Tanzânia

Stone Town: um poço de história, cultura e portas

Uma viagem a Zanzibar nunca ficaria completa sem um passeio pela icónica cidade de Stone Town. É um lugar com um passado cultural tão rico que dava para uma aula de história de duas horas! Não querendo maçar, aqui fica um resumo rápido dos eventos mais relevantes da história de Zanzibar:

– Em 1498 os portugueses tornaram-se nos primeiros europeus a chegar a Zanzibar (claro)
– Durante quase 2 séculos a ilha esteve sobre o domínio de Portugal e foram os portugueses que começaram a construir a primeira estrutura em pedra: o Old Fort

– Em 1698 veio o Sultão do Omã e apoderou-se da coisa
– Em 1840 Stone Town tornou-se na capital do Sultanato do Omã e foi neste período que a cidade começou a prosperar.
– Poucos anos depois, Zanzibar passou a ser um sultanato independente
– Durante todo o século XIX Stone Town floresceu como um importante centro de comércio de especiarias e escravos.
– Atraiu mercadores ricos de todo o mundo e transformou-se numa cidade com uma grande diversidade cultural e arquitectónica.

– No fim do século vieram os ingleses e tomaram a ilha em 45 minutos e Zanzibar foi colonizada. Esta é considerada a guerra mais curta da História.
– Em 1964, Stone Town foi palco da sangrenta “Revolução de Zanzibar” onde finalmente disseram “adeusinho” ao sultão. Zanzibar torna-se independente.
– No mesmo ano Zanzibar passa a fazer parte a Tanzânia e assim continua até aos dias de hoje.

Ufa!

Com tantas trocas e baldrocas é fácil perceber porque é que esta cidade, património da UNESCO, tem tanto que se lhe diga. Mas como sempre, o segredo está nos detalhes e nas ruas estreitas e encruzilhadas de Stone Town é nas portas que podemos viver o seu passado.

Se escutássemos por uma porta decorada com pinos de latão do outro lado provavelmente ouviríamos Punjabi.

Por trás das mais simples e coloridas, viviam os Swahili.

E, ao abrirmos uma porta com padrões intrincados (muitos deles representando versos do Corão) seriamos recebidos por um árabe.

As horas que passámos em Stone Town acabaram por ser muito espontâneas e sem rumo. A regra é simples “mete-te pelas ruas que te chamam mais à atenção”. Sem querer, descobrimos a casa do Freddie Mercury, um arco português, dezenas de portas magníficas e lojas de artesanato que me deram, efectivamente, vontade de comprar tudo.

A cidade pode ser um bocadinho “rough around the edges”, imperfeita, mas é nos ninhos de cabos de electricidade ou nas casas que precisam de uma nova demão de tinta que reside a sua singularidade.

Conquistou facilmente um lugar no meu top cidades.

Dicas rápidas

Restaurante: Recomendaram-me o Lukmaan Restaurant e tem muito boas reviews!

Alojamento: Ten to Ten foi o hostel que nos recomendaram em Paje como um lugar onde podíamos deixar a nossa bagagem enquanto passeávamos por Stone Town antes de irmos para o aeroporto. O staff foi cinco estrelas e o hostel estava cheio de viajantes a solo e em grupo, por isso pareceu-me ser uma boa escolha caso queiras pernoitar em Stone Town.

Táxis: Tenta sempre marcar os táxis através do alojamento. É mais barato e não tens que te preocupar com negociações.

Roupa: Apesar de ser uma ilha muçulmana, Stone Town tem um estilo muito relaxado. Vi muitas turistas de calções, mas aconselho umas calças leves e largas e um top/t-shirt que cubra os ombros.

Alfacinha germinada e cultivada num cantinho à beira mar plantado, a Inês tem uma certa inquietação que não a deixa ficar muito tempo tempo no mesmo sítio. Fez Erasmus em Paris, trabalhou em Istambul e em Portugal, fez um mestrado em Creative Advertising em Milão e agora trabalha no Reino Unido. Viajar, criatividade, cozinhar, dançar e ler são algumas das suas paixões. A combinação de algumas delas deu origem a este blog, o Mudanças Constantes. Bem-vindos!

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