Malásia Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/malasia/ Blog de viagens para inquietos e irrequietos Tue, 09 Oct 2018 11:20:13 +0000 en-GB hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.4 https://www.mudancasconstantes.com/wp-content/uploads/2018/10/cropped-Untitled-design-1-32x32.png Malásia Archives - Mudanças Constantes https://www.mudancasconstantes.com/category/malasia/ 32 32 Sabah, Bornéu: o lado mais selvagem do Sudoeste Asiático https://www.mudancasconstantes.com/2017/08/31/sabah-borneu-malasia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=sabah-borneu-malasia https://www.mudancasconstantes.com/2017/08/31/sabah-borneu-malasia/#comments Thu, 31 Aug 2017 20:55:51 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=1609 A minha primeira impressão do Bornéu não foi a melhor. Acabadinha de aterrar em Kota Kinabalu, vou até ao centro da cidade e deparo-me com um local muito cinzento e desinteressante. Sigo até à marginal, e em 10 minutos estou no fim do passeio. Algures pelo caminho dizem-me que andar por ali sozinha é perigoso e começo a sentir os olhares pouco habituados a turistas ocidentais. Tinha-me claramente esquecido que já não estava na Tailândia ou Malásia continental. No último dia da minha estadia em Sabah, estava a conversar com uma amiga no hostel e a nossa conclusão sobre esta parte da Malásia foi a mesma. As cidades não são particularmente agradáveis, mas a natureza compensa tudo. Por isso o meu conselho é: vai! Se gostas de natureza e de ver animais no seu habitat natural e o que ainda resta de uma floresta tropical com milhares de anos, o Bornéu é sem dúvida um destino a ter em conta, principalmente se estiveres pelo sudoeste asiático. Creio que não se pode comparar a África ou à Amazónia, mas também é muito mais acessível. Fica aqui a minha proposta de roteiro, adaptada à minha experiência: Kota Kinabalu ou Sandakan (0 dias): estas são as duas maiores cidades de Sabah e o mais certo é que aterres num destes aeroportos. O meu conselho é que não passes tempo algum em nenhuma delas e que sigas directamente para um dos parques naturais à volta. Kota Kinabalu tem ilhas engraçadas, mas nada que valha a pena parar para ver. Mount Kinabalu National Park (2-3 dias): é aqui que jaz a floresta mais antiga do Bornéu. A subida ao Mount Kinabalu é mundialmente conhecida, e muitas pessoas vão até Sabah pura e exclusivamente para esse efeito. Adorava tê-la feito, mas só é possível com guia e o custo são cerca de 300€. Existe uma alternativa a este preço. O Jungle Jack Backpackers, um hostel que trabalha com as desistências do parque, consegue arranjar entradas a um preço mais baixo e à última da hora. Convém ter alguma flexibilidade porque as desistências não são certas. De qualquer forma, pelo que ouvi, o parque natural vale a pena mesmo sem a subida ao monte pela sua floresta tropical e fauna e flora únicas. Sepilok Orangutan Rehabilitation Center (2 dias pelo hostel): Talvez o segundo local mais famoso da ilha. Depois da intensa desflorestação que destruiu milhares de kilometros de floresta tropical para dar lugar a palmeiras – óleo de palma – , a população de orangotangos no Bornéu viu-se quase extinta e desalojada. Em Sepilok, criou-se um refúgio para estes animais onde tratam deles e ensinam-lhes formas de sobrevivência. O centro é visitáveis durante 4 horas por dia (duas de manhã e duas à tarde). Na minha opinião parecia-se demasiado com um jardim zoológico por causa dos feeding times. O melhor momento foi quando vi dois orangotangos a passearem-se livremente pelos estrados de madeira destinados às pessoas. Estavam tão perto! E são tão estranhamente parecidos ao ser humano!Por isso, foi uma óptima experiência, só não tenhas a expectativa de que vai ser uma experiência 100% selvagem. Em Sepilok encontrei potencialmente o melhor hostel da minha vida: o Forest Edge Resort. Pequeno almoço incluído, restaurante delicioso, quartos limpos com casa de banho incluída. Tudo por 8€ por noite… Kinabatangan River (2 dias): Um dos meus dias preferidos no Bornéu foi quando fiz um Safari River Cruise no rio Kinabatangan (nome um bocado impronunciável). Marquei o meu através do meu hostel em Sepilok e acho que se estás a pensar fazê-lo durante só uma tarde não interessa muito com que empresa vais fazê-lo. Mas se estiveres a pensar fazer o River Cruise e Jungle Trekking – não fiz porque não tinha tempo – aconselho o River Junkie. Porque é que foi uma das experiências preferidas? Porque conseguimos ver uma manada de elefantes no seu habitat natural! Foi simplesmente mágico. Nada no safari é garantido. Os animais andam livremente pela selva e se os virmos vemos, se não paciência. Nós tivemos sorte de ver orangotangos, macacos narigudos (não sei o nome técnico!), mais macacos que não faço ideia da espécie, lagartos e os tais elefantes, claro. Tivemos uma sorte incrível porque não eram avistados há dois ou três meses. Semporna & Sipadan (3-4 dias): Uma das capitais de mergulho do mundo. Se gostas de mergulhar ou até de só fazer snorkeling, Semporna é um sítio incontornável. A vida marinha é abundante entre corais, peixes, tartarugas e outras coisas que não sei bem qualificar. Fiz todos os meus mergulhos através da Scuba Junkie e posso recomendar, são cinco estrelas. Um dia de mergulho incluí três mergulhos, almoço, equipamento e guia (um guia por duas ou três pessos). Um dia de mergulho custa 50€, isto em Semporna. Em Sipadan, que está classificado com um dos melhores locais do mundo para mergulhar, os preços são mais altos, mas aí já não recomendo a Scuba Junkie porque eles não fazem viagens só de um dia a Sipadan e os preços ficam um bocado ridículos. Em Sipadan é garantido que vês tubarões, mantas, barracudas, tartarugas… Tudo, praticamente. A Scuba Junkie tem alojamento low cost em Semporna (6€ por noite) num hostel bem jeitoso. A melhor parte era o restaurante ao lado com rotis de outro mundo e sumos. Comia no mínimo dois por dia… Ficou-me a faltar a visita à ilha Bohey Dulang que adorava ter tido tempo para visitar. Fica para a próxima 😉 Dicas rápidas Transporte – autocarro: Tendo em conta o número de estradas do Bornéu (prai uma) as alternativas de transporte são o avião e os autocarros. Os autocarros funcionam bem e em época baixa e sem feriados nunca enchem. Os autocarros a partir de Kota Kinabalu podem ser marcados pela internet no site easybook.com. Que foi onde marquei o meu até Semporna (70 RM). A viagem de 10 horas faz-se bem se fores mais inteligente que eu e levares um casaco em vez de te teres que enrolara numa bola no teu lugar como eu… Os outros bilhetes marquei nas estações de autocarro (Semporna – Quase Sepilok = 40 RM). Se não vai para o destino final do autocarro é melhor relembrares esse facto ao staff. Eles vão saber para onde te mandar. Para ir para Sepilok deixaram-me num cruzamento na estrada e depois tive que apanhar um autocarro local até outro cruzamento e depois um taxi até ao hostel. O que vale é que é tudo baratíssimo e eles não se aproveitam dos turistas para fazer preços loucos. Tem simplesmente em conta que tudo demora mais tempo do que estás à espera. Mas as pessoas são super queridas. Exemplo: quando cheguei às 5.30 da manhã a Semporna e não fazia ideia onde estava (era a única turista) um dos rapazes do staff pergunta-me para onde vou e leva-me de carro até ao hostel e espera comigo até que me abram a porta. Transporte – avião: Com a Air Asia os voos no Bornéu são muitas vezes uma alternativa mais viável do que os autocarros. Há voos domésticos a começar nos 10/12 euros e são tão rápidos que até eu que odeio de voar tenho que reconhecer a sua utilidade. Para o aeroporto de Kota Kinabalu existe um shuttle barato. De Sandakan para o aeroporto a melhor opção é o taxi, principalmente se conseguires dividir. Uber e Grab: Antes de tentares encontrar um táxi tenta encontrar um carro com estas aplicações. Podem poupar-te muito dinheiro. Exemplo: do centro de Kota Kinabalu à estação de autocarros disseram-me no hostel de eram 30 RM. Com a Uber paguei 10…

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A minha primeira impressão do Bornéu não foi a melhor. Acabadinha de aterrar em Kota Kinabalu, vou até ao centro da cidade e deparo-me com um local muito cinzento e desinteressante. Sigo até à marginal, e em 10 minutos estou no fim do passeio. Algures pelo caminho dizem-me que andar por ali sozinha é perigoso e começo a sentir os olhares pouco habituados a turistas ocidentais. Tinha-me claramente esquecido que já não estava na Tailândia ou Malásia continental.

No último dia da minha estadia em Sabah, estava a conversar com uma amiga no hostel e a nossa conclusão sobre esta parte da Malásia foi a mesma. As cidades não são particularmente agradáveis, mas a natureza compensa tudo. Por isso o meu conselho é: vai! Se gostas de natureza e de ver animais no seu habitat natural e o que ainda resta de uma floresta tropical com milhares de anos, o Bornéu é sem dúvida um destino a ter em conta, principalmente se estiveres pelo sudoeste asiático. Creio que não se pode comparar a África ou à Amazónia, mas também é muito mais acessível.

Fica aqui a minha proposta de roteiro, adaptada à minha experiência:

Kota Kinabalu ou Sandakan (0 dias):

estas são as duas maiores cidades de Sabah e o mais certo é que aterres num destes aeroportos. O meu conselho é que não passes tempo algum em nenhuma delas e que sigas directamente para um dos parques naturais à volta. Kota Kinabalu tem ilhas engraçadas, mas nada que valha a pena parar para ver.

Mount Kinabalu National Park (2-3 dias):

é aqui que jaz a floresta mais antiga do Bornéu. A subida ao Mount Kinabalu é mundialmente conhecida, e muitas pessoas vão até Sabah pura e exclusivamente para esse efeito. Adorava tê-la feito, mas só é possível com guia e o custo são cerca de 300€. Existe uma alternativa a este preço. O Jungle Jack Backpackers, um hostel que trabalha com as desistências do parque, consegue arranjar entradas a um preço mais baixo e à última da hora. Convém ter alguma flexibilidade porque as desistências não são certas. De qualquer forma, pelo que ouvi, o parque natural vale a pena mesmo sem a subida ao monte pela sua floresta tropical e fauna e flora únicas.

Sepilok Orangutan Rehabilitation Center (2 dias pelo hostel): Talvez o segundo local mais famoso da ilha. Depois da intensa desflorestação que destruiu milhares de kilometros de floresta tropical para dar lugar a palmeiras – óleo de palma – , a população de orangotangos no Bornéu viu-se quase extinta e desalojada. Em Sepilok, criou-se um refúgio para estes animais onde tratam deles e ensinam-lhes formas de sobrevivência. O centro é visitáveis durante 4 horas por dia (duas de manhã e duas à tarde). Na minha opinião parecia-se demasiado com um jardim zoológico por causa dos feeding times. O melhor momento foi quando vi dois orangotangos a passearem-se livremente pelos estrados de madeira destinados às pessoas. Estavam tão perto! E são tão estranhamente parecidos ao ser humano!Por isso, foi uma óptima experiência, só não tenhas a expectativa de que vai ser uma experiência 100% selvagem.

Em Sepilok encontrei potencialmente o melhor hostel da minha vida: o Forest Edge Resort. Pequeno almoço incluído, restaurante delicioso, quartos limpos com casa de banho incluída. Tudo por 8€ por noite…

Kinabatangan River (2 dias): Um dos meus dias preferidos no Bornéu foi quando fiz um Safari River Cruise no rio Kinabatangan (nome um bocado impronunciável). Marquei o meu através do meu hostel em Sepilok e acho que se estás a pensar fazê-lo durante só uma tarde não interessa muito com que empresa vais fazê-lo. Mas se estiveres a pensar fazer o River Cruise e Jungle Trekking – não fiz porque não tinha tempo – aconselho o River Junkie.

Porque é que foi uma das experiências preferidas? Porque conseguimos ver uma manada de elefantes no seu habitat natural! Foi simplesmente mágico.

Nada no safari é garantido. Os animais andam livremente pela selva e se os virmos vemos, se não paciência. Nós tivemos sorte de ver orangotangos, macacos narigudos (não sei o nome técnico!), mais macacos que não faço ideia da espécie, lagartos e os tais elefantes, claro. Tivemos uma sorte incrível porque não eram avistados há dois ou três meses.


Semporna & Sipadan (3-4 dias):
Uma das capitais de mergulho do mundo. Se gostas de mergulhar ou até de só fazer snorkeling, Semporna é um sítio incontornável. A vida marinha é abundante entre corais, peixes, tartarugas e outras coisas que não sei bem qualificar. Fiz todos os meus mergulhos através da Scuba Junkie e posso recomendar, são cinco estrelas. Um dia de mergulho incluí três mergulhos, almoço, equipamento e guia (um guia por duas ou três pessos). Um dia de mergulho custa 50€, isto em Semporna. Em Sipadan, que está classificado com um dos melhores locais do mundo para mergulhar, os preços são mais altos, mas aí já não recomendo a Scuba Junkie porque eles não fazem viagens só de um dia a Sipadan e os preços ficam um bocado ridículos. Em Sipadan é garantido que vês tubarões, mantas, barracudas, tartarugas… Tudo, praticamente.

A Scuba Junkie tem alojamento low cost em Semporna (6€ por noite) num hostel bem jeitoso. A melhor parte era o restaurante ao lado com rotis de outro mundo e sumos. Comia no mínimo dois por dia… Ficou-me a faltar a visita à ilha Bohey Dulang que adorava ter tido tempo para visitar. Fica para a próxima 😉

Mabul
Ship Wreck
Coral Garden


Dicas rápidas

Transporte – autocarro: Tendo em conta o número de estradas do Bornéu (prai uma) as alternativas de transporte são o avião e os autocarros. Os autocarros funcionam bem e em época baixa e sem feriados nunca enchem. Os autocarros a partir de Kota Kinabalu podem ser marcados pela internet no site easybook.com. Que foi onde marquei o meu até Semporna (70 RM). A viagem de 10 horas faz-se bem se fores mais inteligente que eu e levares um casaco em vez de te teres que enrolara numa bola no teu lugar como eu…

Os outros bilhetes marquei nas estações de autocarro (Semporna – Quase Sepilok = 40 RM). Se não vai para o destino final do autocarro é melhor relembrares esse facto ao staff. Eles vão saber para onde te mandar. Para ir para Sepilok deixaram-me num cruzamento na estrada e depois tive que apanhar um autocarro local até outro cruzamento e depois um taxi até ao hostel. O que vale é que é tudo baratíssimo e eles não se aproveitam dos turistas para fazer preços loucos. Tem simplesmente em conta que tudo demora mais tempo do que estás à espera. Mas as pessoas são super queridas. Exemplo: quando cheguei às 5.30 da manhã a Semporna e não fazia ideia onde estava (era a única turista) um dos rapazes do staff pergunta-me para onde vou e leva-me de carro até ao hostel e espera comigo até que me abram a porta.

Transporte – avião: Com a Air Asia os voos no Bornéu são muitas vezes uma alternativa mais viável do que os autocarros. Há voos domésticos a começar nos 10/12 euros e são tão rápidos que até eu que odeio de voar tenho que reconhecer a sua utilidade. Para o aeroporto de Kota Kinabalu existe um shuttle barato. De Sandakan para o aeroporto a melhor opção é o taxi, principalmente se conseguires dividir.

Uber e Grab: Antes de tentares encontrar um táxi tenta encontrar um carro com estas aplicações. Podem poupar-te muito dinheiro. Exemplo: do centro de Kota Kinabalu à estação de autocarros disseram-me no hostel de eram 30 RM. Com a Uber paguei 10…

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Penang: caminhos selvagens, arte urbana e um bocadinho sobre a Síria https://www.mudancasconstantes.com/2017/08/31/penang-georgetown-malasia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=penang-georgetown-malasia https://www.mudancasconstantes.com/2017/08/31/penang-georgetown-malasia/#comments Thu, 31 Aug 2017 11:52:48 +0000 http://mudancasconstantes.com/?p=1572 Arranquei, às 8 da manhã, de Koh Lanta rumo a Penang. Dos 10 turistas que constituíam aquela mini van, depois da primeira paragem ficámos três e foi aí que começou a nossa aventura. Na estação de autocarros de Trang fomos metidas (eu, uma alemã e uma holandesa) todas encavalitadas numa das mini vans mais desconfortáveis da história que não estava claramente feita para o tamanho europeu. Valha-nos o ar condicionado. É claro que é nas piores situações (ou mais cómicas) que se formam amizades e foi isso que aconteceu. Depois de mais uma mini van de Hat Yai até Penang e um almoço picante já éramos as melhores amigas! Ps: custo da viagem – 1000 bht através de uma agência em Koh Lanta. Um encontro no mínimo estranho Chegadas a Penang, primeira missão: trocar dinheiro. E é aí que nos deparamos com a pessoa mais estranha que já conheci. Um rapaz aparentemente Canadiano (ou pelo menos foi o que ele disse) chegou ao balcão de câmbio com um ar muito aflito a perguntar onde é que era um determinado hotel. A senhora do balcão não estava minimamente interessada em ajudar, por isso nós dissemos que tínhamos o mapa da cidade no telemóvel e que podíamos ajudar. E foi aí que começou o drama: Segundo ele, tinha sido roubado nesse mesmo dia (um valor exorbitante de 2000 dólares) e pelo que percebi, foi roubado no autocarro por alguém que o hipnotizou. Sim, isso! Apesar de muito pouco verosímil, decidimos convidá-lo para ir connosco até ao Starbucks porque precisávamos todos de wifi e duma coisinha doce! No Starbucks a história só piorou e eu já não sabia para onde havia de me virar. Portanto, nesse mesmo dia a namorada tinha acabado com ele. Como? Estavam os dois a passear na rua, passa um gajo que se vira para a namorada e diz “you are hot” e ela diz “you too” e vão os dois embora juntos. Claro que eu estava quase a chorar a rir, quem me conhece sabe que eu tenho um grave problema, e começo-me a rir automaticamente da desgraça dos outros. Ele ainda acrescentou que eles namoravam há dois meses mas nunca se tinham beijado, que a tinha conhecido porque tinha salvado a vida dela num acidente qualquer e que tinha perdido muito peso por causa dela (ainda parecia ter uns 100 quilos). Quase caí para o lado quando ele disse que a mãe dele tinha morrido este ano também… Felizmente a Martina (holandesa) manteve uma postura brilhante durante o tempo todo e ia acenando. Eu já só contava os segundos até o meu host me ir buscar. Ele lá apareceu e eu cheia de medo que ele convidasse o gajo louco para ir lá dormir também, mas não aconteceu. Deixámo-las lá uma vez que iam apanhar um táxi até ao hostel e prometemos encontrar-nos no dia seguinte (não com o gajo estranho que do nada também se tinha lembrado que já tinha estado naquele sítio um dia com o pai dele). Monkey Beach No lado oposto a Georgetown, existe um parque natural com vários trilhos pela “selva” que te levam até a praias solitárias e a lagos bonitos. Os caminhos têm alguns obstáculos mas nada que não se faça. Na minha inocência achei que ia ser coisa para demorar 3 horas incluindo ir, voltar e estar um tempo na praia. Mas demoramos umas cinco! O que quer dizer que estava completamente esfomeada e nem a meio íamos. Pelo caminho vimos lagartos gigantes e macacos. Tomámos banho numa praia deserta e passados 5 minutos de termos saído da água vimos um lagarto a nadar por ali também!! A Monkey Beach em si é muito bonita e até tem um género de hostel/parque de campismo muito hippie onde podes ficar. Felizmente também fazem umas magníficas sandes de ovo para aqueles que não vêm preparados 😉 De Georgetown até ao parque natural podes apanhar um autocarro ou recorrer ao Grab (o Uber da Ásia) se tiveres mais pessoas para partilhar o valor. Não é mesmo nada caro. Meia hora de caminho devem ser 7€ no máximo. Para chegar à praia em si escolhemos ir e vir a andar (hora e meia para cada lado sem parar) mas também existem barcos a fazer essa ligação. Entretanto, uma amigo meu que foi a esta praia segundo a minha recomendação teve que andar à luta com um macaco! Por isso, recomendo-te a nunca te aproximares deles nem teres comida à mostra. Os macacos na Ásia não são para brincadeiras. Georgetown Georgetown é no mínimo adorável! Uma fusão de religiões, pessoas e culturas, tudo num raio de meia hora. Para além de poderes ver todo o tipo de templos (hindus, budistas, igrejas, mesquitas…) pelas ruas, Georgetown é particularmente conhecida pela sua “comida de rua”. São dezenas de pratos para provar, nas mais diversas bancas. O maior mercado de comida que vi foi durante a noite, relativamente perto da Love Lane, mas é só andares pela cidade um bocadinho que escolhas não vão faltar. Sendo Georgetown a parte mais turística de Penang para backpackers, existem montes de bares com happy hours e até bares com bebidas grátis para mulheres… Prometo que vais ter noites memoráveis! A outra grande característica de Georgetown é a arte urbana. Por toda a cidade existem pinturas, grafittis e expressões de arte que contrastam perfeitamente com o ambiente mais histórico e que já ganharam muitos prémios internacionais. E para ser ainda mais um museu ao ar livre, quase todas as ruas têm uma espécie de cartoon que explica a história da zona, o que te ajuda a perceber melhor o passado da cidade. Tenho dois sítios absolutamente fantásticos para comer a recomendar: Woodlands: é um restaurante indiano e vegetariano delicioso. Uma refeição vai-te custar uns 3 ou 4 euros máximo dos máximos. Se gostas deste tipo de cozinha, este é o sítio para ir. Chinahouse: este sítio é tudo menos o que eu estou habituada. É todo hipster e nada barato mas tem um sortido de bolos capaz de pôr água na boca dos mais fortes! E a comida também é espectacular. Por isso se te apetecer uma coisa um bocadinho menos asiática ou um bolo de comer e chorar por mais, este é o teu sítio. Recomendo o sponge cake de maracujá e limão! E por fim, chegámos à Síria: Refugiados há 6 anos Escolher um sírio como host na Malásia pode não parecer a decisão mais lógica, mas de experiências passadas sei que as pessoas do Médio Oriente são das mais hospitaleiras do mundo e muito sinceramente queria saber a história dele e a versão dele sobre a guerra na Síria. Passámos várias horas a falar sobre o assunto. Conseguia ver-lhe a dor estampada no rosto, apesar de falar em esperança. Não sendo um assunto fácil, percebo que queira falar sobre ele. Passar a mensagem sobre o que viu e viveu antes de ir para a Malásia. O Khaldoun (como se chama) é de Damascus, a capital, onde há 6 anos começaram os protestos contra o regime ditatorial de Hassad. Os protestos que correram o médio Oriente na chamada primavera árabe rapidamente se tornaram num banho de sangue na Síria. Os protestantes eram mortos ou presos e torturados. O conflito escalou ao ponto das pessoas se reunirem e formarem a Free Army, um exército anti governo que queria devolver o poder às pessoas. Disse-me que muitos amigos dele se tinham juntado e que ele também se queria juntar e preferia ter ficado na Síria a lutar pelo país. Mas num dos protestos o irmão foi preso durante 6 dias e quando voltou não era o mesmo (entretanto recuperou). A mãe pegou na família toda e tratou de sair do país enquanto ainda havia essa possibilidade. Entretanto, há seis anos que observam o seu país a ser consecutivamente destruído, recebem notícias de amigos que morreram na guerra por motivos que ninguém compreende bem. A única questão é mesmo porquê? E até quando? Numa nota mais leve, a comida Síria é deliciosa. A combinação de especiarias é perfeita e levou-me directamente para o Médio Oriente. Acho que para ele é como uma espécie de refúgio num lugar que está a milhares de quilómetros de casa tanto a nível geográfico como a nível cultural. No último dia, ele convidou também a minha amiga alemã para ir jantar lá a casa e comer um prato tradicional da Síria. Durante o jantar ele agradeceu-lhe pela quantidade de refugiados que a Alemanha acolheu e disse que iria sempre ajudar/dar guarida a qualquer alemão que precisasse. À pergunta “queres voltar um dia à Síria” a resposta é um sim bem claro. E tenho a certeza que isto se passa com a grande maioria dos Sírios. Há uma urgência de voltarem ao país que tanto amam e que é a sua verdadeira casa. Querem as suas tradições, casas, famílias, comidas e vidas de volta. Mas de momento a Síria é um campo de batalha que só consome vidas. Quem diz “deviam é voltar para a terra deles” estão a dizer que basicamente deviam morrer, quando nós não conseguimos sequer imaginar uma guerra, quanto mais o nosso país a ser completamente devastado por bombas, ataques químicos e sabe-se lá mais o quê. Enfim, não podia deixar de partilhar esta parte da minha visita a Penang. Aconselho definitivamente uma visita, nem que seja só a Georgetown. É uma cidade única e muito curiosa que vale a pena visitar. Eu não sabia ao que ia e acabei por ter dois dias espectaculares e uma das noites mais divertidas da minha vida! Dicas rápidas: Transporte: Georgetown tem um centro muito pequeno mas precisares aconselho-te a fazeres download da app Grab. Funciona como a Uber mas é bastante mais barata. Adorei todos os motoristas da Malásia! São super simpáticos e curiosos por isso as tuas viagens vão ser bem mais divertidas! Cartão SIM: No centro comercial Komtar, perto do Starbucks, existe uma loja que vende cartões SIM para turistas. Funcionam durante 8 dias e tens direito a 3.8gb de internet. Custam 20 RM Alojamento: Se ficares num hostel aconselho a Love Lane ou as ruas à volta como melhor local. Vais encontrar imensos viajantes e é mais fácil de travar amizades 🙂

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Arranquei, às 8 da manhã, de Koh Lanta rumo a Penang. Dos 10 turistas que constituíam aquela mini van, depois da primeira paragem ficámos três e foi aí que começou a nossa aventura.
Na estação de autocarros de Trang fomos metidas (eu, uma alemã e uma holandesa) todas encavalitadas numa das mini vans mais desconfortáveis da história que não estava claramente feita para o tamanho europeu. Valha-nos o ar condicionado. É claro que é nas piores situações (ou mais cómicas) que se formam amizades e foi isso que aconteceu. Depois de mais uma mini van de Hat Yai até Penang e um almoço picante já éramos as melhores amigas!

Ps: custo da viagem – 1000 bht através de uma agência em Koh Lanta.

Um encontro no mínimo estranho
Chegadas a Penang, primeira missão: trocar dinheiro. E é aí que nos deparamos com a pessoa mais estranha que já conheci. Um rapaz aparentemente Canadiano (ou pelo menos foi o que ele disse) chegou ao balcão de câmbio com um ar muito aflito a perguntar onde é que era um determinado hotel. A senhora do balcão não estava minimamente interessada em ajudar, por isso nós dissemos que tínhamos o mapa da cidade no telemóvel e que podíamos ajudar. E foi aí que começou o drama:

Segundo ele, tinha sido roubado nesse mesmo dia (um valor exorbitante de 2000 dólares) e pelo que percebi, foi roubado no autocarro por alguém que o hipnotizou. Sim, isso!
Apesar de muito pouco verosímil, decidimos convidá-lo para ir connosco até ao Starbucks porque precisávamos todos de wifi e duma coisinha doce!

No Starbucks a história só piorou e eu já não sabia para onde havia de me virar. Portanto, nesse mesmo dia a namorada tinha acabado com ele. Como? Estavam os dois a passear na rua, passa um gajo que se vira para a namorada e diz “you are hot” e ela diz “you too” e vão os dois embora juntos.
Claro que eu estava quase a chorar a rir, quem me conhece sabe que eu tenho um grave problema, e começo-me a rir automaticamente da desgraça dos outros. Ele ainda acrescentou que eles namoravam há dois meses mas nunca se tinham beijado, que a tinha conhecido porque tinha salvado a vida dela num acidente qualquer e que tinha perdido muito peso por causa dela (ainda parecia ter uns 100 quilos). Quase caí para o lado quando ele disse que a mãe dele tinha morrido este ano também…
Felizmente a Martina (holandesa) manteve uma postura brilhante durante o tempo todo e ia acenando. Eu já só contava os segundos até o meu host me ir buscar. Ele lá apareceu e eu cheia de medo que ele convidasse o gajo louco para ir lá dormir também, mas não aconteceu.
Deixámo-las lá uma vez que iam apanhar um táxi até ao hostel e prometemos encontrar-nos no dia seguinte (não com o gajo estranho que do nada também se tinha lembrado que já tinha estado naquele sítio um dia com o pai dele).

Monkey Beach

No lado oposto a Georgetown, existe um parque natural com vários trilhos pela “selva” que te levam até a praias solitárias e a lagos bonitos. Os caminhos têm alguns obstáculos mas nada que não se faça. Na minha inocência achei que ia ser coisa para demorar 3 horas incluindo ir, voltar e estar um tempo na praia. Mas demoramos umas cinco! O que quer dizer que estava completamente esfomeada e nem a meio íamos. Pelo caminho vimos lagartos gigantes e macacos. Tomámos banho numa praia deserta e passados 5 minutos de termos saído da água vimos um lagarto a nadar por ali também!!
A Monkey Beach em si é muito bonita e até tem um género de hostel/parque de campismo muito hippie onde podes ficar. Felizmente também fazem umas magníficas sandes de ovo para aqueles que não vêm preparados 😉
De Georgetown até ao parque natural podes apanhar um autocarro ou recorrer ao Grab (o Uber da Ásia) se tiveres mais pessoas para partilhar o valor. Não é mesmo nada caro. Meia hora de caminho devem ser 7€ no máximo. Para chegar à praia em si escolhemos ir e vir a andar (hora e meia para cada lado sem parar) mas também existem barcos a fazer essa ligação.

Entretanto, uma amigo meu que foi a esta praia segundo a minha recomendação teve que andar à luta com um macaco! Por isso, recomendo-te a nunca te aproximares deles nem teres comida à mostra. Os macacos na Ásia não são para brincadeiras.

Pontes de confiança
Praia só para nós!

A caminho

Georgetown

Georgetown é no mínimo adorável!
Uma fusão de religiões, pessoas e culturas, tudo num raio de meia hora. Para além de poderes ver todo o tipo de templos (hindus, budistas, igrejas, mesquitas…) pelas ruas, Georgetown é particularmente conhecida pela sua “comida de rua”. São dezenas de pratos para provar, nas mais diversas bancas. O maior mercado de comida que vi foi durante a noite, relativamente perto da Love Lane, mas é só andares pela cidade um bocadinho que escolhas não vão faltar. Sendo Georgetown a parte mais turística de Penang para backpackers, existem montes de bares com happy hours e até bares com bebidas grátis para mulheres… Prometo que vais ter noites memoráveis!
A outra grande característica de Georgetown é a arte urbana. Por toda a cidade existem pinturas, grafittis e expressões de arte que contrastam perfeitamente com o ambiente mais histórico e que já ganharam muitos prémios internacionais. E para ser ainda mais um museu ao ar livre, quase todas as ruas têm uma espécie de cartoon que explica a história da zona, o que te ajuda a perceber melhor o passado da cidade.

Tenho dois sítios absolutamente fantásticos para comer a recomendar:

Woodlands: é um restaurante indiano e vegetariano delicioso. Uma refeição vai-te custar uns 3 ou 4 euros máximo dos máximos. Se gostas deste tipo de cozinha, este é o sítio para ir.

Chinahouse: este sítio é tudo menos o que eu estou habituada. É todo hipster e nada barato mas tem um sortido de bolos capaz de pôr água na boca dos mais fortes! E a comida também é espectacular. Por isso se te apetecer uma coisa um bocadinho menos asiática ou um bolo de comer e chorar por mais, este é o teu sítio. Recomendo o sponge cake de maracujá e limão!

E por fim, chegámos à Síria:

Refugiados há 6 anos

Escolher um sírio como host na Malásia pode não parecer a decisão mais lógica, mas de experiências passadas sei que as pessoas do Médio Oriente são das mais hospitaleiras do mundo e muito sinceramente queria saber a história dele e a versão dele sobre a guerra na Síria.

Passámos várias horas a falar sobre o assunto. Conseguia ver-lhe a dor estampada no rosto, apesar de falar em esperança. Não sendo um assunto fácil, percebo que queira falar sobre ele. Passar a mensagem sobre o que viu e viveu antes de ir para a Malásia. O Khaldoun (como se chama) é de Damascus, a capital, onde há 6 anos começaram os protestos contra o regime ditatorial de Hassad. Os protestos que correram o médio Oriente na chamada primavera árabe rapidamente se tornaram num banho de sangue na Síria. Os protestantes eram mortos ou presos e torturados. O conflito escalou ao ponto das pessoas se reunirem e formarem a Free Army, um exército anti governo que queria devolver o poder às pessoas. Disse-me que muitos amigos dele se tinham juntado e que ele também se queria juntar e preferia ter ficado na Síria a lutar pelo país.

Mas num dos protestos o irmão foi preso durante 6 dias e quando voltou não era o mesmo (entretanto recuperou). A mãe pegou na família toda e tratou de sair do país enquanto ainda havia essa possibilidade.
Entretanto, há seis anos que observam o seu país a ser consecutivamente destruído, recebem notícias de amigos que morreram na guerra por motivos que ninguém compreende bem. A única questão é mesmo porquê? E até quando?

Numa nota mais leve, a comida Síria é deliciosa. A combinação de especiarias é perfeita e levou-me directamente para o Médio Oriente. Acho que para ele é como uma espécie de refúgio num lugar que está a milhares de quilómetros de casa tanto a nível geográfico como a nível cultural.
No último dia, ele convidou também a minha amiga alemã para ir jantar lá a casa e comer um prato tradicional da Síria. Durante o jantar ele agradeceu-lhe pela quantidade de refugiados que a Alemanha acolheu e disse que iria sempre ajudar/dar guarida a qualquer alemão que precisasse. À pergunta “queres voltar um dia à Síria” a resposta é um sim bem claro. E tenho a certeza que isto se passa com a grande maioria dos Sírios. Há uma urgência de voltarem ao país que tanto amam e que é a sua verdadeira casa. Querem as suas tradições, casas, famílias, comidas e vidas de volta. Mas de momento a Síria é um campo de batalha que só consome vidas. Quem diz “deviam é voltar para a terra deles” estão a dizer que basicamente deviam morrer, quando nós não conseguimos sequer imaginar uma guerra, quanto mais o nosso país a ser completamente devastado por bombas, ataques químicos e sabe-se lá mais o quê.
Enfim, não podia deixar de partilhar esta parte da minha visita a Penang.

Aconselho definitivamente uma visita, nem que seja só a Georgetown. É uma cidade única e muito curiosa que vale a pena visitar. Eu não sabia ao que ia e acabei por ter dois dias espectaculares e uma das noites mais divertidas da minha vida!

Dicas rápidas:

Transporte: Georgetown tem um centro muito pequeno mas precisares aconselho-te a fazeres download da app Grab. Funciona como a Uber mas é bastante mais barata. Adorei todos os motoristas da Malásia! São super simpáticos e curiosos por isso as tuas viagens vão ser bem mais divertidas!

Cartão SIM: No centro comercial Komtar, perto do Starbucks, existe uma loja que vende cartões SIM para turistas. Funcionam durante 8 dias e tens direito a 3.8gb de internet. Custam 20 RM
Alojamento: Se ficares num hostel aconselho a Love Lane ou as ruas à volta como melhor local. Vais encontrar imensos viajantes e é mais fácil de travar amizades 🙂

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