Portugal

Pelos caminhos do Norte de Portugal

Durante a minha infância e adolescência fui muito sortuda porque os meus pais se dedicaram a mostrar-me quase todos os cantinhos de Portugal. De Norte a Sul, posso orgulhar-me de conhecer razoavelmente bem o meu país. Mas nos últimos anos, com as mudanças constantes, tenho-me desleixado e, ao mesmo tempo, apercebido que ainda há muito por descobrir.

Aproveitando um evento no Porto, não podia deixar escapar a oportunidade de ver (e comer) mais um pedacinho do norte. O plano foi delineado e em dois dias conseguimos fazer Douro e Minho! É pouco tempo, mas por um lado ainda bem porque a comer daquela maneira ficaria obesa numa semana!

Amarante: para os gulosos tradicionais

Amarante não estava nos planos iniciais de viagem, mas depois dum incrédulo “Nunca foste a Amarante?!” lá fizemos esta pequena paragem. Assim que chegámos (estávamos num concorrido domingo de Verão) ouvimos o primeiro chorrilho de asneiras vindo de uma numerosa família nortenha. Não havia dúvida de que estávamos no sítio certo para começar o nosso passeio.

Engenharia de primeira…

Muito mais charmosa do que tinha antecipado, Amarante conquistou-me não só pela sua arquitectura, mas pelos seus doces. Pão-de-ló molhadinho acabado de fazer? YES, PLEASE! Isso e tudo o que tenha 10 gemas e 2 quilos de açúcar deixa-me feliz.

Classe! As Cavacas do Moinho Centro Histórico recomendam-se!
Pinhão e as vinhas sem fim

Com o Douro a tornar-se num destino internacionalmente famoso e a aparecer nos jornais dia sim, dia sim, parece que só eu é que não ia lá há anos. Também queria ver quilómetros e quilómetros de vinhas em socalcos ao longo do rio Douro.

Sem dúvida que a melhor forma de ver este tesouro nacional é fazer a estrada N222 e todas as estradinhas e estradecas que te dão acesso às melhores vistas. Para além duma curta paragem no Pinhão para picnicar, o Miradouro mais bonito que visitámos foi o Miradouro São Leonardo De Galafura que, apesar de ser no meio de nenhures, é deslumbrante.

Ponte de lima: Três quilos de carne e uma Taça

Inspirados pelas distâncias que cobrimos num dia na Islândia, arrancámos do Douro directamente para a região do Vinho Verde. Íamos passar a noite na bela vila de Ponte de Lima.

 Já sendo minha conhecida, foi revê-la, até porque há sempre novos lugares por descobrir, como é o caso da ponte e moinho de Estorãos. Apenas a 10km do centro da vila, está uma pequena azenha muito pitoresca, recuperada para turismo local, que faz as delícias dos amantes da fotografia e não só.

Depois de um dia com muitos quilómetros, estava finalmente na hora do jantar! Seguindo as recomendações do nosso “host” e do TripAdvisor, fomos parar ao Petiscas. O que se sucedeu a seguir foi pornografia gastronómica. Começando com pataniscas fininhas deliciosas, passando pela posta mirandesa, cabrito e vitela e acabando no leite-creme, tudo regado com malgas de vinho verde, saímos de lá gordos mas felizes.

Quando fomos explorar o centro histórico para desmoer o jantar decorria o jogo Portugal vs Holanda na final da Liga das Nações. Como ganhámos, este passeio teve um gostinho ainda mais especial!

Os passadiços do Sistelo e o Tibete português

Tendo eu uma meia costela minhota, fazia todo o sentido acabar o fim-de-semana perto da terra dos ante passados. E não é que há um Tibete em Portugal e eu não fazia ideia? E ainda por cima com passadiços!

O Sistelo merece um dia inteiro já que há tantos os trilhos para percorrer, mas para os menos sortudos como nós que só tínhamos duas horas, aqui fica o resumo de um lugar parado no tempo, com vacas a pastar, pontes centenárias e socalcos até perder de vista.

É bom ver que estes lugares são cada vez mais valorizados e procurados para passear. Neste 10 de Junho o Sistelo estava tão concorrido que tivemos que nos fazer rapidamente a uma mesita de café num restaurante/tasca de petiscos: a Tasquinha Ti’ Mélia. Mais uma vez, pataniscas, pastéis de bacalhau, pica-pau e pregos invadiram a mesa, e refastelamo-nos ali no meio da aldeia até ao perigoso momento em que duas vacas gigantes passaram a 10 centímetros de nós. Que bem que se está no campo!

Os galos e bailaricos de Barcelos

Já que estávamos numa onda de “Portugal Tradicional” escolhemos Barcelos como o nosso destino final. Com o primeiro de muitos galos gigantes a dar-nos as boas vindas, seguimos pela Ponte de Barcelos até ao centro histórico donde se ouvia um rancho muito desafinado.

Em plena Avenida da Liberdade velhinhos com velhinhas ou velhinhas com velhinhas dançavam ao som de letras impróprias, como é costume em todos os bailaricos de verão.

O lugar que mais gostei foi o Largo do Apoio, porque quem é que não gosta de uma boa esplanada enquadrada por centenas de anos de história.

Por agora, é um até já Portugal e logo se vê onde é que o passeio de Natal nos leva!

Alfacinha germinada e cultivada num cantinho à beira mar plantado, a Inês tem uma certa inquietação que não a deixa ficar muito tempo tempo no mesmo sítio. Fez Erasmus em Paris, trabalhou em Istambul e em Portugal, fez um mestrado em Creative Advertising em Milão e agora trabalha no Reino Unido. Viajar, criatividade, cozinhar, dançar e ler são algumas das suas paixões. A combinação de algumas delas deu origem a este blog, o Mudanças Constantes. Bem-vindos!

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