leopard seringeti national park
Tanzânia

Serengeti: Aqui há gato, muito gato!

Monumental. Colossal. Impressionante. Único. UAU.

O nosso segundo dia de safari passou-se entre suspiros de admiração e tentativas de adjectivar o “inadjectivável”.

Ngorongoro: comecemos pelo princípio

Certamente que existem poucos lugares no mundo tão assoberbantes como a Cratera de Ngorongoro. Não me querendo alongar demasiado sobre este lugar neste post (dedicar-lhe-ei um mais tarde), esta cratera é um poço de biodiversidade inigualável. 

Mas não é só isso. Foi na região a cratera que foram descobertas pegadas de hominídeos (Australopithecus afarensis) com 3.6 milhões de anos e fósseis humanos com 1.8 milhões de anos. Resumindo, foi por aqui – Este de África – que começámos.

Depois de uma longa sessão de absorção de todos os detalhes e contornos da cratera de Ngorongoro, continuámos pela estrada que nos levaria ao Serengeti.

Nas estradas encontrámos búfalos, zebras, girafas, cabrinhas, vacas e até camelos (que os Maasai usam pelo seu leite). Ao longo da viagem a paisagem transformava-se. Os tons de verde começaram a amarelar e a abundância de água esmorecia.

Durante toda o percurso vimos muitos Maasai, algo que me surpreendeu. Por alguma razão achava que eram uma tribo meia “escondida” – provavelmente porque é esse o meu conceito de tribo. Contudo, os Maasai são um grupo étnico do Quénia e Tanzânia com uma população de 800 000 só na Tanzânia.

Mal podia esperar pelo nosso último dia de viagem onde iríamos explorar a fundo esta cultura e modo de vida tão diferentes dos nossos.

Serengeti: um pouco de tudo para todos os gostos

Já em plena savana fomos brindados com o primeiro grande presente que o Serengeti nos deu: a migração dos gnus. Todos os anos quase dois milhões de gnus e milhares de zebras e gazelas migram do sul do Serengeti até ao sul do Quénia, cobrindo cerca de 800 km. É uma das maiores migrações do mundo.

Em Fevereiro/Março, para além de poderes assistir à migração, também é a altura em que nascem os gnuzinhos todos; 8000 por dia!

Mas foi assim que entrámos no Parque Nacional do Serengeti que começou a desbunda total!

5 minutos depois de termos entrado já estávamos aos pés de um leão que dormia pacificamente debaixo de uma árvore à beira da estrada… um bocadinho mais adiante descobrimos uma alcateia de leões! Eventualmente perdemos a conta ao número de Reis da Selva que vimos.

Ainda passámos por hipopótamos, o Pumba, águias, abutres, uma chita (a única da viagem!) e dois leopardos lindíssimos, que passaram a ser os meus bichos favoritos.

Não podíamos ter pedido mais.  

Ora, claro que o Serengeti ainda não se tinha cansado de nos surpreender e à medida que nos íamos aproximando do acampamento dava-se um pôr-do-sol espectacular.

Dormindo com as amigas hienas

O nosso acampamento, o Serengeti Bush Camp, era bem giro. À chegada fomos recebidos com grandes sorrisos dos Maasai que ali trabalham. Para além dos sorrisos também estávamos dependentes deles para sobreviver nas duas noites que íamos passar no coração do Serengeti.

As regras eram simples: a partir do momento em que o sol se pusesse tínhamos que ser acompanhados sempre que quiséssemos sair das nossas tendas. Afinal, estávamos a dormir no meio da selva, sem cercas ou qualquer outra protecção.

Agora, “tendas” é como quem diz. Com canalização, camas e electricidade, este acampamento tinha tudo. Também tinha os donos e staff mais queridos do mundo que para além de saberem quem era o Cristiano Ronaldo, sabiam muitos outros jogadores da nossa Selecção Nacional!

Durante a noite é bom que tenhas ou tampões para os ouvidos ou um sono pesado porque os animais são mais activos quando o sol se põe. Logo, vais ter uma orquestra sinfónica selvagem como banda sonora dos teus sonhos. Há coisas piores 😉

E nos outros dias?

Nos outros três Game Drives que fizemos não tivemos tanta sorte como no primeiro, de qualquer forma vimos muita coisa e aqui ficam os melhores momentos:

Um Crocodilo de barriga cheia

Uma piscina mal cheirosa cheia de hipopótamos

Leões nas árvores a tentar descer que nem uns totós

Leões esparramados a dormir

Um momento “eu mal posso esperar para ser rei!” com o Simba

E muita bicharada gira que, apesar de não ser tão sexy como os felinos, enriquece muito os safaris.

E assim se passaram dois dias num dos ecossistemas mais preciosos e antigos do Mundo.

Nota: muitas das fotografias foram tiradas pelo meu tio, Luís Oliveira.

Alfacinha germinada e cultivada num cantinho à beira mar plantado, a Inês tem uma certa inquietação que não a deixa ficar muito tempo tempo no mesmo sítio. Fez Erasmus em Paris, trabalhou em Istambul e em Portugal, fez um mestrado em Creative Advertising em Milão e agora trabalha no Reino Unido. Viajar, criatividade, cozinhar, dançar e ler são algumas das suas paixões. A combinação de algumas delas deu origem a este blog, o Mudanças Constantes. Bem-vindos!

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