Irlanda Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/irlanda/ Blog de viagens para inquietos e irrequietos Wed, 29 Dec 2021 09:37:22 +0000 en-GB hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.4 https://www.mudancasconstantes.com/wp-content/uploads/2018/10/cropped-Untitled-design-1-32x32.png Irlanda Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/irlanda/ 32 32 Galway: Cliffs of Moher e a pior noite da minha vida https://www.mudancasconstantes.com/2016/09/24/galway-cliffs-of-moher-e-a-pior-noite-da-minha-vida/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=galway-cliffs-of-moher-e-a-pior-noite-da-minha-vida https://www.mudancasconstantes.com/2016/09/24/galway-cliffs-of-moher-e-a-pior-noite-da-minha-vida/#comments Sat, 24 Sep 2016 22:12:07 +0000 https://mudancasconstantes.wordpress.com/?p=707 Mundialmente conhecida pelas suas ruas coloridas e casas pitorescas, Galway é uma das cidades mais famosas da Irlanda e tinha que fazer parte do nosso itinerário. Mas, se já tínhamos curiosidade em visitar esta região que mostra uma Irlanda mais tradicional e rural, essa curiosidade ficou ainda mais aguçada a partir do momento em que percebemos que a música “Galway Girl” era quase a música oficial da Irlanda, pelo menos em 2015. Não havia pub, autocarro turístico ou rádio que não passe esta música. Em dois dias já cantarolávamos alegremente Galway Girl a toda a hora. Por isso, mas podíamos esperar por lá chegar. Por ser um dos destinos mais procurados da Irlanda, foi também o sítio onde encontrámos os preços de hostels mais caros. Por isso, decidimos dormir num dormitório de 12 pessoas. Pior. Decisão. De. Sempre. Por já ter dormido em dormitórios deste género, achei que ia ser na boa. Há sempre alguém que faz algum barulho, mas como o pessoal costuma ser jovem ninguém tem o ressonar de um gorila. Normalmente. Mas calhou-nos ter três homens com mais de 40 anos no quarto. Nem consigo descrever o quão má a noite foi. Parecia uma orquestra sinfónica. Todos a ressonarem em conjunto qual coro alentejano. Aquilo devia-lhes dar direito a um prémio num concurso de talentos do TLC. Quanto a mim, devo ter dormido uma ou duas horas no total e nunca na vida pensei que pudessem surgir pela minha mente tamanha quantidade de pensamentos homicidas. Mas agora a sério… pessoal, se sabem que ressonam que nem uns bois não fiquem em quartos partilhados! Um bocadinho de altruísmo, sim? É bom para o pessoal que lá está (porque não se torna num zombie) e até pode ser uma boa ideia para vocês também porque se há um maluco que passa dos pensamentos homicidas para os actos homicidas, pode ser um problema 😉 Fica a dica… de nada! Assim que descemos à recepção fomos implorar para nos mudarem para um quarto só de raparigas. Melhor. Decisão. De. Sempre. Noite santa! Mas passando à parte que nos trouxe a Galway: a visita aos Cliffs of Moher. Estes rochedos são umas das paisagens mais imponentes da Irlanda. Estendem-se por 8 Km a uma altura de 200 metros e mostram aquilo que a Irlanda tem de melhor: a força e autenticidade da natureza. Os Cliffs de Moher são ao mesmo tempo intimidantes e deslumbrantes. A força do vento, a força do mar e a dimensão das falésias fazem de nós umas pequenas formigas que por ali andam. Os rochedos merecem um dia inteiro de visita, porque existem trilhos de vários quilómetros para percorrer. Para além dos Cliffs of Moher tivemos também a oportunidade de visitar a Abadia de Corcomroe do século 13, hoje em ruínas. Apesar da falta da liberdade, as tours são sempre uma forma de conhecer sítios que não estamos à espera e que provavelmente nunca visitaríamos de outra forma. Chegando a Galway, fomos à segunda volta pelo centro (que se vê em cerca de 30 minutos) e mais uma vez estávamos prontas para o melhor restaurante de Galway. Entenda-se melhor, por pratos quentes a 7 euros e água grátis. Nessa noite ainda tivemos tempo de travar uma rápida amizade com uma Suíça do nosso hostel e de revisitar o pub da noite anterior com música ao vivo e onde conhecemos um brasileiro que estava a acampar por toda a Irlanda e que estava traumatizado com o frio porque só tinha um casaquito para usar!

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Mundialmente conhecida pelas suas ruas coloridas e casas pitorescas, Galway é uma das cidades mais famosas da Irlanda e tinha que fazer parte do nosso itinerário. Mas, se já tínhamos curiosidade em visitar esta região que mostra uma Irlanda mais tradicional e rural, essa curiosidade ficou ainda mais aguçada a partir do momento em que percebemos que a música “Galway Girl” era quase a música oficial da Irlanda, pelo menos em 2015. Não havia pub, autocarro turístico ou rádio que não passe esta música. Em dois dias já cantarolávamos alegremente Galway Girl a toda a hora. Por isso, mas podíamos esperar por lá chegar.

Por ser um dos destinos mais procurados da Irlanda, foi também o sítio onde encontrámos os preços de hostels mais caros. Por isso, decidimos dormir num dormitório de 12 pessoas. Pior. Decisão. De. Sempre. Por já ter dormido em dormitórios deste género, achei que ia ser na boa. Há sempre alguém que faz algum barulho, mas como o pessoal costuma ser jovem ninguém tem o ressonar de um gorila. Normalmente. Mas calhou-nos ter três homens com mais de 40 anos no quarto. Nem consigo descrever o quão má a noite foi. Parecia uma orquestra sinfónica. Todos a ressonarem em conjunto qual coro alentejano. Aquilo devia-lhes dar direito a um prémio num concurso de talentos do TLC. Quanto a mim, devo ter dormido uma ou duas horas no total e nunca na vida pensei que pudessem surgir pela minha mente tamanha quantidade de pensamentos homicidas.

Mas agora a sério… pessoal, se sabem que ressonam que nem uns bois não fiquem em quartos partilhados! Um bocadinho de altruísmo, sim? É bom para o pessoal que lá está (porque não se torna num zombie) e até pode ser uma boa ideia para vocês também porque se há um maluco que passa dos pensamentos homicidas para os actos homicidas, pode ser um problema 😉 Fica a dica… de nada!

Assim que descemos à recepção fomos implorar para nos mudarem para um quarto só de raparigas. Melhor. Decisão. De. Sempre. Noite santa!

Mas passando à parte que nos trouxe a Galway: a visita aos Cliffs of Moher. Estes rochedos são umas das paisagens mais imponentes da Irlanda. Estendem-se por 8 Km a uma altura de 200 metros e mostram aquilo que a Irlanda tem de melhor: a força e autenticidade da natureza. Os Cliffs de Moher são ao mesmo tempo intimidantes e deslumbrantes. A força do vento, a força do mar e a dimensão das falésias fazem de nós umas pequenas formigas que por ali andam. Os rochedos merecem um dia inteiro de visita, porque existem trilhos de vários quilómetros para percorrer.

Para além dos Cliffs of Moher tivemos também a oportunidade de visitar a Abadia de Corcomroe do século 13, hoje em ruínas. Apesar da falta da liberdade, as tours são sempre uma forma de conhecer sítios que não estamos à espera e que provavelmente nunca visitaríamos de outra forma.

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Chegando a Galway, fomos à segunda volta pelo centro (que se vê em cerca de 30 minutos) e mais uma vez estávamos prontas para o melhor restaurante de Galway. Entenda-se melhor, por pratos quentes a 7 euros e água grátis.

Nessa noite ainda tivemos tempo de travar uma rápida amizade com uma Suíça do nosso hostel e de revisitar o pub da noite anterior com música ao vivo e onde conhecemos um brasileiro que estava a acampar por toda a Irlanda e que estava traumatizado com o frio porque só tinha um casaquito para usar!

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Irlanda do Norte: Táxis, Game of Thrones e muita rocha https://www.mudancasconstantes.com/2016/09/24/dois-dias-irlanda-do-norte/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=dois-dias-irlanda-do-norte https://www.mudancasconstantes.com/2016/09/24/dois-dias-irlanda-do-norte/#comments Sat, 24 Sep 2016 21:55:02 +0000 https://mudancasconstantes.wordpress.com/?p=684 Rivalidades entre cidades ou países sempre existiram e até têm a sua graça. Portugal e Espanha, França e Inglaterra, Estados Unidos e Canadá… existem inúmera e normalmente até resultam numas boas piadas. Mas nada se compara ao ódio que existe entre a Irlanda e a Irlanda do Norte (ok, talvez as Coreias). Em geral, acho que as pessoas dos outros países não têm bem a noção de que este conflito começou há quase 100 anos e que dura até hoje. Eu pelo menos sabia que havia uma música dos U2 chamada Sunday Bloody Sunday e era basicamente isso. Felizmente, o primeiro host da minha vida (e desta viagem), era um irlandês muito aberto e que não tinha problema nenhum em falar sobre este assunto. Mas esta parte veio com toda uma viagem num Black Cab e por isso, já lá chego. A minha primeira vez no mundo do Couchsurfing Chegadas a Belfast vindas de Dublin seguimos as instruções do nosso host até à casa dele. Um misto de receio e entusiasmo apoderava-se de nós. Afinal de contas era a primeira vez que íamos dormir na casa de uma pessoa que não conhecíamos de lado nenhum e não sabíamos bem o que havíamos de esperar. Depois de uma curta viagem de autocarro, estávamos num pequeno bairro de Belfast cheio de casinhas adoráveis, aquelas de tijolo, tradicionalmente inglesas. Tocámos à porta e um Andy sorridente veio-nos receber. As minhas expectativas foram superadas em 1000%! A casa era espectacular, com 3 andares e um quarto só para nós. Para além disso, deu-nos toalhas, acesso a tudo o que estava na cozinha e A CHAVE! Ficámos completamente parvas. Para além disso, ele era uma pessoa 5 estrelas e tinha parte da família a trabalhar na produção do Game of Thrones – parece que é algo muito comum em Belfast! Em troca, recebeu um abre  caricas com o eléctrico de Lisboa 😀 A terra onde as lendas são feitas No nosso primeiro dia na Irlanda do Norte tínhamos uma viagem marcada à maior atracção turística de toda a Irlanda – The Giant’s Causeway. Acho que já disse nalgum lado que não sou grande fã de tours, mas o preço era tão baixo (20€ por um dia inteiro) e já que não íamos alugar um carro num país onde se conduz ao contrário, era a nossa única opção. Tivemos imensa sorte porque fomos num grupo muito pequeno (8 pessoas) e tínhamos um guia que não se calava, ou seja, contou-nos tudo o que havia para contar sobre a Irlanda do Norte e, mais concretamente, sobre as lendas que fazem parte daquela região. Infelizmente, o sotaque dele era tão cerrado que só percebi prai 70% do que ele dizia. A primeira paragem a tour era relacionada com o Game of Thrones (claro), numa estrada chamada “The Dark Hedges”. Os Faias plantados de ambos os lados da estrada cruzam-se no topo, criando um efeito de estrada fechada. Apresento-vos a Kingsroad: Depois, seguiu-se a parte mais intrépida da coisa: atravessar uma ponte de corda que liga uma falésia a uma ilha – a Carrick-a-Rede Rope Bridge. A ilha é mínima, mas tem uma perspectiva brutal sob os rochedos e o mar. A parte mais divertida é sem dúvida a de passar pela ponte de madeira e corda. Aquilo abana por todos os lados, mas é fantástico, ver a praia a e as rochas a 30 metros dos nossos pés. E seguia-se o ponto mais esperado da viagem: a Giant’s Causeway. A Calçada dos Gigantes é uma formação rochosa única no mundo, sendo o resultado de 60 milhões de anos de actividade vulcânica com mais de 40 mil colunas de basalto encaixadas umas nas outras. Mas como estamos na Irlanda, nada é assim tão simples. Existe toda uma lenda à volta desta “calçada”. Fica aqui um excerto e um link para a história completa para os mais curiosos: “According to legend, the columns are the remains of a causeway built by a giant. The story goes that the Irish giant Fionn mac Cumhaill (Finn MacCool), from the Fenian Cycle of Gaelic mythology, was challenged to a fight by the Scottish giant Benandonner.” O único ponto negativo desta visita foi o pouco tempo que tivemos para explorar a Giant’s Causeway, porque merece um dia inteiro só para ela. As caminhadas são intermináveis e há muito para explorar. As rochas, naturalmente hexagonais, são o modelo perfeito para fotografias dignas do melhor dos Instagrams. E quando damos por nós estamos a saltar de pedra em pedra qual jogo da macaca pré-histórico. 100 anos de história numa viagem de Taxi (preto) Regressando a Belfast depois de um intenso dia de caminhadas e 50 mil lendas irlandesas, ainda fomos explorar o centro de Belfast. Não sei se era por ser sábado à tarde, mas as ruas estavam desertas e parecia que tínhamos a cidade só para nós. O centro em si não é muito grande, mas é giro pela sua arquitectura e ligação ao mar. Afinal, foi ali que nasceu o Titanic. Já sabíamos que uma das coisas mais interessantes em Belfast são os murais políticos, por isso tentámos ir ao encontro de alguns que deveriam ser perto do centro da cidade. Falhámos redondamente. Quando voltámos para casa decidimos pesquisar qual a melhor maneira de ver os murais e todas as dicas iam dar às Black Cabs tours. A informação que há é um bocado dispersa e confusa, mas uma Black Cab tour consiste numa viagem guiada a alguns murais de Belfast. O caminho é traçado pelos “taxistas” que ao mesmo tempo explicam a história de Belfast e o porquê da divisão entre protestantes e católicos. Como éramos só duas e ia ser super caro pedirmos um táxi para nós, decidimos que na manhã seguinte iriamos ao Posto de Turismo para nos mostrarem as várias opções de empresas de táxis e na esperança de encontrarmos outros viajantes com quem dividir a viagem. Melhor decisão de sempre. Escolhemos a viagem mais barata e em 10 minutos conseguimos mais três pessoas para dividir os custos. Rápida introdução à história da Irlanda: Durante uma hora viajámos pelo passado e presente da Irlanda do Norte. Nestas tours nunca se sabe que lado da história se vai ouvir. O guia pode ser Católico ou Protestante (Nacionalista ou Unionista) e claro que cada guia defende o seu lado. Felizmente calhou-nos um Irlandês, o que pelos chavões significa católico e nacionalista, que é o lado com quem mais simpatizo. No início, ele deixou logo claro que esta “guerra” nada tem a ver com religião. As palavras “católicos” e “protestantes” são apenas indicativas do lado em que se está. Na realidade, significa se a pessoa quer que Irlanda do Norte seja parte da Grã-Bretanha ou parte da República da Irlanda. A viagem começou por uma parte de Belfast onde se consegue ver as fronteiras entre a área protestante e católica que muitas vezes incluem arames farpados. Ficámos a saber que o hotel mais bombardeado do mundo é em Belfast e que, infelizmente, quase toda a gente conhece uma pessoa que morreu ou ficou ferida por causa deste conflito. A história e o conflito são demasiado extensos para explicar, mas o vídeo em cima ajuda. Durante a visita vimos dezenas de murais. A maior parte reflecte temas controversos, causas humanitárias e tributos a figuras que morreram por uma causa. Depois existem umas coisas mais mesquinhas como no lado irlandês haver um mural de apoio a Gaza/Palestinianos e outro no lado protestante a apoiar o estado israelita. Ainda existem portões que dividem os dois lados e se fecham todas as noites. O lado protestante tem uma quantidade assustadora de rainhas Elizabete por toda a parte. E foi assim que acabou a nossa viagem pela Irlanda do Norte. Com muita história e bolos comprados com as últimas libras que tínhamos 🙂 Vídeo da viagem: Próxima paragem: Galway!

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Rivalidades entre cidades ou países sempre existiram e até têm a sua graça. Portugal e Espanha, França e Inglaterra, Estados Unidos e Canadá… existem inúmera e normalmente até resultam numas boas piadas. Mas nada se compara ao ódio que existe entre a Irlanda e a Irlanda do Norte (ok, talvez as Coreias). Em geral, acho que as pessoas dos outros países não têm bem a noção de que este conflito começou há quase 100 anos e que dura até hoje. Eu pelo menos sabia que havia uma música dos U2 chamada Sunday Bloody Sunday e era basicamente isso. Felizmente, o primeiro host da minha vida (e desta viagem), era um irlandês muito aberto e que não tinha problema nenhum em falar sobre este assunto. Mas esta parte veio com toda uma viagem num Black Cab e por isso, já lá chego.

A minha primeira vez no mundo do Couchsurfing

Chegadas a Belfast vindas de Dublin seguimos as instruções do nosso host até à casa dele. Um misto de receio e entusiasmo apoderava-se de nós. Afinal de contas era a primeira vez que íamos dormir na casa de uma pessoa que não conhecíamos de lado nenhum e não sabíamos bem o que havíamos de esperar.

Depois de uma curta viagem de autocarro, estávamos num pequeno bairro de Belfast cheio de casinhas adoráveis, aquelas de tijolo, tradicionalmente inglesas. Tocámos à porta e um Andy sorridente veio-nos receber. As minhas expectativas foram superadas em 1000%! A casa era espectacular, com 3 andares e um quarto só para nós. Para além disso, deu-nos toalhas, acesso a tudo o que estava na cozinha e A CHAVE! Ficámos completamente parvas.

Para além disso, ele era uma pessoa 5 estrelas e tinha parte da família a trabalhar na produção do Game of Thrones – parece que é algo muito comum em Belfast! Em troca, recebeu um abre  caricas com o eléctrico de Lisboa 😀

A terra onde as lendas são feitas

No nosso primeiro dia na Irlanda do Norte tínhamos uma viagem marcada à maior atracção turística de toda a Irlanda – The Giant’s Causeway. Acho que já disse nalgum lado que não sou grande fã de tours, mas o preço era tão baixo (20€ por um dia inteiro) e já que não íamos alugar um carro num país onde se conduz ao contrário, era a nossa única opção.

Tivemos imensa sorte porque fomos num grupo muito pequeno (8 pessoas) e tínhamos um guia que não se calava, ou seja, contou-nos tudo o que havia para contar sobre a Irlanda do Norte e, mais concretamente, sobre as lendas que fazem parte daquela região. Infelizmente, o sotaque dele era tão cerrado que só percebi prai 70% do que ele dizia.

A primeira paragem a tour era relacionada com o Game of Thrones (claro), numa estrada chamada “The Dark Hedges”. Os Faias plantados de ambos os lados da estrada cruzam-se no topo, criando um efeito de estrada fechada. Apresento-vos a Kingsroad:

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Depois, seguiu-se a parte mais intrépida da coisa: atravessar uma ponte de corda que liga uma falésia a uma ilha – a Carrick-a-Rede Rope Bridge.

A ilha é mínima, mas tem uma perspectiva brutal sob os rochedos e o mar. A parte mais divertida é sem dúvida a de passar pela ponte de madeira e corda. Aquilo abana por todos os lados, mas é fantástico, ver a praia a e as rochas a 30 metros dos nossos pés.

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E seguia-se o ponto mais esperado da viagem: a Giant’s Causeway. A Calçada dos Gigantes é uma formação rochosa única no mundo, sendo o resultado de 60 milhões de anos de actividade vulcânica com mais de 40 mil colunas de basalto encaixadas umas nas outras.

Mas como estamos na Irlanda, nada é assim tão simples. Existe toda uma lenda à volta desta “calçada”. Fica aqui um excerto e um link para a história completa para os mais curiosos:

“According to legend, the columns are the remains of a causeway built by a giant. The story goes that the Irish giant Fionn mac Cumhaill (Finn MacCool), from the Fenian Cycle of Gaelic mythology, was challenged to a fight by the Scottish giant Benandonner.”

O único ponto negativo desta visita foi o pouco tempo que tivemos para explorar a Giant’s Causeway, porque merece um dia inteiro só para ela. As caminhadas são intermináveis e há muito para explorar. As rochas, naturalmente hexagonais, são o modelo perfeito para fotografias dignas do melhor dos Instagrams. E quando damos por nós estamos a saltar de pedra em pedra qual jogo da macaca pré-histórico.

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100 anos de história numa viagem de Taxi (preto)

Regressando a Belfast depois de um intenso dia de caminhadas e 50 mil lendas irlandesas, ainda fomos explorar o centro de Belfast. Não sei se era por ser sábado à tarde, mas as ruas estavam desertas e parecia que tínhamos a cidade só para nós. O centro em si não é muito grande, mas é giro pela sua arquitectura e ligação ao mar. Afinal, foi ali que nasceu o Titanic.

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Já sabíamos que uma das coisas mais interessantes em Belfast são os murais políticos, por isso tentámos ir ao encontro de alguns que deveriam ser perto do centro da cidade. Falhámos redondamente.

Quando voltámos para casa decidimos pesquisar qual a melhor maneira de ver os murais e todas as dicas iam dar às Black Cabs tours. A informação que há é um bocado dispersa e confusa, mas uma Black Cab tour consiste numa viagem guiada a alguns murais de Belfast. O caminho é traçado pelos “taxistas” que ao mesmo tempo explicam a história de Belfast e o porquê da divisão entre protestantes e católicos. Como éramos só duas e ia ser super caro pedirmos um táxi para nós, decidimos que na manhã seguinte iriamos ao Posto de Turismo para nos mostrarem as várias opções de empresas de táxis e na esperança de encontrarmos outros viajantes com quem dividir a viagem.

Melhor decisão de sempre. Escolhemos a viagem mais barata e em 10 minutos conseguimos mais três pessoas para dividir os custos.

Rápida introdução à história da Irlanda:

Durante uma hora viajámos pelo passado e presente da Irlanda do Norte. Nestas tours nunca se sabe que lado da história se vai ouvir. O guia pode ser Católico ou Protestante (Nacionalista ou Unionista) e claro que cada guia defende o seu lado. Felizmente calhou-nos um Irlandês, o que pelos chavões significa católico e nacionalista, que é o lado com quem mais simpatizo. No início, ele deixou logo claro que esta “guerra” nada tem a ver com religião. As palavras “católicos” e “protestantes” são apenas indicativas do lado em que se está. Na realidade, significa se a pessoa quer que Irlanda do Norte seja parte da Grã-Bretanha ou parte da República da Irlanda.

A viagem começou por uma parte de Belfast onde se consegue ver as fronteiras entre a área protestante e católica que muitas vezes incluem arames farpados. Ficámos a saber que o hotel mais bombardeado do mundo é em Belfast e que, infelizmente, quase toda a gente conhece uma pessoa que morreu ou ficou ferida por causa deste conflito.

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A história e o conflito são demasiado extensos para explicar, mas o vídeo em cima ajuda. Durante a visita vimos dezenas de murais. A maior parte reflecte temas controversos, causas humanitárias e tributos a figuras que morreram por uma causa. Depois existem umas coisas mais mesquinhas como no lado irlandês haver um mural de apoio a Gaza/Palestinianos e outro no lado protestante a apoiar o estado israelita. Ainda existem portões que dividem os dois lados e se fecham todas as noites. O lado protestante tem uma quantidade assustadora de rainhas Elizabete por toda a parte.

E foi assim que acabou a nossa viagem pela Irlanda do Norte. Com muita história e bolos comprados com as últimas libras que tínhamos 🙂

Vídeo da viagem:

Próxima paragem: Galway!

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Dublin: Pubs, Cerveja e um Churrasco Brasileiro https://www.mudancasconstantes.com/2016/09/24/dublin-irlanda/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=dublin-irlanda https://www.mudancasconstantes.com/2016/09/24/dublin-irlanda/#comments Sat, 24 Sep 2016 21:30:14 +0000 https://mudancasconstantes.wordpress.com/?p=673 Sempre tive o bichinho de ir à Irlanda. Depois de dezenas de livros lidos que relatavam as maravilhas do país (autoras como Juliet Marillier, Nora Roberts, Maeve Binchy…) decidi que tinha mesmo de lá ir. A ocasião surgiu inesperadamente. Apareceu no momento em que percebi que ia recomeçar a trabalhar nas semanas que se seguiam e que ia ter que dizer adeus às férias à grande. E decidi que era a ocasião perfeita para ir à Irlanda. Falei com uma amiga minha que também alinhou em ir “à maluca” e duas semanas depois estávamos na terra que serviu de cenário a alguns dos melhores livros que já li. Começámos por Dublin. Cidade pequenina, mas cheia de vida. As pessoas são felizes em Dulin! (e na Irlanda em geral). Toda a gente sai do trabalho e vai beber copos com os amigos para os pubs, onde há música ao vivo – que parece mais um concerto – e um burburinho constante. Como só tínhamos um dia e meio em Dublin, tivemos de ver tudo muito rapidamente. Fizemos uma lista dos “must do” que mais nos interessavam, agarrámos num mapa e partimos à descoberta de Dublin. O que mais gostei foi a visita ao Trinity College, tanto pelas estórias contadas pelos guias como pelo papel que aquela universidade desempenhou na história da Irlanda. O Trinity College tem uma das livrarias mais bonitas do mundo e como apaixonada por livros que sou, senti-me como a Alice no País das Maravilhas 😀 O melhor de Dublin: E agora, a parte mais surreal da nossa visita à Irlanda. Esta viagem foi a primeira vez que fiz Couchsurfing e em Dublin fomos alojadas por uma rapariga brasileira. A ideia era ficarmos na casa dela na última noite que passámos na Irlanda (porque começámos e acabámos em Dublin). Por isso, quando estávamos a chegar de uma viagem de autocarro que nos ia levar a Dublin, recebi uma mensagem dela (Sara) a perguntar se não queríamos passar por um churrasco na casa de uns amigos dela antes de irmos para casa. E é assim que começam todas as boas estórias: com um sim! Só relatado: O táxi. Começámos por conseguir entrar no que era certamente o pior táxi da Irlanda. Dissemos a morada, o homem não sabia onde era a morada, mas decidiu que devia ligar o taxímetro enquanto estávamos parados e ligava a um amigo a perguntar onde era (numa língua longe do inglês). Quando chegámos ao destino, era uma rua sem ninguém senão um casal a drogar-se. Depois de uma chamada rápida do género “vem-me buscar à porta rapidamente se não fujo”, com palavras mais calmas e fofinhas, a nossa anfitriã chegou. Era super simpática! Passado um minuto de conversa, e quando já estamos quase a chegar à entrada da casa, ela pergunta “ «nós fumamos, não se importam pois não?”. E eu pensei “ai que amorosa, tem em consideração a nossa saúde pulmonar”. Rapidamente nos chegou um cheirinho característico a maconha e percebemos que a pergunta nada tinha a ver com a nossa saúde. Na verdade, o churrasco foi super animado, se houver algum brasileiro a ler isto tenho a dizer-vos que vocês são mestres na arte de grelhar carne. Farofa, salada de batata e muita cerveja foram alguns dos ingredientes da noite. Apesar de estarem todos mais para lá do que pra cá, conseguimos ter conversas muito legais e aprendemos que existe uma comunidade brasileira gigantesca em Dublin, constituída por muitos jovens que querem fazer uns trocos enquanto melhoram o inglês. Desde empregadas da limpeza a barmaids e operários fabris, havia de tudo naquela sala. A casa onde ficámos a dormir foi toda uma outra experiência. Primeiro, tínhamos dois porquinhos-da-Índia com o quem partilhávamos a sala e que em vez de dormirem durante a noite, restolhavam, restolhavam e restolhavam. Depois, algures durante a madrugada, apareceram uns vizinhos e quase fizeram uma rave no quarto ao lado. Descanso: 0 Tirando isso, adorei a experiência, até porque todos os brasileiros com que nos cruzámos foram impecáveis e tinham imensa curiosidade em visitar Portugal. Ah, e a nossa host ofereceu-nos a melhor manga que comi na vida! Pub que aparece no fim do vídeo: The Quay’s Bar

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Sempre tive o bichinho de ir à Irlanda. Depois de dezenas de livros lidos que relatavam as maravilhas do país (autoras como Juliet Marillier, Nora Roberts, Maeve Binchy…) decidi que tinha mesmo de lá ir. A ocasião surgiu inesperadamente. Apareceu no momento em que percebi que ia recomeçar a trabalhar nas semanas que se seguiam e que ia ter que dizer adeus às férias à grande.

E decidi que era a ocasião perfeita para ir à Irlanda. Falei com uma amiga minha que também alinhou em ir “à maluca” e duas semanas depois estávamos na terra que serviu de cenário a alguns dos melhores livros que já li.

Começámos por Dublin. Cidade pequenina, mas cheia de vida. As pessoas são felizes em Dulin! (e na Irlanda em geral). Toda a gente sai do trabalho e vai beber copos com os amigos para os pubs, onde há música ao vivo – que parece mais um concerto – e um burburinho constante.

Como só tínhamos um dia e meio em Dublin, tivemos de ver tudo muito rapidamente. Fizemos uma lista dos “must do” que mais nos interessavam, agarrámos num mapa e partimos à descoberta de Dublin.

O que mais gostei foi a visita ao Trinity College, tanto pelas estórias contadas pelos guias como pelo papel que aquela universidade desempenhou na história da Irlanda. O Trinity College tem uma das livrarias mais bonitas do mundo e como apaixonada por livros que sou, senti-me como a Alice no País das Maravilhas 😀

O melhor de Dublin:

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Trinity College Library

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The Temple Bar
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O espírito Irlandês!

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Guiness Store House – Compra os bilhetes aqui e vai até ao rooftop 360º

E agora, a parte mais surreal da nossa visita à Irlanda. Esta viagem foi a primeira vez que fiz Couchsurfing e em Dublin fomos alojadas por uma rapariga brasileira. A ideia era ficarmos na casa dela na última noite que passámos na Irlanda (porque começámos e acabámos em Dublin).

Por isso, quando estávamos a chegar de uma viagem de autocarro que nos ia levar a Dublin, recebi uma mensagem dela (Sara) a perguntar se não queríamos passar por um churrasco na casa de uns amigos dela antes de irmos para casa. E é assim que começam todas as boas estórias: com um sim!

Só relatado:

  1. O táxi. Começámos por conseguir entrar no que era certamente o pior táxi da Irlanda. Dissemos a morada, o homem não sabia onde era a morada, mas decidiu que devia ligar o taxímetro enquanto estávamos parados e ligava a um amigo a perguntar onde era (numa língua longe do inglês).
  2. Quando chegámos ao destino, era uma rua sem ninguém senão um casal a drogar-se.
  3. Depois de uma chamada rápida do género “vem-me buscar à porta rapidamente se não fujo”, com palavras mais calmas e fofinhas, a nossa anfitriã chegou. Era super simpática! Passado um minuto de conversa, e quando já estamos quase a chegar à entrada da casa, ela pergunta “ «nós fumamos, não se importam pois não?”. E eu pensei “ai que amorosa, tem em consideração a nossa saúde pulmonar”.
  4. Rapidamente nos chegou um cheirinho característico a maconha e percebemos que a pergunta nada tinha a ver com a nossa saúde.
  5. Na verdade, o churrasco foi super animado, se houver algum brasileiro a ler isto tenho a dizer-vos que vocês são mestres na arte de grelhar carne. Farofa, salada de batata e muita cerveja foram alguns dos ingredientes da noite. Apesar de estarem todos mais para lá do que pra cá, conseguimos ter conversas muito legais e aprendemos que existe uma comunidade brasileira gigantesca em Dublin, constituída por muitos jovens que querem fazer uns trocos enquanto melhoram o inglês. Desde empregadas da limpeza a barmaids e operários fabris, havia de tudo naquela sala.
  6. A casa onde ficámos a dormir foi toda uma outra experiência. Primeiro, tínhamos dois porquinhos-da-Índia com o quem partilhávamos a sala e que em vez de dormirem durante a noite, restolhavam, restolhavam e restolhavam. Depois, algures durante a madrugada, apareceram uns vizinhos e quase fizeram uma rave no quarto ao lado. Descanso: 0
  7. Tirando isso, adorei a experiência, até porque todos os brasileiros com que nos cruzámos foram impecáveis e tinham imensa curiosidade em visitar Portugal. Ah, e a nossa host ofereceu-nos a melhor manga que comi na vida!

Pub que aparece no fim do vídeo: The Quay’s Bar

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