shiraz Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/tag/shiraz/ Blog de viagens para inquietos e irrequietos Mon, 08 Oct 2018 15:01:25 +0000 en-GB hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.3 https://www.mudancasconstantes.com/wp-content/uploads/2018/10/cropped-Untitled-design-1-32x32.png shiraz Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/tag/shiraz/ 32 32 Mesquita Nasir al Molk e Persépolis, as duas pérolas de Shiraz https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/10/shiraz-pink-mosque-persepolis/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=shiraz-pink-mosque-persepolis https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/10/shiraz-pink-mosque-persepolis/#comments Tue, 10 Apr 2018 19:27:56 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=3203 Foi uma fotografia da Nasir al Molk mosque, ou mesquita cor-de-rosa, que vi há alguns anos atrás que despertou o meu interesse pelo Irão. Acho difícil ficar indiferente àquelas cores e arquitectura. Todo o cenário parece saído do livro das Mil e Uma Noites. E por isso mesmo, não podia estar mais entusiasmada para ver a mesquita mais bonita do Irão, talvez do mundo, com os meus próprios olhos. E devo dizer que correspondeu a todas as minhas expectativas. Só tivemos o azar de visitar Shiraz no Norwuz, o ano novo persa, e consequentemente a altura com mais turistas (iranianos) no Irão. A ti, recomendo-te chegares um pouco antes das oito da manhã, para garantir que tens a mesquita só para ti e que podes tirar foto incríveis! Nasir al Molk Depois de pagarmos o preço turístico de 5€ para entrar, foi altura de nos deixarmos embasbacar por cada canto desta obra-prima. Logo à entrada há um espelho de água que reflecte perfeitamente a mesquita. Os azulejos são pintados com um detalhe exímio e as formas geométricas são únicas. O interior da mesquita, apesar de já estar um pouco cheio, é um lugar que dá para contemplar durante horas. Deixo as fotografias falarem por mim! Quando saímos, para uma cidade ainda adormecida, lá conseguimos descobrir um lugar para tomar o pequeno-almoço num cantinho onde ninguém falava inglês. 1.6€ para os dois. Ainda andámos até à Hafez Tomb, um lugar sagrado naquela cidade, dedicado ao mais adorado poeta persa. Às 10 da manhã já estava demasiado cheia para visitarmos, mas se fores ao Irão numa época “normal”, recomendo-te a entrar. Persépolis Tínhamos combinado com o Moji (o nosso host) e com um amigo dele que íamos a Persépolis nesse dia. Tal como o resto da cidade estava a abarrotar, mas não podíamos deixar de visitar este marco histórico. Uma vez que toda a gente dizia que nós (eu e o meu amigo) parecíamos iranianos, o Moji comprou 4 bilhetes para iranianos e, como que por milagre, passámos todos sem nos terem dito nada. Eu com as minhas roupas todas coloridas e algo “curtas” devo ter passado como uma iraniana rebelde. Persépolis pode traduzir-se como “Cidade dos Persas” e foi capital do Império Persa entre 550–330 BC. As suas ruínas são impressionantes e não é todos os dias que se passeia por um lugar que foi destruído por Alexandre, o Grande! E foi com um grande escaldão que nos despedimos de Persépolis e fomos almoçar a um dos “restaurantes” mais fixes que já vi! Era uma mistura de restaurante e jardim, onde em vez de mesas havia umas mini cabaninhas, com umas carpetes no chão onde podíamos relaxar e comer. Um sítio todo fino, com pratos deliciosos pela modica quantia de 4 euros a cada! Que sonho! Mas infelizmente o nosso tempo em Shiraz já estava a chegar ao fim e já só conseguimos ir a casa, tomar banho, jantar com a “nossa” família e despedirmo-nos entre muitos abraços, beijinhos e promessas que voltaríamos ao Irão! É difícil de expressar a nossa gratidão pelo que esta família fez por nós a troco de nada (vá, um postal e um íman…). Mersi!! Um olhar sobre o Irão antes da revolução Enquanto passeávamos pelo centro de Shiraz, decidimos parar no Café Arg para descansar e beber um suminho. Este café é especial, porque era uma casa normal e quando a proprietária morreu foi transformado em café, mas o interior continua igual ao que era. Para além de ser um espaço interessante, em conjunto com o menu os empregados trazem os álbuns da família. E que choque! Parecia que estava a ver os álbuns dos meus pais, mas com mais mulheres com monocelhas! Até 1979 o Irão parecia um país europeu. As roupas, os costumes… a Revolução Islâmica transformou drasticamente o país para aquilo que é hoje. A nossa paragem seguinte foi Kerman e uma viagem de dois dias de jipe no deserto!!

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Foi uma fotografia da Nasir al Molk mosque, ou mesquita cor-de-rosa, que vi há alguns anos atrás que despertou o meu interesse pelo Irão. Acho difícil ficar indiferente àquelas cores e arquitectura. Todo o cenário parece saído do livro das Mil e Uma Noites. E por isso mesmo, não podia estar mais entusiasmada para ver a mesquita mais bonita do Irão, talvez do mundo, com os meus próprios olhos.

E devo dizer que correspondeu a todas as minhas expectativas. Só tivemos o azar de visitar Shiraz no Norwuz, o ano novo persa, e consequentemente a altura com mais turistas (iranianos) no Irão. A ti, recomendo-te chegares um pouco antes das oito da manhã, para garantir que tens a mesquita só para ti e que podes tirar foto incríveis!

Nasir al Molk

Depois de pagarmos o preço turístico de 5€ para entrar, foi altura de nos deixarmos embasbacar por cada canto desta obra-prima. Logo à entrada há um espelho de água que reflecte perfeitamente a mesquita. Os azulejos são pintados com um detalhe exímio e as formas geométricas são únicas.

O interior da mesquita, apesar de já estar um pouco cheio, é um lugar que dá para contemplar durante horas. Deixo as fotografias falarem por mim!


Quando saímos, para uma cidade ainda adormecida, lá conseguimos descobrir um lugar para tomar o pequeno-almoço num cantinho onde ninguém falava inglês. 1.6€ para os dois.

Ainda andámos até à Hafez Tomb, um lugar sagrado naquela cidade, dedicado ao mais adorado poeta persa. Às 10 da manhã já estava demasiado cheia para visitarmos, mas se fores ao Irão numa época “normal”, recomendo-te a entrar.

Persépolis

Tínhamos combinado com o Moji (o nosso host) e com um amigo dele que íamos a Persépolis nesse dia. Tal como o resto da cidade estava a abarrotar, mas não podíamos deixar de visitar este marco histórico.

Uma vez que toda a gente dizia que nós (eu e o meu amigo) parecíamos iranianos, o Moji comprou 4 bilhetes para iranianos e, como que por milagre, passámos todos sem nos terem dito nada. Eu com as minhas roupas todas coloridas e algo “curtas” devo ter passado como uma iraniana rebelde.

Persépolis pode traduzir-se como “Cidade dos Persas” e foi capital do Império Persa entre 550–330 BC. As suas ruínas são impressionantes e não é todos os dias que se passeia por um lugar que foi destruído por Alexandre, o Grande!

E foi com um grande escaldão que nos despedimos de Persépolis e fomos almoçar a um dos “restaurantes” mais fixes que já vi! Era uma mistura de restaurante e jardim, onde em vez de mesas havia umas mini cabaninhas, com umas carpetes no chão onde podíamos relaxar e comer. Um sítio todo fino, com pratos deliciosos pela modica quantia de 4 euros a cada! Que sonho!

Mas infelizmente o nosso tempo em Shiraz já estava a chegar ao fim e já só conseguimos ir a casa, tomar banho, jantar com a “nossa” família e despedirmo-nos entre muitos abraços, beijinhos e promessas que voltaríamos ao Irão!

É difícil de expressar a nossa gratidão pelo que esta família fez por nós a troco de nada (vá, um postal e um íman…). Mersi!!

Diz lá que não são os melhores?

Um olhar sobre o Irão antes da revolução

Enquanto passeávamos pelo centro de Shiraz, decidimos parar no Café Arg para descansar e beber um suminho. Este café é especial, porque era uma casa normal e quando a proprietária morreu foi transformado em café, mas o interior continua igual ao que era.

Para além de ser um espaço interessante, em conjunto com o menu os empregados trazem os álbuns da família. E que choque! Parecia que estava a ver os álbuns dos meus pais, mas com mais mulheres com monocelhas! Até 1979 o Irão parecia um país europeu. As roupas, os costumes… a Revolução Islâmica transformou drasticamente o país para aquilo que é hoje.

A nossa paragem seguinte foi Kerman e uma viagem de dois dias de jipe no deserto!!

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Shiraz: foi por isto que fui ao Irão https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/10/shiraz-hospitalidade-iraniana-couchsurfing/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=shiraz-hospitalidade-iraniana-couchsurfing https://www.mudancasconstantes.com/2018/04/10/shiraz-hospitalidade-iraniana-couchsurfing/#comments Tue, 10 Apr 2018 14:38:24 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=3179 A hospitalidade Iraniana é lendária. Vem em qualquer guia de viagem sobre o Irão, existem milhares de posts sobre isso e é um dos tópicos de conversa mais comuns entre viajantes que se cruzam no país. E por isso, uma das melhores coisas que podes fazer no Irão, é seres hospedado/a por uma família iraniana. E no Irão isso está à distância de uns cliques. Sou uma fã assumida do Couchsurfing e, apesar do couchsurfing ser ilegal no Irão (tudo é!), é utilizado por milhares de Iranianos que abrem a porta de suas casas a estrangeiros e os tratam como família a partir o momento em que passam a porta. A minha família iraniana Depois de ler atentamente vários perfis de hosts em Shiraz decidi contactar o Moji. Só lhe escrevi a ele porque tinha lido que as probabilidades de te aceitarem o pedido à primeira são grandes e assim foi. Passados dois ou três dias tinha uma reposta afirmativa. Íamos ficar em casa dele e da sua família. No dia que chegámos à estação de autocarros de Shiraz – depois de uma longa viagem de 11 horas desde Teerão, que contou com filmes cómicos Iranianos, música iraniana a alto e bom som e bolos estilo dancake capazes de rebentar com os níveis de glicémia de qualquer um – o Moji veio ter connosco. A primeira coisa que nos ensinou foi que em Shiraz tudo decorre nas calmas e sem preocupações. “Don’t worry be happy” é o seu lema. Gostei dele imediatamente. Fomos deixar as malas a casa onde a mãe nos recebeu com um grande sorriso e um pequeno-almoço típico. No Irão come-se no chão, numa toalha em cima da carpete. O Moji foi um querido e deu-nos o quarto dele e dormiu na sala durante os dias em que lá estivemos. A minha mãe adoptiva iraniana! Turistando por Shiraz A partir daí já não nos separámos mais! Tinha programado para nós uma tour completa pelos melhores monumentos de Shiraz. Começámos pelo Vakil Bazaar que estava a rebentar pelas costuras e aprendemos muito sobre o artesanato local (ele também é artista!). Depois, passámos pela Vakil Mosque (só pelo exterior), Karim Khan Citadel e Eram Garden. Apesar do Irão ser basicamente um deserto gigante, os jardins iranianos estão extremamente bem cuidados e verdes. E Shiraz é particularmente famosa pela sua natureza. Os jardins são também um lugar onde os iranianos se encontram para conversar, fazer picnics e tirar muitas fotografias. Por isso, nós fizemos o mesmo! Ainda tivemos energia para visitar o Shahcheragh Holy Shrine, a maior mesquita da cidade e uma das mais importantes do país. Nos Holy Shrines as mulheres têm que usar sempre um chador, basicamente têm que se embrulhar num lençol, e os turistas têm que ser acompanhados por um guia que lhes é adjudicado gratuitamente. Apesar de o interior não ser acessível a não muçulmanos, dá para espreitar e é impressionante como brilha por causa do efeito dos espelhos. O último lugar que visitámos foi o palacete Shapouri Pavilion que fica lindo à noite! Quando chegámos a casa tínhamos uma pratada de massa à nossa espera e estávamos prontos para ir dormir! Mais uma pequena história que diz muito sobre o povo iraniano A condução dos iranianos é tudo menos segura e as condições das estradas não ajudam muito à festa. Quando estávamos todos a dar um passeio perto de uma estrada ouve-se o barulho de um acidente e vimos que um carro tinha capotado para dentro da vala que existe entre a estrada e o passeio. Do nada, cerca de 20 homens desataram a correr, passando pela estrada, parando o trânsito, prontos para ajudar. Em meio minuto tinham posto o carro de volta à sua posição original e as pessoas que iam lá dentro estavam bem. Nunca na minha vida vi nada assim. Todas estas pessoas largaram tudo o que estavam a fazer para ir ajudar alguém. Surpreendeu-me imenso e acho que na Europa seria difícil ver tanto altruísmo e entreajuda. O aparato todo não durou muito mais do que 5 minutos, mas é uma imagem que ficou bem gravada na minha memória. As histórias de Shiraz continuam aqui!

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A hospitalidade Iraniana é lendária. Vem em qualquer guia de viagem sobre o Irão, existem milhares de posts sobre isso e é um dos tópicos de conversa mais comuns entre viajantes que se cruzam no país.

E por isso, uma das melhores coisas que podes fazer no Irão, é seres hospedado/a por uma família iraniana. E no Irão isso está à distância de uns cliques. Sou uma fã assumida do Couchsurfing e, apesar do couchsurfing ser ilegal no Irão (tudo é!), é utilizado por milhares de Iranianos que abrem a porta de suas casas a estrangeiros e os tratam como família a partir o momento em que passam a porta.

A minha família iraniana

Depois de ler atentamente vários perfis de hosts em Shiraz decidi contactar o Moji. Só lhe escrevi a ele porque tinha lido que as probabilidades de te aceitarem o pedido à primeira são grandes e assim foi. Passados dois ou três dias tinha uma reposta afirmativa. Íamos ficar em casa dele e da sua família.

No dia que chegámos à estação de autocarros de Shiraz – depois de uma longa viagem de 11 horas desde Teerão, que contou com filmes cómicos Iranianos, música iraniana a alto e bom som e bolos estilo dancake capazes de rebentar com os níveis de glicémia de qualquer um – o Moji veio ter connosco.

A primeira coisa que nos ensinou foi que em Shiraz tudo decorre nas calmas e sem preocupações. “Don’t worry be happy” é o seu lema. Gostei dele imediatamente.

Fomos deixar as malas a casa onde a mãe nos recebeu com um grande sorriso e um pequeno-almoço típico. No Irão come-se no chão, numa toalha em cima da carpete. O Moji foi um querido e deu-nos o quarto dele e dormiu na sala durante os dias em que lá estivemos.

A minha mãe adoptiva iraniana!

Turistando por Shiraz

A partir daí já não nos separámos mais! Tinha programado para nós uma tour completa pelos melhores monumentos de Shiraz. Começámos pelo Vakil Bazaar que estava a rebentar pelas costuras e aprendemos muito sobre o artesanato local (ele também é artista!). Depois, passámos pela Vakil Mosque (só pelo exterior), Karim Khan Citadel e Eram Garden.

Apesar do Irão ser basicamente um deserto gigante, os jardins iranianos estão extremamente bem cuidados e verdes. E Shiraz é particularmente famosa pela sua natureza. Os jardins são também um lugar onde os iranianos se encontram para conversar, fazer picnics e tirar muitas fotografias. Por isso, nós fizemos o mesmo!

Ainda tivemos energia para visitar o Shahcheragh Holy Shrine, a maior mesquita da cidade e uma das mais importantes do país. Nos Holy Shrines as mulheres têm que usar sempre um chador, basicamente têm que se embrulhar num lençol, e os turistas têm que ser acompanhados por um guia que lhes é adjudicado gratuitamente.

Eles não deixam entrar com máquinas fotográficas por isso só tenho estas fotos rascas

Introdução ao estilo embrulhado!

Apesar de o interior não ser acessível a não muçulmanos, dá para espreitar e é impressionante como brilha por causa do efeito dos espelhos. O último lugar que visitámos foi o palacete Shapouri Pavilion que fica lindo à noite!

Quando chegámos a casa tínhamos uma pratada de massa à nossa espera e estávamos prontos para ir dormir!

Mais uma pequena história que diz muito sobre o povo iraniano

A condução dos iranianos é tudo menos segura e as condições das estradas não ajudam muito à festa. Quando estávamos todos a dar um passeio perto de uma estrada ouve-se o barulho de um acidente e vimos que um carro tinha capotado para dentro da vala que existe entre a estrada e o passeio.

Do nada, cerca de 20 homens desataram a correr, passando pela estrada, parando o trânsito, prontos para ajudar. Em meio minuto tinham posto o carro de volta à sua posição original e as pessoas que iam lá dentro estavam bem.

Nunca na minha vida vi nada assim. Todas estas pessoas largaram tudo o que estavam a fazer para ir ajudar alguém. Surpreendeu-me imenso e acho que na Europa seria difícil ver tanto altruísmo e entreajuda. O aparato todo não durou muito mais do que 5 minutos, mas é uma imagem que ficou bem gravada na minha memória.

As histórias de Shiraz continuam aqui!

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