charyn canyon Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/tag/charyn-canyon/ Blog de viagens para inquietos e irrequietos Fri, 06 Sep 2019 20:21:46 +0000 en-GB hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://www.mudancasconstantes.com/wp-content/uploads/2018/10/cropped-Untitled-design-1-32x32.png charyn canyon Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/tag/charyn-canyon/ 32 32 Lagos Kolsai e Kaindy: o sul do Cazaquistão numa corrida contra o tempo (2/2) https://www.mudancasconstantes.com/2019/09/05/lago-kolsai-kaindy-sul-cazaquistao/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=lago-kolsai-kaindy-sul-cazaquistao https://www.mudancasconstantes.com/2019/09/05/lago-kolsai-kaindy-sul-cazaquistao/#respond Thu, 05 Sep 2019 21:50:40 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5569 No nosso segundo dia de exploração tínhamos em mãos uma tarefa epopeica: ver três lagos num dia e ainda voltar a Almaty. E se as epopeias costumavam começar em barcos, a nossa começou num jipe dos tempos soviéticos que ameaçava desfazer-se todo a qualquer momento. As árvores afundadas de Kaindy Meia hora de centrifugadora soviética depois e chegámos ao início da pequena caminhada que nos ia levar até ao lago mais cobiçado do Cazaquistão. Para quem não sabe, o Lago de Kaindy é conhecido pelas suas “árvores afundadas”. O lago formou-se por causa de um deslizamento de terras desencadeado por um forte tremor de terra em 1911. Onde antes passava um rio, nasceu uma barragem natural e com ela uma floresta afundada. Não bastando ter água límpida e uma cor muito garrida quando bate o sol (que nós não chegámos a ver), o que torna este lago tão especial são os troncos, despidos e esbranquiçados, que se erguem da água como criaturas místicas. Por termos começado tão cedo não se avistava vivalma e conseguimos ser os primeiros a chegar ao lago. Aconselho levares ou umas botas de caminhada impermeáveis ou umas chinelas para andares mesmo até à beira do lago, especialmente se não tiveres um guia fofinho para te carregar como o meu! Apesar de termos ficado deslumbrados com este lago ainda tínhamos mais dois na calha e nenhum tempo a perder. Lagos Kolsai: Sobe, sobe turista sobe Na noite anterior o nosso guia tinha posto uma questão em cima da mesa “quem quer fazer a caminhada de amanhã, 16 km ida e volta, a cavalo?”. Já meio moídos por causa do Charyn Canyon, metade do grupo alinhou na ideia. Claro que na Ásia Central nada corre como o esperado e, quando chegámos ao primeiro Lago Kolsai, havia UM cavalo disponível. Estávamos destinados a ter que dar à perna. Apesar do primeiro lago não ser nada de se deitar fora, até porque dá ares de Suíça, é pelo segundo lago que toda a gente se desloca até Kolsai. O único inconveniente é que para lá chegar temos que andar cerca de 2.5 a 3 horas a bom passo. Vendo o nosso lento progresso, e como tínhamos todos os minutos contados, o nosso guia decidiu fazer-nos um ultimato: “ou andam mais rápido, ou não vamos chegar ao lago”. Claramente ninguém lhe tinha dito que os turistas têm sentimentos. Mais tarde, viemos a perceber que na Ásia Central não há papas na língua e que o nosso físico não transmitia nem resiliência nem agilidade a ninguém. O que é certo é que o ultimato surtiu efeito e, apesar de 4 desistências, a maioria do grupo conquistou o segundo Lago Kolsai (toma lá guia céptico!). O lago é absolutamente maravilhoso e perfeito para passar umas horas a descansar, fazer um pique-nique e, se te sentires com muita pujança, tomar banho. Nós tivemos que fazer isto tudo em cerca de 30 minutos! Depois de nos enchermos de ovos e batata cozida (almoço gourmet) e de tomarmos o banho mais rápido e gelado da história, estávamos suficientemente rejuvenescidos para enfrentar a descida que nos deixaria de joelhos a tremer. Em retrospectiva a caminhada não é assim tão difícil e tem a vantagem de ser maioritariamente por dentro da floresta, mas ter um dia inteiro para ver ambos os lagos e fazer as pausas necessárias seria perfeito. Com um sentimento de tarefa cumprida, fizemos a nossa dança da vitória, tomámos um banho de garrafa só para tirar a aquela primeira camada de pó e suor e voltámos à nossa querida van que nos ia levar de volta a Almaty. Estafados, fizemos uma sesta colectiva até nos lembrarmos que tínhamos fome. Deu-se então um banquete de restos que merecia ser filmado. Como dizia o meu amigo, enquanto nos ríamos que nem uns perdidos, “aqui estamos nós, no fim do Cazaquistão, enfiados num mini-bus aos saltos, todos sujos a comer ovos cozidos, salsichas e pão seco”. Acho que é uma definição legítima de viajar! Dicas rápidas Tour ou viagem independente: Se tiveres tempo limitado como nós, juntares-te a uma tour é sem dúvida uma óptima opção. Esta região é tão pouco visitada que a infra-estrutura turística é quase nula e viajar de forma independente envolve marshrutkas, táxis e potencialmente andar à boleia. Nós pagámos cerca de 120€ com transportes + guia + todas as refeições + entrada nos parques e alojamento. Lagos Kolsai: Para além dos dois lagos que falei aqui, existe um terceiro lago, ainda mais inacessível que o segundo. É praticamente impossível ir e voltar num só dia e como a zona é muito perto da fronteira com o Quirguistão – e ocupada por militares – é necessário uma permissão para lá ir. Passaporte: Leva sempre o passaporte contigo porque pode haver checkpoints militares. Fronteira com o Quirguistão: o nosso plano inicial incluía ir directamente desta zona para o Quirguistão (para Karakol). É possível fazê-lo de táxi ou, pelo que percebi, com uma combinação de boleia e transportes públicos. É uma rota que te permite poupar tempo, mas também é mais incerto do que fazer o típico trajecto Almaty – Bishkek. Clima: Nós fomos no pico do verão e como tal apanhámos bastante calor durante o dia. Mas esta zona é tão alta que durante meio ano é provável que esteja coberta de neve. Tirando o Canyon, a melhor altura para visitar é sem dúvida o Verão. Alojamento em Almaty: O nosso primeiro alojamento em Almaty foi o Almaty Backpackers. Sem dúvida um hostel com uma óptima atmosfera e o lugar perfeito para conhecer outros viajantes. Único problema? Só tem duas casas de banho para muita gente! Outra alternativa é o Soul Hostel, onde ficámos mais tarde. Apesar do nome, o hostel de alma tem pouco mas tem mais casas de banho e duches e é mais central também. A escolha depende das prioridades. PS: a minha máquina decidiu apagar todas as fotografias dos dois primeiros dias, por isso as imagens que vês aqui foram simpaticamente cedidas por amigos

The post Lagos Kolsai e Kaindy: o sul do Cazaquistão numa corrida contra o tempo (2/2) appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
No nosso segundo dia de exploração tínhamos em mãos uma tarefa epopeica: ver três lagos num dia e ainda voltar a Almaty. E se as epopeias costumavam começar em barcos, a nossa começou num jipe dos tempos soviéticos que ameaçava desfazer-se todo a qualquer momento.

A nossa real carruagem
As árvores afundadas de Kaindy

Meia hora de centrifugadora soviética depois e chegámos ao início da pequena caminhada que nos ia levar até ao lago mais cobiçado do Cazaquistão. Para quem não sabe, o Lago de Kaindy é conhecido pelas suas “árvores afundadas”. O lago formou-se por causa de um deslizamento de terras desencadeado por um forte tremor de terra em 1911. Onde antes passava um rio, nasceu uma barragem natural e com ela uma floresta afundada.

Não bastando ter água límpida e uma cor muito garrida quando bate o sol (que nós não chegámos a ver), o que torna este lago tão especial são os troncos, despidos e esbranquiçados, que se erguem da água como criaturas místicas.

Por termos começado tão cedo não se avistava vivalma e conseguimos ser os primeiros a chegar ao lago. Aconselho levares ou umas botas de caminhada impermeáveis ou umas chinelas para andares mesmo até à beira do lago, especialmente se não tiveres um guia fofinho para te carregar como o meu!

Apesar de termos ficado deslumbrados com este lago ainda tínhamos mais dois na calha e nenhum tempo a perder.

Lagos Kolsai: Sobe, sobe turista sobe

Na noite anterior o nosso guia tinha posto uma questão em cima da mesa “quem quer fazer a caminhada de amanhã, 16 km ida e volta, a cavalo?”. Já meio moídos por causa do Charyn Canyon, metade do grupo alinhou na ideia. Claro que na Ásia Central nada corre como o esperado e, quando chegámos ao primeiro Lago Kolsai, havia UM cavalo disponível. Estávamos destinados a ter que dar à perna.

Roubaram-nos os cavalos…

Apesar do primeiro lago não ser nada de se deitar fora, até porque dá ares de Suíça, é pelo segundo lago que toda a gente se desloca até Kolsai. O único inconveniente é que para lá chegar temos que andar cerca de 2.5 a 3 horas a bom passo.

Vendo o nosso lento progresso, e como tínhamos todos os minutos contados, o nosso guia decidiu fazer-nos um ultimato: “ou andam mais rápido, ou não vamos chegar ao lago”. Claramente ninguém lhe tinha dito que os turistas têm sentimentos. Mais tarde, viemos a perceber que na Ásia Central não há papas na língua e que o nosso físico não transmitia nem resiliência nem agilidade a ninguém.

O que é certo é que o ultimato surtiu efeito e, apesar de 4 desistências, a maioria do grupo conquistou o segundo Lago Kolsai (toma lá guia céptico!). O lago é absolutamente maravilhoso e perfeito para passar umas horas a descansar, fazer um pique-nique e, se te sentires com muita pujança, tomar banho. Nós tivemos que fazer isto tudo em cerca de 30 minutos!

Depois de nos enchermos de ovos e batata cozida (almoço gourmet) e de tomarmos o banho mais rápido e gelado da história, estávamos suficientemente rejuvenescidos para enfrentar a descida que nos deixaria de joelhos a tremer.

Em retrospectiva a caminhada não é assim tão difícil e tem a vantagem de ser maioritariamente por dentro da floresta, mas ter um dia inteiro para ver ambos os lagos e fazer as pausas necessárias seria perfeito.

Com um sentimento de tarefa cumprida, fizemos a nossa dança da vitória, tomámos um banho de garrafa só para tirar a aquela primeira camada de pó e suor e voltámos à nossa querida van que nos ia levar de volta a Almaty.

Paragem final antes de Almaty

Estafados, fizemos uma sesta colectiva até nos lembrarmos que tínhamos fome. Deu-se então um banquete de restos que merecia ser filmado. Como dizia o meu amigo, enquanto nos ríamos que nem uns perdidos, “aqui estamos nós, no fim do Cazaquistão, enfiados num mini-bus aos saltos, todos sujos a comer ovos cozidos, salsichas e pão seco”. Acho que é uma definição legítima de viajar!

Dicas rápidas

Tour ou viagem independente: Se tiveres tempo limitado como nós, juntares-te a uma tour é sem dúvida uma óptima opção. Esta região é tão pouco visitada que a infra-estrutura turística é quase nula e viajar de forma independente envolve marshrutkas, táxis e potencialmente andar à boleia. Nós pagámos cerca de 120€ com transportes + guia + todas as refeições + entrada nos parques e alojamento.

Lagos Kolsai: Para além dos dois lagos que falei aqui, existe um terceiro lago, ainda mais inacessível que o segundo. É praticamente impossível ir e voltar num só dia e como a zona é muito perto da fronteira com o Quirguistão – e ocupada por militares – é necessário uma permissão para lá ir.

Passaporte: Leva sempre o passaporte contigo porque pode haver checkpoints militares.

Fronteira com o Quirguistão: o nosso plano inicial incluía ir directamente desta zona para o Quirguistão (para Karakol). É possível fazê-lo de táxi ou, pelo que percebi, com uma combinação de boleia e transportes públicos. É uma rota que te permite poupar tempo, mas também é mais incerto do que fazer o típico trajecto Almaty – Bishkek.

Clima: Nós fomos no pico do verão e como tal apanhámos bastante calor durante o dia. Mas esta zona é tão alta que durante meio ano é provável que esteja coberta de neve. Tirando o Canyon, a melhor altura para visitar é sem dúvida o Verão.

Alojamento em Almaty: O nosso primeiro alojamento em Almaty foi o Almaty Backpackers. Sem dúvida um hostel com uma óptima atmosfera e o lugar perfeito para conhecer outros viajantes. Único problema? Só tem duas casas de banho para muita gente! Outra alternativa é o Soul Hostel, onde ficámos mais tarde. Apesar do nome, o hostel de alma tem pouco mas tem mais casas de banho e duches e é mais central também. A escolha depende das prioridades.

PS: a minha máquina decidiu apagar todas as fotografias dos dois primeiros dias, por isso as imagens que vês aqui foram simpaticamente cedidas por amigos

The post Lagos Kolsai e Kaindy: o sul do Cazaquistão numa corrida contra o tempo (2/2) appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
https://www.mudancasconstantes.com/2019/09/05/lago-kolsai-kaindy-sul-cazaquistao/feed/ 0
Charyn Canyon: o sul do Cazaquistão numa corrida contra o tempo (1/2) https://www.mudancasconstantes.com/2019/09/03/charyn-canyon-sul-cazaquistao/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=charyn-canyon-sul-cazaquistao https://www.mudancasconstantes.com/2019/09/03/charyn-canyon-sul-cazaquistao/#comments Tue, 03 Sep 2019 17:36:36 +0000 http://www.mudancasconstantes.com/?p=5550 O Cazaquistão nunca fez parto do plano original de viagem, inicialmente o nosso destino era só um: o Quirguistão. Em duas semanas, parecia impossível enfrentar também o nono maior país do mundo, mas os preços dos voos para Almaty eram consideravelmente mais baratos do que para Bishkek – viemos a descobrir que é por esta razão que a maioria das pessoas acaba por visitar o sul do Cazaquistão – e decidimos que mal por mal íamos dedicar dois dias a explorar o melhor da zona. Depois de muito ler, percebi que para viajar de forma independente iriamos precisar de muito mais tempo do que o que tínhamos e que juntarmo-nos a uma tour através do hostel onde íamos ficar parecia ser a melhor opção. Como tudo na Ásia Central, marcámos a tour no dia antes o que nos ficou bem mais em conta do que tínhamos antecipado, já que íamos viajar com mais 9 pessoas. O desfiladeiro e lagos mais bonitos do Cazaquistão estavam à nossa espera. Charyn Canyon e uma noite entre 10 tipos de papel de parede diferentes As maravilhas de ter de acordar às 6:30 da manhã depois de mais de um dia sem dormir… Quem é que diz que as férias são para descansar?! Ainda meio zonzos, entrámos numa carrinha onde já se encontravam um par de holandesas, um par de chineses e um par de japoneses. Rapidamente se juntaram mais três russos e a grupeta estava completa. Ainda nem eram 9 da manhã e os russos decidiram comprar cerveja para toda a gente, não compreendendo o conceito de ser “demasiado cedo para beber e comer Pringles”. Não me esforcei para explicar a terceira vez. Quando chegámos ao desfiladeiro já o sol ia bem alto, prometendo torturar-nos a cada passo da nossa caminhada. Ainda por cima o nosso guia, entusiasmado por ter um grupo de jovens, achou por bem pôr-se a andar para cima e para baixo em trilhos que não lembram ao diabo. Foi quando já tínhamos mais água a ensopar a roupa do que dentro do corpo que tivemos uma visão que inicialmente pensámos ser um milagre: havia água! E havia pessoas dentro dela! Agora tínhamos uma motivação extra para descer aquele caminho vertiginoso de gravilha. Assim que nos vimos em chão firme, corremos para a água como se nunca tivéssemos visto um rio na vida e os pensamentos homicidas para com o nosso guia abandonaram-nos. Bem mais felizes da vida, tínhamos pela frente mais uma tarefa dúbia: contactar pela primeira vez com a cozinha do Cazaquistão. Como diz o guia do Lonely Planet, ninguém vai à Ásia Central pela comida e, temendo o pior, em Almaty, ficámo-nos por restaurantes western. Agora, tínhamos um dos pratos (leia-se Tupperware) favoritos da região à nossa frente: Lagman. Uma espécie de noodles com vegetais, carne e uma ou outra especiaria. Aceitável! O que já não foi tão aceitável foi termos que sair da sombra e enfrentar a caminhada de volta com 40 graus em cima. Quando finalmente chegámos ao topo, eu já não era bem eu, mas sim uma versão escaldada e empoeirada. Sexy. Mas o desfiladeiro ainda não nos tinha mostrado tudo o que tinha para dar e para a despedida fomos até ao miradouro mais bonito que justifica perfeitamente o porquê do Charyn Canyon ser também conhecido como o “Grand Canyon do Cazaquistão”. Saty e as profundezas do Cazaquistão  De novo na carrinha, adormecemos todos quase de imediato e, só quando chegámos à aldeia onde se encontrava a nossa homestay, voltámos à vida. Para nossa surpresa e deleite tínhamos wi-fi, água quente e electricidade. E camas com colchões! À nossa volta, galinhas, cavalos e vacas andavam de um lado para o outro livremente. Dentro da casa fomos surpreendidos com um estilo entre o “casa da avó míope” e o “thriller psicológico”, porque só por maldade é que se mete tanto papel de parede e padrões diferentes numa só divisão. O jantar também acabou por ser melhor do que estávamos à espera e tivemos a oportunidade de provar os primeiros Manti da viagem: dumplings recheados com carne, cenoura e abóbora. A mesa do pequeno-almoço não difere muito da das outras refeições já que compotas, bolachas ou pão frito constam sempre no menu. A noite só acabou depois de deixarmos os russos verterem algum álcool nos nossos copos. Não que nos pudéssemos dar ao luxo de beber muito já que no dia seguinte o despertador ia tocar às 5 da manhã! Já disse que isto não foram bem férias não já? PS: a minha máquina decidiu apagar todas as fotografias dos dois primeiros dias, por isso as imagens que vês aqui foram simpaticamente cedidas por amigos

The post Charyn Canyon: o sul do Cazaquistão numa corrida contra o tempo (1/2) appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
O Cazaquistão nunca fez parto do plano original de viagem, inicialmente o nosso destino era só um: o Quirguistão. Em duas semanas, parecia impossível enfrentar também o nono maior país do mundo, mas os preços dos voos para Almaty eram consideravelmente mais baratos do que para Bishkek – viemos a descobrir que é por esta razão que a maioria das pessoas acaba por visitar o sul do Cazaquistão – e decidimos que mal por mal íamos dedicar dois dias a explorar o melhor da zona.

Depois de muito ler, percebi que para viajar de forma independente iriamos precisar de muito mais tempo do que o que tínhamos e que juntarmo-nos a uma tour através do hostel onde íamos ficar parecia ser a melhor opção. Como tudo na Ásia Central, marcámos a tour no dia antes o que nos ficou bem mais em conta do que tínhamos antecipado, já que íamos viajar com mais 9 pessoas. O desfiladeiro e lagos mais bonitos do Cazaquistão estavam à nossa espera.

Charyn Canyon e uma noite entre 10 tipos de papel de parede diferentes

As maravilhas de ter de acordar às 6:30 da manhã depois de mais de um dia sem dormir… Quem é que diz que as férias são para descansar?!

Ainda meio zonzos, entrámos numa carrinha onde já se encontravam um par de holandesas, um par de chineses e um par de japoneses. Rapidamente se juntaram mais três russos e a grupeta estava completa. Ainda nem eram 9 da manhã e os russos decidiram comprar cerveja para toda a gente, não compreendendo o conceito de ser “demasiado cedo para beber e comer Pringles”. Não me esforcei para explicar a terceira vez.

Quando chegámos ao desfiladeiro já o sol ia bem alto, prometendo torturar-nos a cada passo da nossa caminhada. Ainda por cima o nosso guia, entusiasmado por ter um grupo de jovens, achou por bem pôr-se a andar para cima e para baixo em trilhos que não lembram ao diabo.

Foi quando já tínhamos mais água a ensopar a roupa do que dentro do corpo que tivemos uma visão que inicialmente pensámos ser um milagre: havia água! E havia pessoas dentro dela! Agora tínhamos uma motivação extra para descer aquele caminho vertiginoso de gravilha.

Assim que nos vimos em chão firme, corremos para a água como se nunca tivéssemos visto um rio na vida e os pensamentos homicidas para com o nosso guia abandonaram-nos.

Bem mais felizes da vida, tínhamos pela frente mais uma tarefa dúbia: contactar pela primeira vez com a cozinha do Cazaquistão. Como diz o guia do Lonely Planet, ninguém vai à Ásia Central pela comida e, temendo o pior, em Almaty, ficámo-nos por restaurantes western. Agora, tínhamos um dos pratos (leia-se Tupperware) favoritos da região à nossa frente: Lagman. Uma espécie de noodles com vegetais, carne e uma ou outra especiaria. Aceitável!

O que já não foi tão aceitável foi termos que sair da sombra e enfrentar a caminhada de volta com 40 graus em cima. Quando finalmente chegámos ao topo, eu já não era bem eu, mas sim uma versão escaldada e empoeirada. Sexy.

Mas o desfiladeiro ainda não nos tinha mostrado tudo o que tinha para dar e para a despedida fomos até ao miradouro mais bonito que justifica perfeitamente o porquê do Charyn Canyon ser também conhecido como o “Grand Canyon do Cazaquistão”.

Saty e as profundezas do Cazaquistão 

De novo na carrinha, adormecemos todos quase de imediato e, só quando chegámos à aldeia onde se encontrava a nossa homestay, voltámos à vida. Para nossa surpresa e deleite tínhamos wi-fi, água quente e electricidade. E camas com colchões!

À nossa volta, galinhas, cavalos e vacas andavam de um lado para o outro livremente. Dentro da casa fomos surpreendidos com um estilo entre o “casa da avó míope” e o “thriller psicológico”, porque só por maldade é que se mete tanto papel de parede e padrões diferentes numa só divisão.

É a festa do padrão! (e um potencial ataque de epilepsia)

O jantar também acabou por ser melhor do que estávamos à espera e tivemos a oportunidade de provar os primeiros Manti da viagem: dumplings recheados com carne, cenoura e abóbora. A mesa do pequeno-almoço não difere muito da das outras refeições já que compotas, bolachas ou pão frito constam sempre no menu.

A noite só acabou depois de deixarmos os russos verterem algum álcool nos nossos copos. Não que nos pudéssemos dar ao luxo de beber muito já que no dia seguinte o despertador ia tocar às 5 da manhã! Já disse que isto não foram bem férias não já?

PS: a minha máquina decidiu apagar todas as fotografias dos dois primeiros dias, por isso as imagens que vês aqui foram simpaticamente cedidas por amigos

The post Charyn Canyon: o sul do Cazaquistão numa corrida contra o tempo (1/2) appeared first on Mudanças Constantes.

]]>
https://www.mudancasconstantes.com/2019/09/03/charyn-canyon-sul-cazaquistao/feed/ 2