Inglaterra

Yorkshire e um vislumbre do Peak District

Como prova de que me conhece de ginjeira, o meu namorado decidiu contemplar-me com uma “viagem” como prenda de Natal. Decidiu levar-me durante um fim-de-semana até York, uma cidade no Norte de Inglaterra famosa pelos seus afternoon teas, chocolates e centro histórico medieval.

Depois de umas férias de Natal muito activas em Portugal, onde as horas de sono foram inferiores às horas à mesa e de um dia 28 a trabalhar, cheguei a York completamente morta, mas entusiasmada por ir explorar mais um pedacinho deste país.

A chalupa do Airbnb

Não temos tido muita sorte com os nossos hosts em Inglaterra. Em Liverpool eram fantasmas italianos e agora em York calhou-nos uma velhinha maluca. Para além de não se calar, odiava o Mourinho, era pro-brexit (mas adora o dinheiro que recebe turistas no seu Airbnb…) e procedeu a dar-nos uma lição de história de Portugal, Índia e Inglaterra durante meia hora. A partir daí começámos a evitar todo o tipo de contacto com ela!

Inglaterra “como era antigamente”

Com o sono já reposto estava pronta para me pôr a andar. Não conseguimos sair antes de levarmos com um olhar e comentário reprovadores por termos descido já depois da hora do pequeno-almoço que desconhecíamos ser “só até às 9:30!”

Começámos por fazer o caminho à beira rio desde a Bridge Street até à ponte que dá acesso aos Museum Gardens. Toda a cidade está dentro de muralhas, as chamadas “City Walls”, por onde podes andar gratuitamente. Algumas partes dão-te uma boa vista sobre a cidade.

Os Museum Gardens são um dos sítios mais giros da cidade. Principalmente se, tal como eu, gostares de ruínas. Perfeitamente integradas na dinâmica do jardim estão as ruínas da St Mary’s chruch, cuja data de fundação é 1089.

À saída dos jardins metemo-nos noutro troço das muralhas que nos levaram até bem perto do monstruoso e icónico Minster de York. Esta catedral gótica é uma das maiores da Europa do Norte e a sua característica mais interessante é que alguns dos seus painéis ainda são originais remontando a 1270. Claro que como somos forretas não íamos dar 11 pounds para entrar 😉

Segue-se então aquela que foi a minha parte preferida de York: The Shambles. Estas antigas ruas de comércio de carne, constituídas por prédios do século XIV característicos pelas suas vigas, parecem saídas dum livro do Harry Potter. Por falar nisso, metade das lojas são agora de merchandising da saga.


A última estrelinha marcada no meu Google Maps já estava perto e fomos lá dar um saltinho, à Clifford’s Tower.

E o que é que se faz quando se vê uma cidade em 3 horas? Vai-se para o pub! Como tudo em York é ancião, o pub onde fomos, o The Three Tuns, é de 1782! Um espaço acolhedor e tradicional, na minha opinião, melhor para beber do que comer.

Kanarebraw – Nnesbra – Knaresborough

Demorei cerca de meia hora a conseguir pronunciar o nome do nosso próximo destino. Depois de uma rápida pesquisa por “lugares a visitar perto de York”, o resultado mais apelativo pareceu ser Knaresborough (lê-se nersbrah). Em meia hora estávamos lá.

E que descoberta que foi! Lembrou-me imediatamente Hallstatt na Áustria, mas ainda em modo anónimo. É uma vila mesmo muito pequenina, mas que vale muito a pena se estiveres na zona. A melhor vista para o aqueduto, que é também uma via-férrea, é a partir do Castelo (grátis).

Por fim deixo-te uma sugestão de lugar para almoçar ou jantar em York: Il Paradiso del Cibo (não aceitam cartões).

Uma nesga do Peak District

Decidimos acordar bem cedo no dia seguinte para nos livrarmos da chalupa chata. Inicialmente o meu plano era irmos ao Castle Howard, mas como o meu querido não quis dar 17 pounds para “ver uma casa de ricos”, decidimos trocar este projecto pelo Peak Distric.

Infelizmente o bom tempo que nos recebeu em York decidiu que não queria fazer o resto da viagem connosco e tivemos um dia muito farrusco sem direito a caminhadas épicas. Mesmo assim posso recomendar o Snake Pass, uma estrada com vistas muito bonitas e a aldeia de Castleton onde podes fazer a magnifica caminhada Mam Tor (Shivering Mountain) e passar pelo Winnats Pass. Aqui, parece que estás na Escócia. O nosso plano é voltar na Primavera ou Verão para caminhar e acampar.

Mais um cantinho de Inglaterra conquistado!

Alfacinha germinada e cultivada num cantinho à beira mar plantado, a Inês tem uma certa inquietação que não a deixa ficar muito tempo tempo no mesmo sítio. Fez Erasmus em Paris, trabalhou em Istambul e em Portugal, fez um mestrado em Creative Advertising em Milão e agora trabalha no Reino Unido. Viajar, criatividade, cozinhar, dançar e ler são algumas das suas paixões. A combinação de algumas delas deu origem a este blog, o Mudanças Constantes. Bem-vindos!

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