Islândia

A Península de Snaefellsnes: uma Islândia dos pequenitos

Sete dias na Islândia não é muito tempo, mas no Verão a noite nunca chega e os dias de viagem acabam por se prolongar sem darmos por isso. Logo no nosso primeiro dia de estrada fizemos 12 horas! O Google esquece-se que na Islândia, de cinco em cinco quilómetros, há um lugar em que “temos mesmo que parar”…

Fazendo o primeiro troço da Ring Road, a Estrada Número 1 que dá a volta à ilha toda, chegámos ao nosso primeiro destino da viagem: a Península de Snaefellsnes.

Este bocadinho de terra aparentemente insignificante engana bem! Apesar das distâncias não serem particularmente grandes, há tanta coisa para ver que não fizemos mais nada o dia inteiro para além desta península. Ela é vulcões, focas, igrejas fofas e cascatas icónicas. Uma pequena amostra bem concentrada de tudo o que a Islândia tem para dar.

1# Paragem: Gerðuberg Cliffs

Logo no início da península estão estas colunas de basalto hexagonais, feitas com uma precisão de engenheiro, sendo que neste caso os empreiteiros foram a lava e o mar. Existem vários caminhos para subir até ao topo destas colunas que têm uma vista fantástica sobre as praias e montanhas.

2# Paragem: Ytri Tunga Seal Beach

A paragem mais fofa da nossa roadtrip. Depois de uma pequena caminhada pela praia encontrámos nas rochas uma colónia de focas que disfrutavam do sol de forma pachorrenta. É tão giro vê-las ali a brincar em família!

3# Paragem: Rauðfeldsgjá Gorge

Apesar de ter planeado a maioria das nossas paragens na Islândia às vezes há lugares lindos que surgem inesperadamente. É fácil identificar os pontos turísticos: têm sempre um parque de estacionamento cheio que carros lá perto.

Foi o caso deste desfiladeiro, que parece saído de um documentário do National Geographic, onde as gaivotas têm os seus ninhos e voam por ali em círculos num ambiente absolutamente selvagem.

Há uma passagem que te leva para dentro do desfiladeiro (onde supostamente há uma queda de água) mas só é acessível se tiveres roupa e sapatos impermeáveis. Com ou sem cascata é uma paragem obrigatória.

4# Paragem: Arnarstapi

Quando a fome aperta há sempre desculpa para mais uma paragem. Com uma marmita de luxo trazida de Portugal, incluindo a bela da sandes de bacalhau à Brás, cerejas e bolinhos caseiros piquenicámos no carro abrigados do vento gelado.

Para além de uma boa paragem para almoço, em Arnarstapi também há uma caminhada de 6 km pelos rochedos até Hellnar. Nós só fizemos uma pequena parte por falta de tempo, mas esta vila, que outrora foi um importante porto de comércio, tem alguns dos rochedos mas bonitos do país.

5# Paragem: Lóndrangar Cliffs e Djúpalónssandur Black Beach

Seguiram-se duas praias de areia negra onde a natureza nos continua a surpreender com as suas capacidades artísticas. Nas falésias de Lóndrangar, sobressai no meio do mar uma estrutura de conto de fadas, com 75 metros que se vê a quilómetros de distância.

Logo a seguir está a praia de Djúpalónssandur, com pedras gigantescas que eram usadas para testar a força dos pescadores e os “restos mortais” de uma traineira inglesa que naufragou naquela costa em 1948. 

6# Paragem: Saxholar Crater

Com tanta paragem já estávamos a ver a nossa a vida a andar para trás e a pensar que nunca chegaríamos ao nosso destino. Num esforço para cortar paragens, pensei que a cratera Saxholar podia ser evitada, mas assim que nos começamos a aproximar dela, vimos logo que estava na hora de mais uma paragem.

Esta cratera de vulcão, que entrou em erupção há cerca de 3000 anos, dá-nos muito em troca de pouco. Numa paisagem maioritariamente plana, do topo da cratera dá para ver tudo, e tudo é bonito. E são só 5 minutos a subir!

7# Paragem: Ingjaldshólskirkja

Para além da catastrófica igreja de Reykjvík, a maioria das igrejas islandesas são muito adoráveis e pitorescas. Esta igreja em particular é o postal islandês perfeito.

8# Paragem: Svödufoss

Se há escolhas a fazer na Islândia é se “esta cascata vale a pena”. Há tantas, de tantos tamanhos, formas e feitios que se fossemos parar em todas nem um ano chegava. Mas esta em particular está tão bem enquadrada que se tornou numa das minhas paisagens islandesas preferidas.

Ao fim da tarde já as nuvens tinham destapado o topo do glaciar e, num campo amarelo-torrado, lá está ela a pousar para as fotos.

9# Paragem: Kirkjufellsfoss

Tínhamos finalmente chegado ao ponto mais famoso desta península: a cascata Kirkjufellsfoss. Quando se Googla “Islândia” (não Iceland, porque no Reino Unido é uma loja de congelados…) esta é uma das primeiras imagens que aparece. Pelos vistos é a cascata mais fotografada da Islândia. E não é que é tudo mentira?

A cascata em si é minúscula (para padrões islandeses) e nunca seria minimamente conhecida se não fosse a perspectiva super fotogénica com a montanha Kirkjufell por trás. Senti-me algo aldrabada pelas milhares de fotos que já tinha visto no Instagram desta cascata que prometia ser a mais bonita da Islândia, mas de forma a perpetuar esta embuste, aqui vão as minhas também:

E assim foi a nossa tour pela Península que tem tudo num pequeno pedacinho de terra. Às 9 da noite, já estoirados, alcançámos finalmente o nosso Airbnb quentinho e procedemos a deliciarmo-nos com um Arroz de Pato gourmet. É este o truque da Islândia, uma quantidade significativa de Tupperwares com delícias caseiras para nos aconchegar depois de um longo dia de passeio.

Alfacinha germinada e cultivada num cantinho à beira mar plantado, a Inês tem uma certa inquietação que não a deixa ficar muito tempo tempo no mesmo sítio. Fez Erasmus em Paris, trabalhou em Istambul e em Portugal, fez um mestrado em Creative Advertising em Milão e agora trabalha no Reino Unido. Viajar, criatividade, cozinhar, dançar e ler são algumas das suas paixões. A combinação de algumas delas deu origem a este blog, o Mudanças Constantes. Bem-vindos!

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