Dinamarca

Copenhaga: um guia para um fim-de-semana de Hygge

Os dinamarqueses são conhecidos pelo seu design, LEGO, contentores e por serem o povo mais feliz do mundo. Mas como é que um país que passa meio ano na escuridão e soterrado de neve pode ser feliz? Para eles, tudo se resume ao Hygge. Pronuncia-se Hue-Guh, e é um conceito algo abstracto e representa um momento especial ou feliz. Aconchegante, confortável e especial são as palavras-chave.

Os dinamarqueses são mestres a apreciar as coisas boas da vida. Longe de se preocuparem com bens materiais, roupas da moda ou telemóveis de última geração, focam-se em ter um estilo de vida equilibrado.

Durante a nossa rápida visita a Copenhaga, tentámos captar esta arte do Hygge e acho que não nos saímos muito mal. Este é o meu guia das coisas a fazer em Copenhaga para um fim-de semana muito feliz em Copenhaga, com pozinhos de Hygge.

As ruas escondidas do centro histórico

Se há coisas especiais neste mundo, é conseguir ir do aeroporto até ao centro da cidade em 15 minutos. E nisso nós, Lisboetas, estamos ao nível dos habitantes de Copenhaga. Aterrámos no aeroporto de capital mais calmo que já vi e em poucos minutos estávamos na Estação Central.

Como ainda tínhamos umas horas de sol decidimos ir passear pelo centro histórico. A rua mais dinâmica e lotada é a Hyskenstraede, onde se encontram todas as marcas que conhecemos e claro, a famosa loja LEGO. Mas se te desviares um pouco vais encontrar as Snaregade, Magstraede e a Kompagnistraede, ruas cheias de casas coloridas, com “calçada” e um ambiente muito Hygge 😉

Os Tivoli Gardens: decorações fofinhas & adrenalina

Não há guia ou post de blog sobre Copenhaga que não refira os Tivoli Gardens. E tenho que admitir, que pelas fotografias não me parecia nada de especial, mas mesmo assim decidimos experimentar. E de facto é um lugar muito feliz. Como fomos durante a altura do Halloween, todo o parque estava decorado com abóboras, espantalhos e o som “muahahahahah” ecoava pelas ruas deste enorme parque de atracções.

Acabámos por não andar em nenhuma montanha russa ou outra maquineta que provoque sentimentos de agonia, pavor e ataques cardíacos, porque isso está muito MUITO longe do meu conceito de Hygge (!) para grande desgosto do Jimmy…

A melhor parte do parque é ter os seus próprios monumentos: pagodas japonesas, lanternas chinesas, palácios árabes… Apesar de soar a uma grande salada russa, de alguma forma, resulta.

Bares aconchegantes à luz das velas

Recorrendo à minha poderosa rede de contactos desta vez tive a sorte de ser hospedada por um amigo Iraniano que vive em Copenhaga há mais de 30 anos. E no primeiro dia combinámos encontrar-nos na Dronning Louise Bro, uma ponte que aparentemente te leva até a uma das zonas mais em conta da cidade. Jantámos no Beyti (12€ por uma refeição decente) e seguimos para um pequeno pub crawl pelos bares da zona.

É notável o amor dos dinamarqueses por espaços confortáveis, com pouca luz e muitas velas. Todos os bares e pubs que vimos eram estranhamente calmos para a quantidade de pessoas que bebiam lá dentro. Em Inglaterra anda sempre tudo aos gritos e à cabeçada!

Três sugestões: Sorte Firkant, Amazonia (caipirinhas extremamente fortes!) e Escobar.

Hygge para o estômago: pastelaria dinamarquesa

Se há coisa da qual os dinamarqueses se orgulham é das suas padarias e pastelarias. E se o pão escuro deles é de facto muito bom, na pastelaria só me convencem com os Cinnamon Rolls. Muitos supermercados têm uma padaria logo à entrada onde vais poder satisfazer todos os teus desejos mais doces. Conta pagar 2.5 or 3 € por bolo. No centro recomendaram-me a Meyers Bageri Store.

A brisa marítima na tour pelos canais

Como tivemos uma sorte descomunal com o tempo a primeira coisa que fizemos no sábado foi dirigirmo-nos para a Canal Tours Copenhagen no Gammel Strande. O melhor desta tour foi mesmo ser levada que nem uma princesa pelos bonitos canais da cidade. Como estávamos na parte de fora do barco (erro!!) não ouvimos nada das explicações. Mesmo assim, acho que num dia bom vale certamente a pena até porque eu já não apanhava um sol daqueles há muito tempo.

Uma pitada de confusão: a Pequena Sereia

E numa cidade que parece uma vila, há um ponto em que reina o caos. E esse ponto é a famosa estátua da Pequena Sereia. Literalmente pequena, porque se não fosse a quantidade de turistas em cima da desgraçada a tirar selfies, uma pessoa passaria por ali quase sem olhar duas vezes. Mas como ir a Copenhaga e não ver a Pequena Sereia inspirada no conto de Hans Christian Andersen é como ir a Roma e… vocês sabem, aqui está o resultado. Nível de Hygge: -100

A quietude dos jardins da Cidadela

Back on track. A Cidadela é uma fortaleza com a forma de pentágono rodeada de água e jardins. No centro, acessível através de duas pontes, está uma micro aldeia com vários edifícios que hoje pertencem aos militares, uma igreja e um moinho fofinho. O lugar perfeito para um passeio ou uma corridinha.

A beleza de Nyhavn

Depois da Pequena Sereia, Nyhavn é a zona mais apetecível para os turistas. Um porto rodeado de pequenos edifícios, cada um de sua cor, outrora ocupado por marinheiros, é hoje um ponto de encontro cheio de restaurantes e vida. É também o sítio mais fotogénico de Copenhaga.

Encontrar a liberdade total em Christiania

Christiania é provavelmente a parte mais interessante de Copenhaga, um lugar diferente de tudo o que já vi. Esta comunidade, fundada em 1971, é como um país dentro de uma cidade; um país onde reina a anarquia. Tudo começou quando os militares que habitavam a zona a deixaram ao abandono e algumas pessoas decidiram mudar-se para aquela propriedade. E desde essa altura que até hoje, com alguns percalços pelo meio, se tornou num lugar de referência para aqueles que acreditam num mundo sem leis escritas.

Para além de ser um lugar muito hippie, onde cannabis e haxixe são vendidos tranquilamente em banquinhas de rua, Christiania também tem restaurantes, bares, galerias de arte e casas, cada uma com o seu estilo arquitectónico. São raros os carros que se vêem por lá e a natureza é espectacular (atravessa a ponte Dyssebroen).

Regras para visitar Christiania:

– Não tires fotos no Green Light District (onde se vende droga), nem tires fotos às pessoas locais sem pedir autorização;

– Não corras (isto tem a ver com os raids policiais)

– Não vás sozinha à noite (mulheres).

O topo do Hygge

E chegámos ao momento mais Hygge de toda a nossa pequena viagem. Depois de Christiania encontramo-nos com o Payam, o meu amigo e host, e começámos a nossa caminhada até casa de um amigo dele. Tínhamos sido convidados para um pequeno encontro de amigos. Caminhámos à beira rio (mar, lago, canal?!!) ao pôr do sol, eles com uma cerveja na mão, eu cheia de frio (única coisa que anula um pouco o Hygge da coisa) e eventualmente lá chegámos a um apartamento muito moderno E com o chão da casa de banho aquecido. Se isto não é felicidade não sei o que é.

Claro que onde há festa há portugueses e éramos não um, não dois, não três, mas quatro tugas! Estamos em todo o lado. Mais dois dinamarqueses, um iraniano, um inglês e uma rapariga de algum lado, passámos uma noite a comer (não muito que aquilo é a Dinamarca), a beber e a conversar. Tudo com umas velas acesas, claro, e um ambiente de convívio muito acolhedor e simpático. Isto sim, é o Hygge.

Dicas rápidas

Transportes: Do aeroporto para o centro da cidade podes apanhar o comboio e são só três paragens. Em Copenhaga em si, se o teu alojamento for no centro, não vais precisar de transportes públicos porque a cidade é muito pequena e completamente plana. Nós optámos por comprar o passe de 48 horas, cerca de 17€ pp, que inclui todos os meios e transporte para 4 zonas, incluindo o aeroporto. Não andes sem bilhete porque a multa é pesada e vimos um pica uma vez.

Alimentação: Ouch!!! Tudo é caríssimo de facto. A melhor aposta serão os supermercados, há 7-Eleven em todo o lado e têm sandes e saladas já feitas. De resto opta por cachorros quentes (o único sítio que vi que não aceitam pagamento em cartão), kebabs e pizzas. Em Nyhavn encontrámos uma pizzaria com preços muito decentes, chamada Nyhavn Pizza & Pastasalat. As saladas têm imenso molho L

Água: Leva uma garrafa reutilizável e enche em casas de banho ou fontes. Uma garrafa no 7-Eleven é mais de 2€.

Se tiveres tempo: Ponderámos comprar o Copenhagen City Pass que inclui todas as atracções e transportes na cidade, as como o tempo ia estar tão bom não íamos conseguir aproveitar quase nada e acabava por não valer a pena. Se tiveres tempo existem vários palácios, museus e igrejas que valem a pena. Aqui vão algumas sugestões

– Castelo Rosenborg
– Church of Our Saviour (subir lá acima)
– Museu do Design
– Palácio Christiansborg (grátis subir à torre)

E tu, vais partir à descoberta do Hygge?!

Alfacinha germinada e cultivada num cantinho à beira mar plantado, a Inês tem uma certa inquietação que não a deixa ficar muito tempo tempo no mesmo sítio. Fez Erasmus em Paris, trabalhou em Istambul e em Portugal, fez um mestrado em Creative Advertising em Milão e agora trabalha no Reino Unido. Viajar, criatividade, cozinhar, dançar e ler são algumas das suas paixões. A combinação de algumas delas deu origem a este blog, o Mudanças Constantes. Bem-vindos!

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