou. Apesar da proximidade com Itália, a cultura Suíça está a anos-luz da vizinha. Tudo é calmo, os carros param nas passadeiras, as pessoas cheiram a dinheiro. Na parte antiga, tudo está bem conservado e bem pintado. E eu andava a ver tudo isto com um saco de pano todo desgraçado que comprei na Tiger a 2€.

Destacam-se a ópera, a igreja Grossmünste, onde podes subir ao topo, as ruas e lojas da Bahnhofstrasse e a maravilhosa Sprüngli, com os melhores chocolates suíços. Uma tablete pode custar 6 euros, mas prometo que vale a pena. E os bombons também!

À noite cozinhei uma mistela que era suposto ser Thai Fried Rice – eles disseram que ficou óptima – e tenho a dizer que a solução para sobreviver na Suíça passa definitivamente por cozinhar em casa. Como tínhamos a companhia de uma amiga do Adi ainda demos um saltinho a um bar. O cúmulo desta cidade é teres que comprar um bilhete diferente para os transportes nocturnos que custa 5€! Ao menos têm transportes…

Lucerne: Chineses e relógios à modica quantia de 200000€

No sábado tínhamos que escolher entre Berna e Lucerne para dar um passeio e acabei por escolher Lucerne, porque achei que deviaria ser a opção mais diferente de Zurique. Aviso já que um bilhete de comboio para uma viagem de uma hora custou-me o mesmo que o bilhete de autocarro de 4 horas de Milão!

Enfim, ultrapassada esta parte, fomos ver o centro de Lucerne que é particularmente famoso pela Chapelbridge, Kapellbrücke, a ponte de madeira coberta mais antiga da Europa, e o sítio perfeito para tirar fotos dignas de um conto de fadas. No centro histórico, são muitos os edifícios históricos pintados com figuras de grande detalhe.



Subimos até às muralhas de um castelo e até uma vaquinha carinhosa encontrámos. Como o Adi é de lá, aqui vão mais umas sugestões caso tenhas tempo: Subir ao Monte Pilatus, ouvir um concerto no KKL, fazer uma viagem de barco pelo lago e no Verão eles até nadam no rio!


Entretanto fomos almoçar, dei cerca de 10€ por uma sandes, e vimos um dos monumentos mais importantes da Suíça, o Leão de Lucerne feito em honra dos soldados suíços massacrados na revolução francesa. À volta para a estação, espreitámos a Jesuitenkirche, uma igreja com um órgão espectacular.

Comprámos um quilo de queijo para fondue (ia ser o jantar) e fomos a um centro comercial só de relógios, o Bucherer. À medida que íamos subindo de piso, os preços também iam subindo! Até que vimos relógios que custavam centenas de milhares de euros, e eu lá continuava com a minha mala de dois euros… também eramos quase os dois únicos europeus, todas as outras pessoas eram chinesas!

A noite prometia: tínhamos uma festa de anos em casa de uma das colegas do Adi, mas antes “fizemos” o fondue (aquilo é só derreter o queijo e partir pão). Muito sinceramente não acho mau, mas depois de 7/8 bocados já estava farta. Os outros resistiram mais tempo e lá acabaram com um quilo de queijo. A festa foi genial, era num apartamento super grande, com pessoas de todo o mundo, todos cientistas menos eu (!), com direito a doutorados a fazer de barmen e DJ’s.

No dia seguinte regressei a Milão com a promessa feita de que ia voltar em breve!

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