lições de vida Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/tag/licoes-de-vida/ Blog de viagens para inquietos e irrequietos Tue, 06 Nov 2018 19:07:06 +0000 en-GB hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://www.mudancasconstantes.com/wp-content/uploads/2018/10/cropped-Untitled-design-1-32x32.png lições de vida Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/tag/licoes-de-vida/ 32 32 Antália e o choque cultural https://www.mudancasconstantes.com/2016/09/05/antalia-e-o-choque-cultural/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=antalia-e-o-choque-cultural https://www.mudancasconstantes.com/2016/09/05/antalia-e-o-choque-cultural/#comments Mon, 05 Sep 2016 21:15:47 +0000 https://mudancasconstantes.wordpress.com/?p=526 Antália é uma das cidades mais europeias (ou russa) da Turquia e quem a visita como turista não costuma experienciar qualquer tipo de choque cultural. Mas em 2013, Antália foi a minha casa enquanto fazia um estágio de voluntariado pela AIESEC durante um mês e meio. Era a primeira vez que estava num país muçulmano fora da Europa e isso, obviamente trouxe uma enxurrada de coisas que nunca tinha ouvido ou presenciado na minha vidinha. Depois da primeira semana já tudo me parecia normalíssimo, mas durante os primeiros dias fiquei de queixo caído com algumas situações. Felizmente vivi todas as aventuras e desventuras com a minha colega de quarto de Singapura, Sarah, que tem mais ou menos os mesmos standards de normalidade que eu. E o top momentos WTF vai para… 1º Mandadas calar em autocarros. Isto aconteceu-nos umas três vezes até aprendermos que não devíamos falar nos autocarros. Cada vez que nos entusiasmávamos e começávamos a falar mais alto ou a rir recebíamos olhares fulminantes e “shhhhhhhhhhs” e outras palavras que não compreendíamos. Até hoje não percebo se era por sermos mulher ou por falarmos em inglês ou uma mistura de ambas as coisas, porque em Istambul isto nunca me aconteceu. 2º O Islão. Como disse inicialmente, Antália é uma cidade mais europeia que turca, mas não deixa de estar num país muçulmano. Por isso, as mesquitas “cantam” 5 vezes por dia para chamar os fiéis para rezar. Nas primeiras noites acordava sempre de sobressalto com os “berros” da mesquita, porque aquilo é algo do género “ALLAHADFNBOKCF AAAAAAAAAAAAAA” e achava que eram confrontos na rua (foi na altura que a Turquia toda andava em confrontos). Para além disso, estávamos em pleno Ramadão, coisa sobre a qual eu nunca tinha ouvido falar e ver pessoas a passar dias inteiros com 40 graus sem tocar numa gota de água desde as 4 da manhã até 8 da noite, fazia-me (e ainda faz) alguma espécie. 3º Os autocarros. Para além de sermos mandadas calar, os autocarros de Antália vivem em absoluta anarquia. Cada condutor decora o seu autocarro como quer (o que basicamente significa carpetes no chão, espelhos e peluches ou coisas felpudas como objectos decorativos no lugar do condutor), conduz como quer e pára onde quer. Mesmo assim conseguem ser melhores que a Carris. 4º Os Turcos. Eu adoro os Turcos. Ainda não percebi porquê, mas acho que são um povo muito porreiro e dou-me muito bem com a maioria dos Turcos que conheci (e já conheci muitos). Os turcos são uma grande mistura: tanto têm características muito mediterrâneas como características normalmente associadas ao médio oriente. Estas foram as minhas primeiras impressões: – Não cumprimentam as raparigas que não conhecem com beijinhos, mas aos rapazes sim! – Ao mesmo tempo são muito atiradiços com raparigas ocidentais porque acham que somos mais “fáceis”. – São muito hospitaleiros. Só o facto de os nossos “hosts” terem acolhido duas raparigas durante 6 semanas na sua casa sem pedir nada em troca já mostra que são bem fofinhos. Também tentam sempre dar-te comida, chá e mais comida e mais chá. Não entendem os conceitos abstractos de não se gostar de chá preto ou baklava. – Também têm malucos. Fomos perseguidas à noite, quando estávamos a ir ter com uns amigos, por um homem com uma balança na mão que gritava. 5º A nossa casa. Antália tem alguns problemas de baratas e quando se deixa louça por lavar na cozinha, é estar a pedi-las. Para além de não desejarmos cruzar-nos com baratas, também não tínhamos água quente na cozinha, o que deu aso a começarmos a lavar louça e roupa na banheira. Fotografias épicas saíram destes momentos. Como se as baratinhas não chegassem, também havia formigas, e eu que dormia quase no chão, acordei várias vezes com algumas a olhar por mim. Mas pronto, elas não fazem mal e são discretas. No último dia também descobrimos que a porta que estava sempre fechada, afinal era uma casa de banho estilo turca. Era uma divisão um bocado perturbadora, ainda bem que só descobrimos este pequeno segredo no último dia. E é isto. É claro que durante as 6 semanas que estive em Antália muito mais aconteceu, mas estas são as memórias que mais me fazem rir e que na altura me fizeram pensar “onde raio é que me vim meter”.

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Antália é uma das cidades mais europeias (ou russa) da Turquia e quem a visita como turista não costuma experienciar qualquer tipo de choque cultural. Mas em 2013, Antália foi a minha casa enquanto fazia um estágio de voluntariado pela AIESEC durante um mês e meio. Era a primeira vez que estava num país muçulmano fora da Europa e isso, obviamente trouxe uma enxurrada de coisas que nunca tinha ouvido ou presenciado na minha vidinha.

Depois da primeira semana já tudo me parecia normalíssimo, mas durante os primeiros dias fiquei de queixo caído com algumas situações. Felizmente vivi todas as aventuras e desventuras com a minha colega de quarto de Singapura, Sarah, que tem mais ou menos os mesmos standards de normalidade que eu.

E o top momentos WTF vai para…

1º Mandadas calar em autocarros. Isto aconteceu-nos umas três vezes até aprendermos que não devíamos falar nos autocarros. Cada vez que nos entusiasmávamos e começávamos a falar mais alto ou a rir recebíamos olhares fulminantes e “shhhhhhhhhhs” e outras palavras que não compreendíamos. Até hoje não percebo se era por sermos mulher ou por falarmos em inglês ou uma mistura de ambas as coisas, porque em Istambul isto nunca me aconteceu.

2º O Islão. Como disse inicialmente, Antália é uma cidade mais europeia que turca, mas não deixa de estar num país muçulmano. Por isso, as mesquitas “cantam” 5 vezes por dia para chamar os fiéis para rezar. Nas primeiras noites acordava sempre de sobressalto com os “berros” da mesquita, porque aquilo é algo do género “ALLAHADFNBOKCF AAAAAAAAAAAAAA” e achava que eram confrontos na rua (foi na altura que a Turquia toda andava em confrontos).

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Para além disso, estávamos em pleno Ramadão, coisa sobre a qual eu nunca tinha ouvido falar e ver pessoas a passar dias inteiros com 40 graus sem tocar numa gota de água desde as 4 da manhã até 8 da noite, fazia-me (e ainda faz) alguma espécie.

3º Os autocarros. Para além de sermos mandadas calar, os autocarros de Antália vivem em absoluta anarquia. Cada condutor decora o seu autocarro como quer (o que basicamente significa carpetes no chão, espelhos e peluches ou coisas felpudas como objectos decorativos no lugar do condutor), conduz como quer e pára onde quer. Mesmo assim conseguem ser melhores que a Carris.

a bela da carpete
a bela da carpete

4º Os Turcos. Eu adoro os Turcos. Ainda não percebi porquê, mas acho que são um povo muito porreiro e dou-me muito bem com a maioria dos Turcos que conheci (e já conheci muitos). Os turcos são uma grande mistura: tanto têm características muito mediterrâneas como características normalmente associadas ao médio oriente. Estas foram as minhas primeiras impressões:

– Não cumprimentam as raparigas que não conhecem com beijinhos, mas aos rapazes sim!

– Ao mesmo tempo são muito atiradiços com raparigas ocidentais porque acham que somos mais “fáceis”.

– São muito hospitaleiros. Só o facto de os nossos “hosts” terem acolhido duas raparigas durante 6 semanas na sua casa sem pedir nada em troca já mostra que são bem fofinhos. Também tentam sempre dar-te comida, chá e mais comida e mais chá. Não entendem os conceitos abstractos de não se gostar de chá preto ou baklava.

– Também têm malucos. Fomos perseguidas à noite, quando estávamos a ir ter com uns amigos, por um homem com uma balança na mão que gritava.

5º A nossa casa. Antália tem alguns problemas de baratas e quando se deixa louça por lavar na cozinha, é estar a pedi-las. Para além de não desejarmos cruzar-nos com baratas, também não tínhamos água quente na cozinha, o que deu aso a começarmos a lavar louça e roupa na banheira. Fotografias épicas saíram destes momentos.

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Como se as baratinhas não chegassem, também havia formigas, e eu que dormia quase no chão, acordei várias vezes com algumas a olhar por mim. Mas pronto, elas não fazem mal e são discretas.

No último dia também descobrimos que a porta que estava sempre fechada, afinal era uma casa de banho estilo turca. Era uma divisão um bocado perturbadora, ainda bem que só descobrimos este pequeno segredo no último dia.

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E é isto. É claro que durante as 6 semanas que estive em Antália muito mais aconteceu, mas estas são as memórias que mais me fazem rir e que na altura me fizeram pensar “onde raio é que me vim meter”.

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Istambul-Bucareste: Inês Amaral no meio de correios de droga https://www.mudancasconstantes.com/2016/09/04/istambul-bucareste-autocarro/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=istambul-bucareste-autocarro https://www.mudancasconstantes.com/2016/09/04/istambul-bucareste-autocarro/#respond Sun, 04 Sep 2016 22:48:14 +0000 https://mudancasconstantes.wordpress.com/?p=522 Tenho medo de andar de avião. Para uma pessoa que quer correr mundo inteiro não é um medo nada saudável (ou conveniente). Por isso, quando decidi ir à Roménia na Páscoa de 2015 a partir de Istambul escolhi que iria de autocarro até lá e não de avião. Afinal eram só 8 ou 9 horas de viagem e isso para quem vive na Turquia é para meninos. Foi uma decisão parva, mas deu uma história muito gira para contar que fica aqui: No dia da partida, cheguei à estação de autocarros internacionais de Istambul, que parece uma favela e lá encontrei o operador de viagem. Até aí tudo ok. O autocarro foi enchendo (só romenos) e às 15 ou 16 partimos (só sei que a hora de partida não era a que dizia no bilhete, mas isso é normal). O pessoal do autocarro parecia a família do Cristiano Ronaldo antes de ter dinheiro, era permitido fumar dentro do autocarro e passado meia hora, 3 mulheres decidiram fazer um escabeche porque queriam ir à casa de banho e queriam que autocarro parasse no meio da auto-estrada para irem à casa de banho no meio do mato. E assim foi! O que é a segurança rodoviária quando se tem a bexiga cheia… Lá seguimos viagem. Nada parecia muito estranho, sem ser a quantidade de sacos e malas que todos eles transportavam nos confins do autocarro, mas emigrante que é emigrante leva sempre a casa às costas. E paramos na fronteira com a Bulgária e sai tudo do autocarro para controlo de passaporte. Quando a senhora do controlo viu o meu passaporte português olhou para mim com um ar “mas como é que esta veio aqui parar”, mas lá passámos todos e essa parte acabou rapidamente. Depois, mandaram o nosso autocarro estacionar num género de armazém gigantesco onde três polícias começaram a revistar o autocarro. Foi a revista mais aldrabada que já vi. Abriram umas caixas e tal, pareciam dizer “têm que abrir isto” mas depois o condutor dizia que não havia nada e que era difícil de abrir e eles desistiam (isto sou eu a interpretar turco e romeno). Nada encontrado, seguimos Bulgária adentro já com mais de uma hora de atraso. Passámos a Bulgária toda, e só posso dizer que tem muito campo! Até que chegámos à fronteira com a Roménia. Outra vez a história dos passaportes, desta vez mais simples e novamente nos mandam parar e a polícia começa a revistar o autocarro. Revistam, revistam, discutem com o motorista, fazem muitos gestos e depois de meia hora disto o motorista e o polícia vão para uma casinha às escuras durante uns 5 ou 10 minutos. Portanto, assumindo que uns momentos a sós com um motorista gordo, feio e turco não é suborno suficiente para um polícia, acho que houve troca de pilim, dentro daquela casinha na fronteira. E ala que se faz tarde, entramos na Roménia com quilos de ilegalidades atrás. E se até aqui achavam que isto não era nada de mais e que podia ser só a minha imaginação a funcionar, vem a melhor parte e o momento em que pensei “queres ver que eles ainda me vão matar para que não haja testemunhas?”. Passados 10 minutos depois da fronteira, paramos numa estação de serviço. Do autocarro saem 3 pessoas cheias de sacos que parecem muito pesados e procedem a carregar dois carros sem matrículas e vidros escuros que desaparecem em poucos segundos com o pessoal e material que saiu do autocarro. E pronto, passado menos de uma hora estava em Bucareste, sã e salva nos braços das minhas amigas. A minha amiga Romena mal podia acreditar nesta história, mas fartou-se de rir, porque lá no fundo sabe que isto é o pão nosso de cada dia. Quando vires nalgum lado que a Turquia é a porta da droga para a Europa, já sabes porquê 😉

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Tenho medo de andar de avião. Para uma pessoa que quer correr mundo inteiro não é um medo nada saudável (ou conveniente). Por isso, quando decidi ir à Roménia na Páscoa de 2015 a partir de Istambul escolhi que iria de autocarro até lá e não de avião. Afinal eram só 8 ou 9 horas de viagem e isso para quem vive na Turquia é para meninos.

Foi uma decisão parva, mas deu uma história muito gira para contar que fica aqui:

No dia da partida, cheguei à estação de autocarros internacionais de Istambul, que parece uma favela e lá encontrei o operador de viagem. Até aí tudo ok. O autocarro foi enchendo (só romenos) e às 15 ou 16 partimos (só sei que a hora de partida não era a que dizia no bilhete, mas isso é normal). O pessoal do autocarro parecia a família do Cristiano Ronaldo antes de ter dinheiro, era permitido fumar dentro do autocarro e passado meia hora, 3 mulheres decidiram fazer um escabeche porque queriam ir à casa de banho e queriam que autocarro parasse no meio da auto-estrada para irem à casa de banho no meio do mato. E assim foi! O que é a segurança rodoviária quando se tem a bexiga cheia…

Lá seguimos viagem. Nada parecia muito estranho, sem ser a quantidade de sacos e malas que todos eles transportavam nos confins do autocarro, mas emigrante que é emigrante leva sempre a casa às costas.

E paramos na fronteira com a Bulgária e sai tudo do autocarro para controlo de passaporte. Quando a senhora do controlo viu o meu passaporte português olhou para mim com um ar “mas como é que esta veio aqui parar”, mas lá passámos todos e essa parte acabou rapidamente. Depois, mandaram o nosso autocarro estacionar num género de armazém gigantesco onde três polícias começaram a revistar o autocarro. Foi a revista mais aldrabada que já vi. Abriram umas caixas e tal, pareciam dizer “têm que abrir isto” mas depois o condutor dizia que não havia nada e que era difícil de abrir e eles desistiam (isto sou eu a interpretar turco e romeno).

Nada encontrado, seguimos Bulgária adentro já com mais de uma hora de atraso. Passámos a Bulgária toda, e só posso dizer que tem muito campo! Até que chegámos à fronteira com a Roménia. Outra vez a história dos passaportes, desta vez mais simples e novamente nos mandam parar e a polícia começa a revistar o autocarro. Revistam, revistam, discutem com o motorista, fazem muitos gestos e depois de meia hora disto o motorista e o polícia vão para uma casinha às escuras durante uns 5 ou 10 minutos. Portanto, assumindo que uns momentos a sós com um motorista gordo, feio e turco não é suborno suficiente para um polícia, acho que houve troca de pilim, dentro daquela casinha na fronteira.

E ala que se faz tarde, entramos na Roménia com quilos de ilegalidades atrás. E se até aqui achavam que isto não era nada de mais e que podia ser só a minha imaginação a funcionar, vem a melhor parte e o momento em que pensei “queres ver que eles ainda me vão matar para que não haja testemunhas?”. Passados 10 minutos depois da fronteira, paramos numa estação de serviço. Do autocarro saem 3 pessoas cheias de sacos que parecem muito pesados e procedem a carregar dois carros sem matrículas e vidros escuros que desaparecem em poucos segundos com o pessoal e material que saiu do autocarro.

E pronto, passado menos de uma hora estava em Bucareste, sã e salva nos braços das minhas amigas. A minha amiga Romena mal podia acreditar nesta história, mas fartou-se de rir, porque lá no fundo sabe que isto é o pão nosso de cada dia.

Quando vires nalgum lado que a Turquia é a porta da droga para a Europa, já sabes porquê 😉

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